outras leituras - tagged with educacao http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com Os Censos vão às Escolas - O que está nas entrelinhas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11117/os-censos-vao-as-escolas-o-que-esta-nas-entrelinhas

A iniciativa do Instituto Nacional de Estatística relativa ao Censos 2011, aprovada pelo Ministério da Educação e a que me referi em dois textos anteriores, não pode deixar de constituir um intolerável desrespeito:- pelas funções da escola, que se deve concentrar na leccionação do currículo pré-estabelecido, de modo a cumpri-lo da melhor maneira, sem a constante interferência de solicitações avulsas como esta;- pela profissionalidade docente, em cujo âmbito cabe a elaboração autónoma de planos e a gestão das aulas, o que, neste caso, é ignorado ou, mesmo, negado;- pelas famílias, que, nesta mobilização nacional, são envolvidas indirectamente, por interposta pessoa – os professores que, de modo mais ou menos consciente, influenciam os alunos que, por sua vez, influenciam os pais e encarregados de educação;- pelos alunos, que são desviados das suas actividades de aprendizagem, para, de modo uniforme e cego, realizarem tarefas que em nada contribuem para o seu desenvolvimento cognitivo;- pela relação família-aluno, que, numa inversão de papéis, se atribui à criança ou o adolescente, a função e a responsabilidade de sensibilizar os adultos e os ajudar a responder à dita mobilização.Isto para não falar do controle institucional que se insinua neste envolvimento das escolas-professores-alunos-famílias, e que é tão declaradamente evidente nas tarefas da aula do 1.º Ciclo.

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Thu, 24 Feb 2011 20:03:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11117/os-censos-vao-as-escolas-o-que-esta-nas-entrelinhas
Os Censos vão às Escolas – “Tu também contas” http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11114/os-censos-vao-as-escolas-tu-tambem-contas

Na sequência de texto anterior, apresento neste os planos-prontos-a-usar que os professores terão de aplicar nas suas aulas, da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (que, tanto quanto sei, não é uma entidade pedagógica nem tem qualquer legitimidade para determinar o que os alunos devem aprender na escola) com o total apoio do Ministério da Educação.Para a aula do 1.º Ciclo recomendam-se “duas ligações curriculares” – “Estudo do Meio” e Área de Projecto” –, e estabelecem-se três objectivos que, apesar de conterem erros, parecem ser dirigidos ao professor: dar a conhecer aos alunos dos diversos graus de ensino: o que são, para que servem e como se fazem os Censos; mobilizar os pais e familiares dos alunos para a participação nos Censos 2011; incentivar os alunos para ajudar os pais na resposta aos Censos 2011 pela Internet.De seguida, vêm os conteúdos, mas agora já dirigidos aos alunos: explica-se-lhes muito claramente o que é são os Censos, para que servem, quem os faz, e como se fazem.Logo a seguir, em cor diferente, apresenta-se-lhes uma mensagem envolvente: “Nestes Censos vais ter um papel decisivo: Incentiva e ajuda os teus familiares a responder pela internet. Quantas mais respostas tivermos pela internet mais rápido iremos ficar a saber quantos somos, o que fazemos e como vivemos!” E a rematar: “Tu também contas!"Muda o registo para o professor e surge a tarefa que ele deve prontamente executar: dar a preencher aos alunos a ficha “O Meu Censo” e, de seguida, apurar os seguintes resultados da turma: Quantos são os rapazes e as raparigas? Quantos têm 6, 7, 8, 9 ou 10 anos? Quantos nasceram em determinado local? Quantos têm irmãos?Em anexo está a ficha com "bonecos" coloridos, onde cada menino deve escrever o seu nome completo, a idade, o sexo, a morada, o local de nascimento, quantas pessoas vivem na sua casa e se tem ou não irmãos.Para a aula dos 2.º e 3.º Ciclo recomendam-se outras “ligações curriculares” – “História e Geografia de Portugal; Geografia, História, Matemática; Área de Projecto; Formação Cívica – mas os objectivos são os mesmos.Os conteúdos, mais extensos, incluem uma abordagem histórica que começa antes de Cristo e termina em Portugal, em 2001.A mesma mensagem para envolver os alunos e, passando-se por cima do professor, apresenta-se-lhes as tarefas com desenhos e outras representações gráficas como é normal em manuais e exames, pressupondo que eles só conseguem resolver problemas muito concretos. Convido o leitor a dar uma vista de olhos porque… só visto!Não resisto, no entanto a deixar um exemplo: O Presidente da Câmara de VilaCensos pretende construir uma nova infraestrutura num bairro da vila, onde foram demolidos prédios velhos. Este espaço deverá ser utilizado pelas pessoas que moram nessa zona. O Presidente está indeciso entre construir um parque ou um centro comercial. Se o número de crianças e de idosos for superior a 50% do total da população a opção será construir um parque. Caso contrário, os adultos estarão em maioria e o Presidente irá construir um centro comercial. Ajuda o Presidente da Câmara de VilaCensos a tomar a decisão do que construir no espaço identificado na Figura 1, calculando o número de crianças, adultos e idosos que vivem na vizinhança, nas casas A a J.Para a aula do Secundário recomendam-se as “ligações curriculares” de História, Geografia, História e Economia, mas a estrutura do conteúdo mantém-se, complexificando-se ligeiramente em relação à aula anterior.De notar que, neste ciclo os alunos deixam de ser tratados por “tu” para serem tratados por “você”. Afinal, é outro patamar… o que se percebe nas tarefas (que… para uma aula... bem, não estou a ver como se poderão concretizar, mas talvez o dito Instituto possa explicar), que são:- um teste de conhecimentos:- um inquérito nas suas várias fases: definição das questões, recolha de dados, tratamento dos dados e apresentação dos resultados. Sugere-se como temática do inquérito “Planos de Futuro”, relacionada com o futuro escolar e profissional dos alunos das turmas do secundário da escola e- um pequeno estudo sobre os Censos em Portugal de 1864 a 2001. Para tal, aceda ao site http://censos.ine.pt/ , onde pode consultar também a informação recolhida e apurada nos Censos já realizados. Seleccione um ou mais indicadores e analise a evolução desses indicadores ao longo do tempo. Por exemplo, considere a variável população residente; comece por registar numa tabela os dados relativos à população portuguesa residente em Portugal, no período de 1864 a 2001; represente graficamente os dados e analise a evolução da população ao longo deste período de tempo. No final, elabore um relatório com as principais conclusões desse estudo.A conclusão desta extensa descrição será: com tão esmerados planos, não têm os professores qualquer trabalho acrescido, basta que os apliquem e, assim, contribuirão para o sucesso do Censo 2011!?(continua)

