outras leituras - tagged with divulgacao-da-ciencia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com O SISTEMA PERIÓDICO - PRIMO LEVI http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11085/o-sistema-periodico-primo-levi

Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:O SISTEMA PERIÓDICO - PRIMO LEVIapresentado por Sebastião FormosinhoDepartamento de Química da FCTUC3 de Março | 18H00Museu da Ciência da Universidade de CoimbraEntrada livreEm Março de 1975 é publicado originariamente O Sistema Periódico. Este livro é uma colecção de pequenas histórias, a maioria episódios da vida do seu autor, Primo Levi, mas também dois contos ficcionais que ele escreveu antes de ser enviado para Auschwitz, todos relacionados, de algum modo, com os elementos químicos.À primeira vista, encontramo-nos perante a autobiografia de um químico articulada em vinte e um momentos, cada um relacionado com um elemento: o azoto, o carbono, o chumbo, o níquel e por aí em diante – vários encontros com a matéria ou, se quisermos, o relato da luta entre o homem empreendedor e o mundo que o rodeia feito através das pequenas histórias de um ofício.Café, Livros e Ciência é um projecto de comunicação de ciência com o objectivo principal de promover a leitura de livros de ciência junto do público em geral. Este evento acontece num ambiente informal, onde o café acompanha os livros. Trata-se de uma parceria entre o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro e acontece na primeira quinta-feira de cada mês num périplo por cada instituição parceira. Os eventos contam com uma cobertura multimédia que posteriormente será colocada no sítio internet de cada parceiro.

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Thu, 24 Feb 2011 10:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11085/o-sistema-periodico-primo-levi
MEMÓRIAS DE RÓMULO DE CARVALHO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10438/memorias-de-romulo-de-carvalho

O título completo é, à maneira barroca, “Memórias que para instrução e divertimento de seus tetranetos escreveu certa pobre criatura que, entre milhares de milhões de outras, vagueou por este mundo na última centúria do seguindo milénio da era de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Mas na capa vem só “Memórias”. A “pobre criatura”, cujo retrato ocupa todo o frontispício, é um dos mais notáveis homens de cultura portugueses da última centúria: Rómulo de Carvalho, professor de Ciências Físico-Químicas depois de ter abandonado a sua primitiva ideia de seguir Engenharia Militar, prolixo autor de vários manuais escolares e pioneiro na divulgação de ciências para “gente nova”, exímio historiador de ciência com especial predilecção pelo século das luzes, e, como se isso tudo fosse pouco, também poeta, durante muito tempo escondido, sob o pseudónimo de António Gedeão. Apesar de os destinatários directos da obra, os tetranetos do autor, ainda não terem nascido, temos a sorte de a podermos ler hoje, graças à amável autorização da família que transcreveu um muito legível manuscrito, e à atenção do Serviço de Educação e Bolsas da Fundação Gulbenkian, que foi inexcedível a prodigalizar os cuidados de impressão. É mesmo uma sorte, pois o livro, extraordinariamente bem escrito (ou não fossem Rómulo e Gedeão mestres, respectivamente, da prosa e da escrita em língua portuguesa), é um retrato não só de um autor, que os seus alunos, directos e indirectos, amigos e leitores muito estimam e admiram, mas também um retrato do século XX, ou quase um século, pois a vida do autor vai de 1906, quando a monarquia constitucional vivia nos seus últimos tempos, até 1997, já Portugal, adiantado na era pós 25 de Abril, estava a entrar no segundo milénio. O dia do nascimento de Rómulo de Carvalho, 24 de Novembro, é hoje, concretizando uma ideia do Ministro da Ciência e Tecnologia José Mariano Gago, o Dia Nacional da Cultura Científica e Tecnológica. Conta o próprio Rómulo no início da obra: “Chamo-me Rómulo e nasci no dia de São João da Cruz com sete meses de gestação.” Não foi só no nascimento que Rómulo se revelou prematuro. Entrado no ensino primário com apenas cinco anos, quando já sabia ler, concluiu aos sete anos, com a nota de óptimo, o exame de primeiro grau da instrução primária, para pouco depois concluir o exame do segundo grau e ficar como assessor da professora a ensinar os outros meninos. Foi também prematuro ao versejar como também faziam a sua mãe Rosinha e a sua irmã mais velha Noémia, que além dos dotes líricos tinham o dom de adivinhar o futuro. Mas não se revelou nada precoce em dar a conhecer a sua alma poética, pois só publicou a sua primeira obra de poesia quando tinha meio século, no ano da graça de 1956. O dia da morte não sobreveio cedo: 19 de Fevereiro de 1997. As Memórias terminam com a palavra Adeus escrita duas semanas antes de falecer. Antes do “Adeus” o autor recupera as palavras do início atrás citadas e acrescenta “Faleci em de de ”, onde os intervalos seriam preenchidos pela sua segunda esposa, a escritora Natália Nunes, que, num apaixonado “Post scriptum”, escreve: “Coube-me a mim, tua Natália, preencher os espaços que deixaste em branco para escrever as datas da tua morte. Não te digo adeus. A minha alma estará sempre contigo, que foste o meu único e grande amor.” A morte aparece como lenitivo de um final de vida bastante sofrido pela progressão da doença: “a vida tornou-se-me um martírio”. Algumas das últimas palavras são de um enorme desprendimento: “A vida nunca me seduziu. Entre o viver e o morrer sempre preferi morrer. Se não tivesse nascido, ninguém daria pela minha falta. Reconheço que estou a ser indelicado com todos aqueles que gostam de mim, mas peço-lhes que me desculpem. É preciso ter vocação para viver…” À visão do autor, nos seus últimos dias, marcados por um darwinismo extremo (“O mundo é repugnante e a vida não tem sentido. É uma luta permanente e feroz em que cada um busca a satisfação dos seus interesses exactamente como outros quaisquer seres vivos, animais ou plantas, que se espreitam e atacam”) contrapõe-se a voz crente da mulher (“Peço a Deus que te dê a paz eterna, pelo que trabalhaste, sofreste e amaste, pela tua bondade e generosidade para com todos”). O mundo pode ser uma selva, mas Rómulo foi, de facto, nessa selva um homem bom ou, como ele reconhece com modéstia, um homem “útil”. Apesar da vida não ter seduzido o autor este livro resume noventa e um anos intensamente vividos. A obra conta, com rigor e objectividade que se aliam literariamente a ironia e humor, uma biografia completa e cheia. Desde a infância na Rua do Arco do Limoeiro, perto da Sé de Lisboa, até à velhice na Rua Sampaio Bruno, em Campo de Ourique, também em Lisboa, não muito longe do “seu” Liceu Pedro Nunes, passando pelos anos do Porto e de Coimbra, muitas foram as peripécias de um século que, em Portugal conheceu vários regimes, embora tivesse sido dominado pelo Estado Novo do “Deus, Pátria e Família”. Para conhecer melhor esse século, desde pormenores do quotidiano doméstico até às vicissitudes da vida cultural passando pelo sistema escolar, não há como ler estas páginas. Alguns trechos são implacáveis para o modo de ser português: basta reparar como o autor reage à instituição nacional da “cunha”, que o pai, funcionário dos Correios e Telégrafos, cultivava como era uso e costume. Rómulo abandonou o seu lugar de professor no Liceu Camões para ingressar no Pedro Nunes simplesmente por não ter querido favorecer um aluno, em cujo sucesso o Reitor tinha especial empenho. Era possível ser íntegro num tempo de não-integridade! Seja-me permitida terminar com uma nota pessoal. Frequentei, passados muitos anos, a mesma escola, o Liceu Normal de D. João III, em Coimbra, onde o professor Rómulo de Carvalho exerceu a sua profissão. O que ele conta do Reitor de então foi também testemunhado por mim. O Reitor Guerra era tão pequenino e belicoso que lhe chamávamos o “Pulga Escaramuça”. Atacava os alunos à estalada fosse porque iam a correr no corredor fosse porque tinham faltado a uma sessão da Mocidade Portuguesa. Na Biblioteca desse Liceu encontrei, para meu grande proveito, a ciência viva nos volumes da colecção “Ciência para Gente Nova” que Rómulo escreveu em Coimbra para a editora Atlântida, inaugurando a sua faceta de divulgador científico. Como estudante do último ano do liceu visitei o Gabinete de Física Experimental da Universidade de Coimbra, guiado pelo Doutor Almeida Santos que tinha recebido Rómulo interessado no seu estudo (só agora soube da saga que foi a publicação do seu livro sobre o Gabinete). Foi numa livraria de Coimbra que comprei as obras de António Gedeão, que foram inauguradas nessa cidade nas condições de secretismo descritas nas “Memórias”. É, por isso, natural que, na escolha da designação para a biblioteca e mediateca especializada no ensino e na divulgação das ciências que criei na Universidade de Coimbra, o nome que se impôs tenha sido Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho. - Rómulo de Carvalho, “Memórias”, Fundação Calouste Gulbenkian, 2010.

