outras leituras - tagged with economia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com MAIS GRÁFICOS PARA MEDITAR http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10557/mais-graficos-para-meditar

O gráfico de cima mostra, a preços constantes (de 2006), com base nos dados da Pordata, qual foi nas últimas décadas a evolução em Portugal de um índice económico importante: o crescimento do PIB. Independentemente dos governos há uma diminuição do crescimento em média. Quer dizer, actualmente é negativo, mas a tendência já vem de trás.E o segundo gráfico sobrepõe os dados do desemprego, nos últimos anos, com o crescimento do PIB. Parece haver a correlação que seria de esperar: se o PIB cresce menos, o desemprego aumenta. O grave problema do desemprego só se poderá resolver se a economia crescer.

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Fri, 18 Feb 2011 03:29:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10557/mais-graficos-para-meditar
OUTRO GRÁFICO PARA MEDITAR http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10418/outro-grafico-para-meditar

Foi anunciado pelo Instituto Nacional de Estatística que, no último trimestre de 2010, a taxa de desemprego em Portugal atingiu um novo máximo de 11,1%. A evolução nos últimos anos pode ver-se no gráfico do economista Luís Aguiar Conraria, preparado a partir dos números oficiais, e que ainda nãop inclui os últimos dados. É um gráfico para meditar.Depois de ter meditado, o Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional afirmou (transcrição no "Público" de hoje):“Durante 2010 o crescimento do desemprego desacelerou bastante em relação a 2009. Nesse sentido, falei em estabilização e mantenho essa perspectiva, estamos numa estabilização com valores muito elevados que temos de conseguir baixar”.Depois de ter meditado?

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Wed, 16 Feb 2011 12:56:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10418/outro-grafico-para-meditar
UM GRÁFICO PARA MEDITAR http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9858/um-grafico-para-meditar

Subida nos últimos 12 meses dos júris da dívida pública portuguesa a dez anos, que acaba de atingir novo máximo histórico (extraído do sítio da Blooomberg). Tal como a outros governos que o precedeream, demos a este o benefício da dúvida e ele deu-nos o malefício da dívida.

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Thu, 10 Feb 2011 03:48:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9858/um-grafico-para-meditar
FUGA DE CÉREBROS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9428/fuga-de-cerebros

