Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:Mostra "Tratados de Anatomia" | 24 de Março – 18 de Abril | Prisões Académicas (piso inferior da Biblioteca Joanina) |Horário : 9:00h - 20:00hEstará patente no espaço das Prisões Académicas da Universidade de Coimbra, entre 24 de Março e 18 de Abril uma mostra bibliográfica de Tratados de Anatomia dos séculos XVII e XVIII.LISTA DE OBRAS EXPOSTAS (por ordem alfabética)A "Fábrica" (1543) de Andreas Vesalius (figura de cima) não está exposta pois está para reparação ao abrigo do programa "SOS Livro Antigo" e com o inestimável apoio da Sociedade Portuguesa de Neurociências.CASSERI, Giulio, ca. 1552-1616Iulij Casserii … De vocis auditusq[ue] organis historia anatomica singulari fide methodo ac industria concinnata tractatibus duobus explicata ac variis iconobus aere excusis illustrata. [Ferrarie : excudebat Victorius Baldinus, 1600-1601]. 2-20-14-233CASSERI, Giulio, ca. 1552-1616Iulii Casserii … Tabulae anatomicae LXXIIX, omnes novae nec ante hac visae. Daniel Bucretius … XX que deerant supplevit et omnium explicationis addidit. Venetiis : [apud Evangelistam Deuchinum], 1627. 2-20-14-231FLUDD, Robert, 1574-1631Anatomiae amphitheatrum effigie triplici, more et conditione varia designatum. Francofurti : sumptibus Iohannis Theodori de Bry, 1623. 2-3-22-22WILLIS, Thomas, 1621-1675Cerebri anatome cui accessit Nervorum descriptio et usus. Londini : typis Tho. Roycroft : impensis Jo. Martyn & Ja. Allestry, 1664. 4 A-14-25-14WILLIS, Thomas, 1621-1675Thomae Willis … Opera omnia, nitidius quàm unquam hactenus edita, plurimum emendata, indicibus rerum copiosissimis, ac distinctione characterum exornata. Studio & opera Gerardi Blasii ... Amstelaedami : apud Henricum Wetstenium, 1682. 1-5-13-483GAUTIER DAGOTY, Jacques-Fabien, 1711-1785Exposition anatomique dês organes des sens, jointe a la névrologie entiere du corps humain et conjecture sur l’élecricité animale, avec des planches imprimées en couleurs naturelles, suivant le nouvel art. A Paris : chez Demonville, 1675. 2-20-14-235SAINT-HILAIRE, DeL'Anatomie du corps humain avec ses maladies ... Troisiéme edition revûe & augmentée. A Paris : chez Barthelemy Girin, 1698. 1-(c)-10-16/17VERHEYEN, Philippe, 1648-1710Philippi Verheyen … Anatomiae corporis humani .... Coloniae : apud Balthazarem Ab Egmond & Socios, 1712. 4 A-28-22-1/2VERHEYEN, Philippe, 1648-1710Corporis humani anatomiae liber primus in quo tam veterum, quàm recentiorum anatomicorum inventa : Methodo novâ et intellectu facillimâ describuntur, ac tabulis aeneis repraesentantur … Editio tertia ab authore recognita, novis observationibus & inventis pluribusque figuris aucta. Bruxellis : apud Fratres T'Serstevens, 1726. 1-(b)-9-18/19MANGET, Jean Jacques, 1652-1742Joh. Jacobi Mangeti … Theatrum anatomicum, quô, non tantùm integra totius corporis humani in suas partes … Adjectae sunt ad calcem operis celeberr. Barth. Eustachii Tabulae anatomicae, ab illustrissimô Joh. Maria Lancisio … Genevae : sumptibus Cramer & Perachon, 1717. 2-20-14-229/230PIETRO, da Cortona, 1596-1669Tabulae anatomicae a celeberrimo picture Petro Berretino Cortonensi delineatae, & egregiè aeri incisae nunc primum prodeunt, et a Cajetano Petrioli … notis illustatae. Romae : ex typographia Antonii de Rubeis : impensis Fausti Amidei, 1741. 2-20-14-232
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TRATADOS DE MEDICINA
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March 29 2010, 8:16pm | Comments »
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António Ribeiro dos santos e as Bibliotecas
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Texto recebido da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra sobre o pensamento do bibliotecário António Ribeiro dos Santos, que se encon tra contemplado na exposição "A Causa Pública da Biblioteca" que está patente na Sala de S. Pedro daquela Biblioteca até 31 de Março:“Uma livraria é sempre, pelo menos, o espelho das curiosidades de espírito de quem a organiza e dispõe” (Joaquim de Carvalho, Estudos sobre a cultura portuguesa do século XVI, vol. 2, 1948, p.124)Em 9 de Outubro de 1777, António Ribeiro dos Santos foi nomeado por Carta Régia Rainha D. Maria I bibliotecário da Biblioteca da Universidade de Coimbra, onde era professor desde o seu doutoramento, em 1771:“Reverendo Bispo de Zenopole, do Meu Conselho, Reformador Reitor da Universidade de Coimbra: EU a RAINHA vos invio muita saudar. Sendo-me prezente a necessidade, que para fomentar, e facilitar os progressos dos Estudos da mesma Universidade, ha de que se faça patente a Biblioteca della; e que nella haja hum Bibliotecario, que a dirija, e a cujo Cargo esteja a boa Conservação, e Custodia della: E sendo outrosim informada em conta vossa da capacidade e prestimo que para o dito Emprego ha no Doutor Antonio Ribeiro dos Santos Collegial do Real Collegio das Ordens Militares: Sou Servida que mandeis pôr patente a referida Biblioteca, para se conseguir com o uzo della o fim a que he destinada: E Hey por bem Nomear para Bibliotecário o sobredito Doutor Antonio Ribeiro dos Santos com o Ordenado de Duzentos mil reis cada anno, que lhe serão pagos aos quarteis pela Folha Literaria com vencimento do primeiro do corrente mez de Outubro, emquanto Eu assim houver por bem, e não mandar o contrario. O que Me pareceu participar vos para que assim o façais executar com os Despachos necessarios: Fazendo registar esta nos Livros da Universidade, e da Junta da Fazenda, a que tocar. Escripta no Palacio de Queluz em nove de Outubro de mil setecentos setenta e sete. RAINHA”Tinha Ribeiro dos Santos então 32 anos, o Rei D. José falecera em Fevereiro desse mesmo ano. Iniciando-se a Viradeira a 13 de Março, com a substituição do Marquês de Pombal e a procura de novos caminhos para o desenvolvimento do país. Na Universidade de Coimbra, contudo, mantinha-se como reitor D. Francisco de Lemos, nomeado em 1772 pelo Marquês.No que se refere especificamente à forma como Ribeiro dos Santos pensava a organização da Biblioteca e aos fins que esta devia prosseguir, são de especial relevância três pontos:1) O reforço da biblioteca como serviço público, aberto a todos os interessados, e patente na qualidade do atendimento prestado aos seus leitores, objecto de particular atenção na Minuta, bem como no estabelecimento de um horário de funcionamento muito alargado, com o cuidado de especificar a necessidade de