Mais três poemas sobre animais da autoria de Joaquim Namorado, que constam de um livrinho, não datado e sem depósito legal, intitulado "Zoo", do qual se fizeram 500 exemplares, todos eles rubricados pelo autor e editor:SERENATAMetam o burro na gaiolade douradas gradese tratem-no a alpistase quiserem- é só um despropósito.Mas esperar dele o trinardo canário medodiosoé simplesmente tolo.Joaquim Namorado
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POEMA ZOOLÓGICO 1
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September 9 2009, 10:45am | Comments »
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A magia dos números: o nove
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Artigo meu que saiu no "Entre as Artes e Letras" de hoje, 9/09/09:Quando o leitor me estiver a ler, poderão ser 9h09 do dia 9/9/09. Claro que é uma coincidência curiosa, assim como houve e haverá outras: no ano passado o relógio passou pelas 8h08 do dia 8/8/08 e, no próximo ano, passará com toda a certeza pelas 10h10 do dia 10/10/10 (um perfeito dez!).Mas o pretexto é bom para falar da “magia” dos números, ou melhor, do poder de sedução dos números. Os números e os jogos entre eles sempre atraíram os seres humanos. Em particular, muitos artistas encontraram nos números inspiração para as suas obras.O número nove é o número preferido do engenheiro e também arquitecto britânico Cecil Balmond, que é entre várias outras obras responsável pelo planeamento estrutural da pála do Pavilhão de Portugal no Parque das Nações em Lisboa, da autoria do arquitecto Álvaro Siza Vieira, e responsável pela arquitectura da ponte Pedro e Inês sobre o rio Mondego em Coimbra (como a “The New Yorker” fez questão de lembrar, num artigo consagrado a Balmond, esta foi, em todo o mundo, a primeira obra de arquitectura do até então apenas engenheiro civil). Pois Cecil Balmond é o autor de uma curiosa obra dedicada na sua totalidade ao número nove, com prefácio de António Mega Ferreira: “O número 9. Em busca do código sigma” (Replicação, 2000). Nesse livro, o autor discorre sobre as propriedades do número nove, partindo de uma história sobre o “ponto fixo do vento” (o centro da rosa dos ventos, que tem quatro pontos cardeais e quatro subcardeais). Conta-nos as propriedades que a história e as lendas associam ao nove. Apesar de não ter a “mística” do três ou do sete, o nove tem muita fama na religião e na literatura. Há, na tradição grega, nove musas, filhas de Zeus e Mnemósina (associadas a nove virtudes: eloquência, persuação, sageza, conhecimento, matemática, astronomia poesia, música e dança). Há, na tradição cristã, nove coros de anjos no Paraíso, nove círculos do Inferno na “Divina Comédia” de Dante, nove categorias de abençoados no Sermão da Montanha, e, segundo o Evangelho de S. Marcos, Jesus Cristo morreu à nona hora. Na tradição árabe, Alá é abençoado com 99 nomes e a festa do Ramadão ocorre no nono mês do ano lunar (portanto, por estes dias). E, na tradição hindu, o 9 é considerado um número completo, perfeito e divino até porque fecha um ciclo no sistema decimal, originário da Índia. Shakespeare põe, em “Macbeth”, as bruxas a cantar ”Três vezes para ti, três vezes para mim, e três vezes mais parta contar nove”. E, na cultura pop, os Beatles cantam, como bem lembra António Mega Ferreira, a canção “Revolution 9”, repetindo o 9. No cinema, em 9/9/09 vai ser lançado um filme de animação com o curto título “9” (talvez o mais curto título da história do cinema!) do realizador Shane Acker com coprodução de Tim Burton e, em Novembro, estreará o filme “Nove”, de Rob Marschal, com Penélope Cruz, Nikole Kidman e Sophia Loren, inspirado no famoso “8 ½” de Frederico Fellini. Dada a fama do nove, não admira que algumas pessoas tenham ficado aborrecidas quando os planetas do sistema solar deixaram há pouco tempo de ser nove, com a requalificação de Plutão...Mas o que vem a ser “código sigma” de que fala Balmond? Sigma é a letra grega que é usada para designar somatório. E o autor usa-a para associar a cada número inteiro a soma dos seus dígitos e depois a soma dos dígitos que ficam, e assim sucessivamente até ficar só um dígito. É esse o procedimento que se usa na chamada “prova dos nove” que serve, ou pelo menos servia antigamente, para verificar a correcção de operações aritméticas (deve ser dito que esta técnica, embora útil, não garante a correcção do resultado). A propriedade subjacente a este simples teste, também chamado dos "nove fora", terá seduzido Balmond a escrever sobre o número nove (ele diz que "os “noves não deixam marcas”), tal como outros arquitectos escreveram sobre