Minha crónica no "Público" de hoje:Eduardo Lourenço afirmou esta semana, numa lição dada na Biblioteca Joanina, que o acontecimento mais importante da história da Europa foi a reforma religiosa, que separou a Europa do Norte e Central da Europa do Sul e do Leste. Infelizmente, a Espanha e Portugal ficaram do lado a menor velocidade. E o fosso não parece diminuir. O governo alemão acaba de anunciar a sua intenção de promover a emigração de trabalhadores altamente qualificados do Sul e do Leste da Europa. Os engenheiros espanhóis e portugueses estão entre os alvos preferenciais de uma acção que visa prosseguir o crescimento da economia alemã: o valor de 3,6 por cento registado no ano passado foi o maior desde a reunificação! Angela Merkel encontrou-se ontem em Madrid com José Luis Zapatero para tratar, entre outras, desta questão, e José Sócrates faria bem em preparar-se para também ele discutir com ela o mesmo assunto.O problema do desemprego espanhol é bem grave. Ultrapassou já os 20 por cento e tem incidência especial entre os jovens, incluindo os mais qualificados. Por outro lado, a Alemanha precisa de ocupar com emigrantes mais de meio milhão de postos de trabalho, de entre os quais cerca de 50 000 lugares de engenheiros. É, por isso, natural que o “engenheiro Pepe” queira ir trabalhar para a Alemanha. O nome vem num título do jornal El País – “Vente a Alemania Ingeniero Pepe” – evocando um filme espanhol de 1971 – “Vente a Alemania Pepe” –, que retrata o sonho alemão nessa época na Península Ibérica: Angelito, que aparece numa aldeia aragonesa num espampanante Mercedes a gabar a Alemanha e as suas mulheres, convence Pepe a “dar o salto” e este descobre, à sua custa, que a vida de emigrante é bem menos atraente do que lhe tinham contado. Agora, são os filhos do senhor Pepe, de posse de um diploma universitário, falando o inglês e com uma experiência cosmopolita proporcionada pelo programa Erasmus, que buscam o El Dorado germânico. Dantes fugiam os braços, agora fogem os cérebros.O fenómeno da deslocação do melhor capital humano dá pelo nome inglês de brain drain. Os alemães já sofreram desse mal. A Universidade de Oxford, que antes da Segunda Guerra Mundial não conseguia competir científicamente com Cambridge, beneficiou da iniciativa de um físico inglês que sabia alemão e foi à Alemanha recolher cérebros. E os Estados Unidos beneficiaram amplamente da fuga de cérebros alemães antes, durante e após essa guerra (o engenheiro von Braun foi preso e convencido a construir foguetões do outro lado do Atlântico). Invertendo o fluxo migratório, principalmente depois da reunificação, a Alemanha passou a atrair cientistas e engenheiros, informáticos e arquitectos. Agora quer mais, de origem europeia e, portanto, mais permeáveis à cultura alemã, ao mesmo tempo que reconhece o falhanço da política de integração de trabalhadores menos qualificados, na sua maioria turcos (a chanceler Merkel não teve pejo em dizer que “ o multiculturalismo fracassou completamente”). A locomotiva da economia europeia já não quer apenas quem construa as carruagens, quer também quem desenhe os novos TGV, um verdadeiro negócio da China desde que a China se tornou compradora.Nos anos 60 e 70 partilhámos com o país vizinho um destino de emigração. Hoje, para saber o que se vai passar em Portugal, é útil olhar para Espanha, um pouco mais próximo da Alemanha. O nosso “engenheiro José”, desencantado com o desemprego, com o trabalho temporário ou com a falta de perspectivas na carreira, vai, tal como o seu colega Pepe, sentir-se tentado pela chamada alemã (não estou a falar de José Sócrates, bem entendido, pois não acredito que ele queira voltar ao seu breve passado de engenheiro). Será bom para o engenheiro José, mas não o será decerto para nós, que nos últimos anos, ajudados por fundos europeus, investimos de modo notável na qualificação dos jovens, em particular nas áreas da ciência e da tecnologia, e agora nos arriscamos a perder o retorno desse investimento. Vamos a ver o que Sócrates diz a Merkel...

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Fri, 04 Feb 2011 01:45:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9428/fuga-de-cerebros
ATAQUE À CLASSE MÉDIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9308/ataque-a-classe-media

Um dos nossos leitores fez-nos chegar este Diálogo entre Colbert e Mazarino durante o reinado de Luís XIV extraído da peça de teatro Le Diable Rouge, de Antoine Rault:"• Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…• Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!• Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo ? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?• Mazarino: Criam-se outros.• Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.• Mazarino: Sim, é impossível.• Colbert: E então os ricos?• Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.• Colbert: Então como havemos de fazer?• Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável."

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Mon, 24 Jan 2011 09:09:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9308/ataque-a-classe-media
AEROPORTO DE MONTE REAL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9251/aeroporto-de-monte-real