a Biblioteca estar aberta todos os dias, excepto Dias Santos de Guarda, Sábados de tarde e os dois meses de férias – Agosto e Setembro. De referir também, neste ponto, a sua disposição de actualização permanente da Biblioteca, através da aquisição de obras actuais, portuguesas ou estrangeiras, com especial menção às publicações periódicas, com a existência de um orçamento próprio, gerido directamente pelo Bibliotecário Maior, bem como a necessidade de que a Biblioteca recebesse um exemplar de cada um dos Livros que se imprimirem nestes Reinos – um anúncio antecipado do que viria a ser o Depósito Legal.2) A importância dada ao saber específico da biblioteconomia revela-se tanto no cuidado e na extensão com que se refere à elaboração de catálogos e sua impressão como na necessidade de organização e classificação de livros e demais objectos, quer ainda na forma como redige as regras a que deve obedecer o concurso para Bibliotecário Maior, onde diz claramente que ”concorrendo algum dos dois Bibliotecários Menores, em que se achem em igual grau as sobreditas qualidades, será preferido a todos os outros concorrentes de qualquer ordem, e graduação, que sejam, posto que não tenha Recebido Grau algum Académico”. 3)Também em reforço deste ponto vem a regra que impede quer o Bibliotecário Maior, quer os Bibliotecários Menores, de servirem Colégio, ou corporação secular ou regular. Ou seja, tinham de se dedicar por inteiro à Biblioteca, de forma a conhecê-la e a desenvolver esse saber específico que se veio a chamar biblioteconomia.Outro aspecto do pensamento de Ribeiro dos Santos, reforçando o papel e a boa qualidade do serviço público da Biblioteca, prende-se com a sua visão pedagógica e revela-se na forma como pretende integrar nela não apenas os livros, mas todo um conjunto de peças que permitam, a quem as observa e em conjugação com o saber contido nos livros, uma melhor aprendizagem e entendimento do que estuda e investiga. Este ponto vem claramente enquadrado pelo espírito da Reforma Pombalina da Universidade, procurando integrar e dar significado e sentido a um novo conjunto de saberes e de formas de ensinar e aprender.Do manuscrito de Ribeiro dos Santos Minuta para o Regimento da Livraria da Universidade de Coimbra, elaborado entre 1770 e 1796, quando foi Bibliotecário-Mór (ou Maior) desta Biblioteca, destaca-se a frase:“que todas as pessoas, que entrarem nela Sejam Recebidos e servidos com muita prontidão com muito decoro, e com todo o agasalho, e cortesia.”
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March 28 2010, 3:21pm | Comments »
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ENTREVISTA NO NOTÍCIAS MAGAZINE
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Entrevista que dei a Catarina Pires para a rubrica "Todos os nomes" da revista "Notícias Magazine" e que foi publicada no número 929 de 14 de Março, que saiu ontem a acompanhar o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias":Todos os nomes - Carlos FiolhaisNão sabe em que caldeirão caiu em pequenino, mas deve ter caído em vários: o dos livros, o da curiosidade, o do bom humor, o do optimismo. Só assim se explica que este físico, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, nos faça perder as noções de tempo e espaço estabelecidas por Einstein, quando nos pomos à conversa com ele.P- É cientista, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, contador de histórias, um pouco historiador...R- Historiador e contador de histórias são coisas diferentes. Historiador não me importava de ser. Contador de histórias? Não invento histórias, quanto muito reconto algumas histórias que me contam.P- Reconta-as bem, daí chamar-lhe contador de histórias.R- Mas quem conta um conto acrescenta um ponto e eu tenho sempre esta mania de cientista de não acrescentar muitos pontos. Pelo contrário, um cientista, pela sua preocupação com o rigor, às vezes tem de tirar pontos à história.P- Mas fazendo tantas coisas ao mesmo tempo, em que caldeirão caiu quando era pequenino?R- Bem, agora é que me está a contar uma história... Tanto quanto me lembro não caí em nenhum. Os meus pais dizem-me que tive uma infância normal, nasci na Maternidade Alfredo da Costa, onde nasce toda a gente, uma verdadeira fábrica de portugueses, e onde não há caldeirões. A minha infância, foi passada em Lisboa, nos anos cinquenta e sessenta, com uma linda vista para o Tejo, talvez tenha sido esse o caldeirão... Aos sete anos mudei-me para Coimbra, que tem uma linda vista para o Mondego.P- É um optimista?R- Sou, militante. Há todas as razões para ser pessimista, logo sou optimista...P- Mas tem sido difícil manter o optimismo, não?R- Não é difícil. Quanto pior a situação, mais optimista penso que é necessário ser para se sobreviver, é quase uma decisão de vida. A verdade é que não vale de nada sermos pessimistas: se dizemos que algo vai correr mal, isso ajuda a que corra. De modo que tento contrariar o pessimismo instalado. Temos, em Portugal, uma visão muito escura das coisas e eu gosto de luz. Quando a situação está negra, há muitos sítios onde podemos lançar luz...P- Também é um crítico e isso é claro nas suas crónicas, reunidas em livros como Curiosidade Apaixonada e A Coisa Mais Preciosa que Temos.R- Ser crítico é uma maneira de ser optimista. A única forma de inventar um futuro melhor é dizer que não queremos que seja como no passado. Isso vem de outro caldeirão que frequentei, nos quatro anos que passei na Alemanha. A minha condição de estrangeirado levou-me a ter uma consciência bastante crítica em relação a certos aspectos do nosso país. Sei que se pode fazer melhor porque vi fazer melhor e porque fiz melhor noutro lado. Se noutros lados se faz, porque não se faz aqui? Sou crítico quando vejo razões de crítica. Há coisas que me indignam e nos deviam indignar a todos. Se expresso publicamente a minha crítica é para ver mais gente indignada ao meu lado.P- Um dos maiores alvos da sua crítica é o sistema de ensino português.R- Ah sim, é o meu alvo preferido.P- Porquê?R- Porque é de algum modo a mãe de todos os problemas. Temos uma formação que deixa muito a desejar e não nos prepara devidamente para a vida. E não tem de ser assim. A boa escola é algo que estamos a dever a nós mesmos. Se queremos futuro, temos que apostar na escola, que é a instituição que a humanidade inventou – e já foi há muitos anos – para nos garantir o futuro. Se não temos um futuro