Nova crónica de António Piedade saída no "Despertar":“Tenho boas razões para pensar que o planeta de onde o Principezinho tinha vindo era o asteróide B612”, escreveu Antoine Saint-Exupery, em O Principezinho, sobre a origem dessa bela e misteriosa personagem por ele imaginada.O nome “asteróide”, provém do grego “aster”, que significa estrela, e do sufixo “oide” que indica semelhança. Assim, um asteróide refere-se a um corpo celeste que, por brilhar, se assemelha a uma estrela, sem o ser. Segundo as indicações que o “Principezinho” terá dado a Saint-Exupery na noite cálida do deserto, o planeta de onde teria vindo era fácil de encontrar, uma vez que o seu brilho era bem visível à vista desarmada de qualquer telescópio. Seria então um asteróide, mas como tinha embondeiros e rosas não era com certeza uma estrela como o é o nosso Sol.Por outro lado, e segundo a actual classificação dos corpos celestes, o asteróide B612 só seria um planeta se possuísse um tamanho e uma massa suficiente para que, sob acção da força da gravidade, fosse aproximadamente esférico e se, igualmente importante para a classificação, o seu caminho orbital em redor de uma estrela se apresentasse desimpedido de outros corpos celestes. Se encontrar na sua órbita outros asteróides, o corpo celeste é designado por planeta anão. Ceres (na cintura de asteróides) e o reclassificado Plutão (na cintura de Kuiper) são disso exemplos no nosso sistema solar.Adianta o escritor-aviador que, e à data em que escreveu “O Principezinho” (1943), o asteróide B612 “tinha sido visto com o telescópio uma única vez, em 1909, por um astrónomo turco”. Desde essa altura até hoje, a nossa capacidade tecnológica para observar a abóbada cósmica evoluiu de forma tão espantosa como é espantoso e admirável o que temos encontrado para além do brilho do céu estrelado.No imaginário colectivo, lavrado pela ficção, existem inúmeros planetas e sistemas solares, povoados por outros seres que não só o menino e pequeno príncipe. E nesse imaginário não estamos sós e muitas são as possibilidades de viver em outros planetas semelhantes à Terra.Na altura em que Saint-Exupery encontrou o frágil Principezinho, não se conheciam outros planetas que não fossem os do nosso sistema solar. Hoje, a realidade conhecida e permitida pela ciência e tecnologia espaciais, apresenta cerca de 500 exoplanetas ou planetas extra-solares, isto é, planetas que orbitam outras estrelas que não o “nosso” Sol (aqui). Alguns deles, pelo tamanho, massa e distância à estrela que orbitam, assemelham-se ao planeta Terra e, por isso, alimentam expectativas de que possam albergar alguma forma de vida. Pelo menos, a descoberta de exoplanetas semelhantes à Terra protege-nos de alguma forma da imensa ignorância e solidão cósmica.Na procura de exoplanetas parecidos com a Terra, é de referir o trabalho da missão CoRoT (aqui) da ESA (Agência Espacial Europeia). O satélite artificial CoRoT, não mede mais do que 30 cm, mas detecta, através do seu telescópio incorporado, exoplanetas rochosos várias vezes maiores do que a Terra.Os dados captados pelo satélite CoRoT desde o seu lançamento, a 27 de Dezembro de 2006, tem permitido detectar flutuações no brilho de algumas estrelas, que são causadas pela passagem à sua frente de planetas que a orbitam, e distingui-las de outras flutuações causadas por actividade sísmica da própria estrela.Foi assim que CoRoT descobriu o CoRoT-7b, em Fevereiro de 2009, o exoplaneta rochoso mais parecido com a Terra que se conhece até à data. Possui, segundo alguns cientistas (há alguma controvérsia: aqui), cerca de cinco vezes a massa da Terra e um raio 1,9 maior. Até a estrela que orbita, catalogada por CoRoT-7 e situada a 500 anos-luz de distância na constelação de Monoceros, é muito semelhante ao nosso Sol.Contudo, CoRoT-7b orbita demasiado próximo da sua estrela (órbita inferior á de Mercúrio), pelo que tem temperaturas demasiado elevadas e desagradáveis para a vida humana. Por outro lado, a sua órbita faz com que um ano tenha a duração de 20 horas terrestres. Ou seja, a cada volta de um relógio passariam anos em vez de dias!Entretanto, a missão CoRoT identificou mais dois planetas no sistema de CoRoT-7 (aqui): o 7c e o 7d. Enquanto os dados recolhidos são estudados e discutidos pela comunidade internacional de astrónomos, observemos o céu estrelado e procuremos, com imaginação encantada, o Principezinho no seu asteróide B612.António Piedade
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UMA TERRA CHAMADA CoRoT-7b
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October 20 2010, 8:08am | Comments »
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UMA TERRA DISTANTE
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Destaque habitual para a coluna semanal do físico Robert Park, desta vez sobre o novo planeta extrasolar semelhante à Terra:"GLEISE 581G: GREAT PLACE TO VISIT, BUT I WOULDN’T WANT TO LIVE THEREThe excitement was palpable; "This really is the first Goldilocks planet," gushed R. Paul Butler of the Carnegie Institution in Washington, co-discoverer along with Stephen Vogt of UC Santa Cruz. "Goldilocks" is a reference to the planet’s orbit, smack in the middle of the habitable zone of the star, Gliese 581. The planet, Gliese 581g is neither too hot nor too cold. The NASA and NSF press releases came complete with an artist’s rendering of a lovely planet with patches of blue suggesting the presence of water. Of course, water would not appear blue in the red glow of Gleise 581, a red dwarf. How could scientifically unsophisticated viewers, the vast majority of the billions around the world who saw the press conference in high definition, be expected to understand that the information content of this image, coming from the top science agencies of the world's leading space power, was less than zero? Alas, the planet is tide-locked, always exposing the same face to its red-dwarf sun; Goldilocks must eat her porridge straddling the Terminator separating the too-cold dark side of GL581g and the too-hot illuminated side. The sad part is there was no need for the hype; everyone felt the tingle. Homo sapiens is a tiny step closer to finding an answer to the most profound question humans can ask: Why?"Robert Park
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October 3 2010, 4:36pm | Comments »
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UMA OUTRA TERRA NO ESPAÇO?
