Informação recebida do grupo de teatro Escola da Noite:A MARIONET apresenta o espectáculo [zoom] no Teatro da Cerca de São Bernardo, de 14 a 17 de Outubro, quarta a sábado, às 21h30, numa temporada que decorre a convite d'A Escola da Noite.[zoom] estreou este ano no Teatro Académico de Gil Vicente e é um espectáculo que “amplia” uma produção anterior deste grupo — “Olhar O Longe . Olhar O Antes”. Esta série de espectáculos é assim uma oportunidade (para quem não viu ou quer rever) de acompanhar este grupo de Coimbra que tem construído um percurso singular e experimentado uma linguagem própria, explorando as ligações entre o Teatro e a Ciência. Coincidindo com a efeméride do Ano Internacional da Astronomia em 2009, criámos um objecto artístico que, partindo daquela disciplina científica, reflecte sobre o conhecimento que temos do mundo e de nós próprios. [zoom] é um espectáculo com memória. Durante o processo de criação e apresentação de OOLOOA (2008) fomos recolhendo e criando materiais sonoros e imagéticos que, juntamente com a impressão deixada no e pelo público, funcionaram como passado de [zoom] . Há duas ideias fortes sublinhadas nesta criação: a de olhar para trás no tempo quando observamos corpos a grandes distâncias; e a volatilidade do tempo na memória, levando à sobreposição entre passado e presente. (MARIONET)O texto e a direcção de [zoom] são de Mário Montenegro, na discussão de ideias participaram ainda Alexandre Lemos, Anabela Fernandes, Pedro Andrade, Rui Capitão e Rui Simão, o espaço cenográfico, figurinos, adereços e imagem são de Pedro Andrade, a sonoplastia de Rui Capitão, as luzes de Rui Simão e o vídeo original de Francisco Queimadela. No palco do TCSB estarão os intérpretes Alexandre, Anabela Fernandes e Mário Montenegro.O preço dos bilhetes varia entre 6 e 10 Euros, podendo as reservas ser efectuadas pelo telefone 239718238, telemóvel 966302488 ou e-mail isabelcampante@aescoladanoite.pt.Venham responder ao “que queremos nós das estrelas” em pleno Ano Internacional da Astronomia.
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Teatro científico: [zoom]
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October 16 2009, 11:28am | Comments »
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O PORTUGUÊS QUE SE CORRESPONDEU COM DARWIN
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Informação recebida da Contigo Teatro (clicar na imagem para ver melhor).
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October 16 2009, 11:23am | Comments »
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IMAGINAÇÃO, CIÊNCIA E ARTE 4
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Quarta e última parte da série com o mesmo título:A imaginação da ciênciaPoder-se-á pensar que o esforço de imaginação científica, confinada como está pela observação e pela experiência, é menor do que o da imaginação artística, como a imaginação do escritor, do artista plástico, ou do músico. Porém, o nosso mundo é suficientemente complexo para ter desafiado e continuar a desafiar a imaginação humana. É possível conhecer o mundo, como mostra não só toda a história da ciência mas também toda a história da técnica, associada à ciência, que conduziu ao nosso actual modo de vida. O processo que conduz a esse conhecimento tem exigido doses imensas de imaginação. A aventura do conhecimento continua na actualidade, exigindo uma imaginação cada vez maior. Hoje, mais do que ontem, a formulação de uma hipótese científica está longe de ser trivial. Exige, ao mesmo tempo, um grande conhecimento e uma grande imaginação. estando esta limitada por esse conhecimento. O conhecimento nada pode sem a imaginação e a imaginação nada pode sem o conhecimento. E daí a dificuldade experimentada pelo cientista no seu trabalho. O físico norte-americano Richard Feynman (1918-1988) resumiu esse facto quando afirmou no seu livro “O Que é uma Lei Física” [20], uma compilação das palestras que deu em 1964 na Universidade Cornell, nos Estados Unidos, e gravadas para a BBC, que, na ciência, a imaginação tem de estar “contida dentro de uma camisa de forças”. Quis com isso dizer que o acto de imaginar o que a realidade possa ser a partir daquilo que é (a tal camisa de forças!) é bem mais difícil do que imaginar livremente. Pode até acontecer que um esforço de imaginação conduza de A a C, quando uma resposta mais adequada, que requer um esforço ainda maior, é D.O novo conhecimento científico tem sempre de ser de algum modo compatível com o velho. Por exemplo, podemos não saber muito sobre a matéria e sobre a vida, mas sabemos que a matéria é feita de átomos e que os seres vivos são feitos de células, que por seu turno são feitas de átomos. Qualquer coisa mais que se venha a saber sobre a matéria ou sobre a vida tem de respeitar esses conhecimentos prévios e básicos, isto é, nunca se irá descobrir amanhã que afinal a matéria não é feita de átomos e que os seres vivos afinal não são feitos de células. O conhecimento vai sendo adquirido, mas só é adquirido o que não prejudica o que já foi antes adquirido, ou melhor, que não prejudica muito porque terá sempre de prejudicar alguma coisa. Neste sentido, pode dizer-se que a ciência é não só inovadora como conservadora. Para ser ciência tem de ser, ao mesmo tempo, inovadora e conservadora (Einstein emendou Galileu e Newton, mas conservou Faraday e Maxwell). Não pode nem inovar demasiado, nem conservar demasiado, tendo