O stress afecta, seguramente, os alunos e a sua aprendizagem. Como se encontra descrito em Nature Neuroscience (1998) por Sonya Lupien, professora na Universidade McGill de Montreal, os elevados níveis de cortisol, produzidos por um stress prolongado, provocam o encolhimento do hipocampo acabando por resultar num enfraquecimento da memória. É fácil compreendermos como um aluno poderá ter dificuldades em memorizar a tabuada se ele ou ela estiverem preocupados com uma vida familiar violenta. Se um aluno se sentar a olhar para o relógio, amedrontado com a hora do recreio devido a uma provocação diária dos colegas, o professor não pode esperar ter a atenção total da criança na aula.Os professores podem ajudar os alunos a lidar com o stress de diversas formas. Primeiro, um professor pode ajudar o aluno a ganhar controlo de situações causadoras de stress. O stress emana geralmente do medo. Ao fomentar a confiança e a sensação de poder do aluno, o professor constrói o controlo do aluno sobre muitas situações e assim contribui para reduzir o stress. Embora os educadores não possam necessariamente eliminar os elementos de stress das vidas dos seus alunos, podem ajudá-los a limitar alguns desses elementos e os seus efeitos. O simples facto de ter um professor que os escuta já pode ajudar muitos alunos a lidar com a pressão. Os professores podem referenciar os alunos a um orientador vocacional ou a um psicólogo para assistência. Podem ensinar aos alunos competências de relaxamento ou de coping para lidarem com as reacções físicas e emocionais que têm perante situações de tensão. Em casos de abusos, os professores devem relatar as suas suspeitas à polícia, à assistência social ou ao administrador da escola conforme for mandatado pela lei local ou estadual. Uma outra forma que os professores têm para ajudar os alunos a lidar com o stress é criando um ambiente, verdadeiramente, seguro na sala de aula e na escola. O ambiente de sala de aula é discutido mais à frente neste capítulo.Obra citada infra
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Alunos, stress e aprendizagem
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December 4 2009, 3:01pm | Comments »
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Sete Fundamentos Compatíveis com o Cérebro
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- Bem-estar Emocional e Ambiente SeguroDe que forma estão as emoções dos alunos ligadas à memória e à aprendizagem? De que modo o stress e as emoções afectam a aprendizagem dos alunos?Os professores podem estabelecer um ambiente na sala de aula e na escola que seja divertido e seguro e, como tal, mais compatível com o cérebro para a aprendizagem.2. O Corpo, o Movimento e o CérebroPor que razão o oxigénio, a água, o sono, determinados alimentos e o movimento afectam os cérebros dos alunos e as suas aprendizagens?Os professores podem fazer adaptações nas suas salas de aula e ensinar técnicas e informar os pais sobre temas relacionados com a saúde a fim de ajudar as crianças a aprender.3. Conteúdo relevante e as Opções dos AlunosPor que razão o cérebro recorda algumas informações e competências mais prontamente do que outras? Como, quando e porquê devemos oferecer opções aos alunos?Os professores podem envolver emoções e relacionar a nova informação com um conhecimento prévio a fim de tornar a aprendizagem mais significativa para os alunos. Podem também aumentar a motivação e a memória e compatibilizar níveis de capacidade e estilos de aprendizagem oferecendo opções aos alunos. São fornecidas informações, estratégias práticas e exemplos de sala de aula numa aprendizagem baseada em projectos, inteligências múltiplas, estilos de aprendizagem, avaliações diferenciadas e no envolvimento dos alunos na tomada de decisões.4. Tempo, Tempo e mais TempoQuais os três elementos de tempo que afectam, dramaticamente, o quando e o quão bem os alunos aprendem?Os professores podem utilizar os três elementos de tempo (tempo para a execução, tempo para a compreensão e os períodos de aprendizagem oportunos na vida de uma criança) na sala de aula para aumentar a aprendizagem.5. Enriquecimento para o CérebroSerá o enriquecimento apenas para crianças dotadas?Os professores podem elevar a aprendizagem de todos os alunos através da utilização de várias práticas de enriquecimento, desde o uso de música nas aulas até à exposição de boletins num quadro.6. Avaliação e FeedbackQuais as formas de avaliação que são (ou não) compatíveis com o cérebro?Os professores podem fazer uso de formas de avaliação que ampliam o processo de aprendizagem. O feedback deve ser expedito, específico, de uma variedade de origens e incorporado no processo de aprendizagem.7. ColaboraçãoComo e porquê aprendem os alunos, efectivamente, através da colaboração com outros, sejam adultos ou pares?Para optimizar a aprendizagem na sala de aula, os professores podem aplicar o facto do cérebro humano ser um cérebro social.