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Mensagem recebida de Carlos Oliveira do blogue astroPT:O primeiro exoplaneta que está na zona habitável da sua estrela, que terá água, e poderá ter vida. Neste artigo, encontram-se todas as informações, assim como ligações a dezenas de outros sítios com a mesma notícia, e cerca de 15 vídeos, vários deles em português, com explicações sobre esta descoberta.Para ver também a mensagem que o astroPT e Portugal já enviou para este novo planeta.Clcar: aqui
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October 2 2010, 4:52am | Comments »
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O BAPTISMO DOS ET
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Carlos Oliveira comenta no blogue astro.pt a vontade da Igreja Católica de baptizar extraterrestres: aqui.
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September 28 2010, 7:57pm | Comments »
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Matizes Outonais
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Nova crónica de António Piedade, desta vez saída no sítio "Boas Notícias" (a ilustração é de Inês Massano):Maria rodopia numa dança de folhas bailarinas. Em pausas coreografadas pela sua paciência, aguarda a queda de cada folha, desde o seu ramo pendente, lá do alto daquela árvore que deu sombra amena no Verão. Ondulada pelo vento que traz notícias outonais, a copa da árvore despe-se agora do traje primaveril e os ramos afinam-se para resistirem às agruras das estações menos luminosas que já se anunciam.Maria dança o movimento da queda de cada folha até ao solo com gestos suaves, aparentes intuições de um conhecimento antigo e íntimo com a natureza. A arquitectura da folha, evolutivamente optimizada para uma máxima exposição solar, funciona agora como um amparo contra a queda gravítica. A sua forma espalmada, permite que paire e flanqueie sucessivas colunas de ar como se deslizasse por um parque de diversões. E Maria parece sublinhar o percurso da queda como se estivesse a despedir-se do verde e a saudar os matizes da paleta outonal.A partitura do vento traz a Maria e uma folha companheira num passo de dança até mim. Sentado neste banco, recebo com espanto a pergunta que ela me traz num sussurro: “Como é que o arco-íris se mete dentro das folhas? Onde é que se escondeu o azul, que não o encontro na minha dança?”.A cor das folhas resulta da interacção do espectro visível da luz solar com uma matriz submicroscópica de pigmentos. Os que “dão” cor verde às folhas, as clorofilas, são fotossintéticos. Estas moléculas estão acopladas a centros designados por fotossistemas, presentes nessas centrais solares intracelulares que são os cloroplastos.A folha que te acompanha nessa dança é de facto uma fábrica de nutrientes. A energia radiante do sol é captada e fixada em moléculas de que os açúcares, como a glicose, são exemplo maior. Sabias que num centímetro quadrado de folha verde, mais ou menos a área de uma impressão digital tua, existem cerca de 500 milhões de cloroplastos cheios de clorofila?Acrescentando metais à tarde, o sino da torre badala as quatro. Reparo que o astro-rei, entediado com o Verão boreal, já não “sobe” tão alto no horizonte. E a árvore sabe disso. A menor irradiação solar reduz a fotossíntese. Com os dias cada vez mais pequenos e iguais às noites, anúncio de equinócio, as folhas começam a desmontar o seu arsenal fabril. Hormonas vegetais orquestram esta mudança: a folha altera-se, desalojam-se as clorofilas. E o verde intenso da primavera vai desbotando à medida que a Terra avança para equinócio de Outono.Que cores sobejam? As que resultam da nova condição clorofilina. As que resultam da interacção da luz com outras moléculas estruturais. E velhos tons, até então discretos, sobressaem agora num requiem cromático de despedida foliar.Maria rodopia e revolta o tapete cromático que foi sombra estival. E rodopia num planeta que avança com uma velocidade média angular menor do que aquela com que encontrou a Primavera, há 186 dias atrás. É como se o hemisfério Norte quisesse hibernar e retardar o renascer primaveril antípoda no planeta austral.E a cada segundo o planeta avança 30 km, num rodopio incansável sobre o seu eixo inclinado, em 23 graus, sob o plano do seu caminho cósmico. Nessa dança à roda do Sol, aproxima-se de uma posição na sua órbita elíptica em que as noites crescentes igualam os dias minguantes. Isto ocorrerá no próximo dia 23 de Setembro, às 3 h 09 m da madrugada, hora universal.Maria dança e rodopia enquanto o planeta avança.
