O presente artigo procura desenvolver um modelo referencial de gestão que capte os determinantes da qualidade na universidade, uma vez que esta, cada vez mais tem sido desafiada, a demonstrar qualidade no seu desempenho.Do ponto de vista do problema, a pesquisa se caracteriza como predominantemente qualitativa e do ponto de vista dos seus objetivos como exploratória e descritiva. Quanto ao ponto de vista da linha de raciocínio, o procedimento foi a construção de um modelo, sendo que as técnicas utilizadas, enquanto conjunto de procedimentos práticos da pesquisa, foram a pesquisa bibliográfica e documental. Os dados foram obtidos a partir de fontes secundárias, estando a pesquisa centrada no estudo de doze modelos de qualidade na universidade, relatados na literatura, nos quais buscaram-se as semelhanças entre um conjunto de universidades e, ao mesmo tempo, tentou-se entender suas singularidades. O processo de coleta e análise dos dados permitiu identificar a ocorrência de eventos associados à qualidade nas instituições pesquisadas, bem como obter uma descrição dos indicadores essenciais ao desenho de um modelo de gestão universitária mais próximo da realidade. O modelo desenvolvido é orientado pelos elementos característicos da qualidade e, pactuado no diálogo, potencializa a avaliação como elo de feedback para a garantia e melhoria da qualidade. De formato simples, o modelo propicia uma forma eficaz de agir sobre a qualidade.Texto integralParticularmente indicado para os responsáveis pela avaliação interna.
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Proposta de um modelo referencial de gestão de indicadores de qualidade na instituição universitária
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January 31 2009, 4:22pm | Comments »
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5 Dimensões e 35 Critérios para uma Avaliação das Escolas
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A. Acção colectiva I. Existência dum projecto colectivo em que a comunidade escolar participou plenamente (professores, pais. alunos. pessoal administrativo e auxiliar de apoio). O projecto resulta de discussão e acordo. É do conhecimento de todos os membros da escola que nele participam nas suas linhas fundamentais, e o levam a cabo de forma coerente.2. Existe uma profunda coordenação (quer em sentido vertical. quer horizontal). a ponto de o trabalho da equipa docente e dos seminários estabelecerem a continuidade e a coerência e coesão da actividade. Não ocorre um processo de balcanização, com cada professor a realizar a sua tarefa isoladamente ou, até, combatendo as tarefas dos outros.3. Desenvolvem-se iniciativas relacionadas com o aperfeiçoamento dos professores, surgidas principalmente de processos de investigação na acção, de modo a tomarem-se decisões de mudança resultantes da compreensão proporcionada pela reflexão comum e rigorosa sobre a prática.4. A coerência e estabilidade do corpo de professores potencia o trabalho em equipa e permite manter e desenvolver o projecto educativo no futuro.5. São desenvolvidos os mecanismos de participação real e de autêntica representação na gestão da escola. através dos órgãos colegiais e de qualquer outro meio de intervenção democrática.6. Verifica-se a integração no projecto do pessoal administrativo e auxiliar de apoio, o eficaz desenvolvimento do seu trabalho. e um bom relacionamento desse pessoal com a restante comunidade educativa.B. Acção Relacional 7. A comunicação entre alunos, professores, pais e mães é intensa e positiva. De acordo com os princípios da autenticidade. sinceridade e tolerância.8. A informação é fluente e clara em todas as direcções. As vias de informação são rápidas e seguras, de forma a evitar a ocultação, a manipulação ou o desvirtuar da notícia.9. Existe um clima de respeito mútuo, principalmente dos professores em relação aos alunos, da direcção da escola em relação aos professores, dos coordenadores dos seminários em relação aos elementos que os integram.10. Existe um relacionamento intenso com os pais e mães, com recurso à participação, informação, formação e reflexão conjunta sobre o processo educativo.11. Os conflitos são tratados de forma clara e decidida, evitando complicações e a progressiva deterioração das situações fruto do silêncio, e do facto de se desvirtuar, adiar ou perspectivar erradamente esses mesmos conflitos.12. A concepção de disciplina e os meios de a propor e impor são racionais e essencialmente educativos. Quando as regras não são cumpridas, actua-se reflectidamente, e não deixando-se arrastar por lugares comuns ou usos e costumes inveterados.C. Acção Didáctica e Desenvolvimento Curricular13. Existe nas aulas e fora delas uma preocupação manifesta e efectiva pela metodologia. Esta preocupação traduz-se na participação dos alunos, na discussão sobre as formas de aprendizagem. na flexibilidade de métodos, no intercâmbio de iniciativas e experiências.14. O currículo tem em conta aspectos e actividades que não são os estipulados pelas normas