Outro texto meu de há alguns anos sobre a aventura espacial, este extraído de "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva):Segundo o historiador de ciência inglês Joseph Needham o foguete foi provavelmente (nestas coisas nunca pode haver certezas) a invenção mais importante da China e a sua contribuição tecnológica mais importante para a humanidade. Ele estaria talvez a pensar na possibilidade de um dia a humanidade poder deixar o seu “berço” e estabelecer-se noutros planetas ou mesmo em estações permanentes no espaço.Needham é uma das maiores autoridades mundiais sobre a ciência e a tecnologia da China. Nascido em 1900, deu aos 37 anos uma grande volta na sua carreira de embriologista formado por Cambridge. Tendo encontrado e feito amizade com estudantes chineses, entusiasmou-se pela história da civilização chinesa. Para isso aprendeu a língua chinesa clássica. E, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, foi nomeado Conselheiro Científico da Embaixada Britânica na China. Correu a China toda, reunindo informações e coleccionando, com a obsessão de um caçador de tesouros, muitos livros sobre a antiga ciência chinesa. Essa biblioteca constitui hoje em Cambridge a maior biblioteca sobre a história da ciência e da técnica chinesa fora da China, tendo justamente o nome do seu fundador. Depois da Guerra, Needham tornou-se subdirector geral da UNESCO para a área das Ciências Naturais, tendo sido ele o responsável pelo S da sigla entre o E e o C (originalmente, a UNESCO tinha a intenção de se dedicar apenas à ciência e à cultura, mas a ciência, de “Science” fica muitíssimo bem entre as duas). De volta à sua “alma mater” Needham começou a escrever um longo e erudito tratado intitulado “Science and Civilization in China”, que tem saído sob a chancela da Cambridge University Press em 25 volumes (já saíram 17 volumes; o projecto continua depois da morte do autor em 1995). É praticamente impossível a um leitor ler por completo essa verdadeira obra prima da história da ciência, mas há resumos, um dos quais bastante acessível e ilustrado (que tem a vantagem de ter sido não só sancionado como prefaciado pelo próprio Needham): Robert Temple, “The Genius of China: 3000 Years of Science, Discovery and Invention”, Prion, Londres, 1986.É lá que podemos encontrar uma breve história do foguete chinês. Ficamos a saber que o foguete nasceu na China em 1150 (no calendário cristão, largamente ignorado pelos chineses). Foi usado em fogos de artifício e na guerra. É significativo que o árabe Hasdan al-Rammah tenha chamado em 1280 aos foguetes “setas chinesas”. Os foguetes foram rapidamente importados pelos ocidentais, na esteira das viagens de Marco Pólo ao Extremo Oriente. Assim, em 1380 foram usados numa batalha no norte de Itália, entre genoveses e venezianos. Temple (quer dizer, Needham) assinala que se tratou de uma importação bastante rápida: escassos dois séculos. Outras invenções do Império do Meio chegaram ao Ocidente com maior atraso. Ao ler Temple, ficamos verdadeiramente impresionados e mesmo confundidos com o número e a qualidade das invenções chinesas: a bússola, a pólvora, o papel e, Gutenberg que não se sinta diminuído, até a imprensa! Para não falar já de descobertas científicas, como a da circulação do sangue, comandada pelo coração, que era conhecida dos chineses muito antes - dois mil anos antes - do britânico William Harvey a ter anunciado na Europa no início do século XVII.Pois a invenção do foguete durante aquilo que no Ocidente se convencionou chamar Idade Média foi o primeiro passo para a longa marcha da humanidade para o espaço. O desenvolvimento rápido dos foguetes só se dá no século XX, sendo ele indissociável do nome do engenheiro alemão Wernher von Braun, pai não só dos dos foguetes V2 que semearam o pavor em Londres durante a Guerra, mas também do foguetão Saturno V, que foi utilizado para as viagens norte-americanas à Lua. Um foguetão é, evidentemente, um foguete grande e não deixa de ser curioso que os chineses, que tanta ciência e tecnologia