outras leituras - tagged with arte-ciencia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com MARIA DE SOUSA AO JL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11007/maria-de-sousa-ao-jl

Maria de Sousa, a bióloga que ganhou o Prémio Universidade de Coimbra 2011, declarou numa recente entrevista ao JL:JL- A poesia pode "inspirar" a ciência?MS- A melhor ciência é aquela que se aproxima da poesia.JL- Em que sentido?MS- Faz-se investigação para saber, por exemplo, por que razão o vinho está no copo, pequenas coisas que vão constituindo o edifício do conhecimento. E, de repente, chega um tipo como Einstein, que muda o mundo pela sua percepção de uma coisa. É uma criatividade tão forte que se aproximna de um ato poético. Aí fica como uma palavra, como um verso de Shakespeare.

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Wed, 23 Feb 2011 11:09:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11007/maria-de-sousa-ao-jl
Traços da medicina na azulejaria de Lisboa http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8913/tracos-da-medicina-na-azulejaria-de-lisboa

Minha recensão do livro de Madalena Esperança Pina, com o título de cima, filmado no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.

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Wed, 15 Dec 2010 01:52:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8913/tracos-da-medicina-na-azulejaria-de-lisboa
O PROBLEMA DA IMAGEM DO ÁTOMO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8846/o-problema-da-imagem-do-atomo

Informação recebida da Fundação Gulbenkian:No próximo dia 15 de Dezembro, pelas 18h00, irá ter lugar no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a conferência The Problem of a Picture of an Atom, proferida por Christopher Toumey (University of South Carolina, NanoCenter).Esta conferência insere-se no ciclo de conferências Image in Science and Art, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, no âmbito do projecto FCT «A Imagem na Ciência e na Arte», ciclo este que precede o Colóquio Internacional Image in Science and Art, a realizar nos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro de 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian.__________________________________________________AbstractNanotechnology earns much of its credibility by producing detailed and attractive pictures of atoms, molecules, and other nanoscale objects. But these pictures are not like photographs. With a photograph, one can compare a photo of an object with the object itself to see whether the photo is a faithful image of the object. But nano images are visual interpretations of electronic data, and they typically include a series of artificial enhancements. This means that a picture of an atom or a molecule is not a faithful image of the atom or the molecule. After introducing that problem, this presentation will trace the history of electronic microscopy leading up to the current status of nano images. Then, to explore how we might get the most benefit from visual knowledge contained in nano images, I review certain principles from early Cubist theory. We can apply those principles to nano images: instead of abandoning problematic nano images, we can better understand pictures of nanoscale objects by viewing them the way the early Cubists viewed the objects they painted.CHRIS TOUMEYChris Toumey is a cultural anthropologist in the University of South Carolina NanoCenter. His interest in societal issues in nanotechnology has resulted in more than 35 published articles on this topic. His two primary areas of research have been: [A] democratizing nanotechnology, that is, creating and identifying processes in which nonexperts can have active and constructive roles in nanotechnology policy; and [B] contested stories of the origin and development of nanotech, e.g., the Feynman story of the origin of nanotechnology. Other interests include: religious reactions to nanotechnology; interpreting SPM images of the nanoscale; and implications for privacy. His commentaries on nanotech appear four times a year in Nature Nanotechnology. Prior to his interest in nanotechnology, Chris Toumey researched a series of public scientific controversies, including the creation-evolution controversy, cold fusion, and fluoridation. His article on mad scientist stories is well known in studies of science and literature. His ethnography of the creationist movement, God’s Own Scientists, was published by Rutgers University Press, as was Conjuring Science, his account of the deployment and manipulation of the popular symbols of science in public scientific controversies.PRÓXIMAS CONFERÊNCIAS19 de Janeiro de 2011 | 18h00Visiting Time: The Renegotiation of the Time through Time-based ArtBoris Groys2 de Fevereiro de 2011 | 18h00Functional Images of the Brain: Beauty, Bounty, and BeyondJudy IllesINFORMAÇÕES | Projecto «A Imagem na Ciência e na Arte»Videodifusão: http://live.fccn.pt/fcgServiço de Ciência- Fundação Calouste GulbenkianAv. de Berna 45A – 1067-001 LSBOAT. 217 823 525 | E. scienceandart@gulbenkian.pt

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Fri, 10 Dec 2010 13:19:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8846/o-problema-da-imagem-do-atomo
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8728/alteracoes-climaticas-e-a-palavra-de-deus

Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New": FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert Park

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Sun, 28 Nov 2010 07:24:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8728/alteracoes-climaticas-e-a-palavra-de-deus
KEMP SOBRE LEONARDO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8581/kemp-sobre-leonardo

