António Piedade é um bioquímico que tem mantido uma actividade importante de divulgação científica e que desenvolve actualmente projectos de comunicação visual em ciências da vida. No último número da Revista da Ordem dos Biólogos publicou um interessante artigo dedicado à rápida evolução das tecnologias de virtualização aplicada à ciência, quer para comunicação com o público como para ensino. É esse artigo que aqui se reproduz.“Saper Vedere…”Leonardo da VinciA evolução sensorial da espécie humana “privilegiou” a percepção visual do mundo envolvente. À visão estereoscópica, decisiva para o cálculo instintivo das distâncias, adicionou-se uma visão a cores, sensível desde o vermelho ao violeta do espectro solar. Se a primeira garantiu uma interacção geométrica com o espaço, potenciando o manuseamento de objectos, a construção de ferramentas, os gestos primevos de tecnologias futuras, a segunda garantiu a capacidade de detectar e identificar frutos coloridos nutritivos, vegetais tenros, no meio da vegetação densa. Isto parece também ter contribuído para libertar, progressivamente, os maxilares de “tarefas duras”, originando espaço para uma crescente volumetria craniana.A acuidade visual associada à estereoscopia e à visão a cores deu-nos vantagens competitivas. A capacidade de encontrar à distância alimentos mais nutritivos melhorou em muito, e em nosso favor, a relação entre quantidade e qualidade de nutrientes assimilados e o dispêndio em energia para os obter. Por outro lado, a panóplia de sabores e aromas associados à explosão de cores e nutrientes deve ter dado aos nossos ancestrais prazeres gastronómicos de recompensa nunca antes sentidos.Estes aspectos caldearam processos cognitivos num córtex cerebral em desenvolvimento e potenciaram a visão estereoscópica colorida à custa de outros sentidos. De facto, possuímos hoje mais células sensitivas à luz na retina do fundo ocular do que todas as restantes células associadas à percepção dos outros sentidos.Mas de nada serviria recebermos este forte caudal de informação visual do exterior se não tivéssemos um órgão especializado no reconhecimento de padrões visuais, na integração dessa informação com a de outros sentidos, na interpretação e regulação da nossa posição no espaço físico.Rede Neuronal. Imagem gerada por computador. Take the wind.Na realidade, e como já foi dito em outro lugar, precisamos do cérebro para ver. O número galáctico de sinapses entre milhões de neurónios permitiu a contemplação de imemoráveis noites estreladas, acolheu o sonho pela aventura da descoberta e do espanto, afastou o medo frio no luar prateado que aquecia a esperança de o dia nascer depressa, de um filho nascer sorrindo, de ter perto e poder olhar para um rosto afável e familiar, para o grupo, desenvolvendo uma sociabilidade nova num piscar de olho, no intervalo de uma sístole ventricular.Charles Darwin, no seu livro “A Expressão das Emoções no Homem e nos Animais”, publicado em 1879, sublinha genialmente a importância da visão na fisiologia cerebral que permite o reconhecimento das emoções nas expressões faciais e corporais. Segundo Darwin, este reconhecimento visual evoluiu entre os animais e está gravado na longa noite da ainda hoje polémica memória biológica das espécies.Sem a nossa visão não teria sido possível uma representação gráfica e pictórica do nosso mundo. Aliás, parece ser intrínseco, talvez não exclusivo, à nossa espécie contar histórias, percebê-las e recordá-las através de um pensamento visual. Registá-las para a eternidade na parede de uma gruta secreta e umbilical, escavada na madrugada erosiva de rios amnióticos.Sem a nossa visão, e a sua contínua interpretação cerebral, não teríamos desenvolvido esta capacidade de observar, tão preciosa para a ciência. Sem dúvida alguma, podemos afirmar que o método e os processos científicos são indissociáveis do uso, da percepção e do pensamento visual. Galileu Galilei começou, em 1609, a observar o universo longínquo ampliando a nossa acuidade visual através do seu telescópio. Leonardo da Vinci (1452 – 1519) considerava a observação directa da experiência como essencial para a descoberta. Deu tanta importância à observação que sintetizou o seu processo de visualização e interrogação da natureza através da frase “Saper vedere, Sapio audacter…”, ou seja, conhecer pelo ver, ousar conhecer... De facto, durante o desenvolvimento conceptual e na planificação experimental é requerido muitas vezes aos cientistas um pensamento visual muito activo. Isto quando não é a própria natureza do objecto em estudo algo puramente visual, algo tão precioso na observação da própria vida. Num exemplo, entre tantos outros possíveis, recordemos a janela aberta para mundo celular pelo microscópio, primeiramente utilizado por Antoine van Leeuwenhoek e por Robert Hooke! Desde Schleiden e Schwann (1838) que não conseguimos pensar (ver) a Biologia sem a “sua" unidade básica, a célula, e sem as ilustrações dela, utilizadas tanto para desenvolver (ou criar), como para ensinar e divulgar conhecimento científico.