outras leituras - tagged with ciencia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com Fomento de vocações científicas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10945/fomento-de-vocacoes-cientificas

Excerto do meu livro "A Ciência em Portugal", saído há pouco na Fundação Francisco Manuel dos Santos, na colecção "Ensaios da Fundação" e que se encontra à venda, entre outros sítios, na cadeia de supermercados Pingo Doce:Uma sociedade desenvolvida necessita de atrair para a ciência e tecnologias alunos em quantidade e qualidade suficientes. Isso pressupõe o fomento de vocações científicas, o que significa não só vocações para a criação da ciência mas também para a aplicação da ciência na vida prática.Tem-se assistido em todo o mundo a um declínio do número de jovens que procuram cursos e carreiras de ciência e tecnologia, no sentido estrito, em favor da procura de cursos de ciências sociais e outros. E o problema atinge-nos também. Precisamos de mais cientistas e engenheiros, se compararmos os nossos índices dessas profissões com os índices dos países mais desenvolvidos da Europa, a que pertencemos. Toda a Europa, para se desenvolver rumo à “economia mais desenvolvida do mundo” (um objectivo da chamada Estratégia de Lisboa do ano 2000, cuja concretização ficou bastante aquém do previsto) necessita de mais pessoas com formação em ciência e tecnologia.Como superar este evidente desfasamento entre oferta de jovens e procura pela sociedade e pelo mercado? Por que é que os jovens se afastam, pode mesmo dizer-se, se auto-excluem, da ciência e da tecnologia? As causas são várias, mas entroncam no distanciamento entre ciência e sociedade. Se é verdade que a ciência é impulsionadora do progresso social, proporcionando aos cidadãos níveis de conforto inalcançáveis sem o seu concurso (em múltiplos sectores: na saúde, alimentação, habitação, transportes, comunicações, lazer, etc.), não é menos certo que parte importante da sociedade receia a ciência, chegando mesmo nalguns casos extremos a recusá-la liminarmente. A ciência, depois dos desastres de Bhopal e Chernobyl (para não falar de outros mais recentes, como o derrame petrolífero no Golfo do México), está associada a perigos, não se encontrando interiorizada a noção de que o risco é inerente a qualquer actividade humana e que a própria ciência, mais e melhor do que ninguém, poderá prever, evitar e diminuir os riscos.Por outro lado, as duas ciências mais básicas – a matemática e a física – apresentam dificuldades intrínsecas de aprendizagem. As duas estão relacionadas de perto e sua aprendizagem exige um processo gradual e sem hiatos.Em Portugal, onde o fenómeno mundial da fuga da ciência chegou com algum atraso, a recente queda demográfica no ensino superior não ajuda. Havendo menos jovens, haverá também menos candidatos a cursos de ciência e tecnologia. E, além disso, somos vítimas do deficiente rendimento dos estudos de ciência a nível do nosso básico e do secundário. Os exames do final do secundário revelam, como vimos, terríveis insuficiências na preparação da maioria dos jovens nas disciplinas científicas de base.Que podem as escolas de ensino superior e o Governo fazer? Pois podem multiplicar e melhorar as acções de marketing das ciências, que em muitos locais já têm sido promovidas. Nesse aspecto os projectos e as colaborações entre as escolas do ensino básico e secundário e as escolas do ensino superior são decisivas. Palestras dos cientistas nas próprias escolas ou em centros e museus de ciência são úteis para aproximar os jovens das ciências e motivá-los para o seu estudo. As acções dos alunos, organizados em associações juvenis (incluindo os clubes de ciência nas escolas), podem também contribuir. Os Dias Abertos das Universidades e, em geral, de institutos e laboratórios de investigação são igualmente positivos. As actividades de Verão, como o programa Ciência Viva nas Férias ou as Universidades de Verão, são também benéficas por aproximarem jovens pré-universitários das instituições do ensino superior. A iniciativa Despertar para a Ciência, da responsabilidade da FCT, com o apoio da Fundação Gulbenkian, foi igualmente meritória ao motivar para a ciência jovens em várias regiões do país (nomeadamente nas universidades de Lisboa, Porto, Coimbra, Faro e regiões autónomas).Todos estes são meios mais ou menos informais. Mas há também, na escola, que melhorar o ensino das ciências para atrair os jovens. Como se deve dar o despertar para a ciência nas crianças e nos jovens? A maneira mais eficaz parece ser através de actividades experimentais proporcionadas o mais cedo possível. A ciência é, ao fim e ao cabo, o conhecimento do mundo e, para conhecer o mundo, é preciso agarrar, mexer, experimentar. É isso precisamente que uma criança faz a partir do momento que nasce: agarra, mexe, experimenta, para conhecer o mundo onde entrou há pouco tempo.De facto, a curiosidade é a mola que propulsiona a descoberta. E uma criança nasce “equipada” com uma curiosidade natural. Antes de experimentar, devem ser colocadas interrogações: Como é? Por que é? As respostas só poderão ser encontradas depois de fazer, ver e pensar. E, encontradas algumas respostas, fica-se pronto para enfrentar novas interrogações.Uma criança que desperte para a ciência não tem necessariamente de ser um cientista ou um tecnólogo. Ao crescer, tornar-se-á num cidadão mais informado e consciente a respeito do mundo que o rodeia, qualquer que seja o ramo de actividade pelo qual enverede. Será uma pessoa não facilmente enganável, uma pessoa mais apta a escolher perante as várias opções que a vida constantemente lhe coloca. Uma criança que desperte para a ciência, mesmo que não venha a exercer uma profissão científica ou técnica, fará ideia do que é a ciência e a tecnologia. E perceberá que não é preciso ter uma grande cabeleira como Einstein para se ser cientista, mas que este tem, na esmagadora maioria dos casos, um aspecto absolutamente normal.Será que nos nossos jardins-escolas e nas nossas escolas do primeiro ciclo do ensino básico se desperta para a ciência? Infelizmente, e apesar de alguns bons exemplos, tal não se dá ainda na medida desejável. No ensino básico, a ciência, que se chama “estudo do meio” (sic), não tem o devido relevo e, no ensino pré-escolar, a ciência quase não existe. A experimentação, que deveria ser o caminho para que os alunos passassem a ver a ciência como a compreensão do mundo em que vivem, está ainda em falta. Há razões para recear que os nossos alunos estejam a fugir da ciência por não terem tido contacto com ela na idade adequada. Fogem mas nem sabem bem de quê e porque nem sequer sabem o que é.A comparação com países mais desenvolvidos devia iluminar-nos sobre as mudanças que urge realizar. Por exemplo, o currículo do ensino básico na Grã-Bretanha prescreve os conhecimentos científicos a alcançar e as capacidades a atingir em cada patamar da escolaridade mais baixa. A experimentação científica é promovida de um modo efectivo, recomendando-se a colocação de perguntas e a procura de respostas a elas. Em contraste, o currículo português, em vez de apregoar objectivos concretos e meios concretos de os alcançar, está envolto num incompreensível jargão pedagógico (que já foi sugestivamente baptizado de “eduquês”).O problema português da educação científica reside em grande parte na formação dos professores dos primeiros níveis de ensino. Com efeito, acontece que a maior parte dos nossos professores do pré-escolar ou da escola básica, nos seus três ciclos, não despertaram eles próprios para a ciência suficientemente cedo. Não tratam a ciência por “tu”, pelo que não podem fazer com que os alunos a tratem desse modo… O nosso défice no ensino das ciências só pode ser enfrentado se houver boa formação de professores do ensino básico. Um investimento desse tipo deve ser feito nesse nível de ensino e no pré-escolar, o que pode ser realizado com materiais simples e baratos. De pequenino que se torce o pepino? Não, de pequenino é que se torce o destino!