O historiador de arte britânico Martin Kemp esteve ontem na Gulbenkian em Lisboa a falar sobre imagens na ciência e na arte. vejamos o que escreveu sobre a famosa imagem do "homem de Vitrúvio" de Leonardo da Vinci, artista sobre o qual é especialista de renome mundial no seu livro "Leonardo da Vinci. Vida e Obra" (Presença, 2005):"A proporção era o modo como a concepção perfeita de Deis se manifesta em todas as formas e poderes da Natureza. As belezas do desenho proporcional foram uma das preocupações prima´rias dos arquitectos, escultores e pintores florentinos, pelo menos desde a época de Bruneleschi. Leonardo foi o primeiro a aliar a odeia do artista de beleza proporcional ao cenário mais vasto da acção proporcional de todos os poderes da Natureza. A fonte de maior autoridade em matéria de proporção no desenho arquitectónico era o tratado de arquitectura de Vitrúvio, o autor romano da Antiguidade. na qualidade de orientador supremo da concepção de beleza do arquitecto, Vitrúvio chamou a atenção para o modo como o corpo humano, com os braços esticados e as pernas afastadas, podia inscrever-se no interior de um círculo e de um quadrado, as duas figuras geométricas mais perfeitas. Dentro deste esquema, as partes que compunham o corpo podiam ser encardas como estando organizadas de acordo com um sistema de dimensões relacionadas, no qual cada uma das partes, por exemplo, o rosto, ficava numa relação de proporcionalidade simples face a cada uma das outras. A reformulação que Leonardo fez do esquema de Vitrúvio deu origem à concretização visual definitiva, sendo amplamente utilizada na imagística popular como símbolo aparente imediato da concepção "cósmica" do enquadramento humano. Tal como Leonardo referiu, a concepção proporcional do corpo humano era análoga à harmónica da música, assente nas proporções cósmicas descritas pelo matemático grego Pitágoras, Era a base matemática da música que lhe atribuía os seus direitos mais sérios, entre as artes, para competir com a pintura, embora Leonardo se tivesse dado ao trabalho de salientar que a harmónica da música tinha de ser ouvida sequencialmente, ao invés de ser apreciada em simultâneo, de um só relance, tal como acontecia na pintura."Martin KempNa imagem: o homem de Vitrúvio de Leonardio da Vinci, manuscrito na Galeria da Academia de Veneza.

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Thu, 18 Nov 2010 01:57:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8581/kemp-sobre-leonardo
CIÊNCIA E TEATRO EM BRECHT E ARISTÓFANES 1 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7852/ciencia-e-teatro-em-brecht-e-aristofanes-1