outros números (por exemplo, Le Corbusier escreveu sobre a razão dourada). Há, portanto, que reconhecer a existência de uma certa “magia” ligada ao nove, mas tem de se acrescentar que muitas divagações numerológicas deste tipo são algo ou mesmo perfeitamente vazias ("noves fora nada")...O matemático David Wells, no seu “Dicionário de Números Interessantes e Curiosos” (publicado em 1996 na estupenda colecção “O Prazer da Matemática” da Gradiva) enuncia algumas propriedades peculiares do nove: é o terceiro quadrado (depois do um e do quatro, já que um é o quadrado de um, quatro é o quadrado de dois e, logo a seguir, nove é o quadrado de três). Constitui, com o oito, as únicas potências conhecidas que diferem de uma unidade. É, além disso, o único quadrado que é a soma de dois cubos consecutivos, pois nove é a soma de um ao cubo com dois ao cubo.Wells fala também de quadrados mágicos, um tópico fascinante que une a aritmética, a geometria e a arte. Albrecht Duerer, na sua gravura ”Melancolia”, mostra um quadrado mágico de 16 casas, (quatro por quatro). O quadrado mágico mais conhecido é, porém, de nove casas (três por três): este quadrado está dividido em nove casas: só há basicamente uma maneira de dispor os nove algarismos - o zero não conta - no quadrado de modo a somar sempre o mesmo número, quer ao longo de qualquer linha, quer ao longo de qualquer coluna quer ainda ainda ao longo das diagonais. A soma é 15 e o número 5, por uma questão de simetria, tem de estar no meio. Experimente o leitor construir um quadrado mágico, é como um “sudoku”... Os antigos chineses já conheciam o quadrado mágico de números. E os antigos romanos usavam um quadrado mágico quatro por quatro com letras, que podem ser lidas em linha ou em coluna, em qualquer sentido. É o chamado palíndroma, cujo significado tem sido muito discutido: SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS. Experimente o leitor colocar estas palavras umas sob as outras e lê-las na vertical...Como não podia deixar de ser, há maldições também associadas ao número nove (não há nada de mau no nove: há maldições associadas asociadas a vários outros números!). Uma das mais famosas diz que não se podem compor mais de nove sinfonias: Beethoven, como se sabe, morreu depois de concluir a “Nona”, deixando a “Décima” incompleta. Schubert e Brueckner não chegaram a acabar none sinfonias. Mahler escreveu a “Canção da Terra” depois da sua oitava. Quando estava a escrever a nona, que era de facto a décima, morreu... Também Dvorak só escreveu nove sinfonias. Que se trata, porém, de uma superstição é provado pelo facto de o compositor russo Dmitri Chostakovich ter escrito 15 sinfonias...
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September 8 2009, 5:23pm | Comments »
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FALSO POEMA LÓGICO 3
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Ainda outro poema de Joaquim NamoradoA CONSTRUÇÃO DA FRASEDizer em pleno meio-diade sol aberto"a chuva cai"não significaqualquer contradição:a frase é apenas uma formade dizer as coisas ,nada tem que ver afinalcom a verdade da situação.A verdade dos gramáticos é a regra.Joaquim Namorado
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September 8 2009, 5:44am | Comments »
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FALSO POEMA LÓGICO 1
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Em 28 de Junho de 1984 realizou-se em Coimbra um jantar de homenagem ao professor de Matemática e poeta Joaquim Namorado, no qual foram lidos alguns "falsos poemas lógicos" do autor, que, julgo, nunca vieram a ser publicados a não ser na "plaquette" de circulação muito limitada que então foi distribuída.Eis um desses poema, com o título "O que é, era":Quando Cristóvão Colombo descobriu a Américaa América estava lá ;o sangue já circulavaantes de descrever Harvey a sua circulação ;A gente respirava sem saberque respirar é uma oxidação ;Tudo existeO que se inventa é a descrição.Joaquim Namorado
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September 8 2009, 5:36am | Comments »
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A Viagem do Beagle. Um diário