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Tue, 22 Feb 2011 18:09:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10945/fomento-de-vocacoes-cientificas
A FUNDAÇÃO TEMPLETON E O DIÁLOGO CIÊNCIA RELIGIÃO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10767/a-fundacao-templeton-e-o-dialogo-ciencia-religiao

Destaque semanal para a coluna WHAT’S NEW do físico norte-americano Robert L. Park:THE EPIPHANY: DOES THE TEMPLETON FOUNDATION MAKE YOU UNEASY?It certainly makes me uneasy. An excellent News Feature in this week's Nature by Washington editor Mitch Waldrop gives some of the reasons why it should, but something important was left out. (Much of what follows was drawn from my book Superstition: Belief in the Age of Science (Princeton, 2000)). As Waldrop points out, the Templeton Prize was not originally created "to pursue Templeton's goal of building bridges between science and religion." Indeed, the first Templeton Prize winner in 1973 was a fanatic Catholic nun who founded the Missionaries of Charity in Calcutta and wore a cilice. A bridge to science, Mother Theresa certainly was not. But then, neither were the next 26 winners of the prize, most of whom had founded religious movements that few scientists have ever heard of, except for Billy Graham who founded the Evangelistic Association, and Charles Colson of Watergate fame who founded the Prison Fellowship. Later, the nicety of a prize committee would be added, although Templeton seems to have remained in total control. The first notable exception was Paul Davies in 1995, a theoretical physicist who authored the Mind of God, and numerous other popularizations of cosmology. Templeton wrote little and we know almost nothing first-hand about what was going on in his head during this period. He appears to have had an epiphany. In 1999 the prize went to Ian Barbour, a physicist who had been Enrico Fermi’s student at the University of Chicago and who played a major role in building the first the nuclear reactor. Certainly the most interesting winner of the Templeton Prize, Barbour was disillusioned by the atomic bombing without warning Hiroshima and Nagasaki. After finishing his doctorate at Chicago, Barbour dropped out of physics and took a degree in theology from Yale. At Carleton College he taught both physics and theology and is generally credited with having created the Dialogue Between Science and Religion. Barbour marked a sharp change in Templeton prize recipients. From that point on, recipients have been, almost without exception, physicists or cosmologists who, as Dawkins put it, "say something nice about religion." Sir John died in 2008, but things have changed little under his son. The 2009 prize went to a physicist; 2010 to biologist Francisco Ayala.SELLING SCIENCE: THE PROBLEM WITH DISPROPORTIONATE WEALTHSir John Templeton saw Ian Barbour’s "dialogue between science and religion" and he coveted it. There is no point in being one of the richest men in the world if you can't buy the things you want. So the Templeton Foundation bought a magazine, Science and Spirit, and devoted it to publicizing the dialogue, but who reads Science and Spirit? So next, Templeton went to the American Association for the Advancement of Science with an offer of one million dollars to create the AAAS Dialogue between Science and Religion. That still sounds like a lot of money to scientists. The AAAS later backed out, but it serves to remind us that, however obtained, a disproportionate share of the world's wealth, even in the hands of the well-intentioned, is a threat to us all.Robert L. Park

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Sun, 20 Feb 2011 13:41:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10767/a-fundacao-templeton-e-o-dialogo-ciencia-religiao
OS PORTUGUESES E A CIÊNCIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9388/os-portugueses-e-a-ciencia

O último programa "Câmara Clara" da RTP2 sobre "Os Portugueses e a Ciência", com Maria Mota e Carlos Fiolhais, pode ser visto aqui.

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Mon, 31 Jan 2011 14:39:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9388/os-portugueses-e-a-ciencia
CIÊNCIA NO CÂMARA CLARA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9348/ciencia-no-camara-clara

Informação recebida do programa Câmara Clara da RTP2:Dia 30 de Novembro, domingo à noiteCONVIDADOS: MARIA MOTA E CARLOS FIOLHAISA portuguesa Maria Mota, um dos cientistas de topo nas investigações sobre a malária, e o físico Carlos Fiolhais, professor e autor de referência na divulgação científica, são os próximos convidados de Paula Moura Pinheiro. A investigação científica é dos raros setores que florescem num Portugal deprimido. Os cientistas portugueses estão a publicar cerca de 8000 artigos por ano; há unidades de investigação que merecem o investimento de organizações como a Fundação Bill Gates; e da Fundação Champalimaud espera-se que venha a ser para a Ciência aquilo que a partir dos anos 50 a Fundação Gulbenkian foi para as Artes. Maria Mota e Carlos Fiolhais explicam as razões deste boom num contexto em que tudo o resto parece correr mal e falam-nos de livros novos imperdíveis.

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Fri, 28 Jan 2011 06:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9348/ciencia-no-camara-clara
O ESPAÇO E A ALMA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9274/o-espaco-e-a-alma

