outras leituras - tagged with historia-da-ciencia http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com Chamada para trabalhos de história da ciência luso-brasileira http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11087/chamada-para-trabalhos-de-historia-da-ciencia-luso-brasileira

Informação recebida do Instituto de Investigação Interdisciplinar da Universiodade de Coimbra:O Congresso Luso-Brasileiro da História das Ciências terá lugar em Coimbra de 26 a 29 de Outubro de 2011. Este congresso assinala os 100 anos da criação da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, que resultou da fusão das Faculdades de Filosofia e Matemática, criadas pela Reforma Pombalina.O encontro visa dar a conhecer melhor a História da Ciência em Coimbra desde a edificação do primeiro colégio jesuíta em 1547, no tempo de D. João III, até 1933, quando começa o Estado Novo. O ensino das matemáticas e das ciências físicas e naturais conheceu um forte impulso com a Reforma Pombalina, em 1772, que rompeu com a neoescolástica e estabeleceu o ensino experimental. Nessa como nas noutras épocas a relação com o Brasil sempre foi forte. Será privilegiada no Congresso a História da Ciência relacionada com a Universidade de Coimbra bem como as relações luso-brasileiras.Submissão de trabalhos:· Os autores devem submeter um resumo da respectiva comunicação, com um máximo de 250 palavras, através do site easychair CLBHC-2011, até ao dia 31 de Março de 2011. A confirmação de aceitação de comunicações será feita até ao dia 30 de Maio de 2011.· A submissão do texto completo para publicação no Livro de Actas do Congresso deve também ser feita através do mesmo site até ao dia 30 de Setembro de 2011.Para mais informações consultar o endereço: http://www.uc.pt/congressos/clbhc

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Thu, 24 Feb 2011 10:32:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/11087/chamada-para-trabalhos-de-historia-da-ciencia-luso-brasileira
Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10565/congresso-luso-brasileiro-de-historia-da-ciencia

Entrevista que dei à jornalista Barbara Lacor sobre o Congresso Luso-Brasileiro de História da Ciência, que se vai realizar em Coimbra em Outubro próximo:P - Que importância teve a criação da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra (UC), em 1911?R- Em 1911, um ano após a implantação da República, houve uma refundação republicana da UC. As Faculdades de Matemática e de Filosofia, criadas com a Reforma Pombalina em 1772, foram fundidas para formar a Faculdade de Ciências, que, embora hoje tenha o nome de Ciências e Tecnologia, vai portanto agora fazer cem anos. Na mesma altura são fundadas as Universidades de Lisboa e Porto, com Faculdade de Ciências novas, que ficaram herdeiras das anteriores escolas politécnicas que existiam nas duas principais cidades do país. O ideal republicano, que tem uma ligação forte às ciências do século XIX, mostrou, com a criação de três Faculdades de Ciências, a sua esperança nas ciências para ajudar a formar um país novo. Essa foi uma das maiores contribuições da República para a nossa modernidade, apesar de todas as vicissitudes e contradições da 1ª República.P - Quais são os momentos mais marcantes da História da Ciência na UC? Porquê?R - Não se pode falar de ciência em Portugal sem falar de ciência na UC. Na época dos Descobrimentos, quando o rei D. João III coloca definitivamente a Universidade em Coimbra, um dos maiores cientistas portugueses, o astrónomo e matemático Pedro Nunes, vem para Coimbra ensinar. Pouco depois estudou em Coimbra o maior astrónomo mundial entre Copérnico e Galileu, o jesuíta alemão Christophorus Clavius, que foi o principal responsável em Roma pela reforma que levou à adopção do calendário gregoriano. No século XVIII é um estudante de Coimbra, o brasileiro Bartolomeu de Gusmão, que efectua a primeira ascensão mundial em balão, embora não tripulado. No mesmo século, o marquês de Pombal executa um verdadeiro "terramoto" intelectual, ao promover em Coimbra o ensino experimental das ciências. Manda construir o Laboratório Chimico e e reúne colecções nos gabinetes de Física Experimental e de História Natural, hoje no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, além de criar um Observatório Astronómico e um Jardim Botânico. Além dos mestres estrangeiros que contratou, chamou grandes cientistas nacionais como, na matemática, Monteiro da Rocha e Anastácio da Cunha. No século XIX, grandes cientistas de Coimbra foram o botânico Avelar Brotero e o metalurgista brasileiro Andrada e Silva. Outro grande cientista português do século XIX, o matemático Gomes Teixeira, ensinou no Porto depois de ter estudado em Coimbra. No início do século XX, o Prémio Nobel da Medicina Egas Moniz começa por estudar e trabalhar em Coimbra antes de se transferir para a nova Universidade de Lisboa. E este é só um brevíssimo resumo, claro.P - Que interesse tem este congresso para o público em geral?R - O congresso dirige-se em primeiro lugar a especialistas portugueses, brasileiros e outros estrangeiros interessados na história da ciência, com particular foco na ciência realizada na Universidade de Coimbra e nas relações científicas luso-brasileiras. Mas está aberto a todos os interessados, em particular às pessoas curiosas pela história da ciência que se desejem inscrever. O interesse para o público será sempre a melhor compreensão que resultar sobre o nosso passado científico. Só conhecendo melhor quem fomos, poderemos saber quem somos e, acima de tudo, quem queremos ser.P - O Congresso contará, para além dos trabalhos apresentados pelos investigadores, com as intervenções de especialistas convidados? Já está confirmada a presença de algum orador?R - Sim, é um congresso aberto à participação, com submissão de trabalhos on-line, de quem trabalhar na área e tem também apresentações de convidados. Estes incluem cientistas portugueses, como o historiador de ciência Henrique Leitão, que falará sobre Pedro Nunes, o historiador Fernando Catroga, que falará sobre as ligações à ciência da ideologia republicana, e o médico João Lobo Antunes, que falará sobre Egas Moniz. E cientistas brasileiros como os historiadores de Ciência Jaime Benchimol que falará sobre a medicina nos trópicos no século XIX, e Augusto Passos Videira, que falará sobre a teoria das cores no século XVIII. E ainda cientistas europeus como o italiano Ugo Baldini, que falará sobre Clavius, a química francesa Bernadeth Bensaúde Vincent, que falará, neste ano internacional da química, sobre a recente e gradual transformação da química em nanotecnologia, e ainda o belga Robert Halleux, que falará sobre a escola dos jesuítas na UC que antecedeu a Reforma Pombalina.