melhor é porque não o estamos a promover na escola.P- O que é que está mal? Está tudo mal?R- Não, temos bons professores, que fazem, a maioria deles, por cumprir a sua obrigação profissional num ambiente que não é nada fácil. Se me pergunta o que está mal, dou-lhe um exemplo: o Ministério da Educação é – vou usar uma palavra brutal para fazer jus à minha fama de crítico – um monstro. É um aparelho criado pelo Estado, que está por todo o lado em demasia, retirando liberdade aos bons professores. Há regulamentos para tudo e mais alguma coisa, os programas não são bons, os livros têm que se ater aos programas, os horários são o que se sabe, há disciplinas que não são disciplinas nenhumas. Enfim, não tenho dúvidas de que é possível fazer melhor e que isso passa por uma menor intervenção do Estado. Será precisa toda aquela burocracia? Será preciso aquela linguagem em que se exprime o monstro e que eu e outras pessoas designamos por «eduquês»? Não se pode falar claro? A actual ministra domina bem o português, é uma boa escritora, não poderá pôr aquele Ministério a falar claro?P- O que é que é preciso, então, para melhorar?R- É preciso que os professores tenham mais poder na escola. Nos últimos anos, assistimos a lutas entre o Ministério e os professores, em que os destroços da batalha são os alunos. O que a ministra está a fazer – e desejo-lhe sorte – é limpar o campo da batalha, o que demora algum tempo. O tempo que se perdeu e que se perde... Não tenho dúvidas de que a nossa escola pode melhorar e isso faz-se pelo exemplo, por procurar e premiar as melhores práticas, por recompensar mais do que punir. É preciso valorizar a criatividade. O que eu gostava de ver era uma escola mais aberta, fora do espartilho do governo. Neste momento, a escola está refém do Ministério da Educação.P- A máquina ministerial condiciona a criatividade de alunos e de professores?R- Condiciona a criatividade dos professores, que são a chave do sucesso da escola. Diminuir o papel dos professores foi o pior que se podia ter feito. Portanto, tudo o que possamos fazer para valorizar este papel, para lhes dar importância e autoridade, é útil. Há uma palavra que não se tem usado muito em Portugal e que se devia usar mais (o Ministério da Educação, então, foge dela como o diabo da cruz) que é ensinar. A escola é um sítio onde se ensina. Claro que também é um sítio onde se aprende, mas para aprender é preciso que se ensine. Quase tudo aquilo que sei foi porque alguém me ensinou. A partir de certa altura já fui capaz de aprender por mim próprio, mas devo muito à escola e aos meus professores. Porque é que os jovens de agora não hão-de poder dizer o mesmo? Estamos a desviar-nos do essencial e o essencial é preparar para a vida. Não estaremos a alienar os nossos jovens da capacidade de saber mais, de decidir, que não devia ser apenas de alguns, mas de todos?P- Esse sistema, tal como o descreveu, é a razão por que Portugal não tem sido um país de ciência?R- A nossa educação científica é uma área em que podemos progredir. A ciência devia estar presente mais cedo na escola, e não se trata tanto de falar de ciência, mas mais de ver como ela se faz. A ciência devia estar presente no jardim-escola e no ensino básico. A palavra ciência quase não aparece nos programas, aparece uma coisa chamada “estudo do meio”. O que é isso? Um cientista é um "estudioso do meio"? Percebo a ideia de que o meio não é só o meio material, é também o meio social. Muito bem, é evidente que vivemos num meio social, mas antes disso pisamos um planeta que nos puxa para baixo, respiramos ar, bebemos água, e é bom que no básico façamos experiências que nos permitam compreender o que é o planeta, o que é o ar, e o que é a água. A descoberta do mundo pela criança tem de começar por aí. A junta de freguesia e outras construções sociais, por muito importantes que sejam, vêm depois do ar e da água.P- Apesar de Portugal não ser um país de ciência, está a preparar uma história da ciência em Portugal. O que tem para contar?R- Nós ainda não temos suficiente ciência em Portugal porque não tivemos escola em quantidade e qualidade suficiente. Mas isto vem de trás, há um lastro. Portugal tem 800 anos de história e tem também 800 anos de dificuldades. Também a nossa ciência tem uma história de dificuldades que me interessa conhecer. Desde quando há cá ciência? Será que há cá ciência desde que há ciência no mundo? A ciência moderna começa com Galileu, comemoram-se agora os 400 anos da publicação de O Mensageiro das Estrelas, em que ele anuncia a descoberta dos primeiros satélites de Júpiter. Chamou-lhes estrelas de Medici, que era o nome do patrão (é sempre bom dar o nome do patrão!). Na época dos Descobrimentos, que foi um pouco antes, Portugal era um país rico, não só em bens materiais, como em bens imateriais, em conhecimento. A nossa história nesse período devia ser mais conhecida. Portugal foi então um entreposto de ciência. As descobertas marítimas só foram possíveis com a ajuda da ciência e da tecnologia.P- E depois o que aconteceu?R- Precisamente. Onde é que a nossa ciência, tendo esse começo tão auspicioso, se perdeu? Por que fomos outrora grandes e deixámos de o ser? É um tema que me interessa e que procurarei expor num livrinho que se intitula Breve História da Ciência em Portugal. Por incrível que pareça não há no nosso país nenhuma obra do género. Sobre a decadência, há aquela frase do poeta Carlos Queiroz: «Só fazemos bem Torres de Belém.» Fernando Pessoa também disse algo parecido: «Pertenço àquele género de portugueses que depois de a Índia descoberta ficaram sem trabalho». Somos, portanto, os desempregados dos Descobrimentos. A ciência de algum modo desapareceu quando regressámos da Índia. A nossa história nesta matéria, como noutras, está cheia de avanços e recuos. Por um lado, sempre tivemos pessoas com valor, por outro lado convivemos mal com o valor dessas pessoas. Hoje, penso que há razões para se ser optimista a respeito do futuro da ciência: um jovem cientista pode fazer ciência em Portugal como em qualquer outro sítio do mundo. Espero, por isso, que a história que se escreva daqui por muitos anos seja bem melhor. A história até agora tem alguns sucessos, mas ficámos a dever muito à ciência e é bom que paguemos essa dívida.P- A história é uma das suas paixões?R- De algum modo sim, cada vez mais, porque estou aqui na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que