O terceiro dilema é: a escola como serviço ou como instituição? Grande parte dos debates e das políticas educativas hoje tende a ver a escola como um serviço que se presta às famílias, às crianças, menos como uma instituição. 0 que é mais grave: a agenda comunitarista por um lado, a agenda liberal por outro e ainda a agenda da privatização tendem a ver a escola como um serviço que se presta a alguém e não como um lugar onde se se institui a sociedade, a cultura, onde nos instituimos como pessoas, onde nos instituímos dos nossos direitos próprios, e conseguirmos, a partir daí, criar uma palavra livre, autónoma nas sociedades contemporâneas. É preciso recusar todas as tendências que apontam a escola como um serviço e afirmá-la como uma instituiçâo. Em torno dos três dilemas, que resolvo pelo lado da aprendizagem, da sociedade e da instituição, é que se pode configurar uma nova identidade profissional. É nesse tripé que deve estar baseada a identidade do professor. É a partir dele que se configura um conjunto de desafios a serem enfrentados pelos docentes nos próximos anos. Esse tripé é que define verdadeiramente a possibilidade de uma escola baseada na inclusão. Na sociedade do conhecimento, só há uma maneira de incluir: é conseguir que as crianças adquiram o conhecimento. A pior discriminação, a pior forma de exclusão é deixar a criança sair da escola sem ter adquirido nenhuma aprendizagem, nenhum conhecimento, sem as ferramentas mínimas para se integrar e participar ativamente das sociedades do conhecimento. Depois de ter feito muitos estudos sobre vários países em todo mundo, percebo que há uma tendência terrível: escolas para os meninos ricos centradas na aprendizagem e escolas para os meninos pobres centradas em tarefas sociais e assistenciais. Essa divisão, que tem aumentado nos últimos anos, configura a possibilidade de duas escolas diferentes para dois mundos sociais diferentes. Aceitar isso seria, definitivamente, o fim do programa histórico da escola pública, o fim de tudo aquilo que tentamos construir nos últimos 150 anos. Se não formos capazes de reverter esse ciclo, prestaremos o pior serviço possível às causas da inclusão e às causas dos mais desfavorecidos.António Nóvoa, Cnf.ª citada infra
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Escola como serviço ou como instituição?
http://terrear.blogspot.com/2009/11/escola-como-servico-ou-como-instituico.html
November 3 2009, 5:18pm | Comments »
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Dinâmicas de aprendizagem
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O cérebro humano é um cérebro social (Sousa, 1995). Os indivíduos aprendem e reflectem através da comunicação e da cooperação com os outros. A maioria dos empregadores coloca uma grande ênfase na contratação de pessoas que têm as competências de um bom relacionamento com as outras e que tenham a experiência de trabalhar em colaboração em equipas. Apesar de geralmente as escolas não terem disciplinas de colaboração ou cooperação da mesma forma que têm de matemática ou de leitura, estas são competências importantes que os educadores devem ensinar e exemplificar para os seus alunos.Laura Erlauder (2005). Práticasd pedagógicas compatíveis com o cérebro. Porto:ASAQue fazemos para que isto se faça?
October 29 2009, 5:35pm | Comments »
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Sempre a aprendizagem
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É também uma escola capaz de colocar em prática mecanismos de diferenciação pedagógica, a descoberta mais importante da pedagogia moderna, feita no princípio do século XX, quando se saiu da idéia da pedagogia simultânea, que era a pedagogia tradicional mais básica, isto é, tratar todos os alunos como se fossem um só, como uma massa uniforme, e passar a dizer que é preciso que cada aluno receba um tratamento diferenciado, específico. Mas as práticas dos professores continuam a ser excessivamente homogêneas e uniformes, e a considerarem pouco a capacidade de diferenciação pedagógica. Isso porque muitas vezes os professores têm dificuldade em recorrer ao elemento central da diferenciação pedagógica: a possibilidade (grifo do autor) do trabalho em cooperação dos alunos dentro da sala de aula. Se não houver o trabalho de cooperação entre os alunos mais e menos avançados, entre os alunos que têm maior predisposição para certas disciplinas e os que têm para outras, enfim, se não houver a possibilidade do professor não ser o único ensinante dentro da sala de aula, é impossível conseguir práticas de diferenciação pedagógica. A experiência da Escola da Ponte, em Portugal, que tem sido muito divulgada no Brasil, é um exemplo do trabalho de diferenciação pedagógica. Na sala de aula, o professor é mais um organizador das diversas situações de aprendi-zagem. Trata-se de uma escola extraordinariamente focada na aprendizagem.Por fim, uma escola focada na aprendizagem deve ser um local onde as crianças aprendem a estudar, aprendem a trabalhar. Hoje há um déficit claro: nossas crianças aprendem pouco a estudar e a trabalhar. É um problema que se pode verificar nos países do sul da Europa, nas escolas portuguesas, italianas, gregas, em parte das francesas, e também nos países da América do Sul, diferentemente do que se vê nos países do norte da Europa, cujas escolas estão bastante focadas na aprendizagem do estudo, do trabalho, do trabalho autônomo, em grupo, no trabalho cooperativo. É central dispormos dessas ferramentas, principalmente quando se discute a importância da aprendizagem por toda a vida.António Nóvoa, Ibidem
October 28 2009, 6:59pm | Comments »
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Escola centrada na aprendizagem...