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Fri, 18 Feb 2011 05:10:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10565/congresso-luso-brasileiro-de-historia-da-ciencia
Sobre Marck Athias (1875-1946) http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10482/sobre-marck-athias-1875-1946

Novo post do historiador António Mota Aguiar:Marck Athias, nasceu no Funchal em 1875, com pai de ascendência judaica, director de um estabelecimento bancário na Madeira. Ainda jovem, foi estudar para Paris, onde, com 22 anos, terminou a licenciatura em Medicina.Após o curso, trabalhou num laboratório de Paris, onde se afirmaria como histologista, tendo sido premiado pela Faculdade de Medicina de Paris pelo trabalho científico produzido. Durante a sua estada em Paris contactou com notáveis especialistas de histologia e química, o que, a par da educação que recebeu na Faculdade, lhe augurou desde logo uma carreira profissional promissora.Mas, na época que Marck Athias viveu em Paris, a sociedade francesa estava profundamente afectada pelo Affaire Dreyfus, e dividida entre os defensores da inocência de Alfred Dreyfus e os que o acusavam de ter vendido à Alemanha documentação secreta. Em 1894 Dreyfus foi condenado a prisão perpétua, para só ser libertado em 1906, após se ter provado a sua inocência. O antisemitismo que lavrava na sociedade francesa desse tempo deve-o ter afectado pelas suas raízes judaicas, mas, mesmo assim, preferia ficar em França, pelo que concorreu a um lugar no laboratório onde trabalhava. Foi, porém, preterido por um colega francês.Voltou para a Madeira e, em 1907, veio para Lisboa, onde Miguel Bombarda lhe ofereceu o lugar de director do laboratório de histologia do Hospital de Rilhafoles. Aí iniciou o ensino de histologia, criando um curso de técnica histológica para médicos. Começaria aqui a carreira científica de Marck Athias no nosso país, iniciando uma nova fase da medicina experimental em Portugal, criando uma escola de investigação associada a uma estratégia de renovação da mentalidade portuguesa defendida pelo ideário positivista, característica do republicanismo, que marcou o Portugal desta época.Escreveu a Professora Isabel Amaral da Universidade Nova de Lisboa:“No período em que a escola de investigação se desenvolveu, foram erguidas as estruturas sociais, logísticas e epistemológicas, basilares da comunidade médica de Lisboa, nas primeiras décadas do século XX: reformou-se o ensino, surgiram as especialidades, criaram-se laboratórios e institutos de investigação, formaram-se investigadores, fundaram-se revistas e sociedades científicas, privilegiando assim um novo modelo de ensino universitário em que os docentes passaram a ser julgados não pela sua erudição livresca, mas pela sua capacidade de produzir saber original com base na experimentação. A escola de investigação de Marck Athias criou assim as condições para a emergência da bioquímica em Portugal”.A escola de Athias criou ramificações profundas na ciência portuguesa e deixou muitos discípulos que se notabilizaram, como os médicos Ferreira de Mira e Celestino da Costa, este último impulsionador da Junta de Educação Nacional, criada em 1929.António Mota de Aguiar

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Thu, 17 Feb 2011 06:59:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10482/sobre-marck-athias-1875-1946
Centúrias de Curas Medicinais de Amato Lusitano http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10480/centurias-de-curas-medicinais-de-amato-lusitano

Convite recebido da Ordem dos Médicos (este ano celebram-se os 500 anos do nascimento do grande médico português que ficou conhecido por Amato Lusitano):O CELOM - Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos tem a honra de convidar V. Ex.ª a assistir à apresentação do livro “Centúrias de Curas Medicinais” da autoria de Amato Lusitano, que terá lugar na Sociedade de Geografia de Lisboa no dia 24 de Fevereiro de 2011, pelas 18h30. O livro será apresentado pela Profª. Doutora Isilda Rodrigues e pelo Prof. Dr. José Luís Dória.Com a reedição desta obra, numa iniciativa da Ordem dos Médicos, o CELOM associa-se às comemorações dos 500 anos do nascimento de Amato Lusitano, que se celebram em 2011.Sociedade de Geografia de LisboaRua das Portas de Santo Antão, 100 1150-269 LisboaTel.: 21 3425401/5068 - Fax 21 3464553

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Thu, 17 Feb 2011 06:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10480/centurias-de-curas-medicinais-de-amato-lusitano
A FÁBRICA DO CORPO HUMANO ON LINE http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9886/a-fabrica-do-corpo-humano-on-line

UMA BOA NOTÍCIA:Graças ao patrocínio da Sociedade Portuguesa de Neurociências (bem-hajam!) acaba de ser restaurado, digitalizado e colocado na Web, no sítio Alma Mater, o que deve ser o único exemplar em Portugal do livro do século XVI "Fábrica do Corpo Humano" de André Vesalius, que é propriedade da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Os que gostam de livros antigos ou de história da ciência podem deliciar-se a vê-lo aqui.

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Thu, 10 Feb 2011 10:51:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9886/a-fabrica-do-corpo-humano-on-line
Sobre Miguel Bombarda http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9544/sobre-miguel-bombarda

Post recebido do historiador António Mota de Aguiar:Miguel Bombarda, médico e político português, homem de vasta cultura e formação científica, nasceu no Rio de Janeiro em 1851. Veio ainda jovem para Portugal, onde começou os seus estudos, tendo em 1877 terminado o curso da Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, onde passou a ser Professor. Em 1892 foi nomeado director do Hospital Rilhafoles em Lisboa, mais tarde Hospital Miguel Bombarda, onde exerceu psiquiatria até à sua morte .O fim do século XIX e início do século XX foi marcado por profundas alterações políticas, económicas e sociais em Portugal. No contexto das alterações ocorridas, a contribuição dada por Miguel Bombarda como professor e director do Hospital Rilhafoles foi assaz relevante, não porque tenha sido um diligente investigador (devido às suas múltiplas actividades não lhe ficava muito tempo livre para a investigação), mas sim, graças ao seu empenho, e ao de outro médico, Sousa Martins, na criação de dois laboratórios de histologia no Instituto Bacteriológico Câmara Pestana e no Hospital Rilhafoles, respectivamente em 1882 e 1897.Além da sua actividade como político, foi impulsor de revistas como O Correio Médico e a Medicina Contemporânea e, em 1906, presidiu a um Congresso internacional de medicina em Lisboa, tendo exercido ainda diversas outras actividades.Miguel Bombarda contribuiu significativamente para fixar em Portugal as raízes das disciplinas de fisiologia e histologia, tendo nomeado Marck Athias para dirigir o Instituto de Histologia do Hospital de Rilhafoles. “Foi o empenhamento de Marck Athias na vertente experimental da medicina que permitiu criar as condições propícias ao nascimento da bioquímica em Portugal”, escreve Isabel Amaral, Professora da Universidade Nova de Lisboa. Por isso, quando nos anos 30 do século XX, Kurt Jacobsohn veio para Portugal, criando e desenvolvendo o estudo da bioquímica, encontrou uma base formada nos anos anteriores pelos mencionados médicos portugueses.Miguel Bombarda defendeu o determinismo radical, i.e., a ideia de que tudo no mundo é um produto de condições que podem ser cientificamente estudadas, sendo a vida um fenómeno explicável pela “organização molecular” e pelas “condições do meio”. Materialista convicto, escreveu Consciência e Livre Arbítrio, publicado pela primeira vez em 1898, do qual fazemos aqui uma síntese.Para Bombarda não existiam mistérios inacessíveis à razão humana. Disse ele que: “Os outros, os que da crença vivem e pela fé morrem, procuram a verdade no sentimento. Há no seu espírito presentimentos e intuições. Não há demonstrações, nem mesmo as procuram ou as aceitam. No seu coração está a razão, a natureza e o destino das coisas”. E, como “as propriedades dos corpos são invariáveis em presença das mesmas condições…existe de toda a evidência uma ordenação, uma harmonia, um fatalismo fenomenal…” Mais à frente, Bombarda acrescentou: “A invariabilidade de relacionamento fenomenal, que permite o estabelecimento dessas leis, é o que constitui o determinismo…”… e “a noção dessa lei geral…tem o valor de um axioma geométrico”.Idealista, republicano convicto, Miguel Bombarda não defendia a selecção darwinista. Na Introdução a um livro de um autor da época (Landislau Batalha) escreveu: “(…) Em toda a natureza o factor cooperativo tem sido a fonte ubérrima da adaptação e da evolução. A selecção darwiniana, com a sua desoladora e impotente luta pela existência, já fez o seu tempo. (…)”.Defensor do cooperativismo, pensava que um mundo melhor havia de chegar: “…quando os interesses de classes começarem a embotar-se e o ideal humano tiver infiltrado os espíritos, a fraternidade deixará de ser um mito e a humana felicidade uma utopia”. Morreu assassinado por um doente, a dois dias da implantação da República, para a qual ele tanto tinha contribuído e no seio da qual certamente teria um futuro promissor. “Morrer assim é estúpido”, teve ele a lucidez de dizer na hora da sua morte.António Mota de Aguiar

