Durante algum tempo acompanhámos aqui a pandemia de gripe A, reproduzindo os comentários do médico especialista nem microbiologia João Vasconcelos Costa. Ele escreveu há pouco a sua última crónica sobre essa gripe. Pode ser lida aqui.
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FIM DA GRIPE A
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/fim-da-gripe.html
July 27 2010, 7:36pm | Comments »
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NEURÓNIOS SINALEIROS
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Nova crónica de António Piedade saída no "Diário de Coimbra":Está a ler um jornal. Queira por favor mover a sua mão até ao canto superior direito da folha e oprima o canto desta com o seu polegar e o seu indicador direito (no caso de estar a ler via internet, substitua o alvo pelo canto superior direito do monitor).Tome agora consciência do gesto que acabou de fazer e que muito provavelmente acompanhou com o olhar (que certificou a exactidão da posição final) e recorde-o mentalmente (se ajudar, feche momentaneamente os seus olhos). Repita o gesto, mas agora certifique-se mesmo que não olha para a sua mão em nenhum momento do tempo que demora a levar os dedos até ao canto superior direito. Mesmo que não tenha seguido inicialmente o movimento com os seus olhos, é muito capaz de imaginar o gesto que fez da primeira vez e repeti-lo com uma precisão aceitável. Os olhos permitem que o cérebro veja, mas este também é capaz de gerar imagens de referência, a partir de padrões previamente adquiridos, que pode utilizar libertando assim os olhos para outros horizontes. Por exemplo, os pianistas conseguem estar a tocar, movimentando os dedos das duas mãos, sem o auxílio dos olhos, que poderão estar fixos na partitura musical. Impressionante não é?Sinta de novo todo o movimento, desde o início até ao fim, e imagine a quantidade de músculos envolvidos neste gesto. São muitos, não são? Ombro, braço, mão e dedos…como é que esta quantidade de músculos é controlada, orquestrada, para efectuar aquele gesto?Pense agora, só por um instante, que não conseguia de todo, ou com muita dificuldade, realizar aquele gesto. Sente a mão e o antebraço pesados, não é? E se não o conseguisse devido a um tremor redutor da sua motricidade fina?Mas afinal de contas, o que é que estamos para aqui a experimentar? Estamos a dar enfoque à nossa capacidade de controlo motor, mais ou menos fino consoante a idade e o contexto de saúde da pessoa em causa.Para quê? Para nos identificarmos e sintonizarmos melhor com o significado e importância da investigação que tem sido realizada por neurocientistas e que visa, primeiro identificar e compreender, para depois poder aplicar esse conhecimento em terapias dirigidas ou ajustadas a determinadas disfunções do sistema motor. Que disfunções? Por exemplo, as que estão associadas a doenças neurodegenerativas e que afectam o controlo motor, como são as de Parkinson e Huntington.Recapitulemos o gesto inicial pondo em evidência as áreas cerebrais que se sabem estarem associadas ao simples gesto que acabou de realizar.Não cabe nesta crónica detalhar como é que o cérebro “percebeu” que deveria “coordenar” o movimento da sua mão direita até ao canto superior direito (da folha, ou do monitor). Contudo, refira-se que um “frenesim” de circuitos neuronais em diferentes zonas do cérebro, como sejam o córtex visual, o córtex de associação visual, o cerebelo e o hipocampo, estão activos e a “trabalhar” em conjunto, para que possam identificar e dar significado aos caracteres gráficos que os seus olhos captam. Descodificada a informação lida, são activados os circuitos neuronais apropriados para executar o gesto sugerido. Identificado o alvo final do movimento, fruto do trabalho do córtex visual (lobo occipital) e/ou do córtex pré-motor (lobo frontal do cérebro), entram rapidamente em acção o córtex motor do hemisfério esquerdo (as vias de comunicação entre o cérebro e o corpo estão, em geral, cruzadas), o cerebelo (maestro da motricidade, equilíbrio e postura corporal) e os gânglios basais. De alguma forma, inúmeros circuitos neuronais estabelecem comunicação em rede entre estas estruturas cerebrais e o córtex motor que envia impulsos nervosos (eferentes) para os músculos necessários à execução do movimento sugerido. No reverso, impulsos nervosos (aferentes) retornam dos músculos