emanadas da administração, tais como a educação para o lazer, os contactos com o meio envolvente...15. Os conteúdos a ensinar são escolhidos de forma inteligente e rigorosa, tendo em conta princípios epistemológicos consistentes e as exigências psicológicas dos interesses e da capacidade de aprendizagem dos alunos.16. A avaliação que os professores realizam nas aulas assenta em critérios educativos, afastando-se de abordagens autoritárias, mecanicistas e meramente quantitativas.17. Na escola existem processos de investigação sobre a acção estimulados e desenvolvidos pelos professores. Estas investigações e os seus resultados são conhecidos e aproveitados por todos os membros da comunidade escolar.D. Gestão das instalações e material18. O espaço está bem distribuído, as diversas dependências estão limpas, cuidadas esteticamente e utilizadas adequadamente em serviço da actividade educativa da escola e dos interesses da comunidade. nas horas e dias em que não há actividade escolar.19. Existe uma ampla gama de materiais didácticos, tanto nos laboratórios como nas aulas e oficinas. A existência destes meios é acompanhada por uma utilização adequada e persistente.20. Os manuais (escolhidos de acordo com critérios educativos) não constituem o fulcro da actividade didáctica, de tal modo que os alunos sabem procurar informação, são capazes de produzir os seus próprios materiais.21. O acervo bibliográfico é abundante e actualizado. Os alunos recorrem, com facilidade e frequência, à biblioteca, que se torna, assim, num dos centros nevrálgicos da actividade intelectual.22. Os espaços estão a ser usados de forma justa e racional, não se verificando nem critérios de privilégio (os melhores, mais espaçosos, mais cómodos para quem exerce a autoridade). nem critérios que conduzam à sua paralisação (laboratórios encerrados, biblioteca sem préstimo...).E. Organização da acção educativa23. O rácio professor/aluno (e outros tipos de rácios: especialistas/alunos, professores/aula, etc.) é baixo, as aulas não são dadas duma forma massificada, e é possível trabalhar individualmente com cada aluno, de modo a poder-se intervir na educação dos alunos, através de uma abordagem específica (ao nível da psicologia. da logopedia, da psicomotricidade...).24. Existe flexibilidade organizativa, de modo que a adaptação às mudanças, às exigências do meio e à inovação, é rápida e fácil. A estrutura não constitui um obstáculo ou um elemento dissuasor da mudança.25. Geram-se processos de avaliação institucional (auto-avaliação e avaliação com facilitadores externos) de modo que a reflexão sobre a prática ilumina a tomada de decisões posterior.26. A designação e actuação dos tutores é democrática, orientando-se, fundamentalmente, para benefício educativo dos alunos, e não para os interesses, a rotina e a comodidade dos profissionais.27. Existe uma relação com o meio em que a escola se insere, de modo que a escola não é uma ilha, mas uma realidade permeável às exigências da sociedade constituindo-se, simultaneamente, num foco cultural para o meio envolvente.F. Princípios éticos e valores28. É prestada atenção à educação dos valores, tanto no currículo explícito como no oculto, excluindo a doutrinação e a imposição dos valores do educador como dogma moral a assimilar pelos alunos.29. A coerência da educação dos valores exige que a instituição e os seus membros os encarnem nos seus próprios comportamentos e atitudes, de modo a evitar as atitudes servis, despóticas, discriminadoras, cobardes, egoístas, etc.30. Existe um clima de liberdade, um clima em que é possível expressar livremente o pensamento. sem temer represálias e pressões afectivas, em que é possível reunir-se e associar-se, e em que tem espaço e é estimulada a criatividade.31. A autoridade é exercida de forma equilibrada e razoável, longe do autoritarismo e da permissividade, de forma que a orientação da actividade é feita através dos órgãos uni pessoais e colegiais da escola.32. Existe uma autêntica co-educação, detectando e combatendo os padrões de actuação sexista que surgem nos textos, nos comportamentos. nas atitudes, nas expectativas, nas relações, etc. e procurando facilitar o conhecimento e aceitação do próprio sexo, e a sã relação com o sexo oposto.33. A integração das pessoas com necessidades educativas especiais é levada a cabo com abertura e dedicação, valorizando a sua dimensão enriquecedora para toda a comunidade educativa.34. Existe racionalidade e transparência na gestão económica, de modo que os gastos são feitos de acordo com critérios de equidade, eficácia, coerência e rapidez, evitando que a burocracia dificulte e constitua obstáculo a uma gestão racional e eficiente.35. É tida em conta a situação dos mais desfavorecidos, uma vez que o ritmo de aprendizagem exigido lhes torna difícil uma boa assimilação dos temas, pois não dispõem em suas casas de ambiente de trabalho nem de ajudas e meios necessários.Miguel Santos Guerra, obra citada infra.Uma grelha alargada e abrangente para ler a realidade escolar.
