Destaco do jornal "i" de ontem (número cem, muitos parabéns!) o final do artigo da jornalista do New York Times, Maureen Dowd:"A Internet iria ser supostamente o paraíso da livre expressão, sem censura a cada passo e onde todos pudessem finalmente ter voz. No entanto, neste infinito reino da verdade, muitos querem esconder-se. Quem são essas pessoas, prontas a dizerem o que pensam sem no entanto dizerem quem são? Que mentalidade os leva a incomodar-nos, ficando escondidos por detrás de uma máscara? Os pseudónimos têm um historial nobre. Os revolucionários em França, os primeiros colonos dos EUA e os dissidentes soviéticos usaram-nos. O grande poeta Fernando Pessoa servia-se de heterónimos para escrever em diferentes estilos e até para rever as obras criadas pelos seus alter egos. Como escreveu Hugo Black em 1960, "É evidente que o anonimato tem por vezes sido utilizado para os mais construtivos dos fins". Mas, na Internet, serve menos para se ser construtivo do que para encobrir a cobardia. "
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SOBRE OS ANÓNIMOS DA NET
http://dererummundi.blogspot.com/2009/09/sobre-os-anonimos-da-net.html
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September 1 2009, 5:01am | Comments »
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TRÊS MIL "POSTS"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/tres-mil-posts.html
O contador deste "blogger" informa-nos que já ultrapassámos o número de três mil "posts", nos nossos dois anos e poucos meses de actividade. É mais um número redondo que temos gosto em assinalar.Embora neste período estival, a publicação seja mais espaçada, o referido contador vai continuar a contar...De Rerum Natura
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August 20 2009, 4:50pm | Comments »
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FIM DA INTERRUPÇÃO DE COMENTÁRIOS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/fim-da-interrupcao-de-comentarios.html
Considerando as opiniões dos leitores que nos foram enviadas, reatamos a afixação directa de comentários, embora havendo moderação destes. Esperamos assim não só prosseguir como intensificar o diálogo com os leitores.De Rerum Natura
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August 11 2009, 12:17pm | Comments »
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SOBRE A INTERRUPÇÂO DE COMENTÁRIOS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/08/sobre-interrupcao-de-comentarios.html
A opinião recebida do leitor Alexandre Wragg Freitas sobre a actual interrupção da afixação automática de comentários no De Rerum Natura, um assunto que continuamos a avaliar. É claro que a opinião recebida dos leitores pesa nessa avaliação. Entretanto, publicamos esse comentário, como temos feito com todos os que recebemos:Constato, após um período de ausência, que os autores do "De Rerum Natura" optaram por interromper a publicação de comentários. Tenho pena que tenham tomado essa decisão.Concordo integralmente com a opinião do João Sousa André. Mas acrescento.Desde há tempos que tenho notado um certo mal estar dos autores do blogue com as opiniões de outros, sejam eles comentadores do blogue ou não. Parece-me que há um problema fundamental que os autores deste blogue ainda não ultrapassaram, nomeadamente o de optar entre (1) uma divulgação massificada, sujeita a debate e discussão, sujeita a todo o tipo de contra-argumentos, de estilos de exposição, de temperamento ou (2) uma divulgação que eu diria aristocrática, de elites para elites, sem direito a resposta.Todos nós (eu também) desejamos unir os benefícios de ambos: uma divulgação para todos, sim, mas em que todos se respeitam e em que todos têm ideias e comentários "razoáveis". Mas isso não é possível sem a existência de uma relação de poder capaz de triar e de separar, como disseram, o trigo do joio. E isso, por sua vez, levanta sempre duas questões bicudas: a de saber qual é a legitimidade desse poder e a de saber o que fazer com o joio.Em geral, estratégias que se pretendem inclusivas mas que fazem depender a inclusão