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Darwin embarcou num brigue da armada britânica, o H.M.S. Beagle, para uma viagem de circum-navegação que deveria durar dois anos e acabou por durar 6. A experiência vividaesses anos, a possibilidade de conhecer e explorar regiões quase completamente desconhecidas para os ocidentais e seguramente para a ciência, foram decisivos na mudança radical de pensamento – usando a terminologia Kuhniana: na verdadeira ruptura de paradigma científico – que se operou em Darwin durante a viagem e nos dois anos subsequentes ao seu regresso a Londres. Nas suas palavras: “A viagem do Beagle foi, de longe, o acontecimento mais importante da minha vida e determinou toda a minha carreira; contudo, ela dependeu de uma circunstância tão pequena como o meu tio oferecer-se para viajar comigo 30 milhas até Shrewsbury, o que poucos tios fariam, e de uma trivialidade como a forma do meu nariz.” Fitzroy era um discípulo de Lavater (1741-1801) e acreditava que o carácter de uma pessoa podia ser desvendado a partir das suas características faciais. E não gostou do nariz de Darwin por achar que revelava falta de determinação. É, sem dúvida, graças a esta escolha quase fortuita que Darwin produziu uma das maiores revoluções científicas de todos os tempos. O objectivo da expedição era terminar o levantamento cartográfico da Patagónia e a costa da Terra do Fogo, iniciada pelo Capitão King entre 1826 e 1830, das costas do Chile, Perú e algumas ilhas do Pacífico, e regressar a Inglaterra por oriente, circum-navegando o globo. Efectuar ainda uma série de medições precisas de determinação da longitude dos locais de paragem, das condições meteorológicas e das marés. Darwin foi convidado por ser um jovem naturalista idóneo, e também por ser rico, pois não só o trabalho não era remunerado como era exigido que pagasse uma renda por mês durante a viagem. Foi escolhido depois de alguns outros naturalistas não se terem mostrado dispostos a uma viagem tão longa. Muitos foram os contratempos da partida, prevista para Setembro de 1831. Darwin aproveitou o tempo para se abastecer de livros e instrumentos e dar as últimas instruções ao envio contínuo para Inglaterra do material que seria recolhido. Após ter sido adiada por duas vezes, a partida do navio Beagle do porto de Plymouth, Devonport, fez-se finalmente a 27 de Dezembro de 1831. Um Diário Como forma de comemorar esta prodigiosa odisseia intelectual, vou elaborar alguns posts a propósito de datas significativas da Viagem, começando pelo dia 7 de Setembro de 1832. 7 de Setembro de 1832 Neste dia aportaram ao ancoradouro de Puerto Belgrano, depôs de na véspera terem chegado a Baía Blanca. Aí, uma escuna que navegava para sul para ir caçar focas ofereceu-se para conduzir o Beagle a um bom ancoradouro e à Feitoria. Ao chegarem depararam-se com um grupo de recepção, composto pelo comandante da feitoria, gaúchos com roupas exóticas, soldados não regulares armados e índios prisioneiros, julgando que o Beagle transportava alimentos de Buenos Aires, o que não era o caso. No dia seguinte, Darwin iniciou uma das mais importantes expedições científicas pelo interior da Patagónia. Nas suas expedições terrestres, fazia-se sempre acompanhar por um pequeno volume de poesia, o ‘Paraíso perdido’ de Milton. Ainda em Setembro escreve: “o mar, na sua extrema luminosidade, tinha uma aparência luminosa e muito bonita; todas as partes da água, que de dia são vistas como espuma, brilhavam com uma luz pálida. O navio levava à frente da proa dois biliões de fósforo líquido, e a sua esteira era uma caminho leitoso. Até onde a vista alcançava, o topo de todas as ondas era brilhante e, da luz reflectida, o céu acima do horizonte não era tão escuro quanto o resto. Era impossível contemplar essa planura, como se estivesse derretida e consumida pelo calor, sem me lembrar da descrição de Milton sobre as regiões do Caos e da Anarquia.” (Continua)
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September 7 2009, 4:02pm | Comments »
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AS PEDRAS PRECIOSAS NO MUSEU EPISCOPAL DE BEJA
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Recebemos o seguinte convite da diocese de Beja:O Bispo de Beja, o Director do Departamento de Mineralogia e Geologia do Museu Nacional de História Natural, o Presidente da Câmara Municipal de Beja e o Director do Departamento de Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja têm a honra de convidar V. Ex.a para a sessão AS PEDRAS PRECIOSAS NO MUSEU EPISCOPAL DE BEJA - Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres pelo Dr. Rui Galopim de Carvalho, gemólogo e Executive Liaison Embassador, ICA - International Colored Gemstone Association, que terá lugar a 5 de Setembro de 2009, pelas 16.30 horas, na Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, em Beja.Actividade integrada no âmbito do Programa Geologia no verão da Agência Ciência Viva do Ministério da Ciência, da Tecnologia e Ensino Superior.Entrada Livre