desenvolveram nos tempos antigos, tenham perdido o “comboio do progresso” nos tempos mais modernos. O assunto daria muito pano para mangas, mas fica a importante nota que a actual civilização, muito ligada ao Ocidente mas partilhada cada vez mais pela China, assenta numa base científico-tecnológica que teve origem no método científico. Foi um italiano de Florença, contemporâneo de Harvey, que a desenvolveu e pôs em prática: Galileu Galilei. O problema do atraso da China é que Galileu não foi chinês, uma vez que, a partir dele, a evolução científico-técnica acelerada do Ocidente foi o que se sabe e o que se vê. Aos chineses nunca faltou o engenho, terá faltado a curiosidade e o método para a prosseguir de maneira sistemática.Em 1998 assistiu-se ao que podemos chamar, sem qualquer carga pejorativa, a “vingança do chinês”. Um foguetão de concepção e fabrico chinês, denominado “Longa Marcha”, pôs em órbita terrestre o primeiro “taquinauta” (yuhangyuan) chinês. A palavra “taquinauta” tem a ver com o facto de os russos chamarem “cosmonauta” e os americanos “astronautas” aos seus viajantes do espaço: “taquinauta” significa “espaçonauta”, viajante no espaço. É claro que os chineses, que são agora mais claramente uma potência mundial no espaço, tinham de querer um nome próprio para os seus homens. A Europa continua “pendurada” nos norte-americanos e russos para as suas viagens espaciais tripuladas: por exemplo, a ex-ministra francesa para a Investigação Científica e as Novas Tecnologias, Claudie Aignerée, viajou na MIR e na Estação Espacial Internacional e o astronauta espanhol Pedro Duque partiu, a bordo de uma nave russa, para a Estação Espacial Internacional, onde realizou várias experiências científicas e didácticas. Mas não há um nome europeu para viajantes do espaço... O primeiro “taquinauta” chama-se Yang Liwei e faz parte de um grupo de “eleitos” que foram intensivamente treinados. A cápsula Shen Zhou-5 (“Nave Divina”, os nomes chineses são curiosos!) tripulada por esse digno sucessor do russo Yuri Gagarine e do norte-americano Alan Shapard regressou à Terra no dia 15 de Outubro, caindo em segurança nas planícies da Mongólia Interior depois de algumas voltas bem sucedidas ao nosso planeta. Foi um pequeno passo para ele, mas um grande passo para a China e, uma vez que os chineses são uma parte enorme da humanidade, para a humanidade.Os aplausos foram unânimes. Norte-americanos, russos e europeus felicitaram os chineses pela proeza, que para a China constitui um marco do seu avanço científico-técnico. Esse aplauso geral significa que já não há utilização do espaço para efeitos de “guerra fria”, como aconteceu durante anos. Os norte-americanos, um pouco combalidos do desastre da “Columbia”, sabem bem o valor dos chineses, sabem bem por exemplo o que têm beneficiado com a presença de muitos e bons estudantes chineses nas suas universidades e institutos de investigação. A China de hoje é uma China que soube recuperar, usando o método científico e a tecnologia que lhe está a jusante (na antiga China a tecnologia estava a montante da ciência), do seu atraso.Houve inegavelmente um aproveitamente político do voo espacial tripulado de Yang Liwei. O nome “Longa Marcha” do foguetão utilizado é sintomático ao evocar a herança maoísta. Na verdade, os chineses sempre cultivaram algum nacionalismo e não seria agora que iriam desdenhar a oportunidade de aumentar a auto-estima nacional. Há boas razões para isso uma vez que desenvolveram ciências e tecnologias próprias e fizeram um investimento enorme no seu programa espacial. O Instituto sobre História da Civilização Chinesa que Needham nos legou em Cambridge terá um dia de incorporar nas suas publicações a história deste feito chinês. Mas o importante é que a “longa marcha” para o espaço, que a humanidade começou a empreender a partir do primeiro foguete chinês, seja um empreendimento onde não caibam nacionalismos doentios nem rivalidades mesquinhas e inúteis. Deve ser um projecto de toda a humanidade!Na foto: Yang Liwei, o primeiro "taquinauta".
