Nova crónica saída no "Diário de Coimbra". É já uma longa história a do mapeamento do genoma humano, a da cartografia dos genes nas extensas molécula de DNA que arquitectam os 23 pares de cromossomas que formam o nosso cariótipo. E, contudo, ainda mal passaram dez anos sobre as primeiras publicações nas revistas Nature e Science, em meados de Fevereiro de 2001, nas quais foram apresentados rascunhos, aqui e ali ainda muito pouco definidos e incompletos, da eucromatina (a porção do genoma “rica” em genes) e da heterocromatina (restante parte do genoma, aparentemente pobre em genes, mas com importância estrutural e reguladora). Muitos investigadores avisaram então que, apesar do feito constituir o finalizar de uma enorme tarefa, só estávamos a iniciar uma nova etapa da longa caminhada em compreender as relações entre genótipo e fenótipo, que tornam cada ser humano único, apesar do seu desenvolvimento ontológico seguir um mesmo plano comum e característico à espécie humana, mas gerador de diversidade. Se, por um lado, o Projecto do Genoma Humano abriu novos janelas para o entendimento de como o genoma se expressa e se torna funcional num proteoma estruturante de um fenotipo modelado por determinado ambiente e história do desenvolvimento da cada ser humano, por outro lado, a base de amostragem da população que foi utilizada para os estudos era, à partida, pouco representativa da sua própria diversidade. Relembre-se que a “versão” do Consorcio do Genoma Humano é um compósito derivado de amostras haplóides (só com 23 cromossomas) de numerosos dadores, enquanto que a “versão” da empresa Celera Genomics resultou numa sequência consensual derivada dos genomas de cinco indivíduos. Apesar de os genomas de dois quaisquer seres humanos diferirem entre si em menos de 1%, é exactamente nestes detalhes de variabilidade que se encontram os polimorfismos de único nucleótido (SNP), variações de uma única base por outra em determinados genes hoje seguramente associados a doenças ou a características metabólicas que podem potenciar o desenvolvimento de distúrbios funcionais em determinados contextos de vida. E os cientistas sabem que para mapear essa variabilidade nos genomas humanos, com significado estatístico útil a uma medicina genómica e à farmacogenómica, é necessário sequenciar milhares de genomas completos de indivíduos humanos, de diferentes proveniências. E quantos genomas humanos inteiros é que já foram sequenciados? Só em 2007 é que foi descrita e publicada a primeira sequência completa e diploide (46 cromossomas) de um único individuo, no caso, o do cientista Craig Venter, fundador da Celera Genomics. No ano seguinte, 2008, foi a vez do genoma de James Watson, co-descobridor da estrutura e dupla hélice para o ADN, ter sido sequenciado pelo consórcio público do genoma humano (aqui). Seguiu-se a sequenciação de um indivíduo da tribo Yoruba, na Nigéria (aqui), de um asiático (aqui) e de um coreano (aqui). A tecnologia derivada do conhecimento adquirido com o Projecto do Genoma Humano permitiu o desenvolvimento de sequenciadores mais rápidos e robustos. O próprio desenvolvimento paralelo dos hardwares informáticos ampliou a capacidade de cálculo, essencial para a comparação de extensas bases de dados. Hoje, os sequenciadores de ADN são cerca de 50 mil vezes mais rápidos do que então e os algoritmos de analise desenvolvidos permitem melhores decisões na identificação e validação das diferenças encontradas nos genomas sequenciados. Entretanto, em 2008 é iniciado o Projecto 1000 Genomas com o objectivo de criar uma base de dados pública do polimorfismo genómico humano, um catálogo funcional da variabilidade genética na nossa espécie. Este projecto público resulta de uma colaboração em consórcio entre 78 universidades, companhias privadas e grupos de investigação sediados nos Estados Unidos da América, Reino Unido, Alemanha e China. Uma das metas iniciais do Projecto 1000 Genomas era a de efectuar três estudos pilotos para estabelecer e validar metodologias robustas de sequenciação e comparação da variabilidade genética humana. Os resultados destes estudos pilotos foram apresentados em vários artigos publicados no final do passado mês de Outubro nas revistas Nature, Science e Genome Research. Merecendo este assunto espaço realçado em crónicas futuras, adiante-se que nesta primeira fase foram sequenciados e analisados o ADN “inteiro” de 179 pessoas, assim como os genes que codificam proteínas em genomas de 679 voluntários com descendência europeia, do oeste da África e do leste da Ásia. Ao todo foram analisadas 4,5 terabases de ADN (1 tera = 1 x 1012, 1 seguido de doze zeros)! Refira-se que num único genoma existem cerca de 3 x 106 das quatro bases azotadas guanina, adenina, citosina e timina.António Piedade
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PROJECTO 1000 GENOMAS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/projecto-1000-genomas.html
November 8 2010, 7:05am | Comments »
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DIAS FÉRTEIS
