Informação recebida da organização do Ano Internacional da Astronomia:O ano 2009 começa em grande com o arranque do Ano Internacional de Astronomia (AIA2009). Subordinada ao tema “Descobre o teu Universo”, a iniciativa decorre durante todo o ano em Portugal e no mundo inteiro. Fruto de uma incrível colaboração entre 135 países, que formam a maior rede mundial de astronomia, o projecto promete aproximar o Universo da Terra. Eventos e actividades vão ter lugar durante os próximos 365 dias, e ainda depois disso, a nível mundial, nacional, regional e local, num espectáculo de proporções cósmicas.O Ano Internacional da Astronomia 2009 (AIA2009) é lançado pela União Astronómica Internacional (UAI), - entidade, fundada em 1919, que reúne perto de 10 000 astrónomos de todas as nações, e é, entre outros, responsável pela designação dos novos corpos celestes - , e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).Desenvolvida com o duplo objectivo de tornar a astronomia acessível a todos e de fazer perceber o contributo dessa ciência na nossa cultura e sociedade, a iniciativa assinala o aniversário da primeira observação astronómica realizada por Galileu há 400 anos.Em Portugal, a organização do AIA2009 está a cargo da Sociedade Portuguesa de Astronomia (SPA) que nomeou uma Comissão Nacional para coordenar as diferentes actividades que vão decorrer no país. Entre observações e exposições, vão acontecer em Portugal milhares de eventos, anunciados em vários websites nacionais e também no site internacional oficial do AIA 2009 (www.astronomy2009.org), que disponibiliza uma lista de projectos globais.Tanto a nível internacional como nacional, estão já previstas inúmeras actividades, muitas delas tendo já começado. Não é portanto de estranhar se encontrar telescópios nas ruas nos primeiros dias do Ano Novo um pouco por todo o mundo.MAIS INFORMAÇÕES:http://www.ideiasconcertadas.pt/images/clientes/AIA2009/dossierpress_preparacaoaia2009.pdfLINKS:AIA2009 website oficial: http://www.astronomy2009.orgAIA2009 website nacional: http://www.astronomia2009.orgCONTACTO:Ponto de Contacto para o AIA2009 em Portugal. João Fernandes Departamento de Matemática e Observatório Astronómico, Universidade de Coimbra, E-mail: jmfernan@mat.uc.pt
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
ANO INTERNACIONAL DA ASTRONOMIA
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/ano-internacional-da-astronomia.html
January 5 2009, 4:16am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O ANO DE GALILEU E DARWIN
http://dererummundi.blogspot.com/2009/01/o-ano-de-galileu-e-darwin.html
Minha crónica no último número do semanário "Sol" (na imagem antevisão da sonda Kepler):Neste ano de 2009 festejamos Galileu e Darwin. Por um lado, comemoram-se os 400 anos das primeiras observações astronómicas feitas com o telescópio pelo italiano Galileu Galilei (que seriam descritas em “O Mensageiro das Estrelas”, um livrinho publicado em 1610). Por outro lado, comemoram-se os 200 anos do nascimento do inglês Charles Darwin (e também os 150 anos da publicação da sua obra maior, “A Origem das Espécies”). Galileu e Darwin têm em comum o facto de terem protagonizado momentos de rotura não só nas ciências mas também, em geral, na sociedade. Por exemplo, a Igreja Católica e a Igreja Anglicana reagiram de forma violenta às novidades que esses cientistas trouxeram, tendo só há pouco tempo emendado a mão (a Igreja Anglicana ainda não completamente). No ano de Darwin, apesar do triunfo da teoria da evolução, ainda haverá uma grande discussão em torno dela. Uma das dificuldades que lhe apontam é o facto de hoje ainda não sabermos ao certo como se originou a vida, apesar de fazermos uma boa ideia do modo como se multiplicou e desenvolveu. Terá tido origem apenas na Terra, onde a conhecemos abundante e diversa? Ou teve origem fora da Terra e veio aqui parar por mero acaso? Ou, ainda, o que para muitos cientistas é bem provável, a vida, nas formas que conhecemos aqui ou noutras, teve também origem em tempos diversos noutros planetas do nosso vasto Universo? Pois em Março deste ano vai ser lançado pela NASA o satélite “Kepler” (do nome do astrónomo alemão Johannes Kepler, o contemporâneo de Galileu que, em 1609, também há 400 anos, publicou “Astronomia Nova”), que irá procurar com um telescópio adequado planetas extrasolares semelhantes à Terra. Acontece que os planetas extrasolares que conhecemos hoje são mais parecidos com Júpiter, para onde Galileu dirigiu a sua primitiva luneta, do que com a Terra. Haverá decerto outros semelhantes ao nosso. Seria o acontecimento não do ano mas do milénio se este ano ou nos seguintes se descobrisse vida num planeta desses. Galileu e Darwin ficariam contentes...