Já aqui tenho falado de ciência e teatro. Acaba de sair na Editora da Universidade do Porto o livro "Retórica e teatro" (Belmiro Fernandes Pereira e Marta Várzeas, orgs.), que contém este meu texto, resultado de edição de escritos anteriores. Como é algo maior do que aqui é costume divido-o em duas partes:Mostrar a ciência em palco constitui uma das melhores formas de fazer cultura científica, isto é, de levar a ciência à sociedade [1,2]. Nas peças do chamado “teatro científico” (teatro sobre temas de ciência, entenda-se, pois o teatro é uma forma de arte e, por isso, pouco tem de científico) encontram-se boas ilustrações tanto do discurso científico como do discurso contrário. Esse teatro, que inclui peças como “Copenhagen” [3] do inglês Michael Frayn, ou “Oxigénio” [4] dos norte-americanos Carl Djerassi e Roald Hoffmann, tem conhecido ultimamente um grande interesse em todo o mundo e também Portugal.Mas esse tipo de teatro é mais antigo. A peça “Vida de Galileu” do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956) é perfeita para recolher exemplos da relação entre retórica teatral e retórica científica. “Vida de Galileu”, como o próprio nome indica, mostra o percurso biográfico do matemático e físico Galileu Galileu (1564-1642) desde os seus tempos de jovem professor de Matemática na Universidade de Pádua até aos tempos de reclusão domiciliária em Arcetri, perto de Florença, depois de ter sido condenado pela Inquisição em 1633 e de ter abjurado publicamente as suas teses mais polémicas. A acção situa-se no início do séc. XVII, precisamente no tempo de Revolução Científica. Brecht, baseado em factos reais mas não se inibindo de tomar as suas liberdades literárias, põe na boca do sábio pisano (nasceu e estudou em Pisa) algumas das afirmações que abalaram verdades estabelecidas na época, nomeadamente ao advogar a mudança do sistema de Ptolomeu para o sistema de Copérnico, o que significa uma mudança de uma visão estritamente religiosa do mundo natural, baseada numa leitura literal da Bíblia, para uma visão científica, baseada na observação e na experimentação. O papel de Deus passou a ser diferente; num certo sentido, pode dizer-se que se esvaziou.Na cena 3, que se passa na cidade de Pádua em 10 de Janeiro de 1610 (lembre-se que em 2009 se celebra o quarto centenário das primeiras observações celestes com o telescópio, realizadas nos últimos dois meses de 1609), Galileu declara ao seu amigo Sagredo, depois de ter espreitado o céu com o telescópio, instrumento que ele aperfeiçou e que foi o primeiro a utilizar para observações astronómicas, e de ter descoberto as luas de Júpiter, que eram astros que de certa forma confirmavam o sistema de Copérnico (não giravam em redor da Terra):“Não pare de olhar, Sagredo. O que você vê é que não há diferença entre céu e terra. Hoje, 10 de Janeiro de 1610, a humanidade regista em seu diário: aboliu-se o céu.” Uso na citação a edição brasileira [5], uma vez que se aguarda a publicação entre nós de uma tradução recente de “Leben des Galilei” na colecção de obras quase completas de “Teatro” de Brecht que está em curso na Cotovia (há uma tradução portuguesa de 1970, feita por Yvette Centeno [6], e há traduções de alguns excertos feitas por esse grande germanista que foi Paulo Quintela [7]). A versão original da peça foi escrita em 1937-1939, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, mas há mais duas, escritas uma imediatamente após a a guerra (1945-1947) e a outra no pós-guerra (1956-1957), sendo muito interessante notar a evolução do texto da peça em paralelo com a evolução dos acontecimentos históricos a meio do século XX, nomeadamente a explosão da primeira bomba atómica que põe fim à guerra e o período de paz na chamada “guerra fria”. Esta evolução encontra-se bem descrita e comentada no livro “Do Pobre B.B. em Portugal” [8], que resultou de trabalhos de investigação efectuados pelo Centro de Estudos Germanísticos da Universidade de Coimbra, que também faz a história das várias representações da peça em Portugal. Recentemente, a peça foi representada no Teatro Aberto, de Lisboa, em versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos e encenação de João Lourenço.Mais adiante, na mesma cena, há um diálogo entre Galileu e Sagredo (este amigo existiu mesmo, sendo também o nome do leigo inteligente que surge nos “Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”), que é bem elucidativo das dificuldades de ordem teológica que a “nova ciência” vinha trazer:“Sagredo - Mas você não tem um pouco de juízo? Não percebe a situação em que fica se for verdade o que está vendo? Se você andar por aí gritando pelas feiras que a Terra é uma estrela [sic] e que não é o centro do universo?”Galileu - Sim senhor, e que não é o universo enorme, com todas as suas estrelas, que gira em torno de nossa Terra, que é ínfima – o que aliás era de imaginar.Sagredo – E que, portanto, só existem estrelas! E Deus, onde é que fica?Galileu – O que é que você quer dizer?Sagredo – Deus, onde é que fica Deus?Galileu em fúria – Lá não! Do mesmo jeito que ele não existe aqui na Terra, se houver habitantes de lá que queiram achá-lo aqui!Sagredo - Então onde é que fica?Galileu - Eu sou teólogo? Eu sou matemático.Sagredo – Antes de tudo você é um homem, e eu pergunto: onde é que está Deus no sistema do mundo?Galileu – Em nós, ou em lugar algum.Sagredo gritando - A mesma fala do queimado-vivo!Galileu - A mesma fala do queimado vivo!Sagredo – Por causa dela ele foi queimado! Não faz dez anos!Galileu - Porque ele não tinha como provar! Que ele só afirmava!”O "queimado-vivo" era o filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600) que tinha sido condenado à morte por heresia pela Inquisição e executado na fogueira na cidade de Roma. Repare-se como Galileu expõe a diferença entre a retórica, ou “técnica ou arte de convencer”, baseada no conhecimento certo (“ele não tinha como provar”) e a retórica pura e simples (“ele só afirmava”). Mais adiante, na cena quatro, Galileu está na sua casa de Florença, cidade para onde entretanto se tinha mudado, e é visitado por professores da universidade local. No diálogo entre um filósofo e um matemático, que defendiam as posições da Igreja, e Galileu, o papel da observação, possibilitada pelo novo instrumento, é convenientemente enfatizado:"O filósofo - ... Mas eu receio que isso tudo não seja tão simples. Senhor Galileu, antes de aplicarmos o seu famoso telescópio, gostaríamos de ter o prazer de uma disputa. Assunto: E possível que tais planetas existam?O matemático - Uma disputa formal.Galileu - Eu achava mais simples os senhores olharem pelo telescópio para terem a certeza”.Neste curto diálogo está sumariada a posição científica que Galileu advogava e que acabou, como é sabido, por triunfar. Ainda mais adiante, na mesma cena, a supremacia da observação, baseada no novo instrumento, relativamente ao conhecimento puramente livresco, baseado em Aristóteles:“Matemático - Meu caro Galileu, por mais antiquado que pareça ao senhor, eu ainda tenho o hábito de ler Aristóteles, e lhe garanto que acredito nos meus olhos quando leio.Galileu - Eu me acostumei a ver como os senhores de todas as faculdades fecham os olhos a todos os factos, fazendo de conta que não houve nada. Eu mostro as minhas observações e eles sorriem, eu ofereço o meu telescópio para que vejam, e eles citam Aristóteles”.Um exemplo final do diálogo brechtiano sobre o espírito científico, ou melhor, a falta dele, encontra-se na cena sete, passada em 5 de Março de 1616 quando a Inquisição coloca a obra de Galileu no Index. A cena passa-se em casa do cardeal Roberto Bellarmino (1542-1621), em Roma, curiosamente durante um baile de máscaras. Galileu encontra o dono da casa, no século XX nomeado santo e doutor da Igreja, e o cardeal Maffeo Barberini (1568-1644), mais tarde papa com o nome de Urbano VIII :“Galileu, tomando impulso para uma explicação – Eu sou um filho devoto da Igreja...Barberini – Pessoa incorrigível. Ele quer provar, com toda a candura, que, em matéria de astronomia, Deus escreve asneiras! Deus então não estudou astronomia como convinha, antes de redigir a Sagrada Escritura? Caro amigo!Bellarmino - Mesmo ao senhor, não lhe parece provável que o Criador saiba mais que a sua criatura a respeito da criação?Galileu - Mas, meus senhores, afinal, se o homem decifra mal o movimento das estrelas, poderá errar também quando decifra a Bíblia?Bellarmino - Mas, meu senhor... afinal, decifrar a Bíblia é da competência dos teólogos da Santa Igreja, ou não?Galileu não responde.”Galileu é calado com um argumento de autoridade e, em seguida, Bellarmino ordena-lhe que abjure das suas posições heliocêntricas. Na sequência, Barberini remata: “Bem, vamos repor as nossas máscaras. Mas o pobre Galileu não tem nenhuma”. Há aqui um teatro dentro do teatro e só Galileu não tem fuga: está condenado a fazer o seu próprio papel.