constantemente de procurar um justo meio-termo. É no meio que também aqui reside a virtude.Feynman, ele próprio um autor diletante de poesia e até de artes visuais na fase final da sua vida (escusado será dizer que a sua arte ficou muito abaixo da sua ciência...), enfatizou a dificuldade da imaginação na actividade científica no seu livro “O Significado de Tudo” [21], que reúne uma série de conferências que proferiu, em 1963, na Universidade de Washington – Seattle, nos Estados Unidos:“É surpreendente que as pessoas suponham que não há imaginação em ciência. É um tipo de imaginação muito interessante, diferente da do artista. A grande dificuldade reside em tentar imaginar algo que nunca se viu, que seja consistente em todos os pormenores com o que já se observou e ao mesmo tempo que seja diferente do que até aí se pensava; mais, terá de ser uma afirmação bem definida, e não apenas uma proposição vaga. É, na verdade, difícil.” Será difícil, mas é precisamente a dificuldade da imaginação no trabalho científico que confere um valor acrescido tanto a essa imaginação como a esse trabalho. É a dificuldade que desencadeia o génio.Em resumo e para concluir: É fácil para toda a gente perceber o papel que a imaginação desempenha na arte. O valor da arte é, em grande medida, o valor da imaginação. Mas é entendido por menos gente que a imaginação também é um ingrediente fundamental da ciência, ainda que de uma forma um pouco diferente. Se mais pessoas soubessem que a imaginação é comum à arte e à ciência e que na ciência também é necessária uma grande imaginação, talvez a ciência gozasse de um maior reconhecimento na sociedade. E, nesse caso, a polémica das “duas culturas” inaugurada em 1959 por Lorde Snow [22] faria menos sentido, ou, talvez mesmo, sentido nenhum.REFERÊNCIAS:[20] Richard P. Feynman, “O Que é uma Lei Física”, Lisboa: Gradiva, 1989.[21] Richard P. Feynman, “O Significado de Tudo. Reflexões de um Cidadão Cientista”, Lisboa: Gradiva, 2001.[22] C. P. Snow, “As Duas Culturas”, Lisboa: Presença, 1996.FIGURA:Richard Feynman, o Nobel da Física tocador de bongo.
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October 13 2009, 5:55pm | Comments »
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IMAGINAÇÃO, CIÊNCIA E ARTE 3
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Continuação da série começada aqui e continuada aqui:3. A teoria da relatividade e o cubismoVale a pena tentar aprofundar o paralelismo entre a relatividade e o cubismo quanto mais não seja para dar um exemplo do paralelismo entre os processos criativos na ciência e na arte. Einstein e Picasso nunca se encontraram pessoalmente apesar de terem aparecido juntos na peça de teatro “Picasso e Einstein”, do norte-americano Steve Martin [11, 12], que foi representada , no Teatro da Trindade em Lisboa em 2005, quando se comemorou entre nós e em todo o mundo o centenário não só da teoria da relatividade restrita como dos principais trabalhos de Einstein, com encenação de Rui Mendes (devem aqui referir-se trabalhos como [13, 14], que tratam da rica abordagem que o teatro tem recentemente feito de temas científicos). Mas o que têm em comum Einstein e Picasso, para além do facto de de terem sido contemporâneos e de ambos serem considerados grandes génios?Como via Einstein o mundo? Einstein, tal como os outros cientistas, via o mundo físico com os olhos da sua mente antes de formalizar essa visão através de fórmulas matemáticas e de palavras escritas. A imagem mental precedia, segundo o próprio declarou, outras imagens. Foi o jovem Einstein quem procurou responder à questão “como é o mundo visto por uma pessoa sobre um raio de luz?”, ou, se se quiser, uma vez que o próprio Einstein propôs no mesmo “ano milagroso” de 1905, que a luz é formada por um conjunto de grãos, mais tarde chamados fotões, “como é o mundo visto por uma pessoa que acompanha um fotão?” Esta pergunta relaciona-se com outras sobre o movimento, como por exemplo: “Se não se pode ir instantaneamente de um sítio a outro mas apenas, e na melhor das hipóteses, à velocidade da luz, o que significa dizer que dois acontecimentos em sítios diferentes são simultâneos?” Einstein procurou responder a questões deste género realizando as chamadas experiências mentais (em alemão, “Gedankenexperimente”), isto é, experiências muito difíceis ou mesmo impossíveis de realizar na prática mas que se podem realizar mentalmente e cujo resultado deve ser unicamente determinado por um conjunto pequeno de axiomas (o axiomas de Einstein eram apenas dois: “Todos os observadores devem ver as mesmas leis da física” e “A velocidade da luz é constante”) e pela lógica matemática. Foi assim que nasceu a teoria da relatividade restrita, que veio resolver algumas contradições entre mecânica e o electromagnetismo, duas teorias físicas que só aparentemente estavam bem estabelecidas. Einstein, para reter a teoria electromagnética dos britânicos Michael Faraday (1791-1867) e James Clerk Maxwell (1831-1879), teve de rever a mecânica de Galileu e Newton. Foi a unidade das leis da física para todos os observadores – o princípio da relatividade hoje consagrado (“As leis da física, tanto as do electromagnetismo como as da mecânica, são as mesmas para todos os observadores”) – que esteve na base da revolução einsteiniana. Na ciência como na arte um princípio de concordância ou de harmonia é, muitas vezes, o ponto de partida.Mas saberia Picasso, o