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Nova crónica do bioquímico António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":Sabe qual é, durante o ciclo menstrual, o período fértil? Isto é, os dias em que a probabilidade de ocorrer fertilização de um oócito por um espermatozóide e eventualmente engravidar, é maior?Se não sabe e é mulher, então pertence ao de grupo de 59% de mulheres portuguesas, com idade compreendida entre os 20 e 44 anos, residentes em Portugal continental que também o não sabe. É impressionante o desconhecimento que a maior parte da população feminina portuguesa em idade fértil tem sobre o que acontece, mais ou menos mensalmente, no seu corpo e que pode alterar maternamente a sua vida!Um inquérito pessoal, realizado entre 3 e 13 de Setembro deste ano, a 502 mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 44 anos, distribuídas proporcionalmente por sete regiões de Portugal continental, elaborado pela empresa GFK Metris, revelou que cerca de 60% da população feminina portuguesa não sabe quais os dias em que pode engravidar durante o ciclo menstrual.Falta de educação sexual? Não tiveram Biologia no 12º Ano de escolaridade? Não sabem contar? Não há tempo, interesse para perceber o que acontece com o corpo? Falta de apoio e informação acessível pelos programas de Planeamento Familiar? Quebra de continuidade na transmissão familiar de conhecimentos sobre a menarca, reprodução e menopausa? A cultura da pílula, medicamento muito útil em muitos casos específicos mas que muita gente não sabe sequer utilizar apropriadamente, não pode ser desculpa para não saber. E o estudo, não tendo este objectivo, não responde a estas e outras questões possíveis. Contudo, os resultados revelam que 70% das inquiridas ficariam preocupadas se não conseguissem engravidar num espaço de três meses!Este estudo sobre “Gravidez e Planeamento em Portugal” foi realizado por aquela empresa de estudos de mercados a pedido da empresa Clearblue, que comercializa equipamentos de diagnóstico de gravidez e fertilidade, e apresentado no passado dia 19 de Outubro na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.Os resultados apresentados indicam ainda que só 19% das mulheres inquiridas sabem quando é que está a ocorrer a ovulação num dos seus dois ovários, enquanto que 39% declararam que não sabem de todo identificar este momento, no qual um folículo maduro "expulsa" um oócito II (célula que dará origem ao embrião, se fecundada por um espermatozóide) para o espaço compreendido entre o ovário e vizinha a trompa de falópio.Outro dado espantoso obtido por este estudo, indica que 69% das mulheres consultadas não se recorda qual o dia exacto em que tiveram o último período! Falta de memória ou uma desatenção ao que se passa com o seu corpo em relação aos ciclos hormonais próprios? Indiferença pela regularidade?Antes de finalizar, e a propósito, recorde-se o que os dias mais férteis para engravidar, ou seja para a cópula com propósito reprodutivo, durante um ciclo menstrual, são os dois que antecedem o dia da ovulação e este próprio, o qual ocorre em média entre o 13º e o 15º dias do ciclo a contar do dia do início da última menstruação (período conhecido por ciclo ovárico), podendo estes valores variar entre mulheres de forma normal.Acrescente-se que o oócito II, uma vez fora do ovário, consegue manter-se viável e fecundável entre 12 a 24 horas após a ovulação. No que diz respeito aos espermatozóides, estes sobrevivem entre 24 a 48 horas no ambiente uterino e das trompas de Falópio. Após a ejaculação na vagina, os espermatozóides “sobem” até ao colo do útero, transpõem o canal cervical, entram no útero e percorrem a parede uterina até alcançarem a trompa de Falópio, local onde ocorrerá a fertilização. Esta “viagem” pode ter a duração de uma hora. Feitas as contas, só os espermatozóides que estejam nas trompas até 48 horas antes da ovulação é que terão a oportunidade de lutar pela fecundação. E o oócito II ovulado terá até um dia de vida de esperança de vir a ser fecundado por um espermatozóide que por ali ainda esteja paciente e viável.António Piedade
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November 1 2010, 10:21am | Comments »
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DIAS FÈRTEIS
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Nova crónica do bioquímico António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":Sabe qual é, durante o ciclo menstrual, o período fértil? Isto é, os dias em que a probabilidade de ocorrer fertilização de um oócito por um espermatozóide e eventualmente engravidar, é maior?Se não sabe e é mulher, então pertence ao de grupo de 59% de mulheres portuguesas, com idade compreendida entre os 20 e 44 anos, residentes em Portugal continental que também o não sabe. É impressionante o desconhecimento que a maior parte da população feminina portuguesa em idade fértil tem sobre o que acontece, mais ou menos mensalmente, no seu corpo e que pode alterar maternamente a sua vida!Um inquérito pessoal, realizado entre 3 e 13 de Setembro deste ano, a 502 mulheres com idades compreendidas entre os 20 e os 44 anos, distribuídas proporcionalmente por sete regiões de Portugal continental, elaborado pela empresa GFK Metris, revelou que cerca de 60% da população feminina portuguesa não sabe quais os dias em que pode engravidar durante o ciclo menstrual.Falta de educação sexual? Não tiveram Biologia no 12º Ano de escolaridade? Não sabem contar? Não há