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September 4 2009, 4:25am | Comments »
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UM PASSEIO A BOLONHA
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Bolonha não tem o número de turistas de Florença, mas os turistas têm na capital da Emília Romana muito que ver. A Basílica de São Petrónio, a quinta igreja do mundo em tamanho, mostra uma fachada do século XIV inacabada, mas o interior é do melhor gótico italiano. Uma curiosidade científica é um relógio de Sol na forma de uma linha meridiana no chão, cujo cálculo foi feito no século XVII pelo astrónomo Giovanni Cassini, astrónomo na velha Universidade.Da Catedral pode-se ir a qualquer lado pelas arcadas. Bolonha é a cidade das arcadas, com mais de 35 km de passeio coberto dessa forma. E é também a cidade das torres, como as duas torres inclinadas da figura, do século XII, a Asinelli e a Garisenda, que pedem meças a Pisa, mais pequena, e que só não são gémeas porque uma mede o dobro da outra. De qualquer modo, Bolonha, graças ao número de torres e não só, já foi chamada a Nova Iorque medieval.A Universidade, a alma mater studiorum, que remontará a pelo menos 1088, ufana-se de ser a mais antiga do mundo ocidental (há universidades árabes mais antigas). Não admira por isso que a declaração de Bolonha das universidades europeia tenha o nome que tem. Impressiona, tanto ou mais que a antiguidade, a lista dos nomes que passaram como alunos ou professores pela Universidade bolonhense: Dante Alighieri, Francesco Petrarca, Nicolò Copernico (estudou lá Teologia), Paracelso, Marcello Malpighi, Giovanni Pico della Mirandola, Albrecht Dürer, Torquato Tasso, Carlo Goldoni, Luigi Galvani, e, já nos nossos dias, Pier Paolo Pasolini e Umberto Eco. Porém, um dos filhos mais famosos de Bolonha, Guglielmo Marconi, não estudou lá...
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September 2 2009, 1:55am | Comments »
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SUGESTÃO DE BLOGUE 3
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"Estação chronographica" é um blogue sobre o tempo e os relógios da autoria do jornalista Fernando Correia de Oliveira: aqui.
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September 1 2009, 5:07am | Comments »
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ITALO CALVINO SOBRE DANTE E GALILEU
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O escritor italiano Italo Calvino escreveu em "Ponto final. Escritos sobre Literatura e Sociedade" (Teorema, 2003), sobre a relação entre Dante e Galileu:"Quando eu disse que Galileu continua ser o maior escritor italiano, Carlo Cassola saltou a dizer: o quê, julgava que era Dante! Obrigadinho, que bela descoberta. Eu, em primeiro lugar, tinha intenção de dizer escritor em prosa; e então aí a questão põe-se entre Maquiavel e Galileu, e eu próprio fico embaraçado porque também amo muito Maquiavel. O que posso dizer é que na direcção em que trabalho agora encontro maior alimento em Galileu, como precisão de linguagem, como imaginação científico-poética, como construção de conjecturas. Mas Galileu - diz Cassola - era cientista, não escritor. Este argumento parece-me facilmente desmontável: do mesmo modo também Dante, num horizonte cultural diferente, fazia obra enciclopédica e cosmológica, também Dante através da palavra literária procurava construir uma imagem do universo. Esta é uma vocação profunda da literatura italiana que passa de Dante a Galileu: a obra literária como mapa do mundo e do saber, o escrever movido por um impulso cognitivo que é ora teológico ora especulativo ora feticista ora enciclopédico ora de filosofia natural ora de observação transfigurante e visionária."
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August 31 2009, 6:02pm | Comments »
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O PALAZZO VECCHIO DE FLORENÇA
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Continuando a minha reportagem de Florença: do Palazzo Vecchio, tem-se uma vista única sobre a Piazza della Signoria e também para a Duomo, sendo possível admirar melhor o trabalho do arquitecto Bruneleschi (em Florença, como o escritor inglês E. M. Forster sabia porque esteve lá, há não só um, mas vário belos "quartos com vista"). No Palazzo, uma das maiores atracções é a Sala dos Mapas Geográficos, com paredes todas pintadas a mapas pelo monge dominicano Fra Ignazio Danti (1563-1575), usando já o sistema de Mercator. No centro, o grande globo ("Mappa mundi") significa de certo modo o domínio do mundo.
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August 30 2009, 4:31am | Comments »



