Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:"Noite dos Morcegos" no Paço da Escolas12 de Junho | 21H00-24H00Entrada livreCom o objectivo de quebrar as barreiras entre seres humanos e morcegos para promover a conservação das populações de morcegos, o Museu da Ciência associa-se à Noite Europeia dos Morcegos, organizada ao abrigo do Acordo sobre a Conservação das Populações de Morcegos Europeus (EUROBATS).Em Portugal existem 26 espécies de morcegos e 9 encontram-se em perigo. Na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra existe uma colónia de morcegos que tem um papel activo no controlo das traças do papel.Venha participar na Noite dos Morcegos no Sábado, 12 de Junho, no Paço das Escolas, onde vamos receber dois cientistas que nos vão contar tudo sobre os morcegos.PROGRAMA:21H00A FADA PALAVRINHA E O GIGANTE DAS BIBLIOTECASCONTO / CAMALEÃOBiblioteca JoaninaPúblico-alvo: crianças21H00 – 22H00À PROCURA DE MORCEGOSDETECÇÃO DE MORCEGOS COM DETECTORES DE ULTRA-SONSPaço da Escolas22H00CONVERSAS COM CIENTISTASA VIDA (ÍNTIMA) DOS MORCEGOSLuísa Rodrigues (ICNB) e Hugo Rebelo (CIBIO)Biblioteca Joanina23H00MORCEGOS E VAMPIROSCONTO / CAMALEÃOPaço da EscolasPúblico-alvo: jovens e adultos21H00 às 24H00EXPOSIÇÃOMORCEGOS E ILUSTRAÇÕES HISTÓRICAS DAS COLECÇÕES DA UNIVERSIDADE DE COIMBRABiblioteca JoaninaACTIVIDADES SOBRE MORCEGOSPaço das Escolas- QUEM COME MAIS? A ALIMENTAÇÃO DOS MORCEGOS- ULTRA-SONS. COMO COMUNICAM OS MORCEGOS- VER COM O ECO. EXPERIÊNCIAS DE ECOLOCAÇÃO- ASAS E BRAÇOS. COMO VOAM OS MORCEGOS- ABRIGOS. ONDE VIVEM OS MORCEGOS E CONSTRUÇÃO DE UM ABRIGO- ARTE COM MORCEGOS. PINTURAS FACIAIS E ARTES PLÁSTICASOLHAR O CÉU. OBSERVAÇÕES ASTRONÓMICASPaço das EscolasOrganização: Museu da Ciência da Universidade de CoimbraColaboração: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra; Universidade de Coimbra; Camaleão (contadores: Helena Faria, José Geraldo, Marco Paulete, Pedro Correia); e Alpha CentauriAgradecimentos: FAPAS - Fundo para a protecção dos animais selvagens.
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NOITE DOS MORCEGOS
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June 8 2010, 7:41am | Comments »
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EXCELSA BIO-SINERGIA
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Nova crónica de António Piedade, saída no "Diário de Coimbra":A cooperatividade é ubíqua à vida. Isto quer dizer, que é os seres vivos cooperam entre si, desde os as primeiras células, ao longo de pelo menos 3400 milhões de anos. Cooperam para quê? Para resolverem problemas que de outra forma e sozinhos não seriam capazes de resolver, pelo menos tão eficazmente. Ou de outra perspectiva, cooperam para se ajustarem finamente às adversidades ambientais, tendencialmente no sentido de uma maior eficiência energética, com um resultado final sempre na mira: conseguirem sobreviver e propagar os seus genes. Por outras palavras, garantir uma eficiente organização e transmissão de informação bioquímica/biofísica com um mínimo de gastos energéticos e de assimilação de matéria-prima, como sejam biomoléculas ou radiação electromagnética (luz solar, exemplo principal).Há muitas evidências que a célula evoluiu no sentido de manter um estado de energia interno mínimo, com um determinado desequilibro químico dinâmico, de forma a produzir a maior quantidade de trabalho útil para a sua sobrevivência. Trabalho significa aqui, entre outras coisas, a assimilação de matéria-prima criteriosamente seleccionada para o seu interior, o movimento de um cílio que propulsione a procura de alimento ou a fuga do perigo, a síntese de biomoléculas próprias e necessárias a uma função específica e competitivamente valiosa, a duplicação da sua informação genética e estrutural para originar duas cópias idênticas de si. E tudo isto com um concomitante aumento de desordem (entropia) no meio envolvente. Aliás, a segunda lei da termodinâmica mostra que a seta do Universo aponta para o aumento da entropia. Logo, à manutenção de uma estrutura extremamente “arrumada”, como é a célula, tem que corresponder um aumento de desordem no exterior dela. Quando a célula já não consegue manter este estado “livre” de aumento de entropia, morre.