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Wed, 16 Feb 2011 18:54:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10438/memorias-de-romulo-de-carvalho
Portas de Ródão http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9676/portas-de-rodao

Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Colóquio/Debate9 de Fevereiro de 2011 | 15H00-17H30Entrada livreO tema das maravilhas naturais de Portugal esteve muito presente durante o ano de 2010. Serviu para sensibilizar a população para a questão da protecção da biodiversidade e geodiversidade do nosso país, dando a conhecer locais paradisíacos no nosso país que eram desconhecidos da maioria. O objectivo deste debate é sensibilizar o público em geral para a questão da gestão sustentável de um local simultaneamente uma área protegida e uma atracção turística.O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra apresenta este tema a partir de um debate que conta com a presença da Câmara Municipal de Vila Velha de Ródão, que irá apresentar o exemplo da conservação do Monumento Natural das Portas de Ródão, a comunidade científica, representada pelo Departamento de Ciências da Terra da Universidade de Coimbra e pelo Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade, que nos irão descrever a riqueza daquele local do ponto de vista geológico e biológico, e a sociedade civil, representada pelo Geopark Naturtejo.Esta iniciativa faz parte do ciclo de debates Homem, Cidade, CiênciaPrograma:Jorge Gouveia, Coordenador da proposta de classificação das Portas de Ródão como Monumento NaturalPedro Proença Cunha, Departamento de Ciências da Terra da FCTUCCarlos Neto de Carvalho e Joana Rodrigues, Geopark NaturtejoNelson Almeida, Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR)Sara Canilho, Museu da Ciência (autora da tese Definição de temáticas científicas e propostas de valorização e divulgação no Monumento Natural das Portas de Ródão e suas imediações, para turismo científico)

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Tue, 08 Feb 2011 04:04:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9676/portas-de-rodao
Chá das Três http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9429/cha-das-tres

Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:CHÁ DAS TRÊS, ciclo de acções de formação de curta duração dirigidas a professores e educadores de diversas áreas científicas, é uma parceria Museu da Ciência e Delegação Regional do Centro da Sociedade Portuguesa de Matemática.Programa:SÃO ROSAS, SENHOR! UMA UTILIZAÇÃO PRÁTICA E APELATIVA DO GEOGEBRA5 de Fevereiro | 15H00por Alice Rodrigues, Escola Secundária com 3.º Ciclo da LousãOrientação Científica: Fátima Leite, Departamento de Matemática da FCTUCNÚMEROS PRIMOS E COMPRAS NA NET26 de Março | 15H00por Florbela Santos, Escola Secundária de PombalOrientação Científica: Celeste Gouveia, Departamento de Matemática da FCTUCEntrada livre sujeita a inscrição prévia por email, parageral@museudaciencia.orgOs participantes receberão um diploma de participação.Mais informações aqui

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Fri, 04 Feb 2011 04:06:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9429/cha-das-tres
HOMO, PAN & PONGO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9392/homo-pan-amp-pongo