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Thu, 24 Feb 2011 18:27:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11114/os-censos-vao-as-escolas-tu-tambem-contas
Educação de tigresa http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11066/educacao-de-tigresa

Uma professora de Direito de Yale, de nome Amy Chua (na foto ao lado, do New York Times e reproduzida no Público) deu à estampa recentemente um livro que tem por título Battle Hymn of the Tiger Mother, onde explica com detalhe os métodos que os pais usaram para a educar e que ela, como mãe, usa para educar as suas cinco filhas.Isto seria conversa, não fosse o caso de a sua ascendência chinesa a ter inclinado para métodos educativos que os ocidentais "bem pensantes" há muito catalogaram como perversos.Nada de imposição de regras nem de castigos, pois as crianças estão direccionadas para o Bem e todas as situações educativas se resolvem com diálogo e argumentação; nada de repetição nem de esforço, pois as crianças são intuitivas e criativas, foram dois dos lemas mais fortes do Século da Criança..Ora, é a isso mesmo a que a dita senhora não dá muito crédito e... a América estranhou. Em sequência, como habitual neste tipo de assuntos, uns defendem-na e outros acusam-na abertae entusiastamente..Inclinemo-nos, por lá ou que por cá, para um lado ou para outro, estou com a dita senhora quando diz: "Acho óptimo que exista uma conversa nacional sobre isso. Parece uma conversa que precisava de acontecer. Sinto que [o livro] ganhou vida própria.".Vale a pena ler a entrevista que o Público lhe fez aqui.

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Thu, 24 Feb 2011 04:24:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11066/educacao-de-tigresa
Telémaco, filho de Ulisses http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10474/telemaco-filho-de-ulisses