É interessante verificar que a evolução da vida está salpicada com exemplos de cooperação para executar melhor está “transacção termodinâmica”. Células que se associam em colónias, inventando seres pluricelulares, com distintas diferenciações (células protectoras – pele; células contrateis – músculos; etc.) para a execução de trabalhos ou funções especificas. Numa cooperação dita sinergética. Isto é, uma cooperação em que o efeito retroactivo do trabalho minuciosamente regulado e coordenado de vários subsistemas celulares permite executar tarefas progressivamente mais complexas com um mínimo de energia, impossíveis de realizar com eficácia igual por cada uma das partes isoladamente. Como se costuma dizer, o resultado é “maior” do que a soma das partes e, tal como escrevi noutro lugar, a vida tem uma álgebra própria.É possível encontrar na natureza muitos exemplos dessa cooperação sinergética. Entre eles, há um fascinante em múltiplos aspectos: o da relação simbiótica entre as células eucariotas e as mitocôndrias.Apresento as mitocôndrias por aquilo que quase toda a gente sabe: São organelos intracelulares responsáveis pelo processamento final das substâncias ricas em energia (açúcares, gorduras) para uma forma de energia bioquímica “universal”, o ATP (trifosfato de adenosinia, um nucleótido), que a célula e o organismo de que faz parte (se for o caso) utilizam para os trabalhos mais diversos. Por exemplo, cerca de 25% do ATP produzido é “gasto" para manter os neurónios (células do sistema nervoso) activos, sem que o organismo “pense nisso"!São autênticas centrais de transformação energética (“nada se cria, tudo se transforma”, para citar Lavoisier). Através de vias metabólicas conhecidas por ciclo de Krebs (ou dos ácidos tricarboxílicos), cadeia respiratória acoplada a uma fosforilação oxidativa e a beta-oxidação dos ácidos gordos, as mitocôndrias permitem às células retirar o máximo rendimento na conversão de combustíveis como a glicose em energia na forma de ATP. E fazem isso “libertando” dióxido de carbono e água. Como oxidante, ou carburante, o próprio oxigénio molecular. Aliás, precisamos de respirar oxigénio para que as mitocôndrias consigam operar na máxima eficiência.Mas afinal, onde é que está a anunciada cooperação sinergética? É que, parece, as mitocôndrias foram outrora seres unicelulares. Algures na história da vida, parecem ter sido “capturadas” por células com núcleo como as nossas. E, em vez de uma digestão apetitosa, teve início uma “bela amizade" muito vantajosa para ambas as partes.Mas esta é a história da próxima crónica.António Piedade
June 7 2010, 6:13pm | Comments »
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HUMOR - BIODIVERSIDADE 3
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May 26 2010, 8:00pm | Comments »
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HUMOR - BIODIVERSIDADE 2
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May 26 2010, 7:59pm | Comments »
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HUMOR - BIODIVERSIDADE 1
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May 26 2010, 7:58pm | Comments »
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O LEGO DA VIDA
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Nova crónica de António Piedade, saída há pouco no "Diário de Coimbra":Quando em 2001 a empresa Celera Genomics, liderada por J. Craig Venter, e o Consórcio Internacional do Projecto do Genoma Humano, liderado inicialmente por James Watson, divulgaram as suas cartografias do genoma do Homo sapiens sapiens, foi salientado por muitos cientistas que a tarefa hercúlea que acabara de ser concluída, era só o princípio de um dilúvio de dúvidas, novas questões, novos desafios insuspeitos, algo de genuinamente próprio da melhor ciência. Foi como se se tivesse fotografado, de dois ângulos ligeiramente diferentes, a pedra de Roseta: já se conseguiam “ver” todas as “letras” e a sequência por que estão dispostas.Mas a sequenciação, em si própria, não respondeu imediatamente a questões como o que é que a sequência diz (faz), qual o seu papel na orquestra dos mecanismos celulares, qual a semântica da hiperligação existente entre frases em parágrafos (genes) e capítulos (cromossomas) diferentes e que aparentam estar envolvidos em instruções para uma tarefa particular. É que