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Sun, 06 Feb 2011 17:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9544/sobre-miguel-bombarda
A QUÍMICA DO ORANGOTANGO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9387/a-quimica-do-orangotango

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".O genoma do orangotango foi agora publicado na revista Nature, e apresenta cerca de 3% de diferença com o nosso. Mas a química do Orangotango não é diferente da nossa. Muito pelo contrário, partilhamos com este primata, assim como com todas as espécies vivas, muitas coisas em comum. Quer o comum à vida, quer as diferenças base da biodiversidade, estão inscritas em longas sequências de quatro de moléculas (guanina, adenina, timina e citosina) definidas no biopolímero que vulgarmente designamos por DNA (ácido desoxirribonucleico). É a diferente sequência daquelas moléculas alinhadas na dupla hélice de DNA que funcionaliza a mensagem química dos genes. Em que é que diferem aquelas quatro moléculas? Diferem em arranjos e proporções diferentes de átomos de carbono, oxigénio, nitrogénio e hidrogénio. As diferenças nas vizinhanças químicas locais na dupla hélice de DNA expressam genes diferentes, que por sua vez corporizam instruções para proteínas com funções diferenciadas e específicas. O resultado global é uma espécie de organismo diferente. Um braço peludo mais comprido, uma posição bípede mais vertical, etc.Recorde-se, a propósito do Ano Internacional da Química que se promove este ano, que se deve muito à Química (mas também à Física, à Matemática e à Biologia, entre outras disciplinas), o conhecimento que está na base da genética molecular e que permitem hoje, de forma multidisciplinar, a sequenciação genómica. Vejamos, de forma breve, porquê.Como se disse, o genoma é constituído por longas moléculas de DNA. Este foi descoberto em 1869 pelo químico alemão Johann Friedrich Miescher (1844 – 1895) no núcleo de glóbulos brancos. Miescher escolheu estas células por serem relativamente grandes e também possuírem núcleos grandes. Esta descoberta não permitiu associar de imediato o DNA como a “molécula da hereditariedade”. De facto, foram necessários mais cerca de 80 anos para que se confirmasse que eram os ácidos nucleicos os componentes estruturais e funcionais dos genes. Durante todo este intervalo de tempo muitos cientistas defenderam que eram as proteínas, e não os ácidos nucleicos, as moléculas de que os genes eram feitos. Parecia estranho toda a diversidade da vida poder ser codificada pela monótona constituição molecular do DNA, pelo que a genética deveria ser escrita com a maior diversidade apresentada pelas proteínas. Duas experiências foram determinantes para esclarecer a comunidade científica sobre a "molécula dos genes". Em 1944, o médico e bioquímico Oswald Avery (1877 – 1955) e seus colaboradores, demonstraram que só o DNA (o “princípio transformador” como lhe chamaram), era “capaz” de “transformar” estirpes diferentes da bactéria pneumococo (R e S) umas nas outras. Em 1952, o trabalho do microbiologista Alfred Hershey (1908 -1997) e da geneticista Martha Chase (1927 – 2003) colocou um ponto final e abriu um novo capítulo para a genética molecular com a experiência de transferência de DNA viral (do bacteriófago T2) para bactérias, na qual ficou claramente demonstrada que era o DNA e não as proteínas a argamassa genética da vida. Martha ChaseEm 1953, o biólogo James Watson e os físicos Francis Crick, Maurice Wilkinson e Rosalind Franklin, através dos estudos por difracção de raios X de cristais de sais de DNA, recolhem a informação física e química necessária para propor a estrutura tridimensional em dupla fita helicoidal para o DNA. Note-se que esta descoberta resulta de um trabalho fundamentalmente de física e química. Diríamos hoje de biofísica e bioquímica.Rosalind FranklinNeste ano também dedicado às mulheres na química, é de realçar nesta história que tanto Matha Chase como Rosalind Franklin não foram galardoadas com o prémio Nobel, enquanto os seus colaboradores directos o foram pelas mesmas descobertas.António Piedade

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Mon, 31 Jan 2011 09:31:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9387/a-quimica-do-orangotango
Descoberta notável de colecção de peixes colectados no Séc. XVIII http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9338/descoberta-notavel-de-coleccao-de-peixes-colectados-no-sec-xviii

Durante os trabalhos de levantamento sistemático das colecções pertencentes à Universidade de Coimbra, com o objectivo de completar o inventário, deparámo-nos com um achado absolutamente extraordinário entre as colecções zoológicas.Guardados dentro de uma grande caixa de folha de flandres, encontravam-se 68 peixes de diferentes espécies conservados em seco, montados sobre cartão com a designação científica no sistema de Lineu, e alguns com dois nomes vulgares, um em português e o outro numa língua indígena do Brasil. Os cartões são contornados por um filete, nalguns casos preenchido a aguarela azul, com letra a preto numa caligrafia perfeita. O seu excelente modo de conservação através desta técnica descoberta no séc. XVIII, “em herbário”, em que apenas metade do exemplar era preservado prensado sobre uma folha de cartão e, depois de seco, envernizado e com esta qualidade, revelam inequivocamente a sua origem nas colecções do Real Museu da Ajuda com a caligrafia da Aula do Risco. No arquivo do Museu Bocage, existe o registo de uma importante remessa de espécimes do Real Museu para a Universidade de Coimbra datada de 1806, grande parte deles com origem na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Este registo, “Relação dos Produtos naturais e industriais que deste Real Museu se remeteram para a Universidade de Coimbra em 1806”, largamente estudado na secção de materiais etnográficos e antropológicos, refere o envio de 60 exemplares de peixes das colecções do Real Museu. Ao compararmos as designações científicas de Lineu nos exemplares, com o documento da remessa, verificamos que cerca de metade dos géneros indicados correspondem aos da colecção encontrada. Trata-se então de uma parte das recolhas que o grande naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira realizou para a coroa portuguesa na bacia do Amazonas, durante uma década, entre 1783 e 1792. Uma das mais notáveis e prolongadas expedições de naturalistas, realizadas durante o Séc. XVIII, procurando o conhecimento científico e sistemático da natureza exótica que então se descobria. As colecções enviadas para Portugal pelo naturalista, foram alvo de muitas vicissitudes, encontram-se dispersas por várias instituições incluindo uma parte levada para Paris durante as invasões francesas. Em particular, das colecções enviadas para Coimbra apenas está bem estudada a excelente colecção etnográfica dos índios da Amazónia. Neste momento, o Museu da Ciência tem em curso um projecto de investigação de história da ciência da Universidade de Coimbra, em que se procede ao estudo destas colecções fundadoras dos primeiros gabinetes universitários portugueses. A descoberta destes exemplares é absolutamente notável por se tratar de uma colecção raríssima, havendo poucos exemplares do Séc. XVIII de peixes do Brasil, montados deste modo, em todo o mundo – conhece-se um conjunto de 18 espécimes, com estas características, na Academia das Ciências de Lisboa -, além de abrir uma nova perspectiva quanto ao estudo e conhecimento das recolhas deste naturalista. É uma importante descoberta para a história natural em Portugal, para a história da ciência e para o estudo da biodiversidade, realizada mesmo no final do Ano Internacional para a Biodiversidade.

