Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (UC) (na imagem recolha de rocha lunar por um astronauta da Apollo 17):Com o apoio da NASA e da Critical Software, o Museu da Ciência da UC prepara-se para receber a pedra que o último astronauta a pisar a Lua trouxe na Apollo 17. É o culminar de uma história a 24 pés e 380 mil quilómetros que o investigador da Universidade do Texas, Carlos Oliveira, vai também revisitar, desvendando os segredos dos homens que participaram numa das aventuras mais ousadas da CiênciaVeio para a Terra com o astronauta Gene Cernan, o último Homem a pisar a Lua: uma pedra recolhida no âmbito de uma das aventuras mais ousadas da Ciência vai estar em exibição no Museu da Ciência da UC, uma iniciativa apadrinhada pela NASA e pela Critical Software. Depois de viajar de Houston (Estados Unidos) para Coimbra, a pedra da Lua vai ser apresentada no dia 22 de Maio às 17 horas, ficando em exibição até 24 de Julho.Na sessão estarão representadas a Universidade de Coimbra, a Critical Software, a Embaixada dos EUA, a Agência Ciência Viva e a Comissão Nacional do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009).A pedra que agora vai estar em Portugal foi recolhida no âmbito da missão Apollo 17, comandada por Gene Cernan entre 7 e 9 de Dezembro de 1972. Foi o próprio astronauta que a encontrou, a cerca de quatro quilómetros do local onde foi feita a alunagem.Com 152 gramas de peso, trata-se de um fragmento de uma rocha com mais de cinco toneladas e 3,9 mil milhões de anos, sendo mais velha que 99,99% de todas as rochas que compõem a superfície terrestre.Integrada nas comemorações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009), a exposição tem início no mês em que se comemoram os 40 anos da missão Apollo 10 que, também com Gene Cernan, permitiu fazer os últimos testes técnicos na órbita da Lua antes do lançamento da Apollo 11, a missão em que pela primeira vez um Homem pisou a superfície lunar (a 20 de Julho de 1969). O final da exibição acontecerá a 24 de Julho, no dia em que passam quatro décadas sobre o final da primeira missão tripulada a pousar na Lua.A apresentação da pedra da Lua é antecedida de uma palestra com o doutorando da Universidade do Texas Carlos Oliveira, que, trabalhando em estreito contacto com o Johnson Space Center, o centro da NASA em Houston, vai dar a conhecer a vida de alguns dos mais reputados astronautas de sempre. A sessão sobre "Os 12 Homens que pisaram a Lua" terá lugar às 15 horas. A entrada é livre."Fala-se bastante da corrida espacial da altura entre os EUA e a URSS - e por vezes discute-se a tecnologia - mas raramente se fala da personalidade dos heróis, daqueles que tornaram essa aventura possível, daqueles que deram a vida em condições extremamente difíceis para se fazerem ao 'mar espacial' e 'navegarem por mares (espaciais) nunca antes navegados'", lamenta Carlos Oliveira.Quem eram estes astronautas? Como se tornaram nos primeiros a pisarem a Lua? O que pensavam dos seus feitos? Sentiram medo enquanto enfrentavam a morte? E que impacto teve a conquista lunar nas suas vidas? "As pessoas que ficam para os anais da história têm uma coisa em comum: arriscam. Estes são os que vivem para chegarem mais além ou para fazerem outros (a humanidade) ir mais longe", frisa.E que histórias guardam os heróis da conquista lunar? "A tripulação da Apollo 12, por exemplo, tinha como lema 'Se realmente vamos fazer isto [ir à Lua], ao menos que o façamos de forma divertida'. Não faltam estórias sobre brincadeiras que faziam e aventuras menos próprias que tiveram", avança o cientista da Universidade do Texas. Mas revelações mais surpreendentes ficam para a sessão no Museu da Ciência da UC."Estou no Texas e o Centro da NASA em Houston não está longe, o que faz com que tenha um relativo contacto com os astronautas actuais, não só pelas minhas idas lá mas também porque eles fazem acções de divulgação na universidade. Por razões sentimentais lembro-me da Kalpana Chawla, que juntamente com outros astronautas, conheci quando foi visitar e dar palestras ao Maryland Science Center em Baltimore, em 2001, enquanto eu estava a trabalhar lá. Ela ficou-me na memória porque morreu (juntamente com os outros seis astronautas) no desastre do vaivém Columbia a 1 de Fevereiro de 2003 sobre o Texas. Já tive oportunidade de falar com o Gene Kranz, que era o director de controlo em Houston das missões Apollo, com o John Young, que esteve na Lua na missão Apollo 16 e que é uma pessoa bastante conhecedora dos meandros da NASA."Em 2003, Carlos Oliveira conheceu mesmo o segundo homem a pisar a Lua, Edwin "Buzz" Aldrin. "Buzz Aldrin foi na Apollo 11 - a primeira missão humana a pousar na Lua.Tornou-se no 2º homem a pisar a superfície lunar - aliás as fotos que se vêem do "Homem na Lua" é precisamente ele. O Armstrong andava com a máquina fotográfica e fotografou o Aldrin."Licenciado em Gestão de Empresas e em Astronomia, Carlos Oliveira é estudante de doutoramento em Educação Científica, com especialização em Astrobiologia, na Universidade do Texas em Austin. Trabalhou no Maryland Science Center, nos EUA, e no Astronomy Outreach Project da Universidade de Glamorgan no Reino Unido. O trabalho que desenvolve já lhe valeu dois prémios da Agência Espacial Europeia (ESA).