é uma arca de tesouros, um rico legado da história, um sítio onde se preserva a memória. Os livros, os documentos, estão à mão de semear e é uma tentação à qual não consigo resistir, a de ver originais com séculos de idade. Não o faço sem uma certa comoção. Por exemplo, falava dos Descobrimentos, temos aqui um dos livros de D. João de Castro e quando o abrimos é como se fizéssemos uma viagem no tempo. Esta universidade tem tesouros inigualáveis como este.P- Como foi passar do Centro de Física Computacional, onde trabalhava no maior computador português e com as mais modernas tecnologias, para uma biblioteca quinhentista?R- O novo e o velho não são incompatíveis. Aliás, as novas tecnologias estão a melhorar as bibliotecas. Tornando-as digitais, abre-as ao mundo, torna-as universalmente acessíveis. Esse tem sido o meu trabalho aqui: casar o novo com o velho. O novo aliás ajuda a preservar o velho: uma vez digitalizados, os documentos escusam de ser tão manipulados. Aqui na Universidade de Coimbra estamos a desenvolver o projecto de uma biblioteca digital e temos já cerca de cinco mil livros e documentos antigos nesse formato. Queremos que a universidade seja uma antena para o mundo.P- Este futuro dos livros e das bibliotecas numa plataforma digital pode levar a que as bibliotecas passem a ser uma espécie de museu, com o acesso aos seus conteúdos a ser feito de forma virtual?R- Esse movimento é imparável, os livros tendem a estar todos online, acessíveis por computador, por telemóvel, etc. A nossa biblioteca, por exemplo, fez um acordo com o Google, que põe os livros que aqui editámos à disposição de todos. Isso é bom, facilita a vida aos leitores. Mas questão que põe é muito interessante: será que as bibliotecas se vão transformar em museus? Bom, a palavra museu tem aqui uma carga pejorativa que não devia ter. Questiona-se também a continuidade do livro como objecto físico...P- Exacto.R- O objecto livro parece-me insubstituível. De facto, na biblioteca de Alexandria não havia livros, havia rolos. A Hipátia guardava rolos, mas a certa altura apareceram livros. Este formato tem séculos de provas dadas, é como a roda, ainda não se inventou nada melhor para a substituir. Estou convencido de que os livros são eternos, assim como as bibliotecas. Não sei muito sobre o futuro, mas sei que as bibliotecas vão lá estar. A Biblioteca Joanina, que tem quase 300 anos, possui uma inscrição latina sobre a porta que diz: “Esta é a coroa que orna a testa da cidade”. Vai continuar a ornar.P- Considera-se um guardião de livros?R- Sim, faço as vezes de Hipátia, apesar de ela ser bem mais bonita. Há um relógio de luxo cuja publicidade é qualquer coisa como «nunca é verdadeiramente nosso», no sentido em que o possuímos apenas durante o tempo para o transmitir às próximas gerações. Com os livros antigos acontece a mesma coisa. O meu papel aqui é insignificante à escala do tempo, mas acrescenta algo à minha biografia. Quando me perguntarem o que fiz pela minha cidade, pelo meu país, pela minha civilização, poderei dizer: «guardei livros, se os têm é porque os guardei». O amor aos livros é para mim um leitmotiv. Vivo bem rodeado por eles. Devo ter caído num caldeirão de livros quando era pequenino... John Ruskin, autor inglês do século XIX, dizia que quando queremos falar com alguém poderoso, esbarramos sempre com as maiores dificuldades, temos de esperar e por vezes fazemo-lo em vão. No entanto, os livros, escritos pelos maiores autores, pessoas mais importantes do que reis, estão nas bibliotecas, à nossa espera e é imediato sermos recebidos.P- Voltando à ciência, de onde na verdade nunca saímos, foi divertido escrever a Física Divertida e a Nova Física Divertida?R- Sim. A Física trata do conhecimento do Universo e conhecer é divertido. O que fiz foi, mostrar, contando histórias, como chegámos ao conhecimento do mundo físico. No liceu, tive uma certa reacção à ciência pelo facto de ela me aparecer já feita, pronta a servir, era só comer. Mas depois, através de leituras que fiz, descobri, com prazer, que a ciência era feita por homens e mulheres que tinham histórias, que eram filhos de alguém e tinham eles próprios filhos, e só não viam telenovelas porque na altura não existiam.P- Está a querer dizer que os cientistas são pessoas normais?R- [Ri] Só são extraordinárias no facto de acharem divertido saber mais. O prazer de saber foi a molas que me empurrou para a ciência. O que é isso do átomo, o que há no coração das coisas? E o que é o Universo, como foi o início, como será no fim? São perguntas que toda a gente pode fazer e às quais alguns procuram as respostas. É isso que fazem os cientistas, sendo sua obrigação transmitir as respostas A ciência consiste em acrescentar alguma coisa àquilo que já se sabe. Newton disse, numa imagem muito bonita, que se conseguiu ver mais longe foi porque estava aos ombros de gigantes. Ou seja, sabemos hoje mais porque alguém antes de nós o soube e no-lo transmitiu. Essa grande aventura do conhecimento continua. E quem não se interessa por ela estão a perder uma importante parte da experiência que é estar no mundo.P- Aquela ideia de que os cientistas estão sempre à procura do erro para o corrigir é interessante. É isso que define um cientista?R- Sim, de certo modo. Não há muitas profissões em que uma pessoa ande à procura dos erros, seus ou de outros. Reconhecer que errou e emendar o erro é uma das marcas muito profundas da ciência. O pensamento crítico é inerente à ciência. Um cientista que comete um erro grave e não o reconhece deixa de ser cientista. Não há outra profissão em que o indivíduo que deliberadamente engane seja tão penalizado. Dizem-me por vezes e eu gosto de ouvir: «estás sempre a emendar, vê-se mesmo que és cientista». É sinal que tenho emenda...P- Em ciência, o crivo do certo e do errado é muito apertado?R- Alguém disse que é preciso ter a cabeça suficientemente aberta para entrarem coisas novas, mas não tão aberta que caiam os miolos. Há coisas que a dada altura parece absurdo deixar entrar, mas que os génios da Física deixaram entrar e hoje são ideias estabelecidas. O caso de Einstein, por exemplo: dizer que a matéria e a energia estão relacionadas, ou que o espaço e o tempo estão ligados entre si pode parecer absurdo, mas é verdade, tanto quanto sabemos. Já passaram mais de cem anos, e o que Einstein disse não foi desmentido por esse verdadeiro crivo que é a realidade. A