Não bastaram aos Gregos dez anos de combate junto às muralhas de Ílion para tomarem a cidade de Príamo. Não bastaram os esforços de grandes guerreiros como Diomedes, Ájax, Agamémnon, Menelau, Pátroclo ou Nestor, nem sequer as inigualáveis qualidades bélicas de Aquiles (que tiraria a vida a Heitor, o combatente mais emblemático do lado troiano), para fazer com que Páris expiasse o sacrilégio de haver raptado Helena, a bela esposa de Menelau, seu antigo anfitrião.O que a força bruta das armas não havia conseguido, irá ser alcançado pelo subtil recurso à imaginação: os Aqueus fingem desistir da campanha, que já inúmeras vidas tinha ceifado, queimam as tendas e zarpam nas suas côncavas naus. Na praia troiana deixam, como oferta aos deuses, em aparente sinal de capitulação, um cavalo de madeira. Iludidos pela expectativa de verem o fim a tamanhas tribulações, os Troianos dividem¬ se quanto ao destino a dar à insólita oferta: deveriam rachar¬ lhe a madeira com o bronze impiedoso dos machados, precipitᬠla num abismo, ou antes acolhê¬ la no interior da cidade?Mas a pressurosa esperança é irmã gémea da imprevidência. Prevaleceu o terceiro parecer e, juntamente com o cavalo, os súbditos de Príamo trouxeram até si a morte ruinosa. Levados por um incauto sentimento de vitória, não se aperceberam de que o interior oco da besta se encontrava recheado com a elite dos guerreiros gregos, que em breve iriam sair, a coberto da noite e da cega embriaguez do inimigo. Sepultados pelo vinho abundante dos festejos, foram muitos os Troianos que logo passaram do torpor do sono à frigidez eterna da morte. E com eles, perecia também Ílion.Este relato, que marca o fim de Tróia, não o ficamos a conhecer na Ilíada, mas somente na Odisseia (canto VIII, vv. 469-520), pela boca de Demódoco (o aedo da corte dos Feaces), a pedido de Ulisses. E são as lágrimas do herói, emocionado ao escutar o belo canto, que levam o rei (Alcínoo) a desconfiar da verdadeira identidade do esgotado hóspede que acolhera no palácio.O valor mais cultivado pelo herói homérico é a noção de excelência (arete, em grego), um conceito que se traduz, na prática, na forma como cada guerreiro se distingue no campo de batalha e no hábil uso que faz da palavra, quando se encontra reunido com os seus pares. A estas qualidades, que marcam todos os grandes guerreiros tanto do lado grego como troiano (o tratamento positivo de Heitor é o exemplo máximo da imparcialidade de Homero), Ulisses vem acrescentar a astúcia, visível tanto na destreza diplomática como na capacidade para deslindar situações difíceis. É isso que justifica o seu epíteto específico de ‘herói dos mil artifícios’ (polymetis ou polymechanos) ou, para dizer de outra forma, o que faz dele a ilustração mais paradigmática dos poderes da imaginação. É isso, também, que torna a Odisseia na grande precursora de todo o tipo de literatura de viagens e de aventuras.No entanto, a epopeia homérica constitui, igualmente, um poema de saudade (de nostos), a expressão de um desejo imenso de regressar à segurança de Ítaca, ao ponto de partida. Assim, a mesma imaginação fulgurante que torna Ulisses na incarnação da curiosidade e do espírito agónico característico da mentalidade grega — e, por extensão, do ser humano em geral — comporta de igual modo um processo de sujeição ao perigo, pois a aventura do conhecimento pressupõe sempre uma exposição aos riscos da incerteza, à experiência do sofrimento vivido. E de novo o paradigma homérico se revela esclarecedor: Ulisses, o inventor dos mil expedientes, é também o ‘herói que muito sofreu’ (polytlas), pois não hesitou em aceitar novos desafios, mesmo que deles viesse a resultar um prejuízo pessoal imediato, mas que o tempo saberia compensar.Alem de Penélope, Ulisses deixou em Ítaca também um filho, que o não conhece e por isso mesmo tem de partir, para saber de fonte segura, junto de outros heróis que tenham combatido na longínqua planície troiana, os notáveis feitos que o pai havia cometido. É que não bastava ao jovem ser Telémaco, para se afirmar como pessoa: precisava de ser Telémaco – o filho de Ulisses. Também uma civilização que não tenha consciência do seu passado, das suas raízes linguísticas, do seu património cultural, em suma da própria natureza matricial, não pode obviamente ter futuro, pois está condenada a andar numa constante deriva identitária. Já a Odisseia nos faz compreender essa realidade, ao fazer Telémaco sair de Ítaca – em busca do pai, em busca do seu lugar na aventura do conhecimento.Delfim Leão

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Thu, 17 Feb 2011 04:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10474/telemaco-filho-de-ulisses
Kineo – um tablet Android para educação http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9446/kineo-um-tablet-android-para-educacao

Como previsto, 2011 vai ser o ano dos tablets, com inúmeras propostas direccionadas a diferentes segmentos do mercado, onde a educação se encontrará certamente em lugar de destaque. Este tablet em particular é produzido pela Brainchild, chama-se Kineo e está equipado com SO Android. Tem comercialização prevista para o início do mês de Março, com um preço indicativo de 299 dólares. Com um ecrã de 7″ (800×480),CPU 800MHz , 2GB Flash, HDMI, Wifi e leitor de MP4, tem como mercado preferencial a educação (sobretudo o ensino básico) e é anunciado como tablet e ebook reader. Aqui fica o vídeo de apresentação:

