Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra (na imagem a Welwitschia Mirtabilis, no Sul de Angola):CONFERÊNCIA"O contributo da Universidade de Coimbra para o conhecimento da biodiversidade da África Tropical"14 DE OUTUBRO | 10H00-18H00Entrada livreInscrição obrigatóriaO colóquio O contributo da Universidade de Coimbra para o conhecimento da biodiversidade da África Tropical é um tributo a todos os investigadores da Universidade de Coimbra (UC) que ao longo de séculos realizaram estudos científicos em África, contribuindo para criar e organizar as colecções de História Natural que a UC possui.As colecções de história natural que integram o espólio africano da Universidade de Coimbra são de uma relevância excepcional e em grande medida singulares. Pelo valor que têm para o país e pelo seu contributo para o conhecimento da biodiversidade dos países africanos, é importante criar uma oportunidade para apresentar estas colecções ao público em geral. O colóquio constitui também uma oportunidade para se fazer um balanço do estado de preservação e da investigação sobre a biodiversidade da África Tropical e divulgar os projectos que têm vindo a ser implementados com vista à conservação da biodiversidade nos países africanos de língua oficial portuguesa.PROGRAMA9h30: Recepção dos participantes10h00: Sessão de abertura com intervenção do Exmo. Senhor Reitor da Universidade de Coimbra10h30: A Universidade de Coimbra e o estudo da flora dos Países Africanos de expressão portuguesa, Jorge Paiva, Dep. de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra11h15: Pausa para café11h30: Importância e gestão da diversidade biológica - o caso de Moçambique, Salomão Bandeira, Prof. Associado do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo12h00: A importância da Universidade de Coimbra nos estudos de Paleontologia africana, Pedro Callapez, Dep. de Ciências da Terra, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra12h30: Debate. Moderador: Paulo Gama Mota, Director do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra13h00: Almoço14h30: Processo e dinâmica da conservação da biodiversidade na Guiné-Bissau, Justino Biai, Instituto da Biodiversidade e das Áreas Protegidas, Guiné-Bissau14h50: Herbário de Coimbra: construção de um potencial para investigação, Fátima Sales, Curadora do Herbário COI, Dep. de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra15h10: O papel do Museu de História Natural na conservação da biodiversidade em Moçambique, Lucília Chuquela, Directora do Museu de História Natural da Universidade Eduardo Mondlane, Maputo15h30: Pausa para café15h50: O papel do Jardim Botânico de Bom Sucesso para a conservação ex-situ da biodiversidade santomense, Faustino Oliveira, Director do Jardim Botânico de São Tomé16h10: Biodiversidade de Cabo Verde: medidas e acções para a sua conservação, Isildo Gomes, Presidente do Instituto Nacional de Investigação e Desenvolvimento Agrário de Cabo Verde16h30: Debate. Moderador: Helena Freitas, Dep. de Ciências da Vida, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra17h15: Conclusões17h45: Sessão de encerramento
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BIODIVERSIDADE AFRICANA
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October 8 2010, 5:48am | Comments »
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Ovário Humano Artificial
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Nova crónica de António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":Os ovários humanos são órgãos onde são produzidas e amadurecidas as células germinativas, ou gâmetas, femininas. Cada ovário, como qualquer outro órgão, é constituído por diferentes tipos de tecidos, cada qual com uma função anatómica e/ou fisiológica específica.Em termos muito gerais, distinguem-se em cada ovário uma zona interna e central designada por medular, muito irrigada por vasos sanguíneos, e uma zona cortical, periférica, contendo inúmeros folículos ováricos em diferentes estádios de desenvolvimento.É no interior de cada folículo, futuras enseadas de ovulação, que se encontram os oócitos (gâmetas femininos). No momento do nascimento do ser feminino, os ovários possuem cerca de quatro milhões de folículos, cada um, por sua vez, albergando um oócito primário. Destes, só 400 se desenvolverão em gâmetas capazes de serem fecundadas por um único espermatozóide.No folículo primordial, o oócito primário encontra-se rodeado unicamente por um folheto de células designadas por granulosas. Parte destas, conjuntamente com a zona pelúcida, formarão a última barreira para a penetração do espermatozóide no óvulo. Mas as células da granulosa possuem uma actividade hormonal e reguladora insubstituível. Num sincronismo sussurrante com o oócito, espalham a notícia do estado do seu desenvolvimento, secretando para o resto do corpo feminino a hormona estrogéneo e sublinhando, com pequenas quantidades de progesterona, a etapa libertatória