Natureza é que diz o que está certo e o que está errado.P- Em ciência, a verdade é sempre temporária?R- Sim e não há mal nenhum nisso. A verdade descobre-se por aproximações sucessivas. Mas pode ser perigoso afirmar isso assim sem mais porque há coisas que não serão modificadas. Por exemplo, quando lhe digo que o seu corpo é feito de células ou que vivemos num planeta que é a terceira pedra do sistema solar, pode estar certa de que nenhum cientista demonstrará o contrário.P- Quem são os seus heróis?R- Einstein com certeza: é alguém que conseguiu chegar à realidade só com o pensamento, uma coisa mesmo espantosa. Como é que pôde imaginar o vasto mundo dentro do cérebro? Em actos que bem se podem dizer heróicos, concebeu modelos da realidade que a experiência veio confirmar. Entre nós, Rómulo de Carvalho foi alguém que me influenciou muito pelas leituras que fiz em jovem. Era o autor de livros – Ciência para Gente Nova – através dos quais percebíamos que a ciência era para nós. Escrevia de uma maneira tão clara que percebíamos tudo. Além disso, era polifacetado. Foi professor, historiador da ciência e da cultura, divulgador científico e poeta. Penso que tudo o que pudermos fazer em sua memória é pouco. Uma das coisas que fiz aqui em Coimbra foi o Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, um lugar moderno onde apetece estar para ler livros de ciência. Há livros de divulgação científica dele e de outros autores, livros para jovens e também para crianças. Sim, temos livros infantis de ciência na universidade, porque é de pequenino que se torce o destino.
March 15 2010, 4:48am | Comments »
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A mais antiga biblioteca pública no país
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que tem patente na Sala de São Pedro uma exposição intitulada "O serviço público da Biblioteca da Universidade":A primeira “tese” da Mostra “Serviço público da Biblioteca da Universidade” é que, quase desde os seus primórdios, a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra foi uma biblioteca pública, sendo não só a mais antiga biblioteca pública portuguesa que continua a existir como até uma das mais antigas do mundo.Infelizmente, sabemos muito pouco da sua primitiva organização e nem sequer sabemos quando e como começou … A primeira notícia que temos remonta a 13 de Fevereiro de 1513, quando o Reitor João Alvares manda o Recebedor Fernão Afonso fazer o “cano da livraria para lançar agoa fora e assim lhe dise que mandasse fazer as cadeas para os livros da Livraria do Studo para que os ditos livros stem em sua ordem para studarem por eles”. Provavelmente, tratava-se de prover de correntes, como era habitual nas “livrarias” (assim se designavam então as bibliotecas), os 58 volumes encadernados que tinham acabado de ser legados por Diogo Lopes, Lente de Cânones, falecido em 1508, e que ainda não estariam incorporados na “livraria” (biblioteca) da Universidade. Transcreve-se esse texto histórico:da chaue da liurariaAos xij dias do mes de feuereiro de bcxiij annos nas scolas geraes do studo de lixboa em conselho perante o mujto honrado doctor Joam alvarez d eluas do desembargo delRey noso Senhor etc Rector do dito studo lentes e conselheiros dele pareceo fernam d afonso Recebedor do dicto studo e per ele foy dicto que ele trazia ali a chaue da liuraria E por ser necessareo corregerse hum cano pera lancar agoa fora da dita liuraria que a quem mandauam entregar a dita chaue pera se correger o dicto cano e per o dito Rector foy dito que ele teuese a dita chaue e que elle mesmo dese ordem como se fezese o cano e per o dito Recebedor foy dito que lhe nom desem aquele cargo que o nam auja de fazer e per o dicto Rector lhe foy dito que pois ele tinha fectas todas as obras das scolas por que nam faria hua cousa tam pouca e per o dicto Recebedor foy dicto que per o dicto conselho lhe fora priuado que nam entendese nas obras do dicto studo que nam avia de fazer aquela nem outras e o dicto Rector lhe dise e se vos mandar penhorar nom ho fares e per elle foy dito que se o mandasem penhorar que darja huum penhor e que se o mandasem a cadea que ele se yria la e que em nenhua maneira nom auja de fazer o dlicto cano nem outra obra algua e vendo o dicto Rector a contumatia do dicto Recebedor nom quis proceder contra o dicto Recebedor mas foy logo acordado que ele entregase [per enventairo] a mjm bedel a liuraria com todolos liuros que nela stam per enuentairo pera a qual entrega foy ordenado per o dicto conselho o bacharel fernam gonçalvez conselheiro pera star presente ao receber e entrega dos ditos liuros o qual acordo mandaram que se asentase pera se asinar o bedel esto scpriuj.bacalarius Johannes P.Saluator Licenciatus bariholomeusin Vtroque Rodericusfrancisco dandrade João monteiro doctorGasparManueil Licenciatusde crasto bacalarius menendy(Arquivo da Universidade de Coimbra - Livro 1 dos Livros da Universidade de Lisboa de 1506 a 1526. Tomo 1, fol. 119)Como seria essa “livraria” que estava em Lisboa e que será transferida (parcialmente, acredita-se) para Coimbra, com a transferência definitiva da Universidade?Abria durante duas horas de manhã e duas horas de tarde, no Inverno, e no Verão, com mais luz solar, durante seis horas por dia. Era pública para “lentes, estudantes e quaesquer pessoas outras”, teria quase uma centena e meia de volumes, organizados corporativamente (os livros divididos pelas Faculdades onde se “liam”) e que se apresentavam ao leitor ou acorrentados às estantes ou fechados em “almários” (armários):“… huma casa pera livraria da Universidade, na qual estarão os livros de todas as Faculdades postos em estantes, e presos por cadeas, e repartidos e ordenados na melhor maneira e ordem que poder ser … averá huma cathedra bem alta na dita livreria, da qual se possa bem ver tudo o que se fizer em toda a casa …”(Estatutos de 1559, Cap. 59)A livraria foi por estes anos dirigida primeiro interinamente (1545-1547) e depois efectivamente (1547-1559?) pelo Bedel na Faculdade de Artes Fernão Lopes de Castanheda, que viria a ser o grande historiador da Índia. Não terá razão quem julga que esta Livraria “liberalmente franqueada” não sobreviveria ao tempo do reitorado de Frei Diogo de Murça. A biblioteca continuava a ser pública em 1591, que assim se declara nos Estatutos:“Haverá na Universidade uma livraria pública”(Estatutos da Universidade, 1591, título XLVI).
