É posição corrente que a cultura tem papel central no desenvolvimento psicológico do ser humano. Considerando-se o caráter plural dos contextos socioinstitucionais que participam da configuração de um contexto cultural particular, torna-se fundamental investigar como a cultura escolar participa do desenvolvimento humano, como ela influi nos processos de mudança e demarca trajetórias típicas. O presente estudo investiga a escola como contexto cultural e analisa interações espontâneas ocorridas entre alunos de 5ª e 6ª séries durante o período de recreio, a fim de compreender como a escola contribui para circunscrever um processo de desenvolvimento particular: a transição da infância à adolescência. O método adotado no estudo envolveu seções de observação de atividades cotidianas em sala de aula e no pátio de uma escola pública de Ensino Fundamental localizada na capital do Brasil. Toma-se como material de análise um episódio ocorrido durante o recreio escolar e que envolvia uma brincadeira, em grupo, de faz de conta. A análise do episódio revela a transgressão simbólica de normas escolares e as representações construídas coletivamente sobre a adolescência como seus temas centrais. As análises apontam ainda duas linhas de reflexão sobre o significado da transição para a adolescência na escola: (1) o papel das normas escolares na regulação moral do corpo e da conduta dos alunos; e (2) o papel do jogo e da experiência adolescente na transformação da ordem disciplinar imposta pelo funcionamento das escolas.Palavras-chave: Escolarização — Subjetividade — Transições de desenvolvimento.Texto integral
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Cultura escolar e práticas sociais
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September 1 2010, 12:18pm | Comments »
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Estudar para conhecer; conhecer para intervir; intervir para melhorar
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(...)Do estudo, parcialmente, realizado podemos concluir que:1. Os alunos apresentam um elevado envolvimento negativo nas tarefas escolares;2. Os pais apresentam um envolvimento positivo, com pouco significado, nas tarefas escolares dos seus filhos;3. Os alunos sentem-se pouco recompensados pelos professores quando fazem as tarefas escolares (das poucas vezes que as fazem….);4. Os alunos não gostam do ambiente de sala de aula (não gostam das aulas, não gostam do tipo de atenção que têm por parte do professor, abstraem-se facilmente e estão sempre desejando que a aula acabe).No nosso entendimento, a divulgação destes resultados levou alguns professores a adoptar novas metodologias, essencialmente centradas no aluno (e.g. aprender a aprender e aprender fazendo) que, com o aumento da responsabilização dos alunos pelo cumprimento das tarefas escolares, originou que os resultados escolares se alterassem substancialmente. Esta nova postura contribuiu, largamente, para o sucesso verificado no final do ano, ie, todos os alunos transitaram para o 12º ano de escolaridade. Aguardamos que no próximo ano lectivo quer os professores quer os alunos retomem estas práticas e esta co-responsabilização pelo sucesso académico deste tipo de população.(JCMonteiro, no âmbito de Projecto de intervenção na escola)
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June 21 2010, 10:57am | Comments »
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Será razoável querer ser o melhor aluno da aula?
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Hoje em dia, em relação ao funcionamento concreto da escola, as classificações não têm a mesma importância dramatúrgica de outrora e a selecção realiza-se com uma encenação muito mais sóbria. Contudo, a figura do melhor aluno da turma não pode deixar nenhum antigo aluno indiferente. Como é que um adulto, que foi mau aluno, poderia deixar de projectar a sua amargura ou a sua raiva sobre os actuais melhores alunos da turma? Como é que um adulto, que foi um excelente aluno, poderia deixar de ter alguma simpatia por estes alunos que se lhe assemelham? Contudo, nada mais simples ... Alguns, que certamente não foram bons alunos, lamentam não terem sido os melhores e esperam que os filhos o sejam. Outros, que estiveram no grupo dos melhores, rejeitam violentamente a obsessão da classificação que os coarctou e envenenou durante a juventude.Sociologicamente, poderíamos agora ficar pela análise das representações da excelência escolar [Perrenoud, 1984, 1986, 1987]. Adoptarei aqui um outro critério que consiste em estabelecer o inventário do que se perde e do que se ganha quando se analisa com alguma ingenuidade a ilusão do sucesso escolar [Berthelot, 1983]. HÁ PRIMEIROS E PRIMEIROSPode-se ser o melhor por