Texto recebido do nosso colaborador de outras ocasiões Armando Vieira:Com a opção do aeroporto da Ota afastada, e nível alarmante da dívida pública a por em causa a construção do novo aeroporto em Alcochete, acho que é altura de relançar a discussão sobre o tema.Os autarcas da região Centro, Oeste e Norte deveriam defender a opção Monte Real? A base aérea de Monte Real está instalada numa zona excelente que podia ser facilmente transformada num aeroporto civil. A topografia do terreno é óptima, a cintura urbana circundante não é muito densa e o impacto ambiental não seria significativo. Com a A1 a poucos quilómetros e após a conclusão da A8, os acessos rodoviários são excelentes, quer para Norte quer para Sul. A única infra-estrutura necessária seria um acesso ferroviário de qualidade, não necessariamente o TGV (outra opção de utilidade discutível). Monte Real tem ainda a vantagem de estar situado no coração de uma zona do país economicamente muito dinâmica além de ficar equidistante do Porto e Lisboa.Poder-se-ia argumentar que a zona centro não tem massa crítica para se construir um grande aeroporto. Mas porque se tem de construir um grande aeroporto com capacidade para mais de 40 milhões de passageiros ano? Não tenhamos a ilusão de transformar este novo aeroporto num hub ibérico. Esse hub já existe e está em Madrid. Barcelona, uma cidade muito maior e mais central que Lisboa, tem apenas mais 40% de tráfego aéreo. É o aeroporto de Barajas em Madrid que fica com a parte de leão do tráfego internacional espanhol.É altura de aprender com a história e deixarmo-nos de megalomanias doentias. O que o país necessita não é um super aeroporto mas um outro aeroporto de apoio à Portela. Com as várias centenas de milhões de euros gastos em obras de ampliação, a Portela terá uma capacidade de até 20 milhões de passageiros. Com um outro aeroporto, sobretudo para as companhias de baixo custo (as designadas low cost), o país ficaria perfeitamente servido.A única desvantagem de Monte Real seria a de estar longe de Lisboa. Porém, está mais que na altura de nos libertarmos das forças centralizadoras da capital. As assimetrias de poder económico entre Lisboa e o resto do país não param de crescer. Se mais investimento não for feito noutras regiões, corremos o risco de nos transformarmos num país como o Brasil, uma nação do tamanho da Europa mas onde quase metade da riqueza é produzida numa única megacidade: São Paulo. Se é o país que vai pagar o aeroporto é para servir o país inteiro que ele deve ser construído.É claro que haverá um custo pela deslocação de infra-estruturas logísticas e pelo transporte de passageiros e mercadoria entre os principais centros urbanos nacionais e Monte Real. Mas esse custo seria compensado pelo desenvolvimento do país inteiro e não apenas de Lisboa e pela qualidade de vida das pessoas que se libertassem do stressante quotidiano da capital.Armando Vieira

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Wed, 19 Jan 2011 17:40:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9251/aeroporto-de-monte-real
Mercadores possidónios http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9200/mercadores-possidonios

Destaque para a crónica de J. L. Pio de Abreu no "Destak":Nos tempos em que eu era ingénuo, um amigo possidónio explicava-me a fórmula do seu enriquecimento: “Comprar barato e vender caro.” Fiquei a pensar na crua simplicidade desta norma, mas também no facto de que ela nada produz, destrói a economia real e vive à custa dos desesperados que têm de vender barato e comprar caro. Mas estava longe de imaginar que, trinta anos passados, fosse essa a lei que governa o mundo. Graças à instabilidade das Bolsas de Valores por eles provocada, os maestros da economia mundial vivem hoje à conta da máxima “comprar barato para vender caro… e depressa”. Compram agora para vender logo depois, ou chegam a vender caro o que ainda não têm, mas que poderão comprar a seguir mais barato (short selling). Ninguém sabe já o que compra, só sabe que é aquilo que amanhã se venderá a melhor preço. A economia está completamente desligada da produção real, e o seu crescimento é ilusório. De repente pode desvanecer-se, como aconteceu na Irlanda e na Islândia, glorificadas antes pelo crescimento que tinham. Mas o pior é que o enriquecimento de uns se faz à custa do desespero dos outros. Mais do que as pessoas e empresas, os espoliados são os Estados europeus e os cidadãos. E o que se compra para vender é o próprio dinheiro e seus derivados que circulam mais vertiginosamente do que qualquer outra mercadoria. Se ninguém puser pedras nesta engrenagem, a civilização europeia vai ser deglutida por mercadores possidónios.J.L. Pio Abreu

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Fri, 14 Jan 2011 07:34:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9200/mercadores-possidonios
O jogo dos economistas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9120/o-jogo-dos-economistas