À medida que os cientistas descobrem mais sobre o modo como o cérebro aprende, os educadores vão sendo libertados do balançar do pêndulo das práticas de instrução que vão e vêm. O conhecimento e a compreensão da investigação sobre a forma como o cérebro humano aprende permite aos educadores tomarem decisões informadas acerca do que constituem as melhores práticas nas nossas escolas e para as nossas crianças. A aprendizagem baseada no cérebro não é uma moda. A expressão “baseado no cérebro” pode até ter sido a nova e contagiante frase quatro ou cinco anos atrás. A expressão pode até estar a esvanecer-se na popularidade à medida que lemos estas linhas. Contudo, isso não significa que o ensino em concordância com o modo como o cérebro aprende esteja a passar de moda. Ao aprender ainda mais acerca das capacidades de aprendizagem do cérebro e das suas funções, os educadores continuarão a melhorar os seus métodos de ensino a fim de estabelecerem a correspondência com as novas descobertas. Na realidade, se ou quando o uso da expressão “baseado no cérebro” ou “compatível com o cérebro” cair em desuso deverá ser considerado como um sinal de sucesso. Poderá significar que ensinar com o cérebro em mente foi, finalmente, institucionalizado. Não necessitaremos de criar um slogan mobilizador para demonstrar que estamos a aplicar a biologia da aprendizagem em determinados locais ou circunstâncias porque a estaremos a aplicar em todos os momentos do nosso processo de ensino e de aprendizagem. A aprendizagem compatível com o cérebro possui uma base clínica e fisiológica e este conhecimento acaba por contribuir para ajudar os educadores a afastarem-se de inovações que vão estando em moda, mas que são ineficazes na prática. O Cérebro e a Bioquímica e as Aprendizagens Eric Jensen3,50 € (com IVA 5%) (mas deve estar esgotado)
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December 4 2009, 2:37pm | Comments »
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Ensinar a quem não quer
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Uma das chamadas obras de misericórdia alterou o clássico enunciado de ‘ensinar a quem não sabe’ para outro mais exacto e mais verdadeiro: ‘ensinar a quem não quer’. De facto, nas escolas surgem agora alunos e alunas que não querem aprender e que não estão dispostos a que haja quem o faça. ‘Ensinar quem não tem vontade de aprender é semear um campo sem o lavrar.’ Como ensinar quem não quer aprender? (Santos Guerra, 2003)Eis uma das missões (im)possíveis dos professores. Ensinar a quem não quer, na escolaridade obrigatória e mesmo no Ensino Secundário é um dos maiores desafios que se coloca à acção docente.Porque quem não quer sempre perturba a aula, ora com o tédio ostensivo, ora com a indiferença, por vezes, com o escárnio e o absoluto alheamento. Um dos maiores desafios e um dos maiores tormentos. Pois, nessas circunstâncias, o professor vê que não toca esse ser ausente, que não cumpre a sua missão de ensinar. Sente-se então um inútil e em parte co-responsável por manifesto insucesso.Como ensinar a quem não quer aprender?Inquirir das razões essa ausência; interpelar, insistir para que esse sujeito ausente volte ao círculo da aprendizagem, ligar a matéria à vida, fazer de cada aula uma oficina onde sempre se faça alguma coisa diferente da escuta passiva; variar estratégias, inventar desafios, expressar expectativas positivas e verosímeis, instalar um clima de confiança nas possibilidades de progresso; desatar os nós da indiferença, criar novos laços, mostrar a pertinência e relevânciado que se pretende ensinar (às vezes, missão bem difícil…).Para ensinar a quem não quer é preciso recorrer a todos os ensinamentos de todas as pedagogias, desde as mais antigas até às mais recentes. E sobretudo tecer os laços que possibilitem um trabalho docente mais colaborativo, onde as vozes dos professores e dasprofessoras possam emergir para dizerem o que sabem, o que não sabem, o que sentem, o que precisam. Porque, face às muitas missões (im)possíveis, nós, professores, somos a única força, o único alento, (quase o) único remédio para a sobrevivência profissional. Que bom seria que soubéssemos isso. Que sentíssemos isso. Nessa altura a nossa vida começariaa ser um pouquinho diferente e melhor.