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A LONGA MARCHA PARA O ESPAÇO
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July 28 2010, 6:03pm | Comments »
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2001 ODISSEIA NO ESPAÇO
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Do meu livro (esgotado, ao que julgo saber) "A coisa mais preciosa que temos" (Gradiva) recupero o texto sobre "2001 Odisseia no espaço", escrito precisamente em 2001, vai fazer dez anos:Foi em 1978 que se estreou o filme de Stanley Kubrick “2001 Odisseia no Espaço”. Passou muito tempo. Mas chegou, ao fim de 33 anos, o ano de 2001, aquele que decorre a acção escrita por Arthur Clarke e Stanley Kubrick. Já em 1984 tinha chegado o ano em que George Orwell colocou o seu romance com o mesmo título. O futuro, anunciado pelo cinema e pela literatura, continua pontualmente a chegar.Que semelhanças há entre a ficção científica e a acção científica? Muitas. Não esqueçamos que o físico inglês Sir Arthur Clarke, residente desde há muito no Sri Lanka, participou na construção do primeiro radar, integrado numa equipa da Royal Air Force, durante a Segunda Guerra Mundial. Na sua imensa produção bibliográfica equilibram-se as obras de ficção e as de ensaio. No filme “2001” uma nave com astronautas a bordo começa por se deslocar à Lua. A mesma viagem espacial não demorou praticamente nada depois da estreia do filme a acontecer na realidade. Os astronautas da “Apollo 8”, que foram os primeiros a efectuar uma viagem em órbita da Lua, em Dezembro de 1978, já tinham visto o filme quando partiram para o espaço. Disseram mais tarde que estiveram quase a anunciar para a Terra a descoberta de um monólito no solo lunar, numa brincadeira sugerida pelo filme... Em 1969, o norte-americano Neil Amstrong pisou o solo lunar sem ter encontrado nenhum monólito.No filme, o monólito acaba por indicar o caminho para Júpiter (na novela de Clarke, para o outro gigante do sistema solar, Saturno). E, se o leitor se bem recorda -- se não se recorda, ponha a cassete vídeo ou o DVD no aparelho de leitura --, é nessa altura que o computador HAL (repare-se que as iniciais são as que seguem alfabeticamente às de IBM), perante uma avaria na antena, procura tomar o comando da nave, revoltando-se contra os humanos. Diz o robô para um dos astronautas: “Sorry to interrupt the festivities, but we have a problem” (“Desculpem interromper a festa, mas temos um problema”). Em 1970, sabemos o que aconteceu com a “Apollo 13” (a falha deu, de resto, um outro filme). Um astronauta real transmitiu por rádio para a sala de controlo: “Houston, we have had a problem” (“Houston, tivemos um problema”). Coincidência ou não, o módulo de comando chamava-se “Odisseia” e, pouco tempo antes do acidente, a tripulação tinha estado a ouvir o famoso tema do filme, “Also Sprach Zarathustra”, de Richard Wagner. Clarke comenta no epílogo a uma reedição do livro “2001” que se sentiu quase co-responsável pela situação real de crise...As luas de Júpiter e de Saturno seriam fotografadas pela sonda “Voyager 2”, lançada em 1977, nas vésperas do filme. Em 1979, essa sonda, não tripulada (como se o robô HAL tivesse razão ao querer tomar conta sozinho dos destinos da nave ficcional), passava pelas quatro luas mais próximas de Júpiter: Iô, Europa, Ganímedes e Calisto. Em 1981, a “Voyager 2” chegava a Júpiter e às suas luas: Mimas, Iapetus, Titã, etc. (são muitas e parece que ainda não acabou a sua conta). Em 1995, a sonda “Galileo”, lançada em 1989, chegava a órbita de Júpiter, apesar de uma avaria numa das suas antenas. Hoje, a nave “Cassini”, lançada em 1997, vai a caminho de Saturno e das suas luas, onde chegará em 2004. Os sete longos anos da viagem, depois de usar a ajuda gravitacional de Vénus (um efeito que