de determinadas condicionantes acabam por ser exclusivas.A grande maçada das tentativas de inclusão é precisamente a de nos obrigar a esburacar através das diferenças, com o desconforto e o desagrado associados, e sem garantia de sucesso.Para mim, ler os jornais não é diferente de ler os comentários anteriormente publicados no "De Rerum Natura". Misturado com muito lixo há também muitas coisas interessantes. Mas mais do que isso, a exposição, em doses controladas, a elementos patogénicos aumenta as nossas defesas naturais. E ainda mais, permite (pelo menos tentar) compreender o outro lado da barricada. Permite incluir e integrar.Por isto e porque, como disse, concordo com as demais críticas do João Sousa André, o meu interesse no acompanhamento do vosso blogue tem diminuido drasticamente. Se eu quiser ciência tenho outras fontes onde a ir procurar. O debate aberto e livre, com todas as suas aberrações, esse sim, é que não vem nos livros.Cumprimentos e boas opções.Alexandre Wragg Freitas
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August 10 2009, 10:48am | Comments »
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#BlogConf 6: José Sócrates (e a política)
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-6-jose-socrates-e-a-politica/
Não era a primeira vez que estávamos a um metro um do outro, mas não nos conhecíamos pessoalmente. Cumprimentou-me, tinha o trabalho de casa feito, sabia quem eu era. Esse é um dos seus pontos fortes. Fixa o que lhe dizem, é rápido, rapidíssimo, um segundo e trata o blogger pelo nome e, tendo dele alguma referência anterior, mete-a na conversa. Espreitou pelo canto do olho o dístico com o nome? É claro que sim, mas fê-lo uma vez e sem se dar por isso. 20 bloggers, 4 horas a responder, enganou-se uma vez. Deve ser fácil de “brifar”. Que não, respondi eu sem falsa modéstia, não sou assim tão popular, tenho — como o senhor Primeiro Ministro — um bom lote de pessoas que me detestam por alguma razão, as mais das vezes inventada. (Ao contrário dele, que tem mais que fazer, eu não deixo os meus “inimigos” sem alimento. Feed the troll. Sede compreensivos, fazem parte do ecosistema.) Ao longo da sessão fixo alguns detalhes. Deve ter uma memória prodigiosa. Em quase quatro horas não puxou de um papel, não se socorreu de um dossiê — e debitou relações e números como quem bebe água. Bebeu água, a propósito. Pouca. Houve uma altura, aí entre a 15ª e a 16ª pergunta, o cronómetro nas 3 horas e o meu Mac a pedir emprestada energia ao cabo do Rui Grilo, em que me pareceu com a boca seca e um ar cansado. Preparei-me para uma pausa maior — mas qual, recuperou no segundo seguinte. O secretário-geral do PS e recandidato a Primeiro Ministro gosta de falar. Usando a frase de um próximo, dá-se bem no registo de proximidade. Fica melhor que na televisão e no soundbyte. Gosta de conversar e tem ideias, uma visão, uma linha. Aquela cena do político executivo, que é algo geracional, do PM-regisconta, não se aguenta 3 minutos: dou por mim à procura, no google da cabeça, de líderes do século passado, homens apaixonados pela política, para comparar, re-encaixar, etiquetar. Bem sei que estamos numa acção que para ele é de pré-campanha; não vê os bloggers como vê os jornalistas — ou talvez seja porque está disposto a um diálogo generoso, para (tentar) corrigir a má imagem do seu passado com “a blogosfera” (aspas minhas; se há altura em que não se deve generalizar, é esta a altura. Um blogger não são bloggers). Ou então está só bem disposto e tem tempo. Escuta atenta e pacientemente as perguntas — outra surpresa, Sócrates na televisão parece impaciente, irritado até, ou irritadiço. Por duas vezes eu próprio me perco, mas afinal qual é a pergunta, mas Sócrates não. Com uma Futura de feltro grossa — má escolha de caneta, acharei eu — toma notas de uma frase, duas palavras, um nome. Desavergonhado, espreito de soslaio. São miras técnicas: da pergunta apanha, com um treino que me deixa admirado, parece treino de jornalista, os termos chave que indicam o tema. Setas a balizar a sua resposta. Depois, nem