A observação é uma actividade natural, o que a torna simultaneamente fácil e difícil quando utilizada para fins de avaliação. Como temos tendência para ver o que queremos ver, temos de ter especial cuidado com enviesamentos e ideias pré-concebidas e adaptar cuidadosamente a nossa observação aos critérios definidos.ObservaçãoO que é?A observação é uma actividade com características distintas da visão. A observação para fins profissionais é um modo disciplinado de focalizar a atenção sobre determinados assuntos. Para Jack Sanger (1998:5) a observação é ‘um negócio escorregadio: o mundo é bastante mais confuso que um laboratório.’Para que serve?Recolher dados através da observação é uma boa maneira de iniciar o processo de auto-avaliação, porque não requer muito material. Para além disso, a maior parte dos programas de formação de professores contempla algum tipo de prática de observação (cf. Hook, 1981; Stubbs e Delamont, 1976; Walker, 1985). O que é importante para o desenvolvimento da escola é que as tarefas de observação não sirvam apenas para a melhoria da prática numa única sala de aula, mas que envolvam o maior número possível de professores (cf. Schratz e Walker, 1995). Na observação, os dados recolhidos destacam alguns aspectos e deixam outros para segundo plano. Este método é mais eficaz em situações em que é preciso reduzir a complexidade e fazer sobressair algum aspecto mais concreto. Uma vez que a observação é necessariamente subjectiva, a troca de dados de observação pode permitir chegar a resultados apurados, conseguindo-se uma visão inter-subjectiva.Como fazerA observação pode ser dirigida a um problema em particular (por exemplo, o comportamento dos rapazes vs o comportamento das raparigas) e pode ser feita dentro ou fora da sala de aula (ou em ambos). Há, naturalmente, diversas maneiras de observar, que se situam entre dois extremos. As actividades de observação podem ser classificadas segundo o grau de visibilidade do observador. OBSERVAÇÃOVisível/aberta Não visível/fechadaA escolha entre observação aberta ou fechada tem efeitos na situação, mesmo que o observador não seja ‘visível’ para aqueles que estão a ser observados. A observação fechada tem a vantagem de possibilitar a recolha de dados ‘autênticos’, mas há um aspecto ético envolvido, o qualconfere ao investigador a responsabilidade de actuar eticamente em relação aos outros. Isto quer dizer que o investigador, face ao seu estatuto privilegiado e conhecimento das consequências das actividades de investigação, deve proteger, tanto quanto possível, os participantes que não têm consciência das consequências que a investigação e a avaliação podem ter para si próprios. (Sanger, 1998:36)As actividades de observação também podem ser classificadas segundo a sua focagem: OBSERVAÇÃOLivre/não estruturada Focalizada/estruturadaA vantagem da observação livre é ao mesmo tempo a sua maior desvantagem: quanto mais se tenta observar, menos se vê, porque não há focagem. Por outro lado, quanto mais se estrutura a observação, mais se perde sobre a riqueza do contexto social em que a observação acontece. Consequentemente, seja qual for a alternativa escolhida, devemos ter sempre presente a perspectiva contrária!Numa observação focalizada é útil produzir em conjunto uma lista de verificação que dê a cada pessoa envolvida alguma orientação sobre a sua observação. O exemplo da Figura 11.14 é retirado de um projecto de desenvolvimento escolar em que os professores estavam interessados em observar os efeitos da sua decisão de atribuir certas zonas na escola às raparigas para as ‘proteger’ da interferência dos rapazes.Lista de VerificaçãoQue uso fazem as raparigas das áreas protegidas? (idade das raparigas? números? individualmente / em grupo?)Em que circunstâncias é que os rapazes entram nas áreas protegidas? (lutas? Individualmente / em grupo?)O que acontece quando um rapaz / rapazes entra(m) na área protegida?Data: _____________ Hora: ___________Fig. 11.14 Lista de verificação sobre áreas protegidasDepois de processados os dados da observação verificou-se que a protecção não era vista positivamente pelas raparigas; mais ainda, os rapazes entenderam que todas as outras áreas podiam então ser ocupadas por eles, o que causou mais problemas. A ideia foi de imediato abandonada e procuraram-se novas soluções.Como funciona?OBSERVAÇÃO POR PARESA observação por pares, por parte dos professores, foi usada em várias escolas. Os professores juntaram-se a outro colega com o mesmo estatuto para observar e dar feedback sobre aprendizagem, ensino, apoio às dificuldades de aprendizagem ou outros aspectos da vida da sala de aula. O mérito de conduzir este método de