Habitual destaque para a crónica de J.L. Pio Abreu no "Destak":"Depois de se meterem no buraco no início de uma crise que não souberam prever, eis que se levantam, de novo, os economistas de palco cheios de receitas para os nossos males. Não os suporto. A satisfação arrogante com que nos propõem o mais miserável destino e as mais contraditórias soluções, põe-me os cabelos em pé.Senhores da fortuna e da desgraça, todos se armam em deuses, sabendo que são deuses menores porque tudo depende dos políticos que neles delegaram as responsabilidades. Mas que fazem eles, os economistas?Nos negócios e empregos que têm, eles são os actores e os principais beneficiários do jogo económico. Nas Universidades, ditam as regras desse jogo. Nos Governos ou na influência que têm, eles apoderam-se também do campo de jogo onde, por suposto, jogam todos os cidadãos.Usam palavras esotéricas, estrangeiradas, com que disfarçam os lances que executam. Nenhum deles aprendeu Matemática, e apenas lida com contas simplórias, feitas de percentagens, somas e subtracções, ao alcance de um computador ou de qualquer contabilista que conheça o significado das palavras. Mas é um jogo onde são jogadores, árbitros, donos do campo e ainda ditam as regras. Assim, qualquer um ganhava.Todo o seu discurso, no fim de contas, se destina a ocultar uma verdade que, incluindo eles, todos conhecem: a única coisa que produz riqueza é o trabalho humano. A contabilidade serve apenas para a distribuir. E mal."J. L. Pio de Abreu

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Thu, 06 Jan 2011 19:40:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9120/o-jogo-dos-economistas
O PRAZER DAS ESTATÍSTICAS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9020/o-prazer-das-estatisticas

Hans Rosling mostra o progresso no mundo nos últimos 220 anos. Espectacular!

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Tue, 28 Dec 2010 03:29:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9020/o-prazer-das-estatisticas
A vergonha do BPN http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8982/a-vergonha-do-bpn

Há cerca de 1 ano publiquei aqui este post: Desemprego ZERO!O estado tinha nacionalizado o BPN e a coisa resumia-se a pouco mais de mil milhões de euros, incorporando o BPN na CGD e tentando tapar o sol com a peneira.Muitos dos "economistas" e "filósofos" do regime por aqui andaram a justificar a coisa. Era um risco sistémico, o estado só estava a prestar um aval, não havia perdas para os contribuintes... havia até um dos leitores/comentadores que dizia que se calhar com isto o estado até ia ganhar dinheiro, e que a CGD ao incorporar o BPN tinha assumido as dívidas mas também ficava com os activos. Ou seja, poderia vir a ser um bom negócio.Enfim... foi o que se viu. A factura que era de 1.3 mil milhões de euros em Janeiro de 2009, está já em 5 MIL MILHÕES DE EUROS: ou seja, os "ganhos" foram de -3.7 mil milhões de euros, e o banco não vale três reis de mel coado (ninguém lhe pegou na privatização que foi tentada pelo governo). O caso BPN é, como era fácil de ver, um CASO DE POLÍCIA que nada tem a ver com a crise financeira internacional, mas sim com roubo e actividade fraudulenta: um crime nojento.Para terem uma ideia do descalabro, 5 mil milhões de euros é o que o nosso PM José Sócrates quer injectar na economia nacional para fazer com que ela recupere da "maior crise dos últimos 80 anos", ou a "maior crise das nossas vidas", como costuma dizer nos seus discursos cheios de VAZIO.Sinceramente, não podem ser os contribuintes a pagar. E o que se espera do governo é que identifique estes casos e actue na defesa dos interesses de todos, e não só de alguns. E seja competente. Fazer o que é óbvio qualquer um é capaz. Colocar os contribuintes a pagar as fraudes cometidas por por estes senhores é INACEITÁVEL.

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Wed, 22 Dec 2010 02:20:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8982/a-vergonha-do-bpn
Os burros, o mercado de acções e a crise http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8726/os-burros-o-mercado-de-accoes-e-a-crise

Certo dia, numa pequena e distante vila, apareceu um homem a anunciar que compraria burros a 5 euros cada. Como havia muitos burros na região, todos os habitantes da pequena vila começaram a caça ao burro. O homem acabou por comprar centenas de burros a 5 euros. Quando os habitantes diminuiram o esforço na caça, o homem passou a oferecer 10 euros por cada burro.Toda a gente foi novamente à caça, mas os burros começaram a escassear e a caça foi diminuindo.É então que o homem aumenta a oferta para 25 euros por burro, mas a quantidade de burros ficou tão reduzida que já não compensava o esforço de ir à caça.O homem anunciou então que compraria os burros a 50 euros. Mas que teria que se ausentar por uns dias e deixaria o seu assistente responsável pela compra dos burros.É então que, na ausência, do homem o assistente faz esta proposta aos habitantes da pequena vila:- Sabéis dos burros que o meu patrão vos comprou? E se eu vos vendesse esses burros a 35 euros cada? E assim que o meu patrão voltar vós podeis vende-los a ele pelos 50 euros que ele oferece, e ganhais uma pipa de massa!!! Que acham?Toda a gente concordou. Reuniram todas as economias e compraram as centenas de burros ao assistente por 35 euros cada um.Os dias passaram e eles nunca mais viram o homem nem o seu assistente - somente burros por todo o lado !Entendeste agora como funciona o mercado de acções e porque apareceu a crise?(via APS)E alguma verdade terá esta história.

