Maria de Sousa, a bióloga que ganhou o Prémio Universidade de Coimbra 2011, declarou numa recente entrevista ao JL:JL- A poesia pode "inspirar" a ciência?MS- A melhor ciência é aquela que se aproxima da poesia.JL- Em que sentido?MS- Faz-se investigação para saber, por exemplo, por que razão o vinho está no copo, pequenas coisas que vão constituindo o edifício do conhecimento. E, de repente, chega um tipo como Einstein, que muda o mundo pela sua percepção de uma coisa. É uma criatividade tão forte que se aproximna de um ato poético. Aí fica como uma palavra, como um verso de Shakespeare.
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MARIA DE SOUSA AO JL
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February 23 2011, 11:09am | Comments »
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Traços da medicina na azulejaria de Lisboa
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Minha recensão do livro de Madalena Esperança Pina, com o título de cima, filmado no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho: aqui.
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December 15 2010, 1:52am | Comments »
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O PROBLEMA DA IMAGEM DO ÁTOMO
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Informação recebida da Fundação Gulbenkian:No próximo dia 15 de Dezembro, pelas 18h00, irá ter lugar no Auditório 2 da Fundação Calouste Gulbenkian a conferência The Problem of a Picture of an Atom, proferida por Christopher Toumey (University of South Carolina, NanoCenter).Esta conferência insere-se no ciclo de conferências Image in Science and Art, organizado pela Fundação Calouste Gulbenkian e pelo Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa, no âmbito do projecto FCT «A Imagem na Ciência e na Arte», ciclo este que precede o Colóquio Internacional Image in Science and Art, a realizar nos dias 17, 18 e 19 de Fevereiro de 2011 na Fundação Calouste Gulbenkian.__________________________________________________AbstractNanotechnology earns much of its credibility by producing detailed and attractive pictures of atoms, molecules, and other nanoscale objects. But these pictures are not like photographs. With a photograph, one can compare a photo of an object with the object itself to see whether the photo is a faithful image of the object. But nano images are visual interpretations of electronic data, and they typically include a series of artificial enhancements. This means that a picture of an atom or a molecule is not a faithful image of the atom or the molecule. After introducing that problem, this presentation will trace the history of electronic microscopy leading up to the current status of nano images. Then, to explore how we might get the most benefit from visual knowledge contained in nano images, I review certain principles from early Cubist theory. We can apply those principles to nano images: instead of abandoning problematic nano images, we can better understand pictures of nanoscale objects by viewing them the way the early Cubists viewed the objects they painted.CHRIS TOUMEYChris Toumey is a cultural anthropologist in the University of South Carolina NanoCenter. His interest in societal issues in nanotechnology has resulted in more than 35 published articles on this topic. His two primary areas of research have been: [A] democratizing nanotechnology, that is, creating and identifying processes in which nonexperts can have active and constructive roles in nanotechnology policy; and [B] contested stories of the origin and development of nanotech, e.g., the Feynman story of the origin of nanotechnology. Other interests include: religious reactions to nanotechnology; interpreting SPM images of the nanoscale; and implications for privacy. His commentaries on nanotech appear four times a year in Nature Nanotechnology. Prior to his interest in nanotechnology, Chris Toumey researched a series of public scientific controversies, including the creation-evolution controversy, cold fusion, and fluoridation. His article on mad scientist stories is well known in studies of science and literature. His ethnography of the creationist movement, God’s Own Scientists, was published by Rutgers University Press, as was Conjuring Science, his account of the deployment and manipulation of the popular symbols of science in public scientific controversies.PRÓXIMAS CONFERÊNCIAS19 de Janeiro de 2011 | 18h00Visiting Time: The Renegotiation of the Time through Time-based ArtBoris Groys2 de Fevereiro de 2011 | 18h00Functional Images of the Brain: Beauty, Bounty, and BeyondJudy IllesINFORMAÇÕES | Projecto «A Imagem na Ciência e na Arte»Videodifusão: http://live.fccn.pt/fcgServiço de Ciência- Fundação Calouste GulbenkianAv. de Berna 45A – 1067-001 LSBOAT. 