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Wed, 08 Sep 2010 17:38:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7852/ciencia-e-teatro-em-brecht-e-aristofanes-1
O HOMEM COMO PALÁCIO DA INDÚSTRIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7511/o-homem-como-palacio-da-industria

Concept & Animation: Henning M. LedererMore information: industriepalast.com/

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Sun, 11 Jul 2010 18:54:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7511/o-homem-como-palacio-da-industria
Proust era um neurocientista http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7468/proust-era-um-neurocientista

Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de CoimbraA criatividade artística pode antecipar as descobertas da ciência?A pergunta serve de ponto de partida à obra Proust era um neurocientista, da autoria de Jonah Lehrer, e dá o mote para uma tertúlia no Museu da Ciência da UC, no dia 8 de Julho (quinta-feira), às 18h00.Miguel Castelo Branco, director do Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem, apresenta a edição portuguesa da obra.A entrada é livre.Sobre o livro: De que forma Proust revelou mistérios da memória, ao escrever os seus livros? Será que o pintor Cézanne antecipou avanços determinantes na compreensão da visão humana com os seus quadros? E se Walt Whitman tivesse intuído as bases biológicas do pensamento nas suas obras? Afinal, arte e ciência parecem poder co-existir em paz.Proust era um neurocientista reúne oito exemplos de artistas que souberam antecipar-se à ciência, descobrindo fenómenos de neurociências. O pintor Cézanne, o compositor Igor Stravinsky, o cozinheiro Auguste Escoffier e os escritores Walt Whitman, George Eliot, Marcel Proust, Gertrude Stein e Virginia Woolf são as figuras escolhidas para destruir ideias feitas sobre a Arte e a Ciência e mostrar como ambas são essenciais para perceber os mistérios da mente humana que a ciência só agora começa a desvendar.Em cada capítulo, o autor, formado na Universidade de Columbia, aborda um determinado conceito científico e explica como as neurociências chegaram a explicar o fenómeno, anos depois. .Mais informações aqui.

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Tue, 06 Jul 2010 10:26:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7468/proust-era-um-neurocientista
QUANTUM http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7169/quantum

O neurocientista David Eagleman é o autor do livro "Cogito Ergo Sum", um conjunto de contos sobre a "vida para além da morte" que está a alcançar enorme êxito lá fora e que aqui, editado pela Presença, merece igual sorte. Para abrir o apetite aos leitores deixo aqui o conto "Quantum", que glosa o tema quântica da existência simultânea em vários estados possíveis:"Aqui, na vida depois da morte, tudo existe em todos os estados possíveis em simultâneo, mesmo os estados que mutuamente se excluem. Depois da nossa vida terrena, isto é um verdadeiro choque, porque na Terra as nossas escolhas implicam o desaparecimento de outras possibilidades. Quando nos transformamos em amantes de uma pessoa, não podemos ser amantes das outras, quando escolhemos uma porta,as outras ficam perdidas para nós.Na vida depois da morte podemos desfrutar de todas as possibilidades ao mesmo tempo, vivendo paralelamente múltiplas vidas. Damos por nós a comer e a não comer ao mesmo tempo. Estamos e não estamos a jogar bowling. Estamos a andar de cavalo e ao mesmo tempo não temos nenhum cavalo perto de nós.Um anjo azul de pele aveludada visita-nos gentilmente para ver como estamos a adaptar-nos a esta vida depois da morte.- Isto é demasiado confuso para um pobre cérebro humano - confessamos ao anjo.O anjo coça o queixo.- talvez possamos simplificar esta sua vida com uma actividade mais acessível, como ter um emprego fixo - oferece-nos.E caímos imediatamente numa vida laboral de contradições simultâneas. estamos a desenvolver várias carreiras ao mesmo tempo, todas aquelas que ponderámos seguir quando éramos mais jovens. Fazemos a contagem decrescente para o lançamento do foguetão onde nos encontramos e simultaneamente defendemos um criminoso em tribunal. No mesmo instante, desinfectamos as mãos para fazer uma cirurgia à vesícula biliar e conduzimos um camião de dezoito rodas numa auto-estrada do Novo México. Os constrangimentos de tempo e espaço desapareceram, completamente.- Isto é demasiado trabalho - queixamo-nos ao anjo.- Talvez o consigamos sossegar com uma situação mais simples - pondera o anjo - Gostaria de estar num quarto fechado, sozinho com o seu amor?E eis que nos encontramos aqui. Estamos simultaneamente envolvidos na conversa dela e a pensar noutra coisa qualquer; ela entrega-se a nós e ao mesmo tempo não se entrega; achamo-la detestável e amamo-la profundamente; ela adora-nos mas questiona-nos sobre o que terá perdido com outra pessoa qualquer.- Obrigado - agradecemos ao anjo. - Esta existência já me é familiar."David Eagleman

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Sat, 05 Jun 2010 13:52:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7169/quantum
EGAS MONIZ E EINSTEIN http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7076/egas-moniz-e-einstein