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Sun, 28 Nov 2010 05:25:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8726/os-burros-o-mercado-de-accoes-e-a-crise
HUMOR: RECESSÃO E FUTEBOL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8710/humor-recessao-e-futebol ]]> Fri, 26 Nov 2010 05:26:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8710/humor-recessao-e-futebol Crónica da desgraça anunciada http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8709/cronica-da-desgraca-anunciada

Destaque para a crónica semanal de J.L. Pio Abreu no "Destak":O orçamento derrapou, sabem porquê? Porque se anunciaram restrições, e não houve director, presidente ou autarca que não desatasse a gastar dinheiro enquanto podia dispor dele. Aumentou o consumo de medicamentos, sabem porquê? Porque se anunciou que eles ficariam mais caros, e não houve doente que não os comprasse enquanto eram mais baratos.Quando se anuncia a taxação dos dividendos, não há accionista que não os queira enquanto não forem taxados. Se, por uma crise social, se adivinhar que faltará o abastecimento de bens essenciais, começará sem dúvida o açambarcamento, fazendo apressar a falta. Se alguém souber que um país sairá do Euro, as notas vão sair do circuito económico e dirigir-se rapidamente para debaixo dos colchões.São os nossos Chicos Espertos? É verdade que sim, mas quem os pode condenar quando seguem o exemplo dos mais respeitáveis gestores? O erro, no mundo em que vivemos, é anunciar a desgraça. Tal como na psicologia humana, só o optimismo, mesmo contra as probabilidades, se torna saudável. Os optimistas sabem que a desgraça é possível e que poderão vir a enfrentá-la, mas apostam antes na esperança e até podem ganhar.Viver a pensar no mal que nos pode acontecer é doentio. Causa infelicidade e apressa o próprio mal. No mundo de hoje também é assim. Mas a sociedade, ou parte dela, ou a sua parte mais visível, está doente. Anuncia o mal, causa infelicidade e abre o caminho para a desgraça. J.L. Pio Abreu

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Fri, 26 Nov 2010 05:00:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8709/cronica-da-desgraca-anunciada
A inflação explicada às crianças http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8674/a-inflacao-explicada-as-criancas

A inflação é quando começam a aparecer notas muito giras, como estas.Jugoslávia, 1993Zimbábue, 2009

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Wed, 24 Nov 2010 00:55:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8674/a-inflacao-explicada-as-criancas
INVESTIMENTO EM CIÊNCIA E TECNOLOGIA: O PÚBLICO E O PRIVADO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8656/investimento-em-ciencia-e-tecnologia-o-publico-e-o-privado