forma colegial, entre colegas, consistiu na possibilidade de os professores poderem trabalhar em conjunto com outros colegas num espírito de confiança e também com uma vontade de se desafiarem mutuamente. Nos casos em que se utilizou este tipo de observação, foi considerado importante negociar antecipadamente qual iria ser o foco da observação, a natureza do feedback que iria ser dado e o instrumento ou o calendário da observação a ser utilizado. Este protocolo foi normalmente trabalhado entre os próprios professores ou decidido como parte de uma iniciativa mais ampla da escola. Numa escola da Islândia, oito professores organizaram-se em pares e visitaram as aulas uns dos outros. Reuniram-se previamente para discutir e planear a visita, elaborando uma lista de nove pontos diferentes a observar e sobre os quais iria ser dado feedback. Cada professor fez três visitas, o que deu tempo para se familiarizarem com os procedimentos e ultrapassarem algumas inibições iniciais. As chaves para o sucesso desta estratégia são confiança, honestidade, planificação, acordo sobre as áreas a observar, e feedback que é simultaneamente positivo e desafiador.OBSERVAÇÃO POR ALUNOSA observação por alunos foi usada em escolas de vários países e assumiu formas variadas. Em alguns casos os alunos conceberam os seus próprios calendários de observação, noutros casos trabalharam em conjunto com os professores e/ou o amigo crítico. Numa escola Finlandesa os professores não sabiam quando se realizava a observação, mas concordaram que seria este o procedimento, possibilitando assim uma amostra mais ‘típica’ da interacção na sala de aula.Este método foi muito apreciado pelos alunos e alguns escreveram entusiasticamente sobre as suas experiências numa newsletter. A tónica geral destes comentários foi que a observação tinha despertado a sua consciência para as tarefas e o papel dos professores, assim como para a tensão entre ensino (o que o professor faz) e aprendizagem (o que o aluno faz). Uma aluna Grega afirmou o seguinte: “Pela primeira vez enquanto aluna fiz algo que me vou lembrar para toda a vida. Estive numa aula como simples observadora. Durante a aula preenchi um questionário com base nas minhas observações. Apercebi-me que alguns alunos estavam interessados na aula, enquanto que outros nem estavam interessados nem participavam ... Pergunto-me, de quem é a culpa desta situação? Em que medida somos nós, alunos, os responsáveis, ou é o nosso professor? ... Esta experiência fez-me repensar o meu papel e a minha atitude como aluna no ambiente escolar. Senti que tomei consciência de muitas coisas pela primeira vez. Oxalá a maior parte dos meus colegas pudesse ter a mesma oportunidade.” (EVA Newsletter 3)A História de Serena, Obra citada
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OBSERVAR
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June 2 2009, 3:06pm | Comments »
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Caminhos para a auto-avaliação
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Dez caminhos para concretizar a auto-avaliação (quase o mesmo dizer: recolher dados para compreender, intervir, melhorar; fazer uma investigação-acção) 1.Questionar2.Observar3.Seleccionar e definir prioridades4.Recolher5.Discutir6.Representar7.Medir8.Ilustrar9.Fazer um diário10.Fazer um perfil(a partir de MacBeath e outros, A História de Serena)
May 20 2009, 3:39pm | Comments »
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Princípios fundacionais da Escola que Aprende
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No entanto, se dizemos que a escola também tem que aprender, quais os motivos que urgem à aprendizagem? De forma sucinta passarei a enunciar seis princípios dos quais, na minha opinião, emana essa necessidade e obrigação.Princípio da racionalidadeDividirei este princípio em dois blocos argumentativos. Um deles refere-se à lógica que preside à análise da prática. Outro é a necessidade de actualização face aos conhecimentos específicos da profissão.Efectivamente, a lógica exige que se conheça o resultado do esforço empregue na obtenção das pretensões abordadas. É absurdo que se proponha atingir determinadas metas sem nunca saber se tiveram ou não êxito (ou se, nessa pretensão, atingiu-se um resultado totalmente oposto ao pretendido). Não faz muito sentido trabalhar às cegas, sem objectivos claros e sem reflectir sobre os resultados.As escolas dão, por vezes, uma imagem pouco sensata: realizam um trabalho sem nunca se interrogar acerca da sua natureza, repercussões ou efeitos secundários. As escolas vivem à margem do seu êxito e, nalguns casos, nem sequer necessitam de definir o seu êxito.A aprendizagem deve ser constante e afectar todas as vertentes de um dado projecto: planificação, execução, avaliação e meta-avaliação. A mecanização dos processos só conduz à esterilidade e ao infortúnio. Num mundo em mudança, numa actividade tão complexa e multifacetada como a educação, é importante lutar contra o improviso e contra o azar.O segundo bloco de argumentos tem como vector fundamental a óbvia necessidade de estar actualizado acerca do desenvolvimento dos conhecimentos científicos, pedagógicos, organizacionais, psicológicos e jurídicos que o trabalho numa instituição tão complexa e importante como a escola acarreta.