as olha. Faz-me lembrar as minha cábulas no liceu. Uma vez escritas, pequenos papelinhos que iria esconder nas mangas, botas e livros ficavam inúteis: escrever serve os olhos fotografarem, o cérebro depois enquadra. Surpreso, eu, no final, muito para lá do final: Jorge Seguro Sanches falara-me em hora e meia, hora e três quartos e íamos nas 3 horas e um quarto de diálogo quando se conclui a primeira ronda e lhe pergunto se quer continuar, tinha ficado um par de questões pendentes, e vou dizer, mais uns 5 minutos, 1 pergunta?, Sócrates antecipa-se e propõe, naquela voz Ricardo Araújo Pereira, mais meia hora, 15 minutos, Paulo Querido. Está tudo ao contrário, desisto e olho cúmplice para a minha Ana. Vamos lá a isto. Do que ele disse retenho o que mais me interessa. Gostei de ouvi-lo dizer que a sua geração (que é a minha, é quase 3 anos mais velho que eu) tratou mal os gays, assumindo um erro colectivo. Daqueles que envolvem uma dose de coragem e outra de convicção — ou ambas. A propósito de coragem e de convicção, a primeira é nele traço evidente há muito, a segunda ressalta de facto mais na proximidade, ambas explicam a sua resistência e a resiliência no cargo, numa legislatura maldita que arrasou outros ministros e careceu de uma remodelação. Encolheria os ombros se me lesse: Sócrates olha pouco para o leite derramado lá atrás. Adiante. Penso que as reformas na educação, sendo imperfeitas, eram necessárias e julgo que o seu sucesso se mede na proporção do ódio que geraram, um ódio corporativista. Mas das reformas geralmente só se percebem resultados concretos, para além das irritações cutâneas dos sectores, passados alguns anos, uma ou duas legislaturas depois. Mais lentas em áreas onde a demografia tem um papel. E entretanto quem as faz é punido pelo eleitorado, que na sua maioria detesta reformas e não as compreende (são sempre as minorias que as pedem). Os professores são, bem vistas as coisas, os únicos inimigos realmente organizados do PS. E temíveis, pude recomprovar no rescaldo da BlogConf. O resto é guerra de guerrilha. Estou com ele na insistência no Estado como motor da economia — embora desconfie que estou um bocadinho menos, a minha costela anarca gosta do Estado magro e bem passado. Mas num país com rarefacção crónica de elites, onde quem é capaz pouco desenvolve e muito aproveita, onde o Estado sempre foi, e é, visto como o pai protector mesmo por aqueles que reclamam contra, e numa crise que mais encolheu uma classe empresária já de si alérgica ao risco e ao empreendimento e favorável ao encosto e à pedinchice, se não for o Estado a mola, o agente provocador, quem será? A meia dúzia de excepções à regra ficam bem na fotografia para dar o exemplo e vender revistas com capa de luxo, mas não chega para fazer carburar o país. A alta finança já indicou, claramente, ser favorável à opção do TGV e eu suspiro de alívio. Duas vezes: uma por Sócrates, que isso o ajude na função, e outra por mim, que quero ver o país reforçar as linhas que o ligam à Europa. A vocação atlântica é muito bonita e tal e romântica e assim, mas o isolamento persistente é a razão primeira do nosso atraso face à Europa e insistir nele é má ideia, sejam quais forem os argumentos usados. Tenho dúvidas sobre o aeroporto. Não quero mais estudos — ou por outra: não quero mais estudos dos mesmos, mas nunca vi levado em linha de conta o futuro da aviação comercial. É, no mínimo, incerto. Não custava muito prever desde logo a hipótese de ter de mudar o desenho do aeroporto, os aeroplanos do ano 2025 não serão necessariamente os de hoje. Atrevo-me mesmo a dizer que não serão de todo em todo propulsionados como hoje. Prevenir é poupar. Termino com algo que me afasta do PS e da esquerda. A energia. Está tudo bem com as renováveis, sejam não convencionais (ondas, vento) ou convencionais (hídricas), os carros eléctricos (clap clap clap), tudo. E é pouco. E o problema é esse. Toda a energia é pouca. Eu tinha a secreta esperança de ver a opção nuclear em cima da mesa, para começo de conversa. José Sócrates foi claro: não entra na agenda. É pena.
