Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:Agora que se aproxima do fim a primeira década do terceiro milénio, está patente no espaço das Prisões Académicas da Universidade de Coimbra (no edifício da Biblioteca Joanina), até 19 de Março, uma mostra bibliográfica sobre o calendário que expõe edições dos Reportórios dos tempos, precursores dos Almanaques ou Calendários. Estes repositórios de dados e conhecimentos eram destinados ao grande público que neles encontrava os dados astronómicos necessários à vida prática e as tão apreciadas indicações de astrologia.Das obras dedicadas ao calendário religioso os calendários perpétuos destinavam-se ao cômputo a curto ou longo prazo das festas móveis da igreja. Quer o Calendário Gregoriano perpétuo (1583) qyer a Chronographia ou Reportório dos tempos (1506) de André de Avelar (sucessor de Pedro Nunes em Coimbra), incluem as correcções necessárias que se seguiram à reforma do calendário gregoriano, em 1582, que nasceu da necessidade de fazer regressar o equinócio da Primavera a 21 de Março desfazendo o erro de cerca de 10 dias que ocorria na contagem do tempo do calendário juliano.O papa Gregório XIII criou uma comissão formada pelos melhores astrónomos e matemáticos da época, onde o célebre jesuíta Christoph Clavius (antigo aluno da Academia de Coimbra) desempenhou um papel preponderante. Veio a ser escolhido o projecto de reforma apresentado pelo astrónomo Luís Lílio e, após serem ouvidos vários príncipes, bispos e universidades, o papa publicou em 24 de Fevereiro de 1582 a Bula Inter Gravíssimas, que estabeleceu o novo calendário. De início houve algumas críticas, como as de Viète, mas actualmente o calendário gregoriano pode ser considerado de uso universal.Mostra | 18 de Janeiro a 19 de Março | Prisões Académicas da Universiodade de Coimbra2ª. a 6ª. Feira das 9:30h – 17:30hObras expostas (ordem cronológica):ANTÓNIO DE BEJA, fl. 1493-?, Contra os juyzos dos astrólogos. [Lisboa] : Germam Galhard, 1523. R-14-10REGIOMONTANUS, Johannes Müller, 1436-1476 Tabulae directionum et perfectionum clarissimi viri ac praestantissimi mathematici … Eiusdem Regiomontani Tabula sinuum, per singula minuta extensa, universam sphaericorum triangulorum scientiam comprehendens ... Augustae Vindelicorum : excudebat Philippus Ulhardus, 1551. 4 A-16-35-3SACRO BOSCO, Johannes, fl. 1230 Sphaera … emendata. Eliae Vineti Santonis scholia in eandem sphaera ab ipso auctore restituta. Adiunximus huic libro compendium in sphaeram, per Pierium Valerianum Bellunensem, et, Petri Nonii … Demonstratione eorum, quae in extremo capite de climatibus sacroboscius scribit, de inaequali climatum latitudine … Lutetiae : apud Gilielmum Cavellat, 1556. RB-13-3LI, Andrés de, fl. 14-- , Reportorio dos te[m]pos em lingoagem portugues, co[m] as estrellas dos signos, y com as co[n]dições do que for nascido neste signo. E ho crecer y mingoar do dia y noite. E das quatro co[m]preixões, y suas condições. E a declinaçam do sol co[m] seu regimento. E o regimento da estella do Norte, com outras muitas cousas acrescentadas de nouo … Em Enora [sic] : em casa de André de Burgos, 1573. V.T.-18-8-17NUNES, Pedro, 1502-1578 Petri Nonii Salaciensis De arte atque ratione navigandi libri duo. Eiusdem in theoricas planetarum Georgij Purbachiij annotationes... Eiusdem De erratis Orontij Finoei liber unus. Eiusdem De crepusculis lib. I cum libello Allacen De causis crepusculorum. Conimbricae : in aedibus Antonij à Marijs, 1573. RB-29-9JERÓNIMO DE CHAVES, 1523-1574, Chronographia o Reportorio de los tiempos, el mas copioso y preciso que hasta ahora ha salido a luz …Añadio se en esta vltima impression vna Tabla perpetua para saber las Lunas nuevas y outra tabla perpetua para saber la hora dela marea y assi mismo outra tabla perpetua de las fiestas mouibles. Em Lisboa : por António Ribeiro, 1576. R-11-30IGREJA CATÓLICA. Liturgia e ritual. Calendário Calendarium perpetuum triginta sex tabulis