outras leituras - tagged with astronomia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com O OUTRO LADO DO SOL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9944/o-outro-lado-do-sol

Minha crónica de hoje no "Sol":A Terra orbita em volta do Sol, demorando um ano a dar uma volta completa (desde que existe o semanário Sol que o nosso planeta já deu quatro voltas completas ao Sol!). Como o Sol roda em torno do seu eixo, a uma velocidade que, na zona do equador, é de uma volta em cada 27 dias, conseguimos, esperando o tempo suficiente, observar toda a superfície solar. Mas desde há poucos dias que é possível ver toda essa superfície sem esperar.Tal acontece graças à moderna tecnologia providenciada por satélites artificiais, instrumentos astronómicos e sistemas de comunicações de dados. A missão STEREO, organizada pela NASA, consiste em dois satélites, que, lançados há quatro anos, ficaram agora aproximadamente na mesma órbita que a Terra à volta do Sol, progredindo à mesma velocidade que a Terra, mas um à frente e outro atrás do nosso planeta por um quarto de perímetro da órbita. Fotografias da superfície solar tiradas por câmaras a bordo desses satélites fornecem-nos, em tempo real, uma panorâmica global da superfície solar. Deixou de ser visto apenas o lado de cá em cada momento, mas também o outro lado. O nome STEREO, embore seja apenas a abreviatura de Solar TErrestrial RElations Observatory, é bastante sugestivo, pois sugere dois olhos. Este olhar estereoscópico sobre o Sol serve um objectivo: com a ajuda de detectores de raios ultravioleta, podemos monitorizar de uma forma o mais completa possível as violentas erupções que se dão na coroa solar e que, propagando-se ao longo da heliosfera, podem ter graves consequências para a nossa vida na Terra, designadamente o prejuízo dos serviços de telecomunicações e a perturbação das redes de electricidade. Em 1989 uma vasta rede de electricidade no Canadá soçobrou perante uma violenta tempestade solar. E para 2012 prevê-se um aumento da actividade solar, embora isso nada tenha a ver com o fim do mundo...Com base nos dados do STEREO já foi desenvolvida uma aplicação para o iPhone que permite mostrar imagens recentes do Sol, sendo possível com um simple toque de dedo fazer rodar uma imagem tridimensional da nossa estrela assim como fazer zoom sobre qualquer pormenor solar, por exemplo uma mancha solar. Mais ainda: algumas gigantescas explosões na superfície do Sol, mesmo que não aconteçam na face que actualmente está visível para nós mas sim do outro lado, podem ser sinalizadas por uma mensagem de alerta (um jingle). É como se tivéssemos no telemóvel, com a ajuda de elementos gráficos, além da previsão do tempo meteorológico, a previsão do tempo heliosférico. O ideal seria se conseguíssemos prever com suficiente antecedência tempestades solares e impedíssemos que elas causassem efeitos desagradáveis. Mas isso está longe de ser fácil...

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Fri, 11 Feb 2011 01:25:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9944/o-outro-lado-do-sol
AS DUAS FACES DO SOL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9598/as-duas-faces-do-sol

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".Acontece com todas as esferas: se segurarmos uma bola qualquer e olharmos para ela, é fácil chegar à conclusão que só vemos metade da sua superfície de uma só vez. Mesmo que rodemos a bola, estaremos sempre a ver só metade dela, para nós a sua face visível. A outra é, por oposição, a face oculta ou não visível do nosso ponto de observação. Como é que conseguiríamos ver a superfície toda? Talvez com a ajuda de um espelho, colocado do outro lado da bola e alinhado com os nossos olhos. Assim poderíamos ter uma boa aproximação na visualização de toda a superfície da esfera. Ou então, com duas câmaras de filmar colocadas em lados opostos a fazer entre elas e a bola um ângulo de 180°. Com as filmagens lado a lado num monitor, ou utilizando um software apropriado que gere uma imagem tridimensional da bola a partir das imagens, poderíamos analisar o estado, no mesmo intervalo de tempo, de dois pontos distintos nas duas faces na superfície da bola. Todo este registo tem um interesse acrescentado se ocorrerem eventos, fenómenos diferentes, num terminado momento, em cada uma das faces e o interesse será ainda maior se formos afectados por esses acontecimentos. Se olharmos Universo à nossa volta, registamos que grande parte dos corpos celestes são mais ou menos esféricos. A Lua, os planetas, e o Sol são corpos aproximadamente esféricos. O que significa que na sua observação directa veremos só uma face, um disco de cada vez.Se a face oculta da Lua, espaço de mistério romântico, sempre alimentou a curiosidade científica, a face ou disco oculto do Sol esconde informação que nos é útil. De facto a superfície do disco solar, a coroa solar ou de Fraunhoffer, constituída por um “mar” de protões, de electrões e de outras partículas subatómicas a uma temperatura na ordem dos dois milhões de graus célsius, no estado designado por plasma, apresenta uma dinâmica espantosa e dantesca que afecta inúmeras actividades humanas, assim como o clima do nosso planeta. São exemplo as tempestades solares, ventos solares de partícula ionizadas que atingem a Terra e que, por terem natureza electromagnética, interferem com a nossa sociedade baseada numa transferência de informação dependente da electricidade e da radiação electromagnética. É de realçar, na investigação do disco solar visível, o trabalho quase centenário do Observatório Astronómico da Universidade de Coimbra. Desde 1926 que este Observatório regista regularmente a actividade, não da coroa mas das camadas solares que lhe são subjacente, a fotosfera e a cromosfera solar, através de observações feitas com um tipo clássico de espectroheliógrafo.A predição de uma tempestade solar é importante não só para precaver danos na actividade hertziana e eléctrica humana mas também para o estudo e exploração do Universo. É útil termos acesso à actividade de toda a superfície solar, não só para melhorar os actuais modelos de física solar, mas também para nos prepararmos para as variações de “humor solar” nos próximos dias, semanas, meses, à medida que "translacionamos" o Sol.Em vez de colocar um grande espelho para além do Sol, a NASA enviou dois satélites em 2006 no âmbito da Missão STEREO os quais acabam de ficar, desde o dia 6 de Fevereiro, diametralmente colocados em torno do Sol. Ou seja, cada um deles regista permanentemente disco solares opostos, enviando para os investigadores dados sobre a actividade solar que permitem reproduzir a actividade da superfície solar de forma tridimensionalmente. (ver vídeo aqui)A tecnologia e o conhecimento científico permitem-nos hoje abrir uma janela para a aurora do dia de amanhã, antever o que está para além da curva do seu horizonte e permite-nos avisar uma avó nossa, que leve o guarda-sol, pois amanhã o Sol que nos energiza vai estar um pouco mais que inflamado!António Piedade