activados, assim como dos órgãos visuais, para que as estruturas cerebrais nos lobos frontais e occipitais “monitorizem” a cada instante a boa prossecução e suavidade do gesto. Muitas centenas de trocas de informação entre circuitos neuronais e músculos de forma a assegurar que a mão se dirige para o local pretendido. Mas, em que zona(s) do cérebro se encontram os circuitos neuronais responsáveis pelo envio das ordens: iniciar e terminar o movimento? Estarão situados em zonas diferentes?Num artigo publicado por Xin Jin e Rui M. Costa (investigador principal do Programa Champalimaud de Neurociências no Instituto Gulbenkian de Ciência), na passada quinta-feira na revista Nature (aqui), são apresentados os resultados de investigações por eles efectuadas, nos últimos três anos, e que visam identificar e entender os circuitos neuronais envolvidos na aprendizagem do “iniciar” e do “terminar” um movimento ou tarefa. Para isso utilizaram ratinhos que, a troco de guloseimas (açúcar) “aprenderam” a tocar oito vezes (e não sete ou nove) numa mesma tecla de um piano.Já se sabia que um grupo de neurónios, activados pelo neurotransmissor dopamina (neurónios dopaminérgicos) e situados no corpo estriado nos gânglios basais, que delineiam uma das principais vias dopaminérgicas (a nigroestriatal), estavam, de alguma forma, envolvidos na aprendizagem de acções sequenciais e na execução de tarefas.O que Rui M. Costa e Xin Jin identificaram é que há um grupo destes neurónios que se activa quando se inicia a tarefa e outro conjunto, distinto do primeiro, que é activado para a acção terminar. É como se fossem as letras capitais e os pontos finais no texto das instruções para um dado movimento ou tarefa. Uma espécie de neurónios sinaleiros que dirigem o início e o fim de tarefas sequenciais para além de estruturarem sintacticamente a aprendizagem de novos movimentos.Para além do natural interesse para a compreensão de como o nosso cérebro funciona, a identificação destes interruptores neuronais tem interesse particular para a compreensão das desordens motoras associadas às doenças de Parkinson ou de Huntington, uma vez que se sabe estarem os neurónios dopaminérgicos dos gânglios basais afectados ou mortos nestas afecções neurodegenerativas.Serão também estes os neurónios da tabuada, da recitação, das lengalengas?António Piedade
July 26 2010, 4:07pm | Comments »
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GIRA-TOALHA!
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/gira-toalha.html
Nova crónica de António Piedade saída n'"O Despertar":Se observarmos, neste tempo balnear, as pessoas deitadas numa praia qualquer, constatamos que estão, quase sempre, a tentar obter a melhor orientação para uma maior exposição do seu corpo ao Sol. E fazem-no num sincronismo colectivo proporcional e modelado à preguiça de cada um. Verificamos que as pessoas tendem a manterem-se alinhadas com linhas imaginárias que convergem perpendicularmente ao plano do disco solar.Que trabalheira estar sempre a rodar a toalha! Se tivéssemos um dispositivo que a sincronizasse com a velocidade angular média aparente do Sol no firmamento (aparente, porque, na realidade, é a Terra que está a rodar), não teríamos este desconforto todo do levantar, colocar a toalha na orientação seguinte do ponteiro solar, voltar a deitar, verificar que ainda não é essa a direcção que nos ilumina a maior parte da superfície corporal, voltar a levantar… enfim!Com o conhecimento tecnológico que hoje possuímos não nos seria difícil construir uns suportes mecânicos, com areia por cima, que girassem de forma a garantir a exposição desejada por cada um. Uns sensores de intensidade luminosa, estrategicamente colocados, ligados a um pequeno computador, servo de meia dúzia de instruções contendo em base de dados a equação do tempo de modo a calcular a velocidade angular média aparente do Sol à latitude e dia do ano, comandariam alguns motores, silenciosos, que manteriam a plataforma de férias sempre direccionada para o astro-rei! Não seria necessária qualquer fonte de energia terrena, nem cabos, uma vez que discretos painéis solares (feitos com os polímeros de última geração impregnados com a melhor de sílica da areia local) bordariam a corola do “gira-toalha”. Nas intermitências, a energia radiante que sobejasse carregaria um conjunto de pequenas baterias. Estas, por sua vez, poderiam alimentar todo o sistema se porventura uma ousada nuvem cobrisse o Sol. Ou então, permitir uma versão de praia ao luar para os noctívagos balneares.Também interessante, seria tecermos a própria toalha com essa tecnologia incorporada nanotecnologicamente em microfibras. “Cozido” a ela, um sistema de tracção mecânica à base de micro lagartas, ajustáveis à fineza do areal, encarregar-se-ia da movimentação.