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PEDRA QUE O ÚLTIMO ASTRONAUTA TROUXE DA LUA EM EXIBIÇÃO EM COIMBRA
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May 18 2009, 5:17am | Comments »
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COMO CAMÕES E PEREIRA DA SILVA ESCREVERAM PORTUGAL NAS ESTRELAS
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:Canto V, Estância 14 d'Os Lusíadas:Já descuberto tínhamos diante,Lá no novo Hemisperio, nova estrela,Não vista de outra gente, que, ignorante,Alguns tempos esteve incerta dela.Vimos a parte menos rutilanteE, por falta de estrelas, menos bela,Do Pólo fixo, onde inda não se sabeQue outra terra comece ou mar acabe.O poeta d'Os Lusíadas atribuiu aos portugueses a descoberta de uma nova constelação. Historiadores internacionais desmentiram. Mas Luciano Pereira da Silva, um estudioso de Camões, tratou de inscrever o nome dos portugueses nas estrelas. Será que demos novos céus ao mundo?É uma polémica de estrelas: além de novas terras, os portugueses terão também descoberto novos céus, mas o feito continua sem reunir consensos. Camões atribuiu a identificação da constelação Cruzeiro do Sul, que figura em bandeiras de países como o Brasil e a Austrália, aos marinheiros lusos, mas essa descoberta foi desmentida pelos historiadores. A 21 de Maio, os investigadores Carlota Simões e Luís Silva Pereira vão estar no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) para darem a conhecer a astronomia que está por detrás d'Os Lusíadas.A sessão "Novos Céus" é a segunda de um ciclo de três conferências sobre a Ciência que povoa a obra portuguesa mais famosa de todos os tempos, depois de uma primeira palestra dedicada às "Novas Terras" que Os Lusíadas puseram a descoberto e que perduram no imaginário português, determinando ainda hoje a forma como viajamos. O ciclo "Camões, o Céu e a Terra" é organizado pelo Museu da Ciência da UC em parceria com o Centro Interuniversitário de Estudos Camonianos (CIEC). A entrada é gratuita."O mérito dos navegadores portugueses em relação a esta constelação foi posto em causa por Alexandre de Humboldt e pelos historiadores de Astronomia que o seguiram, ao afirmarem que a mais antiga referência ao Cruzeiro do Sul estaria numa carta de Andrea Corsali ao duque Julião de Medicis, a 6 de Janeiro de 1515", explica a matemática Carlota Simões.Mas será que foram os portugueses os primeiros a identificar a constelação que permitiu aos navegadores orientarem-se no hemisfério sul? "A investigação que Luciano Pereira da Silva desenvolveu em torno da estância 14 do Canto V é decerto o ponto alto da sua obra A Astronomia dos Lusíadas, contestando opiniões que dominavam já a literatura internacional e demonstrando que foram de facto os marinheiros portugueses quem descobriu quer a constelação quer o seu uso náutico", defende a também professora da Universidade de Coimbra.A tese de Luciano Pereira da Silva (1864 - 1926) foi publicada entre 1913 e 1915 na Revista da Universidade de Coimbra e está disponível na íntegra online. Neste trabalho, o matemático, que se notabilizou pelas obras sobre a história da navegação portuguesa, demonstra que "Camões tinha um conhecimento claro e seguro dos princípios da Astronomia, como ela se professava no seu tempo", directamente colhido na obra de outro dos portugueses mais notáveis de todos os tempos: o "Tratado da Sphera", de Pedro Nunes."Luís de Camões podia estar ao corrente das teorias de Copérnico, mas a concepção geocêntrica do universo servia-lhe maravilhosamente para cumprir, por um lado, com as exigências técnicas de um poema épico; e, por outro, como faz no canto X de Os Lusíadas, para formular poeticamente o destino radical do ser humano, uma filosofia do Amor e do Conhecimento, uma visão do destino de Portugal, uma concepção da História do mundo", refere, por outro lado, o investigador Luís Silva Pereira.Professor de Literatura Portuguesa na Faculdade de Filosofia da Universidade Católica Portuguesa de Braga e especialista na obra camoniana, Luís da Silva Pereira tem-se destacado também como poeta e cronista. No âmbito da sua actividade literária foi já distinguido com os prémios Jornal de Notícias e Adolfo Simões Müller.Licenciada em Matemática Pura pela Universidade de Coimbra, Carlota Simões é doutorada pela Universidade de Twente (Países Baixos). É professora auxiliar no Departamento de Matemática da UC.Depois da sessão sobre os novos céus d'Os Lusíadas, o ciclo "Camões, o Céu e a Terra" prossegue a 24 de Junho às 16 horas com uma conferência dedicada às referências antropológicas da obra de Camões. Os convidados serão o conceituado antropólogo Luís Quintais, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC, e o director do CIEC, José Carlos Seabra Pereira.
