outras leituras - tagged with politica http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/feed en-us http://blogs.law.harvard.edu/tech/rss Sweetcron joaojosemarques@gmail.com OUTRO GRÁFICO PARA MEDITAR http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10418/outro-grafico-para-meditar

Foi anunciado pelo Instituto Nacional de Estatística que, no último trimestre de 2010, a taxa de desemprego em Portugal atingiu um novo máximo de 11,1%. A evolução nos últimos anos pode ver-se no gráfico do economista Luís Aguiar Conraria, preparado a partir dos números oficiais, e que ainda nãop inclui os últimos dados. É um gráfico para meditar.Depois de ter meditado, o Secretário de Estado do Emprego e da Formação Profissional afirmou (transcrição no "Público" de hoje):“Durante 2010 o crescimento do desemprego desacelerou bastante em relação a 2009. Nesse sentido, falei em estabilização e mantenho essa perspectiva, estamos numa estabilização com valores muito elevados que temos de conseguir baixar”.Depois de ter meditado?

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Wed, 16 Feb 2011 12:56:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10418/outro-grafico-para-meditar
RESTOS DA GUERRA DAS ESTRELAS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10096/restos-da-guerra-das-estrelas

Destaque para a coluna do físico Robert Park:SON OF STAR WARS: THE LOBBIESTS WIN ONE MORE FOR THE GIPPER.In a 1984 in speech to the nation President Reagan called on the scientific community to render nuclear missiles "impotent and obsolete" with a futuristic missile-defense system, dubbed "Star Wars" by the media, that would use powerful space-based lasers to zap enemy missiles out of the sky. Reagan had been sold this bucket of bovine excrement by Edward Teller, a physicist well known for wild exaggeration in support of his right-wing beliefs. In 1987, the American Physical Society, released its largest and most important study, "The Science and Technology of Directed Energy Weapons." It zapped no no the Strategic Defense Initiative. It concluded that a global shield such as "Star Wars" was impossible for the foreseeable future. Nine years and $30 billion after President Reagan's 1984 speech, the Strategic Defense Initiative, having accomplished nothing, was terminated. All that's left of space-based missile defenses are artist renderings, and the YAL-1A, a gigantic chemical laser, crammed into a lumbering Boeing 747. If you ask what it's for, they reply "testing." If we learned anything from 9/11 it is that, against this enemy, sophisticated weapons are not a defense. Secretary of Defense Gates wanted the YAL-1A taken out of the budget; for the lobbyists, however, it's a pipeline into the treasury. On Monday the Obama administration will submit its budget request for fiscal 2012. I'm betting the YAL–1A will be in it. I suppose it could incapacitate an enemy with laughter.Robert Park

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Sat, 12 Feb 2011 16:38:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10096/restos-da-guerra-das-estrelas
Coimbra: licença para falhar (II) http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10036/coimbra-licenca-para-falhar-ii

Na semana passada iniciamos este conjunto de artigos, onde comecei por resumir aqueles que considero os vários problemas estruturais do nosso país. Comecei pela atitude, ou falta dela, e pelos valores que fomos abandonando. Hoje realço os restantes:Participação: participar na vida de uma comunidade é querer saber e estar informado, é debater com elevação, é avaliar, é fazer perguntas, é não aceitar respostas cheias de coisas técnicas, sabendo que quem não é capaz de explicar de forma simples então também não sabe muito bem o que está a dizer, é votar (mesmo que em branco), é perceber que em democracia a ausência de participação é uma atitude muito perigosa que tem geralmente consequências desastrosas.Cultura empreendedora e de risco: o empreendedorismo e o risco são conceitos que é necessário incutir para que adquiram uma dimensão cultural e virulenta. Isso significa formar melhor, aliando à qualidade de informação o incentivo ao trabalho individual, original e criativo, procurando alertar para a necessidade de ir para além do que é pedido, para superar expectativas, avaliando os riscos inerentes. Mas significa também enfrentar a verdadeira cultura antiempresarial e de desvalorização do empreendedorismo e do risco por parte da sociedade portuguesa, e que se manifesta na total ausência de estímulo ao risco, ao planeamento, à organização, à gestão de recursos (do tempo, por exemplo), na ausência do mercado e das suas regras nos cursos superiores (especialmente os das áreas não económicas) e no ensino secundário, na ausência de valores relacionados com a competitividade e com a gestão de oportunidades.Ética e responsabilização: são comportamentos que devem estar na base de todo a nosso estrutura organizativa. E devem ser exigidos pelos cidadãos nos organismos do Estado, nos respectivos procedimentos, no exercício de cargos públicos, nas empresas e na forma como elas se relacionam com o mercado. Crescimento, acrescentar valor: todos temos de ter a noção que não podemos passar por um assunto sem lhe acrescentar algo. É uma ideia simples, mas de muito significado e de grande alcance: na nossa atividade temos de acrescentar valor a tudo o que fazemos, melhorando aquilo que encontramos. É essa a única forma de ter um crescimento sustentado.(voltaremos a este assunto na próxima semana)J. Norberto PiresEditorial do comCentroDiário As Beiras 11 de Fevereiro de 2011