acidente, sem se querer, porque alguém tem de o ser. Alguns alunos "passeiam-se" ao longo do curso com uma facilidade que deixa os adultos admirados ... e talvez invejosos. Nessa competição, onde outros têm de penar, sofrer, bater-se para serem ou continuarem a ser os melhores, eles são os primeiros sem esforço. Como censurá-los por demonstrarem que, apesar de todos os seus discursos sobre a diferenciação, a escola permanece funcionalmente incapaz de oferecer às crianças, que se afastam muito da média, situações de aprendizagem que correspondam ao seu nível? O "melhor por acidente" aborrece-se e não tem qualquer vaidade na sua facilidade, uma vez que descobre rapidamente que pode vencer sem correr riscos ... Acontece até que alunos muito "dotados" se empenham em parecer "normais" para evitarem a hostilidade de uns ou a lisonja de outros. Os melhores alunos da turma, que o são "por acidente", são, de qualquer forma, considerados como se tivessem uma espécie de comportamentos desviantes. Por isso, têm interesse em que esqueçam e perdoem a sua facilidade durante todo o tempo em que estão circunscritos à sua condição comum de alunos. Que dizer dos outros, daqueles que só podem ser os melhores à custa de força de vontade e de trabalho? Mas primeiro acabemos com alguns lugares-comuns: nem todo o melhor aluno da turma é forçosamente lambe-botas ou hiperconformista; pode-se ser primeiro sem ser sério a ponto de se tomar sinistro, sem levar uma vida monástica, sem se dar ares de ser forte no tema que lhe põem em cima da carteira e sem se ser uma negação no plano relacional. Podemos imaginar alunos a quem a condição de serem os melhores da turma não impede de serem felizes, com sentido de humor, abertos, desportivos ou atraídos pelo sexo oposto. Não nos deixemos cair na armadilha dos estereótipos - a função destes não será a de proteger a grande maioria de alunos contra a excelência de alguns? ALUNOS "QUASE COMO OS OUTROS"Alguns alunos são os melhores da turma apenas porque têm as melhores notas, porque trabalham mais, são um pouco mais inteligentes ou herdaram da família um "capital cultural que é, em termos escolares, rentável". Não há dúvida que esses alunos retiram alguns benefícios do primeiro lugar que ocupam: os louvores da família, talvez até alguma mesada suplementar, o sentimento de agradarem ao professor, a admiração dos colegas. Nada disto autoriza a falar, sem ponderação, em alienação, em obsessão pela competição ou em vontade de dar nas vistas. Pode-se ser o primeiro, trabalhando dentro dos limites do razoável, sem "sacrificar a juventude" no altar do sucesso escolar; pode-se ser o melhor e orgulhar-se de o ser sem esmagar os outros, sem se ficar inteiramente dependente dos cumprimentos e das classificações. Não sei se a vontade de ser o "primeiro" é uma "boa preparação para a vida", mas é, pelo menos, uma fraqueza muito difundida entre os adultos. Por isso, pode-se compreender que algumas crianças ou adolescentes não desdenhem estes instantes de glória. O espectáculo da nossa sociedade sugere que eles não são os únicos a gostar das homenagens, das medalhas e dos prémios de excelência. Alguns adultos orgulham-se de saber fabricar a mais longa salsicha do mundo ou de conhecerem de cor o nome de todos os vencedores da "Volta à França", outros dão nas vistas porque sabem citar o nome do operador de câmara de Metropolis ou o preço das cem sociedades mais bem cotadas na Bolsa. O nosso século mediático habituou-nos a admirar os desempenhos de qualquer tipo, sem nos questionarmos muito sobre o seu sentido. A corrida às notas boas não é certamente a mais absurda das formas de excelência e não há nenhuma razão para atirarmos a primeira pedra aos alunos que cedem à tentação de brilhar. Há que tempos que o culto do eu deixou de ser uma atitude execrável. Não viso aqui reabilitar práticas detestáveis. Quase por todo o lado a escola renunciou aos prémios, aos quadros de honra e mesmo às classificações formais mais discretas. Em muitos sistemas escolares, o primeiro da turma já só é informalmente identificado porque, à sua volta, se sabe que ele é quase sempre o melhor. Tanto melhor! Pensou-se que para se atribuir prémios era preciso recusá-los, que não havia primeiros sem últimos, que não se podia felicitar publicamente uns sem humilhar os outros. As hierarquias tornaram-se menos visíveis, por influência de diversos discursos críticos. Muitos dos professores primários sentem-se hoje naturalmente mais culpados por desvalorizarem os alunos vulgares do que por distinguirem os bons. Nem todos os pais dos bons alunos têm as mesmas hesitações: alguns não escondem que lamentam os bons velhos tempos em que os méritos dos seus rebentos teriam sido publicamente divulgados. Contudo, outros