Clarke incluiu premonitoriamente nos seus escritos), indicam-nos que Clarke e Kubrick tinham razão quando colocaram os seus astronautas a hibernar enquanto não chegavam a Júpiter.As missões de exploração do sistema solar exterior não são tripuladas. Só são tripuladas missões orbitais perto da Terra, como a estação espacial internacional, que está a ser construída num esforço conjunto de americanos, russos e europeus. Nos anos 80, a estação espacial norte-americana “Skylab” colocada em órbita da Terra, tinha uma forma circular que não era muito diferente da nave “Discovery”, inventada por Clarke para “2001”. Ao contrário desta, porém, não rodava constantemente para manter uma gravidade artificial. Mas isso não impediu os astronautas a bordo de filmarem uma sequência de corrida na “Skylab” bastante parecida com um “take” do filme 2001. As imagens foram, evidentemente, sonorizadas com a música retumbante de Richard Wagner.O filme de Kubrick é praticamente perfeito. Há só um pequeno erro: um amigo físico e cinéfilo contou-me que o líquido no interior da palhinha de um dos astronautas cai no filme, apesar de as condições serem supostamente de imponderabilidade... O rigor do guião de Clarke e da câmara de Kubrick encontra inspiração no rigor com que a NASA planeia e executa as suas missões. Ou não será antes ao contrário: que os engenheiros da NASA se inspiraram em Clarke e Kubrick?Stanley Kubrick, entretanto falecido, habituou-nos a realizar uma e uma só obra-prima de um dado género cinematográfico e, depois da realização de “2001”, abandonou de vez o género de ficção científica. Mas Clarke insistiu no tema, e escreveu “2010 Odisseia 2”, que foi passado ao cinema pelo realizador norte americano Peter Hyams (a película estreou-se em 1984). A correspondência electrónica entre o escritor no Sri Lanka e o realizador em Los Angeles, feita em computadores pessoais primitivos, está registada em livro (“The Odyssey File”, Arthur Clarke e Peter Hyams, Panther Books, 1985). Em “2010” continua a acção de “2001”: tratava-se agora de colonizar Júpiter. Mas o tempo é de guerra fria. Os russos lançaram a nave “Leonov”, atrás da “Discovery” (há, na realidade, um marechal Alexei Leonov, cosmonauta e herói da ex-União Soviética). A “Leonov” chega à “Discovery” (o que faz lembrar os encontros entre a “Soyuz” e a “Apollo”, em que o astronauta Leonov participou). As duas expedições acabam, depois de várias peripécias, por cooperar. No final, Júpiter, por acção dos estranhos monólitos, acaba por se transformar numa estrela, um segundo sol (de facto, se Júpiter fosse bastante maior do que realmente é o sistema solar teria duas estrelas, o que não seria nada favorável para a estabilidade da órbita da Terra e, portanto, para o desenvolvimento de vida no nosso planeta). Uma enigmática mensagem chega entretanto aos russos e americanos: “Todos estes mundos serão vossos excepto Europa: usai-os em conjunto, usai-os em paz”. Os russos tinham recebido sinais da lua Europa que pareciam indicar a presença de vida e fica-se na dúvida sobre a existência ou não de vida nessa lua.Vida numa lua de Júpiter? Nada mais actual, numa altura em que é anunciada, a partir de registos recolhidos e enviados pela sonda Galileo, a possibilidade de haver água líquida, e hipoteticamente vida, em Ganímedes, uma lua de Júpiter. A realidade é, por vezes, mais estranha do que a ficção. Claro que falta ainda um contacto com seres extraterrestres, construtores de monólitos ou não. Mas isso poderá acontecer em qualquer altura. Lembremos as palavras avisadas do padre, cientista e filósofo, Teilhard de Chardin: “À escala do cósmico, só o fantástico tem probabilidade de ser verdadeiro”.
July 27 2010, 8:04pm | Comments »
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GIRA-TOALHA!