Minha crónica na revista "Tabu" do semanário "Sol" de hoje (na imagem: retrato de Egas Moniz por José Malhoa; as mãos mostram a gota de que o médico padecia e que o impedia de operar, o que era feito por um dos seus assistentes):Quem, na A1, sair em Estarreja estará muito perto da Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, o elegante palacete onde o nosso único Prémio Nobel em Ciências passou primeiro a sua infância e mais tarde as férias. A Câmara Municipal tem cuidado tanto do edifício como do seu recheio, onde, além de instrumentos e imagens científicas, chamam a atenção as numerosas peças de arte que o sábio reuniu, que vão desde porcelana de Sèvres e Companhia das Índias a quadros de José Malhoa e Silva Porto.Nascido em 1874 e falecido em 1955, António Egas Moniz era, do ponto de vista artístico, um homem do século XIX, um conservador num século em que tanto a ciência como a arte eram abaladas por novas correntes. No cume dos seus pintores preferidos encontrava-se José Malhoa (no ano em que morreu publicou o ensaio A folia e a dor em José Malhoa) e no píncaro das suas preferências literárias encontrava-se Júlio Dinis (escreveu o livro de referência Júlio Dinis e a sua obra). Nem a pintura nem a literatura do século XX conseguiam recolher os seus favores.Moniz neste aspecto não está sozinho. Um outro Nobel da ciência com gostos pouco ou nada modernos é Albert Einstein, que nasceu cinco anos depois de Moniz e morreu no mesmo ano. As suas carreiras são paralelas, uma vez que o físico suíço nascido na Alemanha acaba o curso em 1900 apenas um ano depois do médico português (o curso de Medicina demorava oito anos, pois havia que fazer três anos de preparatórios em ciências). Einstein faz o doutoramento em 1905, cinco anos depois de Moniz defender a tese A Vida Sexual na Universidade de Coimbra (o Estado Novo haveria de proibi-la, permitindo a sua venda apenas com receita médica). Em 1911 Einstein chega a cátedra na Universidade de Praga e o mesmo acontece com Moniz na recém-fundada Universidade de Lisboa. Uma diferença entre os dois currícula reside na precocidade dos trabalhos de investigação do físico, com pontos altos em 1905 e 1916, ao passo que o médico só enveredou pela investigação depois de ter desistido de uma carreira política (durante a qual chegou a ganhar um duelo à espada a Norton de Matos), tendo atingido os seus pontos altos em 1927 (angiografia) e 1935 (leucotomia). Não admira, por isso, que o Nobel de Einstein tenha sido atribuído muito antes do de Moniz. Einstein, que preferia a música às outras artes, era, nessa área, extremamente conservador, não indo o seu gosto muito além de Bach e Mozart. Quando muito Schubert.Moniz e Einstein não são os únicos revolucionários científicos que ignoraram as revoluções artísticas. Basta visitar a Casa-Museu de Freud, em Viena, para verificar que o criador da psicanálise, que Moniz introduziu em Portugal e de quem Einstein foi amigo, era algo antiquado em questões de arte...

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Fri, 28 May 2010 01:43:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/7076/egas-moniz-e-einstein
As Ciências entre as Artes e entre as Letras http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6839/as-ciencias-entre-as-artes-e-entre-as-letras