tempo, interesse para perceber o que acontece com o corpo? Falta de apoio e informação acessível pelos programas de Planeamento Familiar? Quebra de continuidade na transmissão familiar de conhecimentos sobre a menarca, reprodução e menopausa? A cultura da pílula, medicamento muito útil em muitos casos específicos mas que muita gente não sabe sequer utilizar apropriadamente, não pode ser desculpa para não saber. E o estudo, não tendo este objectivo, não responde a estas e outras questões possíveis. Contudo, os resultados revelam que 70% das inquiridas ficariam preocupadas se não conseguissem engravidar num espaço de três meses!Este estudo sobre “Gravidez e Planeamento em Portugal” foi realizado por aquela empresa de estudos de mercados a pedido da empresa Clearblue, que comercializa equipamentos de diagnóstico de gravidez e fertilidade, e apresentado no passado dia 19 de Outubro na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa.Os resultados apresentados indicam ainda que só 19% das mulheres inquiridas sabem quando é que está a ocorrer a ovulação num dos seus dois ovários, enquanto que 39% declararam que não sabem de todo identificar este momento, no qual um folículo maduro "expulsa" um oócito II (célula que dará origem ao embrião, se fecundada por um espermatozóide) para o espaço compreendido entre o ovário e vizinha a trompa de falópio.Outro dado espantoso obtido por este estudo, indica que 69% das mulheres consultadas não se recorda qual o dia exacto em que tiveram o último período! Falta de memória ou uma desatenção ao que se passa com o seu corpo em relação aos ciclos hormonais próprios? Indiferença pela regularidade?Antes de finalizar, e a propósito, recorde-se o que os dias mais férteis para engravidar, ou seja para a cópula com propósito reprodutivo, durante um ciclo menstrual, são os dois que antecedem o dia da ovulação e este próprio, o qual ocorre em média entre o 13º e o 15º dias do ciclo a contar do dia do início da última menstruação (período conhecido por ciclo ovárico), podendo estes valores variar entre mulheres de forma normal.Acrescente-se que o oócito II, uma vez fora do ovário, consegue manter-se viável e fecundável entre 12 a 24 horas após a ovulação. No que diz respeito aos espermatozóides, estes sobrevivem entre 24 a 48 horas no ambiente uterino e das trompas de Falópio. Após a ejaculação na vagina, os espermatozóides “sobem” até ao colo do útero, transpõem o canal cervical, entram no útero e percorrem a parede uterina até alcançarem a trompa de Falópio, local onde ocorrerá a fertilização. Esta “viagem” pode ter a duração de uma hora. Feitas as contas, só os espermatozóides que estejam nas trompas até 48 horas antes da ovulação é que terão a oportunidade de lutar pela fecundação. E o oócito II ovulado terá até um dia de vida de esperança de vir a ser fecundado por um espermatozóide que por ali ainda esteja paciente e viável.António Piedade
November 1 2010, 9:31am | Comments »
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Silêncio Prodigioso
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Nova crónica de António Piedade do sítio "Boas Notícias" (Imagem 3D de Miguel Castro):Leonor contempla curiosa a superfície do lago. Com a atmosfera tranquila, nenhuma brisa perturba a lisura aquática. Mas, aqui e acolá, pequenos círculos de ondas pequeninas surgem de um centro de vida. São peixinhos que vêm à superfície comer algum insecto, mudar de ares.Atraída por um cardume do que pareciam ser peixinhos muito pequeninos, aproxima-se da margem e debruça-se para ver para além da sua imagem reflectida na interface da água com o ar. Afinal, são girinos em metamorfose com desejos de serem rãs adultas.Leonor foca a sua concentração visual e conseguiu descortinar umas larvas ainda mais pequeninas, promessas de girinos ainda em desenvolvimento embrionário. Mal se vêm de tão pequenos que são. Mas em alguns dias, ficarão tão grandes como os girinos que viu primeiro e estes, por sua vez, já serão então quase rãs bebés.Em sintonia com as diferentes fases do desenvolvimento, Leonor pensa que poderia ver embriões ainda mais pequeninos se tivesse uma lupa ou até um microscópio vulgar. Talvez então conseguisse visualizar as primeiras fases do desenvolvimento embrionário, quando o ovo fecundado se começa a dividir, primeiro em duas células iguais, que por sua vez se dividem cada uma em outras duas também iguais, e assim sucessivamente até ao estado de desenvolvimento designado por mórula, palavra latina para amora, por o aglomerado de células ter de facto o aspecto desse fruto silvestre.Olha a superfície do lago e pensa nele como se fosse um grande espaço amniótico no qual todos aqueles seres se desenvolvem desde uma única célula até a complexidade do organismo multicelular, diferenciado e adulto. Ouve-se algures um coaxar. Seria esse o primeiro som de uma rã bebé? E os embriões e os girinos? Comunicariam eles de alguma forma uns com os outros?Um aroma materno desperta-lhe a atenção para a chegada de sua mãe Isabel. “Minha mãe”, diz Leonor, “Qual foi a primeira palavra que eu te disse?” “Creio que foi mamã”, responde sua mãe afagando os longos cabelos de Leonor. “Mas antes desse “mamã”, eu comunicava contigo?”, perguntou de novo Leonor. “Sim, por sons e choros diferentes consoante as tuas necessidades”, explica a mãe.