comprehensum : breviario romano ex decreto sacrosancti Concilij Tridentini restituto, ac Pij V Pont. Max. iussu aedito cum primis utile & necessarium … Adiectis quoque ad calcem libri non solum Hispaniae, sed & lusitaniae peculiaribus sanctorum festitutatibus quae in hisce provintijs a fidelibus communiter celebrantur. [Conimbricae] : apud Antonium à Mariz, 1581. R-4-23IGREJA CATÓLICA. Liturgia e ritual. Calendário Kalendarium gregorianum perpetuum. Conimbricae : excudebat Antonius à Mariz, 1583. R-3-21TORNAMIRA, Francisco Vicente de, 15-- Chronographia, y Repertorio de los tiempos, a lo moderno, el qual trata varias y diversas cosas: de Cosmographia, Sphera, Theorica, de Planetas, Philosophia, Computo y Astronomia, donde se conforma la Astrologia com la Medicina y se hallaran los motiuos y causas que ha auido para reformar el año y se corrigen muitos passos da Astrologia que por la dicha reformacion quedauan atrasados. Pamplona : por Thomas Porràlis de Sauoya, 1585. R-71-15CLAVIUS, Christoph, 1583-1612 Christophori Clavii … Opera mathematica V tomis distributa ab auctore nunc denuo correcta, et plurimis locis aucta … Moguntiae : sumptibus Antonii Hierat : excudebat Reinhard Eltz, 1592. 1-21-9-4/8AVELAR, André de, 1546-ca 1626 Chronographia ov Reportorio dos Tempos : o mais copioso que te agora sayo a luz. Conforme a noua reformação do Santo Padre Gregório XIII. Nesta quarta impressam reformado, & accrescentado pello mesmo author com hum tratado do pronostico da mudança do ar, & algu[n]s princípios que tocão asi à Philosophia natural, como à Astrologia rústica, & co[m] hu[m]as breues, mas mui proueitosas regras pera sementeiras, cultura de aruores, & criação dos animaes. Lisboa : por Iorge Rodriguez, 1602. R-13-35KEPLER, Johannes, 1571-1630 Astronomia nova … seu Physica coelestis, tradita commentariis de motibus stellae Martis, ex observationibus G. V. Tychonis Brahe … [S.l. : s.n.], 1609. 4 A-26-15-18KEPLER, Johannes, 1571-1630 Ioannis Kepleri mathematici, pro suo opere Harmonices Mundi apologia … Francofurti : sumptibus Godefridi Trampachii, 1622. 4 A-7-1-2BORRI, Cristoforo, 1583-1632 Collecta astronomica … Ulysipone : apud Matthiam Rodrigues, 1631. RB-34-10VIÈTE, François, 1540-1603 Francisci Vietae Opera mathematica, in unum volumen congesta, ac recognita, opera atque studio Francisci à Schooten Leydensis matheseos professoris. Lugduni Batavorum : ex officinâ Bonaventurae & Abrahami Elzeviriorum, 1646. 2-24-15-1SEQUEIRA, Gaspar Cardoso, 15---16-- Thesouro de prudentes ... Lisboa : na officina de Joaõ Galraõ, 1686. 9-(4)-A-180IGREJA CATÓLICA. Liturgia e ritual. Calendário Calendário perpétuo gregoriano com o início em 15 de Outubro de 1582 : prático e de fácil consulta. [Lisboa : s.n., 1957] 5-50-21-14
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CRONOGRAFIA OU REPORTÓRIO DOS TEMPOS
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January 26 2010, 10:46am | Comments »
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MUSEU DA CIÊNCIA FORA DE PORTAS COM SIMULADOR DO CÉU
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Informação recebida do Museu de Ciência de Coimbra:Equipa do Museu da Ciência promove "passeios" pelas estrelas no Centro Comercial Dolce Vita Coimbra E por que não aproveitar o final da semana para levar as crianças a um "passeio" pelas estrelas? O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) vai promover sessões de planetário no Centro Comercial Dolce Vita, em Coimbra, nos dias 29 e 30 de Janeiro. Os mais novos poderão, assim, fazer descobertas surpreendentes sobre as constelações e as suas histórias, ao longo de dois dias dedicados à Astronomia. A iniciativa "Museu Fora de Portas" destina-se a crianças a partir dos cinco anos. A participação é gratuita e não necessita de inscrição prévia. No planetário, os mais pequenos terão a impressão de estarem a observar o céu numa noite calma e sem nuvens. Com a ajuda da equipa educativa do