jovem nascido em Málaga, Espanha, que foi em 1895 estudar para Barcelona, alguma coisa acerca das imaginações do jovem Einstein nascido em Ulm, na Alemanha, e que foi em 1896 estudar para a Escola Politécnica de Zurique, na Suíça? Decerto que não directamente, mas provavelmente sim indirectamente através dos escritos do francês Henri Poincaré (1854-1912), um dos maiores matemáticos do século XX e que teria sido autor, ou pelo menos co-autor, da teoria da relatividade se tivesse sido um pouco mais ousado (embora não tão claro e completo como o artigo seminal de Einstein sobre a relatividade, um artigo de Poincaré sobre a dinâmica dos electrões precedeu, na sua versão abreviada, o artigo de Einstein por escassos três meses; porém, a versão longa, que não cita Einstein tal como Einstein não cita Poincaré, só apareceu cerca de um ano depois). Segundo o físico e historiador de ciência norte-americano Arthur Miller (sem nenhuma relação com o dramaturgo com o mesmo nome), Poincaré seria a chave para compreender a eventual ligação entre Picasso e Einstein, entre a relatividade e o cubismo. No seu livro “Einstein, Picasso: Space, Time and the Beauty That Causes Havoc” [4], esse autor norte-americano defende que os trabalhos de Poincaré, que já continha algumas reflexões sobre o conceito de simultaneidade e que já reconhecia a relevância das geometrias não euclidianas para descrever o mundo físico, terão estado na origem da primeira obra cubista. Foi um amigo de Picasso, o actuário francês Maurice Princet (1875-1973), que tinha bons conhecimentos de matemática que providenciou essa ligação. Um livrinho francês de divulgação sobre o conceito da quarta dimensão (o tempo) [15], uma noção já presente no livro “Ciência e Hipótese” de Henri Poincaré, saído originalmente em 1902 [16], teria sido muito útil para esse efeito.Contudo não se sabe ao certo se foi assim e provavelmente nunca o saberemos. Curioso é que “Les Demoiselles d´Avignon” [17-18], uma obra de arte fragmentada, na qual parecem coexistir vários pontos de vista (o quadro, inspirado também por arte ou fotografia africana, representa cinco prostitutas não da cidade de Avinhão, mas da rua de Barcelona que tem o nome dessa urbe francesa) tenha aparecido dois escassos anos depois do artigo de Einstein que relacionava os pontos de vista de observadores físicos diferentes. Pode-se aqui com propriedade falar de “Zeitgeist”. Ao contrário do que fantasia a referida peça teatral, os jovens Picasso e Einstein nunca se encontraram em 1904 ou sequer noutro ano no café parisiense “Le Lapin Agile”, esse sim bem real localizado no bairro de Montmartre (Einstein visitou Paris em 1913 e 1922, mas não consta que tenha encontrado Picasso). Dizer se houve ou não uma interacção forte à distância entre Einstein e Picasso, através das interpostas pessoas de Poincaré e Princet, é pura especulação. A criação artística tem os seus mistérios, que serão porventura ainda maiores do que os mistérios, já de si grandes, da criação científica...A propósito de Poincaré e em complemento do que fixou atrás dito, vale a pena transcrever uma famosa citação do seu livro “O Valor da Ciência”, saído no mesmo ano da relatividade restrita [19], sobre o elemento estético da ciência. A beleza da ciência tem, segundo ele, a ver com a beleza da Natureza:"O cientista não estuda a natureza porque tal é útil. Estuda-a porque tem prazer nisso; e tem prazer nisso porque ela é bela. Se a natureza não fosse bela, não valeria a pena o conhecimento nem a vida não valeria a pena ser vivida... Pretendo significar a beleza íntima que provém da ordem harmoniosa das partes e que pode ser compreendida por uma inteligência pura. (...) É porque a simplicidade e a vastidão são ambos belas que procuramos de preferência factos simples e factos vastos; que tomamos prazer ora em seguir os gigantescos percursos das estrelas ora em escrutinizar com um microscópio a pequenez prodigiosa que é também uma vastidão ora em procurar nas eras geológicas os traços de um passado remoto que por isso nos atrai."REFERÊNCIAS:[11] Steve Martin, “Picasso and Einstein at the Lapin Agile and Other Essays”, New York: Grove Press, 1997.[12] Carlos Fiolhais, “Curiosidade Apaixonada”, Lisboa: Gradiva, 2005. O texto “Picasso e Einstein”, contido neste livro, de crítica à peça com o mesmo título é retomado no presente artigo.[13] Carlos Fiolhais, “Ciência em Palco”, Partilha de Cena, n.º 1, Março de 2007. Uma comunicação ao Congresso sobre “Retórica e Teatro”, realizado na Faculdade de Letras da Universidade do Porto em 2007 retoma o mesmo tema.[14] Mário Montenegro, “Texto Dramático de tema científico: o caso particular de Carl Djerassi”, Tese de mestrado apreesntada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2007.[15] Esprit Jouffret, “Traité élémentaire de géométrie à quatre dimensions et introduction à la géométrie à n dimensions”, Paris: Gauthier-Villars. 2003.[16] Henri Poincaré, “Ciência e Hipótese”, Brasília: Universidade de Brasília, 1984.[17] Christopher Green (organizador), “Picassos’ Demoiselles d’Avignon”, Cambridge: Cambridge University Press, 2001.[18] Francine Mariani-Ducray, Jean-Ludovic Silicani, Anne Baldassari e Thomas Grenon, "Picasso cubiste", Paris: Flammarion, 2007. Catálogo de Exposição no Museu Nacional Picasso em Paris de 19 de Setembro de 2007 a 7 de Janeiro de 2008.[19] Henri Poincaré, “O Valor da Ciência”, Rio de Janeiro: Contraponto, 2007.