“Quer dizer que esses sons foram as minhas primeiras mensagens para ti, os meus primeiros pedidos, os recados das minhas necessidades?”, insiste Leonor. “Bem vistas as coisas,” começa Isabel, introspectiva e com o olhar ternamente deitado sobre o lago, “tu, ou melhor, as primeiras células que te deram origem…sim, foram delas as tuas primeiras mensagens para mim!” “Como assim?”, questiona Leonor intrigada.“Cerca de três a quatro dias depois de um óvulo meu ter sido fecundado por um espermatozóide do teu pai, numa das minhas trompas de Falópio, tu eras então uma pequena amora de células rodeada por uma camada de glicoproteínas (zona pelúcida) e por uma última camada de células foliculares. Na alvorada do quarto dia, chegaste ao interior do meu útero e na partitura do teu desenvolvimento já estavas no estado de blástula, com mais de 64 células.“Algumas destas células”, continua a mãe, “formam uma camada externa, o trofoblasto, que delimita uma cavidade central, o blastocélio, um lago interior onde se encontra, num pólo, um conjunto de células designadas por botão embrionário ou embrioblasto. Este deu origem ao teu embrião propriamente dito. A camada externa foi a tua contribuição para a placenta. É nesta etapa, quatro a cinco dias depois da ovulação que contribuiu para a tua concepção, que tu, então pequeno blastocisto, com cerca de 0,15 mm, comunicaste comigo pela primeira vez.”“Mas como, se ainda não tinha boca, nem braços?!”, exclama Leonor. “Através de uma mensagem inclusa numa molécula,” sussurra-lhe Isabel, “uma hormona conhecida por gonadotrofina coriônica humana, ou simplesmente hCG. Esta hormona, uma glicoproteína próxima das da zona pelúcida, é produzida e secretada para os meus líquidos maternais, pelas células do teu trofoblasto, que deram origem às células trofoblásticas sinciciais da tua placenta.”“Assim, quando eras não mais do que um blastocisto com duas décimas de milímetro de comprimento, irradiaste uma mensagem, transportada pela hCG, para que o corpo lúteo, nos meus ovários, continuasse a produzir e segregar outra hormona, a progesterona, esta muito importante para o desenvolvimento uterino.”“E essa mensagem estava cheia de uma boa nova maravilhosa: a de que tu tinhas sido concebida e que por isso era importante que o meu útero, mas precisamente o meu revestimento uterino, ou endométrio, se continuasse a espessar e a irrigar de vasos sanguíneos para estar preparado para te receber e aninhar.”“Cerca de nove dias após a tua fertilização, já estavas implantada e rodeada na parede do meu útero, pronta para continuares o complexo processo de desenvolvimento embrionário que te deu estas formas tão suaves e harmoniosas. ““Estou fascinada!”, suspira a filha Leonor, “Tão pequenina e já comunicava contigo para que soubesses das minhas necessidades”. “É verdade”, diz a mãe com o olhar profundo. “E, sabes, foi também pelo do aumento dos níveis de hCG, o teu apelo incessante, no meu sangue e logo na minha urina, que tive a certeza que estava grávida de ti. É que o teste de gravidez que então fiz para confirmar a suspeita intuitiva, eco de que algo de maravilhoso estava a acontecer dentro do meu corpo, esse teste, que comprei numa farmácia, não fez mais do que detectar a presença da tua mensagem, na forma de hCG na minha urina.”“Vi então a cor do teu silêncio, que afinal ressoava no meu ventre, pronto para muitas e novas mensagens futuras.”De mãos dadas sentadas na margem do lago, Leonor e sua mãe Isabel estão contemplativas, num silêncio prodigioso.António Piedade
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October 30 2010, 8:18am | Comments »
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DAMÁSIO DIXIT
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Mensagem recebida do nosso leitor Augusto Kuettner Magalhães:Mais uma excelente entrevista na revista Pública, a António Damásio, o neurocientista português a ensinar, investigar e escrever nos Estados Unidos. Grande cientista português!Sem medos e sem tabus estuda o cérebro, a consciência, as emoções, o eu.Frases interessantes da entrevista:- Gosto de escrever e gosto de conseguir explicar bem o que penso.- Não há razão nenhuma para que os artigos científicos sejam escritos de forma maçadora, num mau estilo ou numa língua pouco trabalhada. Devem ser tão bem escritos como as peças literárias.- …há também pessoas que suspeitam ou temem que tanta biologia, que uma abordagem tão com pletamente biológica do ser humanos, possa de algum modo reduzir a dignidade humana.- … como é que nasce a mente, como é que nasce o eu e como é que se constrói a mente consciente?- a criação da mente propriamente dita reside na capacidade que o cérebro tem de criar mapas neurais que vão dar origem a imagens.- … são imagens que começam a ser geradas ao nível do tronco cerebral, numa região do cérebro que está naquilo que eu descrevo no livro como uma união, uma fusão praticamente completa com o corpo.- Quando olhamos para o mar, não vemos apenas o azul do mar, sentimos que estamos a viver esse momento de percepção.- A ínsula é um córtex com uma parte mais moderna e permite repetir com maior pormenor aquilo que já está no tronco cerebral em matéria de sentimentos.