Museu, vão conseguir descobrir as constelações e a mitologia a elas associada, mas também as características das estrelas, o movimento da Terra e dos planetas, os eclipses e as fases da Lua. Os mais novos poderão ainda aprender a orientar-se pelas estrelas através da localização da estrela polar. Para além de sessões neste verdadeiro simulador do céu, a equipa do Museu da Ciência da UC tem ainda para os pequenos aprendizes de cientistas duas actividades interactivas sobre o Universo. Na actividade "Sputnik em Órbita", as crianças poderão descobrir, com a ajuda de plasticina e outros materiais simples, é que o ser humano conquista o espaço com as suas sondas, satélites e foguetões. Já em "O Céu a 3 Dimensões", terão a oportunidade de construir o seu próprio modelo 3D de uma constelação conhecida. No dia 29 de Janeiro (sexta-feira), há sessões de planetário às 14, às 15, às 16 e às 17 horas. As actividades interactivas decorrem, sem interrupção, das 14 às 18 horas. No sábado, dia 30 de Janeiro, as sessões de planetário terão lugar às 12, 15, 16 e 17 horas. Já as actividades "hands-on" voltam a decorrer das 14 às 18 horas. A programação da iniciativa "Museu Fora de Portas" está aberta à participação das escolas, desde que procedam a inscrição prévia.
January 26 2010, 1:48am | Comments »
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Português "chega" a Marte
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Com a devida vénia transcrevemos notícia do jornal "Campeão das Províncias":Um cientista português, de 29 anos, natural de Manteigas, está a participar até ao próximo dia 7 de Fevereiro, nos Estados Unidos da América (EUA), numa iniciativa da Nasa que simula uma estadia em Marte.Luís Saraiva, licenciado em Biologia pela Universidade de Évora, doutorado pela Universidade de Colónia (Alemanha) e a frequentar um pós-doutoramento em Seatle (EUA), faz parte de uma equipa de seis cientistas que dão início amanhã, dia 22, a esta aventura “espacial”, numa estação de pesquisa localizada no deserto de Utah (EUA).Brian Shiro (geofísico, comandante da expedição), Carla Haroz (engenheira), Mike Moran (astrónomo), Darrel Robertson (engenheiro) e Kiri Wagstaff (geóloga e jornalista) são os restantes elementos da equipa.No site dedicado a esta missão, explicam que para além de contribuírem para os estudos em curso sobre a nutrição ea utilização de fatos espaciais, cada um deles vai dar continuidade aos próprios projectos de investigação. Luís Saraiva dedicar-se-á a pesquisar sobre o impacto ambiental e biomarcadores.Através do site, os cientistas contam partilhar testemunhos, fotos e vídeos desta saga. Os interessados deverão clicar aqui, assim como enviar comentários e opiniões dos cibernautas através do Twitter.Iolanda Chaves
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January 22 2010, 7:34am | Comments »
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O MERIDIANO DE PARIS
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Do meu livro Curiosidade Apaixonada saido ha anos na Gradiva.O tempo tem efeitos muitos estranhos. Por vezes consegue que pessoas praticamente desconhecidas em vida se tornem famosas em morte. Foi o caso na ciência francesa de Sadi Carnot (1796-1832), o jovem engenheiro da Escola Politécnica de Paris a quem o devido crédito pelos fundamentos da ciência termodinâmica só tardiamente foi reconhecido. E por vezes consegue que pessoas famosíssimas em vida fiquem mais postumamente enterradas na maior obscuridade. Foi o caso ainda na ciência francesa de um outro aluno da Escola Politécnica: François Arago (1786-1853) foi um astrónomo e físico que brilhou na primeira metade do século XIX para depois se desvanecer ao ponto de quase só o encontrarmos nos manuais de Física franceses.Carnot e Arago foram contemporâneos, tendo o segundo sido professor do primeiro na escola de élite francesa (cuja aura só é comparável à École Normale). Mas Carnot era uma