“E porque é que não levamos uns girassóis e nos deitamos em cima deles”, diz-me um menino a brincar na areia, divertido com a sua genuína e genial simplicidade. Nem mais. Os girassóis já trazem tudo integrado e com um design ecológico! Além disso, como são naturais, são biodegradáveis. Mas, teriam de ser uns girassóis capazes de nos suportar e não sabemos se não seríamos tóxicos para eles uma vez deitados em cima deles!Já agora e a propósito, como é que os girassóis seguem o movimento solar?A foto-orientação de plantas como o girassol, em resposta à luz solar ou heliotropismo, é desencadeada pela desigual intensidade da radiação que incide em diferentes partes da planta. Em geral, as células da planta mais iluminadas sofrem uma alteração no seu conteúdo em água, resultado da activação/desactivação de um conjunto de vias de sinalização bioquímicas que envolvem uma hormona vegetal designada por auxina. Esta é responsável pelo crescimento e movimento diferenciais de partes diferentes da planta. Sabemos hoje que também ocorre uma movimentação dos cloroplastos (organelos responsáveis pela fotossíntese) nas células vegetais, em resposta à maior ou menor incidência da luz. No conjunto, verifica-se que as células mais expostas à luz reduzem o seu tamanho enquanto as que estão mais à sombra aumentam o seu volume interno. Isto ocorre reversivelmente e provoca uma rotação ou faz com que a haste ou caule se encurve.Assim, do balanço luz/sombra – movimento aparente do Sol, a resposta das células vegetais é o de tirar o maior proveito da luz solar incidente… sem apanhar escaldões nem desenvolver cancro!António Piedade
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July 26 2010, 4:01pm | Comments »
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CRÓNICA BREVE DE UMA DOR ANUNCIADA- 2
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/cronica-breve-de-uma-dor-anunciada-2.html
Nova crónica de António Piedade, que completa a anterior sobre o mesmo tema:O desenvolvimento embrionário é fascinante. No “planeta” amniótico, o embrião, resultado da divisão, por um número de vezes preciso, de uma única célula (o ovo ou zigoto), tem uma polaridade magnificente na noite uterina. Esta polaridade, é determinada por gradientes de concentração de uma miríade de RNA (sigla inglesa para o Ácido Ribonucleico) mensageiros, RNA inibidores, RNA de transferência, proteínas, lípidos, glícidos, sais, ácidos, iões, oligoelementos, etc. Em algumas zonas do embrião algumas das substâncias estão em maior concentração. Noutras zonas, serão outras as que marcam e sinalizam a diferença, não só no mar interior celular (citoplasma), mas também no espaço intersticial das “costas” celulares (a superfície celular). Há um intenso tráfego de moléculas e elementos ionizados que, ao se difundirem nos “rios que banham” as células, interagem com biomoléculas sensíveis, que se encontram na superfície externa das membranas celulares e que funcionam como antenas receptoras de mensagens extra-celulares.A mensagem, “agora é preciso que te diferencies numa célula de uma futura vértebra”, chegou com uma maré de mensageiros bioquímicos sincronizada pelos relógios moleculares que hoje sabemos existirem no desenvolvimento embrionário (e pela vida/morte fora). De facto, as investigadoras portuguesas (lideradas pela Isabel Palmeirim - ipalmeirim@gmail.com) de quem temos vindo a falar, identificaram um desses relógios que marcam o passo do desenvolvimento vertebral, respondendo às oscilações nas concentrações da proteína Shh (aqui).E é assim por todo o lado do embrião. Vagas de marés que valsam notícias biomoleculares, banham células em zonas diferentes do embrião, permitindo que os futuros tecidos e órgãos se desenvolvam de forma cooperativa, sincronizada, respeitando a finalidade do todo que é o organismo (ver vídeo aqui).Mesmo que o plano seja “só” o de executar um projecto (inscrito no genoma) de organismo que sobreviva, devido a um