217 823 525 | E. scienceandart@gulbenkian.pt
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December 10 2010, 1:19pm | Comments »
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS
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Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New": FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert Park
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November 28 2010, 7:24am | Comments »
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KEMP SOBRE LEONARDO
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O historiador de arte britânico Martin Kemp esteve ontem na Gulbenkian em Lisboa a falar sobre imagens na ciência e na arte. vejamos o que escreveu sobre a famosa imagem do "homem de Vitrúvio" de Leonardo da Vinci, artista sobre o qual é especialista de renome mundial no seu livro "Leonardo da Vinci. Vida e Obra" (Presença, 2005):"A proporção era o modo como a concepção perfeita de Deis se manifesta em todas as formas e poderes da Natureza. As belezas do desenho proporcional foram uma das preocupações prima´rias dos arquitectos, escultores e pintores florentinos, pelo menos desde a época de Bruneleschi. Leonardo foi o primeiro a aliar a odeia do artista de beleza proporcional ao cenário mais vasto da acção proporcional de todos os poderes da Natureza. A fonte de maior autoridade em matéria de proporção no desenho arquitectónico era o tratado de arquitectura de Vitrúvio, o autor romano da Antiguidade. na qualidade de orientador supremo da concepção de beleza do arquitecto, Vitrúvio chamou a atenção para o modo como o corpo humano, com os braços esticados e as pernas afastadas, podia inscrever-se no interior de um círculo e de um quadrado, as duas figuras geométricas mais perfeitas. Dentro deste esquema, as partes que compunham o corpo podiam ser encardas como estando organizadas de acordo com um sistema de dimensões relacionadas, no qual cada uma das partes, por exemplo, o rosto, ficava numa relação de proporcionalidade simples face a cada uma das outras. A reformulação que Leonardo fez do esquema de Vitrúvio deu origem à concretização visual definitiva, sendo amplamente utilizada na imagística popular como símbolo aparente imediato da concepção "cósmica" do enquadramento humano. Tal como Leonardo referiu, a concepção proporcional do corpo humano era análoga à harmónica da música, assente nas proporções cósmicas descritas pelo matemático grego Pitágoras, Era a base matemática da música que lhe atribuía os seus direitos mais sérios, entre as artes, para competir com a pintura, embora Leonardo se tivesse dado ao trabalho de salientar que a harmónica da música tinha de ser ouvida sequencialmente, ao invés de ser apreciada em simultâneo, de um só relance, tal como acontecia na pintura."Martin KempNa imagem: o homem de Vitrúvio de Leonardio da Vinci, manuscrito na Galeria da Academia de Veneza.
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November 18 2010, 1:57am | Comments »
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CIÊNCIA E TEATRO EM BRECHT E ARISTÓFANES 1