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December 2 2009, 12:41pm | Comments »
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Braille, 200 anos
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:3 a 13 de DezembroO dia 3 de Dezembro é, desde 1998, o "Dia Internacional das Pessoas com Deficiência".Trata-se de uma data comemorativa internacional promovida pelas Nações Unidas, com o objectivo de promover uma maior compreensão dos assuntos relacionados com a deficiência.Para assinalar esta data, que ocorre no ano em que se celebram os 200 anos do nascimento de Louis Braille (1809-1852), o Museu da Ciência promove diversas iniciativas numa semana dedicada às pessoas invisuais, seus familiares, professores e educadores, mas também ao público em geral.3 de Dezembro | 15h00APRESENTAÇÃO DE UM TRADUTOR DE TEXTO COM ANOTAÇÕES MATEMÁTICAS PARA BRAILLE TÉCNICOMiguel Filgueiras, Universidade do PortoNo intuito de facilitar a produção de textos em Braille por parte de quem não conhece essa notação foi desenvolvido um programa que traduz textos com anotações matemáticas para Braille. Nesta sessão serão descritos o modo de usar o programa, as suas limitações e possíveis melhorias a introduzir.MATERIAIS INTERACTIVOS DE MATEMÁTICA PARA INVISUAISManuel Arala Chaves e Ana Cristina Oliveira, Associação AtractorA Associação Atractor - Matemática Interactiva planeou e construiu materiais interactivos de matemática para serem utilizados por alunos invisuais nas escolas e também por visitantes invisuais de exposições de matemática e adaptou outros, já existentes para alunos de visão normal.Entre estes últimos, referimos alguns jogos frequentemente usados no Ensino Básico / Secundário, como o Jogo do 24 ou dominós de fracções e de geometria - que foram adaptados, por forma a poderem ser usados simultaneamente por alunos invisuais e alunos não invisuais.Foi ainda criado material que permite veicular ideias sobre os diferentes tipos de simetria (translações, rotações, reflexões, ...) e sobre a sua utilização na classificação dos frisos e padrões.10 de Dezembro | 17h00APRENDER A EDUCAR CÃES-GUIAS PARA CEGOSFilipa Paiva, Associação Beira Aguieira de Apoio ao Deficiente VisualUm cão-guia para cegos é geralmente um labrador de raça retriever, educado durante dois anos para conduzir o seu dono em segurança nas suas deslocações. Ele evita que o seu dono choque com obstáculos, ajuda-o a encontrar a entrada dos locais onde pretende dirigir-se, procura um multibanco ou um telefone público, encontra a passadeira para peões e até impede que pise poças de água e excrementos de outros animais.Nesta sessão, que conta com a presença de um cão guia, vamos aprender como se faz a sua educação e como cada um de nós pode participar directamente nessa formação.13 de Dezembro | 11h00DESCOBRE COMO É VER COM AS MÃOSManuel Arala Chaves e Ana Cristina Oliveira, Associação AtractorAna Cristina Abreu, Luís Barata e Lucília Vicente, Apoio Técnico-Pedagógico a Estudantes Deficientes (ATPED)Já alguma vez tentaste identificar um objecto apenas pelo tacto, sem usares a visão? Será que consegues distinguir só pelo toque um quadrado de um triângulo, um hexágono de um octógono, um ovo de uma esfera? E será que consegues distinguir só pelo tacto uma esferográfica de uma pen-drive, um baton de uma caneta de feltro? Uma pinha de um búzio? E será que consegues identificar padrões e simetrias se não puderes olhar para eles? Sabes o que é o alfabeto braille? Sabes como se escreve o teu nome em braille?Nesta sessão serão ainda apresentados diversos materiais didácticos e jogos matemáticos que podem ser usados simultaneamente por visuais como invisuais.Sessão integrada no Programa Ciência em Família3 a 13 de DezembroVER COM AS MÃOS - OBJECTOS DE HISTÓRIA NATURALVem identificar objectos de história natural pelo tacto e descobre a relação que existe entre eles. Se souberes Braille a tarefa vai ser facilitada pois cada objecto tem uma legenda em relevo e um curto texto em Braille.