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October 19 2010, 10:07am | Comments »
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A Mente Moral
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Marc Hauser é um cientista da cognição, que se dedica ao estudo da cognição em primatas, procurando uma compreensão da evolução da mente. Foi também, até agora, uma das estrelas mais cintilantes da Universidade de Harvard por se ter dedicado a abordar conceitos como a evolução da moralidade. Publicou mais de 200 artigos em revistas de muito elevado impacto, como a Science e a Nature, e foi Young Investigator Award da National Science Foundation americana. Disse foi, porque Marc Hauser foi há pouco considerado culpado de falta de ética científica pela sua própria universidade. Uma comissão nomeada pelo Reitor da U. Harvard, analisou e passou a pente fino a investigação de Hauser, durante 3 anos, analisando todos os trabalhos desde 2002 e chegou à conclusão de que Hauser violou os princípios da conduta científica em 8 situações. Três correspondem a artigos publicados e as restantes cinco a material em submissão ou de relatórios internos. Um dos artigos publicados, na Cognition, foi retirado, outro foi corrigido e o terceiro, na Science, está em discussão com os editores.Isto foi particularmente perturbador para mim que tinha Hauser em grande consideração. Era um dos grandes cientistas da cognição. Em 2003 mostrou (Proceedins of the Royal Society) que pequenos primatas tamarins, ou Saguis-de-cabeça-branca eram capazes de ter uma atitude diferente para outros animais da mesma espécie consoante eles os tivessem ajudado antes ou não – tendiam a ajudar mais os que lhes tinham prestado ajuda antes –, levantando questões muitíssimo interessantes sobre a evolução de conceitos éticos. Este artigo não foi alvo de críticas.Um breve parêntesis aqui:[A ideia feita mais comum é a de que a ética será exclusivamente humana, porque apenas nós somos seres racionais capazes de ter ética. Além de que a ética seria um produto eminentemente cultural. Passemos de lado o atestado de estupidez a nós próprios ao considerar que somos os únicos animais racionais – como se os outros fossem autómatos sem pensamento (pensem nisso quando observarem o comportamento do vosso cão) (e já agora leiam o excelente ‘Livro da Consciência’ de Damásio). E se não for exclusiva? Se tiver bases mais profundas presentes em culturas de outros animais?]Mas outros trabalhos foram considerados contendo erros intencionais que conduziram a conclusões incorrectas, de forma intencional. O que apurou a investigação de facto? Que Hauser manipulou a informação em várias situações (8), quer na codificação/interpretação dos comportamentos observados, quer no seu tratamento estatístico. O que sucedeu? Numa das experiências para determinar se os Saguis tinham respostas diferentes perante discurso humano normal ou manipulado, com o objectivo de saber se eram capazes de reconhecimento de padrões vocais, Hauser e o aluno que fez as experiências codificaram os comportamentos dos animais, a partir de vídeos gravados das experiências. Esta prática comum visa garantir que não há enviesamentos na observação do comportamento. É comum os investigadores guardarem as cassetes para posterior inspecção por outros, se solicitado. Desta vez os resultados de Hauser indicavam um efeito e os do aluno não. Este propôs que os vídeos fossem visionados por um terceiro observador independente, o que Hauser recusou. O aluno fez isso sem seu conhecimento e os resultados entre os alunos foram idênticos. Quando abordaram o assunto no laboratório, com outros alunos, ficaram a saber que esta não era a primeira vez que isso sucedia, o que os levou a denunciar a situação à Faculdade.Hauser foi considerado o único responsável pelos enviesamentos de interpretação.Hauser tinha a tendência para abordar assuntos difíceis e potencialmente polémicos: evolução da linguagem; evolução da moral. Esta é também uma forma de conseguir muita visibilidade. Mas a pressão para publicar resultados surpreendentes terá sido demasiada. Ou então ele convenceu-se de que estava certo, somente os resultados ainda não concordavam com ele. E ele não tinha tempo a perder. Recentemente Marc Hauser publicou Moral Minds: How Nature Designed Our Universal Sense of Right and Wrong. E eu que adquiri o livro e o comecei a ler, estou agora num dilema moral: confiar ou não no pensamento dele? É caso para dizer que faltou a moral a quem tanto queria dissecá-la.E agora? Bem a dúvida alastra a todo o seu trabalho, apesar de apenas se terem encontrado falhas em alguns dos muitos trabalhos analisados e muitas das suas experiências terem sido replicadas por outros com resultados concordantes.Entre os cientistas da cognição perpassa um arrepio com receio da má fama que Hauser possa trazer a uma área de estudo tão sólida e controlada experimentalmente como outras, mas mais susceptível por envolver comparações connosco.Grandes cientistas da cognição como Gordon Gallup, ou Franz de Waal, estão furiosos com Hauser e não lhe perdoam a sua falha de conduta.Para já a Universidade de Harvard deu-lhe uma licença sabática e estou convencido que irá ser convidado a sair. Uma falha destas é demasiado grave para ser limpa por uma retractação pública.Outros colegas estão a preparar-se para replicar algumas das suas experiências e confirmar ou não os resultados. E acho que é mesmo isso que há a fazer.
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October 17 2010, 2:14pm | Comments »
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Sexo... e então?