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".Cerca de seis anos de trabalho de uma equipa internacional envolvendo 34 instituições de vários países, (incluindo os biólogos portugueses Rui Faria e Olga Fernando na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona), liderada pelo geneticista Devin Locke, da Escola de Medicina da Universidade de Washington (São Luís, Missouri, EUA), determinou a sequência de três mil milhões de moléculas que compõem as longas cadeias de DNA (ácido desoxirribonucleico) nos 48 cromossomas que compõem o genoma do Orangotango (género Pongo). A sua sequenciação genómica foi agora publicada na revista Nature. Depois do genoma da nossa espécie (Homo sapiens sapiens) em 2003, do chimpanzé (Pan troglodytes) em 2005, este é o terceiro primata a ter o genoma mapeado. Actualmente já só existem duas espécies de orangotango. A espécie Pongo pygmaeus abelii vive nas florestas de Samatra (Indonésia), enquanto que a Pongo pygmaeus pygmaeus tem como habitat as florestas de Bornéu (Malásia). Ambas estão ameaçadas de extinção devido à acção da mesma espécie que agora a sequenciou: a humana. O genoma de um exemplar fêmea da espécie Pongo p. abelii, de nome Susie, vivendo em cativeiro no Jardim Zoológico de Glayds Porter, Texas (EUA), serviu a base à sequenciação. Sobre ele foram anotados as divergências da sequência genómica de outros cinco orangotangos de Sumatra e cinco orangotangos de Bornéu, que também foram sequenciados, embora em menor detalhe, assim como as diferenças com os genomas humano e do chimpanzé.Os cientistas encontraram uma semelhança de 97% entre o genoma humano e o do orangotango, uma diferença na posição de 120 milhões de moléculas. Recorde-se que a diferença entre o nosso genoma e o do chimpanzé é de apenas 1% (cerca de 40 milhões de bases).Mas o genoma agora sequenciado apresenta várias surpresas para os geneticistas. O genoma do Orangotango sofreu muito menos variações do que o dos humanos e dos chimpanzés desde que os nossos antepassados comuns divergiram. O género do orangotango originou-se há cerca de 12 a 16 milhões de anos, enquanto que as linhagens que nos deram origem e aos chimpanzés se separaram entre 5 a 6 milhões de anos atrás. Os estudos comparados mostram agora que quer o nosso genoma quer o do chimpanzé ganha ou perde genes a uma taxa dupla daquela que afecta o genoma do orangotango. O estudo agora publicado redefine também o momento de separação entre as duas espécies de orangotangos ainda existentes. Estudos anteriores apontavam para que as duas espécies se tinham originado há cerca de um milhão de anos. Esta distância foi agora encurtada para 400 mil anos pelo presente estudo. Curiosamente, num outro artigo publicado no dia seguinte, mas on-line, na revista Genome Research, Mikkel Schierup e Thomas Mailund da Universidade Dinamarquesa de Aarhus (também co-autores do artigo na Nature), comparam a estrutura dos genomas dos três primatas e mostram que apesar de mais distanciados, 0,5% do nosso genoma e do orangotango são muito mais semelhantes entre si do que com o do chimpanzé, nosso primata evolutivamente mais próximo de nós. Isto significa que mantivemos genes comuns ao orangotango que foram suprimidos na evolução do chimpanzé. Muito estudo funcional e proteómico terão ainda de ser feito para descodificar estas semelhanças e diferenças. As expectativas aumentam sobre o que é que nos trará a sequenciação em curso de mais dois primatas: o gorila (género Gorilla) e o bonobo (Pan paniscus).De volta ao orangotango, é curiosa a singularidade do genoma desta espécie em vias de extinção ter sido acabado de sequenciar em 2010 (o manuscrito foi submetido a 11 de Março de 2010 e aceite em 19 de Novembro para publicação), ano internacionalmente dedicado à Biodiversidade, e publicado agora no início do ano Internacional da Floresta. É que o nome orangotango resulta da junção de duas palavras da língua malaia que significam “pessoa da floresta”. Felizmente o estudo agora publicado mostra uma grande variabilidade genética entre as populações de orangotangos, o que significa uma maior capacidade adaptação a mudanças ambientais o que por si só é um bom indicador para a sobrevivência destas espécies ameaçadas.António Piedade

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Tue, 01 Feb 2011 03:50:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9392/homo-pan-amp-pongo
Novo Café, Livros e Ciência http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9389/novo-cafe-livros-e-ciencia

Informação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho em Coimbra:Carlos Fiolhais e Décio Martins apresentam «Aos ombros de gigantes – As grandes obras da Física e Astronomia»Em mais uma iniciativa «Café, Livros e Ciência», resultante da parceria entre a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais e Décio Martins apresentam o livro «Aos ombros de gigantes – As grandes obras da Física e Astronomia», coligido e comentado por Stephen Hawking, recentemente publicado pela Texto Editores. A sessão está marcada para quinta-feira ao fim da tarde, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra. A entrada é livre.AOS OMBROS de GIGANTES – AS GRANDES OBRAS DA FÍSICA E ASTRONOMIAColigido e comentado por Stephen Hawking, Texto Editores, 2010.5ª Feira l 3 Fevereiro 2011 l 18h00As Revoluções dos Orbes Celestes de Nicolau Copérnico, Diálogo sobre Duas Novas Ciências de Galileu Galilei, Harmonias do Mundo (livro V) de Johannes Kepler, Princípios Matemáticos da Filosofia Natural de Isaac Newton e selecções de O Princípio da Relatividade de Albert Einstein, compilados e comentados por Stephen Hawking, num grande livro, são o mote para conversa com Carlos Fiolhais e Décio Martins, no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, no piso térreo do Departamento de Física - pólo I da Universidade de Coimbra.Café, Livros e Ciência convida a conhecer, comentar ou debater um livro de, ou sobre, ciência, num ambiente informal.local Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, Departamento de Física, Pólo I da UC GPS: 40.207799146364515, -8.424459099769592horário 18h00>19h00contactos 239 410 699 ou rc@teor.fis.uc.ptentrada livre

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Mon, 31 Jan 2011 15:21:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9389/novo-cafe-livros-e-ciencia
A QUÍMICA DO ORANGOTANGO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9387/a-quimica-do-orangotango