January 2 2009, 6:53pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
SOBRE "UNIVERSO, COMPUTADORES E TUDO RESTO"
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/sobre-universo-computadores-e-tudo.html
Minhas respostas a questões colocadas por estudantes do Instituto Politécnico de Leiria sobre o meu livro "Computadores, Universo e Tudo o Resto":P- No livro “Universo, Computadores e Tudo o Resto“, tudo o resto tem algum significado especial?"Tudo o resto" quer dizer simplesmente que o livro trata de vários assuntos além do cosmos e das máquinas. Evidentemente que o Universo abarca tudo: vida e o resto... Trata-se de uma referência ao livro "Universe, Life and Everything Else", terceiro volume de "Hithchhikers Guide to the Galaxy", do escritor inglês Douglas Adam (falecido em 2001, já depois da publicação do meu livro). No primeiro volume dessa série já se colocava a questão sobre "vida, universo e tudo o resto" e o computador "Deep Thought" dava uma resposta que era apenas um número: 42. Esta mesma resposta é dada pelo calculador do Google (experimentem...) Parece uma brincadeira e é mesmo... O autor explicou um dia porque a resposta era 42:"The answer to this is very simple. It was a joke. It had to be a number, an ordinary, smallish number, and I chose that one. Binary representations, base thirteen, Tibetan monks are all complete nonsense. I sat at my desk, stared into the garden and thought '42 will do.' I typed it out. End of story."Portanto, embora o meu livro trate de assuntos sérios (é uma colecção de ensaios sobre ciência e cientistas, incluindo discussões de filosofia da ciência), o meu título é uma brincadeira com base noutra brincadeira.P- Com o o aparecimento da nanotecnologia, do novo acelerador de partículas do CERN, dos últimos desenvolvimento da mecânica quântica e, em gera, da física acredita que a física está mais próxima da «inteligência natural» da Natureza?R- Sim, a ciência vai-se aproximando da Natureza que pretende descrever. Sem nunca lá conseguir chegar... Fazemos modelos cada vez melhores de uma realidade que é complicada e bastabte esquiva. A "inteligência natural" da Natureza é uma metáfora, que remete para a existência uma ordem natural, que é inteligível pelos humanos, embora de forma difícil e progressiva e, por isso, sempre incompleta. Usando a analogia entre Universo e computador que discuto no livro, se o Universo é a máquina, as leis do Universo são o software da máquina. Um novo instrumento como o novo acelerador do CERN e um poderoso meio de procurar conhecer as leis da física a um nível fundamental. Claro que nada nos diz sobre a vida nem sobre o resto...P- Considerando os seus conhecimentos e experiência profissional, qual a sua opinião acerca dos escritos antigos de Lucrécio e Plutarco?R- Lucrécio é o autor de uma única obra, o poema "De Rerum Natura", em português "Sobre a Natureza das Coisas", que é o título de um blogue que faça com outros colegas. No manifesto do blogue escrevemos:"O poeta latino Tito Lucrécio Caro, que viveu no século I a.C., escreveu um único livro: o poema De Rerum Natura. Nele defende a teoria atomista (Demócrito já tinha dito antes «Tudo no mundo é átomos e espaço vazio») mas fala, além de coisas da física e da química, de muitas outras coisas: biologia, psicologia, filosofia, etc. O blogue, que partilha o título com o poema de Lucrécio, fala também de várias coisas do mundo, procurando expor a sua natureza"O poema de Lucrécio é admirável por defender a teoria atomistica muito antes de ela ser conhecida cientificamente e, além disso, por discutir muitos dominios: vida e tudo o resto, incluindo as questões da origem e evolução da vida. Quanto a Plutarco, outro autor que admiro, é um pensador grego da mesma época de Lucrécio, embora tenha escrito muitos mais livros que este. Defendeu a existência