May 14 2009, 4:22am | Comments »
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O projecto “Carte du Ciel”, uma oportunidade perdida de modernizar a Astronomia portuguesa
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Como este ano é o Ano Internacional da Astronomia, publicamos novo post sobre história da Astronomia recebido do historiador António Mota de Aguiar (na imagem telescópio do Observatório de Paris no final do século XIX):Na década de 80 do século XIX a França era dos países do mundo mais desenvolvidos na área da astronomia e o Observatório Astronómico de Paris (OAP) era um dos seus centros mais notáveis. O seu director Urbain Le Verrier (1811-1877) tinha calculado a posição do planeta Neptuno, que veio a ser descoberto pelo alemão Johann Gottfried Galle (1812-1910), da Universidade de Berlim. Após o falecimento de Le Verrier foi nomeado director do OAP Amédée Ernest Mouchez (1821-1892).Até ao começo do século XIX, a astronomia só tinha podido estudar o sistema solar e as leis dos movimentos dos seus astros, sobretudo os que estavam mais próximos da Terra. Não obstante a singeleza dos instrumentos de precisão disponíveis, conseguiam-se obter as posições astronómicas com alguma exactidão, e conheciam-se as circunstâncias em que os astros descreviam as suas órbitas em torno do Sol, em obediência à lei da gravitação universal. As observações astronómicas já se faziam com fotografias, mas a tecnologia empregue era ainda absoleta. Tornava-se necessário fotografar grandes extensões do céu por meio de chapas fotográficas, que eram inexistentes na altura.Todavia, no final desse século, a astronomia deu um importante salto qualitativo. Em 1885, os astrónomos franceses irmãos Paul Henry (1848-1905) e Prosper Henry (1849-1903) construíram nas oficinas do OAP diversas objectivas acromáticas e iniciaram com elas uma série de observações fotográficas com grande sucesso. Era o princípio da chapa fotográfica, capaz de fotografar imensas áreas do céu, onde cabiam multidões de estrelas. Essas fotografias foram reunidas em catálogos estelares.Referindo-se a esta nova tecnologia, o britânico H.H. Turner, professor de Astronomia na Universidade de Oxford, disse:“(…), modern improvements in the construction of photographic plates have made them sensitive to yellow light under certain conditions, so that visual telescopes can be used to take photographs if a yellow screen cuts out the unfocussed blue rays, leaving only those for which the telescope has been properly focussed. When a suitable plate is then put behind the screen, pictures of the moon and stars can be and have been obtained quite as good as thoseobtained with a telescope specially made for photography. But in 1882 this had not been realised, and the Brothers Henry saw no way of using the new and promising photographic method but to make a new lens specially adapted for it. This they set about with great skill and determination. After a few trials on small lenses they at last succeeded in producing a photographic lens of 18 inches aperture, a veritable triumph of optical workmanship at this time. (…) It was the work of the lens thus produced by the Henrys that led directly to the inception of the Project we are considering. The specimen maps of small regions of the sky which they soon obtained suggested the possibility of producing such maps for the whole sky. At least 10.000 maps would be required to cover the whole sky; and a labour of this magnitude was beyond the ressources of a single observatory(…)” [1]Amédée Mouchez apresentou na Academia das Ciências de Paris as primeiras fotografias astronómicas realizadas pelos irmãos Henry, enfatizando as enormes vantagens da realização de um atlas da totalidade do céu.“Amédée Mouchez, who realized the potential of the new technology of photography to revolutionize the process of making maps of the stars. He conceived of a project that would take 22.000 photographic plates of the entire sky, each 2 x 2, and enlisted the aid of numerous observations around the world, who were each assigned a separate section of the sky to work on. (…) [2]Motivado pelo acolhimento positivo dado pela comunidade científica francesa e internacional da época, Amédée Mouchez organizou uma conferência internacional realizada no OAP de 16 a 27 de Abril de 1887. O projecto foi posto em marcha, prevendo-se que levaria entre oito e dez anos. De facto, levou muitos mais. Sobre a relevância do projecto, o próprio Mouchez diz-nos:“Cette Carte, qui sera formée des 1800 ou 2000 feuilles necessaires pour représenter, à une échelle suffisament grande, les 42.000 degrés carrés que comprend la surface de la sphère, et séparément, à plus grande échelle, tous les groupes d’étoiles ou tous les objets présentant un intérêt spécial, léguera aux siècles futurs l’état du Ciel à la fin du XIXème siècle avec une authenticité et une exactitude absolues. (…) Cette Carte donnera, en outre, dès qu’elle sera terminée, la possibilite d’étudier la distribution des étoiles dans l’espace, c’est-à-dire la constituition de l’univers visible; les célèbres jauges par lesquelles les deux Herschel avaient tenté de les classer par régions et grandeurs, à l’aide de leur grand télescope, se trouveront