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Nova crónica de António Piedade saída n'"O Despertar":Se observarmos, neste tempo balnear, as pessoas deitadas numa praia qualquer, constatamos que estão, quase sempre, a tentar obter a melhor orientação para uma maior exposição do seu corpo ao Sol. E fazem-no num sincronismo colectivo proporcional e modelado à preguiça de cada um. Verificamos que as pessoas tendem a manterem-se alinhadas com linhas imaginárias que convergem perpendicularmente ao plano do disco solar.Que trabalheira estar sempre a rodar a toalha! Se tivéssemos um dispositivo que a sincronizasse com a velocidade angular média aparente do Sol no firmamento (aparente, porque, na realidade, é a Terra que está a rodar), não teríamos este desconforto todo do levantar, colocar a toalha na orientação seguinte do ponteiro solar, voltar a deitar, verificar que ainda não é essa a direcção que nos ilumina a maior parte da superfície corporal, voltar a levantar… enfim!Com o conhecimento tecnológico que hoje possuímos não nos seria difícil construir uns suportes mecânicos, com areia por cima, que girassem de forma a garantir a exposição desejada por cada um. Uns sensores de intensidade luminosa, estrategicamente colocados, ligados a um pequeno computador, servo de meia dúzia de instruções contendo em base de dados a equação do tempo de modo a calcular a velocidade angular média aparente do Sol à latitude e dia do ano, comandariam alguns motores, silenciosos, que manteriam a plataforma de férias sempre direccionada para o astro-rei! Não seria necessária qualquer fonte de energia terrena, nem cabos, uma vez que discretos painéis solares (feitos com os polímeros de última geração impregnados com a melhor de sílica da areia local) bordariam a corola do “gira-toalha”. Nas intermitências, a energia radiante que sobejasse carregaria um conjunto de pequenas baterias. Estas, por sua vez, poderiam alimentar todo o sistema se porventura uma ousada nuvem cobrisse o Sol. Ou então, permitir uma versão de praia ao luar para os noctívagos balneares.Também interessante, seria tecermos a própria toalha com essa tecnologia incorporada nanotecnologicamente em microfibras. “Cozido” a ela, um sistema de tracção mecânica à base de micro lagartas, ajustáveis à fineza do areal, encarregar-se-ia da movimentação.“E porque é que não levamos uns girassóis e nos deitamos em cima deles”, diz-me um menino a brincar na areia, divertido com a sua genuína e genial simplicidade. Nem mais. Os girassóis já trazem tudo integrado e com um design ecológico! Além disso, como são naturais, são biodegradáveis. Mas, teriam de ser uns girassóis capazes de nos suportar e não sabemos se não seríamos tóxicos para eles uma vez deitados em cima deles!Já agora e a propósito, como é que os girassóis seguem o movimento solar?A foto-orientação de plantas como o girassol, em resposta à luz solar ou heliotropismo, é desencadeada pela desigual intensidade da radiação que incide em diferentes partes da planta. Em geral, as células da planta mais iluminadas sofrem uma alteração no seu conteúdo em água, resultado da activação/desactivação de um conjunto de vias de sinalização bioquímicas que envolvem uma hormona vegetal designada por auxina. Esta é responsável pelo crescimento e movimento diferenciais de partes diferentes da planta. Sabemos hoje que também ocorre uma movimentação dos cloroplastos (organelos responsáveis pela fotossíntese) nas células vegetais, em resposta à maior ou menor incidência da luz. No conjunto, verifica-se que as células mais expostas à luz reduzem o seu tamanho enquanto as que estão mais à sombra aumentam o seu volume interno. Isto ocorre reversivelmente e provoca uma rotação ou faz com que a haste ou caule se encurve.Assim, do balanço luz/sombra – movimento aparente do Sol, a resposta das células vegetais é o de tirar o maior proveito da luz solar incidente… sem apanhar escaldões nem desenvolver cancro!António Piedade
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July 26 2010, 4:01pm | Comments »
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MÚSICA NA COROA SOLAR