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October 12 2009, 7:37pm | Comments »
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IMAGINAÇÃO, CIÊNCIA E ARTE 2
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Segunda parte do texto começado aqui:Paralelismo histórico entre ciência e arteA ciência é, tal como a arte, uma actividade humana que requer dos seus autores uma grande criatividade, isto é, uma grande imaginação. E os grandes desenvolvimentos da ciência requerem uma maior criatividade, tal como acontece com os grandes desenvolvimentos da arte. É interessante notar que os grandes períodos da criatividade humana, nomeadamente “o século de oiro” da Grécia Antiga, a Revolução Científica na Europa, se tenham distinguido pela ocorrência de grandes progressos, tanto na arte como na ciência, em processos que se podem considerar paralelos. Este paralelismo é realçado no monumental livro de K. Simonyi “Kulturgeschichte der Physik“ [3] (tradução alemã do original húngaro de 1978), que apresenta, logo no início, um gráfico daquilo que o autor chama "intensidades da criação científica e da criação artística" em função do tempo a fim de ilustrar a evolução paralela da arte e da ciência (principalmente a ciência física). Cito-o:"Para apresentar os processos históricos uma distribuição uniforme da escala do tempo tem a vantagem de permitir reconhecer períodos históricos com uma maior frequência de eventos relativamente a outros que parecem mais pobres, mas que podem ser compreendidos como tempos de preparação, de amadurecimento ou de mudança. Sarton [Georges Sarton, 1884-1956, intelectual norte-americano de origem belga], um dos maiores historiadores de ciência do nosso tempo, escolheu num dos seus livros este método de descrição.Resulta então um procedimento casual de ordenação histórica, ou melhor, cronológica: estuda-se a intensidade da criação científica em função do tempo. A dependência representada na figura mostra características surpreendentes. À primeira vista, reparamos que a criação científica nos últimos 2500 anos só tem duas grandes elevações com a largura de alguns séculos. O máximo que ocorre aproximadamente de 500 até a 200 a. C. dá-se numa época a que se chamou o “milagre grego” da história. A figura mostra não só do lado direito a intensidade da criação científica como do lado esquerdo a intensidade da criação noutras áreas (Literatura, Artes Plásticas). Vemos que os dois tipos de criação se desenvolveram de forma mais ou menos síncrona apesar de existirem alguns evidentes desfasamentos temporais. Por exemplo, na Roma Antiga foram dados contributos em alguns domínios da cultura humana, que passam de longe os dados pelos gregos. Estamos a pensar não só no Direito Romano, que deixou marca nas normas que regulam a nossa vida colectiva, mas também nas obras notáveis da literatura em latim (Virgílio, Horácio). Contudo, os Romanos não alcançaram resultados originais nas áreas da física e da matemática, apesar de termos de admitir como única excepção o desenvolvimento do atomismo grego devido a Lucrécio. Semelhante desfasamento pode também ser referido para o Renascimento, tendo este precedido o grande salto das ciências naturais ocorrido no século XVII. Também aqui há uma dessincronização entre as ciências naturais e as actividades nas áreas artísticas.Aos quase 2000 anos de intervalo entre o desenvolvimento da Antiga Grécia e o século XVII podemos chamar época de transição e de redescoberta, durante a qual só ocasionalmente foram realizados progressos no conhecimento. Estamos a pensar principalmente no mundo árabe e em Bizâncio assim como nos resultados obtidos pela escolástica tardia.”É curioso notar que, no referido gráfico os grandes desenvolvimentos vividos pelas ciências físicas no início do século XX – com o aparecimento da teoria quântica (à teoria quântica antiga, devida ao alemão Max Planck (1858-1947) em 1900, sucedeu a teoria quântica moderna, devida essencialmente ao alemão Werner Heisenberg, 1901-1976, ao austríaco Erwin Schroedinger, 1887-1961, e ao inglês Paul Dirac, 1902-1984, em 1926) e da teoria da relividade (que tanto na sua versão restrita como na versão generalizada se deveu praticamente apenas a Albert Einstein, respectivamente em 1905 e 1916) apareçam na segunda “montanha” das ciências, que é uma espécie de réplica do "pico" da Revolução Científica, ao qual associamos os nomes do italiano Galileu Galilei (1564-1642) e do inglês Isaac Newton (1643-1727). A questão interessante que se coloca é então: existirá um pico semelhante para as artes?De facto, embora o século XX esteja demasiado próximo de nós para o podermos ver com a distância que a objectividade exige, o aparecimento da arte moderna é praticamente contemporâneo do aparecimento da teoria da relatividade. Há até historiadores de ciência que, dada essa contemporaneidade e não só, vêem paralelismos entre a teoria da relatividade restrita de Einstein, que considerava o tempo e o espaço como relativos, ligados inextrincavelmente entre si e cujas medidas dependem do observador, e o cubismo, movimento artístico que convencionalmente se iniciou com o quadro “Les Demoiselles d’Avignon”, de Pablo Picasso (1881-1973), a obra de 1907 patente no Museum of Modern Art (MoMA) de Nova Iorque considerado o ponto de partida do cubismo [4]. É decerto possível encontrar convergências entre o surgimento da relatividade e a surgimento do cubismo. Os dois movimentos convergem no sentido em que vieram alterar radicalmente os conceitos estabelecidos nos respectivos domínios. Mas a convergência entre eles não se encontra apenas na transgressão das fronteiras