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Thu, 27 Jan 2011 13:34:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9338/descoberta-notavel-de-coleccao-de-peixes-colectados-no-sec-xviii
A primeira administração de Insulina: 11 de Janeiro de 1922 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9154/a-primeira-administracao-de-insulina-11-de-janeiro-de-1922

Publicado em "O Despertar".Antes da descoberta e purificação da molécula Insulina, a doença diabética era, na maior parte dos casos, fatal!A associação de que determinados grupos de células no tecido exócrino pancreático, identificados primeiramente por Paul Langerhans, em 1869, estavam envolvidos no processo digestivo e na regulação dos níveis do açúcar glicose no sangue, foi progressivamente estabelecida por várias gerações de cientistas. Em 1889, o fisiologista Oskar Minkowski e o médico Joseph von Mering, mostraram que se o pâncreas de um cão fosse removido o animal desenvolvia diabetes. Em 1901, Eugene Opie demonstrou a relação causa efeito entre o estado, integridade, dos grupos de células identificados por Langerhans (em sua honra denominados ilhéus de Langerhans) e o desenvolvimento da Diabetes mellitus.Nas duas décadas seguintes foram várias as tentativas em tentar isolar as secreções dos Ilhéus de Langerhans eventualmente responsáveis pela regulação da glicemia no sangue, mas sem sucesso clínico apreciável.A história da descoberta está também condimentada com alguma controvérsia em torno de quem terá sido o primeiro cientista a demonstrar a acção de extractos de Ilhéus de Langerhans na redução da glicemia e glicosúria. Entre eles estão cientistas como Georg Ludwig Zuelzer (1906), E. L. Scott (1911-12), Israel Kleiner (1919) e o romeno Nicolau Paulescu (1921). Este último foi, para muitos, o primeiro cientista a descobrir a Insulina, mas “problemas” no registo e patente da sua descoberta impediram que fosse galardoado com o prémio Nobel pelo seu trabalho.De facto, o comité Nobel atribuiu em 1923 o prémio Nobel da Fisiologia ou Medicina a Frederick Banting e a J. J. R. Macleod pela descoberta da Insulina e sua administração num humano diabético. Estes laureados, descontentes com a decisão do comité Nobel, dividiram o reconhecimento com outros dois cientistas que, segundo eles, tinham sido decisivos no isolamento e purificação da insulina: Charles Best, assistente de Macleod, e o bioquímico Bertram Collip convidado por Banting para o trabalho laboratorial “pesado” de isolamento e purificação. Deve-se a Collip a obtenção do primeiro extracto de insulina purificado a partir de ilhéus de Langerhans de fetos de bezerro. Esta foi a fonte para o extracto a ser utilizado no primeiro ser humano a ser injectado com insulina: Leonard Thompson. Com 14 anos de idade, o adolescente diabético foi injectado pela primeira vez no dia 11 de Janeiro de 1922 (há 89 anos) com um extracto impuro, o que lhe causou uma reacção alérgica severa.As injecções foram suspensas enquanto Collip não conseguiu melhorar o protocolo experimental e conseguir purificar o extracto. Conseguiu-o depois de 12 dias de intenso trabalho laboratorial. No dia 23 de Janeiro de 1922, Leonard recebeu uma injecção do novo extracto purificado o que lhe retirou os sintomas diabéticos sem lhe causar reacções e complicações indesejadas. Foi um sucesso das ferramentas laboratoriais químicas aplicadas à saúde e o início de uma nova era na bioquímica clínica.A Diabetes mellitus deixava de ser uma doença fatal e passava a ser uma doença crónica.O conhecimento bioquímico conquistava qualidade de vida onde antes a esperança morria doce.António Piedade

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Tue, 11 Jan 2011 08:45:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9154/a-primeira-administracao-de-insulina-11-de-janeiro-de-1922
O ERRO DE EINSTEIN http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9121/o-erro-de-einstein