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".O genoma do orangotango foi agora publicado na revista Nature, e apresenta cerca de 3% de diferença com o nosso. Mas a química do Orangotango não é diferente da nossa. Muito pelo contrário, partilhamos com este primata, assim como com todas as espécies vivas, muitas coisas em comum. Quer o comum à vida, quer as diferenças base da biodiversidade, estão inscritas em longas sequências de quatro de moléculas (guanina, adenina, timina e citosina) definidas no biopolímero que vulgarmente designamos por DNA (ácido desoxirribonucleico). É a diferente sequência daquelas moléculas alinhadas na dupla hélice de DNA que funcionaliza a mensagem química dos genes. Em que é que diferem aquelas quatro moléculas? Diferem em arranjos e proporções diferentes de átomos de carbono, oxigénio, nitrogénio e hidrogénio. As diferenças nas vizinhanças químicas locais na dupla hélice de DNA expressam genes diferentes, que por sua vez corporizam instruções para proteínas com funções diferenciadas e específicas. O resultado global é uma espécie de organismo diferente. Um braço peludo mais comprido, uma posição bípede mais vertical, etc.Recorde-se, a propósito do Ano Internacional da Química que se promove este ano, que se deve muito à Química (mas também à Física, à Matemática e à Biologia, entre outras disciplinas), o conhecimento que está na base da genética molecular e que permitem hoje, de forma multidisciplinar, a sequenciação genómica. Vejamos, de forma breve, porquê.Como se disse, o genoma é constituído por longas moléculas de DNA. Este foi descoberto em 1869 pelo químico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) no núcleo de glóbulos brancos. Miescher escolheu estas células por serem relativamente grandes e também possuírem núcleos grandes. Esta descoberta não permitiu associar de imediato o DNA como a “molécula da hereditariedade”. De facto, foram necessários mais cerca de 80 anos para que se confirmasse que eram os ácidos nucleicos os componentes estruturais e funcionais dos genes. Durante todo este intervalo de tempo muitos cientistas defenderam que eram as proteínas, e não os ácidos nucleicos, as moléculas de que os genes eram feitos. Parecia estranho toda a diversidade da vida poder ser codificada pela monótona constituição molecular do DNA, pelo que a genética deveria ser escrita com a maior diversidade apresentada pelas proteínas. Duas experiências foram determinantes para esclarecer a comunidade científica sobre a "molécula dos genes". Em 1944, o médico e bioquímico Oswald Avery (1877 – 1955) e seus colaboradores, demonstraram que só o DNA (o “princípio transformador” como lhe chamaram), era “capaz” de “transformar” estirpes diferentes da bactéria pneumococo (R e S) umas nas outras. Em 1952, o trabalho do microbiologista Alfred Hershey (1908 -1997) e da geneticista Martha Chase (1927 – 2003) colocou um ponto final e abriu um novo capítulo para a genética molecular com a experiência de transferência de DNA viral (do bacteriófago T2) para bactérias, na qual ficou claramente demonstrada que era o DNA e não as proteínas a argamassa genética da vida. Martha ChaseEm 1953, o biólogo James Watson e os físicos Francis Crick, Maurice Wilkinson e Rosalind Franklin, através dos estudos por difracção de raios X de cristais de sais de DNA, recolhem a informação física e química necessária para propor a estrutura tridimensional em dupla fita helicoidal para o DNA. Note-se que esta descoberta resulta de um trabalho fundamentalmente de física e química. Diríamos hoje de biofísica e bioquímica.Rosalind FranklinNeste ano também dedicado às mulheres na química, é de realçar nesta história que tanto Matha Chase como Rosalind Franklin não foram galardoadas com o prémio Nobel, enquanto os seus colaboradores directos o foram pelas mesmas descobertas.António Piedade

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Mon, 31 Jan 2011 09:31:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9387/a-quimica-do-orangotango
UM MUNDO IMAGINADO, MAS MUITO REAL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9304/um-mundo-imaginado-mas-muito-real

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".Em 1988, vivi de forma intensa e maravilhado “um mundo imaginado”. Uma experiência real de investigação científica através de um livro, com aquele título, então publicado na língua portuguesa pela Gradiva, editora que me ensinou a caminhar na ciência.Linha após linha, página após página, eu, então jovem estudante de Bioquímica na Universidade de Coimbra, vivi 5 anos de uma história real e intensa de descoberta científica, num só fôlego, numa noite que se fez dia inúmeras vezes. Vivi, através do relato rigoroso e apaixonado de June Goodfield, autora do livro, os dias e as noites sem horário, a entrega persistente e lúcida, os avanços e retrocessos, os obstáculos e os recuos, a alegria e o desespero silencioso do processo científico efectuado sob a linha do desconhecido por uma promissora cientista portuguesa a trabalhar nos Estados Unidos. A cientista era a Bióloga Maria de Sousa, Professora Catedrática de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Jubilada em Outubro de 2009 (ver aqui vídeo da sua última aula) e agora homenageada pela Universidade de Coimbra com a atribuição do prémio desta instituição. Sublinho uma das inúmeras frases de referência que, nessa sua aula de jubilação, Maria de Sousa proferiu ao dizer, cito de cor, que ao longo da sua carreira só fez aquilo que sabia fazer: trabalhar!A investigação em causa, uma caminhada árdua de cinco anos no Cornell Medical College, em Nova Iorque, na segunda metade da década de 70 do século passado e que produziu uma grande descoberta relacionada com o sistema imunitário, mais especificamente com o Linfoma de Hodgkin.Mais do que um relato é um retrato vivo, com molduras que se abrem em novos quadros a cada obstáculo ultrapassado, com nevoeiros densos a dificultar a leitura de algumas derrotas, de becos aparentes que pareciam esfumaçar, com o folhear de uma página, anos de trabalho árduo.Nesta hora de homenagem e reconhecimento da Universidade de Coimbra a esta sempre discreta mas incontornável referência do melhor da investigação científica, na sua área a nível mundial, realço a qualidade da sua dedicação ao trabalho científico, as descobertas que fizeram e fazem escola e que aparecem agora facilitados no tempo pela excelência da sua pessoa humana. A enormidade da discrição enquanto pessoa contrasta abismalmente com a importância incontornável do seu trabalho científico. De referir que Maria Sousa produziu, desde 1960, artigos científicos cruciais à definição da estrutura funcional dos órgãos que constituem o sistema imunológico, descobrindo em 1971, um fenómeno que pode ser descrito pela capacidade de células imunitárias de diferentes origens migrarem e se organizarem em áreas bem determinadas dos órgãos linfóides periféricos, processo celular que designou e é conhecido por “ecotaxis”. Foi e é pioneiro o seu trabalho sobre a importância homeostase do ferro no organismo e a sua relação das suas perturbações com várias patologias. No capítulo da divulgação de ciência e da formação sobre o que é o dia-a-dia de quem faz ciência, deveria ser obrigatório ler este “Mundo Imaginado”, apesar de esgotado no editor (de June Goodfield, Gradiva, coleccção Ciência Aberta nº 9), para mim, e para muitos, um dos melhores livros sobre ciência e talvez o melhor sobre ciência em acção directa. Para progredirmos temos de aprender com os exemplos dos melhores, independentemente da sua área. E no panorama da realização científica portuguesa das últimas décadas Maria de Sousa é incontornável. Ou, como ela com certeza corrigiria, o seu trabalho é incontornável.António Piedade