que outras tinham estabelecido. Arte e ciência, embora sendo actividades humanas diferentes (a primeira associada ao subjectivo e a segunda ao objectivo), têm mais em comum do que normalmente se pensa: o processo de descoberta científico é normalmente favorecido quando ele se orienta por critérios estéticos. De uma maneira resumida mas sugestiva, pode dizer-se que “se é bonito, então deve ser verdadeiro” (esta frase foi antecipada pelos versos do poeta romântico inglês John Keats, 1795-1821, que na sua “Ode a uma Urna Grega” de 1819 escreveu: “Beauty is Truth and Truth is Beauty. That is all / Ye know on earth, and all ye need to know”. Ou, pensando pela negativa como por vezes se faz: “se é feio, então deve ser mentira”. Vários físicos e outros cientistas aplicaram com sucesso um critério deste tipo, apesar de não ser fácil definir o “bonito” ou o “feio” [5-10]. Como disse o físico-matemático Dirac, para quem era "mais importante ter beleza nas suas equações do que tê-las de acordo com a experiência”, o belo reconhece-se com facilidade se não houver necessidade de o definir: "A beleza matemática não pode ser definida mais do que a beleza na arte, mas as pessoas que estudam matemática não têm, em geral, qualquer dificuldade em apreciá-la". Quem tentar quantificar o belo para o reconhecer com maior facilidade arriscar-se-á a perdê-lo ou, pelo menos, a perder uma boa parte dele. O belo, se o é verdadeiramente, escapa sempre de um ou de outro modo a uma medida precisa.REFERÊNCIAS:[3] K. Simonyi, “Kulturgeschichte der Physik“, Frankfurt am Main: Harri Deutsch, 1990.[4] Arthur Miller, “Einstein, Picasso: Space, Time and the Beauty That Causes Havoc”, New York: Basic Books, 2001,[5] Carlos Fiolhais, “Universo, Computadores e Tudo o Resto”, Lisboa: Gradiva, 1994.[6] J. Bronowski, “The Visionary Eye, Essays in the Arts, Literature and Science”, (selecção e edição de Piero E. Ariotti, em colaboração com Rita Bronowski), Cambridge Mass. e Boston: The MIT Press, 1978[7] S. Chandrasekhar, “Truth and Beauty. Aesthetics and Motivations in Science”, Chicago e Londres: The University of Chicago Press, 1987.[8] Graham Farmelo (ed.), “It Must be Beautiful. Great Equations of Modern Science”, London e New York: Granta Books, 2002.[9] Martin Kemp, “Visualizations. The Nature Book of Art and Science”, Oxford: Oxford University Press, 2000.[10] Tania C. de Araújo-Jorge (organização), “Ciência e Arte, Encontros e Sintonias”, Rio de Janeiro: Editora Senac Rio, 2004.FIGURA:Pablo Picasso, “Les Demoiselles d’Avignon”, 1907, Óleo sobre tela (2,44 x 2,34 m)., Museum of Modern Art, Nova Iorque, Estados Unidos (2,44 x 2,34 m).
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October 11 2009, 7:21pm | Comments »
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Romeu e a verdade
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No De Rerum Natura tem-se escrito sobre a interessantíssima relação entre as duas áreas de conhecimentos que são a arte e a ciência.O matemático e epistemólogo Jacob Bronowski, à semelhança de outros intelectuais, dedicou muita da sua reflexão a este assunto: Como se pensa num e noutro domínio? Em que se asselham? Em que diferem?Numa certa passagem da obra A responsabilidade dos cientistas e outros escritos, diz o seguinte:“A ciência tal como a arte não é uma cópia da Natureza mas uma recriação da mesma. O acto criador é semelhante na arte e na ciência, mas não pode ser idêntico nas duas; tem de existir uma diferença assim como uma semelhança. Por exemplo, certamente que o artista no seu acto criador abre uma dimensão de liberdade que está vedada ao cientista (...). A sansão da verdade é um limite exacto que encerra (o cientista) de uma forma que não constrange o poeta ou o pintor.Shakespeare pode fazer com que Romeu diga coisas acerca do olhar de Julieta que, se bem que reveladoras, não são de facto verdadeiras:Oh, Ela ensina os fachos a arderem com mais brilhoMas repara, que luz penetra além da janela?É o Oriente e Julieta é o Sol.O próprio Shakespeare está ciente de que estas afirmações diferem das que são feitas por observadores precisos. No entanto ele explora deliberadamente a diferença, por um novo feito poético, no soneto que começa mordazmenteOs olhos da minha Amada não se comparam com o Sol.Isto tem o seu quê de pungência em não ser poético. Shakespeare, intencionalmente, desempenha neste soneto o cientista meticuloso que vai directamente ao fim,O coral é de longe mais vermelho que os seus lábiosSe a neve é alva, quão escuros será o seu seio.com o objectivo de afirmar, por último, de forma irresistível, que, mesmo no mero plano dos factos, o seu amor é incomparável. Sem dúvida que Shakespeare estaria disposto a aduzir noutra ocasião que a imagem poética pode ser considerada verdadeira: a parábola do Filho Pródigo é verdadeira em certo sentido, e do mesmo modo o é a perseguição de Orestes pela Fúrias, e as imagens da própria peça Romeu e Julieta (...).Não podemos evitar a pergunta histórica - que é a verdade? pelo contrário a civilização de que nos orgulhamos adquiriu uma nova força no dia em que foi feita a pergunta. Mais tarde, adquiriu a sua maior força através de homens do Renascimento como Leonardo, para quem a verdade em relação ao facto se tornou uma paixão. A confirmação de facto experimentado como face da verdade é um assunto profundo e a mola principal que fez mover a nossa civilização desde o Renascimento."Referência completa:Bronowski, J. (1992). A resposabilidade dos cientistas e outros escritos. Lisboa: Dom Quixote, 128-130.Imagem:Reprodução de uma pintura a oléo de Ford Madox Brown, datada de 1870.