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December 2 2009, 7:28am | Comments »
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Da Pedagogia
http://terrear.blogspot.com/2009/11/da-pedagogia.html
Excerto de uma crónica de Philippe Meirieu:En travaillant sur ces lignes de clivage, j’ai montré qu’il ne suffit pas de mettre un élève « en activité » pour qu’il apprenne quelque chose. Il faut distinguer ce qu’on lui fait faire (la tâche, nécessaire et visible, mais, en réalité, fugace) et ce qu’il doit apprendre (l’objectif, largement invisible, mais qui représente un vrai progrès intellectuel durable). J’ai expliqué que toute situation d’apprentissage doit articuler la recherche, la formalisation et l’application. Enfin, j’ai toujours dit que, si l’utilisation d’objets sociaux ou de préoccupations spontanées des élèves restait possible, il était important d’amener les élèves vers les œuvres littéraires et les modèles scientifiques qui leur permettent d’accéder à la véritable culture, celle qui relie ce que chacun a de plus intime avec ce qui est le plus universel.De plus, face aux conceptions de « l’enfant computer » qui enrôlent aujourd’hui les neurosciences pour réduire l’enseignement à des batteries de tests, devant les obsessions technicistes d’un système qui s’obstine à « piloter par des résultats » purement quantitatifs, j’ai souligné qu’aucun savoir n’est réductible à une somme de compétences et qu’il faut se garder de transposer le modèle pharmaceutico-médical dans l’enseignement : ce serait le réduire à l’administration individuelle de remédiations à partir d’un diagnostic improbable, sans travailler sur la dynamique culturelle qui permet à un sujet d’investir du désir dans du savoir.En réalité, j’ai toujours plaidé pour une pédagogie de la transmission… dès lors qu’on ne la confond pas avec l’inculcation. Pour une pédagogie de l’autorité… dès lors qu’il ne s’agit pas d’imposer les caprices de l’adulte pour « avoir la paix ». Pour une pédagogie du travail… dès lors qu’on aide à en découvrir progressivement la signification. Pour une pédagogie de la rigueur et de l’exigence… dès lors que cela s’inscrit dans le quotidien des pratiques et que, par exemple, on ne se contente pas de mettre une mauvaise note à un mauvais devoir sans chercher à faire progresser son auteur. Tout cela au nom du principe de l’éducabilité de tous – sans lequel l’éducation bascule dans le darwinisme social – et du principe de la liberté de chacun – sans lequel elle bascule dans le dressage. Il s’agit bien de créer obstinément les conditions les plus favorables pour que chaque élève engage sa liberté d’apprendre.Texto integral
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November 22 2009, 11:29am | Comments »
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Um currículo perfeito
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Certo dia, os animais do bosque decidiram fazer algo para enfrentar os problemas do mundo novo e organizaram uma escola. Adoptaram um currículo de actividades que consistia em correr, trepar, nadar e voar e, para que fora mais fácil ensiná-lo, todos os animais se matricularam em todas as disciplinas.O pato era um aluno destacado na disciplina de natação. De facto, era melhor que o seu professor. Obteve um suficiente em voo, mas em corrida não passou do insuficiente. Como era de aprendizagem lenta em corrida, teve que ficar na escoladepois do fim das aulas teve que abandonar a natação para poder praticar a corrida. Estes exercícios continuaram até que os seus pés membranosos se desgastaram, e então passou a ser apenas um aluno médio em natação. Mas a mediania era aceitável na escola, de modo que ninguém se preocupou com o sucedido excepto, como é natural, o pato. A lebre começou o ano