Minha crónica no "Público" de hoje (na foto do Congresso Solvay de 1911, Madame Curie, sentada no meio, é a única mulher; Paul Langevin está de pé na extrema direita, ao lado de Albert Einstein):As Nações Unidas decidiram que 2011 seria o Ano Internacional da Química, pretendendo celebrar os extraordinários resultados obtidos por essa ciência e as suas contribuições para o bem estar da Humanidade. Para essa decisão pesou o facto de passar um século desde que foi atribuído o Prémio Nobel da Química a Madame Curie. Foi o segundo Nobel que ela recebeu, desta vez sozinha, depois de oito anos antes ter partilhado o Nobel da Física com o seu marido Pierre Curie e com Antoine Henri Becquerel. Até hoje, a francesa de origem polaca é a única pessoa que recebeu dois prémios Nobel de disciplinas científicas diferentes. Não é, por isso, de estranhar que este ano se celebre também a contribuição das mulheres para a ciência.A ascensão das mulheres na ciência foi prodigiosa no último século. Numa famosa fotografia do Congresso Solvay em 1911, Madame Curie é a única presença feminina em 24 retratados. Hoje, em muitos congressos de física ou de química, há uma representação quase paritária dos dois géneros.Em Portugal, esse progresso foi particularmente nítido. Em 1911 começou a dar aulas na Universidade de Coimbra a primeira professora do ensino superior português: a filóloga de origem alemã Carolina Michaelis de Vasconcelos, que, no ano seguinte, entrou, não sem discussão interna, na Academia de Ciências de Lisboa. No meu livro Breve História da Ciência em Portugal (com Décio Martins, Gradiva e Imprensa da Universidade de Coimbra, 2010), que fala da ciência até 1974, apenas é referida uma mulher, Matilde Bensaúde, pioneira da genética entre nós no início do século passado. Actualmente o país pode orgulhar-se não só da quantidade como da qualidade das nossas mulheres cientistas (parabéns, Maria do Carmo Fonseca, pelo Prémio Pessoa!). Temos uma das percentagens mais elevadas de mulheres na ciência na Europa e até no mundo: Portugal, nas estatísticas europeias de 2008, aparece em quinto lugar na percentagem de investigadoras, com 45 por cento, quando a média da União Europeia não chega a 30 por cento.Apesar de ter sido premonitória da chegada maciça das mulheres à ciência, a notícia da atribuição do Nobel a Marie Curie há cem anos foi ofuscada, na imprensa francesa e internacional, por um escândalo, irrompido pouco antes, sobre uma sua ligação amorosa com o físico Paul Langevin, que era seu colega e tinha sido discípulo de Pierre Curie (Madame Curie era viúva há cinco anos, mas Langevin era casado). Por obra e graça de um wikileaks doméstico, um jornal francês publicou cartas de amor entre os dois, facto que motivou um duelo à pistola entre Langevin e um jornalista (nenhum dos dois chegou a disparar). Não faltou quem denegrisse a ilustre físico-química chamando-lhe uma estrangeira perigosa para os lares franceses. E, por causa desse affaire, alguns membros da academia sueca tentaram que ela não fosse receber o prémio a Estocolmo. Mas Marie Curie não hesitou em ir, alegando que o motivo do prémio - a descoberta de dois novos elementos químicos, o rádio e o polónio - nada tinha que ver com a sua vida privada. Madame Langevin conseguiu logo a seguir o divórcio com a custódia dos seus filhos sem que o tribunal tivesse mencionado o nome da dupla laureada Nobel. Esta e Langevin (os dois a uma distância prudente na fotografia do Congresso Solvay, pois na altura o caso era escaldante) acabaram por se afastar, seguindo destinos diferentes. Mas, por uma daquelas ironias em que o acaso é fértil, os genes de um e de outro viriam a cruzar-se mais tarde, quando uma neta de Curie se casou com um neto de Langevin...E Einstein? Qual foi, afinal, o erro de Einstein? Einstein achava que as mulheres não tinham aptidão para a ciência por não serem criativas. Apesar disso, nutria sincera admiração por Madame Curie, considerando-a uma excepção à regra. Tal não o impediu de comentar a um amigo que ela “não era suficientemente atraente para ser perigosa para quem quer que seja”. Einstein cometeu erros. Mas a depreciação que fez das mulheres foi, decerto, o seu maior erro.

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Fri, 07 Jan 2011 01:30:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9121/o-erro-de-einstein
(≈) 2400 ANOS DE ATOMISMO! http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9099/2400-anos-de-atomismo

Breve apontamento saído no "Diário de Coimbra".Demócrito de Abdera (cerca 460 a.C. a 370 a.C.), filósofo grego, foi o principal expoente da escola atomista da cultura helenista. Segundo ele, o cosmos que nos rodeia é formado por um número incontável de átomos, partículas finitas e indivisíveis. O movimento dessas partículas fundamentais, de que todas as coisas seriam feitas, tem implícito a ideia da existência de vazio. Sem este vazio o movimento das partículas não seria possível, terá deduzido Demócrito. Este atomista explicava ainda a diversidade e o estado da matéria através da sua constituição por diferentes associações de diversos aglomerados de átomos. Cerca de 2400 anos depois, Rutherford coordena a experiência científica que corrobora, no geral, a ideia de átomo de Demócrito: partículas fundamentais finitas e muito “vazio”. Mas Rutherford acrescenta substância qualitativa e quantitativa ao átomo fundamental através do seu modelo atómico.Se hoje celebramos este avanço no conhecimento científico, fruto do método experimental, não podemos de deixar de referir a ideia antiga sobre a constituição do Universo. Até porque o atomismo de Demócrito "fertilizou" todo o novo pensamento científico moderno, pelo menos a partir de Galileu Galilei.António Piedade

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Wed, 05 Jan 2011 03:52:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9099/2400-anos-de-atomismo
Ano Internacional da Química http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9098/ano-internacional-da-quimica

Apontamento publicado no "Diário de Coimbra".(na foto, Marie Curie)O ano de 2011 foi proclamado Ano Internacional da Química na Assembleia Geral das Nações Unidas ocorrida em Glasgow, Escócia, no verão passado. Sob o lema “Química – a nossa vida, o nosso futuro”, os diversos eventos que decorrerão sob a égide desta atribuição serão coordenados e organizados pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC) e pela UNESCO.Com o objectivo de “celebrar as contribuições da química para o bem-estar da humanidade”, a simultaneidade deste ano com as efemérides dos 100 anos do modelo atómico de Ernest Rutherford, e do centenário da atribuição do Prémio Nobel da Química a Marie Sklodowska Curie (primeira mulher galardoada com um Nobel) pela sua descoberta dos elementos Rádio (Ra) e Polónio (Po), oferece-nos imediatamente dois pontos de reflexão. Por um lado, a ubíqua difusão da Química em tudo o que nos rodeia, desde alimentos a medicamentos, desde plásticos aos satélites artificiais que procuram existência de vida em sistemas planetários nos confins do universo, analisando os espectros de luz irradiada ou reflectida por corpos celestes e que são interpretados com base num mesmo modelo atómico. O "século do plástico" foi-o por causa dos avanços na Química dos Polímeros. Por outro lado, reflectir sobre a incontornável contribuição das mulheres no desenvolvimento científico, pelo menos ao longo do último século.Como é sabido, o Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra vai promover um programa de eventos durante este ano (QUI365), o que, para além de ser mais do que iniciativa louvável pela sua regularidade, é também uma demonstração de como o conhecimento químico deve e tem de estar cada vez mais próximo do cidadão para que este entenda melhor as transformações do mundo em que vive, dos átomos de que é feito. António Piedade

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Wed, 05 Jan 2011 03:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9098/ano-internacional-da-quimica
Exposição sobre a Sociedade Real de Londres na Biblioteca Joanina http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9096/exposicao-sobre-a-sociedade-real-de-londres-na-biblioteca-joanina

Na Biblioteca Joanina em Coimbra continua patente ao público atyé final de Fevereiro a exposição "Membros Portugueses da Sociedade Reak de Londres". A TVI, no seu "Jornal da Uma" de domingo passado, deu a nótícia ao minuto 46.50 deste vídeo.