Em 1959 o físico e romancista inglês Charles P. Snow cunhou, numa famosa conferência que proferiu na Universidade de Cambridge, Inglaterra, a expressão “duas culturas” para se referir à cultura científica e à cultura artística e literária, ao mesmo tempo que salientava o olvido em que se encontrava a cultura científica por parte dos artistas e literatos. Na visão de Snow, ser culto não podia ser mais conhecer, por exemplo, Ariosto e Tasso e desconhecer Galileu. De então para cá a cultura científica tem ganho protagonismo. Autores há como o publicista norte-americano John Brockman que, para ultrapassar o confronto entre as duas culturas gostam de falar de uma “terceira cultura”, corporizada por cientistas contemporâneos que conseguiam fazer a ponte entre os dois campos desavindos. Mas, outros, entre os quais não hesito em me incluir, em vez de multiplicar culturas, preferem ver a cultura como uma só, apesar de múltipla nas suas manifestações, e gostam de procurar a unidade onde ela não é tão óbvia.De facto, se afirmarmos convencionalmente que a cultura científica nasceu com o italiano Galileu Galilei (1564-1642), que criou e aplicou o método científico baseado na observação e na experiência e marcado pela descrição matemática do mundo, temos de reconhecer que a cultura científica emerge no seio da cultura artística e literária. O pai de Galileu era músico. O filho apreciava a música, e o tema da “música das esferas”, isto é da presença da música na Natureza, glosado pelo astrónomo alemão seu contemporâneo Johannes Kepler (1571-1630), em “Harmonice Mundi” (“A Harmonia dos Mundos”, 1619), não lhe era estranho. Apesar de não ter herdado a aptidão musical do seu progenitor, Galileu revelou-se não só um grande artista (são notáveis as suas representações a aguarela da Lua, que foi o primeiro a ver com a ajuda de um telescópio) como um ainda maior prosador (o escritor moderno Italo Calvino considerou-o mesmo o maior prosador da língua italiana). Foi também um poeta, embora incomparável a Dante, que ele leu e comentou quando era jovem.Como é natural em quem atinge patamares tão elevados, Galileu conhecia os grandes artistas e os literatos do seu tempo. No artigo "Fronteiras entre a Terra e a Lua. Ariosto e Galileu", publicado na revista "Biblos" (2003), ps. 61-85, a italianista Rita Marnoto, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, depois de notar que Galileu Galilei tinha uma "devoção literária" pelo poema de cavalaria "Orlando Furioso", do italiano Ludovico Ariosto (1474-1533), saído em 1516 (embora em forma completa em 1532, muito antes de Galileu nascer), acrescenta:"Galileu era dotado de uma brilhante cultura artística, e não só no domínio da música, da pintura, da escultura e da arquitectura, como também na da literatura. A osmose entre arte e ciência que permeia os seus escritos converte-o em directo herdeiro daquele ideal renascentista do homem completo. Ao observar o Universo, Galileu compara-o a um grande livro, '[...] scritto in lingua matematica, e i caratteri sono triangoli, cerchi, ed altre figure geometrische, senza i quali mezi è impossibile a interderne umanamente parola; senza questi è un aggisarsi vanamente per un oscuro lebirinto.' [escrito em linguagem matemática, em que os caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas, sem os quais os humanos não podem entender nenhuma palavra, sem os quais eles eles estão condenados a caminhar em vão por um escuro labirinto]. Da mesma feita, ao dar voz às suas severas apreciações críticas acerca da 'Gerusalemme liberata', intituladas 'Considerazioni al Tasso', recorre largamente a paralelos com a pintura, ou com a arquitectura e a escultura, cruzando-os, não raro, com noções colhidas no campo das ciências naturais".De facto, em “Orlando Furioso” (há uma edição da Cavalo de Ferro de 2007) encontra-se a descrição de uma viagem à Lua feita pelo paladino Astolfo, num animal alado (o hipogrifo), acompanhado por S. João Evangelista, antecipando assim de um século o que é considerado comummente o primeiro conto de ficção científica, o “Sonho” (“Somnium”, no latim original, escrito entre 1620 e 1630, mas só publicado em 1634) de Kepler. Em Galileu, a visão da Lua proporcionada pelo telescópio permite realizar uma “viagem” que já não é imaginada ou sonhada como em Ariosto ou em Kepler.Por outro lado, a menor consideração de Galileu por Torquato Tasso (1544-1595), o autor, também italiano, de “Jerusalém Libertada”, poema épico sobre a primeira cruzada que o seu autor começou a escrever em 1560 e apenas foi publicado em 1580, quando o sábio pisano tinha 16 anos e lhe faltava um ano para entrar na Universidade de Pisa, não pode ser entendida como um menosprezo pela arte ou pela poesia, mas tão só como uma preferência artístico-literária pela obra de Ariosto (para ele (“magnífico, rico e admirável”, chamou-lhe ele) relativamente à obra de Tasso (“estreito, pobre e miserável”). Lendo a sua crítica a Tasso, escrita entre 1586 e 1588, mas só publicada em 1793, percebe-se uma certa incompatibilidade. O génio de Galileu devia estar mais próximo do de Ariosto, cujo estilo temerário e arrebatador está bem patente na sua obra maior, do que do de Tasso, que passou os últimos anos da sua vida num estado de desespero estético-religioso que desembocou mesmo em perturbação mental.Galileu fez um ensaio de literatura comparada ao contrastar e comentar Ariosto e Tasso. O facto de Galileu ter conseguido cruzar com aparente facilidade a linguagem da ciência com as da arte e da literatura, como bem nota Rita Marnoto, mostra que o criador da cultura científica era um homem de cultura multifacetada. Um homem de ciência que soube situar-se entre as artes e entre as letras. E, apesar de longínquo no tempo (os registos das suas primeiras observações da Lua foram publicadas em “Mensageiro das Estrelas”, “Sidereus Nuncius”, em 1610, que acaba de sair entre nós do prelo da Fundação Gulbenkian, numa tradução do historiador de ciência Henrique Leitão), vale a pena, ainda hoje, ir buscar o seu exemplo de há quatro séculos para mostrar a unidade da cultura.

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Mon, 10 May 2010 18:59:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6839/as-ciencias-entre-as-artes-e-entre-as-letras
GALILEU E AS ARTES http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6634/galileu-e-as-artes

Ainda a propósito das letras e das ciências: No seu artigo "Fronteiras entre a Terra e a Lua. Ariosto e Galileu", publicado na "Biblos" (2003), ps. 61-85, Rita Marnoto, professora da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, depois de notar que Galileu tinha uma "devoção literária" pelo "Orlando Furioso", acrescenta:"Galileu era dotado de uma brilhante cultura artística, e não só no domínio da música, da pintura, da escultura e da arquitectura, como também na da literatura. A osmose entre arte e ciência que permeia os seus escritos converte-o em directo herdeiro daquele ideal renascentista do homem completo. Ao observar o Universo, Galileu compara-o a um grande livro, '[...] scritto in lingua matematica, e i caratteri sono triangoli, cerchi, ed altre figure geometrische, senza i quali mezi è impossibile a interderne umanamente parola; senza questi è un aggisarsi vanamente per un oscuro lebirinto.' Da mesma feita, ao dar voz às suas severas apreciações críticas acerca da 'Gerusalemme liberata', intituladas 'Considerazioni al Tasso', recorre largamente a paralelos com a pintura, ou com a arquitectura e a escultura, cruzando-os, não raro, com noções colhidas no campo das ciências naturais".