É de René Descartes a seguinte afirmação: “A imaginação ou a visualização, e em particular o uso de diagramas, desempenham um papel crucial na investigação científica” (1637). Vivemos actualmente numa sociedade tecnológica muito estruturada na imagem e na visualização desta. A utilização de radiação, de apropriado comprimento de onda, permite “ver” os ossos ou os vasos sanguíneos sem que o clínico tenha de destruir tecidos para os desvendar e poder fazer um diagnóstico.Muitos exemplos marcantes advêm das tecnologias de imagiologia médica. Estas vieram dar um grande impulso para o estudo e conhecimento dos processos cerebrais, assim como no diagnóstico não invasivo de inúmeras desordens neurológicas.Rosto feminino com músculos e ossos em transparência. Take the wind.Talvez um dia, num futuro não muito distante, possamos visualizar o nosso próprio pensamento visual emocionado, como aquele que já nos é permitido através das já rotineiras ecografias que permitem antever os órgãos, o perfil, os primeiros gestos do nosso futuro bebé, sem o incomodarmos na sua calma noite gestacional amniótica.Com o actual e rápido desenvolvimento da computação gráfica, associado a uma crescente acessibilidade a utilizadores não especialistas, será cada vez mais comum a visualização do “sub-microscópico”, através de representações tridimensionais animadas e interactivas, ou seja, hiper-realísticas.Será deslumbrante poder “ver” uma célula a dividir-se, em tempo real, na palma da nossa mão, e poder observar as várias etapas sob várias perspectivas, e assim melhor compreender fenómenos aparentemente complexos, mas que se relacionam directamente com o nosso dia-a-dia, com a nossa saúde!Ver além da pele. Imagem real com hiper-realismo gráfico gerado por computador. Take the wind.Como ficou dito atrás, a nossa visão a cores estereoscópica moldou a nossa percepção cognitiva do mundo que nos rodeia. Assim, os processos cognitivos estão modelados para reconhecer padrões tridimensionais multicoloridos. Por isto, não será de estranhar que a utilização de recursos educativos baseados em modelos 3D animados facilite uma melhor e mais intuitiva transmissão do conhecimento científico, entre outros. Não será de estranhar que os estudantes apreendam melhor o conteúdo residente em matérias abstractas, se o suporte de transmissão permitir a sua visualização num formato tridimensional. Sem diminuir a importância do suporte livro e os esquemas/diagramas, isto poderá ser particularmente útil na transmissão de conhecimento daquilo que não é visível à vista desarmada, daquilo que precisa de mil palavras para equivaler a uma imagem (2D). Não será de estranhar se, num futuro muito próximo, a literacia visual de professores e alunos vier a receber um enfoque cuidado e transversal a todo o ensino e a toda a prática científica, tal como defende Jean Trumbo, emérita professora de “comunicação visual e media interactivos” na Universidade de Wisconsin-Madison (USA).Nesta altura em que comemoramos quarenta anos sobre o primeiro pequeno passo do Homem na Lua, poderemos estar muito próximos de saltarmos para um novo patamar de proximidade entre o conhecimento tecnológico e científico e o público, mediado por estas novas ferramentas de visualização multimédia 3D estereoscópicas.Que ruptura paradigmática ocorrerá quando for comum o nosso médico de família receber o nosso exame cardiológico, por exemplo, anexado a uma mensagem de correio electrónico. Com um leve toque de um dedo indicador, abrir o ficheiro correspondente num programa de visualização adequado e apresentar o nosso próprio coração projectado holograficamente entre nós e ele. Explicar porquê devemos mudar de dieta e de estilo de vida (sentimos visualmente o esforço cansado do nosso miocárdio mesclado com tecido adiposo excessivo!), ampliar a visualização e destacar uma artéria coronária em perigo de obstrução por acumulação local de colesterol em excesso! Olharmos determinados para o nosso coração e percebemos que não temos tido cuidado com ele.Surgirão também novas ferramentas e perspectivas para o ensino e disseminação do conhecimento científico, aproximando cada vez mais a ciência às pessoas. O futuro da visualização, que já começou, com as suas potenciais aplicações biotecnológicas, trará uma renovada e actualizada visão sobre as interacções entre o genoma, o proteoma e o metaboloma dos seres vivos, o que permitirá, com certeza, novos momentos de deslumbramento e espanto genuíno, aliados à descoberta de novos horizontes de curiosidade que, com certeza, aumentarão o nosso conhecimento sobre o que é a vida.António Piedadeantonio@takethewind.comNúcleo I&D Take The Windwww.takethewind.com - Connecting Science to PeopleImagens de Miguel Castro @ Take The Wind