pessoa algo reservada. Publicou um único livro em vida (“Reflexões sobre a Potência Motriz do Fogo”, que continha já a Segunda Lei da Termodinâmica ou Lei da Entropia, muitos anos antes de ela ter adquirido esse nome), mas esse livro não conheceu grande divulgação imediata, e morreu apanhado numa epidemia de cólera aos 36 anos. Pelo contrário, Arago era extrovertido. Publicou várias obras, entre os quais a “Astronomie Populaire” destinada a interessar o grande público pelos fenómenos dos céus (foi, neste aspecto, o antecessor de Claude Flammarion, que de resto reconheceu a sua dívida para com o percursor) e morreu velho e célebre, não apenas pela sua vida em prol da ciência e da divulgação da ciência mas também e principalmente pela sua entrada na vida política, uma carreira que o conduziu a Ministro da Marinha e das Colónias. Foi nesta última posição que decretou o fim da escravatura na França e o sufrágio universal (masculino, claro).Fez em Outubro de 2004 cento e cinquenta exactos anos que morreu François Arago. O Observatório Astronómico de Paris, na margem Sul do rio Sena, do qual ele foi director, celebrou a efeméride com uma notável exposição, que mostrou não só retratos do cientista (impressiona ver o papel entrópico do tempo, que transforma um belo jovem num ancião cego e diabético) e da sua época como cartas, livros e instrumentos astronómicos e físicos do século XIX. A porta da espaçosa sala do meridiano – assim chamada porque ela é atravessada de Norte a Sul pelo meridiano de Paris, conforme se pode ver pela linha marcada no solo - abre-se como uma preciosa cápsula do século XIX. O visitante sente-se a entrar numa máquina do tempo, como que contrariando a tal entropia.O meridiano de Paris tem muito a ver com Arago. Saído da Escola Politécnica, a sua primeira missão foi continuar as explorações para traçar o meridiano de Paris na Catalunha e nas Ilhas Baleares. O Observatório de Paris foi o berço da geodesia, a ciência da medida da Terra. Com efeito, foi ainda antes de Arago nascer que um astrónomo do Observatório mediu um grau do meridiano de Paris para cima e para baixo do belo edifício de estilo clássico. Nos tempos conturbados da Revolução Francesa, e na ânsia de mudar toda a ordem do antigo regime, o então criado Comité dos Pesos e Medidas decidiu que a nova unidade de comprimento – o metro - havia de ser a décima milionésima parte de um quarto de meridiano terrestre. Era pois necessário medir com suficiente precisão o meridiano terrestre. Com a presença de Lavoisier, o fundador da química (e também a mais famosa vítima da invenção do Dr. Guillotin), partiram em 1792 de Paris duas carruagens, uma para o Norte, em direcção de Dunquerque, e outra para o Sul, em direcção de Perpignan, com os astrónomos Delambre a Méchain a bordo, além de ajudantes e pesado equipamento. Missão: medir o meridiano de Paris com suficiente precisão ao longo de todo o território francês. Não foi uma tarefa fácil dada a época revolucionária que então se vivia: os cientistas ora eram tomados como espiões ora como mágicos (a história, que se lê como um romance, está contada no livro “A meridiana: 1792-1799”, de Denis Guedj, na Gradiva). Ora caberia precisamente a Arago e a um colega seu (Biot, que surge hoje nos livros de Física devido à lei de Biot e Savart relativa à acção magnética de um fio eléctrico) continuar, em 1807, a missão inacabada, o que continuou a não ser fácil. Arago foi apanhado na guerra entre a França e a Espanha que então irrompeu. Em França deixou de haver notícias de Arago, tendo a família a certa altura mandado celebrar missa pelo defunto. Mas as notícias da morte de Arago eram um pouco exageradas. Vejamos como o Catálogo da exposição no Observatório de Paris (“François Arago et l’ Observatoire de Paris”) narra as aventuras de Arago:“Prisioneiro [em Espanha], evadiu-se tendo conseguido atingir Argel, de onde embarcou num navio que transportava dois leões oferecidos