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Thu, 22 Apr 2010 11:07:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6634/galileu-e-as-artes
HUMOR: CIÊNCIA E RELIGIÃO 3 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6498/humor-ciencia-e-religiao-3

(clicar para ver melhor)

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Wed, 14 Apr 2010 02:55:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6498/humor-ciencia-e-religiao-3
"Portugal Arauto do Evangelho e da Ciência" http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6492/quotportugal-arauto-do-evangelho-e-da-cienciaquot

Do Holoscópio, o blogue (interrompido no último ano) de Luís Miguel Bernardo, Professor de Física da Universidade do Porto, transcrevo parte do seu post onde explica quem foi o Padre Amadeu de Vasconcelos (que usou, entre outros, o pseudónimo de Padre Mariotte), que referi no meu mpost anterior:"Amadeu de Vasconcelos viveu longos períodos da sua vida em Paris e aí escreveu e publicou vários dos seus livros e artigos ─ em Português e Francês ─ em prol da ciência, contra a maçonaria e a favor do catolicismo e de um nacionalismo original. Como se pode ler na Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira este padre “tratou os mais variados assuntos culturais, artísticos, políticos e doutrinários com inegável brilho e grande competência”. Foi director do jornal católico Novidades, durante 14 anos e em 1948 professou na Ordem Beneditina com o nome de Padre Amadeu de Nossa Senhora. Recolheu-se então ao Convento de Singeverga tendo colaborado intensivamente no Mensageiro de S. Bento ─ Revista Beneditina e Missionária, que iniciou a publicação em 1948. No primeiro artigo que escreveu nesta revista, em Dezembro de 1949, intitulado Portugal Arauto do Evangelho e da Ciência, defendia o pioneirismo de Portugal na criação da ciência moderna, uma tese que preparava e que veio a apresentar, por intermédio da Sociedade de Geografia de Lisboa, num congresso internacional de geografia realizado em 1952, em Washington."Para ver o resto clicar aqui.

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Tue, 13 Apr 2010 08:58:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6492/quotportugal-arauto-do-evangelho-e-da-cienciaquot
JESUS CRISTO BOTICÁRIO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6479/jesus-cristo-boticario

A iconografia sobre as relações entre ciência e religião é muito antiga. Mostro uma fotografia que tirei este fim de semana de Cristo "curador e consolador", um quadro do século XVI que se encontra no Museu Histórico da Farmácia, em Basileia, na Suíça.

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Mon, 12 Apr 2010 10:48:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6479/jesus-cristo-boticario
Arte Médica e Imagem do Corpo http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6412/arte-medica-e-imagem-do-corpo

Informação recebida da Biblioteca Nacional de Portugal:Arte Médica e Imagem do Corpo:de Hipócrates ao final do século XVIIIEXPOSIÇÃO | 7 Abril - 31 Julho | Sala de Exposições - Piso 2 | Entrada livreA BNP inaugura dia 7 de Abril, próxima quarta-feira, pelas 18h30, com a presença do Secretário de Estado da Cultura, Elísio Summavielle, a exposição Arte Médica e Imagem do Corpo: de Hipócrates ao final do século XVIII.Trata-se de uma mostra que se pretende representativa do riquíssimo acervo da BNP e da Biblioteca da Ajuda. De facto, na selecção dos títulos houve a preocupação de evidenciar as obras de referência, que marcaram dois milénios de história da medicina. Assim, estarão patentes ao público obras das figuras mais eminentes que se ocuparam da arte médica. Numa sequência que combina a articulação temática e a progressão histórica, poder-se-ão apreciar livros da autoria de, nomeadamente, Hipócrates, Galeno, Avicena, Averróis, Pedro Hispano, Mondino, Vesálio, Francisco Sanches, Harvey, Borelli, Boerhaave, Stahl, Ribeiro Sanches, Pinel.Apresentam-se obras raras, algumas das quais praticamente desconhecidas. Refira-se, a título exemplificativo, a Physionomia de Rolando de Lisboa, um médico filho de mãe portuguesa, que exerceu a arte e foi professor na Universidade de Paris no século XV. Este título, de que ainda não existe versão impressa, representa o primeiro esforço de conferir à Fisiognomia o estatuto de uma ciência - a Fisiognomia consiste no intento de estabelecer correspondências exactas entre o interior e a aparência exterior, de modo a apreender na expressão corporal os sentimentos íntimos e as disposições morais da pessoa em causa -. Realça-se a beleza deste manuscrito de Rolando de Lisboa.O volumoso catálogo, de mais de 650 páginas, constituirá certamente um valioso instrumento de trabalho para as novas gerações de investigadores. Aí se encontra não apenas uma listagem de obras, mas também sugestões de percursos e articulações.A concepção da exposição inscreve-se numa estratégia de olhar para a medicina como expressão de cultura. Efectivamente, a medicina é uma ciência, uma arte, um dispositivo técnico, mas é também uma ética, um modo peculiar de relação, uma via de auto-compreensão do humano.O visitante não será certamente indiferente à beleza de muitas das obras manuscritas e impressas apresentadas. Mas pretendeu-se igualmente criar uma ambiência reflexiva, confrontar o público com questões que dizem respeito à própria condição humana. De facto, a ciência e a arte médicas intentam explicar, controlar e reparar a doença. Mas o fenómeno do adoecer permanece largamente enigmático, suscitando as mais fundas perplexidades. O ser humano saudável é um doente que se desconhece? Faz sentido a utopia de erradicar a doença da espécie humana?Estas e outras questões no âmbito da arte médica e da imagem do corpo pretendem também ser abordadas num programa científico que acompanhará a exposição na BNP, de Abril a Julho do corrente ano, com intervenções de especialistas nas áreas e lançamentos de obras relacionadas. O programa incluirá um workshop, conferências, colóquios e visitas guiadas.