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Informação recebida do Pavilhão do Conhecimento - Centro Ciência Viva de Lisboa:O que é estar apaixonado? Qual a diferença entre um beijo explosivo e um beijo distraído? O que acontece ao corpo dos rapazes e das raparigas quando chegam à idade do armário? Para que servem os espermatozóides? Será que dar as mãos é fazer sexo? E podemos obrigar alguém a gostar de nós?Rigorosa, atractiva e sem tabus. Assim é a nova exposição do Pavilhão do Conhecimento-Ciência Viva. Sexo... e então?! explica o amor e a sexualidade de uma forma clara e divertida ao público pré-adolescente (dos 9 aos 14 anos) e também diz respeito às famílias, aos educadores e ao público em geral.A inauguração oficial terá lugar na próxima segunda-feira, dia 18, às 18h30, e contará com a presença do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, José Mariano Gago, e da Presidente da UniverScience, Claudie Haigneré.Dividida em cinco grandes áreas, esta mostra tem a chancela da Cité des Sciences et de l´Industrie de La Vilette, Paris. O rigor científico dos conteúdos foi garantido pela supervisão de um grupo de especialistas em educação para a infância e adolescência que acompanharam a revisão da tradução dos textos originais.Em Sexo... e então?! os visitantes vão poder ficar no escurinho do cinema e assistir a alguns dos momentos mais românticos da história da sétima arte, observar como reage o feto aos vários alimentos ingeridos pela mãe ou o percurso que um espermatozóide faz até fecundar um óvulo.Os mais desinibidos poderão cantar no "chuveiro" e experimentar as alterações que a voz dos rapazes sofre na puberdade. Os apaixonados mais envergonhados vencerão a timidez escrevendo e imprimindo uma declaração de amor em jeito de poema em língua fixe ou declaração matemática. Os muito apaixonados vão conhecer a intensidade do seu amor apertando um enorme coração vermelho. Será que no amor vale tudo?Nesta exposição, que também alerta para a questão da pedofilia, existe ainda uma área interdita aos adultos onde os mais novos poderão conhecer sem tabus o mapa do corpo masculino e feminino, aprender o que é uma erecção e saber a que se referem realmente as raparigas quando dizem que "Estão de bandeira vermelha".Painéis explicativos mostram, através de ilustrações, como se faz sexo ou qual a função de cada contraceptivo. Será que no amor há regras?Sexo... e então?! pode ser visitada até 28 de Agosto de 2011. Associada à exposição decorrerão actividades complementares, como debates, palestras e ateliês.Mais informações em http://www.pavconhecimento.ptEsperamos a sua visita!
October 14 2010, 6:32am | Comments »
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SERÁ QUE ADÃO ENCONTROU EVA?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/sera-que-adao-encontrou-eva.html
Texto do meu livro "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva, 2005, esgotado no editor):Nem todos os cientistas são bons comunicadores. Mas alguns não são só bons comunicadores: são excelentes comunicadores. Até há algum tempo a comunicação científica para o grande público era mais obra dos físicos (Carl Sagan, Richard Feynman, Steven Weinberg, etc.), mas os biólogos estão têm ultimamente estado a dar cartas nesse sector. Já havia François Jacob, Edward Wilson, Stephen Jay Gould – este infelizmente já falecido - e Richard Dawkins, mas agora há também Matt Ridley, Mark Ridley (os dois Ridleys não têm relação de parentesco) e Steve Jones.Steve Jones, professor de genética no London College da Universidade de Londres, esteve em Portugal para apresentar o seu último livro “Y. A Descendência do Homem” (número 132 da colecção “Ciência Aberta”, da Gradiva). Em Lisboa, no Instituto Ricardo Jorge, em Coimbra, no Auditório da Reitoria e no Porto, no Auditório do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular, procurou responder à pergunta - “Será que Adão encontrou Eva?”. Este livro é o quarto volume de divulgação da ciência do autor. O primeiro foi “A Linguagem dos Genes” (que ganhou o Prémio Rhône-Poulenc de Literatura Científica em 1994), o segundo “In the Blood” (um livro ricamente ilustrado, que acompanhou uma série de televisão, e que também ganhou aquele prémio, a maior distinção para livros de “ciência popular”) e, depois, “Almost like a Whale”, uma recreação da obra maior de Darwin – “A Origem das Espécies” na perspectiva dos conhecimentos actuais (que voltou a ganhar um prémio, desta vez o British Petroleum Natural Book Prize de 1999). O primeiro livro está publicado em português, pela Difusão Cultural, e os outros dois bem mereciam estar.De facto, Jones escreve – e fala – de uma maneira muito viva, que não deixa o leitor – e o auditor – indiferente. Quando, na palestra de Coimbra, me apresentei como físico e disse que só sabia coisas simples e não as coisas tremendamente complicadas que havia na Biologia ele logo retorquiu:“Costumo dizer aos meus alunos que a evolução é quase tão fácil como a Física”.E continuou com uma anedota da autoria do físico Niels Bohr, e que se encontra de resto no início do seu último livro:“A ciência é sem dúvida , uma forma crua e pragmática, mas eficiente, de compreendermos o mundo que nos rodeia. O físico Niels Bohr comparava-a ao lavar da louça