July 31 2009, 8:00am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
#BlogConf 5: os bloggers
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-5-os-bloggers/
Os bloggers aderiram como eu esperava e comportaram-se como eu esperava, quase à vírgula. Falo do universo ds presentes e inscritos, caberá a cada um de nós aceitar até que ponto uma fracção ínfima da blogosfera pode ser representativa dela. Foram correctos e educados. Dispunham de uma única pergunta, o que é um pouco limitativo e deixa à sorte algum papel: pode ser a pergunta mais feliz, u a mais infeliz. Os bloggers à partida mais críticos não foram, em regra, os mais contundentes nas questões. Não me surpreendeu. Por exemplo, já antes vira Rodrigo Moita de Deus (31 da Armada) preferir os assuntos laterais onde pudesse ter graça, ou apanhar a pessoa de surpresa, do que atalhar a direito. Mas as suas descrições em directo da BlogConf arrancaram-me um par de sorrisos, igualmente em directo, e por um triz não soltei uma gargalhada. Refiro ainda a atitude de João Gonçalves, porventura o blogger crítico mais cerrado dos presentes, e dos mais admirados pela ala direita e respeitado em geral. O seu artigo manteve-se fiel à linha do Portugal dos Pequeninos e não se importou de, uma vez não são vezes, “dizer bem de Sócrates” — mesmo sob pena dos leitores, identificados e anónimos, o zurzirem nos comentários pela blasfémia. Não lhe ofereci ajuda porque a dispensa, tem dedos para os aguentar e a mais um bando dos comentaristas a soldo que topo à légua, sobretudo porque não se preocupam em esconder o ferrete do barão que manipula os seus neurónios. Ouvi comentar, finda a sessão, que “afinal” os bloggers eram “macios”. Dois pontos? Em primeiro lugar, os bloggers estão habituados à crítica resguardada. Há um teclado, um rato e um monitor entre eles e o objecto da crítica. Não é a mesma coisa que fazer um face a face — ora, até um telefonema é mais complicado, comporta alguma exposição ao outro. Em segundo lugar, os bloggers não são inquiridores profissionais, como os jornalistas. Ou, vá lá, inquiridores regulares. Dispõem de poucas (ou nenhumas) ocasiões para realizar entrevistas. Refiro-me a entrevistas a pessoas com algum tipo de destaque, como os políticos em exercício ou candidatos, bem entendido. Uma escassa minoria tem algum tipo de acesso também escasso, outra minoria gostava de o ter e consegue projectar que o tem, como aqueles jovens adultos que contam aos amigos o empolado número de conquistas, e a imensa maioria não tem acesso algum. Sabendo disto, não me surpreendeu a verificação, mais uma vez, da suposta “cobardia” do blogger, um gigante a criticar refugiado atrás do teclado, mas incapaz de fazer a pergunta quente quando em presença do entrevistado. (Piora dez vezes quando o entrevistado é o Primeiro Ministro. Piora 50 vezes quando o Primeiro Ministro é José Sócrates.) Suposta e entre aspas porque não me parece que seja cobardia alguma. É apenas menor experiência e míngua de oportunidades. Até por isso, esta BlogConf foi — em meu entender — importante. Deu um passo mais à frente no caminho da normalização do papel do blogger no espaço do debate público, contribuindo para diminuir a sua dependência dos media tradicionais e dos jornalistas, que ainda dispõem de acesso privilegiado à classe política. Um caminho iniciado em eleições mais antigas, mas que teve passos firmes, finalmente, este ano, com uma reunião de Paulo Rangel com bloggers, a participação da líder do PSD num evento, e as transmissões directas do MEP — o partido praticamente feito “em cima” da Internet. Assumindo a abertura e o risco dos espaços não-controlados, a BlogConf foi mais longe que a mera acção de campanha e marcou o território comunicacional posicionando-se na zona das conferências de Imprensa. Com as quais, aliás, se virá um dia a misturar, acredito. Esperando que venham a realizar-se mais, no âmbito do PS bem como de outros partidos e entidades, sei que o naipe de bloggers que participou desta primeira BlogConf não se repetirá. Sei que melhoraremos os processos de inscrição e selecção, que são tremendos e complexos — basta ver as reacções das dezenas de bloggers que ficaram de fora e gostariam de ter estado lá para perceber que a blogosfera não tem dúzia e meia de publicações candidatas à acreditação ordeira: tem centenas a acotovelarem-se por um lugar. E sei que os próximos já estarão mais à vontade que estes para o face a face. Adenda: mentes cabalísticas afirmam, quando não insinuam, que as perguntas dos bloggers foram encomendadas. Julgam estar a insultar Sócrates. Não estão. Estão a insultar os bloggers presentes. E isso é mau. É desleal. Devo isto aos bloggers, para quem o evento foi concebido: as perguntas não foram sequer escrutinadas, antes da sessão ou já dentro dela, quanto mais encomendadas.