fenotipo bioquímico ajustado às circunstâncias envolventes, para conseguir transmitir os seus genes ao maior número de descendentes férteis. Mas as dores, se presentes, são descartáveis neste plano. A natureza é também nisto implacável!Muito longe de nos satisfazermos só com o plano sobreviver/reproduzir, a esperança média de vida à nascença dos seres humanos que vivem no hemisfério norte, tem aumentado muito nos últimos milénios. Sem estar totalmente demonstrado, há aqui e acolá evidências de um desfasamento entre os cronómetros biomoleculares e esta expansão na longevidade. Muitas das maleitas “empurradas” para idades “após reprodução” pela selecção natural, ficaram de repente nuas e expostas pela possibilidade de vivermos mais tempo. Desabrocham em choro de dores, muitas vezes orquestradas minimalistamente por modos de vida que as amplificam do resto em compassos longos e monótonos: má alimentação, muita e pouco variada poluição, pouco ou nenhum exercício, posturas incorrectas, sem necessidade de lutar pela sobrevivência uma vez que tudo ou quase tudo à disposição sem muito esforço (mesmo cognitivo).A investigação efectuada por Isabel Almeirim e colaboradores nos últimos 30 anos, também ela repleta de dores próprias da investigação científica (persistência na ausência de quaisquer resultados, na falta de reconhecimento, nas muitas horas em operações repetitivas e de rotina e que originam muitas dores também nas costas, etc.) é agora alumiada numa revista científica de primeiro plano internacional o que alertou os media portugueses.Contudo, o avanço no conhecimento do desenvolvimento e formação da coluna vertebral não significa resposta imediata ao apelo “tirem-me estas dores nas costas”. É muito importante identificarmos os agentes em causa na formação da coluna vertebral, pois isso permite-nos compreende-los e entender os mecanismos em que estão envolvidos. Mas, nem temos hoje ainda tecnologia de visualização não invasiva que permita detectar, nas primeiras semanas de gravidez, desvios perigosos nas curvas naturais da coluna, nem foi desenvolvido nenhuma terapia ajustável aos desvios de cada um. Eventualmente, o que se avizinha é o rastrear os genes agora identificados num teste genético mais prematuro.No mínimo, isto poderá permitir a adopção de medidas e comportamentos correctivos e preventivos dos prenúncios moleculares das dores de costas assim anunciadas.António Piedade
July 19 2010, 5:43am | Comments »
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TEORIA NAS BIOCIÊNCIAS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/informacao-recebida-do-centro-de.html
Informação recebida do Centro de Filosofia da Universidade de Lisboa:O Centro de Filosofia das Ciências da Universidade de Lisboa tem a satisfação de dar a conhecer a publicação dos n.ºs 2 e 3 do vol.29 da revista Theory in Biosciences (da editora Springer) com o título Darwin evaluated by contemporary evolutionary and philosophical theories que reúne muitos dos textos apresentados num colóquio com o mesmo nome realizado pelo CFCUL em 23 e 24 de Abril de 2009 na FCUL e que tem por editores Nathalie Gontier, Francisco Carrapiço, Marco Pina, André Levy and Helena Abreu Nele se encontram os 17 artigos seguintes (pp.77-245): Darwin’s legacy Nathalie Gontier Playing Darwin. Part A. Experimental Evolution in Drosophila Margarida Matos Playing Darwin. Part B. 20 years of domestication in Drosophila subobscura Punctuated equilibrium in a neontological context Melanie J. Monroe and Folmer Bokma Punctuated equilibrium and species selection: what does it mean for one theory to suggest another? Derek Turner Saltational symbiosis Jan Sapp How symbiogenic is evolution? Francisco Carrapiço What is a species? Essences and generation John S. Wilkins New insights into molecular evolution: prospects from the Barcode of Life Initiative (BOLI) Filipe O. Costa and Gary R. Carvalho Pattern, process and the evolution of meaning: species and units of selection André Levy Evolutionary epistemology as a scientific method: a new look upon the units and levels of evolution debate Nathalie Gontier Computational evolution: taking liberties Luís Correia Human evolution and cognition Ian Tattersall Grammatical equivalents of Palaeolithic tools: a hypothesis Antonio B. Vieira Sensory exploitation and cultural transmission: the late emergence of iconic representations in human evolution Jan Verpooten and Mark Nelissen Language trees ≠ gene trees James Steele and Anne Kandler Taking evolution seriously in political science Orion Lewis and Sven Steinmo Os resumos e os conteúdos podem ser consultados em http://www.springerlink.com/content/h30434147v76/?sortorder=asc&p_o=0