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Tue, 01 Feb 2011 07:54:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9446/kineo-um-tablet-android-para-educacao
Convite: Debate sobre a Educação http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9265/convite-debate-sobre-a-educacao ]]> Thu, 20 Jan 2011 09:29:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9265/convite-debate-sobre-a-educacao Novas Oportunidades - Velhas conclusões http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9205/novas-oportunidades-velhas-conclusoes

Mais confiantes e com maior capacidade de comunicação. Estas são as principais mudanças sentidas por adultos que concluíram o processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC), uma das principais vertentes do programa Novas Oportunidades. A constatação está patente num estudo que será hoje apresentado em Coimbra. Foram inquiridos 358 adultos que ficaram com a equivalência ao 9.º ano. A maioria concluiu aquela formação em seis meses. Cerca de 83 por cento dão como certo que este processo provocou uma série de alterações das quais destacam um aumento da auto-estima, um maior sentimento de realização e valorização pessoal e uma melhoria da capacidade de comunicação e de relação com outros. "Antigamente sentia-me inferiorizada por não ter estudos, agora não... agora não me sinto inferior a ninguém", resume uma das entrevistadas para o estudo desenvolvido pela Escola Superior de Educação de Coimbra (ESCE) e apoiado pela Agência Nacional de Qualificações, responsável pela iniciativa Novas Oportunidades.Coordenado por Lucília Salgado, professora da ESEC, este projecto tentou identificar em que medida esta experiência dos adultos poderá ter um impacto no percurso escolar dos seus filhos.(...)FonteQue aumentou a auto-estima e a valorização da imagem da escola enquanto entidade certificadora é o que todos os estudos já concluíram. Agora que promoveu os saberes, as capacidades de intervir em termos sociais e laborais e que compensou em termos de mobilidade social e de retorno económico já é outra questão. Será sensato advogar uma maior exigência e uma efectiva promoção de aprendizagens socialmente relevantes e significativas. As novas fronteiras estarão bastante aquém do prometido e do necessário.

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Fri, 14 Jan 2011 15:52:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9205/novas-oportunidades-velhas-conclusoes
O que explica os resultados PISA? http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9119/o-que-explica-os-resultados-pisa

Pergunta de Pedro S. Martins, professor de Economia em Londres, aqui.

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Thu, 06 Jan 2011 19:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9119/o-que-explica-os-resultados-pisa
Para Além das Regras e dos Incentivos... http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9070/para-alem-das-regras-e-dos-incentivos ]]> Sun, 02 Jan 2011 12:24:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9070/para-alem-das-regras-e-dos-incentivos Sentidos da escola http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8961/sentidos-da-escola ]]> Sun, 19 Dec 2010 10:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8961/sentidos-da-escola O que mudou em 40 anos http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8923/o-que-mudou-em-40-anos