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Retomando o Texto de António Nóvoa (citado infra) : A escola centrada na aprendizagem tem que saber fazer, inevitavelmente, três coisas, entre muitas outras. A primeira foi o grande debate francês dos últimos dois anos, baseado na idéia de um pata-mar comum de conhecimentos. Os franceses deram o título a sua nova reforma de “fazer com que todos os alunos tenham verdadeiramente sucesso”. A chave dessa reforma são as palavras “todos” e “verdadeiramente”. Isto é, não se pode continuar a apregoar, como se tem feito nos últimos cem anos, uma escola única, obrigatória, inclusiva, que no fundo está permanentemente a excluir. É importante que as crianças saiam da escola com um patamar comum de conhecimentos. Mas será isso possível? Sim, se os professores mudarem suas práticas e identidades profissionais. Durante muito tempo nas escolas normais foi ensinado que numa turma há sempre um terço de crianças boas, um terço de crianças “assim assim” e um terço de crianças más. Portanto, um terço estava condenado ao insucesso inevitavelmente. Isto é impossível de aceitar dentro de um processo de inclusão. A idéia de que se pode alcançar um patamar comum de conhecimentos, que se pode atingir verdadeiramente sucesso, deve ser uma exigência dos docentes, é uma exigência civilizatória conseguir isso. Não se consegue isso por várias razões históricas, de resignação ou por questões de identidade da profissão. Falar de um patamar comum de conhecimentos é também falar de um compromisso ético dos professores, compromisso ético com esse sucesso. E os professores muitas vezes, infelizmente, não tiveram esse compromisso ético. Ainda hoje em Portugal, a profissão de professor muitas vezes reconhece como os melhores aqueles que reprovam mais alunos. Cabe falar também da importância dos resulta-dos escolares. Não há patamar comum de conhecimento se não houver a avaliação dos resultados escolares. Uma escola centrada na aprendizagem é aquela que o professor dá a melhor atenção aos resultados escolares dos alunos.
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October 28 2009, 6:56pm | Comments »
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Aprendizagem Eficaz
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O ensino directo é mais eficaz quando expõe característicasrelevantes e segue passos sistemáticos.Resultados das investigações:Muitos estudos mostram que o ensino directo pode ser eficaz para promover a aprendizagem do aluno. O processo realça a sequência sistemática das aulas, uma apresentação de novos conteúdos e competências, a prática guiada, a utilização do feedback e da prática independente por parte dos alunos. Entre os traços característicos dos professores que utilizam o ensino directo de forma eficaz estão: a clareza, a orientação para a tarefa, o entusiasmo e a flexibilidade. Além disso, estes professores também organizam e estruturam claramente as suas exposições orais e ocasionalmente usam as ideias dos alunos.Implicações para a sala de aula:A utilização do ensino directo tem as suas origens entre os finais do século XIX e começo do século XX. É o que muitos cidadãos e pais esperam ver reflectido nas aulas. Quando é correctamente posto em prática, este tipo de ensino pode produzir resultados importantes e consistentes. O ensino para toda a turma de grupos diversos pode significar que as lições são demasiado avançadas para os alunos mais lentos e demasiado repetitivas para os maisrápidos. Além disso, nas duas últimas décadas, os teóricos têm tentado transferir para os alunos um maior controle da planificação das aulas e da sua realização para que assim “aprendam a aprender”, tal como exemplificam algumas práticas que a seguir se apresentam. Existem funções do ensino directo organizadas em seis fases que dão bons resultados:1. revisões diárias, verificação dos trabalhos de casa, e, se necessário,voltar a explicar novamente a matéria;2. apresentação dos novos conteúdos e das competências em pequenospassos;3. prática guiada do aluno com acompanhamento próximo do professor;4. feedback correctivo e reforço de ensino;5. prática independente do aluno tanto na aula como em casa com umaelevada taxa de sucesso (mais de 90%); e6. revisões semanais e mensais.Fonte