October 10 2009, 4:59pm | Comments »
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IMAGINAÇÃO, CIÊNCIA E ARTE 1
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/imaginacao-ciencia-e-arte-1.html
Na altura em que entre nós tanto se fala das relações entre ciência e arte (e decorrem exposições sobre o assunto na Cordoaria em Lisboa e no Museu de Ciência de Coimbra) deixo aqui, em quatro partes, uma reflexão sobre o assunto que publiquei o ano passado na Revista "Biblos" da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e que integra alguns textos meus que saíram neste blogue:Associa-se normalmente a imaginação à arte e o conhecimento à ciência. No entanto, a imaginação é essencial também na ciência. Apesar de a ciência tratar a realidade, sem imaginação não há a mínima possibilidade de ciência. A um dos maiores cientistas, o físico suíço e norte-americano de origem alemã Albert Einstein (1879-1955), criador da teoria da relatividade, alguém perguntou um dia o que era mais importante, a imaginação ou o conhecimento. Ele não teve dúvidas em dar a primazia à imaginação:"A imaginação é mais importante do que o conhecimento. O conhecimento é limitado. A imaginação dá a volta ao mundo." [1]Noutra ocasião, o sábio disse o mesmo por outras palavras de modo:“O conhecimento permite-nos ir de A para B, mas a imaginação permite-nos ir a qualquer lado”. Noutra altura ainda disse mais em defesa da imaginação:“Quando me examino a mim mesmo e aos meus métodos de pensamento, chego quase à conclusão de que o dom da imaginação teve para mim maior significado do que o talento para absorver o conhecimento absoluto.” As expressões de Einstein são certeiras: a imaginação – a capacidade que tem o espírito humano de formar imagens - permite-nos não só “dar a volta ao mundo”, mas “ir a qualquer lado”, mesmo fora do mundo que habitamos. É a imaginação que permite à mente humana viajar a todo o lado de um modo extraordinariamente livre. O artista criador, seja qual for o campo da sua criação (na literatura, teatro, dança, artes plásticas, fotografia, cinema, etc.), não faz outra coisa do que usar a suA imaginação: por vezes, descreve o mundo real em que vive, enquanto noutras vezes constrói mundos virtuais, que retratam os seus mundos interiores. Mas o cientista, Einstein “dixit”, usa também a imaginação na medida em que esta é a mola do conhecimento que ele procura. O conhecimento resulta sempre de um exercício da imaginação. O método científico serve para avaliar a correcção das imagens criadas pela imaginação do cientista, o que exige o seu cotejo com o mundo real.É, por isso, necessário desfazer a ideia feita segundo a qual a imaginação é estranha à ciência. De facto, é necessária uma grande imaginação, por vezes como aconteceu no caso da teoria da relatividade uma imaginação extraordinária, para realizar o empreendimento científico. A missão do cientista consiste na descoberta do mundo real, um mundo que é único e que pode ser contrastado com os muitos e variados mundos criados pela sua imaginação. De entre todos os mundos possíveis, vivemos num só, que se não é o melhor é decerto um dos melhores para a nossa vida (foi o filósofo e divulgador científico francês Voltaire, 1694-1778, quem se interrogou, depois do grande terramoto de Lisboa de 1755, na sua obra “Cândido ou o Optimista”, se viveríamos no “melhor dos mundos” [2]). Para saber como é o nosso mundo, é preciso em primeiro lugar adivinhar como ele é. Quer dizer, é preciso em primeiro lugar imaginá-lo. Depois é o veredicto ditado pela observação ou pela experiência que vai validar ou não o vaticínio, o voo mais ou menos temerário que, de início, a imaginação teve de fazer. Pode-se ir de A para B ou para C, conforme o salto, menor ou maior, da nossa imaginação. Mas acabamos por ir para um desses sítios, ou para outro, porque a observação ou a experiência assim o determinam. Porque o nosso mundo é de uma certa maneira e não de outra.A matemática não é uma ciência experimental porque o matemático não tem a imaginação tão limitada como o cientista experimental que interroga a Natureza e obtém dela uma resposta. Uma conclusão matemática nem sempre é uma conclusão física, embora uma conclusão física seja sempre uma conclusão matemática (o mundo segue regras lógicas, as chamadas leis físicas, que se exprimem preferencialmente de uma forma matemática). De certo modo a imaginação do matemático assemelha-se mais à de um artista. Mas também um físico, para chegar ao conhecimento, tem de ter imaginação e de se deixar levar por ela tal e qual como um artista. Conforme declarou Einstein, cuja paixão pela música é bem conhecida (tocou violino durante toda a sua vida, tendo deixado o seu instrumento como herança ao seu neto): “Eu sou suficientemente artista para me deixar levar pela imaginação”.REFERÊNCIAS:[1] Esta citação tal como as seguintes de Einstein foram extraídas do livro “The New Quotable Einstein”, colecção e edição de Alice Calaprice, prefácio de Freeman Dyson, Princeton: Princeton University Press, 2005.[2] Voltaire, “Cândido ou o Optimismo”, Lisboa: Tinta da China, 2006 (há muitas edições; a edição original é de 1759, ano da morte do autor).IMAGEM:Einstein a tocar o seu violino. Entre os seus compositores preferidos estavam Mozart, Bach e Schubert. A respeito do seu prazer pela música, o físico disse um dia: "Se eu não fosse físico, seria provavelmente músico... Penso muitas vezes ouvindo música. Sonho acordado com a música... Obtenho o maior prazer da vida a partir da música".