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March 8 2010, 8:12am | Comments »
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Lançamento dos "Tesouros" hoje na Joanina
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Informação recebida da Imprensa da Universidade de Coimbra:Hoje, dia 25 de Fevereiro de 2010, pelas 17h30m, terá lugar na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra a apresentação pública da obra Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, com coordenação de A. E. Maia do Amaral. A apresentação do livro estará a cargo do Doutor Jorge Couto, Director-Geral da Biblioteca Nacional de Portugal.A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra guarda tesouros que nos trazem a memória de cinco séculos do tempo português e mundial. O livro a ser lançado mostra alguns dos muitos tesouros que a Biblioteca Geral alberga. É obrigatório referir a colecção de mais de 3500 manuscritos, que por sua própria natureza são únicos; a Sala do Visconde, com a colecção de folhetos raros do tempo da Restauração; a Sala Oliveira Martins, com o espólio bibliográfico do grande historiador e escritor da “geração de 70”; e a Sala de São Pedro, na qual a rica colecção de livros do Colégio de São Pedro se conserva nas suas estantes de origem e onde tantas e tão notáveis exposições já se realizaram.Beneficiária dos favores reais e do Depósito Legal desde os tempos da República, hoje na Biblioteca Geral pode o leitor encontrar todo o tipo de monografias e de publicações periódicas. Com as novas tecnologias da informação e da comunicação deram-se nos últimos anos passos decisivos para construir uma biblioteca moderna.De tudo isto e muito mais se dá conta pormenorizada neste livro, através dos textos de António Filipe Pimentel sobre a arquitectura e a arte dos dois edifícios, de A. E. Maia do Amaral sobre as bibliotecas eruditas e espólios literários e científicos, num capítulo, e marcas bibliográficas, noutro capítulo, de Saul Gomes sobre os manuscritos iluminados, de Maria da Graça Pericão sobre a tipografia quatrocentista e quinhentista, de Flávio Pinho sobre os documentos musicais, de Iuliana Gonçalves sobre a imprensa periódica portuguesa, de Alexandre Ramires sobre a fotografia antiga, e de Carlos Fiolhais e seus colaboradores sobre o Instituto de Coimbra e sobre a rede de bibliotecas da Universidade. De referir, também a arte do físico e fotógrafo Paulo Mendes, que, com grande cuidado e rigor, fixou aspectos e obras de uma maneira por vezes surpreendente. A coordenação esteve a cargo de A. E. Maia do Amaral, Director Adjunto da Biblioteca.Contamos com a vossa presença.Imprensa da Universidade de Coimbra Rua da Ilha - 3000-214 Coimbra Tel. (+351) 239 410 098Fax: (+351) 239 410 043E-mail: imprensauc@ci.uc.ptURL: http://www.uc.pt/imprensa_uc Compras online: http://siglv.uc.pt/imprensa
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February 25 2010, 5:37am | Comments »
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D. MANUEL DO CENÁCULO
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Informação recebida da editora:D. Manuel do CenáculoInstruções Pastorais, Projectos de Bibliotecas e Diáriocoordenação de Francisco António Lourenço VazEdição: 2009Páginas: 144Editor: Porto EditoraISBN: 978-972-0-34268-3Colecção: CIÊNCIA E ILUMINISMO18,90€SinopseD. Manuel do Cenáculo (1724-1814) participou activamente nas reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal e continuou, depois, como Bispo de Beja e Arcebispo de Évora, a levar a bandeira da ciência e da instrução ao povo rude e iletrado do Alentejo.Com efeito, Cenáculo teve um papel determinante na reforma da Universidade de Coimbra, dirigiu a Real Mesa Censória e delineou projectos que teriam impacto na difusão da ciência entre nós. A sua acção reformista pautou-se por uma atitude, em consonância com as ideias das Luzes, que consistia em multiplicar os meios de informação e aquisição do conhecimento e disponibilizá-los ao público. Por isso, reuniu ao longo da vida uma vastíssima colecção de livros, moedas, produtos naturais, obras de arte e antiguidades, tendo em vista a criação de bibliotecas e museus abertos ao público.Tendo presente a obra e percurso de D. Manuel do Cenáculo, seleccionámos algumas das obras que ilustram como a mentalidade científica era uma das bases do seu pensamento e da acção reformista. Esta colectânea reúne cartas pastorais, que comprovam as ideias de Cenáculo sobre o confronto entre ciência e religião, e os textos relativos à criação de bibliotecas e à participação nas reformas de ensino e defesa dos conhecimentos úteis.Colecção CIÊNCIA E ILUMINISMOEsta colecção integra obras científicas portuguesas da segunda metade do século XVIII e primeiro quartel do século XIX. O seu principal objectivo é o de proporcionar um melhor conhecimento das fontes para a história da produção científica em portugal ao longo do referido período, que corresponde a uma época de especial relevância na história das ciências em geral.São editados nesta colecção textos inéditos ou que, quando publicados, tiveram reduzida circulação e permanecem hoje inacessíveis ao público interessado em conhecer as mais relevantes contribuições para a história da ciência em Portugal. Para além dos textos originais, cada obra inclui um ensaio introdutório de enquadramento e análise dos materiais editados.