da ovulação.A granulosa secreta ainda uma outra hormona, a inibina, e outras substâncias que mantêm o oócito num determinado estado de desenvolvimento (paragem meiótica em metáfase II) numa cândida e imaculada espera.Com o crescimento do oócito, as outras células foliculares expandem-se e formam a teca. Esta circunda o futuro óvulo, rodeado pela granulosa, e estimula esta última a secretar estrogéneo. Com o crescimento folicular, forma-se um antro líquido marginado pela teca, como se o futuro óvulo estivesse a ser treinado para “navegar”.Diga-se, de passagem, que estas actividades secretoras estão em sintonia e dependem da concentração sanguínea de outras hormonas secretadas pela hipófise como sejam a FSH e a LH; que a granulosa desempenha papéis importantes nas primeiras etapas do desenvolvimento embrionário e na sua nidação no útero.Neste contexto, entende-se que qualquer perturbação anormal sobre os folículos pode comprometer o desenvolvimento de células reprodutoras femininas e levar a uma situação de infertilidade. É o caso de mulheres sujeitas a tratamentos anticancerígenos que podem inviabilizar a função folicular ovárica e logo a reprodutiva. Nestes casos, a prévia criopresevação de tecidos ováricos e posterior implante autólogo já permitiu o nascimento de crianças em mães entretanto sujeitas a químio- ou radioterapias.Outra estratégia é a que foi agora publicada na revista Journal of Assisted Reproduction and Genetics por investigadores da Universidade de Brown e do Women & Infants Hospital em Rhode Island (USA). Através de novas técnicas da engenharia de tecidos, mostram terem conseguido construir a arquitectura tecidular característica do folículo ovárico Humano num molde 3D de gel de agarose e que este designado “ovário humano artificial” é potencialmente funcional para o amadurecimento de oócitos.Estaremos perante uma nova esperança para a infertilidade feminina?António Piedade
September 27 2010, 8:40am | Comments »
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OVÁRIO ARTIFICIAL: ENTREVISTA COM JOÃO RAMALHO SANTOS
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Entrevista de António Piedade a João Ramalho-Santos, Investigador Principal do grupo de Biologia da Reprodução e Fertilidade Humana do CNCB e Professor Associado do Departamento de Ciências de Vida da FCTUC.António Piedade – Investigadores da Universidade de Brown e do Women & Infants Hospital em Rhode Island (USA) publicaram um artigo no Journal of Assisted Reproduction and Genetics em que mostram terem desenvolvido, pela primeira vez e artificialmente, uma estrutura tecidular tridimensional que mimetiza um ovário. O que é um ovário artificial e quais as suas aplicações actuais na medicina reprodutiva?João Ramalho-Santos – Têm sido publicados vários estudos deste género, e nenhum ainda provou ser funcional (resultando em nascimentos). Isso apenas sucedeu em modelos animais, como os ratinhos. O trabalho relaciona-se (embora indirectamente) com a área de Oncofertilidade, e com o facto de mulheres poderem perder a sua capacidade reprodutiva após um tratamento oncológico. A ideia é que se possam recolher pequenos pedaços do ovário antes do tratamento, de modo a congelá-los e a serem utilizados pela mulher posteriormente. Há várias hipóteses para o uso desses pedacinhos de ovário: ou transplantá-los para a mulher de modo a restaurar a fertilidade, ou obter oócitos funcionais in vitro, mimetizando a estrutura e função do ovário de modo a obter oócitos a utilizar em Reprodução Assistida a partir do tecido congelado.AP - Entre o nascimento de Louise Brown, primeiro bebé-proveta, a 26 de Julho de 1978, e o prenuncio de ovários artificiais fruto da actual engenharia de tecidos, decorreu uma intensa revolução na biologia celular e molecular e uma excitante evolução no conhecimento que temos sobre a fertilização e desenvolvimento embrionário. Pode-nos retratar os principais desenvolvimentos ocorridos desde então para podermos contextualizar a “passagem” do tubo de ensaio para o ovário artificial?JRS - Houve desenvolvimentos muito importantes. O maior de todos foi a introdução da injecção intracitoplasmática de um espermatozóide no oócito (ou ICSI), por Gianpiero Palermo e colaboradores em 1993. Geralmente a técnica é utilizada quando há poucos espermatozóides ou estes são imóveis, mas tem suplantado a fertilização in vitro "clássica" em muitos centros. Infelizmente podemos hoje dizer que muitos "desenvolvimentos" difundidos nos últimos anos (a aplicação de técnicas de clonagem, o uso de gâmetas masculinos imaturos, por exemplo) têm uma taxa de sucesso que nem sequer é baixa, é zero. Houve na divulgação destas técnicas alguma irresponsabilidade e excesso de mediatismo (também em Portugal) que mascarou os pequenos, mas cruciais incrementos na qualidade dos serviços prestados em termos de manuseamente e cultura de gâmetas e embriões, estimulação hormonal, e uso de técnicas (simples ou sofisticadas) para