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Sat, 12 Feb 2011 01:11:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/10036/coimbra-licenca-para-falhar-ii
TRISTE PAÍS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9962/triste-pais

Com a devida vénia citamos a parte final do artigo de José Manuel Fernandes no Público de hoje, sobre o caso de uma senhora encontrada morta dentro de casa ao fim de nove anos. A morte pode passar despercebida, mas o fisco acaba sempre por encontrar o cadáver."Triste país que só se sobressalta quando, de repente, pousa o olhar sobre uma ainda mais triste praceta na Rinchoa, um daqueles subúrbios de Lisboa onde os prédios se amontoam à vista da linha férrea, prédios sem identidade e já sem cor, pousados em ruas onde os passeios chegaram depois das silvas, bairros onde se vem para dormir e, também, para morrer. Como a Augusta Duarte Martinho, que caiu um dia na cozinha e por lá ficou quase nove anos, o cãozito na varanda à espera dela até também morrer, uma vizinha inquieta, os outros nem por isso, a GNR indiferente, o tribunal surdo, o carteiro sabe-se lá, a família ainda menos. Normal? Quase: num país onde quase uma em cada dez pessoas vive sozinha, onde haverá quase meio milhão de idosos sem outra companhia que a das paredes, morrer em casa, sem ajuda, sem alarme, não surpreende. E assim ficar por nove anos? Acontece. Tinha de acontecer. Porque não há maior solidão do que a de viver de portas trancadas no meio dessas colmeias suburbanas. Porque todos estão apressados (para ver a telenovela) ou todos estão desinteressados (para não terem de abrir um auto lá na esquadra). Só o fisco não dorme. Somos cidadãos para ter um cartão que atrapalha, mas somos sobretudo servos dos impostos, súbditos do fisco, pois só ele nunca se esquece nem nunca perdoa. Como não se esqueceu de Augusta Duarte Martinho. Por isso chegou primeiro que todos os outros serviços do Estado à Praceta das Amoreiras, e chegou para tomar conta friamente de um apartamento penhorado com uma idosa morta lá dentro. Chegou com a mesma eficiência com que fez sorrir na quarta-feira um secretário de Estado meio deslumbrado. Só não chegou a tempo de salvar o cãozito e os dois pássaros. Azar do cão. E deste triste país. "José Manuel Fernandes

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Fri, 11 Feb 2011 06:23:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9962/triste-pais
Coimbra: licença para falhar (I) http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9486/coimbra-licenca-para-falhar-i

Eu gosto dos momentos de crise. São mais ou menos como o inverno; momentos tristes mas necessários. São uma oportunidade para refletir sobre o nosso trajeto de vida, e planear os ajustamentos, as mudanças e as rupturas necessárias para que haja de novo esperança. A seguir a um inverno há sempre uma primavera. É importante que sejamos capazes de transmitir uma mensagem de esperança às pessoas. Portugal tem vários problemas estruturais, que resumo nas seguintes ideias-chave (atitude, valores, participação, cultura empreendedora e de risco, ética e responsabilização, crescimento e acrescentar valor): Atitude: os países, antes de espaços geográficos, económicos ou políticos, são essencialmente as suas pessoas. Isso significa que o futuro depende em grande parte da forma como essas pessoas encaram a sua vida, se relacionam com os outros e desenvolvem a sua atividade. Atrair e fixar pessoas tem de ser por isso o nosso primeiro objectivo. E devemos estar particularmente interessados naquelas pessoas que procuram oportunidades, que as sabem identificar e têm o arrojo para definir objectivos e persegui-los com determinação. Na verdade somos todos muito bem comportados, uns “penteadinhos”, como gosto de dizer, que passamos do bibe ao fatinho numa vida toda certinha. Precisamos de mais gente “mal comportada”, isto é, gente criativa, com vertigem do risco, que vive como pensa sem pensar como viverá.Valores: deixamos cair grande parte dos valores que já nos fizeram um país grande. O valor do trabalho, da necessidade de esforço para obter resultados, do rigor, do profissionalismo, da honestidade, da palavra dada, da honorabilidade, do direito de reserva, da liberdade, do reconhecimento que é devido ao mérito e ao esforço dos outros como pedras basilares de uma sociedade saudável, justa e fonte de progresso. É preciso, de novo, colocar estes valores na essência da nossa construção social, para que de novo se tornem valores característicos da nossa sociedade, para que de novo se tornem valores culturais. Vai demorar tempo, eu sei, não é uma tarefa que possamos fazer no curto prazo, mas é necessário começar.(voltaremos a este assunto na próxima semana)J. Norberto PiresEditorial do comCentroDiário As Beiras4 de Fevereiro de 2011