Ao reler o artigo que publiquei na revista académica Capa e Batina, n.º 24, 1969, apanhei-me a fazer comparações com a situação actual. Criticava os que ao tempo pensavam defender a língua pelo policiamento dos estrangeirismos e a promoção militante do purismo linguístico, sem notarem, segundo me parecia, que o problema era mais vasto. E, como tal, exigia uma solução que passava pela educação literária da população a partir da escolaridade básica, só nesse época em começo de expansão e extensão. Seria a melhor maneira de qualificar e defender a língua e não com proibições. A escola devia formar mais literária e esteticamente do que gramatical e linguisticamente, como então fazia. Alargar o mais possível o gosto pela leitura, devia ser o grande objectivo, com textos de qualidade, sugestivos, variados, bem lidos, declamados, dramatizados, enfim, usufruídos de muitas formas para assim criar exigência de qualidade literária. Deste modo se defenderia a língua e a cultura, e não seria preciso andar com batalhas que, sem estas condições, eram perdidas.Passados quarenta anos a receita parece ainda boa. Mas, é curioso perceber como evoluíram as coisas, e reconhecer que não perderíamos nada em voltar acentuar, hoje, os estudos gramaticais; o que parece uma contradição, mas talvez não seja. A diminuição da gramática, só por si, não implica necessariamente uma melhoria da formação literária, podendo ficar-se num meio-termo que não é peixe nem carne. Em certo sentido parece que foi isso que aconteceu, porque os professores mais antigos sabiam gramática, mas muitos não tinham grande educação estética; os mais modernos podem não ter uma boa formação nem numa coisa nem noutra, por deficiência de formação estética, que nunca chegou a fazer-se ao nível da formação, em termos gerais, e por serem vítimas de um abrandamento da formação gramatical nas novas gerações docentes.De qualquer modo, a população que lia livros era muito mais reduzida, constituindo, em termos gerais, uma elite relativamente aos que não liam, e mesmo aos que hoje têm escolaridade bastante para algum consumo de leitura, e à escola o devem. O mundo das publicações era também muito mais restrito: uma dúzia de editoras, uns tantos autores mais ou menos consagrados, uma crítica que conseguia acompanhar a produção e estabelecia critérios, catalogava as famílias literárias; e tudo com edições sempre reduzidas. (Veja-se, a este propósito, o livro de Maria João Valente Rosa e Paulo Chitas, Portugal: os números, Da Fundação Francisco Manuel dos Santos).Hoje publicam-se muito mais títulos, há muito mais editoras e autores, cresceu o número dos escritores profissionais, coisa raríssima então, e embora não sendo a regra, algumas das atuais tiragens seriam impensáveis há quarenta anos. Mas há factos novos que ofuscam os critérios e criam ruído e confusão. Quase podemos dizer que a crítica desapareceu, perdeu importância face a novas e poderosíssimas forças que escolhem, decidem e promovem, com critérios nem sempre de qualidade literária. Curiosamente, há algum tempo, o poeta Nuno Júdice publicou, na Dom Quixote, o A B C da crítica, com alguns ataques a uma certa maneira de fazer crítica literária, mas que de algum modo está desadequado à realidade actual, como lhe respondeu o crítico António Guerreiro, no Expresso. Os críticos perderem audiência e influência face às novas forças e não adianta manter um azedume em relação a certas formas de controlar e condicionar o gosto, de criar e desfazer talentos, de promover obras menores e esquecer outras de maior valor e outras razões deste género, de que os escritores muitas vezes se queixavam, e queixam, talvez com razão. E não adianta muito porquê? Porque tudo isso perdeu força face ao fenómeno inédito que é a promoção televisiva; não dos bons livros através da televisão, mas dos que aparecem nas televisões e, por isso, se transformam em autores de sucesso quando publicam qualquer coisa. Não quer dizer que não possa haver, entre eles, bons autores, mas que é o aparecer que determina o sucesso, e isto não pode ser critério. Por outro lado, muitas editoras e associações de editoras assumiram, de uma maneira muito mais forte e agressiva que antes, a dinâmica empresarial, e isto é perigoso porque o critério principal, ou até único, passa a ser a rentabilidade.Digamos, portanto, que as coisas não mudaram muito, tendo mudado bastante. Subiram de degrau, deslocaram-se lateralmente e para um patamar acima. Evoluiu-se a vários níveis, mas, em alguns aspetos, é ilusória a evolução. Onde não havia gosto, porque não havia consumo, há agora um gosto dominante que não é necessariamente o melhor, nem o mais exigente. Mas isso hoje já não é tanto por culpa dos críticos mas mais de forças que se servem da literatura (e de muitas outras coisas) para fazer dinheiro, por via audiovisual, digital, etc. É claro que as pessoas têm direito a ter os seus gostos, que as preferências literárias (como as outras) variam muito, e evoluem, tal como os leitores. Ora, a partir desta plataforma de um mínimo de exigência, na diversidade, é mais fácil continuar a evoluir do que se não tiver havido esse primeiro patamar. E o número das pessoas que o conseguem é agora muito maior; alargou-se muito o campo dos que têm hoje capacidade para isso. O que cria possibilidades de evolução do consumidor, com exigência, mas que o comercial nem sempre acompanha, porque não lhe interessa; o interesse está noutro lado.Embora hoje, é justo reconhecê-lo, se faça na escola, mais pela educação estética – havia muito pouca sensibilidade para isso antigamente – é pela criação desse gosto no maior número de pessoas que se avançará na defesa e promoção da língua e da cultura portuguesas; a inversa também é verdadeira. Como há quarenta anos, de resto.João Boavida

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Wed, 15 Dec 2010 15:13:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8923/o-que-mudou-em-40-anos
Como se aprende a ler? http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8765/como-se-aprende-a-ler

Informação recebida pelo De Rerum NaturaConferência com Roger Beard, Linda Siegel e Isabel Leite.Dia 6 de Dezembro, em Coimbra, às 17 horas, no Auditório da Reitoria da Universidade.Dia 7 de Dezembro, em Lisboa, às 17 horas, no Auditório da Torre do Tombo.ENTRADA LIVRE MEDIANTE INSCRIÇÃO PRÉVIAÉ consensualmente aceite que a leitura é imprescindível para o desenvolvimento da criança, sendo-lhe reconhecida grande importância no contexto escolar e extra-escolar. Por tudo isto, é decisivo melhorar as capacidades de leitura dos alunos portugueses.Nesta conferência pretende-se esclarecer, a partir de estudos da Psicologia Cognitiva, como aprendem as crianças a ler e que estratégias podem ser utilizadas para fomentar as capacidades de leitura.Recorrendo a experiências nacionais e internacionais – nomeadamente a inglesa e a americana – analisar-se-ão as estratégias que se têm destacado como mais eficazes e discutir-se-ão os fundamentos psicopedagógicos que lhes estão subjacentes.Por último, serão apresentados alguns resultados de um estudo sobre os exercícios e conteúdos dos livros escolares para o ensino da Língua Portuguesa em níveis iniciais, com o objectivo de identificar os conhecimentos e capacidades promovidos na aprendizagem da leitura e da escrita.Mais informações aqui.