Foram recentemente divulgados pelo Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior novos números sobre o investimento em ciência e tecnologia, que mostram ligeira evolução positiva em relação ao ano passado. Como ainda não tive tempo de analisar esses números, assim com os relatórios que os sustentam, deixo um comentário sobre os números anteriores, comentário que, no essencial, se poderá ler no livro de minha autoria “A Ciência em Portugal”, que sairá muito em breve do prelo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.A dotação pública anual para ciência e desenvolvimento, localizada na sua maior parte no Ministério de Ciência e Tecnologia, atingiu, em 2009, um máximo absoluto, orçando em mais de 1700 milhões de euros, quando em 1995, no ano da criação do Ministério da Ciência e Tecnologia, não passava de 440 milhões de euros. Por outro lado, no sector privado, apesar de a percentagem de orçamento de investigação e desenvolvimento a cargo de empresas ter crescido nos últimos tempos muito mais do que o orçamento público, ela está ainda longe da percentagem despendida nos países europeus mais desenvolvidos com a dimensão do nosso.Portanto, apesar de, no investimento em ciência, termos conseguido recentemente, mais por força da evolução dos números do sector privado do que do público, atingir 1,5 por cento, passando para a frente de países da Europa do Sul como a Espanha e a Itália, e mesmo de um país da Europa do Norte, actualmente em dificuldades financeiras, como a Irlanda, estamos ainda abaixo da média europeia (1,8 por cento para a Europa a 27 países) e longe de países mais desenvolvidos com população não muito diferente da nossa, como os países nórdicos (a Suécia, a Finlândia e a Dinamarca lideram o ranking de investimentos, com respectivamente 3,8, 3,7 e 2,7 por cento).Persistem, todavia, alguma questões mal esclarecidas sobre o investimento privado. Em primeiro lugar, o modo como é medido o que é investimento em ciência e tecnologia: não fará sentido considerar ciência e tecnologia tudo o que, mesmo remotamente, tenha a ver com isso e há fortes receios de que isso possa estar a ser feito. Em segundo lugar, permanece a questão de saber se os números das despesas em ciência e tecnologia no sector privado não estarão artificialmente inflacionados pela entrada, nalguns casos bastante generosa, de dinheiros públicos. As famigeradas parcerias público-privadas mostram como tem sido confusa entre nós a relação entre o público e o privado. A injecção de subsídios com origem na União Europeia será investimento privado?Para quem quiser avaliar os maiores investidores nacionais. no sector privado, em ciência e tecnologia, indico o top-ten das empresas que indicam mais despesas em investigação e tecnologia, segundo números de 2009:1- Grupo Portugal Telecom2- BCP – Banco Comercial Português3- Banco BPI SA4- Nokia Siemens Networks Portugal5- ISBAN PT – Engenharia e Software Bancário SA (grupo Santander)6- Grupo EDP7- Grupo Unicer8- Bial – Portela e Cia SA9- Grupo Volkswagen (que inclui a Autoeuropa)10- Grupo José de Melo (que inclui a Brisa, a EFACEC, a CUF).Agora bastará ver nas bases de dados internacionais (publicações e patentes; no caso das patentes não passamos da últimas posições!) para ver qual tem sido o volume de resultados da investigação científica e desenvolvimento dos cientistas e engenheiros que aí trabalham.Em resumo, o País pode orgulhar-se de ter saído, neste sector, do grupo dos Estados menos evoluídos na Europa para “bater à porta” do grupo dos mais avançados. Não é, todavia, de modo nenhum claro como é que os privados estão a investir em ciência e tecnologia. Por enquanto, Portugal está apenas “à porta”, mas espera-se não só que entre dentro de casa como que fique... E, para isso, era necessário que o investimento privado adquirisse outras proporções e, principalmente, consistência.

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Tue, 23 Nov 2010 03:00:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8656/investimento-em-ciencia-e-tecnologia-o-publico-e-o-privado
O efeito espirro http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8599/o-efeito-espirro

Destaque para a crónica de J. Pio de Abreu no "Destak":O bater de asas de uma borboleta pode causar uma tempestade nos antípodas. Esta é a interpretação popular do “efeito borboleta” descrito em 1963 por Edward Lorenz. Dizem os cientistas que a história não é bem esta, mas a ideia foi correndo a ponto de inspirar vários filmes. Os filmes também não são muito rigorosos, mas tudo se desculpa quando, como é o caso, este efeito ocorre nos sistemas caóticos.Seja ou não assim o efeito borboleta, o certo é que se passa, na actualidade, um fenómeno seme-lhante. É o “efeito espirro”, e descreve-se assim: “O espirro de um ministro das Finanças provoca uma tempestade nos mercados.” Senão, vejamos: um ministro espirrou quando dava uma entrevista ao Financial Times. No dia seguinte, o assunto era divulgado nos jornais de todo o mundo.Em geral, as notícias diziam que o ministro se deixara contagiar pelo mal irlandês. Alguns, porém, disseram que apenas lhe tinham chegado com a mostarda ao nariz. Correu à boca pequena que se tratava de doença grave, e muitos começaram a profetizar o seu desfalecimento. Houve mesmo quem o visse já cadáver.Por cá, jornalistas, comentadores, colunistas, economistas de palco, politólogos e representantes de partidos, os costumeiros sequiosos de sangue, regalaram-se com a notícia e festejaram-na. O país, que já estava de quarentena, ficou finalmente caótico. E foi tão grande a incerteza, que os mercados desataram a vender. A tempestade, contudo, virou-se para a Irlanda.