as instruções genómicas para a vida não são muito lineares. Verificamos inúmeros exemplos em que a decisão, para uma determinada característica, resulta da comunicação entre genes localizados em cromossomas distintos. Por outras palavras, o resultado da regulação e da interacção da informação inscrita nos cromossomas é muito diferente da soma das partes. A álgebra da vida parece precisar de outras operações para as quais ainda somos míopes (Newton resolveu a sua miopia desenvolvendo uma nova lente matemática para melhor descrever o movimento e a atracção dos corpos com massa!).Ademais, há ainda a considerar, para a compreensão do funcionamento celular, a interacção de inúmeras moléculas, que banham e inundam as células, transportando ondas de ordens, informações vindas de outras células, muitas tendo origem e fim em órgãos diferentes (o cérebro a controlar o movimento dos músculos com que o leitor folheará esta página, por exemplo). Muita da habilidade molecular em dar sentido a estas comunicações químicas está inscrita nos genes. Mas também é resultado das propriedades físico-químicas da interacção entre as biomoléculas. O genoma foi-se “estabilizando” ao longo da evolução, de acordo com as propriedades implícitas da matéria que também o constrói.Se pensarmos nestes blocos de biomoléculas, quer orgânicas, quer inorgânicas, como peças de Lego, talvez percebamos melhor que peças “iguais" podem cumprir perfeitamente a sua função, como parte do parapeito de uma janela ou da asa de um avião.A natureza da vida rege-se por uma economia muito ajustada dos recursos disponíveis: quando algo funciona bem, utiliza-se para o maior número de funções e interacções em que funcione com significado e utilidade. Assim, com um número reduzido de peças, consegue-se uma biodiversidade espantosa e ajustada a um meio em permanente mudança. Logo, as peças, ou algo na forma como elas interagem, também têm de ser flexíveis para poderem funcionar em ambientes diferentes dos iniciais. Caso contrário, são dispensadas, ou melhor, recicladas e transformadas noutra peça potencial. É um pouco como se os encaixes entre as peças de Lego pudessem ser ligeiramente modificados com um custo mínimo, mas com um resultado determinante: a sobrevivência do todo celular.Espreitar esta complexidade ilustra a dificuldade em recriarmos a vida em laboratório, a partir dos ácidos, das bases e algumas pitadas de sais. Mesmo já conhecendo muitas instruções genéticas, para muitas das funções celulares, montar a caixa celular a partir de uma sequência artificialmente justaposta de genes (longas sequências especificas das peças guanina, adenina, citosina e timina) continua a ser uma quimera desejada por muito boa gente, a trabalhar nesta odisseia há já alguns anos, como é o caso do Instituto J. Craig Venter, nos Estados Unidos.Na edição da revista Science de 21 de Maio de 2010, uma equipa de investigadores liderada por Craig Venter acaba de publicar (aqui ) que conseguiu reconstituir artificialmente e pela primeira vez, uma bactéria, a partir de peças de lego bioquímicas.Não, não se trata de um novo jogo de computador. Trata-se de bioengenharia laboriosa (15 anos e 40 milhões de dólares) e deslumbrante. O modelo utilizado foi o Mycoplasma mycoides, uma bactéria com mais de um milhão de pares de bases no seu único cromossoma circular. Dadas as implicações éticas e discussões filosóficas que qualquer nova tecnologia da vida trás consigo, a equipa de Venter, ironicamente, substituiu 14 genes que conferem patogenicidade (em cabras) ao M. mycoides, por frases codificadas na sequência de letras do ADN genómico com os nomes dos elementos da equipa de Venter, um sítio da Internet e várias citações famosasAparentemente, esta versão culta do M. mycoides é capaz de se dividir, uma das características da vida. Veremos se as frases introduzidas por Venter resistem a mutações deletérias e à implacável selecção natural.António Piedade
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May 24 2010, 5:14pm | Comments »
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O genoma Neandertal em números