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Tue, 04 Jan 2011 18:38:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9096/exposicao-sobre-a-sociedade-real-de-londres-na-biblioteca-joanina
ÁTOMO CENTENÁRIO http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9086/atomo-centenario

Crónica publicada no "Diário de Coimbra".(Na figura mostra-se uma imagem de uma monocamada de ouro, sobre uma superfície de mica, obtida por AFM).Comemora-se, neste ano de 2011, o centenário do modelo atómico proposto pelo físico Ernest Rutherford (1871-1937), prémio Nobel da Química em 1908. O seu modelo sobre a unidade fundamental da matéria propunha um átomo constituído por um núcleo central, pequeno e denso, carregado positivamente, ao redor do qual “orbitavam” electrões, partículas carregadas negativamente, em nuvens difusas. Cem anos depois, o modelo continua a ser, para determinados fins, uma boa aproximação à natureza do átomo. Da mesma forma que a teoria da gravidade de Newton continua a ser suficiente para os cálculos que nos permitem enviar um satélite até à Lua.Este modelo “planetário” para o átomo foi uma das primeiras associações entre a aparente semelhança na organização do sub-micro cosmos, o átomo, e os sistemas planetários cósmicos difundidos pelo Universo e de que o nosso sistema solar seria o exemplo mais próximo. Subentende que há muito “espaço vazio aparente” entre as partículas nucleares e os electrões na matéria, assim como o há entre os planetas e as estrelas que gravitam. Deixa muito espaço para a descoberta.Rutherford construiu o seu modelo a partir dos resultados experimentais obtidos com a seguinte experiência: Hans Geiger e Ernest Marsden, sob a orientação de Rutherford, fizeram colidir um feixe de partículas alfa (Niels Bohr haveria de demonstrar tratarem-se de núcleos de Hélio) contra finas camadas de folhas de ouro supostamente com a espessura de só alguns átomos. Os resultados mostravam que a quase da totalidade das partículas alfa atravessavam as folhas de ouro sem sofrer qualquer desvio na direcção da sua trajectória. Contudo, cerca de uma partícula alfa em cada 8000 sofria um desvio com um ângulo superior a 90 graus. Ou seja algumas invertiam o sentido da sua trajectória. Este desvio é compreendido se se considerar que resulta da repulsão electrostática entre a partícula alfa e um núcleo carregado positivamente. A percentagem muito baixa de partículas desviadas sustentava a hipótese de os núcleos positivos ocuparem um volume muito pequeno em cada átomo na rede cristalina da folha de ouro. Com quase toda a massa e carga positiva presente num núcleo pequeno (relativo ao volume total do átomo) e denso, quase todas as partículas alfa atravessam a folha de ouro sem colidir com algo, sem sofrerem desvios na sua trajectória.O modelo atómico de Rutherford pode considerar-se um marco fundador da Química e da Física Nuclear. A partir dele foi possível uma revolução do nosso entendimento sobre a estrutura da matéria, por exemplo, o funcionamento dos materiais semicondutores. A tecnologia que derivou do modelo atómico alterou a forma de viver no século XX e permitiu, exemplo geral, a invenção de computadores que hoje utilizamos para nos ligarmos em rede global através da internet.António Piedade

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Tue, 04 Jan 2011 04:04:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9086/atomo-centenario
ESTRANGEIRADOS EM LONDRES http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9023/estrangeirados-em-londres

Minha crónica na última "Gazeta de Física" deste ano (na figura Isaac Newton):A Royal Society de Londres, ligada ao nome de Isaac Newton e de tantos outros cientistas ilustres, está a celebrar os seus 350 anos, orgulhando-se de ser a academia científica mais antiga do mundo em funcionamento ininterrupto (outras mais antigas, como a Accademia dei Lincei, ligada a Galileu, esteve parada muito anos, ou cessaram mesmo actividade). A sua divisa é, desde o início, Nullius in verba, em tradução livre Não acredites na palavra das autoridades. De facto, o pequeno grupo de sábios que se reuniu na capital da Grã-Bretanha em 1660 estava imbuído do espírito da Revolução Científica: o conhecimento sólido devia ser comprovado pela experiência.Há uma “portuguese connection” na origem da Royal Society pois essa sociedade só é real porque recebeu carta de privilégio do rei Carlos II, que era casado com a nossa Catarina de Bragança. Nos seus três séculos e meio de vida, a Royal Society admitiu apenas 25 sócios portugueses, o primeiro dos quais logo em 1668. A maior parte das entradas dos membros portugueses ocorreu, porém, no século XVIII, o tempo do Iluminismo tão bem simbolizado pela Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, onde uma exposição evoca esses homens de ciência e cultura. Entre os nomes de maior destaque tem de se colocar João Jacinto Magalhães, o monge do Mosteiro de Santa Cruz que emigrou para Inglaterra porque não queria viver num país onde faltava a liberdade. Ele foi, no século das luzes, um dos sábios que mais contribuiu para a expansão das ideias, ao relacionar-se com Watt, Priestley, Lavoisier, Volta, Franklin, etc. Para Portugal enviou alguns instrumentos científicos de sua concepção que hoje pertencem às colecções do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra e estão patentes nessa exposição. Mas foi para Filadélfia, confiando no seu amigo Franklin, que enviou os guinéus para instituir o Prémio Magellan, um dos prémios científico-tecnológicos mais antigos do mundo e que, entre outros, distinguiu pioneiros do GPS.Magalhães (descendente do famoso navegador) não foi o único “estrangeirado” que se distinguiu no século XVIII em terras britânicas. O Padre Teodoro de Almeida, que pode ser considerado o primeiro físico experimental assim como o primeiro divulgador científico em Portugal, também se exilou, precavendo-se do despótico regime pombalino. E o mesmo aconteceu com outro padre oratoriano, João Chevalier, astrónomo que chegou a presidir à Real Academia de Bruxelas. Almeida voltou para Portugal, ajudando a fundar a Academia de Ciências de Lisboa, mas o mesmo não aconteceu com Chevalier que ficou “estrangeirado” toda a vida.Outro “estrangeirado” ficou conhecido como o “Newton português”: Bento de Moura Portugal, nascido em Moimenta da Serra, calcorreou durante anos a Europa, onde aprendeu a criar engenhos e obras hidráulicas. Tendo-se atrevido a regressar não escapou a um fim trágico: morreu nas prisões da Junqueira, em Lisboa, onde estava encarcerado às ordens do Marquês. É uma ironia da história que o Marquês de Pombal, diplomata em Londres antes de ser primeiro-ministro, tenha sido admitido na Royal Society escassos meses antes de Moura Portugal. Na exposição da Biblioteca Joanina, a ordem inverteu-se pois o visitante encontra primeiro Moura Portugal no piso intermédio, junto ao desenho da sua “máquina de fogo” publicada nas Philosophical Transactions, e só depois o Marquês, junto com os seus famosos Estatutos da Universidade, no piso inferior, no espaço que foi outrora Prisão Académica...

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Tue, 28 Dec 2010 05:05:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9023/estrangeirados-em-londres
Sobre o pensamento de António Gião http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8965/sobre-o-pensamento-de-antonio-giao