lectivo como a aluna mais distinta em corrida mas sofreu um colapso nervoso por excesso de trabalho em natação. O esquilo destacou-se na disciplina de trepar, até que manifestou um síndroma de frustração nas aulas de voo, em que o seu professor lhe dizia que começasse desde o chão, em vez de o fazer de cima de uma árvore. Por último, ficou doente com cãibras por excesso de esforço, e então, classificaram-no com 12 em trepar e com 8 em corrida. A águia era uma aluna problemática e teve más notas em comportamento. Na disciplina de trepar, superava todos os restantes alunos no exercício de subir até a copa da árvore, mas insistia em fazê-lo à sua maneira.Ao terminar o ano, uma enguia anormal, que podia nadar de forma excelente e também correr, trepar e voar um pouco, obteve a melhor média e a medalha para o melhor aluno...Esta fábula ajuda-nos a reflectir sobre a diversidade de alunos e de alunas numa escola que tem na homogeneização o seu caminho e a sua meta. A "criança tipo" é um rapaz de raça branca que fala a língua hegemónica, que é católico, saudável, sem deficiências... numa palavra, normal. É para ele que se dirige o discurso e é ele quem é proposto como modelo para todos (e, curiosamente, para todas).Sempre se viveu a diferença como uma marca, não como um valor. Procurou-se a homogeneidade como uma meta e, ao mesmo tempo, como um caminho. Os mesmos conteúdos para todos, as mesmas explicações para todos, as mesmas avaliações para todos, as mesmas normas para todos.Curiosamente, argumentava-se com a justiça como fundamento dessa uniformidade. Sem dar-se conta de que não há maior injustiça do que exigir o mesmo a indivíduos tão diferentes. Não é justo exigir que percorram o mesmo trajecto, em tempos exactos, um coxo e uma pessoa em perfeito uso das duas pernas. A injustiça é ainda maior quando as diferenças são cultivadas, procuradas e impostas. Voltando ao exemplo da corrida: seria razoável exigir um percurso igual a quem pode correr sem obstáculos e a alguém a quem se atou a um pé uma enorme bola de ferro? A bola de ferro de ser mulher, de ser pobre, de ser cigano, de ser imigrante...A diferença é consubstancial ao ser humano. Somos únicos, irrepetíveis, em constante evolução. Se um centímetro quadrado de pele (as impressões digitais) nos torna diferentes de milhares de milhões de indivíduos, o que fará a pele inteira? E o que se passará com o nosso interior, cheio de emoções, dúvidas, credos, valores, conflitos...? Disse uma vez que há dois tipos de crianças: os inclassificáveis e os de difícil classificação. Como é possível que tratemos todos por igual? Diferenciam-nos as atitudes, as capacidades, as emoções, a cultura, a religião, a raça, o sexo (e o género), o dinheiro... Nem todas as diferenças são do mesmo tipo e nem com todas elas se deve proceder da mesma forma.(…)A intervenção diferenciadora é ética já que não há nada mais injusto do que tratar como iguais os que são radicalmente desiguais. Isso supõe um conhecimento de como é cada indivíduo, de como é o seu contexto e a sua história. Isso exige uma actuação metodológica e avaliadora que se adapte às características de cada um.Miguel Ángel Santos Guerra (2003). No Coração da Escola.
November 19 2009, 3:04pm | Comments »
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Criar Zonas de Desenvolvimento Próximo essencial saber
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Zonas de desenvolvimento próximo_CE_SUP185
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November 19 2009, 2:28pm | Comments »
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A Diferenciação Pedagógica (nos conteúdos, processos e resultados) não melhora apenas a aprendizagem, mas o potencial de aprender
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Aqui.