pensam, tal como muitos professores, que uma criança não pode empenhar-se razoavelmente no trabalho escolar sem recompensa ou castigo. As imagens do trabalho e do sucesso mudaram. Se é necessário prevenirmos o regresso a uma competição omnipresente, parece também dispensável perseguir qualquer tentação de nos entregarmos ao jogo da excelência. Em compensação, o que poderá inquietar-nos é que um adulto professor ou pai - possa ainda, nos dias de hoje, considerar uma boa classificação como uma garantia de qualidade: ser o melhor da turma é sensivelmente tão importante como ser o mais instruído dos passageiros do autocarro. A satisfação narcísica de ser melhor que os seus vizinhos não atesta, em maior escala, um elevado nível de competência! O MELHOR DA ALDEIA ...Se hoje em dia se deixou cair um pudico véu sobre as classificações será porque se compreendeu o seu absurdo? Nada disto é certo. Muitos professores e a maioria dos pais ainda acreditam que os bons alunos são mais instruídos que os outros e que dominam melhor os saberes essenciais. Ora, nada é mais falso. A maior parte das médias e das classificações estabelecem-se no interior de uma só turma. A esta escala, uma boa classificação não é, de forma nenhuma, garantia de um elevado nível de formação. "Tal como César, gosto mais de ser o primeiro da aldeia que o segundo em Roma", escrevia Musset. A fórmula indica às mil maravilhas que se a única aposta é ficar classificado em primeiro lugar, mais vale ser comparado com uma população limitada e de nível medíocre.Poder-se-ia acrescentar: mais vale ficar na aldeia e esquecer que uma outra competição está a decorrer em Roma, sob pena de se perder a alegria ...É claro que, de acordo com os sistemas escolares, acontece que uma boa classificação vale hic et nunc mais do que uma boa formação. Se é a classificação local que dá acesso aos cursos mais procurados do secundário, pode-se ser levado a ignorar que o primeiro aluno de uma turma fraca estaria entre os últimos numa turma forte. Mas o raciocínio é curto de vistas: não é a posição que o aluno investirá na escolaridade secundária, mas os seus recursos reais, escolares e extra-escolares. Se uma classificação brilhante esconder um nível real fraco, apenas criará ilusões durante o período de admissão a um determinado curso. Pelo contrário, um aluno classificado como medíocre, num grupo forte, terá muitos trunfos, mesmo quando a sua classificação e as suas notas pressagiem dificuldades. Vários estudos (com destaque para o de Grisay [1988]) demonstram que as notas e as classificações dos professores têm uma forte correlação com o nível relativo dos alunos à escala de uma turma, mas uma correlação muito fraca em relação ao seu nível absoluto de competência. Para além dos benefícios simbólicos que o aluno assegura no imediato, a boa classificação não garante um bom posicionamento geral porque tudo depende do nível real da turma e do estabelecimento. Podemos imaginar classificações mais fiáveis, tais como as que resultam de provas estandardizadas ou sujeitas a procedimentos de ponderação (correcção da avaliação local, em função do nível médio da turma ou do distrito). A classificação toma-se então um índice mais válido do nível real do desempenho escolar à escala de uma geração. Tomando em consideração o funcionamento de selecção e as condições de sobrevivência no secundário, há então inegáveis vantagens em se estar entre os melhores, entre aqueles que podem escolher assim como aceder aos cursos com mais procura. Será compensatório aplicar toda a energia para se ser o melhor dos melhores? A questão não é de ordem moral. Num sistema em que 95% dos alunos progridem no curso no final do ano escolar, o que é que se ganha em ser o primeiro? Põe-se a mesma questão, por exemplo, quando 70% dos alunos que deixam a sexta classe em Genebra acedem às secções mais exigentes do Ciclo de Orientação.Presume-se que, para transpor a etapa seguinte, é preferível estar entre a metade mais favorável da classificação. Mas terá mais interesse estar entre os 5% melhor classificados, mesmo em larga escala, do que entre os 25% mais bem situados? Evidentemente que pouco importa se isso representa o mesmo esforço. Porém, mesmo aos bons alunos também custa serem sempre os melhores. O QUE CUSTA SER O MELHORPara que um bom aluno se tome ou se mantenha como um excelente aluno, salvo se existir da sua parte uma facilidade pouco comum, isso custa-lhe:- trabalho, logo, tempo e energia subtraídos a outras actividades;- stress, angústia;- novas exigências ("Pode fazer melhor!");- um contrato implícito (não descer, não ludibriar professores e pais);- tensões possíveis com uma parte dos colegas;- uma fidelidade incondicional para com as exigências