Novo post recebido de António Mota de Aguiar (na figura, Albert Einsrtein):Na terceira década do século XX, Einstein investigava uma teoria do campo unitário, que procurava resumir, numa série de equações, as leis que governam duas forças fundamentais do Universo: a gravitação e o electromagnetismo. Einstein manteve este tipo de investigação até ao fim da sua vida, embora nunca tenha obtido êxito (ainda nos dias de hoje o problema não tem solução consensual).António Gião foi um defensor da teoria da relatividade geral de Einstein, que tem a ver com o espaço, o tempo, a matéria e a energia e que tem implicações sobre a estrutura global do Universo.A 16 de Janeiro de 1946 Einstein recebeu uma carta de Reguengos de Monsaraz a propósito da teoria unitária. António Gião era o físico de Reguengos que assim se começou a corresponder com o autor da teoria da relatividade, propondo-lhe "acertos" na teoria das forças fundamentais. Para grande felicidade do físico português, Einstein respondeu-lhe com celeridade. A consideração que o físico de origem alemã mostrou ao responder rapidamente a Gião mostra bem a qualidade dos argumentos do físico português.Em 1965, ocorreu uma descoberta científica de grande significado para a astronomia: os americanos Arno Penzias e Robert Wilson descobriram uma radiação isótropa – isto é, repartida igualmente em todas as direcções – do fundo do céu. Esta descoberta veio de certo modo confirmar a teoria da relatividade geral, na medida em que esta conseguia prever que o Universo estava em expansão. António Gião, quando morreu quatro anos mais tarde, estava ao corrente das mais recentes descobertas da astronomia. Mas não pôde, infelizmente, assistir ao posicionamento de grandes e sofisticados instrumentos na Terra para observar os astros, que se seguiu na década de setenta.A noção da grandeza do Universo contribuiu para reforçar a sua ideia da “angústia existencial” do homem, mostrando-se preocupado com o que chamou “o carácter trágico do mundo”. Dizia ele que: “Qualquer que seja porém o caminho que seguir, o Homem só encontrará a verdadeira felicidade como um limite, talvez inacessível, de Conhecimento e de Amor”. Gião amava “o Belo” e, para aprofundar a sua relação com ele, serviu-se da música e, sobretudo, da poesia, revelando uma elevada sensibilidade, como podemos ler no soneto em francês que a seguir transcrevo:"Pourquoi décrire les choses que l’on aime?Parlant de toi, du ciel et des fleursOn ne fait que tracer des courbes blêmes :Tangentes fugitives du bonheur.Nous ne voulons pas que la simple imageDu souvenir de tous les jours passésSoit la fée solitaire de cette page:Aile volant vers toi par la penséeL’absence est source de schémas qui meurentDans la mémoire. Les dons de ces symbolesS’éteignent pour toujours, mais nos yeux pleurent.Depuis trop longtemps dans l’espace arideNous cherchons la nouvelle parabole:Remède intérieur de notre vide. "Em 1967, Gião escreveu umas “Considerações sobre Poesia” onde expunha as suas ideias sobre a relevância da arte na vida humana. Dizia ele:“Cada um de nós traz consigo, no mais íntimo de si mesmo, uma Mensagem que por assim dizer resume a sua Vida. Constantemente impelidos pelas exigências dessa Mensagem, tentamos exprimi-la pela acção, pelo pensamento, pela criação plástica ou ainda pelo Canto. (…) É esta a razão de ser do Canto incompleto e da Poesia, necessária ilusão da Vida Única, Objecto e imagens confundidas, Forma e Matéria transparentes, reconciliação com o Espaço, dissolução dos fantasmas do Tempo, Paraíso reencontrado. (…) Acumulando progressivamente todas as experiências interiores e exteriores, incorporando no mais fundo do ser, no Castelo interior, como dizia Santa Teresa, todas as visões espontâneas e provocadas, sintetizando, fundindo e cristalizando todas as influências que nos vão formando, depressa o nosso eu toma a forma, a substância e as cores definitivas que constituem a essência da nossa identidade. A riqueza desta substância pode manifestar-se pela irradiação do canto e da Palavra, tentativa incompleta de transformação da linguagem inefável da Mensagem em linguagem comunicável. O resultado desta tentativa é essencialmente a Poesia quando consegue revelar o Absoluto Subjectivo que reside no Castelo Interior do Poeta”.O cientista e poeta de Reguengos de Monsaraz foi um intelectual exigente e rigoroso, legando-nos um trabalho científico que hoje está, em parte, depositado na sua Casa Museu nessa localidade alentejana. Merece a nossa curiosidade.António Mota de Aguiar

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Sun, 19 Dec 2010 20:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8965/sobre-o-pensamento-de-antonio-giao
António Gião, apontamento biográfico http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8943/antonio-giao-apontamento-biografico

Post recebido do historiador António Mota de Aguiar:António Gião foi um importante cientista português do século XX. Fez o liceu em Évora e, antes de emigrar para França, frequentou durante dois anos a Universidade de Coimbra. Nascido a 1906 em Reguengos de Monsaraz, faleceu em Lisboa em 1969. Infelizmente, teve uma vida relativamente curta: tivesse ele vivido mais alguns anos e talvez tivesse tido a possibilidade de divulgar mais e melhor divulgar o seu trabalho, permitindo-nos conhecer hoje melhor a sua obra científica.A sua obra científica foi assaz relevante, uma vez que foi “desde os anos 40 e até à sua morte nos finais de 60 a figura central da Relatividade e da Cosmologia em Portugal”. Isso é tanto mais importante quanto António Gião nasceu num país de parca tradição científica e numa região pobre de Portugal, como era o Alentejo no início do século XX.Emigrou para França e, em 1927, com 21 anos, obteve em Estrasburgo o diploma de Engenheiro Geofísico. A partir daí, e até à sua morte, Gião teve um percurso profissional e científico de renome internacional: trabalhou nas Universidades de Bergen, Florença, Génova e Dublin, no Real Instituto Meteorológico da Bélgica, no Instituto Nacional Meteorológico de Paris e no Instituto Poincaré, também de Paris.Em 1960 foi nomeado Professor Catedrático da Faculdade de Ciências de Lisboa, tendo na década de 60 sido director científico do hoje extinto Centro de Cálculo Científico do Instituto Gulbenkian de Ciência.Ao longo da sua carreira de investigador, Gião deixou-nos numerosos trabalhos, em particular na área da Física Matemática, apresentou numerosas comunicações à Academia das Ciências de Paris, deu lições e conferências em várias universidades europeias tendo escrito mais de cem trabalhos de investigação, na sua maioria publicados em jornais científicos europeus e norte-americanos.António Gião foi também um amante da música e, como “um cientista apaixonado pela poesia”, deixou-nos muitos poemas, que serão aqui recordados em próxima ocasião. O cientista, poeta e humanista é um dos nossos grandes valores da nossa ciência do século XX. Não o devemos esquecer.António Mota de Aguiar

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Thu, 16 Dec 2010 18:25:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8943/antonio-giao-apontamento-biografico
EGAS MONIZ, A BIOGRAFIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8941/egas-moniz-a-biografia