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Nova crónica de António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":À frente de uma colmeia, algumas abelhas esvoaçam a preguiça e descrevem uma dança distinta da do dia anterior. É alvorada, e nada indica que as ditas abelhas estejam a comunicar a localização de um certo campo de flores, rico em pólen, eventualmente detectado na véspera, ao crepúsculo, mesmo antes de regressarem para a colmeia para mais uma noite: “Se o Sol não subir amanhã no horizonte, ninguém sai da colmeia”, zumbem ao adormecer. Mas hoje não é esse o caso. O astro amigo da vida, aparece cada vez mais intenso, mais radiante, inebriando as abelhas com luz matinal; a sombra do velho carvalho, que retardava que o sol iluminasse a colmeia logo pela manhã, já a não escurece. Algo mudou e não foi a colmeia! Parece que começou uma nova estação solar. É isso! Começou o verão e isso muda a dança dos dias!Ali ao lado, uma multidão de gente, vinda de todas as partes, reúne-se ao redor de uma construção megalítica circular. Tal como a sombra ausente do carvalho sobre a colmeia, os humanos também observam e festejam o alinhamento do Sol com algumas das pedras erguidas no círculo; no seu centro e fora dele. Milhares de observações, ao longo de igualmente milhares de anos, levaram a que civilizações, da designada Idade do Bronze, edificassem tridimensionalmente, um monumento para celebrar a regularidade incansável dos astros, em particular do rei de todos eles: o Sol. A direcção da sombra, causada pela exposição solar das pedras iluminava o espanto da repetição: naquele mesmo dia há centenas de anos, o Sol também estava naquele ponto no horizonte celeste! E isso anunciava, a toda a criação, que o astro rei iria estar mais quente nos próximos tempos. A regularidade astral dava sustento à contemplação e ao fascínio que o Universo causa em seres sensíveis e mínimos. A certeza sediava-se em milhares de observações milenares registadas em edificação pétrea “3D”. Também anunciava que, dentro de pouco tempo, a noite começaria a crescer em relação ao dia, mas, e por enquanto, com uma temperatura estival.Iluminados pela luz estival acabada de chegar, astrónomos na Universidade de Sheffield, no sul da Inglaterra, utilizam computadores e matemática avançada para interpretar e traduzir os dados enviados por satélites (da NASA e da ESA), que observam e recolhem informação sobre o Sol, a proximidades infernais, e converter esses dados em música! (aqui)Com o rosto a sorrir de verão, o Professor Fáy-Siebenbürgen, director do projecto Sun Shine (aqui), ouve os últimos acordes (aqui) proporcionados pela “tradução” do movimento das projecções na coroa solar (projecções em “loops” para o espaço de matéria no estado de plasma na superfície solar, na realidade hidrogénio e hélio a altíssimas temperaturas) quais tsunamis no “oceano” de plasma de partículas sub-atómicas que banha a superfície solar, em acordes, harmonias da coroa solar, que sensibilizam a nossa audição e originam uma estranheza neuronal. Com uma temperatura de cerca de 2 milhões de graus Celsius, o ambiente musical deve estar sublimado! Os cientistas associam estas projecções na coroa solar (origem do vento solar) á actividade magnética do Sol. Sabem que uma grande mudança na actividade origina as chamadas tempestades solares. Estas, grandes quantidades de energia na forma de campos de campos electromagnéticos, “visíveis” no ultravioleta, causam perturbações nas comunicações tecnológicas humanas e interferem com instrumentação de base electrónica (telemóveis, computadores, televisões, satélites, linhas de transporte de alta tensão eléctrica, etc.). As avarias são comuns durante as tempestades solares. Deste modo, a possibilidade de prever, não o início de uma nova estação, mas o aumento significativamente intenso da actividade solar, reveste-se de uma importância crucial para a sociedade em que vivemos. E se essa predição se realizar através da audição musical da actividade solar, melhor: é a sinfonia solar, música com que a tempestade se faz anunciar!Resta-nos ouvir essa música (aqui) e ver a dança das abelhas à frente das colmeias. Será que estes sensíveis insectos dançam ao som/visão da mesma música, sensíveis que são ao ultravioleta? Por outras palavras: conhecerão as abelhas o fascínio do multimédia?