É uma verdade insofismável afirmar que nada está formado de uma vez para sempre. Nenhum ofício (e muito menos este que é exercido numa instituição) direccionado para as pessoas e com uma natureza tão complexa e problemática, pode ser executado adequadamente sem uma actualização constante.A racionalidade assenta na lógica de determinadas pretensões que têm de ser partilhadas e constantemente revistas, nas exigências dos meios e estratégias necessários para a sua prossecução e na interrogação permanente que permite comprovar resultados e respectivos efeitos secundários.A racionalidade decorre de uma reflexão profunda sobre a finalidade e o significado da escola nesta sociedade. O que é que se pretende? Nesse debate devem ser escutadas as opiniões mais diversas, não apenas dos profissionais que trabalham na escola, mas também dos pais e mães, dos alunos e dos membros da comunidade social.A organização da escola é o alicerce em torno do qual se desenvolve o projecto e, ao mesmo tempo, uma parte desse mesmo projecto. Não é racional esperar que se formem pessoas livres a partir de estruturas autoritárias. Não é lógico esperar que uma estrutura asfixiante eduque pessoas criativas.O clima da instituição é um meio de cultura da reflexão onde os profissionais realizam a reflexão. Um clima positivo torna aliciantes os encontros frutuosos. O diálogo sincero e aberto acaba por se converter numa plataforma de aprendizagens.Quando... o clima da escola é decepcionante, os educadores ficam logicamente deprimidos. A imaginação, o altruísmo, a criatividade e a capacidade intelectual depressa esmorecem face ao ramerrão diário dos alunos indisciplinados, do currículo desajustado, do ambiente impessoal ou dos colegas igualmente desmotivados.(COSTA, 1991, citado por PERKINS, 95, pág. 219.)O clima depende fundamentalmente das atitudes dos membros da comunidade educativa, mas também da forma como essa comunidade é gerida pelos administradores educativos e da respectiva avaliação feita pela sociedade.Princípio da responsabilidadeA actividade educativa não é neutra, nem asséptica. Está carregada de valores. Trata-se de uma actividade comprometida não somente com as pessoas, mas sim com a sociedade em geral. Diferentes acções geram resultados distintos. Cada enfoque, cada forma de agir e cada modo de relacionamento têm repercussões bastante importantes.Há alunos que abandonam a escola com a sua auto-estima destroçada, com estratégias ineficazes para enfrentar a vida, sem recursos para prosseguir a aprendizagem ou, o que é ainda mais grave, com o desejo de aprender totalmente destruído.Esta abordagem não afecta somente o modo de agir de uma ou outra escola, mas sim o modo de organização do próprio sistema educativo. Há estruturas envenenadas pelas abordagens ou funcionamentos discriminatórios que prejudicam os mais desfavorecidos. Não é inocente a forma de organizar as escolas.O título da recente obra da autoria de ROSS EPP e WATKINSON (1999) A violência no sistema educativo. Acerca dos danos que as escolas causam às crianças coincide com algumas das minhas perspectivas, levando-me a sublinhar este princípio conducente à aprendizagem. Há que reflectir sobre os actos praticados porque as consequências podem ser simultaneamente admiráveis ou nefastas.Princípio do profissionalismoPode-se aprender a ser um melhor profissional de muitas maneiras, mas uma das mais eficazes é, sem dúvida, a aprendizagem resultante da reflexão rigorosa, partilhada e constante sobre a prática profissional.Como sustenta STEWART (1997) no título tese da sua obra, a nova riqueza das organizações é o seu capital intelectual. Ou seja, a capacidade dos profissionais agirem e interagirem de forma inteligente e colegiada. O talento dos professores, o seu compromisso intelectual e moral com a acção, as relações interpessoais enriquecedoras, constituem o “ouro oculto” (segundo a expressão de STEWART) da organização.A actividade desenvolvida nas escolas não pode ser interrompida, porque são muitos os elementos que a integram que estão em permanente mudança: a sociedade a que serve está em mutação, os alunos que nela se matriculam estão em mudança, bem como os conteúdos científicos trabalhados e o saber pedagógico que a sustenta...