November 8 2009, 9:12am | Comments »
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Facts and fallacies: differentiation and the general education curriculum for students with special educational needs
http://terrear.blogspot.com/2009/11/facts-and-fallacies-differentiation-and.html
As policy makers and educators respond to legislation promoting the inclusion of students with disabilities in general education classrooms, there is sometimes confusion about why this is being done and how it can be accomplished effectively. In this article, two categories of fallacies, or misunderstandings, are identified. The first fallacy is that students with disabilities are incapable of learning the general education curriculum. The second fallacy is that teachers are required to 'cover' the entire curriculum, sometimes at a pace that leaves students with and without disabilities behind. Facts are presented following each fallacy. These facts describe research-based pedagogies effective for students with and without disabilities, indicating that students with mild disabilities can learn the general education curriculum when responsive pedagogies are used. These facts also describe how schools that promote differentiation can potentially achieve higher scores on large-scale assessments than schools that promote 'one size fits all' instruction.Fonte
November 8 2009, 9:09am | Comments »
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O esforço e a dedicação valem sempre a pena
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Ana Almeida, a aluna de que se fala no texto Estamos completamente isolados concedeu uma entrevista ao De Rerum Natura. Trata-se, como o leitor poderá perceber, de um depoimento que traz luz, esperança ao nosso panorama de ensino.P: Começo pela pergunta que fiz ao seu colega Afonso, que antes de si, no ano passado, participou no European Student Competition in Ancient Greek Language and Literature, tendo ambos sido premiados: O que significou para a Ana a paticipação neste concurso?R: Mais do que enriquecimento académico e cultural, a participação no concurso trouxe-me um profundo enriquecimento pessoal. Na verdade, desde a intensa preparação do exame nas aulas – com a ajuda dos meus colegas e, especialmente, da incansável minha professora, sem a qual nada disto teria sido possível e a quem estou eternamente grata – até à viagem à Grécia, aprendi muito, vivi muito, senti muito. Foi, no fundo, a prova de que o esforço e a dedicação valem sempre a pena. Especialmente quando se trata de algo que para nós tem significado.Os textos estudados – duas partes dos Memorabilia, de Xenofonte – foram um incentivo maior.Em primeiro lugar, pelo desafio que representavam a nível linguístico, tendo em conta que exigiam um conhecimento superior àquele que nós possuíamos. Sim, foi necessário estudar bastante, investir muito tempo, dar voltas e voltas a pequenos fragmentos de frase, às vezes com uma palavra só… Porém, no fim, quando conseguia decifrar o que estava à minha frente, o sentimento de missão cumprida, o tomar de consciência de que, afinal, era capaz, posso mesmo dizer, o orgulho que sentia em mim própria, compensava todo o suor gasto. Além disso, não posso deixar passar em branco o próprio conteúdo dos textos. Baseados nos valores e princípios da educação na sociedade grega, tiveram, claramente, um teor educativo também, que eu apreendi e que é sempre importante na construção pessoal.Por fim, a viagem à Grécia foi a «cereja em cima do bolo». Foi o reconhecimento e a recompensa objectiva de todo o esforço e empenho dos quais eu já me sentia, no entanto, recompensada. A partilha de experiências com as pessoas que lá conheci, essa é indescritível. Na verdade, significou que não estava sozinha, que não pertencia a um mundo aparte, mas sim a um mundo onde as Clássicas são reconhecidas e valorizadas. Esse sim, foi dos melhores prémios que eu, enquanto pessoa e estudante, pude ter.P: Que lugar têm as Clássicas na sua vida?R: As Clássicas foram uma das descobertas mais importantes que fiz até hoje. Não foram apenas as minhas disciplinas preferidas, foram, acima de tudo, uma aprendizagem fundamental na minha formação como aluna e pessoa. Actualmente, com muita pena minha, não as tenho tão presentes na minha vida pois encontro-me na faculdade, num curso onde não as estudo. Contudo, nunca são esquecidas. Tanto o grego como o latim, transmitiram-me conhecimentos que podem ser aplicáveis todos os dias – a nível de linguagem, de cultura e de valores; porque, mais do que regras gramaticais e traduções, trata-se do estudo de uma sociedade na qual assenta a nossa e cujos hábitos, organização social, crenças e princípios – todos eles intemporais - são a base que hoje nos sustem. As Clássicas têm uma beleza intrínseca que apenas pode ser reconhecida quando são estudadas e quem as estuda por gosto, sente essa mesma beleza e jamais a esquece. É por isso que, de uma forma ou de outra, sei que me acompanharão sempre ao longo do meu percurso.
November 6 2009, 2:39am | Comments »