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Fri, 19 Nov 2010 03:12:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8599/o-efeito-espirro
Os mercados zombeteiros http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8508/os-mercados-zombeteiros

Destaque, como é habitual, para a crónica de J. L. Pio Abreu no "Destak" de hoje:Parece que os mercados andaram a gozar com o nosso Ministro das Finanças. Ele disse que o limite eram os 7% de juros e logo os mercados esticaram a corda até esse limite. E andou o ministro a cortar salários, a reduzir pensões, a retirar abonos, a limpar subsídios e a aumentar impostos para compadecer os mercados, e os mercados, nada. Puseram-se no gozo.E veio o nosso Presidente pedir para não afrontar os mercados, e vieram os nossos milhentos Nóbeis em economia explicar o comportamento dos mercados, vieram os jornalistas perdoar-lhes as diatribes, vieram os políticos prescrever receitas para os acalmar, até os nossos juízes abriram os olhos para ver os mercados, e nem sequer o Ministério Público os acusou. E os mercados, nada. Gozaram com todos.A divindade anda desenfreada porque tem amigalhaços poderosos. As bocas da senhora Merkel ajudam imenso e o senhor Sarkozy diz que sim. Ninguém tem culpa dos traumas de infância da senhora Merkel e dos amores do senhor Sarkozy, ambos nas tintas para o poder dos Estados e cada vez mais rendidos à volúpia do Mercado. E o Deus Mercado impera.O problema é que essa divindade perante a qual ajoelhamos deu agora em gozar connosco. Com isso, desceu do altar e mostrou que é tão humana como a senhora Merkel, o senhor Sarkozy ou o nosso Ministro das Finanças. Mas quando é essa divindade desenfreada, improdutiva e zombeteira que nos governa, é porque algo está podre no Reino da Dinamarca.J. L. Pio Abreu

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Fri, 12 Nov 2010 02:46:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8508/os-mercados-zombeteiros
SEXO E PODER http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8431/sexo-e-poder