de uma inteligência animal semelhante à dos humanos. Haveria, segundo ele,uma inteligência associada à vida. Os clássicos como Lucrécio e Plutarco continuam hoje a ser actuais e é por isso aliás que são clássicos.P- Acredita na existência de vida fora do planeta?R- Sim, acho a coisa mais natural do mundo. Porque é que a vida só haveria de existir aqui? O Universo, que é infinitamente grande, deve ter vida em vários sítios, nós só não sabemos é onde. Continuamos a procurar... Aliás, pretendemos responder a um dos mistérios maiores da ciência actual que é o da origem da vida: teve origem só na Terra? Teve origem noutro lugar ou lugares e foi trazida para a Terra?Em 2009, ano do aniversário da publicação do livro "Astronomia Nova" de Kepler e ano das primeiras observações do céu com telescópio feitas por Galileu, vai ser lançada uma sonda da NASA, chamada "Kepler", que pretende encontrar planetas extrasolares parecidos com a Terra, onde poderá eventualmente existir vida, embora não inteligente. Curiosamente, Kepler é um dos primeiros autores de ficção científica, portanto um antecessor de Douglas Adam. Ele foi o autor de "Somnium", em português "Sonho", sobre uma viagem espacial. Encontrar vida na Universo fora da Terra é um dos actuais sonhos do homem... A propósito ocorre-me uma anedota sobre um astrofísico a quem perguntaram se havia vida inteligente no Universo. Respondeu: "No Universo pode ser que sim., na Terra está visto que não".
- Tags:
- Livros
- Astronomia
December 19 2008, 5:55pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
ASTRO.PT
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/astropt.html
O blogue Astro.pt sobre Astronomia publicou aqui uma lista do seus posts mais populares: o top40. Vale a pena ler alguns deles...
November 27 2008, 1:05pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Notícias de Saturno
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/notcias-de-saturno.html
Ontem a sonda Cassini começou a enviar dados de uma nova missão a Encelado, uma das luas mais interiores de Saturno. A lua de diâmetro 500 Km tem o albedo mais alto de qualquer corpo do sistema solar reflectindo quase toda a radiação incidente pelo que antes das missões da Cassini se pensava que a sua temperatura de superfície fosse por volta de -200° C. Numa destas missões, a sonda mergulhou através de uma das plumas de gelo no polo sul da pequena lua para recolher dados das partículas constituintes. De facto, uma das características mais intrigantes de Encelado é o criovulcanismo que ejecta jactos e plumas gelados que se pensa terem origem em bolsas de água líquida próximas da superficie. Apenas uma pequena parte destes jactos consegue fugir à gravidade de Encélado engrossando o anel E, um dos quatro na órbita de Saturno que não são visíveis da Terra. As restantes partículas são devolvidas a Encelado sendo as responsáveis pelo brilho do pólo sul desta lua.A nova missão pretende fotografar o misterioso polo sul da lua e recolher dados de temperatura que ajudem a desvendar os seus segredos, nomeadamente ajudem a explicar como a pequena lua consegue disparar estes jactos de gelo no espaço e se existe de facto água líquida debaixo da superfície.As missões anteriores, nomeadamente as de Março e Agosto deste ano, tinham fornecido dados discordantes e a missão actual pretende esclarecer se esta discrepância é intrínseca ou se os dados menos precisos de Março são também menos exactos. No entanto, ambas as missões indicam temperaturas próximas de -100 ºC o que confirma que Encelado é aquecido por um mecanismo interno, quiçá o mesmo mecanismo de marés que aquece Io, a lua de Júpiter.Os nossos leitores interessados em saber as surpresas que Encelado reserva podem seguir a missão no blog da equipa Cassini Enceladus ou apreciar as fotos incríveis disponíveis na Big Picture.