É fácil e pertinente estabelecer a comparação com as instituições de saúde. Jamais seria possível intervir de forma adequada com instrumentos desfasados, métodos de diagnóstico e terapia antiquados ou perspectivas já ultrapassadas... Por que é que o mesmo não se passa nas escolas? Em parte porque os efeitos catastróficos da sua deficiente acção não são tão visíveis (ou não são considerados tão importantes). E porque muitos dos fracassos são atribuídos aos alunos.Uma abordagem entregue a rotinas relaciona-se com questões técnicas e científicas, mas também com as dimensões éticas da prática.Princípio da perfeiçãoComo podem melhorar as escolas? Como se podem aperfeiçoar? Muitas são as vias, certamente. Umas mais eficazes do que outras. Umas mais positivas do que outras.Foram muitas as vezes em que pretendeu mudar a escola através de prescrições externas. Os especialistas analisam a situação e os políticos fazem leis conducentes à mudança. O epicentro deste processo de mudança está fora da escola.Outras vezes deixa-se à iniciativa de cada professor a tarefa do seu aperfeiçoamento. Este elege as áreas de formação em função das suas necessidades e da oferta disponível. A origem da decisão está em cada professor.Neste ponto defendo um modo de desenvolvimento profissional e de mudança institucional que é a aprendizagem partilhada. O epicentro deste processo de mudança está na própria escola e nele estão envolvidos todos os professores e encarregados de educação.Não me refiro unicamente ao aperfeiçoamento dos métodos, mas sim (e acima de tudo) o aprofundamento das bases sobre as quais se manifesta, simplesmente porque não há nada mais absurdo do que “lançar-se de cabeça” na direcção errada.Assim, se num dado momento, quiséssemos construir um currículo para a nossa escola, a primeira questão não seria como o fazer, mas sim qual a ideia de escola e educação em que baseámos essa decisão, por que motivo nos envolvemos nessa tarefa e para quê ou ao serviço de quem a fazemos.(ESCUDERO MUÑOZ, 1994, pág. 180.)Melhorar ou aperfeiçoar o funcionamento da escola conduz à discussão sobre as bases que a sustentam. A participação é a base da inovação eficaz.Participar num estabelecimento escolar é a acção de intervir nos processos de planificação, execução e avaliação das tarefas que nele se realizam.(ANTÚNEZ e GAIRÍN, 1996, pág. 65.)A participação é um direito e um dever democrático da comunidade educativa e afecta não apenas o desenvolvimento da actividade, mas também a sua planificação e a sua avaliação. Este processo constitui a causa e o efeito da aprendizagem. Esse processo de participação constitui e, ao mesmo tempo, conduz ao melhoramento da instituição educativa. Constitui porque se trata efectivamente de um processo que ensina a fazer. E conduz porque o resultado da aprendizagem partilhada é a tomada de decisões racionais conducentes ao desenvolvimento.Princípio da exemplaridadeAs escolas têm de encarnar verdadeiramente aquilo que aconselham. O convite que é constantemente feitos aos alunos para que estudem e aprendam tem de ser assumido com extrema clareza e persistência.A atitude autocrítica que a torna consciente dos seus erros e limitações é um óptimo exemplo daquilo que os alunos praticam durante o seu processo de aprendizagem.A abertura à crítica, que permite conhecer com precisão e analisar com mais rigor os acontecimentos, é um excelente modo de fazer ver a importância da abertura mental e da humildade que conduz à aprendizagem.Converter os erros em motivos de aprendizagem e de melhoramento (ASTOLFI, 1999) não só é uma estratégia didáctica utilizada no ensino, como também um recurso útil para a aprendizagem dos professores. A fertilidade do erro é uma realidade para as instituições que trabalham de forma inteligente.A escola surge, assim, não como fiel depositária de respostas, mas como impulsionadora de perguntas, não como a cúpula do saber, mas antes como a perscrutadora da verdade, não como a detentora do conhecimento hegemónico, mas sim como a indagadora do saber desconhecido. A escola converte-se, pois, no caminho, não no fim.Para que a escola possa dedicar-se à aprendizagem e não apenas ao ensino, necessita de incorporar as dinâmicas necessárias nas suas estruturas: equipas de profissionais, horários específicos, meios materiais e motivos pessoais e institucionais para a sua aplicação prática. É contraproducente pedir que se realize uma tarefa, quando é impossível executá-la. E muito mais ainda, exigir.Este