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February 18 2010, 4:40am | Comments »
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"Uma coroa na testa da cidade”: a Biblioteca Geral, passado e futuro
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Meu prefácio ao recente livro, ricamente ilustrado, "Tesouros da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra" (Imprensa da Universidade de Coimbra, com coordenação de A. E. Maia do Amaral):A biblioteca, qualquer biblioteca mas principalmente uma grande biblioteca, é um mundo, um cosmos. O físico Carl Sagan, no seu livro Cosmos, num capítulo significativamente intitulado “A persistência da memória”, escreveu: “Os livros permitem-nos viajar através do tempo, beber na própria fonte o saber dos nossos antepassados. A biblioteca põe-nos em contacto com as concepções e o saber, a custo extraídos da natureza, das maiores mentes até agora existentes, com os melhores professores, provindos de todo o planeta e de toda a nossa história, para nos instruírem sem nos fatigarmos e para nos inspirarem a dar a nossa contribuição ao saber colectivo da espécie humana.”As palavras de Sagan evocam as do filósofo e matemático René Descartes: “A leitura de todos os livros bons é como uma conversa com as pessoas mais sérias dos séculos passados que deles foram autores.” Pois as bibliotecas são esses sítios únicos e extraordinários onde, para nosso enriquecimento, podemos conversar em qualquer altura com pessoas que desconhecemos mas das quais podemos ficar amigos. Elas encerram verdadeiros tesouros por várias razões: porque os bons amigos são tesouros valiosos, que devemos saber guardar; e porque a voz deles se faz ouvir através de conjuntos de folhas manuscritas ou impressas, que são muitas vezes objectos eles próprios valiosos, quer pela antiguidade quer pela arte que exibem.A Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra guarda tesouros que nos trazem a memória de cinco séculos do tempo português e universal. Permanece algo nebulosa a sua origem, mas decerto desde que há Estudo Geral em Portugal que há um sítio para os livros necessários ao estudo (o rei D. Dinis assinou a bula que funda a universidade portuguesa a 1 de Março de 1290). A origem da biblioteca da universidade pode ser datada no ano de 1512, pelo que em breve deverão ser comemorados os quinhentos anos da biblioteca (nessa altura ainda não era geral). Em 1545 já existia biblioteca pois o cronista da Índia Fernão Lopes de Castanheda foi nomeado “guarda do cartório e da livraria” da Universidade de Coimbra. Ele pertence, portanto, à galeria dos grandes professores bibliotecários que foram, depois dele André, de Avelar, no século XVII, António Ribeiro dos Santos, no século XVIII, Augusto Simões de Castro, no século XIX, e, para nomear alguns nomes do século XX, Joaquim de Carvalho, João da Providência e Costa, Damião Peres, Lopes de Almeida, Guilherme Braga da Cruz, Luís de Albuquerque e Aníbal Pinto de Castro.De início existiu apenas uma biblioteca, mas em breve, com a multiplicação dos espaços de ensino, das disciplinas e também das obras, as bibliotecas da Universidade de Coimbra cresceram e multiplicaram-se. Hoje são mais de oitenta, embora unidas numa rede, gerida pelo Serviço Integrado de Bibliotecas da Universidade de Coimbra, que se quer cada vez mais coerente. Porém, embora de início não tivesse esse nome, nunca deixou de existir uma biblioteca central ou geral, que funcionou no Paço das Escolas. A partir de 1728, ela passou a funcionar na Casa da Livraria que o rei D. João V mandou erguer ao lado do Paço. Hoje essa Casa é a Biblioteca Joanina, verdadeiro ex-líbris da universidade, bem visível no alto da colina universitária (uma “coroa na testa da cidade” [1]) e que é visitada anualmente por milhares de pessoas de todo o mundo. Com o crescimento e evolução da universidade, a Biblioteca Geral passou no século XX para um edifício do Estado Novo, concluído em 1956, agora do lado de fora do Pátio das Escolas, mas de arquitectura não menos monumental. Apesar do seu maior tamanho, esse edifício está hoje próximo da saturação, impondo-se a ocupação de outra casa, com acrescida funcionalidade. Se a Biblioteca Geral, com mais de um milhão de volumes, é a segunda biblioteca nacional, ela e o conjunto das restantes bibliotecas de Coimbra, com o total de cerca de dois milhões de volumes, formam uma das maiores bibliotecas do país, rivalizando com a Biblioteca Nacional de Portugal, em Lisboa.Este livro mostra alguns dos muitos tesouros que a Biblioteca Geral alberga. Outros podiam ser encontrados quer na Biblioteca Geral quer nas bibliotecas das várias faculdades, departamentos e institutos. É obrigatório referir a colecção de três mil e quinhentos manuscritos, que por sua própria natureza são únicos e onde pontua a colecção de manuscritos autógrafos de Almeida Garrett, os livros do fundo antigo guardados em parte na casa-forte, entre os quais sobressai uma Bíblia da escola de Gutenberg e uma primeira edição d’Os Lusíadas, a secção de música, que engloba boa parte dos tesouros musicais do Mosteiro de Santa Cruz (como é sabido, o bibliotecário Alexandre Herculano levou para o Porto a maior parte da famosa Livraria de Santa Cruz). É de referir a Sala do Visconde, com a colecção de folhetos raros do tempo da Restauração, a Sala Oliveira Martins, com o espólio bibliográfico do historiador e escritor da “geração de 70” e a Sala de São Pedro, na qual a rica colecção de livros do Colégio de São Pedro (hoje edifício da Reitoria e da Faculdade de Direito) se conserva nas suas estantes de origem e onde tantas e tão notáveis exposições já se realizaram. Mas deve-se ainda referir as colecções doadas por notáveis benfeitores, como os ex-directores Lopes de Almeida e Luís de Albuquerque. E colecções ainda por tratar como a Biblioteca do Instituto de Coimbra, uma academia que teve origem no Colégio de São Paulo Apóstolo, sito no espaço onde hoje é a Biblioteca Geral.Beneficiária dos favores reais e do Depósito Legal desde os tempos da República, hoje na Biblioteca Geral pode o leitor encontrar de tudo, entre monografias e todo o tipo de publicações periódicas. Uma pequena parte desse vasto espólio é produção própria pois a biblioteca, fechada a imprensa da universidade no tempo do Estado Novo, foi ela própria uma grande editora, publicando entre outras séries a Acta Universitas Conimbrigensis, a Revista da Universidade de Coimbra e o Boletim Bibliográfico da Universidade de Coimbra.Trata-se de uma biblioteca pública, que tem as suas portas abertas de manhã à noite não só aos estudantes, docentes e investigadores, mas também aos cidadãos em geral, que queiram fazer amigos nos livros que a biblioteca conserva. A biblioteca de hoje — e ainda mais a do futuro — é digital. Com as novas tecnologias da informação e da comunicação deram-se nos últimos anos passos decisivos para construir a