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January 29 2009, 6:52am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
A Avaliação e as Condições de Credibilidade
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O carácter disperso, fragmentado, e por vezes contraditório dos dados exige a aplicação de processos de contraste para analisar as discrepâncias e coincidências das explicações. Não se trata de eliminar as discrepâncias mas de as compreender e explicar. Numa escola existem múltiplas visões e interpretações da realidade. A avaliação terá de as integrar numa explicação coerente (e não necessariamente uniforme).Os processos de triangulação facilitam o contraste e a depuração dos dados. Não é preciso esperar pelo fim da exploração para iniciar a triangulação. Da mesma forma que não se torna imprescindível suspender a recolha de dados para que se produza a compreensão. A progressiva espiral do discernimento vai-se realizando a partir da negociação. e vai sendo desenvolvida num processo contínuo de reflexão.A triangulação permite depurar os dados e conferir-lhes maior qualidade e valor. Podemos falar de diferentes tipos de triangulação, de acordo com a procedência da informação a confrontar.a. Triangulação de dados provenientes de diversos métodosOs dados procedentes da observação nem sempre coincidem com os fornecidos pelos informadores nas entrevistas. E as declarações de princípios contidas nos documentos nem sempre coincidem com a realidade que se observa na escola. Por vezes, é fácil acabar com a discrepância, tomando partido pelo dado proveniente do método. Outras vezes será difícil, e terá de se suspender a decisão, ou então procurar mais informações na escola.b. Triangulação de dados provenientes de diferentes informadoresAs perspectivas de interpretação dos diferentes sectores ou das diferentes pessoas que convivem e trabalham na escola. não costumam coincidir. Esta discrepância pode estar ligada ao grupo social (professores, alunos, pais), pode ter um fundo ideológico (conservadores. progressistas), hierárquico (equipa directiva. subordinados), conflituoso (agressores, agredidos)...A triangulação permite confrontar as opiniões, tendo em conta as circunstâncias e características dos informadores.c. Triangulação de dados provenientes de momentos distintosUm dado obtido antes da realização de uma actividade. de uma reunião. de um conflito. pode conter informação diferente da que é recolhida. quer durante o desenvolvimento da actividade. quer com esta já terminada. A perspectiva temporal que permite confrontar os dados facilita a interpretação do fenómeno e permite obter uma compreensão mais profunda da realidade.d. Triangulação de opiniões de agentes internos e externosDurante o processo de avaliação pode ser interessante obter a opinião de agentes que não estejam a participar no processo. A sua opinião pode diferir da de quem está a realizar a avaliação. Este tipo de contraste de opiniões pode ser feito em relação à recolha de dados, à interpretação dos mesmos, às relações com os participantes, etc. Este tipo de triangulação é importante porque permite rectificar e reorientar o trabalho.A triangulação não se faz num momento de não retorno ao campo de observação. Pode remeter o processo à escola a fim de se obterem novos dados ou precisar melhor os dados obtidos. A triangulação é feita para obter uma informação mais elaborada que favoreça a redacção do relatório informativo.Miguel Santos Guerra (2002). Como num espelho - avaliação qualitativa das escolas. Porot:ASA
January 29 2009, 6:14am | Comments »