du coup bien dépassées et randues inutiles. Les astronomes les plus compétents sont unânimes à reconnaître que c’est une transformation complete qui va s’opérer dans l’Astronomie et une nouvelle ère qui s’ouvre pour cette science.” [3]O que estava em causa nessa conferência era, de facto, essencial para o futuro da astronomia. Vejamos ainda a opinião do representante norte-americano:“Sir: The great progress achieved in celestial photography and the remarkable star-photographs, recently taken at the Paris Observatory by Messrs. Henry, have led a number of astromers to believe that the time has come to undertake the construction of a chart of the heavens by photography. This grand undertaking, which would be of so great an importance to astromers of the future, would be easily accomplished in a few years if ten or twelve observatories, well distributed on the globe, could make a proper division of labor and work with methods identical in character, in order that the various parts of the chart might have all the essential homogeneneity. (…)” . [4]O projecto da Carte du Ciel foi dividido entre os 18 observatórios participantes [5]. A cada observatório era atribuído uma parte do céu, tendo cada um de realizar entre 1000 e 1500 chapas fotográficas. Para registar as chapas fotográficas foi fabricado um aparelho pela firma M. Gauthier que, naturalmente, era necessário comprar, para além da contratação de pessoal habilitado para o seu manuseamento.Entre os 58 membros presentes no congresso, encontrava-se o português Frederico Augusto Oom, uma vez que Portugal era um dos países convidados. Mas, na lista dos observatórios que deveriam proceder à leitura dos céus com a nova tecnologia das chapas fotográficas, não figurava nenhum observatório português.Resumindo: os 18 observatórios que tinham aderido ao projecto, dividiram entre si a totalidade do céu e trocaram entre si os conhecimentos astronómicos mais avançados do tempo. Todos eles passaram a trabalhar com enormes catálogos do céu onde estavam recenseadas milhares de estrelas e, pela via da astrofotografia, avançaram para estudos de astrofísica mais sofisticados.Embora Portugal estivesse representado nessa conferência, o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) não aderiu ao projecto. E a razão deve ter sido que Portugal não tinha dinheiro, em 1887, para modernizar a astronomia, aderindo às novas tecnologias da chapa fotográfica. Perdemos a oportunidade de associar o OAL às observações astronómicas mais desenvolvidas daquele tempo. Se nessa altura tivéssemos dado o salto para a astrofotografia, que exigia a aquisição de novos instrumentos e a formação avançada de astrónomos, teríamos certamente dado o salto adequado para a astrofísica, teríamos obtido os progressos astronómicos que, desde essa altura, de forma continuada, outras nações alcançaram. Em vez disso, fomos mantendo a astronomia de posição, uma ciência aquém daquilo que estava previsto para o OAL. Segundo Oom, o OAL foi concebido para estudar o espaço sideral, mas, estudar o espaço sideral implica necessariamente instrumentos para estudar as estrelas mais onerosos do que os utilizados para estudar o Sol, “que é generoso em luz”, como dirá mais tarde Costa Lobo. Portanto, não foram comprados novos instrumentos para observações siderais, nem foram admitidas pessoas com formação científica avançada. Felizmente que tivemos no OAL Campos Rodrigues, que, até 1919, ano da sua morte, foi executando notáveis trabalhos no domínio da astronomia de posição.António Mota de AguiarNOTAS[1] H.H. Turner, The Great Star Map, Abemarle St. W., London, 1912, pp. 16-18,[2] Wikipédia, em inglês, Carte du Ciel.[3] Amédée Mouchez, La Photogrphie Astronomique à l’Observatoire de Paris et la Carte du Ciel, Gauthier-Villars, Paris, 1887, pp.6-7.[4] Relatório do representante do governo norte americano na conferência, in John G. Wolbach Library, Harvard-Smithsonian Center of Astrophysics – Provided by NASA Astrophysics Data System, p.6.[5] O 19º observatório é o de Nizamia, na Indía, embora este não figure em todas as listas .
May 14 2009, 4:02am | Comments »
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História da Astronomia em Portugal
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Informação recebida da Biblioteca Nacional, em Lisboa, onde neste momento está patente a exposição "Estrelas de Papel":Jornadas de História da Astronomia em PortugalAnfiteatro da Biblioteca Nacional de Portugal21 de Maio 2009 | Quinta-feira | Entrada livre10h00 - AberturaJorge Couto, Director-Geral da BNP10h30 - A pré-história da astronomia no ocidente da Península IbéricaLuís Tirapicos, Museu de Ciência da Universidade de Lisboa e CIUHCT11h15 - A Astronomia no colégio de Santo AntãoHenrique Leitão, CIUHCT12h00 - D. João V, patrono do astrónomo BianchiniCândido Marciano da Silva, Universidade Nova de Lisboa e CIUHCT13h00 - Almoço14h30 - Os primeiros 100 anos do Observatório Astronómico de CoimbraJoão Fernandes, V. Bonifácio, F. Figueiredo,Universidade de Coimbra15h15 - Portugal e o desenvolvimento da astronomia estelar: a fundação do Observatório Astronómico de LisboaPedro Raposo, Universidade de Oxford e CIUHCT16h00 - Intervalo16h30 - Gago Coutinho: criador da navegação aérea astronómicaAntónio Costa Canas, Escola Naval e CIUHCT17h15 - Melo e Simas (1870-1934), um astrónomo na senda da relatividadeAna Simões, CIUHCT18h00 Encerramento e visita à ExposiçãoOrganização:Centro Interuniversitário de História das Ciências e da Tecnologia (CIUHCT) e Biblioteca Nacional de Portugal (BNP)