July 31 2009, 2:30am | Comments »
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#BlogConf 4: a maratona
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-4-a-maratona/
A maratona. Uma conferência inédita onde 20 bloggers de todos os quadrantes puderam inquirir livremente o candidato e Primeiro Ministro José Sócrates — e fizeram-no –, o homem dispôs-se e aguentou firme quase 4 horas, houve perguntas pertinentes e respostas que merecem atenção. Para a maior parte dos presentes, foi a primeira oportunidade de estarem tão perto de um governante recandidato e disporem da sua atenção exclusiva: Sócrates esteve sentado as 4 horas, não tocou nenhum telemóvel, nada o distraiu, falou a 20 pessoas pelo nome, enganou-se num deles.
July 30 2009, 2:00am | Comments »
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#BlogConf 3: o formato
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-3-o-formato/
O formato. Francamente, acho um sucesso. Uma conferência aberta, de inscrição limitada apenas pelo espaço, é mais adequada para acções informativas — as minhas favoritas e as que considero mais úteis para todos. Por oposição, as conferências fechadas, para apoiantes, são mais adequadas a sessões propagandísticas — e as de que não gosto, e que considero somente úteis de um ponto de vista instrumental da comunicação. Recuperando analogias da política, a BlogConf é a vantajosa herdeira das sessões de esclarecimento, enquanto as reuniões com apoiantes e blogo-atiradores equivalem a comícios com sermão, liturgia e cânticos. Os problemas do formato são dois, ambos corrigíveis. A montante, é preciso cuidado na inscrição, ou na definição, dos participantes. Com a Comunicação Social é fácil: o número é menor, a estrutura é rígida e as marcas, conhecidas. Por oposição, na rede é difícil: o número é GIGANTESCO (e pior, hipersensível a qualquer tipo de exclusão, a começar pelo termo), a estrutura é fluída e as marcas, na sua maioria, desconhecidas. Optei por inscrição livre, limite por ordem de inscrição (a escolha do wiki teve também a ver com a facilidade dos timestamps, automáticos, e com a sua transparência, uma vez que todas as alterações, e quem as fez, são visíveis por toda a gente); a difusão em primeira mão pelos círculos próximos (distribuição viral, portanto) dava alguma garantia de não exclusão de blogs “emblemáticos”, ao mesmo tempo que não favorecia nenhum em particular e permitia aos mais interessados dos “não-emblemáticos” inscreverem-se. A parte a montante correu bem. É melhorável: aquele software de wiki é demasiado simplista, por exemplo, e é preciso uma alternativa, pois que reparei, com surpresa, que cinco anos depois do boom uma parte substancial dos autores web continua a não ter uma competência hoje básica: editar uma página de wiki. Se voltar a fazer uma destas, tomarei isso em conta. A jusante o problema está na quantidade de participantes e perguntas. Com profissionais de conferências informativas — com jornalistas — teríamos concluído a ronda de 20 perguntas dentro do tempo calculado: hora e meia, hora e três quartos. Com bloggers, foram mais de três horas, perto de 4. Porquê? Sentem-se: o problema esteve menos nos bloggers e mais em José Sócrates! Ao contrário do que é tradicional neles (apresentam em regra apetência por longas dissertações antes de perguntas triviais) os bloggers na BlogConf foram sucintos e rápidos. Mas foram também… pacientes. José Sócrates tem experiência de tribuno e gosta genuinamente do debate político. Entusiasma-se — e aí vai ele, lançado nas explicações ou entusiasmado nos projectos. 20 jornalistas teriam começado a levantar-se da sala, a olhar para o relógio, orelhas a arder dos berros do chefe, ao telefone. 20 bloggers tinham tempo e estavam a fazer história: ninguém arredou pé. Conclusão: é necessário doravante levar em consideração as características do sujeito inquirido e balançá-las com o número de perguntas, sob pena de a sessão se prolongar demais. Uma alternativa, suponho, é prever um curto intervalo (como às vezes acontece nas audiências da AR).