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A proposito da excelente crónica de António Piedade acerca da sequenciação do genoma do Neandertal, deixo aqui alguns números acerca de mais este incrível feito da ciência e da técnica, que me impressionam:- Foram sequenciadas 4000000000 (quatro mil milhões) de bases, a partir de amostras provenientes de três indivíduos.- O ADN extraído dos fósseis está extremamente degradado, partido aos bocados: 200 bases é o tamanho médio dos fragmentos de ADN encontrados.- Os extractos de ADN usados contém apenas entre 1,5% a 5% de ADN de hominídeos.- 95% a 99% do ADN obtido a partir dos fósseis é de organismos não primatas (microrganismos que colonizaram os ossos).- Acresce ainda o risco de contaminação com ADN de humanos modernos, o que exige grandes cuidados.- O genoma do Neandertal foi comparado com o de 5 humanos actuais, de diferentes partes do mundo.- Tal como qualquer projecto de sequenciação de um genoma de um primata foi realizado por uma grande equipa. O artigo é assinado por 56 autores ligados a 21 instituições.É uma agulha num palheiro com muita gente à procura!
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May 11 2010, 8:21am | Comments »
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A biodiversidade nas fontes hidrotermais
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O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra organiza, em colaboração com o Jardim Botânico da UC e vários centros de investigação, um conjunto de conferências sobre biodiversidade, procurando uma reflexão sobre esta, no Ano Internacional da Biodiversidade.O ciclo inicia-se hoje com uma conferência por Milton Costa do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, pelas 17 horas, sobre a biodiversidade nas fontes hidrotermais.Consultar em: http://www.museudaciencia.pt/ou na pagina do ciclo de conferências.O Prof. Milton Costa é meu colega de departamento e foi meu professor, quando frequentei Biologia em Coimbra. E foi um dos professores que me marcaram, pela forma inteligente e entusiasmante com que leccionava sobre o fascinante mundo dos micro-organismos (precisando: bactérias) e das nossas estruturas de defesa contra os mesmos. Temos hoje cada vez mais a noção da importância desses micro-organismos na evolução dos organismos pluricelulares como nós.Mas é sobre a biodiversidade nas fontes hidrotermais e as incríveis adaptações de bactérias capazes de sobreviver em ambientes com temperaturas de centenas de graus que Milton Costa irá falar. Na realidade as fontes hidrotermais têm sido uma fonte de conhecimentos e de ideias sobre a variedade de adaptações dos organismos e os limites das condições de vida absolutamente extraordinária.Há alguns grupos portugueses a estudarem a biodiversidade nessas regiões oceânicas, como o grupo de Milton Costa, em Coimbra e do Ricardo Santos nos Açores.
May 5 2010, 8:26am | Comments »
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A biodiversidade nas fontes hidrotermais
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O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra organiza, em colaboração com o Jardim Botânico da UC e vários centros de investigação, um conjunto de conferências sobre biodiversidade, procurando uma reflexão sobre esta, no Ano Internacional da Biodiversidade.O ciclo inicia-se hoje com uma conferência por Milton Costa do Departamento de Ciências da Vida da Universidade de Coimbra, pelas 17 horas, sobre a biodiversidade nas fontes hidrotermais.Consultar em: http://www.museudaciencia.ptou na pagina do ciclo de conferências.O Prof. Milton Costa é meu colega de departamento e foi meu professor, quando frequentei Biologia em Coimbra. E foi um dos professores que me marcaram, pela forma inteligente entusiasmante com que leccionava sobre o fascinante mundo dos micro-organismos (precisando: bactérias) e das nossas estruturas de defesa contra os mesmos. Temos hoje cada vez mais a noção da importância desses micro-organismos na evolução dos organismos pluricelulares como nós.Mas é sobre a biodiversidade nas fontes hidrotermais e as incríveis adaptações de bactérias capazes de sobreviver em ambientes com temperaturaas de centenas de graus que irá falar. Na realidade as fontes hidrotermais têm sido uma fonte de conhecimentos e de ideias sobre a variedade de adaptações dos organismos e os limites das condições de vida absolutamente extraordinária.