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Sun, 06 Feb 2011 02:23:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9486/coimbra-licenca-para-falhar-i
FUGA DE CÉREBROS http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9428/fuga-de-cerebros

Minha crónica no "Público" de hoje:Eduardo Lourenço afirmou esta semana, numa lição dada na Biblioteca Joanina, que o acontecimento mais importante da história da Europa foi a reforma religiosa, que separou a Europa do Norte e Central da Europa do Sul e do Leste. Infelizmente, a Espanha e Portugal ficaram do lado a menor velocidade. E o fosso não parece diminuir. O governo alemão acaba de anunciar a sua intenção de promover a emigração de trabalhadores altamente qualificados do Sul e do Leste da Europa. Os engenheiros espanhóis e portugueses estão entre os alvos preferenciais de uma acção que visa prosseguir o crescimento da economia alemã: o valor de 3,6 por cento registado no ano passado foi o maior desde a reunificação! Angela Merkel encontrou-se ontem em Madrid com José Luis Zapatero para tratar, entre outras, desta questão, e José Sócrates faria bem em preparar-se para também ele discutir com ela o mesmo assunto.O problema do desemprego espanhol é bem grave. Ultrapassou já os 20 por cento e tem incidência especial entre os jovens, incluindo os mais qualificados. Por outro lado, a Alemanha precisa de ocupar com emigrantes mais de meio milhão de postos de trabalho, de entre os quais cerca de 50 000 lugares de engenheiros. É, por isso, natural que o “engenheiro Pepe” queira ir trabalhar para a Alemanha. O nome vem num título do jornal El País – “Vente a Alemania Ingeniero Pepe” – evocando um filme espanhol de 1971 – “Vente a Alemania Pepe” –, que retrata o sonho alemão nessa época na Península Ibérica: Angelito, que aparece numa aldeia aragonesa num espampanante Mercedes a gabar a Alemanha e as suas mulheres, convence Pepe a “dar o salto” e este descobre, à sua custa, que a vida de emigrante é bem menos atraente do que lhe tinham contado. Agora, são os filhos do senhor Pepe, de posse de um diploma universitário, falando o inglês e com uma experiência cosmopolita proporcionada pelo programa Erasmus, que buscam o El Dorado germânico. Dantes fugiam os braços, agora fogem os cérebros.O fenómeno da deslocação do melhor capital humano dá pelo nome inglês de brain drain. Os alemães já sofreram desse mal. A Universidade de Oxford, que antes da Segunda Guerra Mundial não conseguia competir científicamente com Cambridge, beneficiou da iniciativa de um físico inglês que sabia alemão e foi à Alemanha recolher cérebros. E os Estados Unidos beneficiaram amplamente da fuga de cérebros alemães antes, durante e após essa guerra (o engenheiro von Braun foi preso e convencido a construir foguetões do outro lado do Atlântico). Invertendo o fluxo migratório, principalmente depois da reunificação, a Alemanha passou a atrair cientistas e engenheiros, informáticos e arquitectos. Agora quer mais, de origem europeia e, portanto, mais permeáveis à cultura alemã, ao mesmo tempo que reconhece o falhanço da política de integração de trabalhadores menos qualificados, na sua maioria turcos (a chanceler Merkel não teve pejo em dizer que “ o multiculturalismo fracassou completamente”). A locomotiva da economia europeia já não quer apenas quem construa as carruagens, quer também quem desenhe os novos TGV, um verdadeiro negócio da China desde que a China se tornou compradora.Nos anos 60 e 70 partilhámos com o país vizinho um destino de emigração. Hoje, para saber o que se vai passar em Portugal, é útil olhar para Espanha, um pouco mais próximo da Alemanha. O nosso “engenheiro José”, desencantado com o desemprego, com o trabalho temporário ou com a falta de perspectivas na carreira, vai, tal como o seu colega Pepe, sentir-se tentado pela chamada alemã (não estou a falar de José Sócrates, bem entendido, pois não acredito que ele queira voltar ao seu breve passado de engenheiro). Será bom para o engenheiro José, mas não o será decerto para nós, que nos últimos anos, ajudados por fundos europeus, investimos de modo notável na qualificação dos jovens, em particular nas áreas da ciência e da tecnologia, e agora nos arriscamos a perder o retorno desse investimento. Vamos a ver o que Sócrates diz a Merkel...