- Tags:
- Astronomia
November 2 2008, 3:55am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
UM MAPA DE ESTRADAS PARA O ESPAÇO
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/um-mapa-de-estradas-para-o-espao.html
A Planetary Society, sociedade fundada por Carl Sagan, está a aproveitar este momento de mudança de Presidente no Estados Unidos para promover um novo alento na ciência e na exploração espacial. Este é o teor da declaração que a Sociedade tem no seu sítio para recolha de assinaturas:The current U.S. Administration’s Vision for Space Exploration has been fatally compromised. But with the new Administration, the U.S. has an opportunity to embrace a new Roadmap to Space: one that will galvanize public support, reach out internationally and will be both politically and financially sustainable for years to come.I support these Principles of the Roadmap to Space and have endorsed them below.* Human exploration of Mars should be a primary goal. Mars poses extraordinary scientific opportunities, and offers tremendous potential benefits...including a long-term abode for humankind. Mars also commands public interest: it can unify and electrify mass public enthusiasm. The Moon is an international stepping stone to Mars.* The United States’ human space flight program is an enduring symbol of global leadership, and an incomparable engine for technological innovation. It should be continued, but with robust international partnerships reflecting its importance to humanity everywhere.* Science and exploration are inseparable. They complement and benefit each other, and one should not be sacrificed for the other. Robotic exploration is no less vital than human exploration: both are part of the great missions of discovery driven by our human need to reach out and explore the unknown.* NASA’s mission—including the development of human space flight capabilities—needs to be realistic in scope and time. An arbitrary and unrealistic schedule in the current program has resulted in massive funding shortfalls, and the sacrifice of Earth and space sciences and other programs.
- Tags:
- ciência
- tecnologia
- Astronomia
- Espaço
October 31 2008, 1:16pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
À procura de outros planetas
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/procura-de-outros-planetas.html
Informação recebida do Observatório Astronómico de Lisboa:O Observatório Astronómico de Lisboa (OAL) promove Palestras públicas mensais que têm lugar no Edifício Central, pelas 21h30 da última sexta-feira de cada mês.A próxima sessão decorrerá no dia 31 de Outubro e terá como tema:"À procura de outros planetas: quantas terras existem na nossaGaláxia?", por Nuno Santos, CAUPNesta palestra vamos rever alguns dos principais resultados da procura e estudo de planetas extra-solares. Partindo dos resultados observacionais, complementados com estudos teóricos, vamos em seguida tentar perceber quantas estrelas de tipo solar têm planetas de tipo terrestre em órbita. A partir daí podemos estimar grosseiramente onúmero de planetas que orbitam estrelas da nossa galáxia e que podem ter desenvolvido vida.VIDEODIFUSÃO DA PALESTRA PÚBLICAComo vem sendo hábito anunciamos que o OAL fará a transmissão da sua Palestra Mensal através da Internet. No dia 31 de Outubro a partir das 21h30 visite o seguinte endereço:´http://live.fccn.pt/oal/A entrada na Tapada da Ajuda faz-se pelo portão da Calçada da Tapada, em frente ao Instituto Superior de Agronomia.No final de cada palestra, e caso o estado do tempo o permita, fazem-se observações dos corpos celestes com telescópio. Convida-se o público a trazer os seus binóculos ou mesmo pequenos telescópios caso queiram realizar as suas próprias observações ou ser ajudados com o seu funcionamento.Para mais informações use o telefone 213616730, ou consulte: http://www.oal.ul.pt/palestras
October 29 2008, 7:37pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O NOBEL E O MAGALHÃES
http://dererummundi.blogspot.com/2008/10/o-nobel-e-o-magalhes.html