Minha crónica no "Público" de hoje:O jornal El País de 24 de Outubro, com base no recente Relatório da Economia Mundial do FMI, divulgou a nossa posição no ranking mundial do crescimento económico (medido em percentagem de aumento do PIB) na década passada. Em 180 nações, o nosso lugar é o antepenúltimo (com 6,5 por cento), só ficando atrás de nós a Itália (2,4 por cento) e o Haiti (-2,4%, o único que decresce). Um artigo intitulado "A década perdida de Itália e Portugal" informava que a dívida pública portuguesa ronda os 80 por cento do PIB ao passo que a de Itália se aproxima dos 130 por cento.Piores que nós parecem, portanto, estar, a avaliar por esses indicadores, os italianos. Mas estarão preocupados com isso? Bem, o assunto em Itália, por estes dias, não é a economia, mas sim a vida sexual do primeiro-ministro Sílvio Berlusconi. Funciona como uma cortina para tapar a crise. Já tinha havido uma sua relação mal esclarecida com uma menor de Nápoles, que lhe custou o divórcio (a esposa censurou os “pais que oferecem as suas virgens ao imperador”). E já tinha havido uma relação bem esclarecida, esclarecida até demais, com uma prostituta de luxo de Bari, a quem Il Cavaliere não se coibiu de recomendar técnicas sexuais. Mas agora foi anunciado o caso de uma menor de origem marroquina, Karima El Mahroug, refugiada na Sicília, que, tendo rumado ao Norte em busca da fama que só a televisão e a moda podem dar, acabou por entrar na rede que alimentava as casas do chefe de governo de Itália e por participar em festas que a própria designou como bunga-bunga referindo-se a orgias rituais africanas. Pelos escritos dos autores clássicos sabemos que Nero e Calígula terão cometido os seus excessos. Pelos jornais de hoje sabemos que Berlusconi os quer ultrapassar.O escândalo que enche as bocas do mundo mostra que a mistura de sexo e poder é, em certas proporções, explosiva. Ora vejamos.A marroquina, de nome artístico Ruby, viu-se em apuros financeiros, apesar de ter sido paga com dinheiro e jóias pelas suas visitas à casa de Berlusconi em Milão, e terá roubado uma companheira brasileira. Tudo não passava de um mero caso de polícia, que estava a ser tratado na esquadra, quando um telefonema do próprio primeiro-ministro exigiu a libertação da detida, alegando que ela era sobrinha do presidente egípcio Mubarak. A jovem, apesar de estar em situação ilegal, não tardou em ser libertada, tendo sido entregue a uma pessoa de confiança de Berlusconi. A justiça procura agora averiguar os factos. Instado pela imprensa a esclarecer, o chefe do governo italiano não esteve com papas na língua ao comentar: “É melhor gostar de mulheres bonitas do que ser gay”. E admitiu ter ajudado a garota. Não é preciso saber muito de história para reconhecer que, no que respeita aos costumes, há um recuo relativamente aos antigos imperadores, que tanto gostavam de mulheres como de rapazes bonitos. Mas ressalta a retórica política: Berlusconi já tinha dito que quem não era por ele era contra Itália, agora diz que quem não é por ele é homosexual.Portugal tem, na economia, óbvias parecenças com Itália. Tem-nas decerto, além da estagnação do PIB e do crescimento da dívida, nas assimetrias regionais (em Portugal a diferença é mais entre o Litoral e o Interior do que entre o Norte e o Sul, para já não falar do desmesurado centralismo da capital) e na corrupção ao mais alto nível (um deputado do PS revelou que o chefe de gabinete do secretário-geral do partido lhe ofereceu um cargo bem remunerado numa empresa pública a troco da desistência numa eleição). Mas na mistura de sexo e poder não conseguimos competir. O Presidente do Governo Regional da Madeira, talvez o político nacional mais parecido com Berlusconi, desfila mascarado no Carnaval, mas não faz, que se saiba, festas bunga-bunga. É certo que há escabrosas histórias sexuais no futebol, mas o Presidente do Porto, a quem não faltam semelhanças com o Presidente do Milão (Berlusconi, para quem não saiba), não tem a mesma ambição política. A nossa situação é má, mas podia ser pior.

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Fri, 05 Nov 2010 00:42:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8431/sexo-e-poder
A CRISE EXPLICADA EM DESENHOS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8376/a-crise-explicada-em-desenhos

O académico David Harvey explica a actual crise do capitalismo.

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Sat, 30 Oct 2010 13:23:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8376/a-crise-explicada-em-desenhos
O sonho http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8366/o-sonho

Destaque para a crónica de J. L. Pio de Abreu no "Destak":Nos anos 80 sonhava-se com o futuro. Sonhava-se que a ciência iria resolver os problemas humanos, a fome seria suprimida e a automação iria substituir o trabalho mais pesado, permitindo uma maior justiça social. Energia e software eram quanto precisávamos para obter os nossos recursos. O trabalho humano seria menos necessário, e os produtos resultantes da automação seriam cada vez mais baratos.Para manter o pleno emprego, o horário de trabalho seria reduzido e a reforma viria mais cedo. Como as pessoas viveriam mais tempo, elas podiam, a partir de certa altura, encetar uma nova vida e dispor de mais tempo para o convívio e educação dos mais novos. Haveria mais produção artística e intelectual e inovadora que resultaria do gosto de criar, o que se faria por opção. Na verdade, já estávamos nesse caminho.Desde então, existiram imensos progressos da genética, da engenharia, da energética e da informática que facilitariam o sonho. A automação aumentou, os seus produtos embarateceram, apareceram as energias renováveis e o software não pára de substituir o trabalho humano, cada vez menos necessário. Mas aumentaram as exigências e o horário de trabalho, bem como a idade da reforma, à custa de um desemprego cada vez maior.Temos hoje melhores condições para cumprir o sonho, no entanto caminhamos no sentido inverso, em direcção ao pesadelo. Nos anos 80 sonhava-se porque não se tinha previsto que o lucro fosse o valor supremo dos anos que a seguir viriam. J. Pio de Abreu

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Fri, 29 Oct 2010 01:48:00 -0600 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8366/o-sonho