pelo dei de Alger a Napoleão I. O navio foi interceptado por um corsário espanhol e levado para a Catalunha. Prevenido por Arago, o dei protestou e fez libertar o navio que continuou a rota para Marselha. Mas não foi o fim da viagem: uma tempestade reenviou o barco para as costas de África do Norte e Arago, tendo conseguido chegar a Argel por terra e embarcar de novo, só chegou a Marselha a 2 de Julho de 1809. Ao longo de todo este périplo, conseguiu conservar todos os seus instrumentos e o resultado das suas medidas. A sua odisseia causou grande impressão, tendo favorecido a sua eleição para a Academia das Ciências três meses após o seu regresso”.Vale a pena acrescentar que em 25 de Junho de 1795 (7 de Messidor do ano III no calendário revolucionário) tinha sido criado em Paris o “Bureau des Longitudes” para “fazer florescer a Marinha”, o que só seria possível com o melhor conhecimento do globo terrestre. O Bureau passou a dirigir o Observatório de Paris (que assim se deveria assim libertar da sua origem e aura real). Foi Laplace, o maior dos astrónomos do seu tempo, quem nomeou o jovem Arago secretário-bibliotecário do Bureau des Longitudes, hoje situado no Institut de France, sede da Academia Francesa. Durante a expedição espanhola foi nomeado astrónomo adjunto do Bureau e, depois, membro efectivo. Em 1843 Arago passou justamente a Director do Observatório de Paris.Uma das inovações de Arago no Observatório foi a construção de um anfiteatro de 800 lugares onde ele próprio deu cursos de astronomia popular (o Bureau des Longitudes tinha também por missão transmitir a ciência para o público em geral). O anfiteatro não sobreviveu ao seu construtor, pois o seu aluno e sucessor Le Verrier (o descobridor do planeta Neptuno, olhando para o sítio que os cálculos indicavam) transformou em seu apartamento o que era um sítio de aulas, facto a que não foi estranha a rivalidade que alimentava com o mestre.Poder-se-á perguntar por que é que a fama tão grande Arago declinou com o tempo? Acontece que Arago percorreu vários temas da ciência, da geodesia à astronomia, passando pela física. No quadro da Física deu várias contribuições ao electromagnetismo e principalmente à óptica: observou os astros com um polarímetro (instrumento para ver luz polarizada), sendo por isso considerado o primeiro astrofísico, e tomou partido na contenda entre as teorias corpuscular ondulatória da luz ao propor uma experiência sobre a velocidade da luz na água e no ar – ganhou a teoria ondulatória. Mas não acabava os trabalhos que começava: em vez disso tentava que outros os continuassem... Que teria sido do brilhante mas jovem físico Fresnel, defensor ardente da teoria ondulatória, sem o apadrinhamento de Arago? Não nos podemos esquecer que, no lado da teoria corpuscular, estavam nomes como Laplace e Biot. Curiosamente, na exposição do Observatório estava uma montagem moderna, com um laser, da experiência crucial proposta por Arago sobre a velocidade da luz na água e no ar. O visitante podia pedir a uma simpática monitora para accionar o laser e mostrar no écran a imagem da luz depois de uma “corrida” nos dois meios. Agora como há 150 anos a luz é mais rápida no ar do que na água.A relação entre Arago e o meridiano de Paris está hoje perpetuada por um monumento singular, ou melhor plural. Havia uma estátua de Arago perto do Observatório, mas ela foi fundida pelos alemães em 1942. A cidade de Paris e o Ministério da Cultura decidiram por isso fazer um monumento, em 1994, que assinalasse o bicentenário do nascimento. Um escultor holandês ganhou o concurso público, com uma ideia muito original: colocou 135 medalhões de bronze só com o nome de Arago e a direcção N-S marcada no chão de Paris do Norte a Sul da cidade, ao longo do meridiano. Por isso, o nome de Arago está hoje espalhado por Paris. Estimado leitor, quando for à cidade-luz, não deixe de olhar com cuidado para o chão a ver se encontra o nome de Arago...
