Há fatalismos e fatalismos. Não lutamos da mesma maneira contra o fatalismo genético ("Não importa o que se faça, sempre haverá ... ") e contra o fatalismo sociológico ("Aqui e agora, não posso fazer nada"). No primeiro caso, as coisas ocorrem no registo das representações do inato e do adquirido, da natureza da inteligência, da aprendizagem, da motivação. No segundo caso, o fatalismo do fracasso não é, necessariamente, uma forma de adesão à ideologia do dom, mas pode ser um sentimento de impotência prática, na escola e na sociedade tais como elas são, ou o simples resgate de resultados medíocres em função da energia investi da. Além disso, cada professor não passa de um elo de uma corrente que começa com os pais e passa através de diversos professores, em função da divisão do trabalho educativo.Esses ônus são reais. Mas também é verdade que as pessoas que trabalham nas escolas tentam "passar a bola" aos outros: os alunos, os pais, a administração, as políticas, o "sistema". Uma parte dos professores diz "Mudem a sociedade, mudem a escola, flexibilizem os programas, diminuam as exigências, abrandem-se, diminuam o número de alunos por sala de aula, que eu me encarrego do resto". Seria absurdo negar o peso dos fatores estruturais (Perrenoud, 1988e). Porém, com "doze bons alunos três horas por dia" (Perrenoud, 1989a), não há certeza de que se diferenciaria melhor. Assumir o luto dessas imagens em branco e preto é admitir que, em certa medida, é possível diferenciar tudo logo (Perrenoud, 1986a), sem se esconder constantemente atrás do álibi dos programas, da estrutura, das condições de trabalho. Estas não passam de máscaras que evitam o questionamento dessas práticas, são formas de se negar a ver que sempre há variáveis que podem ser mudadas (Bloom, 1980), no âmbito da sala de aula, da equipe pedagógica, do estabelecimento, sem esperar "o grande dia".Philippe Perrenoud, A Pedagogia da Escola das Diferenças.
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
O luto da rejeição do bode expiatório
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June 20 2010, 5:26pm | Comments »
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