da escola;- uma habituação ao primeiro lugar, com o receio de o perder. Por vezes, o custo é mais dramático: condutas obsessivas, crises de angústia, tensões psicológicas destrutivas, enclausuramento no papel de bom aluno, riscos de depressão. A vontade de ser o melhor pode conduzir o aluno a sofrer da "síndroma japonesa", ou até a uma forma de patologia ou de alienação mental do foro da psicologia clínica. Nesses casos, torna-se evidente que o custo é desproporcionado. Mas não se deve generalizar: pode-se ser o primeiro da turma sem vender a alma ao diabo nem arruinar a saúde, o que não significa que dê a mecha para o sebo! Num concurso ou num exame muito selectivo, apenas entram os melhores. Mas nas escolas de hoje, no grau de escolaridade seguinte, ou, em cursos difíceis, admitem-se muitas vezes alunos medíocres. Para quê, então, ser o primeiro? Cada um é livre de apreciar se a glória e as recompensas equilibram o custo da operação. Desejamos apenas que, neste assunto, nenhum aluno seja prisioneiro das ambições e dos fantasmas dos pais, e que lhe concedam a liberdade de aquilatar os prós e os contras da situação. Certamente que há crianças e adolescentes para quem a admiração dos outros justifica importantes sacrifícios. Porquê, e em nome de que norma, recusar a quem quer que seja o direito de renunciar a lazeres e a liberdades para chegar a ser o melhor? De acordo com a sua própria filosofia a respeito do sucesso e da existência, cada um apreciará de forma diversa o sentido de uma corrida com a mira nos troféus. Para o sábio que vive desprendidamente, o sucesso social é um espelho enganador que deturpa o essencial. Pelo contrário, o gestor ou o desportista de alta comretição não concebem que se possa viver sem competir ou limitando as suas ambições. As crianças e os adolescentes herdam, desde cedo, estes valores, mas o importante é que possam vir a abandoná-los, caso não lhes convenham. É ainda necessário não confundir busca de honrarias com eficácia pedagógica. Nada permite afirmar que os "melhores" da turma sejam sensivelmente mais inteligentes ou mais instruídos que os restantes bons alunos. Alguns são-no e tornam-se primeiros sem esforço, "para além do previsto". Em compensação, os que querem ser primeiros nem sempre conseguem atingir um nível mais elevado de desenvolvimento ou de conhecimento, e isto por duas razões que têm a ver com a fabricação das notas e com a natureza do sucesso escolar. PARA ATINGIR ALGUMAS DÉCIMAS A MAIS!Na escola actual de massas, também se atribuem notas em massa. Para isso basta construir uma tabela que faça corresponder notas a um certo número de pontos ou de erros, ou a uma avaliação sintética de um determinado nível. Ora, a lógica das notas é a de utilizar toda a escala, com exclusão talvez do zero ou do um, que já não têm cotação. Um professor que nunca dê "más notas" passa por laxista e um professor que não atribui a nota máxima passa por exageradamente severo, até mesmo por sádico. A maior parte dos professores é assim levada, na maior parte das suas provas, a fabricar uma hierarquia que utilize três quartos da escala. Tecnicamente, isso não é muito difícil: basta que a prova seja suficientemente selectiva para que só uma minoria de alunos tenha alguma hipótese de a acertar completamente. Os resultados dispõem-se então numa pseudo-"curva de Gauss" que basta recortar artisticamente para obter duas ou três notas de excelente, um pouco mais de muito bons, alguns bons e muitos suficientes. O primeiro é aquele que obtém os dois pontos que o separam do pelotão dos "que vêm a seguir", nada mais. É aquele que conseguiu evitar cair numa cilada, respondeu a uma questão subsidiária ou resolveu um problema mais difícil, precisamente incluído na prova "para fazer a diferença". O desvio pode ser ínfimo, da ordem daquele que separa, no ditado de Pivot, os que dão dois erros dos que não dão nenhum. Tal como nos Jogos Olímpicos, por um centésimo de segundo um sobe ao pódio e o outro não, mesmo que as suas actuações tenham sido extremamente selpelhantes e testemunhem um nível de desempenho praticamente equivalente. UM ACRÉSCIMO DE CONFORMISMOSem dúvida que se poderá dizer: "Ter regularmente um centésimo a mais que os seus concorrentes não será precisamente a manifestação de um pouco mais de inteligência ou de saber?". Para o afirmar seria preciso ter a certeza que estes desvios reflectem aquisições duradouras e aplicáveis noutras situações. Ora, ao contrário, tudo sugere que a diferença se estabelece muitas vezes graças ao pelfeccionismo, à obsessão em não cometer nenhum erro, à imitação servil dos tiques do professor. As provas escolares apenas testam alguns saberes e um saber-fazer fundamentais. Por um lado, verificam o conformismo, a