Queria chamar a atenção para o artigo de José Vítor Malheiros publicado no "Público" de hoje sobre os Prémios Nobel, em particular a questão da idade dos premiados. "Este prémio é só para velhos?" Ler aqui.Aproveito para corrigir o nome da astrofísica Jocelyn Bell Burnell (na figura) - por lapso, "mea culpa", disse Burner em vez de Burnell ao jornalista -, que é uma das grandes injustiçadas pela Academia de Estocolmo, uma vez que ela teve uma parte decisiva na descoberta dos pulsares ou estrelas de neutrões premiada com o Nobel de 1974. Já agora acrescento que ela não recebeu o Nobel, mas recebeu sozinha, no ano 2000, um outro prémio importante, que tem o nome de um ilustre português - Magalhães. Não, não se trata do navegador Fernão de Magalhães, que infelizmente tem agora o seu nome associado a um computador de uma empresa com problemas fiscais, mas sim de um seu descendente (a família dos Magalhães tem vários membros ilustres!), o cientista João Jacinto Magalhães, natural de Aveiro, estudante no Mosteiro de Santa Cruz em Coimbra e emigrado em Londres na época do Marquês de Pombal.Pois João Jacinto Magalhães doou em 1786 ao seu colega e amigo Benjamin Franklin, então à frente da American Philosophical Society, a importância de 200 guinéus para criar um prémio em navegação e filosofia natural (ver aqui). O prémio - uma medalha e uma importância em dinheiro - ainda hoje se mantém, passados mais de 200 anos! Deve ser um dos mais antigos prémios científicos ainda em vigor. Além de Burnell (nome de Jocelyn Bell adquirido pelo casamento) foram já premiados os físicos que previram a radiação cósmica de fundo, os inventores do GPS, o chefe da equipa que desenvolveu a nave Voyager, etc. Este sim, é um Magalhães que dá gosto receber!
October 14 2008, 12:33pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O PÊNDULO DE FOUCAULT
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/o-pndulo-de-foucault.html
Como a revista "Sábado" reeditou a esta semana, a um euro apenas, o livro "O Pêndulo de Foucault" do escritor italiano Umberto Eco (livro publicado pela primeira vez há 20 anos), transcrevo, embora encurtado, um texto meu de divulgação científica sobre o referido pêndulo, que saiu na extinta revista "Futuro". O texto foi escrito em colaboração com João Fonseca, na altura meu aluno e hoje professor do secundário, com a particularidade interessante de o meu co-autor ter construído ele próprio um grande pêndulo de Foucault no vão das escadarias do Departamento de Física da Universidade de Coimbra. O pêndulo rodou, mostrando que a Terra gira em torno do seu eixo!Desde tempos imemoriais que o homem olha as estrelas com um entusiasmo indisfarçável. Actualmente sabe-se que a matéria de que somos feitos, isto é, os átomos que nos constituem, proveio, na sua maioria, do interior das estrelas. Já alguém disse que o nosso encanto pelas estrelas é um reconhecimento e homenagem às nossas origens. Ao observar o céu nas noites límpidas vêem-se configurações que se movem ordenadamente. Todas as estrelas se movem no sentido retrógrado, descrevendo uma órbita circular em cada dia. Foi este facto que despertou a atenção humana, mostrando que existem regularidades na Natureza e que podemos desenvolver teorias para as descrever.Os gregos da Antiguidade criaram um modelo para descrever e explicar o movimento das estrelas e dos outros astros. Imaginaram que a Terra estava fixa no centro do Universo envolvida por uma esfera negra, a que chamaram "esfera celeste". As estrelas estavam incrustadas nesta esfera, todas equidistantes da superfície da Terra, e giravam continuamente em torno de um eixo que passa pelo centro da Terra, dando uma volta completa em cada dia, no sentido retrógrado. Daqui resulta que todas as estrelas têm de se mover com movimento circular e uniforme, no sentido dos ponteiros do relógio, exibindo sempre as mesmas configurações. Mas, para descrever o movimento do Sol, da Lua e dos outros planetas visíveis a olho nu, tiveram que imaginar muitas outras esferas a rodar, dezenas de esferas, resultando um modelo assaz complicado e que não se ajustava completa e satisfatoriamente à realidade. Esse modelo só conseguia reproduzir de um modo grosseiro o movimento dos astros. Para explicar o movimento nos céus admitiram que a matéria celeste, a que chamaram "quinta essência", era diferente da que existia na Terra e que apenas se podia mover