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Fri, 04 Feb 2011 01:45:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9428/fuga-de-cerebros
A História da Crise http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9366/a-historia-da-crise ]]> Sun, 30 Jan 2011 10:16:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9366/a-historia-da-crise Presidente http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9330/presidente

Vejam este discurso de OBAMA sobre o Estado da União (2011). Vejam o que disse sobre energia, inovação, educação, economia, iniciativa, emprego, empreendedorismo, justiça. Vejam o que disse sobre os professores: "Queres mudar a vida do teu país, torna-te professor". Que sorte tem um país em ter um presidente assim.

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Wed, 26 Jan 2011 05:33:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9330/presidente
Um Texto Interpelante http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9310/um-texto-interpelante

Recordando Marcelo Caetanopor Luís Menezes Leitão(Faculdade de Direito de Lisboa)Fico perfeitamente siderado quando vejo constitucionalistas a dizer que não há qualquer problema constitucional em decretar uma redução de salários na função pública. Obviamente que o facto de muitos dos visados por essa medida ficarem insolventes e, como se viu na Roménia, até ocorrerem suicídios, é apenas um pormenor sem importância. De facto, nessa perspectiva a Constituição tudo permite. É perfeitamente constitucional confiscar sem indemnização os rendimentos das pessoas.É igualmente constitucional o Estado decretar unilateralmente a extinção das suas obrigações apenas em relação a alguns dos seus credores, escolhendo naturalmente os mais frágeis. E finalmente é constitucional que as necessidades financeiras do Estado sejam cobertas aumentando os encargos apenas sobre uma categoria de cidadãos. Tudo isto é de uma constitucionalidade cristalina. Resta acrescentar apenas que provavelmente se estará a falar, não da Constituição Portuguesa, mas da Constituição da Coreia do Norte.É por isso que neste momento tenho vontade de recordar Marcello Caetano, não apenas o último Presidente do Conselho do Estado Novo, mas também o prestigiado fundador da escola de Direito Público de Lisboa. No seu Manual de Direito Administrativo, II, 1980, p. 759, deixou escrito que uma redução de vencimentos “importaria para o funcionário uma degradação ou baixa de posto que só se concebe como grave sanção penal”. Bem pode assim a Constituição de 1976 proclamar no seu preâmbulo que "o Movimento das Forças Armadas […) derrubou oregime fascista". Na perspectiva de alguns constitucionalistas, acabou por consagrar um regime constitucional que permite livremente atentar contra os direitos das pessoas de uma forma que repugnaria até ao último Presidente do Estado Novo.(...)

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Mon, 24 Jan 2011 15:57:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9310/um-texto-interpelante
AEROPORTO DE MONTE REAL http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9251/aeroporto-de-monte-real

Texto recebido do nosso colaborador de outras ocasiões Armando Vieira:Com a opção do aeroporto da Ota afastada, e nível alarmante da dívida pública a por em causa a construção do novo aeroporto em Alcochete, acho que é altura de relançar a discussão sobre o tema.Os autarcas da região Centro, Oeste e Norte deveriam defender a opção Monte Real? A base aérea de Monte Real está instalada numa zona excelente que podia ser facilmente transformada num aeroporto civil. A topografia do terreno é óptima, a cintura urbana circundante não é muito densa e o impacto ambiental não seria significativo. Com a A1 a poucos quilómetros e após a conclusão da A8, os acessos rodoviários são excelentes, quer para Norte quer para Sul. A única infra-estrutura necessária seria um acesso ferroviário de qualidade, não necessariamente o TGV (outra opção de utilidade discutível). Monte Real tem ainda a vantagem de estar situado no coração de uma zona do país economicamente muito dinâmica além de ficar equidistante do Porto e Lisboa.Poder-se-ia argumentar que a zona centro não tem massa crítica para se construir um grande aeroporto. Mas porque se tem de construir um grande aeroporto com capacidade para mais de 40 milhões de passageiros ano? Não tenhamos a ilusão de transformar este novo aeroporto num hub ibérico. Esse hub já existe e está em Madrid. Barcelona, uma cidade muito maior e mais central que Lisboa, tem apenas mais 40% de tráfego aéreo. É o aeroporto de Barajas em Madrid que fica com a parte de leão do tráfego internacional espanhol.É altura de aprender com a história e deixarmo-nos de megalomanias doentias. O que o país necessita não é um super aeroporto mas um outro aeroporto de apoio à Portela. Com as várias centenas de milhões de euros gastos em obras de ampliação, a Portela terá uma capacidade de até 20 milhões de passageiros. Com um outro aeroporto, sobretudo para as companhias de baixo custo (as designadas low cost), o país ficaria perfeitamente servido.A única desvantagem de Monte Real seria a de estar longe de Lisboa. Porém, está mais que na altura de nos libertarmos das forças centralizadoras da capital. As assimetrias de poder económico entre Lisboa e o resto do país não param de crescer. Se mais investimento não for feito noutras regiões, corremos o risco de nos transformarmos num país como o Brasil, uma nação do tamanho da Europa mas onde quase metade da riqueza é produzida numa única megacidade: São Paulo. Se é o país que vai pagar o aeroporto é para servir o país inteiro que ele deve ser construído.É claro que haverá um custo pela deslocação de infra-estruturas logísticas e pelo transporte de passageiros e mercadoria entre os principais centros urbanos nacionais e Monte Real. Mas esse custo seria compensado pelo desenvolvimento do país inteiro e não apenas de Lisboa e pela qualidade de vida das pessoas que se libertassem do stressante quotidiano da capital.Armando Vieira