Meu Prefácio ao livro de poesia “O Espaço e a Alma. Poemas escolhidos”, do cientista, especialista em biotecnologia, e professor da Universidade Católica do Porto F. Xavier Malcata, que acaba de sair na editora Corpos:O que é fazer poesia? E o que é fazer ciência? Em que divergem e convergem estas duas actividades humanas? Que se trata de duas actividades diferentes do ser humano será óbvio para toda a gente. Mas que possam ter algo de comum, embora menos evidente, é revelado pelo facto de haver poetas que se inspiram nos objectos e metodologias da ciência para escreverem os seus poemas, e pelo facto de haver cientistas que não desprezam a inspiração que lhes pode surgir de conteúdos e vias poéticas na prossecução dos seus trabalhos de pesquisa. E, ainda, pelo facto de haver pessoas que são simultaneamente poetas e cientistas, não encontrando contradição insanável na dupla actividade que professam.Eu conhecia – e admirava – o cientista F. Xavier Malcata, professor catedrático na Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica no Porto, doutorado em Engenharia Química pela Universidade de Wisconsin, nos Estados Unidos, e autor de uma vasta e reconhecida obra de investigação. Mas já não conhecia – e só agora passei a admirar – o poeta com o mesmo nome, que, neste livro, logo na Parte I (estando a lógica da divisão em partes exposta pelo autor), sob a égide do título “Cantos de Emoção”, explicita em dois simples versos de um soneto o que é “fazer poesia”:“É fugir em transe, olhando sem ver –É escrever o Mundo em grito e ilusão!” Fica subentendido que fazer ciência será, parafraseando-o, “Fugir em transe, olhando a ver – / E escrever o Mundo com calma e razão!” Xavier Malcata não é o primeiro cientista que também faz poesia – lembro-me do norte-americano Roald Hoffmann (Prémio Nobel da Química de 1981); mas em Portugal, será um dos muito poucos que o fazem – lembro-me do físico Orfeu Bertolami.Sobre esta magna questão das relações entre poesia e ciência, sobre as dissemelhanças e semelhanças entre elas, já se pronunciaram numerosos poetas e cientistas, assim como outros tantos críticos de uma e de outra actividade. O poeta Guerra Junqueiro (1850-1923) – que o autor refere no poema “Ínclito Porto”, na Parte III (“Ênfases de Ilusão”) – escreveu, no prefácio à “Morte de D. João” (Livraria Moré, 1874): “A poesia é a verdade transformada em sentimento. A lei descoberta por Newton tanto pode ser explicada num livro de física, como cantada num livro de versos. O sábio analisa-a, demonstra-a, e o poeta, partindo dessa demonstração, tira dos factos todas as consequências morais, sociais e religiosas, traduzindo-as numa forma sentimental. A ciência, neste caso, dá o convencimento, a certeza; a poesia dá a emoção, o entusiasmo”.Se a poesia aparece aqui como uma linguagem que expressa o real, com um registo próprio – e, portanto, de certo modo como uma consequência da ciência –, ela pode, por outro lado, também ser vista como a origem da ciência. Antero de Quental (1842-1891), contemporâneo de Junqueiro na “Geração de 70”, escreveu, numa carta a um seu amigo: “O chão sobre que assenta a certeza de hoje formou-se pelos aluviões sucessivos da intuição antiga. O que é ciência foi já poesia: o sábio foi já cantor, o legislador poeta: e a evidência uma adivinhação, um admirável palpite, cujas profundas conclusões são ainda o espanto e porventura o desespero das mais rigorosas filosofias. E, se nadamos hoje em plena luz da razão, foi entretanto a poesia, foi essa doce mão que nos guiou por entre o pálido crepúsculo dos velhos sonhos. Velhos? Nós somos eternos.”Fernando Pessoa (1888-1935), além de, sob o nome de Álvaro de Campos, ter equiparado a Vénus de Milo ao binómio de Newton, escreveu sob o seu próprio nome, mas colocando as palavras na voz do poeta Johann Wolfgang von Goethe, no poema dramático “Primeiro Fausto”, os seguintes versos:“Do fundo da inconsciênciaDa alma sobriamente loucaTirei poesia e ciência,E não pouca”.Haveria mais. Mas devem chegar estes exemplos, que encontrei no interessante livrinho “Ciência e Poesia” (Portugália, 1955) do matemático António Lôbo Vilela para ilustrar as dissemelhanças e semelhanças entre fazer poesia e fazer ciência. Há uma certa cumplicidade, quando poesia e ciência se interpenetram – por vezes, não se sabe mesmo qual delas está primeiro e qual está depois. Estão, em muitas situações, as duas ao mesmo tempo. A própria associação da imaginação à poesia – que é feita (e bem), na linha aliás do que é vox populi, por Xavier Malcata –, não deve fazer olvidar que a imaginação é uma componente essencial do processo de descoberta científica. Como disse o físico Albert Einstein: “A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação envolve o mundo.” Imaginação e razão não se podem dissociar facilmente; se é que podem, de todo.Para chegar a esta mesma conclusão bastará atentar em alguns dos poemas de Xavier Malcata, que partem de uma visão científica do mundo – decerto construída com a aliança da imaginação e da razão – para soltar a visão poética, isto é, deixar voar livremente a imaginação, a propósito de um evento, de um tempo ou de um espaço. Há outros poemas, onde a ciência está ou parece arredada e a poesia omnipresente, mas escolho alguns poemas onde a ciência e a poesia dividem fraternalmente o palco. Vejamos como o autor invoca a teoria da relatividade de Einstein no seu poema “Paradoxo de Natal” (da Parte III):“Tempo e até espaço, em singularidadeFundem-se – instantâneo e omnipresente são,Desafiando as leis sábias da realidadeNuma história longa de imaginação.Relatividade em campo, justificaComo um volumoso e risonho astronautaTodo o mundo corre, em diminuto instante.”A física moderna, desta vez a teoria quântica em vez da teoria da relatividade, reaparece noutros passos, como no poema “Sublime elementar” (da mesma Parte III):“Em filosófica, atroz dureza,Heisenberg não permite que, incólume,Fique então o núcleo: só na incertezaSe confia. E o aumento do volume –Bolhas são geradas tão breves,Revela o que é mais elementar:Tal energia, debaixo das neves,Fugidio elo vai acrescentar.”Num domínio mais próximo daquele em que exerce actividade o cientista Xavier Malcata, surgem umas notáveis ”Sextinas a um carbono quiral” (da Parte IV, “Gritos de Realismo”) – que nos fazem lembrar alguns dos poemas do escritor e professor Vitorino Nemésio (1901-1978), contidos no livro “Limite de Idade" (Estúdios Cor, 1972) que dedicou ao biólogo Aurélio Quintanilha):“Os electrões carregados –Fuindo num mar de incertezaE obrigatórios no acaso,Em orbitais bem casados(Híbridas são, de certeza)Dão ligações, mas a prazo.”Em “Arqueologia molecular” (da mesma Parte IV), o autor glosa a moderna e polémica questão dos organismos geneticamente modificados, associada de perto à investigação em biotecnologia que o cientista empreende no seu laboratório:“Criam-se tais regras sem ter fronteiras(Qual Craig Venter universal),Que na agroquímica – a que é industrial,Sem metabólicas, vis barreiras,O microcosmos se vai alterar.”Neste trecho, como aliás noutros, revela-se, sem qualquer dúvida, a dimensão humanista e ética do autor – uma dimensão que ajuda sobremaneira a fazer a ponte entre poesia e ciência.Falando de tecnologia, encontra-se neste livro referência às questões bastante actuais da produção e consumo de energia, nomeadamente ao aproveitamento da energia eólica, no poema “Eólo renascido” (Parte III):“Enchem a paisagem, cortam o horizonte –Como sentinelas de metal aladas,Como monstros em contínuo rodopio.Com seus triplos braços, erguem-se imponentes,Como se entre o céu e a terra fossem ponte.Como cavaleiro andante disfarçadas,Provocando D. Quixote em desafio –Torres actuais, máquinas tão descontentes.”Somos levados imediatamente, neste e em vários outros poemas, a estabelecer uma analogia – e também, necessariamente, um contraste – com a poesia de António Gedeão, o pseudónimo do professor de Ciências Físico-Químicas Rómulo de Carvalho (1906-1997), que, em “Impressão digital”, escreveu: “São moinhos? São moinhos. / Vê gigantes? São gigantes.”O autor também trata a questão das viagens espaciais, resultado tecnológico do conhecimento das leis de Newton – uma questão bem actual, agora que passam os 40 anos da primeira ida humana à Lua. Em “Balada de infinito” (Parte IV), lê-se:“Eis compasso de espera – fica em órbita;Cadeia a dois no módulo que parte,A equipa longe, no vácuo perdido,Desce, lenta, para a Tranquilidade.Saltitando tão esbelto (não gravita),O herói marca o chão como peça de arte.Satélite cinzento, em que o homem ávidoPula como gigante: é a Humanidade.”Associamos de novo Xavier Malcata a Gedeão, o autor de “Poema do homem novo”, saído um ano depois de Armstrong pisar o solo lunar: “Lá vai ele. / Lá vai o Homem Novo / Medindo e calculando cada passo, / Puxando pelo corpo como bloco emperrado.” A associação é particularmente evidente – decerto uma grande e justa homenagem do autor a Gedeão, pois, na poesia como na ciência, só se pode ver mais longe se se estiver “aos ombros de gigantes” –, na “Ameaça maior em redondilha menor”, que lembra a famosa “Lágrima de preta”. Escreve Xavier Malcata:“Encontrei uma gota,Que estava a escorrer:Transparente e fria,Prestes a morrer.Amostrei-a logo:Usei a pipeta,Olhei-a bem fundo –Vi a coisa tão preta.”Por outro lado, uma nítida diferença entre os dois poetas transparece se se cotejar, por exemplo, “Correrias de advento” (Parte II, “Suspiros de Bucolismo”), de Xavier Malcata, com “Dia de Natal”, de Gedeão – embora nos dois haja comunhão no tema, a crítica ao excessivo consumismo a que continuamos a assistir nos finais do ano. Outros, com mais sapiência e capacidade do que eu, poderão analisar os paralelismos e as obliquidades entre o consagrado autor de “Pedra Filosofal” e o presente autor, que decerto encontrou inspiração em quem tão bem soube urdir ciência e poesia.Um prefácio deve ser breve – como um acepipe que abre caminho para o saboroso prato principal, que é a obra propriamente dita. Assim, e uma vez que a última palavra será, como deve ser, a do poeta Xavier Malcata, dou (por ser incapaz de dizer melhor) a minha última palavra ao poeta Gedeão – que, no último poema, intitulado “Suspensão coloidal”, do seu livro “Máquina do Fogo” (Atlântida, 1961), tão bem resumiu a complexidade e a dificuldade das relações, decerto persistentes mas continuamente ambíguas, entre ciência e poesia:“Postulados e leis e lemas e teoremas,tudo o que afirma e fura e diz sim,teorias, doutrinas e sistemas,tudo se escapa ao autor dos meus poemas.A ele e a mim.”