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October 10 2009, 4:29am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O que acontece quando a ciência se apaixona pela arte?
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de CoimbraPassam horas sobre horas e meses sobre meses em laboratórios e instituições científicas por todo o país. Assistem, atentamente, ao nascimento de nova Ciência e dela fazem a sua matéria-prima. Mas não são cientistas.O Museu da Ciência convidou não só aqueles que trabalham no limbo entre arte e ciência para darem a conhecer ao público um percurso de vida invulgar mas também aqueles que promovem e reflectem sobres estas questões.""A cooperação entre cientistas e artistas revela-se fundamental para a compreensão da ciência", avança Luísa Lopes, da organização das Conversas de Arte & Ciência. "A arte pode aventurar-se por territórios que problematizam a nossa identidade: ao implicar os próprios cientistas nos processos criativos torna visível e permanente a necessidade de fazê-los saltar do seu mundo. Por outro lado, o conhecimento de ciência pode ajudar a apreciar a arte, em particular quando os artistas usam o pensamento científico e os mecanismos do mundo natural para criar as suas mais ou menos subjectivas criações/obras", sublinha."Portugal ainda é pouco receptivo a parcerias" (...) "a actividade [em Arte e Ciência] ainda é relativamente diminuta, bem como a receptividade a potenciais parcerias", reconhece Luísa Lopes, da Reitoria e do Museu da Ciência. "Assim, é importante divulgar projectos onde sejam expostas experiências bem sucedidas, o que pode funcionar como estímulo para uma maior abertura das instituições e para a criação de uma plataforma comum de trabalho, como por exemplo o programa Rede de Residências - Experimentação Arte, Ciência e Tecnologia, resultando da cooperação entre a Direcção-Geral das Artes/Ministério da Cultura e a Ciência Viva", frisa.Para Luísa Lopes, a promoção do interface arte-ciência é, sem dúvida, "uma mais-valia no que respeita à comunicação da ciência, potenciando a sua presença num meio cultural, do qual tem estado frequentemente alheada".O objectivo das Conversas é precisamente estimular o diálogo entre artistas, cientistas e o público, dando a conhecer a comunhão de espaços de trabalho, de objectos e de vidas que todos os dias acontece entre Arte e Ciência, também em Portugal. Um dos temas em destaque será precisamente o programa de Residências Artísticas em instituições científicas, que no nosso país avança já para a segunda edição."A actividade artística sempre se confrontou com o campo da ciência e da técnica. Por exemplo, Leone Battista Alberti (1404-1472) colocou o problema da arte como ciência, individualizando na matemática o terreno comum a artistas e cientistas. Já Leonardo da Vinci (1452-1519) iniciou uma arte como investigação operativa", explica Isabel Azevedo, investigadora em Arte e Ciência e uma das convidadas das "Conversas".O relacionamento entre o artista e o cientista inscreve-se hoje em várias dimensões, explica Isabel Azevedo. "Actualmente, por exemplo, o atelier é substituído pelo laboratório e os artistas nem sempre dominam tecnicamente os aparelhos ou outros dispositivos tecnológicos, portanto, diversos artistas contemporâneos trabalham com assistentes ou equipas técnicas especializadas na área que querem manipular, seja computador, vídeo, fabricação de objectos, construção de ambientes ou produção de dispositivos electrónicos", avança.Por outro lado, frisa Isabel Azevedo, a Arte questiona os avanços científicos. "Para alguns analistas, o século XXI irá ser o século da biologia. O conhecimento acerca do mundo orgânico, incluindo o nosso próprio corpo, irá colocar questões culturais relevantes sobre o ser humano, e as implicações da manipulação genética. Tarefa mais uma vez para artistas em colaboração com laboratórios actualmente estabelecidos, como é o caso de Eduardo Kac, que reorienta o seu trabalho artístico para a discussão da nossa própria condição biológica", explica a especialista do Instituto de Investigação em Design, Media e Cultura.Isabel Azevedo é uma artista multimédia que explora as relações da arte, ciência e tecnologia, na produção de objectos artísticos, continuando e aprofundando investigação realizada anteriormente, na área de estudos de arte, sobre a plasticidade da luz, integração da óptica e luz laser nas artes visuais, holografia e criação artística, holografia e vídeo, instalações holográficas e ambientes multimédia. Trabalha na criação de invólucros pseudo-emersivos que englobam o observador, tirando-o do seu meio e envolvendo-o numa experiência perceptiva.Para debater o diálogo entre Arte e Ciência em Portugal estarão no Museu:- Mónica Guerreiro (Direcção-Geral das Artes),- Joana Cunha (Ciência Viva),- Simão Costa (artista do primeiro programa de residências artísticas em instituições científicas), - Paulo Pereira e Herwig Turk (autores da exposição 'O Laboratório Invisível'),- Mário Montenegro (companhia de teatro MARIONET),- Isabel Azevedo (artista multimédia e investigadora em Arte e Ciência)- António Pedro Pita (filósofo)As Conversas de Arte & Ciência decorrem no dia 13 de Outubro, das 15 às 18 horas.A entrada é livre.Programa:15h - “Programa Rede de Residências Experimentação – Arte, Ciência e Tecnologia”,Mónica Guerreiro (Direcção-Geral das Artes), Joana Cunha (Ciência Viva),15h20 – “iAVi - Arte digital em espaço público: realidades aumentadas.”, Simão Costa(artista, participante do primeiro programa Rede de Residências),15h40 - "Laboratório Invisível", Paulo Pereira (cientista) e Herwig Turk (artista),16h - "Ciência no Teatro", Mário Montenegro (director artístico da MARIONET einvestigador em Teatro e Ciência na FLUC/bolseiro de doutoramento da FCT),16h20 - "A experiência estética das imagens holográficas”, Isabel Azevedo (artista einvestigadora - Investigação em arte),16h40 - “Proximidades e distâncias”, António Pedro Pita (Filósofo)17h - Pausa17h15-18h - Mesa redonda com todos os intervenientes.