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Tue, 06 Apr 2010 07:51:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6412/arte-medica-e-imagem-do-corpo
O céu na poesia portuguesa http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6388/o-ceu-na-poesia-portuguesa

Mensagem recebida da Editora Temas e Debates:O Círculo de Leitores e a Temas e Debates têm o prazer de o (a) convidar para a apresentação do livro"Mitos, Mundos e Medos. da tradição popular ao século XX"da autoria de Joaquim Fernandes, que se realiza no dia 9 de Abril, às 18.30 horas, no centro Comercial Dolce Vita Porto, Loja n.º 112, na Rua Campeões Europeus, 28/198 (junto ao Estádio do Dragão).O livro, com Prefácio de Manuel António Pina, será apresentado por Salvato Trigo, Reitor da Universidade Fernando Pessoa.A poesia portuguesa em digressão pelos céus“Joaquim Fernandes conduz o leitor não só ao longo de lugares selectos da presença (mítica, filosófica, científica) das realidades astronómicas na tradição popular e na literatura poética, ingénua ou “erudita”, portuguesas mas também ao longo do convulso percurso do conhecimento científico e das rupturas por ele sucessivamente produzidas na nossa percepção do Universo e de nós mesmos. O que, para alguém, como este prefaciador, curioso tanto do Céu como da Poesia, fica no final da viagem é principalmente um estimulante sobressalto acerca das relações (de “enlace” fala Joaquim Fernandes na Introdução) entre a criação poética e a criação científica”.Manuel António Pina, do “Prefácio”.“A nossa retrospectiva recupera alguns tópicos de uma mitologia popular enraizada no tempo profundo, pontilhada de superstições, conjuras e ritos associados aos corpos celestes, passando pela descoberta de um novo céu e uma nova astronomia, já reconhecidos, por exemplo, pelo nosso bem informado Camões, na viragem do Renascimento, graças aos trabalhos notáveis de Pedro Nunes; percorremos depois a galeria dos poetas da Arcádia, dos pré-românticos, românticos, simbolistas e demais sensibilidades do século XIX, em retratos ora mais científicos ora mais líricos do firmamento e do céu, para nos determos na atribulada recepção popular ao cometa de Halley, na Primavera de 1910, em Portugal”.Joaquim Fernandes, da “Introdução”.

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Sat, 03 Apr 2010 19:39:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6388/o-ceu-na-poesia-portuguesa
EINSTEIN E A ARQUITECTURA 3 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6355/einstein-e-a-arquitectura-3

Na imagem Einstein com um dos maiores arquitectos do século XX, Le Corbusier (1887-1965), que o visitou em Princeton, depois da Segunda Guerra Mundial, quando integrava a equipa que projectava o edifício das Nações Unidas em Nova Iorque. O arquitecto franco-suíço discutiu com Einstein a eterna questão da "matematização" da arte. Nos seus livros "Le Modulor" e "Le Modulor 2" (recentemente editado em Portugal pela Orfeu Negro), defendeu a aplicação de fórmulas como a da "razão dourada". Einstein respondeu-lhe (cito de cor): "o senhor está a tentar arranjar uma maneira de tornar o belo fácil e o feio difícil".

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Thu, 01 Apr 2010 02:21:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6355/einstein-e-a-arquitectura-3
EINSTEIN E A ARQUITECTURA 2 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6332/einstein-e-a-arquitectura-2

Talvez o mais famoso edifício ligado a Einstein seja a Torre Einstein (em alemão Einsteinturm) em Potsdam, Berlin, um edifício concebido por volta de 1917 e construído entre 1921 e 1922 por um arquitecto judeu Erich Mendelsohn (1887 – 1953), defensor da arquitectura expressionista. A torre foi concebida para utilização científica, ou melhor, para provar as teorias da relatividade de Einstein. Ainda hoje faz parte de um Observatório Astronómico, podendo ser visitada. O arquitecto fugiu da Alemanha em 1933 primeiro para Inglaterra e depois, durante a guerra, para os Estados Unidos. Einstein quando visitou a torre esteve muito tempo calado e depois quando lhe perguntaram a opinião disse uma única palavra: "Orgânico".

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Mon, 29 Mar 2010 20:02:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6332/einstein-e-a-arquitectura-2
GALILEU NO DIA MUNDIAL DO TEATRO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6312/galileu-no-dia-mundial-do-teatro

Hoje, Dia Mundial do Teatro, deixamos um excerto da "Vida de Galileu" de Bertold Brecht, representada pelo Teatro Wilma de Filadélfia, EUA, na parte em que Galileu mostra a sagredo as descobertas que fez com o telescópio e que foram anunciadas há precisamente 400 anos.No final do excerto:Galileu - Claro. E agora estamos a ver. Não pare de olhar, Sagredo. O que você vê é que não há nenhuma diferença entre céu e terra. Hoje, 10 de Janeiro de 1610, a humanidade regista no seu diário: aboliu-se o céu.

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Sat, 27 Mar 2010 08:32:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/6312/galileu-no-dia-mundial-do-teatro