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Wed, 19 Jan 2011 17:40:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9251/aeroporto-de-monte-real
PÁTRIA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9220/patria

Um dos nossos leitores enviou-nos este texto de Guerra Junqueira, in "Pátria", 1896, que não estará inteiramente desactualizado:"Um povo imbecilizado e resignado, humilde e macambúzio, fatalista e sonâmbulo, burro de carga, besta de nora, aguentando pauladas, sacos de vergonhas, feixes de misérias, sem uma rebelião, um mostrar de dentes, a energia dum coice, pois que nem já com as orelhas é capaz de sacudir as moscas; um povo em catalepsia ambulante, não se lembrando nem donde vem, nem onde está, nem para onde vai; um povo, enfim, que eu adoro, porque sofre e é bom, e guarda ainda na noite da sua inconsciência como que um lampejo misterioso da alma nacional, reflexo de astro em silêncio escuro de lagoa morta.Uma burguesia, cívica e politicamente corrupta até à medula, não descriminando já o bem do mal, sem palavras, sem vergonha, sem carácter, havendo homens que, honrados na vida íntima, descambam na vida pública em pantomineiros e sevandijas, capazes de toda a veniaga e toda a infâmia, da mentira à falsificação, da violência ao roubo, donde provém que na política portuguesa sucedam, entre a indiferença geral, escândalos monstruosos, absolutamente inverosímeis no Limoeiro.Um poder legislativo, esfregão de cozinha do executivo; este criado de quarto do moderador; e este, finalmente, tornado absoluto pela abdicação unânime do País.A justiça ao arbítrio da Política, torcendo-lhe a vara ao ponto de fazer dela saca-rolhas.Dois partidos sem ideias, sem planos, sem convicções, incapazes, vivendo ambos do mesmo utilitarismo céptico e pervertido, análogos nas palavras, idênticos nos actos, iguais um ao outro como duas metades do mesmo zero, e não se malgando e fundindo, apesar disso, pela razão que alguém deu no parlamento, de não caberem todos duma vez na mesma sala de jantar."Guerra Junqueiro, 1896

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Mon, 17 Jan 2011 02:17:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9220/patria
O Sucesso de Pirro http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9190/o-sucesso-de-pirro

A taxa de juro de 6,7 por cento a que o Governo colocou ontem Obrigações do Tesouro a dez anos no mercado é “pouco menos de ruinosa”, de acordo com o economista liberal Paul Krugman.Aquilo que o Governo português classificou ontem como “um sucesso atendendo às circunstâncias”, pela voz do ministro das Finanças, “diz alguma coisa sobre o desespero total da situação europeia”, na opinião de Krugman, Prémio Nobel da Economia em 2008 e que esteve em Portugal nos anos imediatos à Revolução de 1974.Estas afirmações surgiram numa entrada no blogue deste economista no sítio electrónico do diário norte-americano The New York Times, onde qualifica como “pírrico” o leilão de obrigações de ontem e diz: “Mais uns sucessos como este e a periferia europeia será destruída.”A razão por que Krugman considera ruinosa a taxa de ontem tem a ver com a perspectiva do “fardo do pagamento de juros crescentes sobre uma economia que provavelmente enfrentará anos de uma deflação opressora” devido à dívida.(...)PúblicoE é assim que acontece.