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October 27 2009, 5:34pm | Comments »
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Dilemas
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António Nóvoa, numa conferência proferida no Brasil, em 2006)Todos parecem ter soluções para questões educativas. Os professores, enquanto pessoas preocu-padas com a educação, precisam fazer um exercício de grande humildade. Estou cansado de tanta certeza, tantos dogmas, tantos escritos no jornal, tantas coisas ditas na televisão, e ditas muitas vezes por pessoas de referência nas suas áreas respectivas, muitas vezes na política, nas ciências, na arte, mas que quando falam de educação parecem esquecer tudo e dizem coisas sem sentido. Como se, de repente, todas as soluções consistissem em regressar a uma mítica escola de 30, 40 ou 50 anos atrás. Escola que, aliás, nunca existiu, mas que as pessoas mitificam. Abordarei aqui três dilemas. Dilema é qualquer coisa que não tem uma resposta boa ou má. Não há uma resposta certa ou errada. É uma dúvida, uma hesitação. Dilemas são coisas que podem ser argumentadas num sentido e em outro, são decisões que só conseguimos ponderar através do conhecimento, mas também através dos nossos valores. Portanto, o que sugiro como dilemas e a maneira como os entendo poderia ter outras respostas na análise de outras pessoas. Escola centrada no aluno ou na aprendizagem?O primeiro dilema é: a escola centrada no aluno ou na aprendizagem? É um dilema muito importante, porque todos nós partilharemos a idéia de que a escola deve estar centrada no aluno. Mas vou defender aqui a escola centrada na aprendizagem. No meu último livro, faço uma crítica ao que chamo de “transbordamento da escola”. Há hoje [na escola] um excesso de missões. A sociedade foi lançando para dentro da escola muitas tarefas – que foram aos poucos apropriadas pelos professores com grande generosidade, com grande voluntarismo –, o que tem levado em muitos casos a um excesso de dispersão, à dificuldade de definir prioridades, como se tudo fosse importante. Muitas das nossas escolas são instituições distraídas, dispersivas, incapazes de um foco, de definir estratégias claras. E quando se enuncia cada uma dessas missões ninguém ousa dizer que não são importantes. Mas a pergunta que se deve fazer é: a escola pode fazer tudo? É preciso combater esse “transbordamento”. Tudo é importante, desde que não se esqueça que a prioridade primeira dos docentes é a aprendizagem dos alunos. A pedagogia tradicional era baseada nos conhecimentos e na transmissão dos conhecimentos. A grande ruptura provocada pela pedagogia moderna foi colocar os alunos no centro do sis-tema. Mas a pedagogia moderna precisa ser reinventada na sociedade contemporânea. Não se trata de centrar na escola nem nos conhecimentos, como advogava a pedagogia tradicional, nem nos alunos, como advogava a pedagogia moderna, mas, sim, na aprendizagem. É evidente que a aprendizagem implica alunos. A aprendizagem implica uma pessoa, um aluno concreto, implica o seu desenvolvimento, o seu bem-estar. Mas uma coisa é dizer que nosso objetivo está centrado no aluno e outra coisa na aprendizagem do aluno. E definirmos isso como nossa prioridade no trabalho dentro das escolas. A aprendizagem necessita também dos conhecimentos. E os conhecimentos, é preciso reconhecer, durante algum tempo foram uma espécie de paradigma ausente de muitas práticas pedagógicas. A melhor expressão que define isso é “aprender a aprender”, a idéia de que se poderia aprender num vazio de conhecimentos. É preciso insistir na idéia de centrar o foco na aprendizagem e que essa aprendizagem implica em alunos e conhecimentos. Ela não se faz sem pessoas e uma referência às suas subjetividades, sem referências aos seus contextos sociais, suas sociabilidades. Mas ela também não se faz sem conhecimentos e sem a aprendizagem desses conhecimentos, sem o domínio das ferramentas do saber que são essenciais para as sociedades do século XXI, que todos querem ver definidas como sociedades do conhecimento.