determinar causas de infertilidade e qualidade dos gâmetas, de modo a escolher os melhores. É bom as pessoas saberem que há causas para a infertilidade, que estamos a tentar (e bem) levar a cabo algo que não ocorre durante uma actividade sexual normal, por qualquer motivo, e que não há técnicas nem centros milagrosos. A taxa de sucesso do ponto de vista mundial é muito constante e ronda os 30%.AP - Após a fecundação, o óvulo fecundado “viaja”, das trompas de Falópio até ao útero, “embrulhado” em folhetos celulares provenientes do ovário. É possível esperar diferenças entre embriões desenvolvidos in vitro ou in ovarius artificialis (se me permite a designação)?JRS – É, sobretudo num dos aspectos actualmente mais em voga na biologia celular e molecular: a epigenética. Sabemos hoje que mesmo que os genes se mantenham inalterados do ponto de vista da sequência clássica de ADN, poderão sofrer alterações subtis que condicionarão a sua actividade. Está provado que alterações epigenéticas ocorrem em gâmetas e embriões cultivados in vitro (com alguns efeitos a longo prazo em ratinhos), e não seria surpreendente que ocorresse neste caso. Obviamente que o objectivo é tentar mimetizar o que sucede no humano, mas é bom lembrar que se podem fazer experiências em ratinhos que seria difícil ou impossível fazer em humanos, quer por razões práticas, quer por razões éticas.AP – Qual a expectativa da aplicação deste e outros avanços provenientes da bioengenharia de tecidos, para uma melhor compreensão quer da fecundação quer das primeiras etapas do desenvolvimento embrionário?JRS – O desenvolvimento embrionário inicia-se com a fecundação, que já ocorre nas Trompas de Falópio. No entanto este tipo de estratégia pode ser muito importante para estudar o desenvolvimentos dos folículos ováricos, no interior dos quais estão os oócitos. Pode ser obtida informação básica muito relevante, que depois ajude a amadurecer oócitos in vitro, até em casos em que tal não ocorre, por algum motivo. Nos mamíferos há sempre o problema de estes processos decorrerem internamente e serem por isso difíceis de estudar. Se pudermos mimetizar credivelmente alguns processos "cá fora" estes tornam-se mais fáceis de estudar. Desse ponto de visto todos os modelos são bem-vindos.AP – Já nasceram crianças em mulheres que receberam, após término de determinada situação clínica impeditiva de maternidade, implantes de tecidos ováricos próprios previamente crio-preservados. Estes ovários artificiais, que a gora se anunciam, não apresentarão uma grande taxa de rejeição uterina por serem “estranhos” ao organismo materno? Espera-se uma possível utilização universal destes ovários artificiais?JRS – Uma questão importante é de facto saber qual destas estratégias (transplante de pedacinhos de ovário ou o ovário inteiro; ou a maturação in vitro) resultará melhor. Relembre-se que a função do ovário é também produzir hormonas importantes a outros níveis. É muito provável que ambas possam ser utilizadas, dependendo dos casos. Em princípio o transplante de tecido ovárico ou de estruturas obtidas com células da paciente será para a própria paciente, pelo que não haverá grande risco de rejeição. Quanto aos embriões obtidos de oócitos maturados in vitro neste tipo de estrutura tridimensional há muito poucos dados mas não se prevê nenhuma rejeição uterina anormal, bastando para isso lembrar que uma mulher pode receber com sucesso embriões que não lhe são geneticamente aparentados. O embrião é uma estrutura muito "invisível" do ponto de vista imunológico, de modo a não ser considerado um corpo estranho pela mãe.AP – A crio-preservação de tecidos ováricos para futura utilização e/ou desenvolvimento de ovários artificiais representam possibilidades de resolução de situações de infertilidade devidas a problemas nos ovários naturais. Que implicações éticas nascem com estes desenvolvimentos?JRS – Não vejo que a utilização de tecido ovárico por parte da paciente do qual foi retirado de modo a restaurar a sua fertilidade (quer por transplante para a própria, quer através de cultura in vitro) levante quaisquer objecção ética, a não ser pelos que se opõem de todo à Reprodução Assistida, uma posição insustentável, em minha opinião. Imagino que tal poderá ocorrer caso a paciente infelizmente faleça e a família pretenda utilizar o tecido. Ou, eventualmente, caso a congelação ocorra por motivos pessoais (adiar a maternidade) e não clínicos. São coisas a discutir à medida que estas técnicas (ainda incipientes) comecem a ser utilizadas com sucesso por vários grupos. Algo que ainda está muito longe de acontecer, e é bom sermos comedidos no aconselhamento a pacientes, de modo a não repetir exageros passados quanto ao sucesso destas intervenções e a evitar discussões completamente inúteis. Imagino que a criação de um útero artificial, no qual trabalham vários grupos, levante bem mais questões éticas, mas esse será um assunto para outra altura.