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Fri, 21 Jan 2011 13:30:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9274/o-espaco-e-a-alma
PRIMÓRDIOS DA CIÊNCIA EM PORTUGAL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9271/primordios-da-ciencia-em-portugal

Esperando abrir o apetite para o meu novo livro "A Ciência em Portugal" deixo aqui o início do segundo capítulo, referente à história da ciência (a obra resume também a situação da investigação científica, o ensino das ciências e da cultura científica entre nós):"Convencionando‑se que a ciência moderna começa no início do século XVII com o físico italiano Galileu Galilei, que não só teorizou como praticou o método experimental, além de ser pioneiro da cultura científica ao divulgar a ciência da forma como o fez, terá de se considerar que o período áureo da história de Portugal, o período dos Descobrimentos marítimos, é um pouco anterior à ciência moderna. Mas ele foi essencial ao florescimento da ciência moderna. Johannes Kepler, o grande astrónomo alemão contemporâneo de Galileu, elogiou os feitos dos portugueses. E um dos amigos de Galileu, o jesuíta Christophoro Clavius, matemático principal do Colégio Romano, a sede dos Jesuítas em Roma, estudou cinco anos no Colégio das Artes, ligado à Universidade de Coimbra. Clavius não terá sido aluno em Coimbra do matemático Pedro Nunes, decerto o maior matemático e talvez o maior cientista português, mas ajudou na divulgação do seu nome por toda a Europa culta, ao efectuar numerosas referências ao trabalho daquele que foi cosmógrafo‑mor do rei D. João III.Pedro Nunes é um nome incontornável na ciência dos Descobrimentos. Apesar de nunca ter realizado viagens marítimas, criou um novo ramo da matemática aplicada: a matemática da navegação. Desenvolveu também um útil instrumento de medida, o nónio, que foi utilizado pelo dinamarquês Tycho Brahe, mestre de Kepler e o último grande astrónomo antes da invenção do telescópio por Galileu. Ajudado por Clavius e por outros, a sua fama correu mundo, a ponto de um dos livros alemães da sua época colocar o seu rosto na capa ao mesmo nível que os de Euclides e de outros renomados matemáticos. Além de Nunes, outros cientistas‑navegadores portugueses do tempo foram Duarte Pacheco Pereira, que exaltou o valor da experimentação (“A experiência é a madre de todas as coisas”) e D. João de Castro, que efectuou notáveis medidas da declinação magnética, tornando‑se com isso precursor dos estudos do magnetismoterrestre.Um outro notável cientista na época dos Descobrimentos foi o botânico Garcia de Orta. Viveu na Índia, onde publicou o Colóquio dos Simples, um livro pioneiro sobre plantas tropicais e também sobre doenças cuja cura podia ser obtida com a ajuda dessas plantas. Orta foi amigo de Camões, a ponto de os primeiros versos impressos do nosso maior poeta terem aparecido precisamente na portaria do Colóquio. O facto de a Inquisição ter perseguido postumamente Orta, um cristão ‑novo tal como Nunes, designadamente ao fazer‑lhe um auto‑de‑fé post mortem, exemplifica bem como a ciência enfrentou, em Portugal, desde o seu início, extremas dificuldades advindas de factores de intolerância religiosa, social ou política.Os Jesuítas tinham criado em Portugal alguns dos primeiros colégios do mundo (em Coimbra, o Colégio de Jesus, além do Colégio das Artes, e, em Lisboa, o Colégio de S. Antão). Alguns jesuítas que conviveram com Galileu realizaram entre nós as primeiras observações com o telescópio. Muitos membros estrangeiros da Companhia de Jesus vinham, nessa época, para Portugal com o intuito de ir missionar no Extremo Oriente. O telescópio foi aliás introduzido na China e no Japão através das viagens marítimas que os portugueses empreenderam. E não foram apenas os telescópios: também os relógios mecânicos chegaram ao Oriente por intermédio dos portugueses ou de estrangeiros que passavam por Portugal. Os conhecimentos de astronomia dos europeus eram tão superiores aos dos chineses que o Tribunal das Matemáticas, o organismo que superintendia na corte imperial de Pequim os assuntos relacionados com o calendário e com as efemérides astronómicas, passou a ser dirigido por jesuítas.Com a monarquia dual em Espanha e Portugal, Portugal entrou num período de declínio, que também foi visível na ciência. Só no Século das Luzes, primeiro com o rei D. João V (que criou bibliotecas em Coimbra e em Mafra e promoveu a vinda para Portugal de um astrónomo italiano, o padre João Baptista Carbone, que havia de publicar os registos das suas observações nas Philosophical Transactions da Royal Society de Londres) e depois com D. José (que haveria de patrocinar a importante Reforma Pombalina da Universidade de Coimbra) se observou um ressurgimento da ciência entre nós. No tempo de D. João V a ordem religiosa mais proeminente na astronomia e na física experimental já não foram os Jesuítas, mas sim os Oratorianos, que tinham um Colégio no Palácio das Necessidades em Lisboa, onde é hoje a sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros.Pontificaram aí dois “estrangeirados”, isto é, portugueses que tiveram de emigrar devido a perseguições na sua terra natal: o padre Teodoro de Almeida, fundador da física experimental em Portugal e também o primeiro divulgador de ciência entre nós, com a sua notável Recreação Filosófica, em dez volumes, e o Padre João Chevalier, um astrónomo que chegou a presidir à Real Academia Belga de Ciências, em Bruxelas. Na segunda metade do século XVIII, o marquês de Pombal, a figura política dominante, perseguiu tanto os Jesuítas (acabando por expulsar essa congregação do país, num movimento que levaria à sua extinção em todo o mundo) como os Oratorianos e, para suprir em parte a sua falta, convidou alguns cientistas italianos a vir leccionar em Portugal (os mais notáveis foram Giovanni dalla Bella e Domenico Vandelli, ambos vindos da Universidade de Pádua, na Itália).Ficou lendária a rápida e eficaz acção do marquês após o grande terramoto de Lisboa de 1755, tendo mandado efectuar um inquérito que é considerado precursor dos estudos sísmicos a nível mundial. A reforma que efectuou em 1772 da Universidade de Coimbra constituiu um momento de rotura contra o ensino ministrado pelos Jesuítas, que tinha estiolado (apesar de haver algum exagero no retrato que a “máquina de propaganda” do marquês fez dos seguidores de Santo Inácio de Loiola). A reforma ficou assinalada pela construção do Laboratório Chimico num antigo refeitório jesuítico (que hoje alberga a sede do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra) numa época em que a ciência química estava a desabrochar pela mão do francês Antoine Lavoisier, e pela criação do Gabinete de Física Experimental (um dos mais notáveis do mundo, cujas colecções de instrumentos integram hoje aquele Museu), do Gabinete de História Natural, do Jardim Botânico de Coimbra (antes tinha sido criado outro na Ajuda, em Lisboa, mas mais vocacionado para recreio e educação da Casa Real), etc. O ensino experimental foi instalado na que era então, desde o fecho da escola jesuítica eborense, a única universidade portuguesa.Não se pode, contudo, dizer que a reforma das ciências ordenada e dirigida pessoalmente pelo marquês tenha beneficiado largas camadas da população, uma vez que o número de alunos que frequentavam nessa época estudos superiores de ciências era extremamente diminuto. As faculdades de Matemática e de Filosofia que então foram criadas serviam essencialmente à preparação para estudos posteriores de Medicina.Influentes no processo de reforma empreendido pelo marquês foram outros “estrangeirados”, como os médicos judeus António Nunes Ribeiro Sanches, que esteve na Holanda, na França e na Rússia, Jacob de Castro Sarmento, que esteve exilado em Inglaterra, e o físico João Jacinto Magalhães, também foragido em Inglaterra, que conviveu com alguns dos mais importantes cientistas da época (como James Watt e Alessandro Volta) e hoje é lembrado por um prémio, instituído em sua honra e com uma dotação inicial doada por si, da American Philosophical Society. (...)"