October 27 2009, 5:06pm | Comments »
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Ciência em Família com robôs
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Post convidado de J. Norberto Pires:No dia 25 de Outubro estive no Museu da Ciência em Coimbra para mais um "Ciência em Família". Esta ideia do museu é excelente. Ao domingo, com diversos temas, colocar as crianças e os pais a descobrir coisas sobre ciência. Muito bem, isso é muito importante.Pois a mim pediram-me para falar sobre robôs, numa sessão que se denominou "Descobre os Robôs". É complicado falar para crianças, confesso. Elas estão totalmente disponíveis, mas é difícil cativar a sua atenção para que, com um discurso próprio mas sem simplificações, se consiga mostrar a necessidade de trabalho e esforço como forma de atingir objectivos. A ciência é divertida e apaixonante, mas não é uma brincadeira e não é, de certeza, uma actividade fácil. Exige esforço, dedicação e muito trabalho.Na sessão de domingo queria mostrar mais uma área de ciência aplicada e de engenharia: a robótica. Usei como mote a exploração espacial e a matemática. Os mais novos associam aos robôs muito do que vêm na ficção científica. São máquinas fabulosas que falam, são inteligentes, resolvem muitos problemas e de alguma forma têm muitas das capacidades humanas (até aumentadas). Ora, quando vêm os robôs de hoje, os reais, ficam decepcionadas. Como evitar isso?A exploração espacial, nomeadamente os vários rovers (robôs móveis com autonomia) enviados para Marte, mostram uma realidade bem interessante e apelativa. Os princípios envolvidos, apesar da grande sofisticação desses robôs, são bem acessíveis e podem ser facilmente explicados usando máquinas mais simples mas com funcionalidades equivalentes. Se a essas máquinas lhe adicionarmos coisas como síntese e processamento de voz, software de manipulação simples e gráfico, os robôs ficam mais atractivos e permitem que os mais novos percebam que existe uma enorme diferença entre a realidade e a ficção científica, mas que estamos a encurtá-la e que se calhar eles até podem trabalhar nisso no futuro próximo.Se para além disso formos capazes de mostrar onde está a matemática, a física, e outras disciplinas que eles acham "aborrecidas", na realização desses robôs avançados, talvez eles percebam que vale a pena o esforço e o trabalho dispendido com essas disciplinas porque elas permitem construir "coisas fixes". Não é ciência a brincar, mas sim motivar para fazer da ciência uma aposta decisiva no nosso futuro colectivo.Na reportagem que a TVI fez do evento, uma menina dizia: "Pensava que a matemática era só relacionada com números e algarismos, nunca com a ciência", mas agora até pensa que "é divertida".Também por essa razão é importante manter estas conversas de "ciência em família". Nos museus de ciência, nos centros ciência viva, nas escolas e nas universidades. É um serviço prestado ao país e um contributo ao nosso futuro colectivo.J. Norberto Pires
October 26 2009, 1:15pm | Comments »
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Tradição e competência
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Texto de João Boavida, antes publicado no diário As Beiras.Uma reportagem no jornal Público fala-nos da Leica, uma fábrica alemã de instrumentos de precisão que tem o melhor da sua produção em Vila Nova de Famalicão. Estão ali instalados há trinta e seis anos, durante alguns meses recorreram à Lay-off, mas neste momento a produção recuperou e as encomendas estão em alta. É uma história de esperança, que todos desejamos se repita em muitos lugares, mas o que aqui mais interessa não é isto.O interessante é que quando, em 1973, a fábrica veio para Portugal à procura de salários baixos, teve uma agradável surpresa: naquela zona os operários tinham competências especiais para o tipo de trabalho que era exigido – construir e verificar instrumentos ópticos de alta precisão. E isto em virtude das competências adquiridas por muitos na Boa Reguladora, ou simplesmente Reguladora.Antiga (e agora reactivada) fábrica de relógios: de coluna, de mesa, de sala, de parede, de cuco e de capelinha, despertadores ou não, que se viam em casas remediadas e de luxo, em repartições públicas e consultórios privados, nas salas de espera da C.P. e até nas gares das estações: aqueles originais relógios com caixa redonda e de apoio na parede, em madeira verde e um mostrador para cada lado, lembram-se? Em virtude disso e no dizer do Administrador, «cada trabalhador da Leica tem anos e anos de formação». E como «não se consegue um trabalho com esta qualidade em qualquer lugar do mundo, do dia para a noite» eles dão-se por muito felizes. E com razão.