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Mon, 07 Feb 2011 07:46:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9598/as-duas-faces-do-sol
EARTH-2: KEPLER FINDS 1200 EXOPLANETS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9444/earth-2-kepler-finds-1200-exoplanets

Destaque semanal para Robert Parks (Kepler na imagem):In 1543 Nicolaus Copernicus published De revolutionibus orbium coelestium describing a heliocentric solar system in which Earth is just one of several planets orbiting our Sun. Were there people on these other planets? It was a dangerous question. Religion claimed title to creation, and heresy was punishable by death. Four centuries later, the question still gnaws at us. But the Kepler exoplanets are far, far away. What could we see with a super telescope.

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Sat, 05 Feb 2011 07:27:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9444/earth-2-kepler-finds-1200-exoplanets
NOVAS ÍRIS PARA O UNIVERSO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9219/novas-iris-para-o-universo

Minha crónica no "Boas Notícias".O céu estrelado ilumina o pensamento de Francisca. Sentada num muro da casa rural da sua avó Matilde, longe das luzes ofuscantes das cidades e estando a Lua em fase Nova, e assim contribuindo para o breu celeste, Francisca sente-se imersa no significado do número astronómico de estrelas. São incontáveis. Aparentemente fixas. Para onde quer que fixe o olhar encontra enxames e mais enxames de pontos luminosos, corpos celestes a emitir radiação electromagnética. Desta, os seus olhos só captam a parte visível do espectro electromagnético, do vermelho ao violeta. Uma pequena parte de toda a paleta energética emitida desde o início do Universo. (O espectro electromagnético é o intervalo que compreende a radiação de natureza electromagnética de determinadas frequências ou comprimentos de onda: desde as ondas de rádio, micro-ondas, infra-vermelho, luz visível, ultravioleta, raios-X, às radiações gama.)Sobre os seus joelhos, Francisca apoia um pequeno computador portátil. Ligado à internet, através de radiações electromagnéticas, o seu navegador internauta está sintonizado no sítio do Sloan Digital Sky Survey-III um dos programas com o objetivo mais ambicioso da história da astronomia: construir o mais completo mapa tridimensional colorido de cerca de 930 mil galáxias e 120 mil quasares (http://www.sdss.org/). (Quasar é um corpo astronómico do qual captamos radiações electromagnéticas do comprimento das ondas de rádio, com um núcleo activo de tamanho aparente muito maior do que as estrelas, mas que não é suficientemente grande para poder ser considerado uma galáxia).Francisca recorda mentalmente os primeiros registos efectuados por seres humanos das estrelas que observavam, noite após noite, ano após ano, reconhecendo na aparente imobilidade estrelar figuras de deuses, animais e objectos do seu dia-a-dia. Constelações como as da Ursa Maior (que contem a estrela polar), Andrómeda, Cisne e Perseu, cujos nomes ainda hoje se utilizam para referenciar a localização de zonas da abóbada celeste.Recorda ainda os desenhos que Galileu fez das crateras da Lua, dos anéis de Saturno, das Luas de Júpiter, reproduzindo o que via através da observação dos corpos iluminados no firmamento nocturno ampliados pelo seu telescópio feito de duas lentes.Com o rosto iluminado pelo Universo, Francisca reflecte sobre como a tecnologia permite hoje captar o registo da evolução celeste. Não só através de enormes telescópios ópticos situados em locais apropriados do planeta, mas também por intermédio de inúmeros satélites com instrumentação científica sensível a outras zonas do espectro electromagnético. Francisca visita, na Internet, os sites das Agências Espacial Europeia (ESA) e Norte Americana (NASA) e encontra a referência a pelo menos sete satélites que, com instrumentação precisa e apropriada, perscrutam zonas específicas de quase todo o espectro electromagnético: Planck (micro-ondas); Herschel (infra-vermelho longínquo); JWST (infra-vermelho); Hubble ST (vísivel); Gaia (ultravioleta); XMM-Newton (raios-x); Integral (raios gama); et cetera.Os conhecimentos astronómico e astrofísico, associados às actuais tecnologias de cálculo informático, permitem descortinar e revelar informação sobre a matéria escura, a origem e os limites extremos do Universo, aspectos intangíveis aos nossos sentidos visuais.Com o novo conhecimento, abrem-se novas janelas que não impressionam a retina dos olhos de Francisca mas que espantam os seus caminhos neuronais. Com o cérebro a bordo do conhecimento e tecnologia actuais, expande a tecitura visual através de novas íris debruadas de espanto cósmico para a realidade de um imenso Universo inexplorado.António Piedade

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Sun, 16 Jan 2011 15:47:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9219/novas-iris-para-o-universo
GRANDES ERROS: CONFUSÃO NA ASTROLOGIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9208/grandes-erros-confusao-na-astrologia