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Wed, 01 Dec 2010 18:03:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8765/como-se-aprende-a-ler
Identidade e Educação http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8743/identidade-e-educacao

Toda uma revista sobre Identidades e Educação.Pasando ya a los trabajos que ponen el foco de atención en las identidades educativas, encontramos en primer lugar el artículo de Polman La zona de desarrollo próximo de la identidad en el aprendizaje. La contribución de Polman es valiosa no sólo para este monográfico, sino también para la investigación sobre la identidad de orientación socio-cultural en general, ya que relaciona la construcción de la identidad con uno de los conceptos fundamentales de la explicación vygotskiana del desarrollo y del aprendizaje humano. Aunque la idea de Polman es altamente teórica, su indagación se plantea en el contexto del aprendizaje –apprenticeship– como marco para la descripción de la zona de desarrollo próximo de la identidad. Una vez más, se dirige la atención a la importancia de los otros significativos en la construcción de las identidades. La aplicación que Polman hace de los conceptos vygotskianos abre el camino a nuevas indagacionessobre cómo los contextos educativos pueden apoyar la construcción de la identidad entendida como un proceso que requiere la orientación, la ayuda y el reconocimiento de otros más expertos.Acesso à revista

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Mon, 29 Nov 2010 21:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8743/identidade-e-educacao
Trabalhos de casa por mail http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8738/trabalhos-de-casa-por-mail

Recebo por vezes mails muito curiosos. Uma de anónimo (isto é, não assinado) diz isto:"Estive a ver o seu trabalho e tinha duas questões para lhe colocar porque o meu filho tem um trabalho para fazer. As questões são: - Quais as regiões onde viveu Leonard Euler? - Quais os principais contributos para a Matemática de Leonard Euler? Se fosse possível agradecia uma resposta rápida."Não vou responder porque nunca respondo a anónimos. Mas há duas coisas que queria assinalar, e que indiciam o estado da educação nacional. Supondo que a mensagem não é brincadeira, estranho muito que um pai ou mãe venha colocar perguntas para trabalhos de casa substituindo o próprio filho, quando este, para ter de fazer trabalhos sobre Euler, não será propriamente criança. E estranho ainda que o pai ou mãe queira saber respostas que encontra rápida e facilmente na Internet ou numa biblioteca. Quer dizer, agora consultar a Internet ou um livro numa biblioteca já é considerado algo difícil, fica mais fácil perguntar a alguém, mandando um mail...

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Mon, 29 Nov 2010 09:05:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8738/trabalhos-de-casa-por-mail
A Educação Precisa de Ser Transformada http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8690/a-educacao-precisa-de-ser-transformada