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Mon, 24 Jan 2011 05:14:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9304/um-mundo-imaginado-mas-muito-real
DIVULGAÇÃO DE CIÊNCIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9231/divulgacao-de-ciencia

Lancei o seguinte desafio aos leitores do "Diário de Coimbra", desafio esse que expando ao universo de leitores do De Rerum Natura.Vivemos num sociedade baseada no que decorre do conhecimento científico e tecnológico. Para uma cidadania consciente, parece-me fundamental que o nível de cultura científica e tecnológica seja nivelado por cima e não abaixo da superficialidade que permite os embustes que enriquecem à custa da ignorância colectiva. Neste contexto, gostava de saber qual a opinião do leitor sobre o estado da cultura científica em Portugal? O que acha da divulgação de ciência que por cá se vai fazendo? Envie-me os seus comentários para momentum@diariocoimbra.pt ou apiedade@ci.uc.ptResponderei a todos os emails e eventualmente alguns poderão ser neste espaço publicados. Lanço este desafio no Ano Internacional da Química e dirijo-o a toda a população em geral.António Piedade

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Tue, 18 Jan 2011 04:11:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9231/divulgacao-de-ciencia
MEU TOP TEN DA COLECÇÃO CIÊNCIA ABERTA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9227/meu-top-ten-da-coleccao-ciencia-aberta

A Gradiva divulga na sua página web o meu top-ten da colecção "Ciência Aberta" (a ordem é a alfabética de autor)1- Richard Dawkins, "O Relojoeiro Cego", 2- Richard Feynman, "O Que é uma Lei Física", 3- Stephen Hawking, "Breve História do Tempo", 4- James Gleick, "Caos", 5- Douglas R. Hofstadter, "Gödel, Escher, Bach Laços Eternos", 6- Abraham Pais, "Subtil é o Senhor", 7- Ilya Prigogine e Isabelle Stengers, "A Nova Aliança", 8- Hubert Reeves, "Um Pouco Mais de Azul", 9- Carl Sagan, "Cosmos", 10- James Watson, "A Dupla Hélice".

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Mon, 17 Jan 2011 13:04:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9227/meu-top-ten-da-coleccao-ciencia-aberta
Ciência em Família http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9168/ciencia-em-familia

Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Venha partilhar diferentes modos de explorar alguns temas científicos com a sua família, num programa dirigido a adultos e crianças de todas as idades.PRÓXIMA SESSÃO:16 de Janeiro | DESCOBRE OS PÓLOS Alice Rodrigues, Escola Secundária com 3.º Ciclo da LousãJá deves ter ouvido falar do Pólo Norte e do Pólo Sul. Mas, para além dos pólos terrestres, sabias que existem os pólos magnéticos ou mesmo pólos matemáticos?Muitos dos jogos de tabuleiro que conheces desenrolam-se em tabuleiros rectangulares, como o xadrez, onde cada casa fica identificada por uma coluna e uma linha. E se o tabuleiro do jogo for redondo como podemos identificar uma casa se não temos linhas nem colunas?Nesta sessão, vais poder brincar com os pólos magnéticos, associar os pólos terrestres à biodiversidade na Terra e jogar o jogo Pular que te mostra como funciona o pólo matemático.MAIS INFORMAÇÕES- preçário geral do Museu- 11h00-12h00- marcação prévia

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Wed, 12 Jan 2011 04:53:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9168/ciencia-em-familia
Matemática Sem Limites http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9095/matematica-sem-limites

É na Faculdade de Ciências de Lisboa, sob a organização de Jorge Buescu et al. Ver programa aqui. Abre já a 13 de Janeiro com Henrique Leitão: "Sem ponta por onde se lhe pegue: a esfera".

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Tue, 04 Jan 2011 19:01:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9095/matematica-sem-limites
"A Ciência salvou a minha Alma" http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9027/quota-ciencia-salvou-a-minha-almaquot

É um vídeo fabuloso que tem saltado em blogs, nos facebooks, em vários canais. No fundo, apresenta um lado espiritual da Ciência, em particular da Astronomia, e um certo "render de alma" perante os mosaicos e dimensões que o estudo do Universo apresenta. Apresenta também uma comparação (a meu ver perfeitamente escusada) entre Ciência e Religião, nomeadamente a religião organizada. A tradução para o português é deficiente, mas não deixa de ser um vídeo carregado de emoção.

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Tue, 28 Dec 2010 09:53:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9027/quota-ciencia-salvou-a-minha-almaquot
O valor do conhecimento. http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8984/o-valor-do-conhecimento

Mais um extraordinário contributo do Carlos Oliveira, do blog AstroPT, para a compreensão, apreensão e valorização do conhecimento, em particular o conhecimento científico. Além disso, fornece uma reflexão interessante sobre o valor monetário do acto de divulgar Ciência. Está escrito em forma de desabafo, mas a minha cumplicidade com a emoção e razão do Carlos é total.(...) a marca “ciência” deveria ter um valor enorme. No entanto, o que se passa é o contrário. A marca “ciência” e a marca “conhecimento”, nada valem para as pessoas. Quem se aproveita desta mentalidade de “qualidade paga-se” são os "pseudos" e os os auto-denominados "famosos".