May 12 2009, 5:12am | Comments »
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A ÚLTIMA FRONTEIRA EM CASCAIS
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Informação recebida da FNAC Cascais (clicar para ver melhor)
May 7 2009, 8:30am | Comments »
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O “eclipse” de Einstein em Portugal
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/o-eclipse-de-einstein-em-portugal.html
Post recebido de António Mota de Aguiar, cuja oportunidade resulta de, em 29 de Maio próximo, passarem 90 anos após o famoso eclipse solar na ilha do Príncipe que serviu para estabelecer a Teoria da Relatividade (na foto lápide comemorativa da presença de Eddingtoin em S. Tomé em 1919):Num post anterior realcei que a Teoria da Relatividade teve audiência em Portugal num grupo restrito da comunidade científica. Décio Martins, físico da Universidade de Coimbra, referiu o desinteresse pela Relatividade em Portugal na década de 20: “Alguns trabalhos sobre este assunto, apenas esparsamente publicados nos anos 20, deixam transparecer uma notória indiferença inicial ao tema na comunidade científica portuguesa. [1]” De facto, a indiferença que a comunidade científica revelou com a Relatividade soma-se à sua indiferença com Einstein quando este passou por Portugal. Numa viagem à América do Sul em 1925, Einstein passou no nosso país duas vezes, na ida a 11 de Março e na volta a 27 ou 28 de Maio, mas, nos dois casos, a sua estadia passou despercebida em Portugal, um facto tanto mais surpreendente quando ele era já uma figura muito conhecida, pois, além de Prémio Nobel, que recebera em 1922, vira a Teoria da Relatividade ser sustentada com as observações do eclipse do Sol de 29 de Maio de 1919, no Príncipe e no Brasil.Aliás, a Royal Society of London, na pessoa de Arthur Eddington, astrónomo responsável pela missão britânica à ilha do Príncipe, manteve, ainda na Inglaterra, correspondência com a Sociedade de Geografia de Lisboa e com o Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), com os então director e vice-director, Campos Rodrigues e Frederico Oom [2], sobre os aspectos logísticos da missão.Um só astrónomo português mostrou interesse em ir à ilha do Príncipe: Manuel Peres, director nessa altura do Observatório Campos Rodrigues de Lourenço Marques e posterior defensor da Relatividade. Porém, por razões burocráticas, não conseguiu autorização. Nos jornais portugueses da época só há uma curta referência num jornal sobre tão flamejante evento científico.[3] Acontece que a Teoria da Relatividade era mundialmente conhecida em 1925 e já nessa altura se antevia a sua futura relevância.Mais significativo é o facto de Frederico Oom, desde 1920 director do OAL - Campos Rodrigues morrera em Dezembro de 1919 -, não ter dedicado um só artigo, quer à comprovação da Relatividade na ilha do Príncipe quer à passagem de Einstein por Lisboa. Sobre o primeiro caso, Elsa Mota argumenta o seguinte:“A partir do início do século XX, o interesse principal das observações de eclipses solares totais passou a pertencer fundamentalmente ao domínio da astrofísica. Este facto ajuda-nos a perceber a razão pela qual Frederico Oom (1864-1930), promovido a director do Observatório de Lisboa em 1920, nunca se referiu à ocorrência da expedição, dos seus objectivos e finalidades, apesar de ter sido um dos astrónomos portugueses que, entre 1917 e 1920, mais artigos de divulgação científica publicou, em revistas como The Observatory e Astronomische Nachrichten. Aliás, ele próprio foi activo participante na observação de outros eclipses.[4]” Num país subdesenvolvido como o nosso, onde todos estão de acordo sobre o atraso científico, o argumento de que as “observações de eclipses solares totais passou a pertencer fundamentalmente ao domínio da astrofísica” parece ser irrelevante. A nosso ver, é incompreensível que o Director do OAL não tenha divulgado tamanho acontecimento científico e não tenha, junto da comunidade científica portuguesa, preparado uma recepção a Einstein. Ele próprio tinha escrito um artigo n’O Instituto de 1917, no qual se referia ao futuro eclipse:“Em 29 de Maio de 1919 haverá um eclipse total do Sol, em que a trajectória da sombra atravessa a América, de Arica a Paranaíba, bem como a África, de Libreville a Quionga. Ao percorrer o golfo da Guiné, essa trajectória passa pela nossa Ilha do Príncipe, e torna-se portanto, de interesse especial para nós, convindo-nos saber, desde já, em que condições se poderá ver ali êsse maravilhoso fenómeno, tão impolgante para simples curiosos como digno de atenção e estudo para os homens da ciência. (…) é provável que esta formosa ilha seja escolhida , como estação adequada, por muitos dos astrónomos que a esses fenómenos especialmente consagram a sua atenção (…). [5]” Oom avançava, portanto, em 1917 a hipótese da expedição e da observação do eclipse solar ocorrer no Príncipe dois anos