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Já aqui tenho falado de ciência e teatro. Acaba de sair na Editora da Universidade do Porto o livro "Retórica e teatro" (Belmiro Fernandes Pereira e Marta Várzeas, orgs.), que contém este meu texto, resultado de edição de escritos anteriores. Como é algo maior do que aqui é costume divido-o em duas partes:Mostrar a ciência em palco constitui uma das melhores formas de fazer cultura científica, isto é, de levar a ciência à sociedade [1,2]. Nas peças do chamado “teatro científico” (teatro sobre temas de ciência, entenda-se, pois o teatro é uma forma de arte e, por isso, pouco tem de científico) encontram-se boas ilustrações tanto do discurso científico como do discurso contrário. Esse teatro, que inclui peças como “Copenhagen” [3] do inglês Michael Frayn, ou “Oxigénio” [4] dos norte-americanos Carl Djerassi e Roald Hoffmann, tem conhecido ultimamente um grande interesse em todo o mundo e também Portugal.Mas esse tipo de teatro é mais antigo. A peça “Vida de Galileu” do dramaturgo alemão Bertold Brecht (1898-1956) é perfeita para recolher exemplos da relação entre retórica teatral e retórica científica. “Vida de Galileu”, como o próprio nome indica, mostra o percurso biográfico do matemático e físico Galileu Galileu (1564-1642) desde os seus tempos de jovem professor de Matemática na Universidade de Pádua até aos tempos de reclusão domiciliária em Arcetri, perto de Florença, depois de ter sido condenado pela Inquisição em 1633 e de ter abjurado publicamente as suas teses mais polémicas. A acção situa-se no início do séc. XVII, precisamente no tempo de Revolução Científica. Brecht, baseado em factos reais mas não se inibindo de tomar as suas liberdades literárias, põe na boca do sábio pisano (nasceu e estudou em Pisa) algumas das afirmações que abalaram verdades estabelecidas na época, nomeadamente ao advogar a mudança do sistema de Ptolomeu para o sistema de Copérnico, o que significa uma mudança de uma visão estritamente religiosa do mundo natural, baseada numa leitura literal da Bíblia, para uma visão científica, baseada na observação e na experimentação. O papel de Deus passou a ser diferente; num certo sentido, pode dizer-se que se esvaziou.Na cena 3, que se passa na cidade de Pádua em 10 de Janeiro de 1610 (lembre-se que em 2009 se celebra o quarto centenário das primeiras observações celestes com o telescópio, realizadas nos últimos dois meses de 1609), Galileu declara ao seu amigo Sagredo, depois de ter espreitado o céu com o telescópio, instrumento que ele aperfeiçou e que foi o primeiro a utilizar para observações astronómicas, e de ter descoberto as luas de Júpiter, que eram astros que de certa forma confirmavam o sistema de Copérnico (não giravam em redor da Terra):“Não pare de olhar, Sagredo. O que você vê é que não há diferença entre céu e terra. Hoje, 10 de Janeiro de 1610, a humanidade regista em seu diário: aboliu-se o céu.” Uso na citação a edição brasileira [5], uma vez que se aguarda a publicação entre nós de uma tradução recente de “Leben des Galilei” na colecção de obras quase completas de “Teatro” de Brecht que está em curso na Cotovia (há uma tradução portuguesa de 1970, feita por Yvette Centeno [6], e há traduções de alguns excertos feitas por esse grande germanista que foi Paulo Quintela [7]). A versão original da peça foi escrita em 1937-1939, nas vésperas da Segunda Guerra Mundial, mas há mais duas, escritas uma imediatamente após a a guerra (1945-1947) e a outra no pós-guerra (1956-1957), sendo muito interessante notar a evolução do texto da peça em paralelo com a evolução dos acontecimentos históricos a meio do século XX, nomeadamente a explosão da primeira bomba atómica que põe fim à guerra e o período de paz na chamada “guerra fria”. Esta evolução encontra-se bem descrita e comentada no livro “Do Pobre B.B. em Portugal” [8], que resultou de trabalhos de investigação efectuados pelo Centro de Estudos Germanísticos da Universidade de Coimbra, que também faz a história das várias representações da peça em Portugal. Recentemente, a peça foi representada no Teatro Aberto, de Lisboa, em versão de João Lourenço e Vera San Payo de Lemos e encenação de João Lourenço.Mais adiante, na mesma cena, há um diálogo entre Galileu e Sagredo (este amigo existiu mesmo, sendo também o nome do leigo inteligente que surge nos “Diálogos sobre os Dois Principais Sistemas do Mundo”), que é bem elucidativo das dificuldades de ordem teológica que a “nova ciência” vinha trazer:“Sagredo - Mas você não tem um pouco de juízo? Não percebe a situação em que fica se for verdade o que está vendo? Se você andar por aí gritando pelas feiras que a Terra é uma estrela [sic] e