eternamente em volta desta.Embora este modelo tenha sido aceite durante muitos séculos, actualmente está abandonado, em virtude das contradições que encerrava. O homem aprendeu a medir a distância que nos separa das estrelas, por paralaxe trigonométrica e por método fotométricos. Quando verificou que a referida distância, para estrelas diferentes, pode diferir de milhares de anos-luz, deixou de aceitar a hipótese segundo a qual as estrelas estão todas equidistantes da Terra. Com o aperfeiçoamento dos telescópios, acabou por descobrir que as estrelas mais próximas de nós fazem parte de um sistema estelar gigantesco com uma forma espiral, a que foi dado o nome de Galáxia ou Via Láctea. As viagens tripuladas à Lua, as sondas enviadas aos outros planetas, assim como observações telescópicas possibilitaram a conclusão de que os materiais que constituem os planetas, os cometas, os asteróides, assim como a poeira e o gás interestelar, são feitos de substâncias que nos são familiares aqui na Terra. Abandonou-se, portanto, a dinâmica baseada na hipótese da "quinta essência". É assim que a ciência progride: as ideias são submetidas à prova e emenda-se tudo o que não esteja de acordo com as observações.O cepticismo em relação ao modelo das esferas celestes não é, porém, recente. Já no século III a.C. Aristarco propôs um outro modelo, um modelo heliocêntrico, que, na sua opinião, era mais adequado para descrever o movimento dos astros. Aristarco observou o tamanho da sombra da Terra sobre a Lua, durante um eclipse lunar. Com base nas dimensões dessa sombra, realizou um cálculo que o levou a pensar que o Sol é muito maior do que a Terra e que está muito mais afastado desta do que a Lua. Considerou, também, que o Sol é uma estrela, que brilhava mais e parecia maior do que as outras apenas por se encontrar mais próxima de nós. Assim, achava absurdo que as estrelas, com dimensões tão grandes comparadas com as da Terra e tão afastadas desta, girassem em seu redor, dando uma volta completa em cada dia. Para ultrapassar estas dificuldades, Aristarco pensou que seria mais conveniente imaginar o Sol fixo no centro do Universo, com a Terra e os outros planetas a girar em seu redor. Para explicar o movimento diário dos céus propôs a hipótese segundo a qual a Terra possui um movimento de rotação, em torno de um eixo de simetria, no sentido directo. Segundo esta hipótese, o movimento dos céus no sentido retrógrado é aparente, sendo devido ao movimento de rotação da Terra em torno do seu próprio eixo, em sentido contrário. Os contemporâneos de Aristarco e os que viveram nos séculos seguintes não aceitaram essa hipótese. É mais fácil admitir que são as estrelas que se movem, porque as vemos mover, do que a Terra, de cujo movimento de rotação em torno do seu eixo não nos podemos aperceber directamente. Algum misticismo e más interpretações das observações também contribuíram para refutar o modelo de Aristarco, que, apesar de tudo, permitia explicar a variação anual da inclinação das trajectórias dos astros, o movimento retrógrado dos planetas e o aumento da intensidade do seu brilho durante o movimento retrógrado.Em finais do século XV, um monge polaco, Nicolau Copérnico (1473-1543) propôs um novo modelo também heliocêntrico, de algum modo semelhante ao de Aristarco, mas contendo novas demonstrações e recorrendo a novas observações. Copérnico, no seu livro "As Revoluções dos Orbes Celestes", escreveu: "E porque não havemos de admitir que a rotação diária aparente no Céu mas real na Terra? E assim que as coisas se passam na realidade, como disse o Eneias de Virgílio: 'Nós saímos do porto e a Terra e as cidades recuam' [Eneida, III,72]". Mais tarde Galileu, Kepler e Newton adoptaram este ponto de vista, tendo este último conseguido uma explicação unificada do movimento, isto é, uma explicação do movimento nos céus e na Terra à luz do conceito de força gravitacional, uma força universal a que estão sujeitos todos os corpos com massa.Poder-se-ia em princípio dizer que as afirmações "A Terra roda em torno do seu eixo uma vez por dia" e "Todos os astros rodam em torno da Terra uma vez por dia" são ambas verdadeiras. A escolha de um referencial para descrever um movimento é arbitrária: qualquer referencial pode ser escolhido porque não há movimento absoluto. Contudo, convém escolher aquele que torna a descrição o mais simples possível!Assim, para estudar o movimento dos astros e também outros movimentos, temos toda a conveniência em optar por um referencial ligado ao Sol e às outras estrelas. Neste referencial, a Terra roda em torno do seu eixo uma vez por dia, enquanto o Sol e as estrelas permanecem fixos. Esta opção permite-nos explicar o movimento com base na interacção gravitacional, permite interpretar certos fenómenos como o achatamento da Terra nos pólos e a variação da aceleração da gravidade com a latitude, e evita situações conflituosas, como as que acontecem quando escolhemos a Terra como referencial. Vejamos dois exemplos concretos. Conhecemos a massa das estrelas e sabemos que é muito maior que a da Terra. Consequentemente, a Terra não tem "meios" para obrigar as estrelas a girar à sua volta. Num referencial ligado à Terra só podemos explicar o movimento das estrelas em termos do antigo conceito de "quinta essência". Por outro lado, sabemos que as estrelas mais próximas da Terra são as do sistema estelar triplo chamado Alpha Centauri, a cerca de 4,3 anos-luz de distância. Todas as outras estrelas estão mais afastadas da Terra do que estas, muitas a milhares de anos-luz. Num referencial ligado à Terra, todas as estrelas descrevem uma órbita circular em torno desta em cada dia, o que entra em contradição com o resultado fundamental da teoria da relatividade, que afirma que a velocidade da luz não pode ser ultrapassada. Aplicado a conhecida equação do movimento circular e uniforme (v=wr) ao movimento das estrelas, considerando a distância r que as separa da Terra e a sua velocidade angular w correspondente a um ângulo de uma volta inteira por dia, chegamos conclusão absurda de que a velocidade das estrelas é milhares, ou mesmo milhões, de vezes superior à velocidade da luz. Em suma: é mais vantajoso admitir que o Sol e as estrelas estão fixos e que a Terra roda do que o contrário.Em meados do século XIX foi construído um aparelho, tão simples quanto notável, com a ajuda do qual pode ser realizada uma experiência cujos resultados só podem ser explicados com base no movimento de rotação da Terra em torno do seu eixo. Chama-se pêndulo de Foucault. Mesmo que a Terra estivesse sempre coberta de espessas nuvens, como acontece no vizinho planeta Vénus, impossibilitando aos terrestres a observação do movimento dos astros, este aparelho bastaria por si só para mostrar que é verdadeira a afirmação de que a Terra roda em torno do seu eixo.Um pêndulo de Foucault é um sistema constituído por uma esfera com massa de vários quilogramas, suspensa por um fio metálico que pode ter várias dezenas de metros de comprimento, e que, como qualquer outro pêndulo, pode oscilar em torno duma posição de equilíbrio. Este pêndulo tem o nome do físico francês Jean Baptiste Leon Foucault (1819-1868), porque foi ele quem idealizou e montou um destes pêndulos pela primeira vez, em 1851. A experiência foi realizada na enorme abóbada do Panthéon, em Paris. O pêndulo original de Foucault era constituído por um fio de 67 m de comprimento no qual estava suspensa uma esfera oca de cobre, cheia de chumbo, cuja massa era de 28 kg. Quando realizou a experiência, Foucault distribuiu um texto anunciando os resultados. Em 1855, a Royal Society de Londres homenageou Foucault com a Medalha Copley reconhecendo o alto mérito do seu trabalho.Se uma pessoa caminhar em cima do carrocel, ao longo do raio deste, da borda para o eixo, sente que uma força misteriosa a empurra para o lado, perpendicularmente à trajectória. Se a pessoa se deslocar ainda ao longo de um raio, mas em sentido contrário, isto é, do centro para a borda, sente a actuação duma força igual em intensidade mas com sentido oposto: a pessoa é empurrada para o lado indicado pela seta, no interior do círculo. Podemos concluir que, quanto maior for a velocidade com que o sujeito se desloca dentro do carrocel e quanto maior for a velocidade com que o carrocel roda, maior será a intensidade da força que actua no sujeito. Também se observa experimentalmente que, se o carrocel rodar em sentido contrário, a força