depois. Alguns meses mais tarde troca correspondência com Eddington. É, de facto, estranha a não divulgação posterior de um acontecimento tão marcante... O Director do OAL não só não escreveu sobre a ida ao Principe da missão inglesa e a comprovação da Relatividade, como ainda, seis anos depois, não disse uma palavra sobre a passagem de Einstein por Lisboa, ele que escrevia amiúde artigos em jornais portugueses e estrangeiros. Estranhamos o seu silêncio!Acrescentamos uma achega. Em virtude de Portugal ter entrado na 1ª Grande Guerra Mundial contra a Alemanha, e ainda por várias outras razões políticas, a Alemanha não tinha entre nós uma boa reputação; veja-se, por exemplo, o que Costa Lobo escrevia em 1918: “A Alemanha é um elemento perigoso para a harmonia mundial…” “A Alemanha não possue as qualidades scientíficas e artisticas que pretende possuir, e muito menos o Estado prussiano que domina e só prevalece pelo valor militar… [6]”Ter-se-á Oom sentido constrangido pelo facto de Einstein ser alemão, ele próprio ter raízes germânicas (a sua árvore genealógica tinha raízes em Hamburgo) e a Alemanha não gozar naqueles tempos de boa reputação entre nós? Ou seria ele anti-semita? Ou ter-se-ia sentido incomodado com as ideias anti-militaristas de Einstein? Por que não escreveu sobre a comprovação da Relatividade no Príncipe? Por outro lado, se não teve conhecimento da passagem em 1925 de Einstein por Lisboa, no regresso, depois do sucesso que Einstein alcançou no Brasil, não a podia ter ignorado...Em História convém esclarecer os hiatos, porque às vezes eles nos revelam situações relevantes para o conhecimento dos factos históricos.NOTAS:[1] Décio R. Martins, Einstein Entre Nós, p. 59, Coord. C. Fiolhais, Imprensa da Universidade, Coimbra, 2005[2] Elsa Mota, A Expedição ao Príncipe em 1919, tese de mestrado, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2006[3] O Século , 15 de Novembro de 1919[4] Elsa Mota, Einstein Entre Nós, ibid., p. 52[5] Frederico Oom, O Eclipse do Sol em 29 Maio de 1919, O Instituto, (64) 1, Coimbra, 1917[6] F. Costa Lobo, Portugal na Guerra e na Paz, O Instituto, (65) nº 1, p.14-15, 1918.
April 29 2009, 7:25pm | Comments »
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PORTUGAL PÕE TELESCÓPIOS AO SOL
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Informação recebida da organização do Ano Internacional da Astronomia em Portugal:A tradição já não é o que era nos típicos terraços do Algarve. Que o diga o Centro de Ciência Viva (CCV) de Faro, que este fim-de-semana vai dar início a mais uma maratona de observações astronómicas de uma forma sui generis. No dia 3 de Maio (domingo), Dia Internacional do Sol, a organização do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009) desafia os curiosos a juntarem-se na açoteia do CCV algarvio para observarem o sol através de telescópios especiais. A iniciativa terá lugar das 11h30 às 12h30.Faro marca assim o arranque de mais um ciclo de observações do Sol e de Saturno e dos seus anéis, procurando recriar as observações que o famoso astrónomo Galileu Galilei fez há precisamente quatro séculos. A iniciativa faz parte do mega-projecto do Ano Internacional da Astronomia "E agora eu sou Galileu".Depois de Faro, os olhos portugueses voltam a centrar-se no Sol no dia 13 de Maio às 11 horas, desta feita no MadeiraShopping, no Funchal, uma cortesia da Universidade da Madeira. No dia 17 de Maio às 16 horas, é a vez do NUCLIO, Núcleo Interativo de Astronomia, apontar os telescópios à estrela mais próxima da Terra, no Centro de Interpretação Ambiental da Ponta do Sal, em Cascais.Depois do Sol, é a vez de Saturno e os seus anéis desfilarem perante os telescópios nacionais. A 16, a 29 e a 30 de Maio, o segundo maior planeta do Sistema Solar é a estrela das observações da iniciativa "E agora eu sou Galileu", que se realizam em Lisboa, na Praça do Império, em frente ao Planetário Calouste Gulbenkian (sempre às 21 horas, uma organização da Associação Portuguesa de Astrónomos Amadores), e na Tapada da Ajuda (dias 16 e 30 de Maio, às 20h30, da responsabilidade do Observatório Astronómico de Lisboa).Nos mesmos dias, Saturno e os seus anéis estarão ainda sob a mira nocturna dos telescópios de Mira, no Jardim do Visconde (excepto no dia 29), e de Coimbra, no Parque Verde do Mondego. As duas iniciativas estarão respectivamente a cargo do Observatório Astronómico de Mira e do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.As lentes insulares também estarão de olhos postos no planeta gigante. A Universidade da Madeira organiza uma sessão de observação de Saturno no dia 29 de Maio às 22 horas na freguesia dos Prazeres, na Calheta.A Sul, a açoteia do CCV de Faro volta também a ser invadida pelos telescópios no dia 23 de Maio. Desta vez, Saturno será o principal protagonista da observação nocturna.Ao longo do mês, os interessados são convidados a consultar a página do AIA 2009 para actualização das datas e locais destas iniciativas, que deverão continuar a multiplicar-se de Norte a Sul do país.O Ano Internacional de Astronomia é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Ciência Viva, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra e da European Astronomical Society (EAS).