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Fri, 21 Jan 2011 04:46:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9271/primordios-da-ciencia-em-portugal
A CIÊNCIA EM PORTUGAL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9273/a-ciencia-em-portugal

Acaba de sair o meu ensaio "A Ciência em Portugal", publicado pela Fundação Manuel Francsico dos Santos.

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Fri, 21 Jan 2011 04:34:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9273/a-ciencia-em-portugal
Robótica ao serviço das crianças http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9170/robotica-ao-servico-das-criancas

Alunos e professores da Univ. Minho, Laboratório de Robótica do Departamento de Electrónica Industrial liderado pelo Prof. Fernando Ribeiro, adaptam brinquedos para crianças com necessidades especiais. E reparem no pormenor: um dos brinquedos comemora golos do Vitória de Guimarães, ou seja, é um brinquedo inteligente.:-)

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Wed, 12 Jan 2011 08:25:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9170/robotica-ao-servico-das-criancas
Política num blog sobre a natureza das coisas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9166/politica-num-blog-sobre-a-natureza-das-coisas

Falar de política e de atitude cívica é uma das grandes contribuições que a ciência pode dar à democracia.As pessoas esquecem-se das suas obrigações. E demitem-se delas. Não avaliar, não querer saber, fazer de conta, ir em conversa fiada, não exigir, não responsabilizar é, em democracia, uma atitude muito perigosa. Porque permite o engano.Em democracia há momentos para avaliar. Esses momentos são as eleições e a necessária participação na vida do país. E isso não é só um direito. É essencialmente um dever! E é perigoso falhar nesse dever. Não vale a pena depois andar a apontar dedos. Se uns mentiram e enganaram, outros permitiram, outros não quiseram saber, outros não se informaram, outros foram em "clubismos", outros... falhamos todos colectivamente. Claro que com vários níveis de responsabilidade, claro que com vários graus de entendimento sobre a realidade, mas Portugal somos nós todos.Fazer perguntas e obter respostas claras não é um direito, é um dever de todos nós. Ceder nesse dever é um dos actos mais perigosos em democracia.Como dizia Francisco Sá Carneiro: "Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem."Quer contribuir para um Portugal melhor? Faça perguntas e exija respostas claras, como se tivesse 6 anos. Queira saber mais, a razão das coisas, leia, investigue e converse com os seus amigos e familiares. Não aceite explicações dúbias ou repletas de coisas técnicas. A natureza das coisas tem de poder ser explicada de forma simples (sem ser simplista), para que todos entendam. Se não for, então o seu interlocutor não sabe, ou não tem a certeza do que está a dizer. Não fique no curto prazo. Levante a cabeça e olhe à volta. Queira saber como se articulam as coisas, qual é o objectivo a médio e longo-prazo, ou seja, queira saber qual é o cenário (the big picture). Se fizer isso, como fazem os cientistas, as suas opções serão melhores, porque terão suporte e terão reflexão. Pode enganar-se, claro, mas a probabilidade é menor e afastou grande parte dos "enganos".Como dizia Carl Sagan, "O mundo está infestado de demónios" e a ciência é a forma mais eficaz de os combater.:-)

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Wed, 12 Jan 2011 03:27:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9166/politica-num-blog-sobre-a-natureza-das-coisas
As Luzes de Rutherford http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9042/as-luzes-de-rutherford

Nas vésperas do ano em que comemoram cem anos da descoberta do núcleo atómico, obra do físico Ernest Rutherford, deixo aqui um excerto de uma peça que um músico contemporâneo com formação em física - o britânico Edward Cowie - compôs em sua homenagem: "Rutherford Lights".

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Thu, 30 Dec 2010 10:29:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9042/as-luzes-de-rutherford
Cassini http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9030/cassini

A nave espacial CASSINI continua a sua fantástica viagem a SATURNO.Perto do dia de Natal enviou imagens fabulosas.Veja aqui.:-)

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Wed, 29 Dec 2010 02:59:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9030/cassini
SOBRE A FUGA DE CÉREBROS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8996/sobre-a-fuga-de-cerebros

Depoimento em vídeo que prestei ao "Jornal de Negócios": aqui.

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Thu, 23 Dec 2010 23:13:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8996/sobre-a-fuga-de-cerebros
DOZE LIVROS DE CIÊNCIA DE 2010 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8997/doze-livros-de-ciencia-de-2010