July 29 2009, 9:04am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
#BlogConf 2: a pergunta
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-2-a-pergunta/
O formato era: uma pergunta por blogger. Apresentação do formato, seguido da minha pergunta a José Sócrates. Que respondeu. A ver e ouvir:
(Todos os videos da conferência aqui)
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July 29 2009, 5:00am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
#Blogconf 1: o webcast
http://pauloquerido.pt/blogosfera/blogconf-1-o-webcast/
Primeiro de uma série de artigos sobre a #BlogConf, na perspectiva do organizador.
O webcast. Na minha perspectiva, a falha do webcast está empolada. Por três ordens de razão, duas orgânicas, uma de profissionalismo político. Já lá vamos. Começo por referir que o webcast era secundário. Na primeira versão nem existia; foi adicionado depressa, porque era (teria sido) efectivamente uma mais valia. Mas era isso; uma mais valia. Na origem a BlogConf era uma conferência para bloggers, um formato decalcado das conferências de Imprensa mas adaptado ao meio reticular, cuja importância na comunicação, na informação e na formação de opinião é cada vez maior. A difusão em directo traria duas vantagens: levaria a conferência a mais públicos (incluindo os jornalistas nas Redacções, curiosos ou com este serviço marcado em Agenda) e abria-a ao debate em directo, indo ao encontro da apetência das pessoas pela difusão comentada, como comprova o sucesso das conversas públicas dos debates quinzenais na Assembleia da República. Debates esses em que o próprio deputado Jorge Seguro, primeiro instigador da BlogConf, se envolveu com paixão; debates esses que também eu segui, e reforçaram o meu interesse pelo discurso político (já existia, mas de forma mais errática). As razões, Paulo Querido, as razões. Bem, desde logo os jornalistas criaram imensa expectativa pelo directo. Compreendo. O site de campanha destacou o webcast. Os títulos isolaram o webcast. Era a forma de acompanharem a conferência que, pela primeira vez, não os tinha como alvo. Razão orgânica, portanto. A outra razão orgânica é a dos twitterers. Estão habituados a ter material informativo directo para debicar, isolar, debater, conversar, retransmitir, verificar. A nata desse material é, regra geral, um video. Nem todos os acontecimentos, incluindo os de escala planetária, têm transmissão video ao vivo. Muitas vezes há também imagens. Enfim — material. E tinha-lhes sido dito que esse material ia chegar. Não chegou. Desiludiram-se. Acresce que a transmissão de twitts de dentro da sala foi também ela desapontadora. Sei por experiência própria que não é nada fácil prestar atenção a um orador e ao mesmo tempo “twittar”. É preciso encontrar o jeito. É necessária alguma disponibilidade. E naquela sala boa parte dos poucos twitterers experientes e batidos estavam ocupados demais com os detalhes para prestarem ao discurso a atenção necessária, que não é pouca, para isolar as frases-chave e as retransmitir, sem perder o fio à meada. (É isto que fazem as pessoas que “twittam” conferências.) Com mais twitterers dentro da sala, com mais fotos, teria existido mais alimento de conversa. A razão é, portanto, compreensivelmente orgânica. A razão de profissionalismo político está bem patente no tom e na habilidade selectiva dos bloggers (e também editores de folhas partidárias) que cuidadosamente, ou nem por isso, enfatizaram todos os aspectos da iniciativa por onde pudessem pegar, desvalorizando os aspectos de sucesso. Sentem ser essa a sua função e cumprem-na. Nada de mais e o zelo fica-lhes bem. A falha do webcast salvou-lhes o dia
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July 29 2009, 2:30am | Comments »