April 29 2009, 6:22pm | Comments »
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"Da Terra ao Universo" a dois passos de casa
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Informação recebida da organização do Ano Internacional da Astronomia:Exposição do Ano Internacional de Astronomia marca presença em várias cidades do paísJá é possível vir a descobrir a Nebulosa da Cabeça de Cavalo ou a Galáxia Whirlpool a caminho de casa, do trabalho ou da escola. O Ano Internacional de Astronomia (AIA2009) surpreende o público com um encontro invulgar com a ciência: durante todo o ano, nas paragens de autocarros, nos jardins, museus, centros comerciais, nas estações de metro ou nos parques públicos, a estonteante beleza do Universo mostra-se de Norte a Sul de Portugal continental e nas regiões autónomas. A iniciativa está aberta a todas as câmaras que quiserem participar, sendo também solicitada a participação do público, através de registos fotográficos originais da exposição.Chama-se "Da Terra ao Universo" ("From Earth To The Universe" no resto do mundo). É uma exposição fora de comum, que quer dar a conhecer alguns dos mais belos elementos do nosso universo. Não tem local marcado, mas já conquistou diversas câmaras do país que resolveram apoiar o Ano Internacional de Astronomia, ao colocar vários posters nos abrigos de autocarro e outros mobiliários urbanos das suas cidades. Está à espera de todos nós, mesmo ao virar da esquina.Para chamar a atenção do público, a organização do AIA2009 em Portugal (o evento é promovido a nível nacional pela pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, do Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS)) seleccionou um conjunto de 10 imagens astronómicas de grandes dimensões, captadas por telescópios em terra ou no espaço.MUPIs (Mobiliário Urbano para Informação) apresentando, entre outros, o relevo da Lua, uma protuberância solar, a Galáxia de Andrómeda, a Nebulosa da Lagoa e o remanescente de Supernova da Vela vão, por exemplo, ser visíveis nas cidades do Porto, de Évora, de Coimbra, de Sintra, de Portimão e no Faial, entre outros, sendo a iniciativa aberta a todos os municípios que desejarem vir a receber esta exposição, bastando para tal enviar uma mensagem para o secretariado executivo do AIA2009, através do e-mail aia2009@mat.uc.pt.O projecto "From Earth To The Universe" (FETTU) foi apresentado na sede da UNESCO em Paris, em Janeiro passado, por ocasião da abertura internacional do AIA2009. Perto de 50 países estão neste momento envolvidos na exposição. "Pretendemos com esta mostra de grande escala expor a astronomia ao público em geral, de uma maneira inesperada mas, contudo, acessível a todos", revelam os responsáveis de um dos projectos-chaves do Ano Internacional da Astronomia. Se "Da Terra ao Universo" visa por um lado confrontar o público com as maravilhas do cosmos, quer também, num contexto alargado de ciência, arte e cultura, levar o público a perceber o conhecimento científico que se esconde por trás dessas magníficas imagens.Ainda no âmbito da exposição "Da Terra ao Universo", o Ano Internacional de Astronomia desafia todos os amadores de fotografia a sair para a rua e a "imortalizar" a presença inédita dessas imagens astronómicas no quotidiano das nossas cidades. As mais belas fotografias do certame serão publicadas online pelo AIA2009 (aqui). Para participar, basta enviar a fotografia escolhida por e-mail (daterraaouniverso@gmail.com), indicando o nome do autor e a localidade onde foi tirada.Câmaras participantes até hoje: Águeda, Bragança, Coimbra, Constância, Espinho, Estarreja, Évora, Faial, Figueira de Castelo Rodrigo, Montijo, Oeiras, Pombal, Portimão, Porto, Sintra, Torres Novas, Torre de Moncorvo, Viana do Castelo e Vila Nova de Gaia.Mais informações: aqui.
April 26 2009, 8:04pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
ESTRELAS DE PAPEL
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Informação recebida da Biblioteca Nacional:De 29 de Abril a 31 de JulhoTESOUROS DA ASTRONOMIA NA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGALSão os melhores de todos os tempos e estão reunidos na Biblioteca Nacional de Portugal. De manuscritos de Alcobaça a códices árabes, de Ptolomeu ao avô de D. Dinis, as maiores estrelas da Astronomia são cabeças-de-cartaz de uma exposição inédita sobre as obras que redesenharam o UniversoEra uma vez o homem que pôs a Terra no centro do Universo e o homem que a expulsou. E era uma vez o avô castelhano de D. Dinis, que posicionou os planetas. De Ptolomeu a Copérnico, de Afonso X a Newton, os nomes maiores da Astronomia dão o mote a uma mostra rara sobre as obras que desenharam e redesenharam o Universo. A exposição "Estrelas de Papel: Livros de Astronomia dos séculos XIV a XVIII" vai estar em exibição de 29 de Abril a 31 de Julho na Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), em Lisboa. A entrada é livre.Pela primeira vez, a BNP reúne um conjunto fundamental das obras mais emblemáticas da história da Astronomia. Integrada nas celebrações do Ano Internacional da Astronomia (AIA 2009), a exposição "Estrelas de Papel" é uma oportunidade rara para conhecer a evolução da mais antiga das ciências exactas e perceber o o fascínio que despertou em todos os povos e culturas.Enriquecida com instrumentos astronómicos de época, a exibição divide-se em quatro núcleos. No primeiro, dedicado aos "Antecedentes da Revolução Astronómica", as estrelas de papel são obras de Ptolomeu (o cientista grego que pôs a Terra no centro do Universo), Sacro Bosco (o defensor da forma esférica do