September 27 2010, 8:34am | Comments »
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ALTRUÍSMO BACTERIANO
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Nova crónica de António Piedade saído n'"O Despertar":As bactérias, microrganismos unicelulares, colonizam o planeta Terra pelo menos há cerca de 3,8 biliões de anos. A sua origem sobrepõe-se à da própria vida tal qual a conhecemos.Sobreviveram a inúmeras e profundas alterações geoclimáticas, catástrofes ditas naturais, a colisões de grandes meteoros com o Planeta. Adaptaram-se a reagir quer à crónica alteração geológica do planeta, quer a situações agudas nos seus ecossistemas. É possível afirmar que são os seres vivos melhor adaptados aos “feitios” do planeta na sua viagem cósmica.Se pensarmos nos efeitos da acção humana sobre o planeta e constatarmos que provocamos alterações nefastas (para nós!), o que dizer da acção das bactérias sobre o condomínio Terra? Basta notar que a oxigenação da atmosfera terrestre se deveu à acção de uma espécie de bactérias púrpuras: as cianobactérias. O aumento, ao longo de milhões de anos, da concentração relativa de oxigénio até aos actuais cerca de 20%, influenciou decisivamente a evolução das formas de vida multicelular e mais complexas, que dele ficaram cativos para os seus processos energéticos. Mas continuaram a existir bactérias que não precisam de oxigénio para viver. Algumas, por exemplo as do género Lactobacillus vivem, sem oxigénio, no nosso intestino.Os microbiologistas têm dificuldade em encontrar lugares no planeta explorado que não estejam colonizados por bactérias. Há bactérias, designadas por extremófilas, que vivem em condições de temperatura, pressão e salubridade incompatíveis para a grande maioria das outras formas de vida do Planeta. Há um microrganismo, a estirpe 116 (Methanopyrus kandleri) que vive e reproduz-se a 122 °C!!!Importa dizer que, apesar de unicelulares, temos sempre de racionalizar as bactérias colocando o acento tónico na sua disseminação em colónias de bilhões de indivíduos! E que ocorre uma constante troca de informação, quer através de moléculas simples quer através de outras complexas, como as dos genes, entre a maior parte das bactérias da colónia.Aliás, podemos, sem exagerar, notar a existência de uma forma refinada de informação bacteriana disseminada em rede e acessível em qualquer ponto da biosfera!Assim, não é de estranhar que as bactérias tenham incorporado na sua máquina de sobrevivência estratégias para alertar os vizinhos colonos quando são alvo de agressões à sua integridade e sobrevivência.É o que acontece com a resistência aos antibióticos. Aliás, muitos dos que usámos primeiramente são produzidos por bactérias. De facto, no combate às que nos causam doenças, utilizamos uma estratégia composta por armas bioquímicas forjadas no cadinho primevo da própria vida.Recentemente, microbiologistas norte-americanos, de vários institutos e universidades do condado de Massachusetts, descobriram que o indol (estrutura na figura ao lado), produto da degradação do aminoácido triptofano no metabolismo bacteriano (presente de forma abundante nas fezes humanas conferindo-lhes um odor fecal característico), é uma molécula sinalizadora de stress ambiental entre bactérias da mesma espécie.Sempre que uma bactéria é atacada por antibiótico, ela activa uma série de processos bioquímicos para sobreviver enquanto indivíduo, mas também para “avisar” as restantes bactérias da colónia da agressão.Assim, através da difusão da “palavra” indol as bactérias da colónia activam processos bioquímicos que as tornam mais resistentes (aumento da actividade de bombas que expulsam o antibiótico do interior da bactéria; activação de processos antioxidantes). E para isso excreta indol como grito de aviso. Ao estudar o comportamento dinâmico de uma colónia de bactérias modelo, neste caso a Escherichia coli, face a doses crescentes de antibióticos, os autores do estudo publicado na revista Nature (aqui) verificaram que bactérias isoladas resistem muito menos aos antibióticos do que a colónia como um todo.Por outro lado, identificaram um comportamento semelhante ao “altruísmo humano”: algumas bactérias da colónia “sujeitam-se” a uma luta individual contra o antibiótico para encontrar uma forma de resistência. Se por um lado se colocam individualmente em perigo, o custo da sua perda resulta, por “tradição adaptativa”, na “descoberta” de uma solução de sobrevivência para a colónia como um todo!Note-se que este comportamento “altruísta” ter-se-á optimizado ao longo da evolução bacteriana, biliões de anos antes de os primeiros mamíferos deixarem os primeiros rastos na Terra.Uma vez que há mais bactérias no nosso intestino do que células no nosso corpo, apetece perguntar, ironizando, se haverá mais altruísmo e caridade nas nossas vísceras do que na inteira humanidade?António Piedade
September 21 2010, 9:54am | Comments »
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Entrevista a Tiago Carneiro