January 12 2010, 2:30am | Comments »
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O Tempo e a sua medição na Escola Politécnica de Lisboa
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa:No contexto da exposição "Medir os Céus para dominar a Terra: a Astronomia na Escola Politécnica de Lisboa, 1837-1911", realiza-se na próxima quinta-feira, dia 14 de Janeiro, no Museu de Ciência da Universidade de Lisboa, a conferência de Fernando Correia de Oliveira:“O Tempo e a sua medição na Escola Politécnica de Lisboa”Contamos com a sua presença no auditório Manuel Valadares, pelas 18.00 horas.A conferência é antecedida por uma visita guiada à Exposição, que se inicia às 17.00h.
January 11 2010, 11:12am | Comments »
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Balanço do Ano Internacional da Astronomia
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Informação recebida dos organizadores em Portugal do Ano Internacional da Astronomia (na foto, pintira da maior tela do mundo durante o "Festival dos Oceanos":Participação nacional elogiada por ocasião da sessão internacional de encerramento do AIA2009No próximo fim-de-semana (9 e 10 de Janeiro), realiza-se na Itália, em Pádua, a sessão internacional de encerramento do Ano Internacional da Astronomia (AIA2009), o maior evento público de divulgação científica da história. Em Portugal, a iniciativa prolonga-se por mais três meses, até ao dia 17 de Março, dia em que irá decorrer, na Fundação Calouste Gulbenkian, a cerimónia que marca o fim do ano astronómico no país.Em Portugal, e em mais 147 países, astrónomos amadores e profissionais trouxeram o Universo até à Terra, através de numerosos projectos originais e mobilizadores, criando uma gigantesca rede de entusiastas. O esforço promete ter um grande impacto nos próximos anos. No balanço efectuado pelos organizadores do evento a nível mundial, a participação de Portugal não passa desapercebida."Em Portugal, mais de 300 000 pessoas participaram na edição deste ano do Festival dos Oceanos, que tinha por tema a Astronomia. O Festival protagonizou um novo "Guinness World Record", com uma tela astronómica de 4,8 km de comprimento, pintada com a ajuda de voluntários", refere o comunicado de imprensa da Comissão Internacional do AIA2009 enviado por ocasião da sessão internacional de encerramento do AIA2009, que tem lugar em Pádua a 9 e 10 de Janeiro.Ao longo de 2009, a veemência dos portugueses pelas maravilhas e pelos mistérios do Universo foi forte. "O Presidente da República Portuguesa, Aníbal Cavaco Silva, presidiu pessoalmente o Comité de Honra do Ano Internacional da Astronomia em Portugal", acrescenta a nota de imprensa.Portugal destacou-se também nas duas festas da Astronomia, as "100 Horas da Astronomia" e as "Noites de Galileu", que envolveram pelo mundo, no total, três milhões de pessoas, com os prémios atríbuidos a investigadores e associações nacionais. A oferta de formação para professores no âmbito do "Galileo Teacher Training Program" (GTTP) também foi muito concorrida, tendo respondido a uma necessidade formativa sentida pelos docentes portugueses.O actual presidente da União Astronómica Internacional (IAU), Robert Williams, lembra: “O Ano Internacional da Astronomia pode estar a acabar, mas deixa um importante legado que nos cabe projectar. O trabalho de base efectuado pelos astrónomos e pelos entusiastas da Astronomia pelo mundo vai permitir-nos utilizar o ímpeto criado pelo AIA2009 para garantir que o Universo continue a ser nosso para ser descoberto ainda durante muitos anos no futuro.”O repto está lançado. Em Portugal, o concurso "Astronomia Artística" (ver aqui), destinado aos alunos portugueses, prolonga-se até ao fim do mês. A original exposição "Da Terra ao Universo", que percorreu as ruas do país, será ainda visível no Casino da Figueira da Foz em Janeiro. Está marcada para o dia 17 de Março de 2010, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, a cerimónia de encerramento de Ano Internacional da Astronomia em Portugal.Subordinado ao tema “The Universe, yours to Discover” (Descobre o teu Universo), o AIA2009 contou com o apoio das Nações Unidas, da UNESCO e da International Astronomical Union (IAU). A Sociedade Portuguesa de Astronomia (SPA), com a colaboração da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), da Fundação Calouste Gulbenkian, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, da Agência Ciência Viva e da European Astronomical Society (EAS), organiza o evento em Portugal.Mais informações:[sítio do AIA2009 em Portugal][[comunicado da IYA2009][IYA2009 Closing Ceremony website][The IYA2009 Legacy document]