que não é o centro do universo?”Galileu - Sim senhor, e que não é o universo enorme, com todas as suas estrelas, que gira em torno de nossa Terra, que é ínfima – o que aliás era de imaginar.Sagredo – E que, portanto, só existem estrelas! E Deus, onde é que fica?Galileu – O que é que você quer dizer?Sagredo – Deus, onde é que fica Deus?Galileu em fúria – Lá não! Do mesmo jeito que ele não existe aqui na Terra, se houver habitantes de lá que queiram achá-lo aqui!Sagredo - Então onde é que fica?Galileu - Eu sou teólogo? Eu sou matemático.Sagredo – Antes de tudo você é um homem, e eu pergunto: onde é que está Deus no sistema do mundo?Galileu – Em nós, ou em lugar algum.Sagredo gritando - A mesma fala do queimado-vivo!Galileu - A mesma fala do queimado vivo!Sagredo – Por causa dela ele foi queimado! Não faz dez anos!Galileu - Porque ele não tinha como provar! Que ele só afirmava!”O "queimado-vivo" era o filósofo italiano Giordano Bruno (1548-1600) que tinha sido condenado à morte por heresia pela Inquisição e executado na fogueira na cidade de Roma. Repare-se como Galileu expõe a diferença entre a retórica, ou “técnica ou arte de convencer”, baseada no conhecimento certo (“ele não tinha como provar”) e a retórica pura e simples (“ele só afirmava”). Mais adiante, na cena quatro, Galileu está na sua casa de Florença, cidade para onde entretanto se tinha mudado, e é visitado por professores da universidade local. No diálogo entre um filósofo e um matemático, que defendiam as posições da Igreja, e Galileu, o papel da observação, possibilitada pelo novo instrumento, é convenientemente enfatizado:"O filósofo - ... Mas eu receio que isso tudo não seja tão simples. Senhor Galileu, antes de aplicarmos o seu famoso telescópio, gostaríamos de ter o prazer de uma disputa. Assunto: E possível que tais planetas existam?O matemático - Uma disputa formal.Galileu - Eu achava mais simples os senhores olharem pelo telescópio para terem a certeza”.Neste curto diálogo está sumariada a posição científica que Galileu advogava e que acabou, como é sabido, por triunfar. Ainda mais adiante, na mesma cena, a supremacia da observação, baseada no novo instrumento, relativamente ao conhecimento puramente livresco, baseado em Aristóteles:“Matemático - Meu caro Galileu, por mais antiquado que pareça ao senhor, eu ainda tenho o hábito de ler Aristóteles, e lhe garanto que acredito nos meus olhos quando leio.Galileu - Eu me acostumei a ver como os senhores de todas as faculdades fecham os olhos a todos os factos, fazendo de conta que não houve nada. Eu mostro as minhas observações e eles sorriem, eu ofereço o meu telescópio para que vejam, e eles citam Aristóteles”.Um exemplo final do diálogo brechtiano sobre o espírito científico, ou melhor, a falta dele, encontra-se na cena sete, passada em 5 de Março de 1616 quando a Inquisição coloca a obra de Galileu no Index. A cena passa-se em casa do cardeal Roberto Bellarmino (1542-1621), em Roma, curiosamente durante um baile de máscaras. Galileu encontra o dono da casa, no século XX nomeado santo e doutor da Igreja, e o cardeal Maffeo Barberini (1568-1644), mais tarde papa com o nome de Urbano VIII :“Galileu, tomando impulso para uma explicação – Eu sou um filho devoto da Igreja...Barberini – Pessoa incorrigível. Ele quer provar, com toda a candura, que, em matéria de astronomia, Deus escreve asneiras! Deus então não estudou astronomia como convinha, antes de redigir a Sagrada Escritura? Caro amigo!Bellarmino - Mesmo ao senhor, não lhe parece provável que o Criador saiba mais que a sua criatura a respeito da criação?Galileu - Mas, meus senhores, afinal, se o homem decifra mal o movimento das estrelas, poderá errar também quando decifra a Bíblia?Bellarmino - Mas, meu senhor... afinal, decifrar a Bíblia é da competência dos teólogos da Santa Igreja, ou não?Galileu não responde.”Galileu é calado com um argumento de autoridade e, em seguida, Bellarmino ordena-lhe que abjure das suas posições heliocêntricas. Na sequência, Barberini remata: “Bem, vamos repor as nossas máscaras. Mas o pobre Galileu não tem nenhuma”. Há aqui um teatro dentro do teatro e só Galileu não tem fuga: está condenado a fazer o seu próprio papel.