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Wed, 22 Dec 2010 04:37:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8984/o-valor-do-conhecimento
Sobre a clareza da linguagem: Caraça e Gama http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8963/sobre-a-clareza-da-linguagem-caraca-e-gama

Na sequência de texto anterior e centrando-me ainda em Bento de Jesus Caraça, devo acrescentar que a sua preocupação de usar uma linguagem acessível para chegar aos diversos "públicos" com quem contactava, não se restringia à escrita, incluia também a oralidade. Maria Alice Chicó (1998, 52-53) relembra-o, neste aspecto, da seguinte maneira:“O que era maravilhoso era que, quando falava connosco, Bento Caraça nunca tomava atitudes magistrais. Tem-se dito que ele falava com simplicidade à gente simples. O que se deve acentuar é que a sua simplicidade na exposição era o produto de uma reflexão profunda que estava subjacente a todos os assuntos de que nos falava, e que lhe permitia tirar deles a síntese que os tornava imediatamente claros e apreensíveis a toda a gente. Havia nele uma grande serenidade, um jeito de nos envolver no calor da sua presença e de encontrar a palavra amiga que animava, que fazia julgar a vida difícil, menos árdua de se viver com dignidade.”Trata-se de uma descrição que me parece assentar bem a um outro professor, mas de Português, e, além disso, poeta, que, em finais dos anos quarenta e princípios dos cinquenta se detinha igualmente na linguagem que sem trair o próprio educador, lhe permite chegar ao outro, lhe permite educá-lo. Refiro-me a Sebastião da Gama (1924-1952), que num extracto do seu Diário explicava:“Está provado que não nasci para falar a doutores. Um dos meus professores viu direito quando, no meu exame de admissão ao estágio, lamentou que a minha linguagem nem sempre fosse a mais conveniente (…). Isto é uma qualidade e um defeito: ao pé deles fico apagado, e escuso de ter razão, porque até a razão tem de andar bem vestida para entrar nas salas (…). Esta folha vem a propósito de eu neste dia, em vez de dar aula, ter ido conversar com o metodólogo e de ter sido este um dos pontos que tratámos. Perguntei-lhe se devia falar caro ou falar acessível; e ele achou, comigo, que devia falar acessível, porque «serei sempre diferente deles». Isto de ser «diferente deles» vem lembrar-me outro assunto sobre que falámos — se não neste, noutro dia. O do professor que sente a necessidade de se impor ao aluno pelo alardeamento de uma vastidão e complicação de conhecimentos com que o amachuca e que se irrita ou inventa, se necessário for, quando o aluno lhe pergunta qualquer coisa que ele não sabe. Por mim, nego-me a impor-me desta maneira medrosa e desonesta e será, como tem sido sempre, sem vergonha que direi que não sei.”Não se veja, porém, nesta duas referências a defesa da linguagem trivial, próxima daquela que se usa no quotidiano dos alunos, para os interessar e apenas isso.Referências bibliográficas:- Chicó, M. A. (1998). Entramos pela sua mão no mundo das ideias. História. Ano XX (nova série), n.º 9, 52-53.- Gama, S. (1993). Diário. Lisboa: Ática.

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Sun, 19 Dec 2010 10:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8963/sobre-a-clareza-da-linguagem-caraca-e-gama
A BIOLOGIA COMO PASSADO E FUTURO DA FÍSICA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8930/a-biologia-como-passado-e-futuro-da-fisica