July 16 2010, 4:58pm | Comments »
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O Polvo
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Como é habitual, destacamos a crónica de sexta-feira de J.L. Pio Abreu no "Destak":Há quem o prefira à Lagareiro, mas é um prodígio da natureza. Tem olhos iguais aos nossos, pinta-se como nós e não tem coluna dorsal, como alguns de nós. Os machos morrem de amor e as fêmeas morrem pelos filhos. Parecidos connosco, se tivéssemos mais coragem. Têm um problema: às vezes são canibais. Mas os homens, além de às vezes também o serem, ainda fazem coisas piores. O polvo tem oito braços, pelo que toca em tudo. Algum humano que também o faça é logo acusado de polvo. Tem também um cérebro desenvolvido e uma inteligência que, sendo a maior dos moluscos, é comparável à dos primatas, ordem a que temos a honra de pertencer. Apesar de tudo, os humanos só respeitaram o polvo quando Paul, morador de um aquário em Oberhausen, conseguiu prever os vencedores dos jogos do Mundial de Futebol e deu antecipadamente o título à Espanha. Digo isto porque anda por aí toda a gente a fazer previsões desconcertadas: que pagam a dívida, que não pagam, que reduzem o défice ou não, que a produção aumenta, que ela se encolhe, que a bolsa sobe, que desce, que vai haver inflação, que afinal é recessão e talvez deflação, que os bancos vão falir, que acabam por se aguentar. Em geral desacertam, e só servem para alimentar desconfianças e jogos de apostas. É por isso que eu prefiro um polvo a todos os economistas. Qual Banco de Portugal, qual OCDE, qual Fundo Monetário Internacional, qual Comissão Europeia, qual Moody’s, qual Fitch, qual Standard & Poor’s? Que vão todos mas é fazer prognósticos depois dos jogos! Por mim, só me vou fiar no polvo.J. L. Pio de Abreu
July 16 2010, 4:51pm | Comments »
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CRÓNICA BREVE DE UMA DOR ANUNCIADA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/cronica-breve-de-uma-dor-anunciada.html
Nova crónica do nosso colaborador habitual António Piedade e, tal como outras, saída antes no "Diário de Coimbra":Tinham-se passado vinte dias desde que a mãe da Ti Alzira engravidara. Para além de uma estranha nostalgia, antecipação do feitio da filha, a mãe não sabia que transportava dentro de si uma semente de mulher valente, carácter vertical invejável, mas fraca das costas, um cabo de tormentos inenarráveis.A futura Ti Alzira, aninhada no útero materno, tinha então uns diminutos dois milímetros, medida essa hoje descartável em comparação com os seus 1710 milímetros estendidos. Sim, porque as dores cortantes e desafinadas nas costas, melhor, naquela mísera coluna, a encolhem para a altura do cabo (ainda alto) da sua inseparável vassoura.Naqueles momentos mágicos do seu tempo embrionário, já se encorpava uma extremidade mais globular (futura cabeça) e outra mais embicada (fundo das costas…). Entre estas extremidades já se alinhavava o tubo neural, ainda notocorda, futura centralidade da medula espinal. Fileiras de células de origem mesodérmica ladeavam o sulco de sensações e preocupações futuras. Em lugar determinado pela densidade de condimentos proteicos e acídicos, algumas dessas células avolumavam-se em ares vertebrais. Sim, dois pares de agregados de células mesenquimais designados por somitos são ainda projectos de vértebras lombares, aí por essa altura do lombo da Ti Alzira.Ao longo e ao redor do tubo neural, varia o gradiente (diferença na concentração) de diversas biomoléculas que dão corda ao relógio das decisões biomoleculares, torneadoras das abóbadas vertebrais. Uma delas, a proteína Shh (S de Sonic; hh de hedgehog homolog – homólogo de ouriço-cacheiro), está mais concentrada na extremidade caudal, enquanto outras, como as Wnts, se mobilizam mais a nível cervical. Estas diferenças, que variam suave e continuamente ao longo da futura coluna vertebral, decidem onde e quando imigrará cada célula mesenquimal embrionária dos somitos para concretizar a futura herança óssea, cartilaginosa e muscular