O jornal "Público" informa-nos que uma inocente notícia num jornal americano sobre astrologia está a causar uma grande polvorosa. A notícia não era afinal novidade, pois esclarecia que as bases científicas da astrologia estavam erradas, já que, devido ao movimento de precessão do eixo da Terra, a colocação dos signos do zodíaco não é propriamente a mesma quando a astrologia se desenvolveu e nos nossos dias. Por outras palavras, quem se julga Escorpião pode afinal ser Balança ou quem se julga Gémeos pode afinal ser Touro. Muita gente está confusa e preocupada. Eu, que sou Gémeos, não estou nada preocupado. Também não penso que Maya e os outros astrólogos nacionais o estejam. Ela tem muitos poderes, como por exemplo o de conseguir ver os conteúdos de SMS recebidos por cronistas sociais... A propósito: quando é que o "Público" deixa de publicar horóscopos?

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Sat, 15 Jan 2011 03:33:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9208/grandes-erros-confusao-na-astrologia
VEM AÍ UM ECLIPSE http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9080/vem-ai-um-eclipse

Informação recebida do Observatório Astronómico de Lisboa, Centro de Astronomia e Astrofísica da Universidade de Lisboa:O primeiro Eclipse Solar de 2011 ocorre na próxima terça-feira de manhã, quando a Lua passa no nodo ascendente em Sagitário. Será visível a partir de Portugal, numa boa parte da Europa, do Norte de África, do Médio Oriente, e da Ásia Ocidental.Em Portugal o Sol nasce com o eclipse a decorrer. Às 7h 57m, em Lisboa, atinge o máximo (menos de 50% da superfície encoberta) e deixará de ser visível às 8h 54m.Na Madeira, a visibilidade do eclipse será breve, entre as 8h 10m(quando o Sol nasce), e as 8h 29m, quando termina o eclipse. Infelizmente, não será visível na Região Autónoma dos Açores.Em Lisboa, o Sol nasce, no dia 4, às 7h 55m e a Lua nasce às 7h 54m.Eclipse parcial do Sol é um fenómeno astronómico, em que somente uma parte do Sol é ocultada pelo disco lunar. Isto sucede quando a Lua, em fase de Lua Nova, passa nos seus nodos ou na proximidade destes.

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Mon, 03 Jan 2011 11:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9080/vem-ai-um-eclipse
ECLIPSE LUNAR TOTAL NO SOLSTÍCIO DE INVERNO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8985/eclipse-lunar-total-no-solsticio-de-inverno ]]> Wed, 22 Dec 2010 08:41:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8985/eclipse-lunar-total-no-solsticio-de-inverno Solstício de Inverno com Eclipse Lunar. http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8972/solsticio-de-inverno-com-eclipse-lunar

Dia 21 de Dezembro. Pelas 23h38, hora universal, entramos no Inverno. Mas a alvorada deste dia vai presenciar, a partir das 6h38, um eclipse lunar total, observável até 10h01. O fenómeno celeste será mais distinto sobre o disco lunar entre as 07h41 e as 08h53.Esta coincidência verificou-se pela última vez em 1638.

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Mon, 20 Dec 2010 15:31:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8972/solsticio-de-inverno-com-eclipse-lunar
PREFÁCIO A “AOS OMBROS DE GIGANTES” http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8729/prefacio-a-aos-ombros-de-gigantes