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Entrevista de António Piedade ao biólogo Tiago Carneiro (na foto):O Doutor Tiago Carneiro é investigador do grupo de Telómeros e Estabilidade Genética do Instituto Gulbenkian de Ciência, e acaba de publicar, como primeiro autor, um artigo muito interessante na revista Nature.António Piedade – Os telómeros, garantes estruturais da estabilidade terminal e da individualidade cromossómica, têm também um papel funcional na regulação do ciclo celular?Tiago Carneiro – Claro que sim. Os telómeros além de garantirem que as extremidades dos cromossomas continuam estáveis através do ciclo celular permitem a contagem do número de vezes que uma célula já se dividiu, o que é muito importante para as células de organismos complexos. Na grande maioria das células destes organismos, as pontas dos cromossomas diminuem em cada ciclo celular pois as extremidades dos cromossomas não conseguem ser copiadas pelos mecanismos que normalmente copiam o DNA em duas moléculas iguais a distribuir pelas células filhas. Isto faz com que em cada ciclo celular as pontas diminuam e desta forma a célula perceba o número de vezes que já se dividiu.AP – E o que é que impede à célula de se dividir infinitamente?TC - As células não se dividem infinitamente porque a partir de determinada diminuição das pontas as células param o seu ciclo de divisões. Poder-se-ia pensar que seria uma desvantagem o facto de as células não serem capazes de se dividir para sempre (afinal poderíamos ser imortais!) mas a verdade é que esta capacidade de parar o ciclo celular em resposta a uma diminuição das pontas dos cromossomas é uma protecção contra o cancro. Isto porque, quantas mais vezes uma célula se divide mais mais instável fica o seu material genético e essa instabilidade, se continuada, poderá dar origem a uma desregulação do ciclo celular. Nesse caso, as células poderiam começar a dividir-se descontroladamente e dar origem a um cancro. Um cancro começa sempre por este processo: uma divisão desregulada das células!AP – O que é que a sua descoberta acrescenta ao nosso conhecimento de como a célula se protege de danos e regula a reparação das quebras de continuidade na cadeia de ADN?TC – Quando uma célula se depara com uma quebra no meio da cadeia do ADN, o que produz duas pontas de ADN livres, pára o seu ciclo celular até que essa quebra seja reparada e as duas pontas sejam unidas. Isto é muito importante porque se a célula não reparar o ADN antes de se dividir as duas células, a que vai dar origem, vão acabar por não ter o mesmo conteúdo de ADN da célula mãe o que cria problemas ao organismo onde a célula se insere. Os telómeros por serem pontas também poderiam ser reconhecidos pelas células como quebras na cadeia de ADN. A função da estrutura telomérica é evitar que as pontas dos cromossomas sejam reconhecidas como quebras na cadeia do ADN o que seria perigosíssimo pois levaria a fusões entre cromossomas e a uma instabilidade genética que seria incomportável para a célula. O que nós descobrimos é que as pontas dos cromossomas activam as vias de reparação de quebras no ADN mas que não levam essa via até ao fim, que a cortam a meio para que as pontas dos cromossomas não sejam unidas. Com o nosso trabalho propomos também que a forma como a célula se “apercebe” das zonas do ADN que têm de ser contínuas, e portanto unidas quando quebradas, das pontas que não podem ser unidas é através de uma proteína que se liga por todo o ADN, que já era conhecida, mas que nós descobrimos que nos telómeros essa proteína tem uma forma diferente em relação ao resto de todo o genoma que tem de ser contínuo.AP – Há alguma interacção, “diálogo”, entre a reparação de uma quebra no interior do cromossoma e a estabilidade telomérica?TC – Essa é a parte engraçada e fascinante dos telómeros. Dado que ligar os telómeros uns aos outros seria catastrófico para as células seria de esperar que eles excluíssem de perto de si as proteínas envolvidas em reparar quebras e ligar pontas do ADN. A verdade é que não só não o fazem como precisam dessas proteínas para manter a sua estabilidade. Como já diz o ditado popular “Mantém os teus amigos perto e os teus inimigos ainda mais perto”.AP – Nas suas experiências utilizou leveduras como modelo celular. Qual é o grau de transposição dos resultados obtidos com leveduras para a realidade das células animais?TC – Neste caso específico, o complexo de proteínas que protege os telómeros da levedura de fissão é muito semelhante ao complexo que tem a mesma função nas células humanas. Uma grande diferença é que as leveduras conseguem compensar a diminuição do tamanho das pontas e nos humanos só uma pequena população de células o consegue fazer (as células estaminais e germinais). No entanto os mecanismos que evitam a fusão de telómeros entre si são muito parecidos. Como em qualquer outra área, as extrapolações são feitas com cuidado. Isto é, se em leveduras se sabe que determinado processo acontece de uma certa forma e que os intervenientes nesse processo são semelhantes aos intervenientes do mesmo processo em células humanas, então pode-se supor que o processo acontecerá de forma semelhante. Claro que depois isto tem de ser demonstrado mas é um ponto de partida que muitas vezes é essencial porque assim