Em terceiro lugar, os políticos penalizam as escolas que têm «deficiências». No caso do programa «Nenhuma Criança Fica Para Trás», as instituições de ensino que não atingem os objectivos durante cinco anos seguidos, independentemente das circunstâncias socioeconómicas, vêem-se confrontadas com o despedimento de professores e directores, com o encerramento das instalações e com a passagem destas últimas para as mãos de organizações privadas ou do próprio Estado. Essas escolas tentam por todos os meios conformar-se com a hierarquia e a cultura de uniformização, e o medo fá-las renunciar a qualquer esforço em favor da criatividade ou da adaptação às necessidades e talentos específicos dos seus alunos.Permita-me que fale com clareza. Não sou contra os exames estandardizados em geral. Se decido submeter-me a um exame médico, quero que me façam alguns testes estandardizados. Quero que os meus níveis de açúcar e de colesterol sejam comparados com os de outras pessoas. Quero que o meu médico utilize um teste e uma escala padronizados e não qualquer coisa que lhe tenha ocorrido a caminho do trabalho. Mas, em si mesmos, os exames só são úteis enquanto parte de um diagnóstico. O médico tem de saber o que fazer com os meus resultados e dizer-me o que devo fazer de acordo com a minha fisiologia específica.Passa-se o mesmo na educação. Os exames estandardizados, se correctamente utilizados, podem proporcionar informações fundamentais para apoiar e melhorar a educação. O problema surge quando esses testes se convertem em algo mais do que uma simples ferramenta e se tornam o centro da educação.Quaisquer que sejam as suas repercussões educativas, os exames estandardizados são actualmente um grande negócio. Há um móbil económico considerável por detrás da crescente confiança nos testes padro-nizados. Segundo o Gabinete Governamental de Contabilidade (GGC) dos Estados Unidos, cada estado iria gastar entre 1,9 e 5,3 biliões de dólares entre 2002 e 2008 a fim de implementar os exames requeridos pelo programa «Nenhuma Criança Fica Para Trás». Estes valores apenas incluem custos directos. Os custos indirectos poderiam multiplicá-los por dez. A maior parte desse dinheiro vai parar a empresas privadas que criam, administram e corrigem os testes. Os exames estandardizados passaram a ser uma indústria em expansão. Utilizando os números do CESPI-ELE-lS GGC, estas empresas poderiam gerar mais de cem biliões de dólares em sete anos.O leitor já terá reparado que não falei de ensinar. Isto porque, normalmente, os políticos não parecem compreender a sua importância fundamental enquanto pilar da educação. Estou convencido, com base em décadas de trabalho realizado neste campo, que a melhor maneira de se melhorar a educação não é centrando-se no currículo ou na avaliação, por mais importantes que ambos sejam. O método mais eficaz para se melhorar a educação é investindo na melhoria do ensino e no estatuto dos grandes professores. Não há nenhuma grande escola em nenhum ponto do mundo que não possua grandes professores. Mas há muitas escolas medíocres com as estantes cheias de programas escolares e testes padronizados.O facto é que, tendo em conta os desafios que enfrentamos, a educação não precisa de ser reformada: precisa de ser transformada. A chave dessa transformação está em personalizar a educação e não em uniformizá-la - descobrir os talentos individuais de cada criança, colocar os estudantes num ambiente onde queiram aprender e onde possam identificar de forma natural as suas verdadeiras paixões. A chave está em adoptar os princípios fundamentais do Elemento. Algumas das inovações educativas mais estimulantes e de maior sucesso no mundo inteiro ilustram o verdadeiro poder desta abordagem. Ken Robinson, Obra citada

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Wed, 24 Nov 2010 15:45:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8690/a-educacao-precisa-de-ser-transformada
A Geração mais qualificada de sempre está a deixar o país! http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8679/a-geracao-mais-qualificada-de-sempre-esta-a-deixar-o-pais ]]> Wed, 24 Nov 2010 03:25:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8679/a-geracao-mais-qualificada-de-sempre-esta-a-deixar-o-pais QUEM MUITO FALA POR VEZES ACERTA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8653/quem-muito-fala-por-vezes-acerta

O sindicalista-mor do maior sindicato de professores é conhecido por falar muito e, como diz o povo, "quem muito fala pouco acerta" (também diz "quem muito fala muito enfada"). Mas, como também diz o povo, "não há regra sem excepção". Por uma vez ele acertou ao propor, para poupar, a extinção das direcções regionais de educação (DRENs, DRECs, etc.), que fazem do Ministério da Educação uma engrenagem kafkiana. Poupava-se no orçamento e poupava-se sobretudo na burocracia inútil que atrapalha professores e escolas, com efeitos visíveis na qualidade do ensino. Porque o autor pode demorar muito tempo a voltar a acertar, apresso-me, a mãos ambas, a aplaudir a sugestão.

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Mon, 22 Nov 2010 15:42:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8653/quem-muito-fala-por-vezes-acerta
Eu Tenho http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8562/eu-tenho