January 8 2010, 1:48pm | Comments »
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HUMOR - GALILEU
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January 7 2010, 2:26am | Comments »
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Uma imagem da Nubelosa de Orion
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Informação recebida na caixa de correio do De Rerum Natura.PORTUGUÊS VENCE CONCURSO MUNDIAL COM FOTOGRAFIA DE UM BERÇO DE ESTRELASUma imagem da Nubelosa de Orion, que está entre 1300 a 1500 anos-luz da Terra e é conhecida por ser uma zona próspera na criação de estrelas, valeu ao engenheiro electrotécnico Luís Miguel Santo, de 34 anos, o primeiro prémio do concurso mundial de astrofotografia das Galilean Nights, um dos projectos-chave do Ano Internacional da Astronomia.A fotografia, captada em finais de Outubro na Atalaia (Montijo), foi a vencedora da competição Beyond Earth (Para além da Terra), que juntou imagens do Universo captadas por todo o globo. Os participantes foram desafiados a obter imagens dos objectos astronómicos estudados por Galileu Galilei, o cientista que há 400 anos protagonizou as primeiras observações do céu realizadas através de um telescópio."O objecto que Galileu observou e que escolhi foi a nebulosa de Orion, também conhecida como o objecto de Messier 42 (M42) e que está enquadrada com outra nebulosa (NGC1977), denominada na gíria Running Man (olhando na zona azul, e com alguma imaginação, vemos um indivíduo a correr, tal como o nome em inglês sugere). Existe ainda uma zona de concentração de estrelas denominada trapézio, pela sua disposição, que foi objecto de estudo de Galileu", explica Luís Miguel Santo."A Nebulosa de Orion (zona avermelhada em baixo na fotografia), pertence à constelação de Orion, e é denominada uma nebulosa de emissão (nuvem de gás ionizado que emite luz de várias cores) dada a presença, entre outros, de enormes quantidades de hidrogénio, a principal matéria-prima das estrelas. É uma zona conhecida como profícua na criação de estrelas. A nebulosa NGC1977 é uma nebulosa de reflexão; nuvens de poeira que simplesmente reflectem a luz de uma ou mais estrelas vizinhas, e como tal apresenta uma coloração azulada", revela o astrónomo amador.Luís Miguel Santo foi um dos numerosos entusiastas que participaram em Portugal nas Noites de Galileu, entre 22 a 24 de Outubro 2009. No total, 18 cidades desenvolveram perto de 50 actividades muito espaciais, transformando, uma vez mais, o país num dos mais dinâmicos.Para o engenheiro electrotécnico, o prémio foi uma cereja no topo do bolo porque captar uma fotografia dos astros para além da Terra não é fácil e requer um árdua aprendizagem. "O ritual de preparação e obtenção de uma astrofotografia tem algo que se lhe diga. Começa por preparar de antemão os objectos a fotografar, bem como definir os principais parâmetros de exposição, enquadramento, e montar o equipamento... Uma sessão normal inicia-se pelas 22h e pode terminar quando a estrela mais perto da terra dá a volta", frisa.Ao contrário da fotografia tradicional, cada imagem em astrofotografia é composta por vários fotogramas (podendo durar tipicamente até 15 minutos por fotograma), incluindo a cor que tipicamente é obtida através de filtros distintos para o vermelho, o verde e o azul. Posteriormente, toda a informação contida nos diferentes fotogramas (luz e cor) é alinhada e calibrada de forma a obter apenas uma imagem a cores de maior detalhe, explica Luís Miguel Santo."A Astronomia é para mim um desafio que reúne duas paixões: fotografia e ciência. A Astronomia... tem um pouco de filosofia e é um exemplo importante na eterna procura do conhecimento, em especial o de olhar o Universo, cada vez mais longe, para perceber algo bem próximo... a própria Humanidade e a sua história", sublinha.A imagem premiada pode ser contemplada aqui.