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Thu, 13 Jan 2011 15:10:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9190/o-sucesso-de-pirro
Política num blog sobre a natureza das coisas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9166/politica-num-blog-sobre-a-natureza-das-coisas

Falar de política e de atitude cívica é uma das grandes contribuições que a ciência pode dar à democracia.As pessoas esquecem-se das suas obrigações. E demitem-se delas. Não avaliar, não querer saber, fazer de conta, ir em conversa fiada, não exigir, não responsabilizar é, em democracia, uma atitude muito perigosa. Porque permite o engano.Em democracia há momentos para avaliar. Esses momentos são as eleições e a necessária participação na vida do país. E isso não é só um direito. É essencialmente um dever! E é perigoso falhar nesse dever. Não vale a pena depois andar a apontar dedos. Se uns mentiram e enganaram, outros permitiram, outros não quiseram saber, outros não se informaram, outros foram em "clubismos", outros... falhamos todos colectivamente. Claro que com vários níveis de responsabilidade, claro que com vários graus de entendimento sobre a realidade, mas Portugal somos nós todos.Fazer perguntas e obter respostas claras não é um direito, é um dever de todos nós. Ceder nesse dever é um dos actos mais perigosos em democracia.Como dizia Francisco Sá Carneiro: "Cabe-nos cada vez mais dinamizar as pessoas para viverem a sua liberdade própria, para executarem o seu trabalho pessoal, para agirem concretamente na abolição das desigualdades. Para isso mais importante que a doutrinação, é levar as pessoas a pensarem, a criticarem, a discernirem."Quer contribuir para um Portugal melhor? Faça perguntas e exija respostas claras, como se tivesse 6 anos. Queira saber mais, a razão das coisas, leia, investigue e converse com os seus amigos e familiares. Não aceite explicações dúbias ou repletas de coisas técnicas. A natureza das coisas tem de poder ser explicada de forma simples (sem ser simplista), para que todos entendam. Se não for, então o seu interlocutor não sabe, ou não tem a certeza do que está a dizer. Não fique no curto prazo. Levante a cabeça e olhe à volta. Queira saber como se articulam as coisas, qual é o objectivo a médio e longo-prazo, ou seja, queira saber qual é o cenário (the big picture). Se fizer isso, como fazem os cientistas, as suas opções serão melhores, porque terão suporte e terão reflexão. Pode enganar-se, claro, mas a probabilidade é menor e afastou grande parte dos "enganos".Como dizia Carl Sagan, "O mundo está infestado de demónios" e a ciência é a forma mais eficaz de os combater.:-)

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Wed, 12 Jan 2011 03:27:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9166/politica-num-blog-sobre-a-natureza-das-coisas
IRRESPONSABILIDADE E MENTIRA http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9165/irresponsabilidade-e-mentira

O actual governo , tirando uma ou outra excepção, anda desgovernado. Uma manifestação de completa irresponsabilidade é o que fez à chamada "linha da Louçã", a linha férrea que serve os arredores de Coimbra e com um percurso humano. O projecto, há muito tempo em andamento, consistia em transformar essa linha num metro de superfície da cidade que servisse aquela região limítrofe. Para isso destruíram-se casas na cidade e retiraram-se carris fora da cidade (não sei se foram vendidos a um qualquer Manuel Godinho). Agora, sem mais nem porquê (os representantes do governo faltaram mesmo a reuniões onde deviam estar), o Metro foi dado por terminado. As populações estão desesperadas, pois deixaram de ter um serviço essencial e não vão ter nada em troca. A cidade deixou de ter um projecto estruturante. É como se em Lisboa tivessem destruído uma parte da malha urbana e tivessem retirado uma parte da linha de Sintra dizendo que iam fazer uma nova linha de metro e depois dissessem que afinal era tudo engano, deixando a terra e as gentes ao abandono. Sim, foi engano, foi engano daqueles que confiaram em políticos irresponsáveis e mentirosos.

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Wed, 12 Jan 2011 02:28:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9165/irresponsabilidade-e-mentira
Por favor, tenham juízo! http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9144/por-favor-tenham-juizo

Se Portugal falhar, falhamos todos.Não é só José Sócrates e o seu governo.Falhamos todos, os 10 milhões de Portugueses.Não percebo esta ideia do "quanto pior melhor", esta "partidarite" cega, verdadeiramente estúpida e infantil que usa a palavra "ELES" como se não estivéssemos todos no mesmo barco. Se isto afundar, afundamos todos. Não interessa de quem é a culpa próxima. Porque visto bem, a culpa é de todos nós.Não é só do governo nem de José Sócrates.Eles anunciaram ilusões e mentiram. Mas a maioria comprou a ilusão e aceitou a mentira. E não podem dizer que não foram avisados. Muitos avisaram. Só nas ultimas eleições, Manuela Ferreira Leite fartou-se de avisar, usou o slogan "Política de Verdade". A maioria não quis saber. Votou no mal menor, votou naquele que falava melhor, naquele que se vestia melhor e tinha melhor "marketing". José Sócrates voltou a ganhar e quase com maioria absoluta.Portugal tem de resistir. Não pode falhar. Agora não!Agora somos bombardeados por notícias que ameaçam diariamente com o FEE e com o FMI. Se isso acontecer quer dizer que PORTUGAL, NÓS, FALHAMOS. Não são ELES os socialistas, ou José Sócrates, ou o Governo. Somos NÓS, os PORTUGUESES, e PORTUGAL.Perder a credibilidade é um caminho de um só sentido.Agora é altura de cerrar fileiras pelo país. Não é por José Sócrates ou pelo Governo. Esses já morreram. Mas pelo país que somos todos nós.Tenham juízo, POR FAVOR.