Texto, ligeiramente editado, do meu livro "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva), que se encontra esgotado:Fala-se hoje muito das extraodinárias proezas da biologia moderna: por exemplo, a clonagem de seres vivos, que já foi feita em mamíferos e que poderá ser feita em seres humanos; e, outro exemplo, a decifração do genoma de seres vivos, que já foi feita de forma completa para alguns animais, incluindo os humanos. Decerto que o que hoje se faz e discute é apenas uma pálida imagem do “admirável mundo novo” que está para vir. Muito do que ainda não se fez será provavelmente feito. Curar doenças hoje incuráveis, reparar órgãos deficientes, prolongar a vida humana para além dos actuais limites são possibilidades hoje em aberto que, mais cedo ou mais tarde, serão concretizadas. Ao mesmo tempo, algumas consequências de uma intervenção artificial nos processos, até agora apenas naturais, da evolução biológica levantam sérias dúvidas, decerto fundadas e legítimas, sobre as fronteiras não do possível, mas do permissível. Será o anunciado mundo novo um sonho ou um pesadelo? Não sabemos, talvez uma mistura dos dois, restando apenas saber em que proporções. Como disse o físico Niels Bohr “As previsões são sempre difíceis, mas são-no principalmente quando se referem ao futuro.”O nosso actual conhecimento do mundo da biologia, assim como a panóplia de possibilidades técnicas que com base nele se entreabrem, baseia-se no conhecimento do mundo físico-químico. Hoje sabemos que os átomos de que os seres vivos são feitos obedecem às mesmas leis físicas que quaisquer outros átomos: trata-se das leis da mecânica quântica, o capítulo da física que ficou concluído em finais dos anos vinte do século passado por um grupo de jovens (Heisenberg, Schroedinger, Dirac, etc.) depois do impulso inicial dado pelo “patriarca” Niels Bohr. Os seres vivos são feitos de células, que, por sua vez, são feitas de moléculas que, por sua vez, são feitos de átomos. Uma mão cheia de átomos diferentes chega para formar toda a matéria viva; no entanto, eles combinam-se em moléculas de uma maneira muito complexa, por vezes quase inextrincável. A vida assenta na simplicidade das leis físicas, mas a sua extraordinária riqueza reside na diversidade das formas e funções que essas leis permitem. A mais famosa das moléculas da vida é precisamente o ácido desoxiribonucleico (na sigla portuguesa, ADN), a molécula em dupla hélice que contém o código genético – isto é, o “arquivo” do funcionamento da vida – que, para muitas espécies, foi já decomposto nos seus numerosíssimos elementos. O ADN foi descoberto em 1953 pelo físico Francis Crick e pelo biólogo James Watson, um feito que lhes valeu em 1962 o Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia e que se encontra relatado em primeira mão no livro “A Dupla Hélice” de James Watson, um verdadeiro clássico da divulgação científica que entre nós foi publicado pela Gradiva.Francis Crick era um físico, adestrado nas técnicas da física, como a difracção por raios X, que serviram para descobrir a estrutura do ADN. Por seu lado, James Watson não era físico, mas conta no seu livro “A Passion for DNA: Genes, Genome and Society” (Cold Spring Press, 2000) como um livro de um físico – designadamente o austríaco Erwin Schroedinger, co-fundador da mecânica quântica - lhe mudou a vida. Aluno de licenciatura na Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, o jovem Watson interessava-se por pássaros, quando, no livro de Schroedinger “O que é a Vida?” (existe uma edição portuguesa da Fragmentos, 1989) leu que o segredo da vida era o gene. Pois se o segredo da vida era o gene, Watson não hesitou em trocar os pássaros pelos genes. De excelente mas ignorado ornitologista passou a ser um dos mais célebres, talvez mesmo o mais célebre geneticista. No livro de Schroedinger, que influenciou não só Watson mas toda uma geração de biólogos, não se forneciam ainda soluções completas para a questão enunciada do título, mas apontavam-se pistas certeiras. Eram referidos, por exemplo, os trabalhos sobre os genes do físico Max Delbrueck, discípulo de Bohr que trocou uma promissora carreira de físico por uma ainda mais promissora carreira de biólogo molecular. Não é um facto muito conhecido, mas a biologia molecular é, de facto, obra dos físicos. Bohr encorajou alguns dos seus mais brilhantes discípulos a trocarem a física pela biologia, uma vez que a primeira estaria “completa” com o estabelecimento da teoria quântica e a segunda estaria “por completar” precisamente por via dessa mesma teoria. Os grandes mestres distinguem-se, além do mais, por sugerirem caminhos de futuro para os seus alunos, a partir de em previsões sagazes! Que os grandes mestres também se enganam é confirmado pela defesa que Bohr fez, a certa altura da sua vida, de que seriam necessárias novas leis para a biologia, complementares das leis da física: não são, a biologia está de certo modo toda contida nas equações fundamentais da física.E o futuro, se é que sobre ele são permitidas previsões? Se a biologia molecular foi obra de físicos esclarecidos, poderá a biologia do futuro ser também obra de físicos? Hoje os biólogos são bastante mais que os físicos (basta ver o espaço que os seus artigos ocupam nas revistas científicas mais importantes, como a Nature e a Science). Os alunos de Biologia também são bastante mais (e, em média, melhores) do que os alunos de Física. Os dinheiros investidos na investigação biológica são bem mais do que os dinheiros investidos na pesquisa física. Finalmente, os perigos potenciais de utilizações desumanas dos conhecimentos da Biologia são bem maiores, se é que se podem quantificar, do que os perigos do mesmo tipo baseados directamente na Física. Assim como a Física foi a ciência de ponta do século XX, a Biologia poderá bem ser a ciência de fronteira do século XXI. Mas continuarão os físicos a ser precisos?Sim: não só serão precisos como serão indispensáveis. Trabalharão cada vez mais em cooperação com os biólogos, sendo na actividade conjunta de certo modo espúria a distinção entre as disciplinas. A biofísica é tanto biologia como física, sendo hoje um domínio de ponta de uma e de outra. A biologia moderna não é a continuação da física com outros meios, mas é a continuação da física com os mesmos meios, os mesmos instrumentos, o mesmo estilo de pensar. O ADN foi identificado, nos anos 50, usando técnicas físicas de raios X. Os segredos genéticos contidos no ADN estão a ser decifrados usando métodos que são mais da física e da informática do que propriamente da biologia clássica. Os princípios, subjacentes à busca do código genético, de simplicidade e elegância (em doses que bastem) são princípios apreendidos na física.Watson, que foi director do Projecto do Genoma Humano (o projecto público para a decifração dos genes humanos, que esteve em competição com o projecto privado, dirigido por Craig Venter) conhece bem a importância dos princípios da física e do seu braço armado que é formado pela electrónica, pelos computadores e pelo software. O jovem Watson leu no livrinho de Schroedinger este passo:“Até que ponto a física e a química poderão explicar, no espaço e no tempo, os fenómenos que ocorrem dentro dos limites espaciais de um organismo vivo? (...) A manifesta incapacidade da Física e da Química actuais [em 1943, quando o austríaco Schoedinger, fugido ao nazismo, proferia as suas conferências públicas no Trinity College, na cidade irlandesa de Dublin] para explicar estes fenómenos não implica, de modo nenhum, que se possa pôr em dúvida que esses fenómenos sejam demonstráveis por ambas as ciências.”Leu, acreditou e porfiou para o conseguir. Mas há ainda muito por fazer...Schroedinger previu correctamente o futuro da física e da biologia. E o jovem Watson, depois de ter lido o livro de divulgação de Schroedinger, dedicou-se a concretizar essa previsão. Hoje, há jovens estudantes, não interessa se de física ou de biologia, a ler com entusiasmo A Dupla Hélice ou os livros mais recentes de Watson sobre o genoma humano...

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Wed, 15 Dec 2010 17:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8930/a-biologia-como-passado-e-futuro-da-fisica
SOBRE "AOS OMBROS DE GIGANTES" http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8920/sobre-quotaos-ombros-de-gigantesquot