do elemento vertebral.A precisão micrométrica da diferenciação advém da natureza nanométrica dos implacáveis decisores biomoleculares. Qualquer perturbação (por exemplo, chuva alcoólica!) nestas concentrações e, num piscar de olho, a futura vértebra ficará minimamente desalinhada. Esse evento, mesmo que único, poderá determinar que a futura coluna, no seu esforço e desgaste diário, comece a ceder por ali. Minimamente desviada por um jeito malfadado, pressiona o conteúdo neuronal da medula espinal e… dores, muitas dores e outras antecipadas no córtex cerebral, cinzelam o amanhã dorido da Ti Alzira, qual ouriço-cacheiro por ali entranhado.Ainda por cima, dos somitos também se diferenciarão as células para as costelas e de toda a musculatura lisa ligada, de uma ou outra forma, a elas e à coluna. Por exemplo, à respiração. Quantas vezes a Ti Alzira ficou como que sem respirar, por causa de uma dor nas costas?!Mas o que é que determina esse gradiente gelatinado de Shh, Wnts e outras biomoléculas? Os genes. Sim, no caso da proteína Shh, uma das sinalizadoras do relógio embrionário, é o gene shh, localizado no braço maior do cromossoma 7 (aqui). A sua diferente actividade ao longo de cada uma das células mesenquimais a ladear o tubo neural causará uma maior ou menor síntese da proteína com o mesmo nome. Esta gradação da expressão genética determina o gradiente de proteína sinalizadora.As investigadoras portuguesas das Universidades do Minho e do Algarve, mencionadas em minha crónica anterior, descobriram esta relação entre a actividade do gene shh e a coordenação espácio-temporal da formação embrionária das vértebras. Verificaram que a sua falta pode fazer retardar o início da “obra” em nove horas! Que desalinhamento, que dores futuras. Mas também identificaram que uma outra molécula, o ácido retinóico, pode recuperar o atraso, caso esteja nas redondezas do desalinho.(continua)António Piedade
July 12 2010, 3:25pm | Comments »
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Reinos esquecidos
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/reinos-esquecidos.html
Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:Plantas e animais! Até aqui, nada de novo para ti! Estamos a falar de dois grandes grupos de seres vivos, mas será que existem outros?No ano Internacional da Biodiversidade, as Férias no Chimico do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra convidam-te a explorar o mundo destes seres esquecidos. Embarca nesta aventura e vem aprender coisas novas de uma forma muito original!Vamos falar de…- seres esquisitos que nos rodeiam- quais as suas características- qual a sua importânciaQUANDO PODES PARTICIPAR?13 a 16 de Julho27 a 30 de Julho24 a 27 de Agosto7 a 10 de Setembro10H00 - 13H00 (5-7 anos)14H30 - 17H30 (8-12 anos)30 eurosInscrição préviaMais informações aqui
July 9 2010, 4:21am | Comments »
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VEM AÍ O SALMÃO TRANSGÉNICO?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/vem-ai-o-salmao-transgenico.html
Artigo meu saído no semanário "Sol" de hoje:Há quem lhe chame Frankensalmon, por analogia com Frankenstein. Mas talvez essa analogia seja exagerada. Facto é que, segundo informa o New York Times de 25/6/2010, uma empresa norte-americana, a AquaBounty Technologies, espera para breve a aprovação pela agência norte-americana do sector dos alimentos, a Food and Drug Administration – FDA, de um salmão transgénico. Esse peixe, baptizado de AquaAdvantage, não passa de um vulgar exemplar como há nas águas frias do Atlântico, pois tem o mesmo aspecto e o mesmo sabor. Mas oferece aos seus produtores uma enorme vantagem relativamente ao salmão comum: cresce em metade do tempo. O crescimento rápido do salmão consegue-se por adição de duas “peças” genéticas, provenientes de outros peixes, um é o gene de uma hormona de crescimento fornecido por um “primo” mais avantajado, e outra é um interruptor genético que vem de um “parente” mais afastado.Já foram passadas as primeiras fases do processo de aprovação pela FDA, pelo que a chegada do novo salmão ao prato está mais próxima. Mas o tema dos transgénicos é controverso, não só nos Estados Unidos como em todo o mundo. No mercado existem vários transgénicos vegetais, que, nalguns casos, entram em rações de gado, mas o salmão é um dos primeiros transgénicos animais para consumo humano