seriedade, a disciplina, a aplicação do aluno. Sabe-se também que, muitas vezes, em situação de avaliação, se pede aos alunos para voltarem a fazer exercícios do tipo daqueles que constam nos manuais ou fizeram parte do trabalho escolar quotidiano. O sucesso escolar é, então, o resultado não tanto de competências de alto nível, mas mais de uma capacidade para reconhecer índices, instruções, problemas já trabalhados anteriormente, e para mobilizar, na sua resolução, procedimentos que já foram testados num contexto semelhante. Muitas vezes, ser o primeiro, em lugar de ser o sétimo da turma, é apenas estar mais atento, e ser mais sensível às formas, mais cuidadoso, mais ordenado, e não necessariamente mais capaz de resolver um problema novo num contexto novo. Há, por isso, boas razões para pensarmos que a obsessão da classificação é um mau negócio, se a considerarmos essencialmente como garantia de uma melhor formação. O CONHECIMENTO EM VEZ DA CLASSIFICAÇÃONa escola tal como ela é, como é que nos poderemos admirar que os "consumidores da escola" [Ballion, 1982] apostem mais na classificação que no saber? É justamente esta alógica diabólica da cilada escolar [Berthelot, 1983]: quer se adira ou não à competição como valor humano, dificilmente se lhe pode voltar as costas sem consequências graves. No seu filme Os cavalos também se abatem!, passado nos anos de depressão, Sidney Pollack põe em cena os pobres concorrentes de um concurso de dança que será ganho pelo último valente que ainda se mantenha a dançar vinte e quatro ou quarenta e oito horas mais tarde! Em princípio, cada um é livre de parar quando quiser, mas então perde tudo e o seu par também ... A escola coloca todos os alunos numa situação análoga. A existência dos primeiros da turma é apenas a parte visível do icebergue, o testemunho da nossa obsessão em hierarquizar. Para romper com esta lógica, não é preciso pedir aos alunos e aos pais mais virtude. É preciso reconstruir o sistema escolar e os seus procedimentos de avaliação no sentido da pedagogia de mestria, de uma pedagogia de mestria alargada, adaptada [Huberman, 1988], mas conservando o que é, de facto, essencial: visar competências, limiares verificáveis das aquisições de cada aluno, sem a preocupação de os classificar. Quando finalmente se tiver aceitado definir objectivos e apostar numa evolução formativa, os primeiros da turma tomar-se-ão uma imagem nostálgica do tempo antigo, desse tempo em que se davam notas, no século XX ... Philippe Perrenoud, Obra citada infra
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June 7 2010, 5:14am | Comments »
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Olhar, ver, reparar, mudar, agir
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May 30 2010, 2:40pm | Comments »
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Ladrões de sentido
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Como nota Perrenoud, o fracasso escolar procede, em parte, da falta de sentido do trabalho ou dos saberes e s c o l a res. Ora, o sentido constrói-se a partir de valores, gostos, pro j e c t o se rejeições de cada um, mas também da situação pedagógica e didáctica, das relações intersubjectivas, das dinâmicas da aula, das transacções e dos contratos que se desenvolvem àvolta do saber e do trabalho escolar.Nas práticas escolares, há numerosos ladrões de sentido sempre à espreita. Eis a lista (in)completa assinalada pelo sociólogo suíço e que aqui revisitamos, prolongamos e adaptamos.1. Sentimento de insegurança, angústia, stress, ameaças (de avaliação, de ironia, de sanções). 2. Atitude distante ou humilhante do professor.3. Fraca adequação das tarefas aos alunos. 4. Pedagogia pouco activa e escassamente participativa que gera muitas vezes o tédio e o alheamento. 5. Programas rígidos, enciclopédicos, sobrecarregados e por isso impossíveis de fazer aprender para um número significativo de alunos. 6. S a b e res desencarnados, sem raízes aos contextos pessoais e sociais nem desafios.7. Saberes sem ligação às práticas sociais.8. Z a p p i n g permanente (de objectos, tecnologias, conteúdos....), jornadas de trabalho sem coesão nem coerência. 9. Falta de continuidade, coerência e de clareza no contrato pedagógico (envolvendo os vários docentes e os alunos) e nas expectativas. 10. Fraca implicação do professor no seu trabalho (escassa informação, escasso estudo/actualização, formação implicada na acção). 11. Escasso interesse das famílas na vida escolar dos educandos.12. Pouca valorização da participação os alunos na vida escolar.Estes são alguns dos dispositivos e posturas que ameaçam o sucesso d o s alunos. Mas há também l a d r õ e s de sentido do trabalho docente. Numa próxima vez, far-lhes-emos uma visita.