enfoque ajuda-nos a melhorar a instituição, a aprender os múltiplos aspectos da profissão e – também – a que nos sintamos mais apoiados e menos expostos às críticas daqueles que preferem continuar agarrados às velhas rotinas.Quando falo de uma comunidade crítica de aprendizagem defendo o protagonismo de todos os seus membros. Ou seja, estes não podem ser meros executantes de abordagens que outros terão feito, porventura com a melhor das boas vontades, para si próprios. E também não podem ser actores de um guião que outros escreveram. Devem ser os autores e os actores de uma obra que eles mesmos escreveram e que decidiram representar.Na medida em que o protagonismo está na escola, os papéis hierárquicos têm necessariamente de mudar. A autoridade converte-se numa força impulsionadora do crescimento. Em toda a escala hierárquica inverte-se o papel decisório e controlador das altas hierarquias que se convertem em instâncias que facilitam e promovem o compromisso, a decisão e a participação de todos no desenvolvimento de um projecto motivador.A necessidade de aprendizagem está ligada à urgência da mudança. As escolas têm uma comprovada tendência para a inércia.Embora, na sociedade, a mudança se tenha convertido em algo corrente, as escolas continuam em grande parte como sempre... Apesar dos enormes esforços realizados, a instituição educativa demonstrou, em todos os seus níveis, uma notável incapacidade para accionar e manter formas de ensino mais eficazes, bem como criar ambientes de aprendizagem produtivos e estimulantes para as escolas.(WIDDEN, 1987, pág. 1)A aprendizagem não tem, por conseguinte, o finalidade única de armazenar conhecimentos e gerar satisfação. A aprendizagem deve estar ligada ao melhoramento das pessoas e das instituições. Quando falo de melhoramento, refiro-me a questões alicerçadas no território da ética: evitar a injustiça, reduzir a pobreza, melhorar o respeito, evitar a discriminação, aumentar a solidariedade...Princípio da felicidadeHoje fala-se com insistência na desmotivação da classe docente. É importante colocar o dedo nas feridas e descrevê-las detalhadamente. Só que é ainda mais importante saber como se produzem e como se podem curar.Acredito que a prática rotineira, individualista e mecanizada dos docentes conduz ao desalento e à frustração. Porém, existe uma outra espécie de prática frequente numa comunidade de ensino e aprendizagem que assume a tarefa como um desafio, que planifica com base num debate franco e exigente, que actua de forma concertada e que reflecte sobre aquilo que faz com coerência e paixão.Deste princípio resulta uma concepção da actividade como uma aprendizagem partilhada realizada por toda a comunidade. Quando falo desta dimensão concertada da prática, refiro-me não só às componentes intelectuais, como também às emocionais e atitudinais.Preocupa-me o envelhecimento dos profissionais na actividade docente. Se a experiência é convertida em sabedoria, os anos de serviço podem constituir uma fonte de satisfação. Não é gratificante identificar experiência com decepção, desmotivação e tédio.Num livro com um título tão belo quanto surpreendente (A alegria de ensinar), ALVES, Rubem (1996) refere que “o professor nasce da exuberância da felicidade”. Neste tempo em que tanto se fala dos problemas da classe docente, é necessário levantar a voz para reivindicar a dimensão fascinante do ensino.Ensinar é uma forma de ganhar a vida mas, acima de tudo, é uma forma de ganhar a vida dos outros, de estimular o amor por aquilo que aprendem. A função de um professor dotado e entusiasta é uma das profissões mais belas do mundo.(LLEDÓ, 2000, pág. 45.)Gosto mais de falar de educação do que de ensino. Em primeiro lugar, porque o termo educar é mais completo do que instruir, uma vez que o primeiro inclui as dimensões intelectuais do indivíduo. Mas também porque é mais preciso, corresponde melhor à realidade. Qualquer professor, independentemente da disciplina que lecciona, dá várias aulas ao mesmo tempo: o respeito, a atenção pela diversidade, o amor pelo conhecimento, a proximidade emocional, a ética, a linguagem...Se pretendemos fazer da prática um exercício de procura da felicidade, é necessário abri-la à aprendizagem e convertê-la numa prática apaixonada pelo saber e pela compreensão da realidade.Miguel Santos Guerra. A Escola que aprende. Porto: ASA
March 29 2009, 11:16am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Auto-avaliação psicossocial de professores
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Aqui.
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October 26 2008, 10:35am | Comments »
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