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January 5 2010, 12:50pm | Comments »
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VOLTAS AO SOL
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Minha crónica no jornal Sol" de hoje:O astrofísico Carl Sagan gostava, para referir a idade de uma pessoa, de usar a expressão “voltas ao Sol” em vez de anos. Morreu após ter dado 62 voltas ao Sol, a 20 de Dezembro de 1993. Agora que o novo ano está iminente, é uma boa altura para lembrar que o ano não é mais do que a unidade de tempo que corresponde a uma volta completa do nosso planeta em volta da sua estrela.Que o ano comece a 1 de Janeiro, entre o solstício de Inverno a 21 de Dezembro e a data do periélio terrestre a 3 de Janeiro (quando a Terra está à menor distância do Sol, por estranho que isso possa parecer), não passa de uma convenção. Podia começar noutro dia? Poder podia e era a mesma coisa... As revoluções do nosso astro em torno do astro-rei repetem-se com uma extraordinária regularidade. Como todas as convenções, também essa tem uma história. O início do ano em 1 de Janeiro começou com o estabelecimento do calendário juliano pelo imperador romano Júlio César, no ano 46 a.C. Antes disso o ano começava em Março. Acrescentaram-se então dois meses ao ano (Novembro e Dezembro) e os últimos dois meses do ano antigo (Janeiro e Fevereiro) passaram a ser os primeiros do novo ano. O ano da mudança ficou justamente designado por “ano da confusão”.Uma outra confusão houve, embora menor, em 1582. A fim de melhor obedecer à astronomia, uma bula do Papa Gregório XIII, de 24 de Fevereiro, revogou o calendário juliano, decretando que fossem retirados alguns dias a esse ano. O dia 15 de Outubro surgiu logo após o 4 de Outubro, criando assim um “buraco” no calendário. O dia 1 de Janeiro de 2009 no calendário gregoriano, que ainda vigora, é o dia 19 de Dezembro do calendário juliano. Países católicos como Portugal, Espanha, Itália e Polónia seguiram imediatamente o édito papal (que tinha sido preparado por uma douta comissão que incluía Christophorus Clavius, talvez o mais famoso estudante de Coimbra). Outros seguiram-no mais tarde, como a Inglaterra. Comentou o astrónomo Johannes Kepler: “Preferiam estar em desacordo com o Sol a estar de acordo com o Papa".
December 31 2009, 2:21am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
KOESTLER, UMA VIDA DO SÉCULO XX
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"Arthur Koestler, Man of Darkness", é o título de um artigo acabado de sair no suplemento de livros do "The New York Times". Sendo seu autor é Christopher Caldwell, trata-se de uma recensão do livro "The Literary and Political Odyssey of a Twentieth-Century Skeptic." de Michael Scammell, (Random House), uma nova biografia do escritor húngaro Arthur Koestler, autor de The Sleepwalkers ("Os Sonâmbulos"), uma notável história da astronomia. Contar a vida dele, com o fim trágico que é conhecido, é contar a história do século passado.Inicia-se assim:No other writer of the 20th century had Arthur Koestler’s knack for doing odd things, crossing paths with important people and being present when disaster struck. As a 27-year-old Communist he spent the famine winter of 1932-33 in Kharkov, amid millions of starving Ukrainians. Rushing southward through France ahead of the invading Nazi armies in 1940, he ran into the philosopher Walter Benjamin, who shared with him half the morphine tablets Benjamin would use, weeks later, to commit suicide. The Harvard drug guru Timothy Leary gave Koestler psilocybin in the mid-1960s, and Margaret Thatcher solicited his advice in her 1979 election campaign. Simone de Beauvoir slept with him but came to hate him, and in a fictional portrait described a blazing intelligence and a personality capable of sweeping people off their feet.E o resto pode ser lido no link indicado no cimo.Na imagem: Koestler em 1931 numa viagem ao pólo Norte a bordo de um Zeppelin.
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December 26 2009, 3:48am | Comments »