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December 11 2009, 4:38pm | Comments »
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Devia ser "obrigatório" dar sempre voz aos alunos
http://terrear.blogspot.com/2009/11/devia-ser-obrigatorio-dar-sempre-voz.html
A “stôra” estava sempre a falar e eu dizia: “oh “stora” não entendo…” Ela dizia: “Tu não entendes porque não estás a prestar atenção. Tás a olhar para o lado. E nos ficávamos feitos estúpidos a olhar para ela… Mas o que se passa aqui; que “stora” é esta?…”. Era uma “stôra” excelente! Fala devagar e explica muito bem e os outros “stores” não.
November 29 2009, 9:20am | Comments »
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Sentiments de justice des élèves de 15 ans en Europe
http://terrear.blogspot.com/2009/11/sentiments-de-justice-des-eleves-de-15.html
L’étude de l’équité des systèmes éducatifs peut se baser sur des inégalités objectives, produites au moyen d’indicateurs objectifs [GERESE 05]. Cependant, si être objectivement traité de manière équitable est primordial, le fait de ressentir ce traitement comme équitable est tout aussi important [GRISAY 97] [MEURET et MARIVAIN 97]. Cet article présente les premiers résultats d’une enquête par questionnaire à visée comparative réalisée dans cinq pays européens, portant précisément sur cet aspect subjectif de l’équité que sont les sentiments et critères de justice des élèves de grade 9 [GERESE 08]. Les résultats montrent que les élèves ne rejettent pas l’école comme un lieu d’injustice flagrant. Une analyse plus détaillée montre cependant certaines tensions entre les critères de justice des élèves et leurs sentiments, ainsi qu’une certaine tendance de certains groupes d’élèves, en particulier ceux relatant de faibles résultats scolaires, à se sentir traités moins justement que les autres. Ces premières observations montrent la nécessité d’analyses complémentaires sur la base des données de l’enquête.MOTS-CLÉS : systèmes éducatifs, équité, sentiments de justice, enseignement secondaireTexto Integral
November 22 2009, 9:40am | Comments »
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Do aprender, do ensinar, dos exames, no dia de aniversário
http://terrear.blogspot.com/2009/11/do-aprender-do-ensinar-dos-exames-no.html
Este é um excerto de um texto do "caderno da turma" escrito há 8 anos, por uma ex-aluna minha. Quis o destino que ontem encontrasse a mãe que me relevou que tinha sido professor da sua filha, nos 3 anos do secundário. E que hoje ela fazia anos. Ana Patrícia, economista e que trabalha na Salvador Caetano. Como forma de lhe dar os parabéns aqui inscrevo um breve pormenor de um texto que muito me marcou. (aliás, o meu corpo deve estar cheio de marcas...)
November 15 2009, 6:32am | Comments »
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Fantástica Mensagem (que devia ser passada no debate sobre o programa de Governo, com os presentes todos em silêncio)
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November 5 2009, 9:51am | Comments »
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Guia de Sobrevivência
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Behavior Survival Guide for KidsBonus Materials: “Resources for Grown-Ups.”An annotated list of books and teaching materials, publishers, Web sites, and organizations that is not available in the book itself. Six pages.BSGKids.pdf
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October 7 2009, 1:40pm | Comments »