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September 8 2010, 5:38pm | Comments »
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O HOMEM COMO PALÁCIO DA INDÚSTRIA
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Concept & Animation: Henning M. LedererMore information: industriepalast.com/
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July 11 2010, 6:54pm | Comments »
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Proust era um neurocientista
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/proust-era-um-neurocientista_06.html
Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de CoimbraA criatividade artística pode antecipar as descobertas da ciência?A pergunta serve de ponto de partida à obra Proust era um neurocientista, da autoria de Jonah Lehrer, e dá o mote para uma tertúlia no Museu da Ciência da UC, no dia 8 de Julho (quinta-feira), às 18h00.Miguel Castelo Branco, director do Instituto Biomédico de Investigação da Luz e Imagem, apresenta a edição portuguesa da obra.A entrada é livre.Sobre o livro: De que forma Proust revelou mistérios da memória, ao escrever os seus livros? Será que o pintor Cézanne antecipou avanços determinantes na compreensão da visão humana com os seus quadros? E se Walt Whitman tivesse intuído as bases biológicas do pensamento nas suas obras? Afinal, arte e ciência parecem poder co-existir em paz.Proust era um neurocientista reúne oito exemplos de artistas que souberam antecipar-se à ciência, descobrindo fenómenos de neurociências. O pintor Cézanne, o compositor Igor Stravinsky, o cozinheiro Auguste Escoffier e os escritores Walt Whitman, George Eliot, Marcel Proust, Gertrude Stein e Virginia Woolf são as figuras escolhidas para destruir ideias feitas sobre a Arte e a Ciência e mostrar como ambas são essenciais para perceber os mistérios da mente humana que a ciência só agora começa a desvendar.Em cada capítulo, o autor, formado na Universidade de Columbia, aborda um determinado conceito científico e explica como as neurociências chegaram a explicar o fenómeno, anos depois. .Mais informações aqui.
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July 6 2010, 10:26am | Comments »
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QUANTUM
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O neurocientista David Eagleman é o autor do livro "Cogito Ergo Sum", um conjunto de contos sobre a "vida para além da morte" que está a alcançar enorme êxito lá fora e que aqui, editado pela Presença, merece igual sorte. Para abrir o apetite aos leitores deixo aqui o conto "Quantum", que glosa o tema quântica da existência simultânea em vários estados possíveis:"Aqui, na vida depois da morte, tudo existe em todos os estados possíveis em simultâneo, mesmo os estados que mutuamente se excluem. Depois da nossa vida terrena, isto é um verdadeiro choque, porque na Terra as nossas escolhas implicam o desaparecimento de outras possibilidades. Quando nos transformamos em amantes de uma pessoa, não podemos ser amantes das outras, quando escolhemos uma porta,as outras ficam perdidas para nós.Na vida depois da morte podemos desfrutar de todas as possibilidades ao mesmo tempo, vivendo paralelamente múltiplas vidas. Damos por nós a comer e a não comer ao mesmo tempo. Estamos e não estamos a jogar bowling. Estamos a andar de cavalo e ao mesmo tempo não temos nenhum cavalo perto de nós.Um anjo azul de pele aveludada visita-nos gentilmente para ver como estamos a adaptar-nos a esta vida depois da morte.- Isto é demasiado confuso para um pobre cérebro humano - confessamos ao anjo.O anjo coça o queixo.- talvez possamos simplificar esta sua vida com uma actividade mais acessível, como ter um emprego fixo - oferece-nos.E caímos imediatamente numa vida laboral de contradições simultâneas. estamos a desenvolver várias carreiras ao mesmo tempo, todas aquelas que ponderámos seguir quando éramos mais jovens. Fazemos a contagem decrescente para o lançamento do foguetão onde nos encontramos e simultaneamente defendemos um criminoso em tribunal. No mesmo instante, desinfectamos as mãos para fazer uma cirurgia à vesícula biliar e conduzimos um camião de dezoito rodas numa auto-estrada do Novo México. Os constrangimentos de tempo e espaço desapareceram, completamente.