biblioteca moderna. O catálogo passou a ser comum a todas as bibliotecas universitárias de Coimbra, estando acessível na Internet. Também passou a ser comum o regulamento de empréstimo das obras e o regulamento de empréstimo interbibliotecas. Criou-se uma Biblioteca Digital da Universidade de Coimbra, em colaboração estreita e profícua com outras bibliotecas da rede universitária. As modernas tecnologias são, de resto, a melhor aliada do livro antigo: com a digitalização e a afixação em rede, elas permitem uma melhor memória dos escritos que os antepassados nos deixaram. Criou-se também um repositório das teses e produção científica da Universidade de Coimbra, chamada Estudo Geral e que é verdadeiramente geral por estar acessível a todos através da Internet. As mesmas tecnologias são também aliadas do livro moderno: permite que muitos livros modernos sejam puramente virtuais, tornando-se por isso mais acessíveis. A Internet é a moderna Biblioteca de Babel, a biblioteca prodigiosa que Jorge Luís Borges tão bem descreveu. Não tem paredes, sendo transparente de qualquer sítio do mundo. Oferece a informação de uma maneira rápida e cómoda. O novo não é de modo nenhum inimigo do velho, antes o valoriza e complementa.De tudo isto se dá conta pormenorizada neste livro, através dos textos de António Filipe Pimentel, sobre a arquitectura e a arte dos dois edifícios, António Eugénio Maia do Amaral sobre as bibliotecas eruditas e espólios literários e científicos, num capítulo, e marcas bibliográficas, noutro capítulo de Saul Gomes sobre os manuscritos iluminados, Maria da Graça Pericão sobre a tipografia quatrocentista e quinhentista, Flávio Pinho sobre os documentos musicais, de Iuliana Gonçalves, sobre a imprensa periódica portuguesa, de Alexandre Ramires sobre a fotografia antiga, e de mim próprio sobre o Instituto de Coimbra e sobre a rede de bibliotecas da universidade. O livro valeria, porém, muito menos sem a arte do fotógrafo Paulo Mendes, que, com grande cuidado e rigor, fixou aspectos e obras de uma maneira que será por vezes surpreendente. E seria impossível sem a competente coordenação de António Eugénio Maia do Amaral, Director Adjunto da Biblioteca. E sem o cuidado trabalho de edição numa primeira fase da INAPA e depois da Imprensa da Universidade de Coimbra, dirigida por João Gouveia Monteiro. A todos o muito obrigado da Biblioteca da Universidade por esta valiosa colaboração.Carl Sagan acrescentou à frase citada no início: “As bibliotecas públicas dependem de contribuições voluntárias. Considero que a saúde da nossa civilização, a profundidade da percepção que temos das bases de apoio à nossa cultura e o nosso cuidado relativamente ao futuro podem ser medidos pelo tipo de apoio que damos às nossas bibliotecas”. Espero que com esta bela edição os tesouros da Biblioteca Geral fiquem conhecidos de todos. Espero que esses tesouros possam ser desfrutados por quem se queira tornar amigo deles. Os livros e documentos estão na biblioteca ou na Internet, prontos a fazer novos amigos. E espero que a Biblioteca Geral mereça maior apoio por parte de todos, para bem da nossa civilização e da nossa cultura.NOTA:[1] - A expressão consta na inscrição sobre a porta de entrada da Biblioteca Joanina: HANC AUGUSTA DEDIT LIBRIS COLLIMBRIA SEDEM, UT CAPUT EXORNET BIBLIOTHECA SUUM, que se pode traduzir “tal sede Coimbra Augusta deu aos livros, que a biblioteca lhe coroa a testa (cabeça, ou fronte)”.
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February 3 2010, 6:53pm | Comments »
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Espólio integral de Pessoa "on-line"
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A Biblioteca Nacional Digital (BND), departamento da Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) que disponibiliza 10.500 títulos em formato electrónico, coloca online neste ano o espólio integral de Fernando Pessoa. Das obras de autores portugueses disponibilizadas na BND destacam-se "os 29 cadernos manuscritos e o dactiloscrito da 'Mensagem' de Fernando Pessoa e os documentos dos espólios de José Saramago, Antero de Quental e Camilo Pessanha" (Helena Patrício, directora de Serviços de Sistemas de Informação da BNP).Além das obras destes autores, também as de António Feliciano de Castilho, Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Eça de Queirós foram digitalizadas.A funcionar desde 2002, a BND registou, entre Janeiro e Agosto deste ano, mais de cinco milhões de consultas, com destaque para o espaço dedicado a Eça de Queirós, que recebeu cerca de 7.500 visitas mensais, o portal Fernando Pessoa, com 3.600 visitas por mês, e Os Lusíadas, com 1.500 visitas em cada 30 dias.As versões portuguesas das publicações da União Europeia também já estão em formato electrónico, podendo ser acedidas aqui.Uma lista completa das bibliotecas digitais em Portugal pode ser consultada no site da Rede de Conhecimento das Bibliotecas Públicas, aqui.
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January 31 2010, 5:22am | Comments »
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NOVA BIBLIOTECA DE ALEXANDRIA 2
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Já aqui mostrámos a nova Biblioteca de Alexandria, no Egipto, por fora. Por amabilidade do Dr. Víctor Lobo, partilhamos com os leitores imagens que ele próprio tirou recentemente do interior dessa Biblioteca.
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January 16 2010, 7:07am | Comments »
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Templos do saber
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Informação recebida da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra:As fotografias de 30 bibliotecas históricas europeias que estiveram expostas em Paris, em 2009, na exposição “Temples du savoir”, converteram-se num magnífico livro acabado de publicar pela editora Ertug & Kocabiyik (Istambul).A Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra e a Biblioteca do Palácio de Mafra são as únicas bibliotecas portuguesas fotografadas por Ahmet Ertug. A Joanina aí representada com quatro fotos em grande formato. De origem turca e a trabalhar em Londres, Ahmet Ertug estudou arquitectura e, depois de se começar a interessar por fotografia tornou-se um dos mais importantes fotógrafos de arquitectura actuais.A apresentação do livro é de Bruno Racine, Presidente da Bibliothèque nationale de France (BnF) e a introdução de Robert S. Nelson, professor de História de Arte na Universidade de Yale, EUA. O livro tem apresentação na Internet disponível aqui. A edição normal está disponível no distribuidor, pelo preço de 650,00 Euros, assim como noutros revendedores por todo o mundo. Foi feita também uma tiragem especial, de 400 exemplares, numerada e assinada pelo fotógrafo, ao preço de $7,500.00 dólares americanos!
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January 14 2010, 4:36am | Comments »