MeupPrefácio ao livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores, textos clássicos da ciência escolhidos e comentados por Stephen Hawking), que já se encontra nas livrarias:Foi o grande físico inglês Isaac Newton o autor do título deste livro. De facto, foi ele quem um dia afirmou:“Se consegui ver mais longe é porque estava aos ombros de gigantes”.Os gigantes a que Newton se referia eram o italiano Galileu Galilei e o alemão Johannes Kepler, que foram contemporâneos um do outro e que pertenceram à geração anterior à de Newton (este nasce no ano em que Galileu morre). Por sua vez, Galileu e Kepler estiveram aos ombros de um outro gigante, um pouco anterior, o monge polaco Nicolau Copérnico, que desafiou a longa tradição geocêntrica ao afirmar que a Terra se movia em torno do Sol.Quer Galileu quer Kepler, enfrentando uma enorme incompreensão à sua volta, defenderam o sistema de Copérnico. Os dois foram observadores dos céus: Galileu construiu e usou a primeira luneta astronómica, e Kepler, com base em sistemáticas observações dos planetas realizadas a olho nu, formulou as três leis que hoje têm o seu nome, dos movimentos planetários.Portanto, a obra de Newton nunca teria sido possível sem Copérnico, Galileu e Kepler. O sábio inglês viu mais longe aos ombros dele: encontrou uma mecânica que engloba as descrições anteriores dos movimentos na Terra realizadas por Galileu (a primeira lei de Newton não é mais do que o princípio da inércia de Galileu, segundo o qual os corpos permanecem parados ou em movimento uniforme se não forem actuados por forças exteriores); mais ainda, essa mecânica descrevia tanto os fenómenos da Terra como os do céu (tanto a maçã sobre a cabeça de Newton como a Lua que ele via ao longe!); e, finalmente, com base nas leis de Kepler, Newton alcançou a lei de gravitação universal, segundo a qual todos os corpos, tanto na Terra como nos céus, se atraem uns aos outros, obedecendo a uma fórmula matemática. Para um homem só, ainda que aos ombros de outros três, é obra!Foi longa a espera – mais de duzentos anos - até surgir um outro gigante que conseguiu subir aos ombros de Newton. O seu nome foi Albert Einstein e celebrámos no ano de 2005, declarado pela Organização das Nações Unidas “Ano Mundial da Física”, o centenário dos seus principais trabalhos. Havia, de facto, alguns problemas com a mecânica de Newton (e dos seus antecessores, a respectiva paternidade deve ser partilhada), nomeadamente a sua compatibilidade com o electromagnetismo, a parte da Física que estuda os fenómenos eléctricos e magnéticos e que tinha, entretanto, sido muito desenvolvida. Einstein, movido pela ideia da unidade conceptual da Física, viu-se obrigado a mudar a antiga mecânica, substituindo-a pela mecânica relativista. Na nova mecânica, nomeadamente na teoria da relatividade restrita, o espaço e o tempo deixavam de ser conceitos absolutos e independentes um do outro, existindo um espaço-tempo para cada observador. Mas Einstein fez essa substituição de um modo subtil: a mecânica antiga continuava, afinal, perfeitamente válida para os fenómenos que decorriam a baixas velocidades, as velocidades a que estamos habituados nas nossas vidas. Por outro lado, ao reparar com algumas dificuldades da teoria newtoniana da gravitação, nomeadamente o facto de a interacção gravítica ter lugar a velocidade infinita, Einstein propôs uma nova teoria da gravitação, a teoria da relatividade geral, uma teoria física muito bela segundo a qual o espaço-tempo se encurvava na vizinhança de uma massa, encurvando-se tanto mais quanto maior for a massa. A força da gravitação era a manifestação visível desse encurvamento geométrico. Mais uma vez, a antiga fórmula da força gravítica de Newton valia no caso em que as massas que encurvavam o espaço-tempo à sua volta eram suficientemente pequenas, mas deixava de valer no caso de estrelas supermassiças. O que era novo não mudava completamente o que era velho, antes o mantinha num limite bem preciso.E é assim que a física – o empreendimento humano da descoberta do mundo – avança... Uns vêem mais do que os outros, mas, ao fazê-lo, prestam homenagem aos outros, que viram o mundo antes deles, mantendo aquilo que for de manter. A pirâmide dos físicos não está certamente acabada: um dia alguém subirá certamente para os ombros de Einstein e verá mais longe do que ele, acrescentando algo a Einstein sem destruir a parte essencial do que ele propôs. Um dos problemas atacados por Einstein, ao longo de décadas da sua vida, foi a tentativa de unificação da força gravítica com a força electromagnética, nomeadamente procurando dar à força electromagnética uma interpretação geométrica semelhante à do caso gravítico. Esse grande problema da unificação das forças permanece hoje em dia por resolver: ele espera um outro Einstein, que poderá surgir a qualquer altura.Mas o novo Einstein terá de ter lido este livro. A obra que o leitor tem em mãos – compilado por um astrofísico muito conhecido que trabalha nas fronteiras da moderna física, o inglês Stephen Hawking – reúne os textos fundamentais de todos os autores que foram atrás referidos: de Nicolau Copérnico, o texto de “Sobre as Revoluções dos Corpos Celestes”, de Galileu, os seus “Diálogos sobre os Duas Novas Ciências”, de Kepler, as suas “Harmonias do Mundo”, de Newton os seus “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” e, finalmente, de Einstein o conjunto dos seus artigos mais importantes sobre as suas teorias da relatividade restrita e geral. Hawking escreveu resenhas biográficas daqueles famosos autores. Se a Fundação Gulbenkian já nos tinha dado a tradução do livro de Copérnico, feita a partir do latim original, e a tradução dos textos fundamentais de Einstein, feita a partir do alemão original, não podemos deixar de agradecer à Texto Editores o facto de publicar pela primeira vez em português de Portugal os referidos textos de Galileu, Kepler e Newton. Salvo erro ou omissão é até a primeira vez que Kepler aparece na língua portuguesa, o que se afigura tanto mais interessante quanto Kepler era um admirador confesso dos feitos dos navegadores portugueses, tendo até redigido os seus trabalhos como uma narrativa de avanços e recuos na sua elaboração, tal como os cronistas de bordo faziam para descrever as aventuras marítimas.Nesta tradução, feita a partir da versão brasileira, mais do que ser absolutamente fiel aos originais procurámos tornar os textos minimamente inteligíveis pelo leitor de hoje que se interesse pelos conteúdos.Este é um grande livro a todos os títulos. É grande não apenas no tamanho, mas é grande por reunir num só volume as maiores ideias dos maiores génios que a humanidade jamais teve! Este volume condensa aquilo que o homem foi sabendo a respeito do mundo físico à sua volta durante cerca de quinhentos anos. O último meio milénio proporcionou um avanço enorme à Física, um avanço conseguido por gigantes intelectuais. Resta-nos sonhar com o próximo meio milénio: é certo que a pirâmide humana vai continuar a subir...

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Sun, 28 Nov 2010 07:36:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8729/prefacio-a-aos-ombros-de-gigantes
INTERVALO CRESCENTE http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8714/intervalo-crescente