Depoimento que prestei ao JL sobre o livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores):JL- O que podem encontrar os leitores nesta volumosa obra? E que a que público se destina?CF- O volume é, de facto, grande. E grandes são também as obras que contém: obras de cinco dos maiores cientistas da história, Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Einstein, comentados por Hawking. Levar para casa num só volume os principais livros, traduzidos em português, destes nomes notáveis da física é uma grande tentação. O público será formado por todos aqueles que se sentirem tentado por saber mais sobre a história da ciência e por ter os clássicos da ciência perto de si. Não é um livro só para especialistas, mas também para os cidadãos com alguma curiosidade sobre a ciência. Este livro tem tido várias edições internacionais, com enorme êxito, incluindo uma edição brasileira usada para a preparação do presente volume. Tardou um pouco a vir a lume pelo cuidado que foi necessário na sua preparação, mas veio a tempo do Natal. Parece-me uma óptima prenda.JL- Como surge na coordenação científica da tradução desta obra?CF- A Texto Editores, que tem publicado manuais escolares da minha autoria, pediu-me ajuda para a edição. Era obra demais para uma só pessoa só, pelo que eu próprio pedi ajuda a alguns colegas, tendo coordenado o respectivo trabalho. Escrevi também o prefácio. Demorou a verter para o nosso português, a traduzir partes do original inglês que os brasileiros deixaram de lado e a ver provas sucessivas, que passaram pela revisão literária além da revisão científica. Há edições da Fundação Gulbenkian de alguns textos dos presentes autores, mas, salvo erro ou omissão, é a primeira vez que aparece em português moderno um texto extenso de autor tão importante como Kepler. E há a vantagem de ter todas estas obras concatenadas num só volume a um preço razoável. É uma espécie de "Bíblia" da Física.JL- Quem são estes "gigantes" a cujos ombros nos colocamos? O que resta dos seus legados científicos, numa época acelerada, em que tudo é refutado muito depressa?CF- A expressão gigantes vem de Newton, que foi quem disse: "Se consegui ver mais longe foi porque estava aos ombros de gigantes". Estava a referir-se aos astrónomos e físicos que o antecederam, tais como Copérnico, Kepler e Galileu. Newton foi ele mesmo um gigante. E Einstein foi um outro gigante que, para ver mais longe, teve de subir aos ombros de Newton. Esta pirâmide humana simboliza a construção de progresso científico. A ciência é cumulativa pois não há ciência do presente sem a ciência do passado, que ao contrário do que por vezes se pensa é em larga medida respeitada e conservada. Einstein propôs uma nova mecânica, mas esta concorda num certo limite com a mecânica de Galileu e Newton. A pirâmide não está terminada. Cem anos depois de Einstein, ainda ninguém conseguiu subir aos ombros dele. É o que Hawking tem tentado fazer. Ou o português João Magueijo... Mas Einstein continua actual. Não é, portanto, verdade que tudo seja refutado muito depressa. Quem levar este livro para casa ficará com boa parte do nosso conhecimento científico actual. Pode ver o que os gigantes viram.JL- Como avalia o estado actual da divulgação científica em Portugal?CF- Os livros de divulgação científica continuam ser muito procurados por jovens de todas as idades. Não estamos na época de ouro da divulgação científica que se deveu a Carl Sagan e outros nos anos 80, quando surgiu entre nós a editora Gradiva, mas a literatura de ciência está bem e recomenda-se. Estamos no período de Stephen Hawking, de quem a Gradiva, que já tinha lançado o fenomenal "best-seller" que foi "Breve História do Tempo", lançou há pouco um novo livro. E há novos autores que nos transmitem as "últimas notícias do cosmos". Leitores interessados pela ciência sempre houve pois a ciência tem este poder mágico de atrair os jovens de cada nova geração sem alienar as pessoas das gerações anteriores que antes foram atraídas.JL- E a crise está a afectar a produção de pensamento científico?CF- Não, de modo nenhum. O cérebro humano, que é a parte de nós que quer saber mais, não conhece crises. O pensamento novo continua a emergir, ainda que possa haver dificuldades conjunturais no financiamento de laboratórios e institutos. Nunca, na história da humanidade, existiu nem tanta gente a fazer ciência nem tanta gente a viver melhor graças à ciência. Sagan disse muito justamente o que "O nosso destino é o conhecimento". E o nosso destino continua a cumprir-se.

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Wed, 15 Dec 2010 14:10:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8920/sobre-quotaos-ombros-de-gigantesquot
DOIS PRÉMIOS PARA O MUSEU DA CIÊNCIA DA UC http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8917/dois-premios-para-o-museu-da-ciencia-da-uc

Informação chegada ao De Rerum Natura.O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra acaba de receber dois prémios atribuídos pela Associação Portuguesa de Museologia (APOM), que anualmente reconhece o que de melhor se faz em Portugal no domínio dos Museus: para melhor Serviço Educativo e para melhor aplicação de gestão multimédia de colecções - o In Patrimonium, que é a base do nosso Museu Digital.Estes prémios são o reconhecimento da qualidade das actividades educativas e de interacção com o público, bem como do projecto do Museu Digital, a maior base de dados sobre instrumentos científicos e objectos de história natural e etnografia do país.Temos procurado sempre, ao longo destes anos de funcionamento, realizar um trabalho original, imaginativo e muito profissional. É muito bom ver esse trabalho reconhecido. A todos aqueles que nos têm apoiado e nos têm dado o privilégio de visitar e usar o Museu o nosso obrigado.

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Wed, 15 Dec 2010 12:13:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8917/dois-premios-para-o-museu-da-ciencia-da-uc
ENTREVISTA AO CIÊNCIA VIVA - TV http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8784/entrevista-ao-ciencia-viva-tv

Minha entrevista no "Ciência Viva TV" dada na passada sexta-feira no Pavilhão do Conhecimento em Lisboa (a partir do minuto 3.30).

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Fri, 03 Dec 2010 08:22:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8784/entrevista-ao-ciencia-viva-tv
Café, livros e ciência http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8785/cafe-livros-e-ciencia

Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Café, Livros e Ciência é um projecto de comunicação de ciência com o objectivo principal de promover a leitura de livros de ciência junto do público em geral. Este evento acontece num ambiente informal, onde o café acompanha os livros.Trata-se de uma parceria entre o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, o Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho e a Fábrica Centro Ciência Viva de Aveiro e acontece na primeira quinta-feira de cada mês num périplo por cada instituição parceira. Os eventos contam com uma cobertura multimédia que posteriormente será colocada no sítio internet de cada parceiro, bem como no CVTV.MUTANTES - FORMA, VARIAÇÕES E ERROS DO CORPOde Armand Marie Leroiapresentação por Paulo Gama Mota, Departamento de Ciências da Vida, UC9 de Dezembro | 18H00Museu da Ciência da UCEntrada livre Quem são os mutantes? Todos somos mutantes.Porque nasce a maioria de nós com um só nariz, duas pernas, dez dedos e vinte e quatro costelas - e outros não?Porque interrompe a maioria de nós o seu crescimento durante a adolescência - e outros continuam a crescer?Porque têm alguns de nós cabeças revestidas de cabelo ruivo - e outros não têm cabelo nenhum?O genoma humano, dizem-nos, faz de nós o que somos. Mas como?Este é um livro de histórias: de uma menina, aluna num convento de freiras, que deu consigo a mudar de sexo na puberdade; de crianças que, trazendo-nos à memória os ciclopes de Homero, nascem com um único olho a meio da testa; de uma aldeia croata de anões de idades invulgarmente avançadas; de uma família hirsuta que foi conservada na corte do reino da Birmânia durante quatro gerações (e inspirou a Darwin uma das suas mais certeiras visões acerca da hereditariedade); e do povo dos pés de avestruz: os Wadoma, do vale do Zambeze.Em Mutantes, Armand Marie Leroi brinda-nos com uma brilhante narrativa da nossa gramática genética, falando-nos das pessoas cujos corpos no-la revelaram. Passando aparentemente sem esforço do mito para a biologia molecular, o objecto desta obra elegante e esclarecedora somos todos nós.

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Fri, 03 Dec 2010 08:13:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8785/cafe-livros-e-ciencia