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June 28 2010, 3:33pm | Comments »
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Astronomia de Amadores
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Informação recebida pelo De Rerum Natura.A Asssociação Portuguesa de Astrónomos Amadores disponibiliza o acesso (sem restrições) da revista Astronomia de Amadores, n.º 39, JAN-JUL 2010Ver aqui.
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June 25 2010, 11:35am | Comments »
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"CONTACTO" DE CARL SAGAN NO CENTRO RÓMULO DE CARVALHO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/contacto-de-carl-sagan-no-centro-romulo.html
Informação recebida do Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra (clicar para ver melhor o cartaz):
June 17 2010, 2:37am | Comments »
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Início do "Big Bang"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/inicio-do-big-bang.html
Início do livro "Big Bang" de Simon Singh, recentemente publicado pela Gradiva:No princípioA ciência deve começar com os mitos e com a crítica dos mitos.Karl PopperNão me sinto obrigado a acreditar que o mesmo Deus que nos dotou de bom senso, racionalidade e intelecto quisesse que renunciássemos ao seu uso.Galileu GalileiViver na Terra pode ser caro, mas inclui uma viagem anual grátis à volta do Sol.AnónimoA física não é uma religião. Se fosse, teríamos muito mais facilidade em conseguir financiamento.Leon LedermanO nosso universo é pontilhado por mais de 100 mil milhões de galáxias, cada uma delas com mais ou menos 100 mil milhões de estrelas. Não sabemos ao certo quantos planetas existem na órbita destas estrelas, mas sabemos, com certeza, que num desses planetas se desenvolveu vida. Em particular, há uma forma de vida que teve a capacidade e a audácia de especular sobre a origem deste vasto universo.Os seres humanos olham para o espaço há milhares de gerações, mas nós temos o privilégio de pertencer à primeira geração que pode afirmar ter uma descrição respeitável, racional e coerente da criação e da evolução do universo.O modelo do Big Bang oferece-nos uma explicação elegante da origem de tudo o que se vê no céu nocturno, o que constitui um dos maiores feitos de sempre do intelecto e do espírito humanos. É a consequência da nossa curiosidade insaciável, de uma imaginação fabulosa, de observações apuradas e de uma lógica implacável.O que é ainda mais maravilhoso é que o modelo do Big Bang pode ser entendido por todos. Na adolescência, quando ouvi falar pela primeira vez do Big Bang, fiquei fascinado com a sua simplicidade e beleza, e por ter sido construído com base em princípios que, em grande medida, não iam além da física que estava a aprender na escola. Da mesma forma que a teoria da selecção natural de Charles Darwin é simultaneamente fundamental e compreensível para a maioria das pessoas inteligentes, também o modelo do Big Bang pode ser explicado em termos que façam sentido para os não especialistas, sem ser necessário distorcer os conceitos essenciais da teoria.Mas antes de irmos ao encontro dos primórdios do modelo do Big Bang necessitaremos de algumas bases.O modelo do Big Bang do universo foi desenvolvido nos últimos cem anos. No entanto, as conquistas do século XX só foram possíveis porque se apoiaram em alicerces da astronomia construídos em séculos anteriores. Por sua vez, estas teorias e observações do céu foram sendo introduzidas numa estrutura científica laboriosamente criada ao longo de dois milénios. Recuando ainda mais no tempo, o método científico como via para a verdade objectiva sobre o mundo material só floresceu quando o papel dos mitos e do folclore começou a declinar. No fundo, as raízes do modelo do Big Bang e o desejo de uma teoria científica do universo recuam ao declínio da antiga visão mitológica do mundo.