Crónica escrita a partir do poema "Máquina do Mundo", de António Gedeão (in Máquina de Fogo, 1961), e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, Centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.[α,∞)?Que intervalo de tempo e de espaço, de matéria e de energia, é esse Universo em que a nossa vida pontua? Em que singularidade se originou? Quando é que foi t = 0? Há cerca de 13,7 biliões de anos, quando todo o Universo, conhecido e desconhecido, estava reunido num único ponto infinitesimamente compacto, imensurável, adimensional!? Foi Georges Lemaître, padre e cientista, o primeiro a propor, em 1927, um início assim para o Universo. Sem dimensões de tempo nem de espaço, uma singularidade. Chamou-lhe a “hipótese do átomo primevo” e baseava-se em assumpções decorrentes da teoria da relatividade geral de Einstein. Anos mais tarde, em 1949, Fred Hoyle haveria de baptizar, ainda que pelo ridículo, esse momento com a designação “Big Bang”. O modelo do “Big Bang” não descreve a singularidade, mas sim o que aconteceu imediatamente a seguir a ela e que acabou por nos dar origem. Segundo a teoria mais corrente do “Big Bang”e a teoria da inflação, a partir da singularidade, esse nada absoluto grávido de tudo, o universo expandiu-se, súbita e incontrolavelmente e, em cerca de 0,0000000000000000000000000000001 segundos, emergiram as forças da gravidade, do electromagnetismo, as forças nucleares fortes e fracas. Sob acção destas forças, uma revoada de partículas elementares, fotões, electrões, protões, neutrões, resultantes de outras fundamentais como os quarks, polvilharam o nada em todas as direcções, num número de partículas de cada tipo na ordem de 1 seguido de 89 zeros!Em 1929, Hedwin Hubble observou que a distância aparente de galáxias distantes era tanto maior quanto maior fosse o desvio para o vermelho dos seus espectros luminosos observáveis. E, espantosamente, verificou que quanto mais distantes se encontravam maior era a velocidade a que se afastavam da nossa posição aparente.Constatamos que as galáxias mais longínquas se afastam umas das outras a velocidades tanto maiores quanto mais longe estiverem de nós. Afastam-se de quê? Da singularidade inicial. Vão para onde? Para o nada infinito no tempo, finito num intervalo de espaço em expansão! Até onde podemos ver, e ver permite-nos calcular distâncias no espaço e no tempo, através dos actuais radiotelescópios, a fronteira do Universo visível encontra-se algures a 145 biliões de triliões de quilómetros (14 000 milhões de anos-luz) de distância aparente! Universo visível? …O espanto esmaga-nos com o peso do Universo que não é visível, “preenchido” por matéria dita negra e que corresponde a 85% de toda a matéria do Universo. Viajamos num mar de escuridão que não emite radiação electromagnética! E por isso esse oceano cósmico é indetectável pelos nossos olhos, adaptados que estão a sentir uma pequena fresta, um intervalo suficiente do espectro da luz solar. E que vazio? Incomensurável! Num átomo de hidrogénio, o combustível das estrelas e o elemento mais abundante do Universo, 99,9999% é vazio! O seu núcleo, constituído por um único protão, ocupa apenas 0,00001% do volume de todo o átomo. O resto é nada e uma certa probabilidade de encontramos um electrão, num determinado estado quântico. E é pelo balanço delicado entre repulsão e atracção electrostática entre nuvens electrónicas e núcleos atómicos, “coreografias” magnéticas e tudo o mais que se expressa nos princípios colombianos, quânticos e de exclusão, que as indiscerníveis partículas fundamentais dos átomos interagem, dando-nos esta sensação de matéria, quando apertamos as mãos. E, paradoxalmente, é esse intervalo cheio de vazio que permite interacções entre átomos diferentes, gerando compostos que arquitectam a vida tal qual a conhecemos. Somos então um intervalo vazio semeado de partículas e energia, cerzidos no tear sempre crescente de tempo e de espaço.E neste intervalo assim crescente, somos o resultado de uma singularidade de gente.António Piedade

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Fri, 26 Nov 2010 10:08:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8714/intervalo-crescente
A Galileu http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8701/a-galileu

Crónica a partir do "Poema Para Galileu”, de António Gedeão, in Linhas de Força, 1967, e elaborada para o Exploratório Infante D. Henrique, Centro de Ciência Viva de Coimbra, no âmbito da Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, a decorrer entre 22 e 28 de Novembro de 2010.Limpe os olhos da luz do dia e, ao entardecer, projecte o olhar para o horizonte, contemple a abóbada celeste. Nesta semana, o leitor pode observar a face visível da Lua totalmente iluminada pela luz solar. Mesmo à vista desarmada de lentes de ampliar, conseguirá notar certas sombras, nuances de crateras no mar prateado do único satélite natural da Terra. Também pode facilmente identificar o planeta Júpiter, a “estrela da tarde” em serviço por estes dias e que se destaca brilhante ao lado da Lua terrestre. Se observar com atenção, verá que esse astro se move no horizonte no sentido retrógrado, isto é, no sentido contrário ao dos ponteiros do relógio. Se o seu relógio for digital, não se preocupe: verifique se a estrela da tarde descreve um arco no firmamento da direita para a esquerda. Comprova?Há pouco mais de 400 anos, em Março de 1610, Galileu Galilei fez as primeiras observações científicas dos astros utilizando um telescópio, instrumento por ele melhorado. A sua luneta, permitia-lhe aumentar o tamanho aparente de um objecto até cerca de 30 vezes. Por isso, terá sido o primeiro ser humano a contemplar com admiração, as crateras lunares com um detalhe que deixou desenhado nas suas ilustrações, registos científicos das suas observações. Também na aurora do século XVII, e ao observar o planeta Júpiter, Galileu descobriu, para seu grande espanto, que outros corpos celestes orbitavam ao redor desse planeta gigante: Júpiter também tem Luas, só suas! Esse momento, que o leitor pode imaginar e reviver hoje ao contemplar a “estrela da tarde”, é um marco da história da ciência e logo da humanidade. O facto de corpos celestes rodarem à volta de outros corpos celestes que não a Terra, fez ruir concepções anteriores, baseadas na primeira aparência das coisas. Com a simples atitude de registar o que observava, Galileu reuniu dados suficientes para corroborar um determinado modelo mais aproximado do comportamento do Universo então observável: o modelo heliocêntrico proposto antes por Copérnico.As observações sistemáticas dos corpos celestes, efectuadas sucessivamente por diversas gerações de cientistas, adicionaram novos dados e conhecimentos às observações e registos precedentes, o que permitiu elaborar teorias sobre o universo distante, mas também válidas à nossa escala mais humilde e humana. Por exemplo, é pela mesma interacção gravítica que faz com que os astros se movam uns à volta dos outros, que uma qualquer maçã, golden ou bravo de esmolfe, tanto faz, é atraída e atrai o chão. O leitor, quer experimentar, se faz favor? Ponha de lado os preconceitos e, por sua vez, experimente deixar cair da mesma altura e ao mesmo tempo duas moedas diferentes: uma de um cêntimo e outra de um euro. Está assim a repetir uma outra experiência, a dos graves, que Galileu Galilei terá feito no cimo de uma torre e com outros objectos. Se o leitor quiser estar mais alto, suba, com cuidado, para cima de uma cadeira e repita a experiência. Os dois objectos não voltam a chegar ao chão ao mesmo tempo? Pois é. Mesmo que repita vezes sem conta até se cansar, verá que o resultado é sempre o mesmo. E se não fosse?Saberá porventura o leitor que esta experiência também foi realizada na Lua, que agora observa em fase cheia, por astronautas da missão Apolo 15, em 1971: o comandante David Scott deixou cair da mesma altura e ao mesmo tempo, uma pena de ave e um martelo. E não é que também caíram ao mesmo tempo no chão lunar! Como teria gostado Galileu de ter observado, através da sua luneta, a réplica da sua experiência na Lua…O facto é que a mesma experiência, feita por pessoas e em locais e épocas diferentes, tem dado sistematicamente o mesmo resultado. O conhecimento que resulta desta atitude experimental é, assim, reprodutível nas mesmas condições e isto é uma das características do conhecimento que resulta do método científico.Deixe cair o cansaço rotineiro e descanse o olhar no céu estrelado. Deixe o tempo estender-se no espaço, até ao infinito e deslumbre-se com a aparente serenidade da astronómica noite semeada de miríades de constelações de estrelas. Seja humano. Sonhe. Ponha questões e experimente.António Piedade