após o jantar: pratos sujos, pano sujo e água suja; mas, como que por magia, os pratos aparecem limpos. Segundo ele, a filosofia desempenhava a mesma função, mas sem o recurso à água”.A ciência não é, portanto e ao contrário do que muitos alunos julgam, uma “grande seca”. E há muito de comum entre a Física e a Biologia. Ambas integram a busca humana de “compreender o mundo que nos rodeia”. Se através da Física a ciência passou a compreender a queda dos corpos e o movimentos dos astros, o quente e o frio, a electricidade e o magnetismo, a estrutura da matéria (incluindo os átomos e a sua organização em moléculas), etc., através da Biologia ela passou a compreender melhor os organismos vivos, incluindo o ser vivo mais extraordinário de todos que é o homem (aqui no sentido de “homo sapiens”, homem e mulher), descobrindo que por detrás da imensa variedade da vida, há uma evidente unidade. Como costuma dizer António Coutinho, Director do Instituto Gulbenkian de Ciência: “Vida há só uma”, apesar de não haver dois seres vivos rigorosamente iguais. Através da Biologia Molecular a Física cruzou-se com a Biologia de um modo muito fecundo: a molécula mais complexa de todas é o DNA, o imenso e riquíssimo reportório dos genes, cuja estrutura foi descoberta com a “água suja” da Física e que, sabe-se hoje, está presente nas células de todos os seres vivos. E a genética, que partiu de observação de regularidades macroscópicas, encontra-se hoje bem fundamentada à escala microscópica a partir da observação e manipulação do DNA. A evolução pode hoje ser estudada não apenas vendo o registo fóssil, fragmentado e precário, mas também e com muito sucesso usando as modernas técnicas da genética. A evolução não é ainda tão fácil como a Física, mas, ao ritmo a que as coisas avançam no domínio da genética, o “quase” está cada vez mais pequeno.Charles Darwin, além da “Origem das Espécies”, escreveu também a obra que fundou o estudo da evolução humana - “A Descendência do Homem”, subintitulada “A Selecção em Relação ao Sexo”. Depois de ter revisitado, Jones revisitou a “Descendência do Homem” actualizando-a. Respeitando o título, o autor centra-se na “pequena diferença” que caracteriza a masculinidade, que é o cromossoma Y (as fêmeas têm dois cromossomas X enquanto os machos têm um cromossoma X e um Y). Mas acrescenta que essa caracterização de masculinidade não resiste a uma análise crítica: há animais machos que não têm cromossoma Y. Para os biólogos, a masculinidade tem mais a ver com o tamanho e abundância das células sexuais: tal como acontece no ser humano, elas são muito abundantes e pequenas nos machos e escassas e grandes nas fêmeas. Os machos, por definição, não dão à luz, mas competem por conseguir que as fêmeas o façam. E as células sexuais do mesmo macho também competem entre si. Como escreve Jones de forma muito sugestiva:“Cada vez que um homem mantém relações sexuais, são libertados espermatozóides suficientes para fertilizar todas as mulheres da Europa. Numa vida são produzidos 2 mil milhões desse potentes invólucros, mas, para um típico ocidental, menos de dois são bem sucedidos. Por que razão são tantos os chamados e tão poucos os escolhidos?”No entanto, a análise do cromossoma Y é muito rica, permitindo revelar o que é, do ponto de vista biológico, o homem (no sentido estrito de macho humano). Jones não se esquece de acrescentar que a descoberta do cromossoma Y foi feita por uma mulher Nettie Maria Stevens, no ano da graça de 1905, precisamente o ano da descoberta da relatividade por Einstein (lá está, uma semelhança entre a Física e a Biologia, sendo injusto que Stevens seja quase desconhecida quando comparada com Einstein). O cromossoma Y permite traçar a evolução do homem, tal como o DNA das mitocôndrias permite traçar a evolução da mulher. Por meio da análise genética, hoje bastante rigorosa, pode-se remontar na genealogia, descobrir paternidades e maternidades, ainda que antigas (e descobre-se a grande frequência de fenómenos de “bastardia” ou “ilegitimidade”).O que nos ensina a genética sobre a diferença dos sexos? No longo processo de evolução, tudo indica que o cromossoma Y terá derivado do X por empobrecimento (Steve Jones foi categórico numa entrevista ao “Diário de Notícias”: “O cromossoma Y está em decadência”). Num certo sentido, a mulher é mais rica do que o homem! Por exemplo, a mulher vive em média mais do que o homem, resistindo mais e melhor a certas doenças.Mas, perguntará o leitor que chegou até aqui, qual é a resposta à pergunta do título? Terá Adão encontrado Eva? O relato do “Genesis” sobre um casal humano que gozava das delícias do Jardim do Éden é, com certeza, uma história, uma bela história mas apenas uma história (embora seja curioso que a mesma história reapareça em culturas diferentes da nossa, judaico-cristã). Mas, segundo Jones, “os Ys do mundo são tão semelhantes que alguns biólogos crêem num Adão universal, que poderá ter vivido há apenas 60 000 anos”, acrescentando com alguma precaução que “a evidência é, no mínimo, vaga.” Por outro lado, usando sempre a genética e remontando na linhagem feminina até uma eventual Eva, conclui-se que ela, a existir, teria de ser muito mais antiga do que Adão. Ou seja, Adão nunca poderia ter conhecido Eva... E esta, hein?