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October 9 2009, 4:14pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
CONVERSAS DE CIÊNCIA E ARTE
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/conversas-de-ciencia-e-arte.html
13 de Outubro | 15h00-18h00Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:Hoje em dia, alguns dos conceitos que circulam no espaço cultural não provêm apenas das Ciências Humanas ou da Filosofia mas também da Física, da Biologia, das Neurociências, da Matemática, da inteligência artificial. Esta circulação favorece as ligações entre a ciência e a arte. As Residências Artísticas do Programa Ciência Viva têm vindo a promover este encontro entre Arte e Ciência.Vamos poder conhecer a experiência de quem já participou neste programa, bem como discutir novas abordagens para incentivar o diálogo entre Arte e Ciência. Saiba maisOUTRAS SUGESTÕES O LABORATÓRIO INVISÍVEL (até 18 de Outubro 2009)A exposição temporária O LABORATÓRIO INVISÍVEL reúne as últimas obras criadas no âmbito do projecto BLINDSPOT, iniciado em 2004, por Herwig Turk em co-autoria com Paulo Pereira.BLINDSPOT visa criar objectos e dispositivos artísticos que procuram problematizar o valor simbólico da percepção enquanto parte integrante e contaminante dos processos de construção do conhecimento científico. Saiba maisSÁBADOS NO MUSEU (até 26 Dezembro 2009)O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra continua a animar todos os Sábados à tarde com muitos ateliers divertidos. No último trimestre de 2009, temos muitas actividades relacionadas com Charles Darwin! Saiba mais CIÊNCIA EM FAMÍLIA | DESCOBRE OS ROBÔS (25 Outubro 2009)Norberto Pires | Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de CoimbraTendo como pano de fundo a exploração espacial, nomeadamente de planetas distantes, faremos uma viagem a Marte com os robôs da NASA e utilizaremos pequenos robôs para demonstrar as capacidades destas maravilhosas máquinas. Saiba mais MAIL-ART : A (R)EVOLUÇÃO DE DARWIN (até Dezembro 2009)No âmbito das comemorações do bicentenário do aniversário do nascimento de Charles Darwin e dos 150 anos do aniversário da publicação da suaobra mais importante. A origem das espécies, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra lança o desafio aos artistas de Mail-Art de todo o mundo, no sentido de nos enviarem trabalhos inspirados na figura de Darwin ou na teoria da origem e evolução das espécies. Saiba maisBOLSA de Gestão em Ciência e Tecnologia (até 23 de Outubro 2009) O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra tem aberto concurso para uma Bolsa de Gestão em Ciência e Tecnologia, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, em programação de conteúdos museológicos, com a duração de um ano, renovável duas vezes. O bolseiro integrará a equipa museológica responsável pelos conteúdos da exposição permanente da segunda fase do projecto do Museu da Ciência, que se encontra em desenvolvimento. A actividade do bolseiro será ainda a de participar no desenvolvimento e produção de conteúdos científicos para as exposições temporárias do Museu da Ciência. Saiba mais
October 9 2009, 3:23am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
PRÉMIO DE ARQUITECTURA PARA ESTAÇÃO DE CIÊNCIA
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Do "Público" on-line de hoje:"A Estação Biológica do Garducho, na Amareleja (Mourão), da autoria do arquitecto João Maria Trindade, foi hoje galardoada com o Prémio FAD 2009 de arquitectura, o mais importante galardão da arquitectura ibérica, outorgado em Barcelona (Espanha)."Imagens da espectacular obra podem ser vistas aqui. O sítio da Estação Biológica é este. A artista Fernanda Fragateiro está lá a fazer um trabalho, baseado em obras literárias (por exemplo, "Breves Notas sobre a Ciência", de Gonçalo M. Tavares) com o apoio da Gulbenkian.
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October 9 2009, 2:58am | Comments »