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Thu, 25 Nov 2010 13:41:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8701/a-galileu
85% de matéria... http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8661/85-de-materia

Crónica publicada no "O Despertar"A maior parte do Universo cósmico que conhecemos, ou melhor, que mal conhecemos, não é visível! 85% da matéria que se calcula existir no Universo não se comporta como o Sol, por exemplo, irradiando radiações electromagnéticas. Essa matéria tem composição desconhecida. Pressupõe-se, hipoteticamente, que seja constituída por partículas fundamentais que, por ora, são virtuais, sendo principais candidatos as WIMP (partículas massivas que interagem fracamente) e as MACHO (objecto com halo compacto e grande massa) e, eventualmente, o Bosão de Higgs. Refira-se que a matéria negra do Universo também não reflecte qualquer tipo de radiação electromagnética: nem na zona do espectro visível, nem ondas de rádio, nem microondas. Nada. Só sabemos que existe pela sua acção gravitacional sobre a restante matéria, estrelas e outros astros e aglomerados deles, em que nos incluímos.Experiências recentemente efectuadas no Grande Acelerador de Hadrões do CERN, o maior acelerador de partículas do mundo, e comentadas pelo Físico Teórico Gianfranco Bertone (ver aqui o seu livro sobre as partículas da matéria negra) no último número da prestigiada revista Nature (aqui), indicam que estamos na antecâmara da descoberta sobre a constituição desta matéria negra. Na esquina de uma próxima colisão de partículas, poderá estar o nascimento de uma renovada compreensão do Universo, ruptura e emergência de novos paradigmas, comprovação e eliminação das inúmeras hipóteses e teorias que hoje gravitam no humano pensamento.Vivemos hoje, nesta era das tecnologias da informação, esta sensação de estarmos sentados na plateia do mundo, expectantes, a observar, quase em directo, o resultado de experiências que podem mudar o entendimento da matéria e da energia que somos feitos. Vivemos, nesta era feita de ciência e tecnologia, um momento único de argúcia cósmica e sub-atómica, numa amálgama de rigor, de espanto e de emoção. É também esta a nossa humanidade.António Piedade

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Tue, 23 Nov 2010 06:44:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8661/85-de-materia
MATÉRIA NEGRA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8640/materia-negra

Habitual destaque semanal para a coluna "What's New" do físico Robert Park:"WIMPS: THE UNIVERSE WE CAN’T SEE.When they were building the Large Hadron Collider it seemed to be all about finding the Higgs boson. But there seems to be increasing interest in using the LHC to to learn something about the 85% of the universe we can't see. We know it's there because it has gravity, but that's about all it has. The betting is that it's a particle, and the leading candidate is the WIMP (weakly interacting massive particle). Gianfranco Bertone in yesterday's issue of Nature predicts that if there is such a ghostl particle it will be exposed by LHC in the next few years."Robert Park

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Sun, 21 Nov 2010 19:20:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8640/materia-negra
Planetas: solares, extrasolares e... http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8600/planetas-solares-extrasolares-e

concepção artística do primeiro planeta extragaláctico descobertoA notícia chega-nos da Alemanha e é mais uma descoberta no excitante campo dos planetas extrasolares. Desta vez, mais do que um novo "extrasolar" temos um misterioso "extragaláctico". A equipa de Rainer Klement do Max-Planck-Institut für Astronomie (MPIA) conta-nos que durante os últimos 15 anos os astrónomos detectaram cerca de 500 planetas em órbita de estrelas da nossa vizinhança cósmica, mas nunca nenhum foi confirmado fora da Via Láctea. Agora, no entanto, um planeta com uma massa mínima de 1.25 vezes a massa de Júpiter foi descoberto em órbita de uma estrela de origem extragaláctica, embora essa estrela se encontre actualmente no interior da nossa própria Galáxia. A estrela faz parte da chamada corrente de Helmi - um grupo de estrelas que pertenciam originalmente a uma galáxia anã que foi devorada pela nossa Galáxia, a Via Láctea, num acto de canibalismo galáctico há cerca de seis a nove mil milhões de anos.Para além do extraordinário da descoberta, esta novo planeta (denominado HIP 13044b), temos desde já dois interessantes enigmas: 1. trata-se de um planeta que conseguiu escapar à fase de gigante vermelha da estrela que orbita (como?) e 2. essa mesma estrela apresenta uma quantidade de elementos mais pesados que o hélio e hidrogénio é muitíssimo reduzida, contrariando as teorias contemporâneas sobre a formação e evolução estelar...