October 10 2010, 7:45am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Fertilização in vitro: R.G. Edwards ganha Nobel Medicina
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/fertilizacao-in-vitro-rg-edwards-ganha.html
Destaque para a coluna do físico Robert Park, desta vez (traduzido em português) sobre a fertilização in vitro que valeu o Prémio Nobel da Medicina deste ano:A qualificação mais importante para o Prêmio Nobel é muitas vezes a longevidade. Agora é 85 anos e com a saúde debilitada; o Prof. Edwards era um estudante dena Universidade de Edimburgo, na Escócia, quando concebeu a ideia de fertilização in vitro (FIV). O seu colega cirurgião Patrick Steptoe morreu em 1988. A Igreja Católica, que se opõe a FIV, criou a superstição de que, no momento em que os gâmetas haplóides masculino e feminino se entrelaçam no útero para formar uma zigoto diplóide, o Espírito Santo atribui-lhe uma alma, surgindo assim uma pessoa. O Presidente da Academia Pontifícia para a Vida, que é o porta-voz do Vaticano sobre ética médica, criticou a escolha de Edwards como "completamente disfuncional. Sem Edwards não existiriam frigoríficos cheios de embriões à espera de ser usados para pesquisa ou à espera de morrer abandonados e esquecidos por todos. " Coitados. Mas ele não está a falar sobre uma pessoa ou mesmo sobre um embrião, porque se trata de uma única célula indiferenciada, que é humana apenas na medida em que contém DNA humano. O mesmo acontece com as aparas das minhas unhas - mas eu não faço luto por elas. O mundo não precisa nem das superstições arcaicas da religião, nem de mais crianças indesejadas. Toda a criança FIV é uma criança desejada."Robert ParkNa imagem: O Prof. Edwards, a mãe da primeira bebé-proveta, a primeiira bebé-proveta (Louise Brown) e a filha desta (nascida de parto natural), numa foto de há dois anos.
October 8 2010, 6:16pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
´A INSULINA E A DOENÇA RENAL
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/insulina-e-doenca-renal.html
Nova crónica de António Piedade saída no "Diário de Coimbra":A hormona Insulina, produzida pelas células do tipo beta dos ilhéus de Langerhans, encontrados no pâncreas, está há muito associada à regulação do metabolismo do açúcar glicose. Como é sabido, perturbações na sua acção levam naturalmente ao desenvolvimento à condição conhecida por Diabetes.O principal papel bioquímico estabelecido para a insulina, e em termos muito gerais, é o de interagir especificamente com processos que facilitam a assimilação de glicose por parte das células de determinados tecidos. Por exemplo, em células como as dos tecidos musculares e adiposo, a presença de insulina é condição essencial para que a glicose possa entrar para dentro da célula. Recorde-se que a glicose é essencial como fonte de energia para a actividade celular. Na ausência ou em concentrações insuficientes de insulina, a glicose não é facilmente assimilada pelas células e a sua concentração no sangue tende a aumentar para valores característicos da condição designada por hiperglicémia. A continuação desta condição, por um tempo mais ou menos longo, desencadeia perturbações mais ou menos graves em vários sistemas como o circulatório e o renal, entre outros. De facto, a excessiva concentração de glicose no sangue, e de forma crónica, causa danos, muitas vezes irreversíveis, sobre estruturas funcionais de vários órgãos. Por isso, o conhecimento geral atribui à insulina um papel central na regulação da concentração plasmática de glicose. Mas, sabe-se hoje, a insulina desempenha muitos outros papéis.Por outras palavras, sabia-se que a insulina regula inúmeras vias metabólicas ligadas à homeostase da glicose. Mas são pouco mencionados muitos outros papéis da insulina que, apesar de poderem parecer secundários, no mínimo contribuem para o normal funcionamento do organismo como um todo. Sabe-se que a insuficiência renal pode ser originada ou acentuada pelo menos indirectamente por uma insuficiência insulínica. Mas o que não se sabia e foi agora publicado num artigo na revista Cell Metabolism, na sua edição de 6 de Outubro (aqui) é que a presença de insulina influencia a estrutura e a função normal de um grupo particular de células renais especializadas, os podócitos (células do epitélio glomerular renal e com aspecto “tentacular”), cuja actividade é essencial para que o rim consiga filtrar o sangue e com um papel especial na retenção de proteínas importantes. Os autores do artigo conseguiram descobrir que quando a insulina deixa de sinalizar os podócitos estes cessam a sua actividade filtrante, causa directa para uma deficiente função renal. Ou seja, a presença ou não de insulina modela, desta forma, a função dos rins e este precisam desta hormona para funcionar bem. O conhecimento deste mecanismo regulador da função renal dependente de insulina vem contribuir, não só para um melhor conhecimento dos mecanismos moleculares da doença diabética a nível renal, mas e principalmente para uma compreensão mais fina e a nível molecular da regulação do funcionamento renal. António Piedade
October 8 2010, 12:04pm | Comments »