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Mon, 10 Jan 2011 05:47:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9144/por-favor-tenham-juizo
O jogo dos economistas http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9120/o-jogo-dos-economistas

Habitual destaque para a crónica de J.L. Pio Abreu no "Destak":"Depois de se meterem no buraco no início de uma crise que não souberam prever, eis que se levantam, de novo, os economistas de palco cheios de receitas para os nossos males. Não os suporto. A satisfação arrogante com que nos propõem o mais miserável destino e as mais contraditórias soluções, põe-me os cabelos em pé.Senhores da fortuna e da desgraça, todos se armam em deuses, sabendo que são deuses menores porque tudo depende dos políticos que neles delegaram as responsabilidades. Mas que fazem eles, os economistas?Nos negócios e empregos que têm, eles são os actores e os principais beneficiários do jogo económico. Nas Universidades, ditam as regras desse jogo. Nos Governos ou na influência que têm, eles apoderam-se também do campo de jogo onde, por suposto, jogam todos os cidadãos.Usam palavras esotéricas, estrangeiradas, com que disfarçam os lances que executam. Nenhum deles aprendeu Matemática, e apenas lida com contas simplórias, feitas de percentagens, somas e subtracções, ao alcance de um computador ou de qualquer contabilista que conheça o significado das palavras. Mas é um jogo onde são jogadores, árbitros, donos do campo e ainda ditam as regras. Assim, qualquer um ganhava.Todo o seu discurso, no fim de contas, se destina a ocultar uma verdade que, incluindo eles, todos conhecem: a única coisa que produz riqueza é o trabalho humano. A contabilidade serve apenas para a distribuir. E mal."J. L. Pio de Abreu

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Thu, 06 Jan 2011 19:40:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9120/o-jogo-dos-economistas
O que escreveria hoje Eça de Queirós? http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9117/o-que-escreveria-hoje-eca-de-queiros ]]> Thu, 06 Jan 2011 15:36:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9117/o-que-escreveria-hoje-eca-de-queiros A Vergonha http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9081/a-vergonha

Hoje, a vergonha tem um nome: SUCH. Um relatório do Tribunal de Contas hoje tornado público revela um sem número de ilegalidades:Despesismo, prémios injustificados, falta de estudos fundamentados e desrespeito pelas regras da concorrência. Estas são apenas alguns dos problemas apontados numa auditoria do Tribunal de Contas às aquisições de bens e serviços das instituições do Serviço Nacional de Saúde através do Serviço de Utilização Comum dos Hospitais (SUCH), que foi criado em 1965 com o objectivo de rentabilizar o rendimento económico dos hospitais.Mas o que é mais espantoso é um Secretário de Estado vir dizer, na hora dos telejornais, que o caso era de 2008 e que o Governo tinha, entretanto, demitido o presidente do Conselho de Administração.Mas o que importa saber é se os 22 carros de alta cilindrada continuam ao serviço do organismo e se são usados para todo o serviço; se a lógica de pagamentos de prémios continua; se as despesas de representação continuam a ser pagas 14 meses/ano, se e se...Numa palavra: o que o senhor secretário de estado deve dizer aos cidadões é i) como foram reparados os danos e quem assumiu as responsabilidades pela gestão danosa; ii) como é hoje a situação referente aos factos relatados.Porque é intolerável esta sensação de impunidade que grassa neste país.

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Mon, 03 Jan 2011 15:01:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9081/a-vergonha
Um Portugal Novo http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9051/um-portugal-novo