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September 15 2010, 4:54pm | Comments »
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E o que é que havia antes do Big Bang?
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Fernando Alvim faz perguntas difíceis de cosmologia...
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September 2 2010, 11:54am | Comments »
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Memórias de Hubert Reeves
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Informação recebida da Gradiva sobre um livro acabado de sair:Já não Terei Tempo - MemóriasHubert ReevesO título desta obra, retirado de uma peça coral com letra de Pierre Delanoë e música de Michel Fugain, atesta o entusiasmo com que Hubert Reeves sempre encarou a sua vocação de explorador do espaço: «Mesmo em cem anos, não terei tempo de visitar toda a imensidão dum tão grande Universo.»Neste livro, Hubert Reeves entrega-se como nunca o tinha feito. Conta-nos como se forjou a sua paixão pelo cosmos, porque cedo sentiu o desejo de partilhar o seu saber, de que modo a filosofia, a religião e a música se uniram indissoluvelmente à sua demanda intelectual, como os encontros com outros grandes espíritos orientaram o seu – a vida ao mesmo tempo exemplar e singular de um investigador de hoje relatada na primeira pessoa, num testemunho ímpar. Todos os leitores de Hubert Reeves o verão neste livro mais próximo ainda, e os novos leitores descobrirão um homem admirável e um cientista de excepção. O livro de um cientista que se lê como um romance. Mas não diziam Harold Bloom e Ian McEwan que a grande literatura está hoje em muitos livros de ciência?«Ciência Aberta», nº 185, 380 pp., € 18,50
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August 28 2010, 2:18pm | Comments »
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O SEGREDO DO DISCO ASTRONÓMICO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/o-segredo-do-disco-astronomico.html
De férias na Alemanha, leio na imprensa alemã uma interessante notícia sobre o disco de Nebra (já referido neste blogue), cuja descoberta no lugar de Nebra, na província da Saxónia-Anhalt tem levantado grande discussão desde há dez anos.Investigadores das Universidades de Mainz e de Halle (cidade em cujo museu arqueológico o disco está guardado) pretendem ter encontrado uma explicação para o enterramento do disco, há 3600 anos, em plena Idade do Bronze. Nessa época, as cinzas de um vulcão na ilha de Santorini, no Mediterrâneo, terão causado um obscurecimento dos céus da Europa durante um período de cerca de 20 anos (um fenómeno um pouco parecido com o que se passou recentemente com a erupção de um vulcão islandês). O instrumento foi posto de lado e enterrado no local onde foi descoberto porque a sua utilização como calendário astronómico se tornou assim inútil. A notícia acrescenta que na mesma época terá também cessado a utilização astronómica do sítio de Stonehenge, na Inglaterra?E porque é que a descoberta do disco foi tão polémica? O achado foi feito por arqueólogos amadores que o tentaram vender no mercado negro, mas a polícia acabou por os apanhar numa operação digna de um filme no Hotel Hilton de Basileia, na Suíça. Alguns arqueólogos duvidaram na altura da autenticidade do disco que representa, além do Sol e da Lua, as Pleiades, mas estas dúvidas dissiparam-se depois de uma cuidadosa análise do disco de 32 centímetros de diâmetro cuja massa é de cerca de dois quilogramas. Trata-se, sem dúvida, do mais antigo instrumento astronómico conhecido até hoje.
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August 19 2010, 4:08pm | Comments »
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"Why does the sun shine?"
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/why-does-sun-shine.html
Sugestão recebida da nossa leitora Carla Graça, que muito agradecemos.Ao ouvir a canção astrofísica Why does the sun shine?, pelos They Might Be Giants, lembrei-me dos posts publicados no De Rerum Natura sobre a falta de cultura científica generalizada dos portugueses (e não só) e pensei que outros a poderiam apreciar.Encontrei um vídeo bem divertido no Youtube, já muito antigo mas que talvez muitos não conheçam. Espero que gostem.Nota: Tomámos a liberdade de alterar ligeiramente o texto, passando-o de um registo de mensagem para um registo de post.
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August 18 2010, 8:12am | Comments »
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Primeira tempestade solar do ciclo solar 24
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Imagens de 14 de Agosto de 2010 - nasa.gov
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August 18 2010, 2:43am | Comments »