Quase a terminar o ano de 2010 (e com ele a primeira década do novo milénio) é a altura de fazer o balanço anual da edição de livros de ciência em Portugal. Escolhi, com um critério necessariamente pessoal, uma dúzia de livros que ficam da safra editorial deste ano. Sete deles são de autores portugueses. Os temas preferenciais são a astronomia, a física (com destaque para a história desta ciência) e a medicina (principalmente neurologia). Deixo evidentemente de fora o livro que escrevi com Décio Martins “Breve História da Ciência em Portugal”, uma edição conjunta da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva. A ordem é alfabética do nome do autor.1 - Ivo Alves, “Atlas do Sistema Solar”, Imprensa da Universidade de Coimbra.Um geofísico da Universidade de Coimbra, que tem estudado a geologia de Marte,é o autor de um interessante atlas do sistema solar, com informação actualizada sobre o nosso sistema planetário e imagens escolhidas dos vastos arquivos da NASA e da ESA. É uma obra de referência para todos os que se interessam por astronomia, numa edição cuidada de uma editora universitária de referência.2 - João Lobo Antunes, “Egas Moniz. Uma Biografia”, Gradiva.O Professor de Medicina da Universidade de Lisboa que foi distinguido há uns anos com o prémio “Pessoa” é o autor não “de uma” biografia, mas sim “da” biografia do nosso até agora único Prémio Nobel em Ciências. Fazia falta uma obra como esta, muito bem documentada e extraordinariamente bem escrita, da pena de um especialista nas matérias em que Egas Moniz sobressaiu.3- Luís Miguel Bernardo, “História da Luz e das Cores”, Vol. 3, Editora da Universidade do Porto.Um físico da Universidade do Porto especializado em óptica moderna publicou na editora da sua universidade o terceiro e último volume da sua monumental obra sobre a evolução do modo como fomos vendo a luz e as cores. A história do laser, nele incluída, surgiu na altura das comemorações dos 50 anos da invenção do laser.4 - Rómulo de Carvalho, “Memórias”, Fundação Gulbenkian.Pouco antes do Natal, a Gulbenkian traz a lume o magnífico volume de memórias do grande poeta, professor de Físico-Química, historiador da ciência e da educação e divulgador de ciência. Este é, sem dúvida, um dos maiores momentos editoriais do ano, por nos permitir compreender melhor um grande personagem do século XX português.5- Eugénia Cunha, “Como nos Tornámos Humanos”, Imprensa da Universidade de Coimbra.A antropóloga forense da Universidade de Coimbra traça de modo sumário a evolução do homem num livro de bolso da colecção de bolso “Estado da Arte” da editora da universidade coimbrã, em boa hora ressuscitada depois da extinção no tempo de Salazar. 6 - António Damásio, “O Livro da Consciência”, Temas e Debates.O médico neurologista português, autor de “O Erro de Descartes”, que é um “estrangeirado” nos Estados Unidos (e, como João Lobo Antunes, Prémio “Pessoa”) fornece um relato actualizado do que é a consciência humana. Imprescindível para todos os que queiram saber o que se sabe sobre o cérebro humano.7- Galileu Galileu, "Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas", tradução e notas de Henrique Leitão, Fundação Gulbenkian.No final do Ano Internacional da Astronomia, que pretendeu assinalar os quatrocentos anos das primeiras observações de Galileu realizadas com o telescópio, esta é a primeira tradução em português, realizada a partir do latim original, dos registos dessas primeiras observações. Foi seu autor um dos melhores historiadores portugueses, Henrique Leitão, da Universidade de Lisboa.8 - Stephen Hawking (coordenação), “Aos Ombros de Gigantes”, Texto Editores.Num enorme e belo volume, esta é uma colecção de textos clássicos de alguns dos maiores gigantes da Física – Copérnico, Kepler, Galileu, Newton e Einstein - , num volume organizado pelo astrofísico inglês que se tornou famoso com a sua “Breve História do Tempo”. Coordenei a equipa da Universidade de Coimbra que efectuou a tradução para português europeu, feita com a ajuda da tradução em português do Brasil, onde o livro saiu primeiro. Curiosamente, quase na mesma altura a Gulbenkian fez sair uma outra tradução dos “Principia” de Newton aqui também contidos, feita directamente a partir do latim original.9 - Hubert Reeves, “Já Não Terei Tempo”, Gradiva.Mais um livro, este de memórias, do conhecido astrofísico canadiano, que com “Um Pouco Mais de Azul” foi o autor de um dos primeiros êxitos de venda da colecção “Ciência Aberta” da Gradiva.. Essa notável colecção aproxima-se, mantendo a qualidade do início, dos duzentos livros. É obra!10- Silvan Schweber, “Einstein e Oppenheimer. O Significado do Génio”, Bizâncio.Um historiador de ciência norte-americano traça perfis paralelo de dois dos maiores génios da física do século XX. Os dois eram judeus e estiveram ligados, de uma maneira ou de outra, ao projecto que conduziu à primeira bomba atómica. Mas o seu génio excede em muito essa ligação.11 - Manuel Sobrinho Simões, “Genes, Célula, Ciência e Homem“, Verbo.O Professor de Medicina da Universidade do Porto e também Prémio “Pessoa” reuniu aqui alguns dos seus textos e entrevistas que dão conta não só do seu pensamento original mas também do seu notável poder de comunicação.12- Simon Singh, "Big Bang. A descoberta científica mais importante de todos os tempos e porque precisa de a conhecer", Gradiva.Um conhecido autor de livros de divulgação de ciência apresenta um relato pormenorizado e actualizado do modelo do Big Bang, que triunfou na cosmologia e na astronomia, num outro volume da colecção “Ciência Aberta”.

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Thu, 23 Dec 2010 23:09:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8997/doze-livros-de-ciencia-de-2010
OS PERIGOS DA RADIAÇÃO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8851/os-perigos-da-radiacao

Habitual destaque semanal para a crónica do físico Robert Park:"EMF EXPOSURE: DOES WAVING OF THE TREES MAKE THE WIND BLOW?Identifying the cause of disease is the first step in its treatment. Epidemiology, the branch of medicine concerned with causation, seeks to establish correlation between exposure to a possible cause and actual occurance of the disease. Data must be taken over a period of years to allow for latency; if no effect is seen, a longer latency period is assumed. Since there is no record of individual usage, people are asked to recall what they did years earlier. Exposure to electromagnetic fields (EMF) in modern society is ubiquitous, but with the exception of a few crackpots it was not thought to be a problem until 1989 when the New Yorker ran a series of hopelessly misinformed articles by Paul Brodeur linking EMF to cancer. The articles were turned into a series of books with lurid titles like Currents of Death. Brodeur had zero background in science but he managed to arouse the anti-science monster that had been in hiding since World War II. The media, trained to give both sides of the story, even if one side is the babbling of an idiot, was no help. It did not end until 1996 when the National Academy of Sciences, persuaded that the public would not accept an argument based on quantum mechanics, released a three-year study that found no effect of EMF on the human body. Almost overnight power lines stopped causing cancer. The anti-science monster had been chained,but it was still alive."Robert Park

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Fri, 10 Dec 2010 17:32:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8851/os-perigos-da-radiacao
Perfis de cientistas na "Pública": http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8819/perfis-de-cientistas-na-quotpublicaquot

Transcrevo o perfil que sobre mim traçou a jornalista do "Público" Teresa Firmino, no suplemento dominical daquele jornal que foi especialmente dedicado à quadra natalícia:Um pouco mais de saber - Carlos Fiolhais, físico, 54 anosGosta de comunicar a ciência a toda a gente, ou não tivesse já escrito vários livros de divulgação científica, o que costuma fazer com humor. Por isso, o desejo de Carlos Fiolhais, de 54 anos, é sobre a produção do próprio conhecimento e a sua divulgação. "O que qualquer cientista quer dar à humanidade é mais ciência, isto é, quer acrescentar mais um bocadinho de saber ao que já se sabe", diz o físico da Universidade de Coimbra."Sabemos pouca coisa sobre o próximo ano (o físico Niels Bohr observou com fina ironia: 'É muito difícil fazer previsões, principalmente sobre o futuro'). Mas uma coisa sabemos com certeza, pois todos os anos tem sido assim: no próximo Natal saberemos mais do que neste. Nos laboratórios e institutos de todo o mundo, incluindo o meu em Portugal, enquanto a Terra dá mais uma volta ao Sol, irá fazer-se mais ciência, ciência essa que será publicada em revistas ou arquivos electrónicos e ficará à disposição da humanidade."É precisamente por isso, diz, que os cientistas são em geral pessoas optimistas: "Sabem que amanhã saberão ainda mais. E que, por isso, se viverá melhor."Doutorado em física teórica na Alemanha, na Universidade Johann Wolfgang Goethe, em Frankfurt, Carlos Fiolhais publicou um artigo científico, em 1992, que já foi citado 7802 vezes nos trabalhos de outros investigadores, o que é uma forma de aferir a sua relevância na construção sempre inacabada do edifício da ciência. "É o artigo mais citado de sempre com um co-autor a trabalhar em Portugal." E o seu segundo artigo mais citado é... uma errata àquele artigo. "Até a pequena correcção já foi citada 528 vezes", e ri-se.Porquê tantas citações? Porque o artigo apresenta uma nova fórmula matemática que descreve a ligação dos átomos entre si — a sua cola —, que torna possível a formação de moléculas, sólidos e superfícies. "Por que existe a água? Porque há dois átomos de hidrogénio que se juntam a um átomo de oxigénio. Há uma ligação, uma cola", exemplifica. Ainda hoje essa fórmula tem grande aplicação em trabalhos de química, nanotecnologia, biologia ou engenharia de materiais — "os exemplos são tantos, que se somam as citações".Como divulgador científico, acaba de publicar, com o físico Décio Martins, uma Breve História da Ciência em Portugal. Neste pequeno livro é resumida a ciência feita por cá desde o tempo dos Descobrimentos até ao final do Estado Novo, passeando-se por nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta, Egas Moniz ou contribuições como o aperfeiçoamento da caravela, a criação do astrolábio náutico ou a descoberta da doença dos pezinhos.O seu livro Física Divertida (Gradiva), de 1991, é um best-seller que já vendeu 20 mil exemplares em Portugal. As conferências que deu em muitas escolas ajudaram a inspirá-lo nas histórias de física que aí conta: "Ia a muitas escolas — era um caixeiro-viajante — e contava aquelas histórias aos miúdos. A reacção deles permitiu-me aperfeiçoá-las e contá-las de maneira humorística."O seu desejo de que se produza mais conhecimento leva-o a parafrasear outro gigante da física, Isaac Newton, que um dia afirmou: "Sou apenas uma criança que brinca na praia, enquanto oceanos de verdade estão por descobrir diante de mim." Metaforicamente, Carlos Fiolhais resume assim o seu sonho como cientista: "Encontrar, na orla da ignorância, um seixo, uma concha, uma estrela-do-mar que ainda ninguém tenha visto antes e dá-la a ver..."Teresa Firmino