já se podem desenhar experiências muito mais focadas.AP – O conhecimento agora produzido identifica novos alvos para controlo exógeno do ciclo e viabilidade celular?TC – Como consequência do trabalho que nós realizamos sabemos um pouco mais sobre a forma como as pontas dos cromossomas se comportam. O conhecimento que nós obtivemos com o nosso trabalho é um ponto de partida. Agora que sabemos que existe uma marca diferencial entre as regiões que devem ser contínuas e não contínuas no ADN temos de perceber como é que a deposição dessa marca no ADN é regulada e como é que pode ser alterada. Claramente percebemos que se ao “brincarmos” e alterarmos de forma exógena essa marca podemos alterar a forma como a célula responde a quebras no seu ADN ou às pontas dos cromossomas e por consequência alterar a velocidade do ciclo celular.AP - Qual é, na sua opinião, a potencial aplicação biotecnológica e no desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas para doenças como o cancro, que poderão estar a jusante deste seu trabalho?TC - Perceber como é que os telómeros protegem os cromossomas de se fundirem é essencial porque essas fusões cromossómicas darão a instabilidade genómica que pode levar ao aparecimento do cancro. Assim sendo, perceber os mecanismos moleculares que evitam estas fusões é essencial. No fundo o que se espera é compreender a biologia dos telómeros para que quando a sua função está comprometida se possa actuar para a repor e evitar a instabilidade genómica e que poderá causar o cancro. Na mesma linha de pensamento esperamos compreender melhor o que se passa durante a instabilidade genómica para que se possa actuar também nesta fase e ter como alvo a destruição das células instáveis. Por fim, espera-se também conseguir controlar a divisão das células cancerígenas para poder impedir a sua proliferação. Para isto é essencial perceber a forma como as pontas dos cromossomas conferem estabilidade ao nosso genoma.
September 19 2010, 5:32pm | Comments »
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A EXTREMIDADE ESTÁVEL
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Novo texto de António Piedade saído no "Diário de Coimbra": Existem muitas diferenças entre uma célula procariótica como as bactérias, e uma célula eucariótica, como as nossas. Uma, essencial, é a de que o material genético nas células eucarióticas está confinado no interior da célula por uma membrana designada por nuclear.No caso das bactérias, o material genético está mais ou menos livre no citoplasma. Outra, é a de que as bactérias têm um único cromossoma circular, logo sem extremidades, enquanto as células eucarióticas possuem cromossomas em forma de bastonete e com duas extremidades designadas por telómeros (do grego “telos”, final, e “meros”, parte). Esta transição, na forma de empacotar a informação genética, de cromossoma circular para cromossomas lineares é ponto charneira na separação entre eucariotas e procariotas, no progressivo aumento de complexidade na evolução das formas de vida. Foi início de um novo paradigma na evolução biomolecular da vida que nos deu origem. Assim, não é de estranhar que os telómeros tenham um papel fulcral em várias etapas do ciclo celular e principalmente durante a divisão celular. Uma constante da vida é a de a função de uma determinada biomolécula ser o resultado da sua estrutura molecular. E claro, os telómeros possuem uma arquitectura adequada à sua posição extrema nos cromossomas: são o resultado da repetição de uma determinada sequência de bases do ADN que o compõe, o motivo da repetição variando entre espécies; estes motivos sequenciais permitem um arranjo tridimensional que origina não uma dupla hélice mas uma estrutura formada por quadruplexos de bases de guanina e citosina. Sabemos que o comprimento dos telómeros se reduz a cada divisão celular e daqui surge a imagem de que eles constituem uma espécie de relógio da longevidade. Na verdade, são mais um indicador da estabilidade e qualidade da informação genética. Outro aspecto importante é o de garantirem a individualidade de cada um dos cromossomas. Se algo correr mal durante uma divisão celular e os teloméricos faróis falharem, poderá ocorrer fusão entre dois cromossomas antes distintos. Como acontecimento anormal pode redundar, muito provavelmente, em morte celular ou desencadear uma divisão celular descontrolada e tumoral. Noutra perspectiva, a fusão cromossómica pode, em teoria, potenciar o aparecimento de uma nova espécie! Com uma estrutura específica, os telómeros possuem uma maquinaria proteica própria para a sua síntese, replicação, manutenção e reparação. E é na identificação destas proteínas, suas funções e a forma como elas “dialogam” com as vias de regulação dos processos celulares, que se têm verificado os avanços promissores nesta área, com potenciais aplicações no desenvolvimento de novas terapêuticas para doenças terminais como o cancro. É neste contexto que se enquadra o trabalho de Tiago Carneiro (investigador no Instituo Gulbenkian de Ciência) recentemente publicado na revista Nature: perceber como é que determinadas proteínas funcionam e permitem que os telómeros evitem que os cromossomas se fundam uns aos outros. http://www.nature.com/nature/journal/v467/n7312/abs/nature09353.htmlAntónio Piedade