É um facto: Quanto mais difícil e exigente é a profissão de uma pessoa, ou quanto mais complexo e difícil é o objecto que tem de produzir ou transformar, mais preparação tem de obter, isto é, mais complexa, demorada e exigente terá que ser a sua formação. Um dos nossos maiores problemas, como se sabe, é a preparação superficial, pouco profunda e cuidada da maioria – o que nos coloca em desvantagem em relação a países onde a formação geral é mais elevada. No caso da Leica as competências específicas adaptavam-se ao trabalho a fazer resolvendo o problema da melhor maneira.A reportagem refere outro dado curioso, que é um problema que os investigadores e estudiosos da educação discutem ainda – a transferência de competências. Diz o texto da reportagem, seguindo o raciocínio do administrador Müller: «Com o tempo, e trinta anos depois, as competências desenvolvidas pelos trabalhadores da Leica extravasou a mecânica de precisão. Actualmente é já reconhecida na sua componente óptica. Quer nas lentes esféricas, quer na chamada óptica plana, dos prismas, a Leica diz-se imbatível».E, sem darmos por isso, estamos na importância da tradição para a qualidade dos produtos; quem diria, em dias de hoje? Aqui, aproveitou-se, tendo havido uma transferência dos relógios e das filigranas minhotas para as lentes e os binóculos, e por isso se produzindo melhor que qualquer um e «são imbatíveis»; noutros lugares desperdiçou-se, deitou-se fora.Infelizmente, nem sempre as competências são aproveitadas. Coimbra pode queixar-se da falta de visão de muitos dos nossos administradores. Quando na cidade se fabricava a melhor cerveja do país, nos anos cinquenta/sessenta, levaram daqui a fábrica, por razões de concentração, ou remodelação, ou rentabilidade, ou lá o que foi, e mandaram às urtigas o melhor da arte. E o mesmo se poderá dizer de muitos bons artistas da cerâmica, da porcelana, dos têxteis e sei lá que mais, desprezando sempre o melhor de tudo: as competências adquiridas. Se tivesse havido a preocupação da qualidade talvez não se tivesse sido tão leviano, e talvez Coimbra continuasse a dar cartas nalgumas das suas indústrias tradicionais.E em quantos lugares não se terá repetido isto? Lembremo-nos dos vidros da Marinha Grande, e na louça da Vista Alegre, e nos artistas que por lá há, nos tecelões das encostas da Serra da Estrela, nos discípulos mais talentosos do artista Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha, nos tecelões de Portalegre, e por aí fora. Ainda não se encontrou um processo de articular a dinâmica industrial moderna com as competências que levam tempo a adquirir, mas que, depois de alcançadas, são um trigo de primeira que nenhum padeiro devia desprezar. Seja como for, uma coisa parece evidente: A falta de inteligência e de sensibilidade é um mal que devia pagar altíssimos impostos compensatórios.
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October 22 2009, 12:08pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Da Eficácia da Acção Docente
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(...)Las características de los profesores efectivos, se pueden definir, según las investigaciones realizadas en factores directos e indirectos del profesor, donde lo directos serían todas aquellas acciones que realiza el profesor en la interacción con sus alumnos en el aula, y los indirectos se relacionan con las características del profesor y los antecedentes del mismo (Arancibia y Alvarez, 1994).Los factores indirectos se relacionan con la vocación, los rasgos personales y el dominio de los contenidos que enseñan.En primer lugar, la vocación (o compromiso profesional) se evidenciaría a través del “entusiasmo” de enseñar y que según McKean (1989) es la vitalidad y la capacidad de transmitir un contagioso entusiasmo por su materia. Por otra parte, se hace alusión a que un “profesor con vocación da prioridad a los aspectos formativos en su tarea educativa y proyecta las altas expectativas respecto a la capacidad de logro de sus alumnos” (Rittershaussen et. Cols., 1991, en Arancibia, 2005:209).En segundo lugar, los rasgos personales serían aquellas características individuales que tienen los profesores, y que hacen más efectiva su labor educativa. Tausch (1987) plantea que el maestro no puede despojarse de sus características personales por el solo hecho de entrar en una sala, sino que en la situación de enseñanza los atributos personales emergen, y distingue tres características: 1) la comprensión, 2) la preocupación por el alumno, y 3) la naturalidad.Se puede agregar a las características anteriormente señaladas, que en un estudio comparativo realizado por Arancibia y Alvarez (1994), en el cual se estudiaban profesores efectivos (aquellos que sus alumnos tenían buen rendimiento, medido por una prueba externa) y profesores inefectivos (alumnos con mal rendimiento), que atendían a niños del mismo nivel socioeconómico. Se obtuvo como resultado que los profesores efectivos