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Fri, 19 Nov 2010 03:27:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8600/planetas-solares-extrasolares-e
TYCHO BRAHE DESENTERRADO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8568/tycho-brahe-desenterrado

No passado dia 15 de Novembro foi desenterrado da Igreja de Nossa Senhora em Týn, no coração da cidade de Praga (muito perto do famoso relógio astronómico, visitado diariamente por hordas de turistas), o grande astrónomo dinamarquês Tycho Brahe. Uma equipa dinamarquesa pretende saber, em colaboração com colegas checos, de que causa exacta ele morreu, vai fazer no próximo ano 400 anos.A morte de Brahe ocorreu poucos dias depois de um banquete e tem sido atribuída a uma infecção urinária (diz-se que, para não quebrar as regras de cortesia, o astrónomo não ousou levantar-se durante o longo banquete para fazer uma necessidade). Em delírio, perto da morte, terá pedido ao seu discípulo Kepler que fizesse com que "a sua vida não tivesse sido em vão" e completasse as suas tábuas astronómicas. Não foi!Mas há também quem atribua a sua morte a um envenenamento por mercúrio. Provavelmente a verdade vai agora ser apurada. Quem quiser ver imagens dos restos mortais tiradas pela equipa de antropologia física da Universidade de Aarhus pode clicar aqui.E cá? Quando é que será finalmente permitido à antropóloga Eugénia Cunha e à sua equipa examinar os restos mortais de D. Afonso Henriques?Na imagem: o túmulo de Brahe, que é de 1901 (ano em que Brahe foi exumado).

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Wed, 17 Nov 2010 03:14:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8568/tycho-brahe-desenterrado
LIFE: THE GREATEST SCIENCE QUEST OF ALL TIME http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8530/life-the-greatest-science-quest-of-all-time

Destacamos, como é habitual ao fim de semana, a coluna WHAT’S NEW do físico norte-americano Robert L. Park:James Watson and Francis Crick stopped by the Eagle after leaving the Cavendish Lab on Saturday, February 28, 1953. Crick raised his glass and announced to all in the pub, "we have discovered the secret of life." And they had; they had unraveled the structure of DNA, the secret of life on our planet. We share genes with every creature that crawls on Earth. But could nature have found other ways on other worlds to solve the problem of life? That would be an even greater discovery. We have seen no hint of life on the other planets in our solar system, though we haven’t yet poked into every corner. In any case, the search for life to which we are not related now reaches beyond the solar system to our region of the Milky Way galaxy. The Third Millennium began with the discovery of planets orbiting stars other than our Sun. We should be able to study these exoplanets with the world's greatest telescope, under development at NASA Goddard. It’s 100 times more powerful than the Hubble, but trouble looms.The James Webb Space Telescope is in trouble. Barbara Mikulski (D-MD), who chairs the appropriations subcommitte that oversees NASA, clearly saw trouble back in June when she requested a review of the NASA budget. The review came in this week. The bottom line is that the James Webb space telescope is a year behind schedule and $200 million short. Christopher Scolese, associate administrator of NASA, agreed with the report's findings, but could not see where they could find the money. I should tell him the secret, NASA is bifurcated. The NASA thats the envy of the world, we might call "Exploration NASA," its a science agency that discovers exoplanets and puts rovers on Mars. Then theres "Carnival NASA." It arranges trips to space for people with too much disposable income, and looks for water on the Moon to make rocket fuel.Robert Park

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Sat, 13 Nov 2010 16:29:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8530/life-the-greatest-science-quest-of-all-time
O tio Rómulo http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8511/o-tio-romulo