sobre o sujeito terá sentido inverso. Do mesmo modo, se pusermos um berlinde a oscilar, dentro de uma superfície esférica (por exemplo, uma bola de plástico cortada ao meio), a projecção da sua trajectória num plano horizontal é um segmento de recta. Todavia, se o sistema for colocado num prato dum gira-discos a rodar, a projecção da trajectória do berlinde já não será um segmento de recta tendo uma forma complicada. Tal como o sujeito no carrocel, o berlinde será empurrado para um lado, quando se deslocar num determinado sentido, e empurrado para o lado contrário, quando se deslocar em sentido inverso.O movimento do pêndulo de Foucault tem a seguinte característica especial: O seu plano de oscilação roda directamente no sentido horário (no hemisfério norte). Se for posto inicialmente a oscilar na direcção norte-sul, por exemplo, o seu plano de oscilação vai rodar no sentido dos ponteiros do relógio.A rotação do plano de oscilação do pêndulo pode ser atribuída a uma força que, actuando no pêndulo perpendicularmente à sua trajectória, o empurra para a direita quando este se desloca de sul para norte, e o empurra para a esquerda quando este se desloca de norte para sul. Se analisarmos, com atenção, esta força, que modifica a trajectória do pêndulo, verificamos que ela é semelhante à dos exemplos anteriores: é perpendicular à trajectória e inverte o seu sentido quando o corpo onde actua se passa a mover em sentido oposto. Se admitirmos que o pêndulo oscila em cima dum sistema em rotação, isto é, se admitirmos que a Terra roda em torno do seu eixo, encontramos uma explicação para o movimento do pêndulo de Foucault por analogia com os exemplos que foram apresentados: o plano de oscilação do pêndulo de Foucault roda num determinado sentido porque está a oscilar em cima de um sistema que roda em sentido contrário, a Terra; nestas condições, sofre a acção duma força peculiar, perpendicular à trajectória, que inverte o seu sentido quando o sentido do deslocamento é invertido, e que provoca a rotação do plano de oscilação.Esta explicação intuitiva para o movimento do pêndulo de Foucault levanta uma questão importante: De que tipo a força que falamos para explicar o movimento do pêndulo?Para explicar o movimento usamos o conceito de interacção ou força, tendo sido necessário introduzir quatro tipos diferentes de força para descrever o comportamento da natureza. Esses quatro tipos de força receberam os seguintes nomes: força nuclear forte, força nuclear fraca, força electromagnética e força gravitacional. A força que encurva a trajectória do pêndulo de Foucault não se enquadra em nenhum destes tipos de força. Será que devemos propor um novo tipo de força para explicar o movimento do pêndulo de Foucault? Não, porque este fenómeno não pode ser compreendido com base no conceito de interacção. Uma interacção é uma acção recíproca entre dois ou mais corpos e não conseguimos atribuir o encurvamento da trajectória do pêndulo à acção de um ou vários corpos sobre este. Dizemos, portanto, que a "força" de que falamos para explicar o movimento do pêndulo é uma "força fictícia", ou "força de inércia". Trata-se de uma simples artimanha cujo uso se deve à impossibilidade de explicar de outra forma o movimento dos corpos em certos referenciais. Estes referenciais, nos quais temos que usar o "truque" das "forças fictícias" para explicar o movimento dos corpos, chamam-se referenciais não inerciais. Um referencial em rotação é não inercial. Pelo contrário, os referenciais onde isto não é necessário, isto é, onde possível explicar o movimento dos corpos com base no conceito de interacção, denominam-se referenciais inerciais. O pêndulo de Foucault mostra que a Terra é um referencial não inercial. Pelo contrário, usando o Sol e as outras estrelas como referencial, não necessitamos de recorrer a quaisquer forças fictícias. Para um hipotético observador no Sol é a Terra que roda, em vez do plano de oscilação do pêndulo. De facto, o Sol constitui um referencial inercial para o estudo de um número maior de fenómenos do que a Terra. A rotação lenta do pêndulo de Foucault constitui uma prova inequívoca que a Terra gira em torno do seu eixo.
September 28 2008, 3:54am | Comments »