September 19 2010, 2:11pm | Comments »
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O Livro da Consciência
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Informação recebida da Temas e Debates sobre o novo livro de Damásio a sair a 24 de Setembro: O Livro da Consciência A construção do cérebro consciente de António Damásio Edição: 2010 Páginas: 432 Editor: Temas e Debates ISBN: 9789896441203 23,90€ Sinopse: Como é que o cérebro constrói uma mente? E como é que o cérebro torna essa mente consciente? Qual a estrutura necessária ao cérebro humano e qual a forma como tem de funcionar para que surjam mentes conscientes?Há mais de trinta anos que o neurocientista António Damásio estuda a mente e o cérebro humanos e é autor de vasta obra publicada em livros e artigos científicos. No entanto, formulou o presente livro como um recomeço, quando a reflexão sobre descobertas importantes da investigação, recentes e antigas, alterou profundamente o seu ponto de vista em duas questões particulares: a origem e a natureza dos sentimentos, e os mecanismos por detrás do eu.O Livro da Consciência constitui assim uma tentativa de debater as noções actuais nestes domínios. Uma obra magistral que nos deixa entrever aquilo que ainda não sabemos sobre o cérebro e a consciência, mas gostaríamos muito de saber.
September 16 2010, 2:14am | Comments »
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Matizes Outonais
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Nova crónica de António Piedade, desta vez saída no sítio "Boas Notícias" (a ilustração é de Inês Massano):Maria rodopia numa dança de folhas bailarinas. Em pausas coreografadas pela sua paciência, aguarda a queda de cada folha, desde o seu ramo pendente, lá do alto daquela árvore que deu sombra amena no Verão. Ondulada pelo vento que traz notícias outonais, a copa da árvore despe-se agora do traje primaveril e os ramos afinam-se para resistirem às agruras das estações menos luminosas que já se anunciam.Maria dança o movimento da queda de cada folha até ao solo com gestos suaves, aparentes intuições de um conhecimento antigo e íntimo com a natureza. A arquitectura da folha, evolutivamente optimizada para uma máxima exposição solar, funciona agora como um amparo contra a queda gravítica. A sua forma espalmada, permite que paire e flanqueie sucessivas colunas de ar como se deslizasse por um parque de diversões. E Maria parece sublinhar o percurso da queda como se estivesse a despedir-se do verde e a saudar os matizes da paleta outonal.A partitura do vento traz a Maria e uma folha companheira num passo de dança até mim. Sentado neste banco, recebo com espanto a pergunta que ela me traz num sussurro: “Como é que o arco-íris se mete dentro das folhas? Onde é que se escondeu o azul, que não o encontro na minha dança?”.A cor das folhas resulta da interacção do espectro visível da luz solar com uma matriz submicroscópica de pigmentos. Os que “dão” cor verde às folhas, as clorofilas, são fotossintéticos. Estas moléculas estão acopladas a centros designados por fotossistemas, presentes nessas centrais solares intracelulares que são os cloroplastos.A folha que te acompanha nessa dança é de facto uma fábrica de nutrientes. A energia radiante do sol é captada e fixada em moléculas de que os açúcares, como a glicose, são exemplo maior. Sabias que num centímetro quadrado de folha verde, mais ou menos a área de uma impressão digital tua, existem cerca de 500 milhões de cloroplastos cheios de clorofila?Acrescentando metais à tarde, o sino da torre badala as quatro. Reparo que o astro-rei, entediado com o Verão boreal, já não “sobe” tão alto no horizonte. E a árvore sabe disso. A menor irradiação solar reduz a fotossíntese. Com os dias cada vez mais pequenos e iguais às noites, anúncio de equinócio, as folhas começam a desmontar o seu arsenal fabril. Hormonas vegetais orquestram esta mudança: a folha altera-se, desalojam-se as clorofilas. E o verde intenso da primavera vai desbotando à medida que a Terra avança para equinócio de Outono.Que cores sobejam? As que resultam da nova condição clorofilina. As que resultam da interacção da luz com outras moléculas estruturais. E velhos tons, até então discretos, sobressaem agora num requiem cromático de despedida foliar.Maria rodopia e revolta o tapete cromático que foi sombra estival. E rodopia num planeta que avança com uma velocidade média angular menor do que aquela com que encontrou a Primavera, há 186 dias atrás. É como se o hemisfério Norte quisesse hibernar e retardar o renascer primaveril antípoda no planeta austral.E a cada segundo o planeta avança 30 km, num rodopio incansável sobre o seu eixo inclinado, em 23 graus, sob o plano do seu caminho cósmico. Nessa dança à roda do Sol, aproxima-se de uma posição na sua órbita elíptica em que as noites crescentes igualam os dias minguantes. Isto ocorrerá no próximo dia 23 de Setembro, às 3 h 09 m da madrugada, hora universal.Maria dança e rodopia enquanto o planeta avança.