As bases constitutivas do elemento, isto do potencial de cada ser humano, retomando a obra de Ken Robinson.Uma aptidão é uma capacidade natural para fazer algo. É um senti-mento intuitivo ou uma compreensão do que essa coisa é, de como fun¬ciona e de como pode ser usada. Gillian Lynne tem uma aptidão natural para a dança, Matt Groening para contar histórias e Paul Samuelson para a economia e a matemática. As nossas aptidões são altamente pessoais. Podem estar direccionadas para actividades gerais, como a matemática, a música, o desporto, a poesia ou a teoria política. Também podem estar direccionadas para áreas específicas: não para a música em geral, mas para o jazz ou o rap; não para instrumentos de sopro em geral, mas para a flauta; não para a ciência, mas para a bioquímica; não para o atletismo, mas para o salto em comprimento.Ao longo deste livro, irá conhecer pessoas com uma profunda com-preensão de todo o tipo de coisas. Não são boas em tudo, mas numa coisa em particular. Paul Samuelson é naturalmente bom a matemática. Outros não.Por sinal, faço parte desses outros. Nunca fui muito bom a matemática e fiquei feliz por poder pôr essa disciplina de parte quando acabei a escola. Quando tive filhos, a matemática reergueu-se como um monstro que eu julgava morto. Uma das nossas responsabilidades enquanto pais é ajudarmos os nossos filhos nos trabalhos de casa. Podemos fazer bluif durante algum tempo, mas no fundo sabemos que chegará o dia da verdade.Até completar doze anos, a minha filha Kate pensava que eu sabia tudo. Era uma ideia que me agradava alimentar. Quando era pequena, pedia-me ajuda sempre que se deparava com um problema de inglês ou matemática. Eu tirava os olhos do que quer que estivesse a fazer, esbo¬çava um sorriso confiante, punha um braço à sua volta e dizia-lhe: «Bem, vamos lá ver», fingindo partilhar as suas dificuldades para que ela não se sentisse tão mal por não perceber. Então, ela fixava-me com um ar de adoração enquanto eu passava sem esforço, como um deus da matemática, pela tabuada dos quatro e por subtracções simples.Um dia, já com catorze anos, chegou a casa com uma folha cheia de equações do segundo grau. Senti uns suores frios que me eram familiares. Nessa altura, apresentei-lhe os métodos de aprendizagem por descoberta. «Kate, não faz sentido eu dar-te as respostas», disse-lhe. «Não é assim que se aprende. V ais ter de te desenrascar sozinha. Estarei lá fora a beber um gin tónico. E olha, quando acabares, não vale a pena mostrares-me as res¬postas. É para isso que os professores servem.»Na semana seguinte, trouxe-me um cartoon que tinha encontrado numa revista. «É para ti», afirmou. A banda desenhada mostrava um pai a ajudar a filha nos trabalhos de casa. No primeiro quadrado, o pai estava inclinado sobre o ombro da rapariga e perguntava-lhe: «O que é que tens de fazer?» «Tenho de encontrar o menor denominador comum», respondia-lhe ela no segundo quadrado. Ao que o pai retorquia: «Ainda andam à procura disso? Já andavam à procura dessa coisa quando eu estava na escola». Revejo-me perfeitamente nele.Contudo, para alguns, a matemática é bela e atraente, tal como a poesia e a música o são para outros. Descobrir e desenvolver as nossas capacidades criativas é um dos aspectos essenciais para nos tornarmos quem realmente somos. Só saberemos quem podemos ser quando soubermos o que podemos fazer. Ken Robinson, obra citada

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Tue, 16 Nov 2010 13:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8562/eu-tenho
Mudar de paradigma, mudar de práticas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8527/mudar-de-paradigma-mudar-de-praticas

O que está profundamente errado nesta maneira de pensar é a grave subestimação das capacidades humanas. Damos um valor tre­mendo aos exames padronizados, cortamos nos apoios financeiros ao que consideramos serem programas «não-essenciais» e depois pergun­tamo-nos por que razão os nossos filhos não têm nem imaginação, nem inspiração. O nosso actual sistema educativo seca-lhes sistematicamente a criatividade. A maioria dos alunos nunca chega a explorar o alcance das suas capacidades e interesses. Os estudantes cujas mentes funcionam de modo diferente - e estamos a falar de muitos, até da maior parte deles ­podem até sentir-se excluídos de toda a cultura educacional. É precisa­mente por essa razão que algumas das pessoas mais bem sucedidas que o leitor irá conhecer não se saíram bem na escola. A educação é o sistema que deveria desenvolver as nossas capacidades naturais e tornar-nos capazes de nos afirmarmos no mundo. Em vez disso, está a asfixiar os talentos e as capacidades individuais de demasiados alunos e a destruir a sua vontade de aprender. Não deixa de ser irónico. Ken Robinson (2010). O Elemento. Porto: Porto Editora

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Sat, 13 Nov 2010 14:41:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8527/mudar-de-paradigma-mudar-de-praticas
HUMOR: Trabalhos comprados na Net para Novas Oportunidades vão ficar mais caros http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8487/humor-trabalhos-comprados-na-net-para-novas-oportunidades-vao-ficar-mais-caros

Os trabalhos adquiridos para certificação de competências no âmbito do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências vão deixar de ser deduzíveis à colecta e ficar sujeitos à taxa máxima de IVA. O IP foi avaliar o impacto desta medida nas famílias. O casal Sousa tem dois filhos, de 47 e 53 anos, todos autarcas com o sexto ano de escolaridade e foi apanhado de surpresa: "contávamos terminar o 12º ano por altura do carnaval e entrar para uma Universidade privada, cara mas com um baixo nível de exigência, para já em 2012 integramos o corpo de astronautas da Agência Espacial Europeia. Assim, já somos obrigados a fazer contas e como não as sabemos fazer, em principio vamos investir numa piscina no quintal". David Marçal, no Inimigo Público

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Wed, 10 Nov 2010 01:53:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8487/humor-trabalhos-comprados-na-net-para-novas-oportunidades-vao-ficar-mais-caros