Crónica publicada no jornal electrónico "Boas Notícias".Vasco está tonto. Não tonto de tolice, que lá tolo é que ele não é. Pelo contrário, está tonto de andar com a cabeça às voltas. Não às voltas como a Lua ao redor da Terra. Às voltas com os poemas que o tio Rómulo lhe está a ler, numa noite de lua cheia, à soleira da porta para aproveitar o Veranico de São Martinho dito.“Então não é que é a Terra que anda à volta do Sol!”, diz o tio com ar de provocação depois de ler “Um Poema para Galileu”, de António Gedeão. “Mas isso” exclamou Vasco, “não faz nenhum sentido aos sentir dos meus olhos!” “Sou capaz de jurar a pés juntos que o Sol nasce a nascente e se põe a poente, e que faz isto a girar por cima do horizonte, lá em frente no palco do mundo! E sou capaz de jurar que de noite, o Sol passa por de baixo da Terra para, no dia seguinte, e depois do galo capão cantar, voltar a despontar em alvorada de novo a nascente.” “Não”, diz o tio Rómulo com voz certa da verdade que há nos homens de ciência e, claro, também nos poetas. “É exactamente o contrário. E é a ciência que nos ajuda a discernir, sem ilusões e preconceitos, a aparência criada só pela simples observação.” “É preciso questionar e planear novas e minuciosas observações, para chegar a constatações a que qualquer um pode chegar, se fizer as mesmíssimas observações.” “E é preciso experimentar, a ideia que temos das coisas que nos rodeiam, para a despir de aparências e ilusões.” “Mas o que vejo não é real?”, pergunta Vasco intrigado. “Se os sentidos são reais, Vasco? Sim, claro que são e ainda bem que são”, afirma o tio Rómulo. “Mas a maravilha dos sentidos está mais em deixar o cérebro também ver, ouvir, cheirar... Para depois fazer a pergunta certa, a que abre novos horizontes e desvenda o que antes parecia pura contradição.” “E a magia deixa de estar no fenómeno e passa para o deslumbramento das ideias e do sonho…”continuou o tio Rómulo. “Sim, porque como diz o poeta no outro poema, o da ‘Pedra Filosofal’, é o sonho, essa essência neuronal, é o sonho que comanda a vida. Mas depois do sonho nos transportar através de aparentes contradições, surge a curiosidade de experimentar a eventual ideia que dele emerge!”Vasco está estupefacto. Nos seus olhos cintila o brilho das estrelas, o rosto prateado pelo Luar. “Os homens sonharam ver mais e mais para além e aquém do que os olhos vêem”, continua o tio Rómulo e levanta-se. “E o Homem do primeiro poema, o florentino Galileu Galilei, depois de muitas e persistentes observações dos satélites e das estrelas, fez cair uma secular ilusão: a de o Sol rodar em torno da Terra. Pelo contrário,” realça o tio Rómulo, “é a Terra que gira à volta do Sol e à razão de trinta quilómetros por segundo!” Rómulo, ergue as duas mãos e deixa cair uma castanha e um grande pião. E não é que caíram ao mesmo tempo no chão! “Sabes que o mesmo acontece com todos os corpos com massa, independentemente do seu peso?” perguntou o tio. “Todos caem dependendo, não do seu peso, mas da razão directa do quadrado dos tempos.”“E é pela mesma acção da força da gravidade, que atrai a castanha para o chão do planeta e este para o fruto, que a Terra gira em torno do Sol”. O tio Rómulo fita o enxame estrelado da via láctea no espaço sideral e diz: “E Sol e Terra, juntos, giram por sua vez à volta de outros sóis, sob essa força de atracção, a da gravidade, que atrai os corpos com massa na razão inversa do quadrado das distâncias.” “Por isso, é que estamos sentados na soleira da porta e não a voar em direcção às estrelas longínquas, astros que nos iluminam com o brilho do seu passado.” “Mas podemos sonhar que voamos sem ainda o fazer?”, pergunta Vasco. “Sim”, responde Rómulo, “através do sonho conseguimos, pois ´o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer`”.António Piedade

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Fri, 12 Nov 2010 04:50:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8511/o-tio-romulo
HAWKING SOBRE O ESPAÇO E SOBRE A CONSCIÊNCIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8494/hawking-sobre-o-espaco-e-sobre-a-consciencia

Dado o interesse suscitado pela recente entrevista do astrofísico Stephen Hawking aos leitores da "Time", traduzi mais duas das dez respostas que deu, agora sobre o espaço e a consciência:"-Pensa que a nossa civilização sobreviverá o suficiente para dar o salto para o espaço profundo?" (Harvey Bethea, Stone Mountain, Ga.)- Penso que temos uma boa probabilidade de sobreviver o tempo suficiente para colonizar o sistema solar. No entanto, não há nenhum sítio tão adequado como a Terra, de modo que não é claro se sobreviveremos se a Terra ficasse impracticável para ser habitada. Para assegurar a nossa sobrevivência a longo prazo temos de chegar até às estrelas. Isso vai demorar muito mais tempo. Resta-nos desejar que consigamos lá chegar.- O que julga que acontece à nossa consciência depois da morte? Elliot Giberson, Seattle- Penso que o cérebro é essencialmente um computador e a consciência é como um programa de computador. Deixará de funcionará quando o computador for desligado. Teoricamente, poderia ser recriado num rede neuronal, m,as isso seria muito difícil, uma vez que exigiria todas as memórias de uma pessoa."

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Thu, 11 Nov 2010 01:48:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8494/hawking-sobre-o-espaco-e-sobre-a-consciencia
HAWKING SOBRE DEUS E O BIG BANG http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8482/hawking-sobre-deus-e-o-big-bang

Da revista "Time" com data de 15 de Novembro transcrevo, traduzidas, duas respostas dadas por Stephen Hawking a dois leitores, a propósito so seu novo livro "The Grand Design":- Se Deus não existe, porque é que o conceito da sua existência se tornou quase universal?" Basanta Borah (Basileia, Suíça)Eu não digo que Deus não existe. Deus é o nome que as pessoas dão á razão por que estamos aqui. Mas eu penso que essa razão reside nas leis da Física em vez de em alguém com o qual podemos ter uma relação pessoal. Um Deus impessoal.- Será que o Universo vai acabar? Se sim, o que há para além dele? Paul Pearson (Hull, Inglaterra).As observações indicam que o Universo se está a expandir a uma velocidade cada vez maior. Vai-se expandir para sempre, ficando mais vazio e mais escuro. Apesar de o Universo não ter um fim, teve um início no Big Bang. Pode-se perguntar o que havia antes disso, mas a resposta é que não há nada antes do Big Bang, tal como há nada a Sul do Pólo Sul.

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Tue, 09 Nov 2010 15:36:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8482/hawking-sobre-deus-e-o-big-bang
COMETA HALLEY http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8460/cometa-halley

Cometa Halley, ilustração de João Vaz de Carvalho, no Notícias Magazine de hoje.

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Sun, 07 Nov 2010 16:10:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8460/cometa-halley