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Wed, 08 Dec 2010 13:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8819/perfis-de-cientistas-na-quotpublicaquot
A CIÊNCIA EM DIRECTO?! http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8782/a-ciencia-em-directo

Minha crónica no "Diário de Coimbra". Vivemos de facto tempos simultaneamente entusiasmantes e estranhos.Entusiasmantes, porque a novas tecnologias de informação e os agentes do “mass media” permitem, a qualquer um de nós, assistir quase em directo ao processo científico e ao resultado de determinada experiência. Entusiasmantes, compaginadamente, porque pressentimos a emergência de novas descobertas, em diversas áreas científicas, que podem mudar paradigmas actuais.Não é de hoje. Foi assim com o Homem na Lua, há mais de 40 anos. Nesse caso, não se tratou só da transmissão de uma experiência científica (a comprovação de que as nossas leis da gravidade estão, a esta escala, mais ou menos correctas) mas também a concretização de um feito tecnológico.Desde então, verificamos a massificação do fenómeno informativo. Não me espantaria se determinado canal de informação televisivo transmitisse em directo uma certa experiência, com os resultados a serem comentados pelos próprios investigadores e enquadrados, no conhecimento geral, por um comentador científico, sentado no estúdio com o pivot do programa informativo.Mesmo “sem saber ler nem escrever”, qualquer um de nós poderia compreender o que se estaria a passar se o comentador conseguisse traduzir por miúdos a necessária terminologia científica.Uma vez que alguma da investigação científica é financiada por todos os contribuintes, o cidadão poderia verificar, em directo, antes da telenovela das nove, as dificuldades, os sucessos, os erros, as angústias, os resultados e as suas eventuais aplicações na resolução de problemas comuns. Por exemplo, na “luta” contra um determinado tipo de cancro que estivesse a corroer a vida do personagem principal da telenovela!É claro que o processo científico é longo e não me parece muito exequível agendar directos para ver o resultado final. Por outro lado, como sabemos, em ciência não há resultados finais. Mas há sempre resultados, mesmo que muitas vezes indiquem que chegamos a um beco sem saída, ou que a pergunta directriz da hipótese inicial foi mal formulada. Compreendo que um “não”, a verificação de um erro, não seja muito estimulante. Mas faz parte da verdade. E seria muito formativo transmitir a verdade, em palavras simples e tangíveis. Não tenho dúvidas de que o cidadão comum se interessaria e se entusiasmaria com esta demanda pelo conhecimento verdadeiro e útil.Na arena da ciência em directo, mesmo que em diferido, chamo a vossa atenção para "Journal of Visualised Experiments", revista em formato Web onde os cientistas demonstram e comentam os resultados das suas experiências utilizando todo o potencial que emerge dos "new media".Vivemos tempos estranhos. Para captar a atenção de todo o mundo, a NASA antecipa a publicação de um artigo na revista Science criando falsas expectativas que são instantaneamente disseminadas, com avidez de espectáculo, por todas as agências de comunicação. É compreensível que a agencia espacial norte-americana precise de se evidenciar “galacticamente” para captar financiamentos. Com a leitura do artigo em causa, a análise do que é novo mostra que há novidade. Uma bactéria é capaz de substituir fosfato por arsénio. Contudo, é muito interessante comprovarmos mais uma vez que as bactérias, seres unicelulares, continuam a ter esse potencial intrínseco à vida, o de esgrimir todos os argumentos bioquímicos para sobreviver. É assim, há pelo menos 3,6 mil milhões de anos.Brevemente, abordarei a interacção do elemento arsénio e seus compostos com os seres vivos. António Piedade

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Fri, 03 Dec 2010 05:14:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8782/a-ciencia-em-directo
Universo Observável http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8749/universo-observavel

A propósito do texto do Miguel Gonçalves e dos meus recentemente aqui e aqui colocados a propósito do Universo observável e existência de energia e matéria negra em quantidades quase totalitárias, ocorreu-me a história que a seguir conto, numa adaptação minha. Aliás, quando me interrogo sobre o "universo", enquanto objecto de estudo e de observação através do método científico, esse exemplo surge imediata e recorrentemente.“Numa noite escura que nem breu, um sujeito percorre uma rua. Aproxima-se de uma zona iluminada pelo único candeeiro público que conhece. Verifica que há um outro sujeito à procura de algo na zona iluminada e pergunta-lhe:- Desculpe, anda à procura de alguma coisa?- Sim, da chave de minha casa? – Responde atarefado o segundo sujeito.- Tem a certeza de que foi aqui que a perdeu? – Retorque o primeiro.- Não, mas esta é a única zona iluminada onde a posso procurar.”Esta breve e quase anedótica história é uma boa caricatura do trabalho científico: mesmo que teoricamente seja mais provável que a "chave" esteja logo ali ao lado da zona iluminada, só quando tivermos tecnologia que nos permita estender a procura nesse outro lado é que poderemos efectuar observações. As luas de Júpiter já orbitavam este planeta no tempo de Ptolomeu, mas foi preciso observar através da luneta de Galileu para as encontrar.A energia e matéria negra pressente-se teoricamente para explicar o nosso actual modelo do Universo, mas precisamos da tecnologia dos aceleradores de partículas para a podermos encontrar e caracterizar.Por outro lado, é espantosa a capacidade preditiva dos modelos científicos que "guiam" o desenvolvimento tecnológico à procura de novas observações que eventualmente os possam comprovar, mas que também poderão demonstrar que estavam muito desajustados da realidade.É assim a ciência.António Piedade

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Tue, 30 Nov 2010 03:39:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8749/universo-observavel
PREFÁCIO A “AOS OMBROS DE GIGANTES” http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8729/prefacio-a-aos-ombros-de-gigantes