nosso planeta), Afonso X (o avô de D. Dinis, que reuniu a sabedoria árabe para construir tabelas com as posições dos planetas), Regiomontano (astrónomo quinhentista que acreditava que a Terra não se movia) e Pedro Apiano (o desenhador da astronomia ptolomaica), entre outros. Estes primeiros nomes maiores da Astronomia chegam à BNP através de manuscritos de Alcobaça, códices árabes, incunábulos e edições do século XVI.O segundo núcleo dá lugar aos cientistas que revolucionaram a Astronomia. De "A Revolução Astronómica" constam edições raras de autores célebres como Copérnico (o autor da teoria que retirou a Terra do centro do Universo), Tycho Brahe (o dinamarquês que esteve na origem de algumas das mais importantes descobertas da Astronomia) e Galileu (cujas observações foram determinantes para a confirmação de que os planetas giram à volta do Sol). Neste módulo, é ainda possível observar obras de Kepler (o autor das leis do movimento dos planetas), Riccioli (um dos maiores estudiosos da Lua), Hevelius (considerado o fundador da topografia lunar) e Newton (o descobridor da lei da gravitação universal, que explica a atracção entre os corpos).A exposição "Estrelas de Papel" reúne ainda os exemplos mais significativos da evolução da representação do Universo, num núcleo dedicado aos Atlas Celestes desenhados desde o século XV.A Astronomia portuguesa tem também lugar cativo na exposição integrada nas celebrações do Ano Internacional da Astronomia 2009. Do núcleo "Astronomia em Portugal" constam impressos e manuscritos de autores portugueses como Pedro Nunes (um dos maiores vultos da Ciência, que aperfeiçoou o sistema de Ptolomeu), mas também Sardinha de Araújo, Manuel Bocarro, Castro Sarmento, Eusébio da Veiga e Monteiro da Rocha, assim como edições portuguesas de autores estrangeiros.O Ano Internacional de Astronomia é organizado em Portugal pela Sociedade Portuguesa de Astronomia, com o apoio da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, do Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS) e decorre durante 2009 no país todo.
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April 22 2009, 7:37am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
JAZZ E ASTRONOMIA
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Da autoria de José António Paixão, professor de Física da Universidade de Coimbra, transcrevemos o artigo sobre jazz e astronomia publicado no último número da revista "Anti-matéria" dos estudantes de Física da Universidade de Coimbra.Os astros sempre foram fonte de inspiração para os artistas – e os músicos de jazz não são excepção. Já na obra dos “veteranos” Duke Ellington e Charlie Parker encontramos temas que remetem directamente para o “cosmos” (“Blues in Orbit”, “Cosmic Rays”, etc). Com o advento do free jazz e do jazz de fusão, nas década de 60 e 70 muitos são os artistas que gravaram composições inspiradas no cosmos e na aventura espacial. Herbie Hancock, por exemplo, aparece vestido de astronauta nas capas de alguns dos seus discos de fusão que se seguiram à fase em que trabalhou com Miles Davis e títulos como “Thrust” (propulsão de um foguetão) ajustavam-se na perfeição ao ritmo funky da época.Sendo grande a lista que poderia ilustrar como os astros têm inspirado os músicos de jazz, seleccionamos três obras emblemáticas que podemos catalogar na corrente free jazz, ou seja, da música com maior liberdade de improvisação: Interstellar Space, de John Coltrane, The Heliocentric Worlds of Sun Ra, de Sun Ra, e Double Sunrise over Neptune, de William Parker.Interstellar space foi um dos últimos álbuns gravados por John Coltrane poucos meses antes da sua morte, em 1967, e mostra de forma inequívoca a evolução de Coltrane para a “New Thing”, ou free jazz, no final da sua carreira. O disco que apenas veio a lume postumamente em 1972, contempla quatro temas na forma de dueto entre o saxofonista e o baterista Rashied Ali. Cada tema é dedicado a um planeta do sistema solar: Marte, Vénus, Júpiter e Saturno. A estrutura dos temas é semelhante. Coltrane começa de forma ritual por tocar um hipnótico som de campainhas, a que Rashied Ali responde com um improviso rítmico na bateria. O saxofone tenor trabalha então os ritmos de Ali, de forma extremamente livre, oscilando entre pequenas estruturas modais e longas frases de cortar a respiração. O resultado dos duetos é extremamente hipnótico e etéreo e soa, ainda hoje, muito arrojado.O título e a capa do disco do pianista e compositor Sun Ra, em que a sua foto se encontra numa galeria de astrónomos ao lado do retrato de Galileu Galilei, não poderiam ser mais sugestivos. Quase toda a obra deste inusitado artista, que cultivava a excentricidade vestindo-se de faraó e afirmando ser originário de Saturno, remete directamente para temas “cósmicos”. Excentricidade à parte, a sua obra foi seminal – Sun Ra foi pioneiro, por exemplo, no uso de sintetizadores e outros instrumentos electrónicos no jazz.Double sunrise over neptune, de William Parker, foi considerado uma das melhores obras de música improvisada de 2008. Parker, um músico prolífico e versátil que tem trabalhado em diferentes formações, ‘dirige’ aqui um grupo de dezasseis músicos e um vocalista de scat indiano, Sangeeta Bandyopadhyay. O resultado da mistura de influências africanas e indianas é surpreendente. O tema “Nepune’s Mirror”, uma das quatro faixas do disco, é particularmente encantador, remetendo para um estilo “trance”.Sem dúvida, três discos de alto astral!José António Paixão
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April 14 2009, 8:13am | Comments »