directo. A oposição a todos eles é liderada por movimentos ecologistas, que expressam alto e bom som os seus receios. Acentuam o desconhecimento que existe a respeito de espécies com elementos artificiais e invocam o princípio da precaução. A maioria da opinião pública está com eles, o que não admira dado ser normal o medo do que é invisível (os genes não se vêem a olho nu!) e do que é desconhecido (serão os organismos modificados danosos?). Na Europa a discussão sobre os transgénicos tem sido muito viva e a Comissão Europeia, depois há pouco tempo ter autorizado o cultivo de algumas novas espécies, como a batata, quer passar a “batata quente” para os estados membros, permitindo que cada um deles regule o assunto a seu bel-prazer.Por seu lado, os defensores dos alimentos transgénicos sustentam que a qualidade do produto é rigorosamente a mesma (o novo salmão contém os mesmos nutrientes, como as gorduras ómega-3, que diminuem os riscos cardiovasculares). Que é possível evitar cruzamentos com outras espécies (os peixes transgénicos crescem em viveiros marinhos e as fêmeas são estéreis). E que, com as novas fontes de proteínas, será possível atender às necessidades cada vez maiores da população mundial sem afectar a ecologia dos mares nem aumentar as emissões de carbono (na Ásia os transgénicos têm maior receptividade do que nos Estados Unidos e na Europa). A discussão está aí para dar e durar...
July 8 2010, 5:01pm | Comments »
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VEM AÍ O SALMÂO TRANSGÉNICO?
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Artigo meu saído no semanário "Sol" de hoje:Há quem lhe chame Frankensalmon, por analogia com Frankenstein. Mas talvez essa analogia seja exagerada. Facto é que, segundo informa o New York Times de 25/6/2010, uma empresa norte-americana, a AquaBounty Technologies, espera para breve a aprovação pela agência norte-americana do sector dos alimentos, a Food and Drug Administration – FDA, de um salmão transgénico. Esse peixe, baptizado de AquaAdvantage, não passa de um vulgar exemplar como há nas águas frias do Atlântico, pois tem o mesmo aspecto e o mesmo sabor. Mas oferece aos seus produtores uma enorme vantagem relativamente ao salmão comum: cresce em metade do tempo. O crescimento rápido do salmão consegue-se por adição de duas “peças” genéticas, provenientes de outros peixes, um é o gene de uma hormona de crescimento fornecido por um “primo” mais avantajado, e outra é um interruptor genético que vem de um “parente” mais afastado.Já foram passadas as primeiras fases do processo de aprovação pela FDA, pelo que a chegada do novo salmão ao prato está mais próxima. Mas o tema dos transgénicos é controverso, não só nos Estados Unidos como em todo o mundo. No mercado existem vários transgénicos vegetais, que, nalguns casos, entram em rações de gado, mas o salmão é um dos primeiros transgénicos animais para consumo humano directo. A oposição a todos eles é liderada por movimentos ecologistas, que expressam alto e bom som os seus receios. Acentuam o desconhecimento que existe a respeito de espécies com elementos artificiais e invocam o princípio da precaução. A maioria da opinião pública está com eles, o que não admira dado ser normal o medo do que é invisível (os genes não se vêem a olho nu!) e do que é desconhecido (serão os organismos modificados danosos?). Na Europa a discussão sobre os transgénicos tem sido muito viva e a Comissão Europeia, depois há pouco tempo ter autorizado o cultivo de algumas novas espécies, como a batata, quer passar a “batata quente” para os estados membros, permitindo que cada um deles regule o assunto a seu bel-prazer.Por seu lado, os defensores dos alimentos transgénicos sustentam que a qualidade do produto é rigorosamente a mesma (o novo salmão contém os mesmos nutrientes, como as gorduras ómega-3, que diminuem os riscos cardiovasculares). Que é possível evitar cruzamentos com outras espécies (os peixes transgénicos crescem em viveiros marinhos e as fêmeas são estéreis). E que, com as novas fontes de proteínas, será possível atender às necessidades cada vez maiores da população mundial sem afectar a ecologia dos mares nem aumentar as emissões de carbono (na Ásia os transgénicos têm maior receptividade do que nos Estados Unidos e na Europa). A discussão está aí para dar e durar...
July 8 2010, 2:00am | Comments »