Bula do Papa Alexandre III que reconhece o reino de Portugal (13 de Abril de 1179)Portugal precisa urgentemente de uma mensagem positiva, de esperança, de confiança na nossa capacidade de gerar oportunidades e de ser o país certo para ser feliz. Os nossos decisores políticos estão velhos, cansados, vivem num mundo em que a correlação com o mundo real, com os seus desafios, é cada vez menor. Não entendem o que se passa, têm muita dificuldade em perceber o que motiva uma geração nova, educada e culta, capaz de sonhar, capaz de realizar e capaz de empreender. Uma geração que procura desesperadamente uma oportunidade de ser feliz, de se realizar profissionalmente, de constituir uma vida com momentos felizes que valham a pena, tenham sentido e deixem marca. A melhor e mais competente geração de sempre está a ser desperdiçada. Essa geração não quer ouvir mais falar nessa pouca vergonha das dívidas, dos juros da dívida soberana, e de todos aqueles senhores e senhoras cheios de certezas e verdades feitas, mas que foram incapazes de um projecto de esperança para o país. Essa geração está farta de ser bombardeada diariamente com problemas de todos os tipos e com as suas negras consequências. Sabe que o país está paralisado. Está farta de incompetência, de irresponsabilidade, de corrupção, de decisões pouco transparentes, de amiguismo, de homens e mulheres providenciais, de pessoas que desistem, de não ter os melhores e os mais capazes a decidir e a realizar. Está farta de ver tudo subvertido a poderes misteriosos e obscuros. Está farta deste país cheio de esquemas, de cunhas manhosas, de coscuvilhice provinciana, onde o mérito não conta, mas tão só a qualidade das amizades e a forma como se fazem percursos sem ferir susceptibilidades. Essa geração está pronta para trabalhar e construir um Portugal Novo. Aceita todo o passivo que lhe deixam e promete resolvê-lo, mas quer mudanças profundas e quer tomar as rédeas. Sabe que terá de trabalhar e aceita ter de fazer sacrifícios, mas só se forem decisivos. E quer ser feliz. Quer poder viver a sua vida, ter um projecto de médio-longo prazo onde se possa sentir realizada e contribuir para um país mais desenvolvido, livre e solidário. Quer contribuir para essa mudança, quer reformar a maneira como vivemos, quer de uma vez por todas que se cumpra aquilo que se anunciou há 36 anos atrás, numa manhã de revolução em que se gritou liberdade e democracia, mas também se prometeu progresso, desenvolvimento, abertura ao mundo, justiça, educação, saúde, uma sociedade baseada no mérito e na capacidade de cada um, solidária e responsável, isto é, em que se prometeu a construção participada de um Portugal Novo. Essa geração é Portugal agora, em 2011. Essa geração vai embora se sentir que Portugal já não vale a pena. Parte dela já foi. Com muita pena, mas já foi. Está a sair, aos poucos. É nesse Portugal Novo, dinâmico, empreendedor, competitivo, que conhece o mundo e que representa o melhor de que somos capazes, que deve ser baseado o futuro. É por eles que esse futuro deve ser construído.É a altura.Agora. J. Norberto Pires(editorial do comCentro publicado com a edição de fim-de-semana do diário As Beiras de 31/12/2010)

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Fri, 31 Dec 2010 07:58:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/9051/um-portugal-novo
A vergonha do BPN http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8982/a-vergonha-do-bpn

Há cerca de 1 ano publiquei aqui este post: Desemprego ZERO!O estado tinha nacionalizado o BPN e a coisa resumia-se a pouco mais de mil milhões de euros, incorporando o BPN na CGD e tentando tapar o sol com a peneira.Muitos dos "economistas" e "filósofos" do regime por aqui andaram a justificar a coisa. Era um risco sistémico, o estado só estava a prestar um aval, não havia perdas para os contribuintes... havia até um dos leitores/comentadores que dizia que se calhar com isto o estado até ia ganhar dinheiro, e que a CGD ao incorporar o BPN tinha assumido as dívidas mas também ficava com os activos. Ou seja, poderia vir a ser um bom negócio.Enfim... foi o que se viu. A factura que era de 1.3 mil milhões de euros em Janeiro de 2009, está já em 5 MIL MILHÕES DE EUROS: ou seja, os "ganhos" foram de -3.7 mil milhões de euros, e o banco não vale três reis de mel coado (ninguém lhe pegou na privatização que foi tentada pelo governo). O caso BPN é, como era fácil de ver, um CASO DE POLÍCIA que nada tem a ver com a crise financeira internacional, mas sim com roubo e actividade fraudulenta: um crime nojento.Para terem uma ideia do descalabro, 5 mil milhões de euros é o que o nosso PM José Sócrates quer injectar na economia nacional para fazer com que ela recupere da "maior crise dos últimos 80 anos", ou a "maior crise das nossas vidas", como costuma dizer nos seus discursos cheios de VAZIO.Sinceramente, não podem ser os contribuintes a pagar. E o que se espera do governo é que identifique estes casos e actue na defesa dos interesses de todos, e não só de alguns. E seja competente. Fazer o que é óbvio qualquer um é capaz. Colocar os contribuintes a pagar as fraudes cometidas por por estes senhores é INACEITÁVEL.

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Wed, 22 Dec 2010 02:20:00 -0700 http://www.joaojosemarques.net/outrasleituras/items/view/8982/a-vergonha-do-bpn