MeupPrefácio ao livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores, textos clássicos da ciência escolhidos e comentados por Stephen Hawking), que já se encontra nas livrarias:Foi o grande físico inglês Isaac Newton o autor do título deste livro. De facto, foi ele quem um dia afirmou:“Se consegui ver mais longe é porque estava aos ombros de gigantes”.Os gigantes a que Newton se referia eram o italiano Galileu Galilei e o alemão Johannes Kepler, que foram contemporâneos um do outro e que pertenceram à geração anterior à de Newton (este nasce no ano em que Galileu morre). Por sua vez, Galileu e Kepler estiveram aos ombros de um outro gigante, um pouco anterior, o monge polaco Nicolau Copérnico, que desafiou a longa tradição geocêntrica ao afirmar que a Terra se movia em torno do Sol.Quer Galileu quer Kepler, enfrentando uma enorme incompreensão à sua volta, defenderam o sistema de Copérnico. Os dois foram observadores dos céus: Galileu construiu e usou a primeira luneta astronómica, e Kepler, com base em sistemáticas observações dos planetas realizadas a olho nu, formulou as três leis que hoje têm o seu nome, dos movimentos planetários.Portanto, a obra de Newton nunca teria sido possível sem Copérnico, Galileu e Kepler. O sábio inglês viu mais longe aos ombros dele: encontrou uma mecânica que engloba as descrições anteriores dos movimentos na Terra realizadas por Galileu (a primeira lei de Newton não é mais do que o princípio da inércia de Galileu, segundo o qual os corpos permanecem parados ou em movimento uniforme se não forem actuados por forças exteriores); mais ainda, essa mecânica descrevia tanto os fenómenos da Terra como os do céu (tanto a maçã sobre a cabeça de Newton como a Lua que ele via ao longe!); e, finalmente, com base nas leis de Kepler, Newton alcançou a lei de gravitação universal, segundo a qual todos os corpos, tanto na Terra como nos céus, se atraem uns aos outros, obedecendo a uma fórmula matemática. Para um homem só, ainda que aos ombros de outros três, é obra!Foi longa a espera – mais de duzentos anos - até surgir um outro gigante que conseguiu subir aos ombros de Newton. O seu nome foi Albert Einstein e celebrámos no ano de 2005, declarado pela Organização das Nações Unidas “Ano Mundial da Física”, o centenário dos seus principais trabalhos. Havia, de facto, alguns problemas com a mecânica de Newton (e dos seus antecessores, a respectiva paternidade deve ser partilhada), nomeadamente a sua compatibilidade com o electromagnetismo, a parte da Física que estuda os fenómenos eléctricos e magnéticos e que tinha, entretanto, sido muito desenvolvida. Einstein, movido pela ideia da unidade conceptual da Física, viu-se obrigado a mudar a antiga mecânica, substituindo-a pela mecânica relativista. Na nova mecânica, nomeadamente na teoria da relatividade restrita, o espaço e o tempo deixavam de ser conceitos absolutos e independentes um do outro, existindo um espaço-tempo para cada observador. Mas Einstein fez essa substituição de um modo subtil: a mecânica antiga continuava, afinal, perfeitamente válida para os fenómenos que decorriam a baixas velocidades, as velocidades a que estamos habituados nas nossas vidas. Por outro lado, ao reparar com algumas dificuldades da teoria newtoniana da gravitação, nomeadamente o facto de a interacção gravítica ter lugar a velocidade infinita, Einstein propôs uma nova teoria da gravitação, a teoria da relatividade geral, uma teoria física muito bela segundo a qual o espaço-tempo se encurvava na vizinhança de uma massa, encurvando-se tanto mais quanto maior for a massa. A força da gravitação era a manifestação visível desse encurvamento geométrico. Mais uma vez, a antiga fórmula da força gravítica de Newton valia no caso em que as massas que encurvavam o espaço-tempo à sua volta eram suficientemente pequenas, mas deixava de valer no caso de estrelas supermassiças. O que era novo não mudava completamente o que era velho, antes o mantinha num limite bem preciso.E é assim que a física – o empreendimento humano da descoberta do mundo – avança... Uns vêem mais do que os outros, mas, ao fazê-lo, prestam homenagem aos outros, que viram o mundo antes deles, mantendo aquilo que for de manter. A pirâmide dos físicos não está certamente acabada: um dia alguém subirá certamente para os ombros de Einstein e verá mais longe do que ele, acrescentando algo a Einstein sem destruir a parte essencial do que ele propôs. Um dos problemas atacados por Einstein, ao longo de décadas da sua vida, foi a tentativa de unificação da força gravítica com a força electromagnética, nomeadamente procurando dar à força electromagnética uma interpretação geométrica semelhante à do caso gravítico. Esse grande problema da unificação das forças permanece hoje em dia por resolver: ele espera um outro Einstein, que poderá surgir a qualquer altura.Mas o novo Einstein terá de ter lido este livro. A obra que o leitor tem em mãos – compilado por um astrofísico muito conhecido que trabalha nas fronteiras da moderna física, o inglês Stephen Hawking – reúne os textos fundamentais de todos os autores que foram atrás referidos: de Nicolau Copérnico, o texto de “Sobre as Revoluções dos Corpos Celestes”, de Galileu, os seus “Diálogos sobre os Duas Novas Ciências”, de Kepler, as suas “Harmonias do Mundo”, de Newton os seus “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” e, finalmente, de Einstein o conjunto dos seus artigos mais importantes sobre as suas teorias da relatividade restrita e geral. Hawking escreveu resenhas biográficas daqueles famosos autores. Se a Fundação Gulbenkian já nos tinha dado a tradução do livro de Copérnico, feita a partir do latim original, e a tradução dos textos fundamentais de Einstein, feita a partir do alemão original, não podemos deixar de agradecer à Texto Editores o facto de publicar pela primeira vez em português de Portugal os referidos textos de Galileu, Kepler e Newton. Salvo erro ou omissão é até a primeira vez que Kepler aparece na língua portuguesa, o que se afigura tanto mais interessante quanto Kepler era um admirador confesso dos feitos dos navegadores portugueses, tendo até redigido os seus trabalhos como uma narrativa de avanços e recuos na sua elaboração, tal como os cronistas de bordo faziam para descrever as aventuras marítimas.Nesta tradução, feita a partir da versão brasileira, mais do que ser absolutamente fiel aos originais procurámos tornar os textos minimamente inteligíveis pelo leitor de hoje que se interesse pelos conteúdos.Este é um grande livro a todos os títulos. É grande não apenas no tamanho, mas é grande por reunir num só volume as maiores ideias dos maiores génios que a humanidade jamais teve! Este volume condensa aquilo que o homem foi sabendo a respeito do mundo físico à sua volta durante cerca de quinhentos anos. O último meio milénio proporcionou um avanço enorme à Física, um avanço conseguido por gigantes intelectuais. Resta-nos sonhar com o próximo meio milénio: é certo que a pirâmide humana vai continuar a subir...

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Sun, 28 Nov 2010 07:36:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8729/prefacio-a-aos-ombros-de-gigantes
ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8730/alteracoes-climaticas-e-a-palavra-de-deus

Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New":FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert ParkNa imagem: Réplica da arca de Noé.

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Sun, 28 Nov 2010 07:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8730/alteracoes-climaticas-e-a-palavra-de-deus
POEMAS DE EUGÉNIO LISBOA SOBRE GIGANTES DA FÍSICA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8699/poemas-de-eugenio-lisboa-sobre-gigantes-da-fisica

O engenheiro, professor e ensaísta Eugénio Lisboa, que nos dá a honra de colaborar neste blogue, é também poeta. Ele é o autor de um curioso livro de poesia sobre notáveis cientistas: "O Ilimitável Oceano" (Quasi, 2001). Escolhi três poemas sobre três "gigantes" a cujos ombros subiu Newton e um quarto sobre esse outro "gigante" que foi o próprio Newton.COPÉRNICOO céu que viste era o céude Ptolomeu. Mas diferentefoi a forma de o olhar.No modo de julgar, teu,a Terra, astro movente,demitiu-se de pensarque era o centro do mundo:assim ver, que abalo fundo!GALILEUAs leis do movimento perscrutastecom paciência e cândido olhar.Com o mesmo olhar o vasto céu sondastehumilde mas altivo no ousar.KEPLERO mundo próximo, à volta, apodrece.Fome, mortal conflito e pestilênciaturvam o dia mal amanhece.Segura-se à pureza da ciência:o curso aparente das estrelas,seguindo matemática divina,deriva, das rigorosas tabelasdo vasto cosmo, a curva sibilina.NEWTONDa qualidade oculta de tudo,não cuido, nem sei. Não é de ofíciosério sabê-lo: o tudo é mudoe forçar-lhe a fala é sério vício.Dos fenómenos, deduzo leisde movimento e destas derivoqualidades e acções: vereisque o saber, assim, avança, altivo.Eugénio Lisboa

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Thu, 25 Nov 2010 10:30:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8699/poemas-de-eugenio-lisboa-sobre-gigantes-da-fisica