June 2 2010, 3:40am | Comments »
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2595 ANOS DA CIÊNCIA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/2595-anos-da-ciencia.html
Da última coluna "What's New" do físico Robert Park:BIRTH OF SCIENCE: NEXT FRIDAY, MAY 28, SCIENCE WILL BE 2,595 YEARS OLDOn May 28, 585 B.C. the swath of a total solar eclipse passed over the Greek island of Miletus. The early Greek philosopher, Thales of Miletus, alone understood what was happening. The world's first recorded freethinker, Thales rejected all supernatural explanations, and used theoccasion to state the first law of science: every observable effect has a physical cause. The 585 B.C. eclipse is now taken to mark the birth of science, and Thales is honored as the father. What troubles would be spared the world if the education of every child began with causality?Robert Park
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May 21 2010, 6:42pm | Comments »
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O Silêncio do Vazio
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/o-silencio-do-vazio.html
Novo post deo bioquímico António Piedade, um texto saído antes no "Diário de Coimbra":Não há música sem silêncio.Aliás o silêncio é parte integrante do som e, na música, há notações específicas, as pausas, para modelar não só o ambiente como também marcar os momentos em que só a silêncio se deve “ouvir”. Outro exemplo é o da pontuação na escrita, que, para além de permitir ao leitor retomar fôlego, é fundamental para o ritmo, para salientar uma ideia, demarcar uma informação, etc.Um exemplo sublime do domínio do silêncio na música é o tema conhecido por 4’33’’ (aqui) que John Cage compôs em 1952, só com silêncio, mas admitindo todos os sons envolventes (por exemplo, dos espectadores ou de um pássaro que chilreia,) .Mas o que é que há no silêncio de tão fascinante e mesmo excitante? Será a sua propriedade de poder ser interrompido? Mas o que é que significa, do ponto de vista físico, o silêncio ser interrompido? Significa que algo, ou alguma coisa, perturbou uma, ou um conjunto de partículas, e que essa perturbação se propagou, de forma ondulatória, até, por exemplo, ao tímpano do auditor.De facto não há som sem matéria que o propague. A rarefacção de matéria torna muito pouco provável que uma perturbação mecânica se propague no espaço, na forma de uma onda sonora. Mas os campos de forças sobre partículas podem “perturbar” o silêncio ou quietude das partículas!Neste contexto, é aceitável perguntarmo-nos se terá havido som no Big Bang? Mesmo na ausência de auditores com viabilidade nesse espaço-tempo em expansão, existem dados recolhidos por satélites sobre a radiação de fundo do Universo, resquício dos primeiros tempos, que nos permitem reproduzir o que poderíamos designar por primeiros "sussurros" do Universo.Actualmente, somos capazes de medir a densidade do Universo, tanto actual como passada, analisando a radiação cósmica de fundo, através dos dados de temperatura detectados e enviados, por exemplo, pelo satélite Wilkinson Microwave Anisotropy Probe (WMAP - aqui) da NASA, Agência Espacial Norte-Americana. Estes dados permitem aos cientistas ter uma ideia da variação na densidade de matéria no Universo. Mas também permitiram ao físico John Cramer, da Universidade de Washington, em Seattle, EUA, desenvolver uma simulação por computador de qual teria sido o "andamento sonoro" ao longo do Big Bang. É claro que não entendemos sons que não se propaguem no tempo! Esta simulação pode ser ouvida e a sua explicação lida neste sítio.Cramer trabalha no Relativistic Heavy Ion Collider, um dos maiores aceleradores de partículas do mundo. A simulação de Cramer expressa um longo zumbido inicial do Universo, que se tornou progressivamente mais grave à medida que as ondas se espalharam por um Universo em expansão. O tema de abertura cósmico abrange “apenas” os primeiros 760 mil anos do Universo.Não houve um grande Bang sonoro inicial. Só um zumbido que se foi progressivamente tornando grave num silêncio musical.António Piedade
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May 17 2010, 3:42pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
"Esqueçam Jesus"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/esquecam-jesus.html
Excerto de palestra do astrofísico Lawrence Krauss, sobre o tema "filhos das estrelas", também tratado pelo vencedor do "Famelab" português.
May 11 2010, 1:42am | Comments »