Minha crónica no "Sol" de hoje:Ainda a tempo do Natal acaba de chegar às livrarias, em edição da Gradiva, uma biografia do cientista luso que, com o prémio Nobel, ganhou, no século XX, maior reconhecimento internacional: o professor de Medicina e neurocirurgião António Egas Moniz. É seu autor outro professor de Medicina e neurocirurgião, João Lobo Antunes. O autor foi sensível ao filósofo Fernando Gil, que comentou que “teria um dia de escrever um livro, e não se limitar a colectâneas de ensaios de temáticas variadas”. O livro é este. O subtítulo diz, com alguma modéstia, que se trata de “uma biografia”. Mas é, antes, “a biografia” do grande sábio.Não é preciso falar muito sobre o autor, bastando dizer que da sua pena tem saído alguma da melhor prosa ensaística em língua portuguesa. Mas convém acrescentar que, servindo-se dos seus apurados dotes de investigador, pesquisou com profundidade praticamente todas as fontes que havia sobre Egas Moniz, avaliando-as com singular espírito crítico e oferecendo ao leitor o destilado produto dessa avaliação. Fala com vivo interesse de uma personagem de quem está próximo, não só por praticar a mesma profissão, mas também por o seu pai ter sido colaborador próximo do biografado.O leitor lerá com gosto neste livro uma descrição completa da vida de Egas Moniz, desde os anos de formação, primeiro na ria de Aveiro, depois no colégio jesuíta de Castelo Branco e depois ainda na Universidade de Coimbra, até aos anos finais de fama e glória, na Universidade de Lisboa, proporcionadas pelas numerosas láureas, passando pela sua precoce carreira política e diplomática e, evidentemente, por todos os trabalhos científicos que conduziram às suas duas obras maiores: a invenção da angiografia e da leucotomia pré-frontal. Encontrará relatos de peripécias pouco conhecidas, como a sua “descoberta” dos raios X através de um trabalho académico solicitado por um mestre coimbrão, quando esses raios ainda eram novidade, ou o seu duelo com Norton de Matos, com quem mais tarde haveria de se reconciliar. Ficará a saber que Fernando Pessoa e Mário de Sá Carneiro foram doentes de Egas Moniz. A biografia tem, como assinala com ironia Lobo Antunes, sexo e violência: sexo porque A Vida Sexual foi a tese de doutoramento do biografado, que havia de tornar-se um best-seller, e violência porque ele foi atingido a tiro, já em idade madura, por um seu paciente.Lobo Antunes demora-se na descrição das invenções de Egas Moniz. Se a primeira, revolucionária na época, resistiu à erosão do tempo, a segunda tem sido alvo de críticas. O autor critica as críticas: para ele, o Nobel foi merecidíssimo. Refere mesmo o renascimento actual da psicocirurgia. Este é o livro que nos faltava sobre um dos nossos maiores cientistas!

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Thu, 16 Dec 2010 18:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8941/egas-moniz-a-biografia
Breve História da Ciência em Portugal na RTP http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8937/breve-historia-da-ciencia-em-portugal-na-rtp

No final (minuto 26.45) do seguinte vídeo contendo o programa "Com Ciência" da RTP, do dia 15 de Dezembro, da responsabilidade de Vasco Trigo, é apresentado o livro "Breve História da Ciência em Portugal" (Imprensa da Universidade e Gradiva), de que sou co-autor com Décio Martins.1ª parte do Com Ciência de 2010-12-15 - ComCiência

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Thu, 16 Dec 2010 11:07:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8937/breve-historia-da-ciencia-em-portugal-na-rtp
SOBRE "AOS OMBROS DE GIGANTES" http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8920/sobre-quotaos-ombros-de-gigantesquot

Depoimento que prestei ao JL sobre o livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores):JL- O que podem encontrar os leitores nesta volumosa obra? E que a que público se destina?CF- O volume é, de facto, grande. E grandes são também as obras que contém: obras de cinco dos maiores cientistas da história, Copérnico, Galileu, Kepler, Newton e Einstein, comentados por Hawking. Levar para casa num só volume os principais livros, traduzidos em português, destes nomes notáveis da física é uma grande tentação. O público será formado por todos aqueles que se sentirem tentado por saber mais sobre a história da ciência e por ter os clássicos da ciência perto de si. Não é um livro só para especialistas, mas também para os cidadãos com alguma curiosidade sobre a ciência. Este livro tem tido várias edições internacionais, com enorme êxito, incluindo uma edição brasileira usada para a preparação do presente volume. Tardou um pouco a vir a lume pelo cuidado que foi necessário na sua preparação, mas veio a tempo do Natal. Parece-me uma óptima prenda.JL- Como surge na coordenação científica da tradução desta obra?CF- A Texto Editores, que tem publicado manuais escolares da minha autoria, pediu-me ajuda para a edição. Era obra demais para uma só pessoa só, pelo que eu próprio pedi ajuda a alguns colegas, tendo coordenado o respectivo trabalho. Escrevi também o prefácio. Demorou a verter para o nosso português, a traduzir partes do original inglês que os brasileiros deixaram de lado e a ver provas sucessivas, que passaram pela revisão literária além da revisão científica. Há edições da Fundação Gulbenkian de alguns textos dos presentes autores, mas, salvo erro ou omissão, é a primeira vez que aparece em português moderno um texto extenso de autor tão importante como Kepler. E há a vantagem de ter todas estas obras concatenadas num só volume a um preço razoável. É uma espécie de "Bíblia" da Física.JL- Quem são estes "gigantes" a cujos ombros nos colocamos? O que resta dos seus legados científicos, numa época acelerada, em que tudo é refutado muito depressa?CF- A expressão gigantes vem de Newton, que foi quem disse: "Se consegui ver mais longe foi porque estava aos ombros de gigantes". Estava a referir-se aos astrónomos e físicos que o antecederam, tais como Copérnico, Kepler e Galileu. Newton foi ele mesmo um gigante. E Einstein foi um outro gigante que, para ver mais longe, teve de subir aos ombros de Newton. Esta pirâmide humana simboliza a construção de progresso científico. A ciência é cumulativa pois não há ciência do presente sem a ciência do passado, que ao contrário do que por vezes se pensa é em larga medida respeitada e conservada. Einstein propôs uma nova mecânica, mas esta concorda num certo limite com a mecânica de Galileu e Newton. A pirâmide não está terminada. Cem anos depois de Einstein, ainda ninguém conseguiu subir aos ombros dele. É o que Hawking tem tentado fazer. Ou o português João Magueijo... Mas Einstein continua actual. Não é, portanto, verdade que tudo seja refutado muito depressa. Quem levar este livro para casa ficará com boa parte do nosso conhecimento científico actual. Pode ver o que os gigantes viram.JL- Como avalia o estado actual da divulgação científica em Portugal?CF- Os livros de divulgação científica continuam ser muito procurados por jovens de todas as idades. Não estamos na época de ouro da divulgação científica que se deveu a Carl Sagan e outros nos anos 80, quando surgiu entre nós a editora Gradiva, mas a literatura de ciência está bem e recomenda-se. Estamos no período de Stephen Hawking, de quem a Gradiva, que já tinha lançado o fenomenal "best-seller" que foi "Breve História do Tempo", lançou há pouco um novo livro. E há novos autores que nos transmitem as "últimas notícias do cosmos". Leitores interessados pela ciência sempre houve pois a ciência tem este poder mágico de atrair os jovens de cada nova geração sem alienar as pessoas das gerações anteriores que antes foram atraídas.JL- E a crise está a afectar a produção de pensamento científico?CF- Não, de modo nenhum. O cérebro humano, que é a parte de nós que quer saber mais, não conhece crises. O pensamento novo continua a emergir, ainda que possa haver dificuldades conjunturais no financiamento de laboratórios e institutos. Nunca, na história da humanidade, existiu nem tanta gente a fazer ciência nem tanta gente a viver melhor graças à ciência. Sagan disse muito justamente o que "O nosso destino é o conhecimento". E o nosso destino continua a cumprir-se.

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Wed, 15 Dec 2010 14:10:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8920/sobre-quotaos-ombros-de-gigantesquot