May 5 2010, 8:04am | Comments »
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A herança genética de Eva
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Novo artigo de António Piedade, saído no "Diário de Coimbra":Eva é uma criança de cinco anos que sofre de síndrome de Leigh, uma doença rara que ataca o sistema nervoso central, interferindo gravemente no seu desenvolvimento cognitivo e controlo motor.Eva herdou esta desordem pelo lado materno. A sua bisavó também sofreu enquanto criança mas conseguiu recuperar até a adolescência. Para identificar a causa genética da doença de Eva e para desenvolver uma terapia a ela ajustada, foram efectuadas a ela, à sua mãe e irmãos, análises bioquímicas e genéticas. Contudo, as análises aos genes do seu ADN e ao dos seus familiares directos revelaram-se infrutíferas na identificação da anomalia hereditária. E porquê? Porque o problema não residia no ADN dos cromossomas nucleares herdados da sua mãe (e também do seu pai), mas sim no ADN dos cromossomas circulares existente nas suas mitocôndrias.A mitocôndria é um dos organelos mais importantes que existem dentro das nossas células. São autênticas centrais energéticas responsáveis pela última e mais eficiente transformação dos nutrientes energéticos que ingerimos, transferindo a energia que eles contem para uma moeda franca em forma química, o ATP, utilizável em qualquer processo orgânico que precise de energia: pensar, correr, amar. Possui numa das suas membranas, a interna, uma cadeia complexa de metalo-proteínas que transportam electrões até ao oxigénio molecular que inspiramos, num processo que envolve a bombagem de iões hidrogénio de um compartimento para outro, gerando assim a força motriz para a síntese de ATP. As semelhanças com as células de combustível (hidrogénio) são impressionantes.Quando alguma coisa causa um mau funcionamento da mitocôndria isso vai repercutir-se em instabilidade celular de que pode advir doença do organismo.A mitocôndria possui os seus próprios genes num cromossoma circular do qual possuem várias cópias. Os genes codificam o manual de instruções de algumas das proteínas de que ela “precisa” para funcionar. Curiosamente muitas das outras proteínas que a compõe, estão codificadas não neste cromossoma mitocondrial, mas nos cromossomas nucleares da célula. Ou seja, não temos só informação genética nos 46 cromossomas que herdamos dos nossos progenitores (23 do pai, 23 da mãe), mas também no cromossoma circular mitocondrial. Só que, herdamos mitocôndrias só da nossa mãe. As mitocôndrias que existem nos espermatozóides, geradoras da energia necessária para que eles atinjam o óvulo e o fecundem, são selectivamente destruídas pelo óvulo uma vez nele interiorizadas. Resumindo, de geração em geração a linhagem do ADN mitocondrial é quase 100% materna.Ora foi através do estudo comparado da sequência deste ADN mitocondrial, em várias populações humanas e outras espécies de hominídeos, que foi identificada, em 1986, a Eva mitocondrial (ou seja, a nossa mãe primeva), ou seja o ancestral comum mais recente por via materna, de todos os seres humanos actuais, que terá vivido em África há cerca de 150 mil anos (aqui).Note-se que esta Eva mitocondrial é do género Homo e não corresponde ao fóssil com 3,2 milhões de anos baptizado por “Lucy”, descoberto na Etiópia em 1974 e que é do género Austrolopithecus.Neste contexto, refira-se que foi também através da análise e comparação do ADN mitocondrial extraído de uma falangeta fossilizada e encontrada no ano passado, numa gruta na Sibéria, que foi possível identificar uma terceira sub-espécie humana, ao que tudo indica, contemporânea do H. sapiens sapiens e do H. sapiens neandethalensis: o Homem de Denisova (aqui).Como as nossas, as mitocôndrias de Denisova também descendem da Eva mitocondrial.
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May 3 2010, 5:26pm | Comments »