- Isto é demasiado trabalho - queixamo-nos ao anjo.- Talvez o consigamos sossegar com uma situação mais simples - pondera o anjo - Gostaria de estar num quarto fechado, sozinho com o seu amor?E eis que nos encontramos aqui. Estamos simultaneamente envolvidos na conversa dela e a pensar noutra coisa qualquer; ela entrega-se a nós e ao mesmo tempo não se entrega; achamo-la detestável e amamo-la profundamente; ela adora-nos mas questiona-nos sobre o que terá perdido com outra pessoa qualquer.- Obrigado - agradecemos ao anjo. - Esta existência já me é familiar."David Eagleman
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June 5 2010, 1:52pm | Comments »
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EGAS MONIZ E EINSTEIN
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Minha crónica na revista "Tabu" do semanário "Sol" de hoje (na imagem: retrato de Egas Moniz por José Malhoa; as mãos mostram a gota de que o médico padecia e que o impedia de operar, o que era feito por um dos seus assistentes):Quem, na A1, sair em Estarreja estará muito perto da Casa-Museu Egas Moniz, em Avanca, o elegante palacete onde o nosso único Prémio Nobel em Ciências passou primeiro a sua infância e mais tarde as férias. A Câmara Municipal tem cuidado tanto do edifício como do seu recheio, onde, além de instrumentos e imagens científicas, chamam a atenção as numerosas peças de arte que o sábio reuniu, que vão desde porcelana de Sèvres e Companhia das Índias a quadros de José Malhoa e Silva Porto.Nascido em 1874 e falecido em 1955, António Egas Moniz era, do ponto de vista artístico, um homem do século XIX, um conservador num século em que tanto a ciência como a arte eram abaladas por novas correntes. No cume dos seus pintores preferidos encontrava-se José Malhoa (no ano em que morreu publicou o ensaio A folia e a dor em José Malhoa) e no píncaro das suas preferências literárias encontrava-se Júlio Dinis (escreveu o livro de referência Júlio Dinis e a sua obra). Nem a pintura nem a literatura do século XX conseguiam recolher os seus favores.Moniz neste aspecto não está sozinho. Um outro Nobel da ciência com gostos pouco ou nada modernos é Albert Einstein, que nasceu cinco anos depois de Moniz e morreu no mesmo ano. As suas carreiras são paralelas, uma vez que o físico suíço nascido na Alemanha acaba o curso em 1900 apenas um ano depois do médico português (o curso de Medicina demorava oito anos, pois havia que fazer três anos de preparatórios em ciências). Einstein faz o doutoramento em 1905, cinco anos depois de Moniz defender a tese A Vida Sexual na Universidade de Coimbra (o Estado Novo haveria de proibi-la, permitindo a sua venda apenas com receita médica). Em 1911 Einstein chega a cátedra na Universidade de Praga e o mesmo acontece com Moniz na recém-fundada Universidade de Lisboa. Uma diferença entre os dois currícula reside na precocidade dos trabalhos de investigação do físico, com pontos altos em 1905 e 1916, ao passo que o médico só enveredou pela investigação depois de ter desistido de uma carreira política (durante a qual chegou a ganhar um duelo à espada a Norton de Matos), tendo atingido os seus pontos altos em 1927 (angiografia) e 1935 (leucotomia). Não admira, por isso, que o Nobel de Einstein tenha sido atribuído muito antes do de Moniz. Einstein, que preferia a música às outras artes, era, nessa área, extremamente conservador, não indo o seu gosto muito além de Bach e Mozart. Quando muito Schubert.Moniz e Einstein não são os únicos revolucionários científicos que ignoraram as revoluções artísticas. Basta visitar a Casa-Museu de Freud, em Viena, para verificar que o criador da psicanálise, que Moniz introduziu em Portugal e de quem Einstein foi amigo, era algo antiquado em questões de arte...
May 28 2010, 1:43am | Comments »