evalúan positivamente sus condiciones laborales en el colegio. Presentan un alto nivel de compromiso profesional, una mayor habilidad verbal, se atribuyen el éxito o fracaso del aprendizaje de los alumnos, y parecen estar conscientes de las implicaciones que tienen sus prácticas instruccionales en el aprendizaje.Los factores directos de los profesores efectivos, que parecen ser los más relevantes, son el clima grupal en la sala de clases y el liderazgo académico.Con relación al clima grupal, se plantea que el profesor eficaz crea un ambiente que es propicio para los aprendizajes, en el cual existe orden, reglas que son seguidas por los estudiantes, pero en donde se les da la oportunidad –alumnos- de ser independientes. De esta forma, serían cuatro los elementos para generar un clima positivo: 1) la creación de un ambiente de trabajo, 2) la creación de un clima afectivo, 3) estimulación y refuerzo permanente a la participación, y 4) adecuado reconocimiento e interpretación de los distintos patrones de comportamiento grupal. Para lo cual se consideran relevantes los siguientes aspectos: -aspectos formales administrativos; preocupación por el cumplimiento efectivo de las normas de convivencia grupal y académicas, generadas participativamente y asumidas por todos; promoción constante de condiciones que faciliten la atención y concentración; y la generación de un ambiente de libertad sin que ello altere el ambiente de trabajo. Por otra parte, McKean (1989), plantea que para generar un clima afectivo adecuado es importante que el profesor conozca las características de la etapa de crecimiento de sus alumnos, sus motivos y necesidades, con el fin de comprender integralmente al niño.Con relación al liderazgo académico, los autores señalados aluden a la capacidad del profesor para dirigirse en forma adecuada al interior de la sala de clases. Algunos elementos de este factor son: el uso de estrategias adecuadas, la organización de instancias evaluativas, el buen uso del tiempo, y la orientación hacia metas formativas.Arancibia (2005) afirma que respecto del uso de estrategias adecuadas, los profesores efectivos utilizan sistemáticamente una secuencia lógica en la enseñanza, y señala además dos conductas de manejo instruccional propiamente tales, que serían exclusivas de los profesores eficaces: la capacidad de mantener la continuidad de la clase, y la capacidad de mantener al curso en actividades instruccionales.Javier Murillo (2003), plantea que los estudios sobre eficacia escolar realizados por investigadores Iberoamericanos, presenta tres características que es importante señalar; en primer lugar su carácter claramente aplicado; en segundo término que la influencia recibida ha sido no sólo de los estudios “ortodoxos” de eficacia escolar sino también de los llamados “estudios de productividad escolar”; y, por último, su clara relación con el desarrollo de la educación y de la investigación educativa, aunque con infinidad de matices.(...)Jorge Salgado,PENSAMIENTO DEL PROFESOR ACERCA DEL ÉXITO O FRACASO DE SU RESPECTIVA UNIDAD EDUCATIVARevista REICE, 2009
October 20 2009, 3:59am | Comments »
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Das Práticas de Avaliação
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A partir de seis sínteses de literatura que abrangem praticamente toda a investigação em avaliação das aprendizagens realizada em Portugal nas últimas três décadas, o autor faz uma caracterização global dessa investigação, referindo alguns dos seus principais resultados. Verificou-se que a grande maioria das investigações utilizou as concepções e/ou as acções e práticas do professor como unidade de análise. Os dados foram recolhidos através de inquéritos por entrevista ou por questionário, sendo muito raras as situações em que os investigadores obtiveram informação no contexto das salas de aula para poder relacionar os seus elementos fundamentais (e.g., tarefas, alunos, professores, processos, resultados). É neste enquadramento que se discute a relevância de se considerar a sala de aula como unidade de análise e como sistema de actividade para que seja possível compreender de forma mais sistémica, integrada e profunda, as práticas de avaliação dos professores e, sobretudo, as mudanças que podem ocorrer nas salas de aula. Surge então uma discussão acerca dos fundamentos ontológicos, epistemológicos e metodológicos da teoria da actividade que estão na base de uma racionalidade alternativa ao positivismo e a certas formas de construtivismo. O artigo conclui com um conjunto de reflexões/recomendações relativas à melhoria da investigação em avaliação das aprendizagens e ao papel que a teoria da actividade pode desempenhar nesse esforço de melhoria.Texto de Domingos FernandesRevista Sísifo, n.º 9Texto Integral
October 17 2009, 5:13pm | Comments »