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September 15 2010, 4:54pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A FORMIGA, A ACÁCIA E O ELEFANTE
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Nova crónica de António Piedade saída n'"O Despertar":Um majestoso elefante do Parque Nacional do Serengueti (no norte da Tanzânia) contempla, pensativo, os olhares esfomeados de algumas leoas dirigidos à passagem migratória de gnus e zebras, nesta atmosfera quente e seca da estação. Gostava de coleccionar estas recordações da savana. E fazia-o debaixo da sombra protectora daquela acácia (Acacia drepanolobium) que estendia frescura ao tapete dourado de gramíneas sob o sol abrasador. A visão despertou a sua fome voraz. Mas e apesar de mesmo ali, à distância da sua tromba, se encontrar uma densa copa de folhas da majestosa acácia o elefante respeitava uma regra insuspeita e não colhia o fresco alimento.A sua memória de elefante alertava-o para a experiência gastronómica mais desagradável da sua já longa vida. Uma vez, há muito tempo, quando era um elefante jovem e incauto a gozar da recente libertação do leite materno, tinha-se afastado do seu grupo atraído pela vistosa imagem de uma acácia que prometia sombra e alimento. Cego pelas folhas frescas da acácia, enrodilhou um ramo com a sua tromba em direcção à boca faminta. Mas, uma primeira sensação de frescura foi subitamente substituída por um intenso ardor picante e vivo na sua sensível tromba. Formigas! As folhas estavam povoadas por formigas que lhe ferraram uma impressiva e douradora mensagem: esta é a nossa casa e aqui não comerás. Uma mensagem de cinco miligramas de formiga dirigida a cinco toneladas de elefante!A recordação fez com que olhasse com respeito para um formigueiro construído sobre um ramo da acácia. A visão das miríades de carreiros com trânsito formigueiro atropelou qualquer desejo de folha fresca e arrepiou-o no calor intenso da savana. Sobranceiro, o seu olhar desviou-se de novo para o horizonte de zebras e gnus que passavam atentos, não às formigas, mas às leoas.Uma equipa de biólogos da Universidade da Florida (USA) estudou este bioma africano e confirmou que a colonização das acácias por formigas, que nelas constroem os seus formigueiros, protege estas ilhas arborícolas na savana do apetite voraz dos elefantes. Esta aliança evolutiva, convivência cooperativa e sinérgica entre formigas e acácias, permite fixar grandes quantidades de dióxido de carbono em biomassa na savana e modela a paisagem com acácias de uma forma estável. O estudo foi publicado na Current Biology de 2 de Setembro (aqui).António Piedade
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September 14 2010, 6:24pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Sobrinho Simões escreve sobre gene, célula, ciência e homem
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Informação recebida da Babel:Título: Gene, Célula, Ciência, HomemAutor: Manuel Sobrinho SimõesP.V.P.: 15,00 €Sobre o livro:Neste Gene, Célula, Ciência, Homem reúnem-se os seus mais interessantes textos sobre o cancro, a genética, o Popeye e as trilobites, entre outras questões tanto científicas como sobre super-heróis. A estes acrescentam-se as suas mais importantes entrevistas, onde a clarividência do seu pensamento é também patente.Várias vezes entrevistado, surpreende o leitor pelo olhar clínico – não fosse ele médico – mas ao mesmo tempo abrangente com que analisa as mais variadas questões. A genética e o ambiente, o ADN ou a clonagem no Gene; o cancro e todas as suas ramificações na Célula; uma curta mas tão incisiva reflexão sobre genética, comportamento humano solidário e solitário na Ciência; e porque vale a pena ser cientista e humanista em algumas entrevistas seleccionadas, bem como o texto de aceitação do Prémio Pessoa no Homem.Sobre o autor:Manuel Sobrinho Simões, fundador e director do IPATIMUP – Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto, Prémio Pessoa em 2002, é um dos mais respeitados cientistas nacionais.
September 11 2010, 3:03am | Comments »