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Saper Vedere…
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October 30 2009, 12:05pm | Comments »
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"PORTUGAL ESTÁ PREOCUPANTEMENTE AFASTADO DA MODERNIDADE EUROPEIA"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/portugal-esta-preocupantemente-afastado.html
Informação recebida do Museu de Ciência de Coimbra (na imagem, cartoon de João Abel Manta):Sebastião Formosinho vai lançar, a 28 de Outubro, no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), o livro "Uma Intuição por Portugal"Portugal está "preocupantemente" afastado da modernidade europeia. O alerta é do director do Departamento de Química da Universidade de Coimbra, Sebastião Formosinho, que explora as "fraquezas" da ciência portuguesa no novo livro "Uma intuição por Portugal". A obra vai ser lançada no dia 28 de Outubro às 18 horas no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC), com apresentação do físico e director da Biblioteca Geral da UC, Carlos Fiolhais."A partir de um estudo do conhecimento tácito — o conhecimento que adquirimos por aprendizagem com os mestres vivos ou já falecidos — a obra debruça-se sobre a coesão do nosso país, sobre as dificuldades que temos de enfrentar para que possamos atingir a modernidade europeia", avança Sebastião Formosinho.Em "Uma Intuição por Portugal", o cientista analisa as semelhanças e as diferenças entre países em diversos domínios, como o da ciência ou o da educação. E é dos agrupamentos que forma a partir daí, que surgem as suas conclusões relativamente a Portugal, e nomeadamente à ciência portuguesa."Da teoria do conhecimento tácito decorre (e a obra confirma-o recorrendo à estatística) que o conhecimento científico há-de apresentar marcas culturais, dado que é realizado com uma base fiduciária da língua, das tradições, das culturas, reflectidas na geografia dos povos europeus. Estas marcas culturais estão patentes nas semelhanças ou diferenças entre países, para as configurações das diferentes áreas científicas", explica o cientista. Nesse aspecto, sublinha, Portugal está mais próximo da República Checa e da Hungria do que dos seus vizinhos geográficos, enquanto que, por exemplo, a Espanha, que tem uma raiz cultural "bastante comum" com o nosso país, "já evoluiu", encontrando-se no grupo da França, da Suíça e da Alemanha. "A Espanha aproximou-se da sua geografia de maior modernidade europeia", nota.Para Sebastião Formosinho, há em Portugal questões culturais que estão a "determinar" o nosso modo de vida e a "distanciar-nos" da geografia a que pertencemos. "Pedindo emprestadas palavras do filósofo José Gil, é o 'medo de existir' que atormenta de há muito Portugal. Um medo que arrasta consigo a inveja, a fuga ao risco, a não-inscrição, a instabilidade de estratégias políticas, institucionais, administrativas e outras constituindo já, infelizmente, uma marca cultural", explica."Dada a importância da ciência nos países desenvolvidos, o facto de Portugal se ver distanciado da Espanha e ficar numa geografia que não é a mais natural, enfraquece-nos e é motivo de preocupação futura", adverte Sebastião Formosinho. Daí que o cientista tenha decidido chamar à sua obra "Uma Intuição por Portugal", porque nela apresenta sugestões, alguma das quais "intuídas" do estudo realizado, com o objectivo de "reaportuguesar Portugal, tornando-o Europeu", isto é, de aproximar o nosso país da sua geografia natural.De resto, adianta o director do Departamento de Química da UC, já houve em Portugal a tentativa de implementar uma escola que privilegiasse o conhecimento tácito, o tal conhecimento que advém da experiência, da relação mestre/aprendiz. "Possuímos conhecimento que não conseguimos verbalizar inteiramente, pelo que sabemos mais do que conseguimos dizer. Assim, a experiência de Viseu poderia ter sido uma escola com uma vocação para o ensino do conhecimento tácito e do conhecimento explícito, graças a uma patente aí desenvolvida, intitulada HEINET (Human Education Interface Network), e que interessou operadores no campo da medicina dentária e da arquitectura".Licenciado em Física e Química pela Universidade de Coimbra e doutorado em Londres pelo Royal Institution of Great Britain, Sebastião Formosinho (nascido em 1943) é membro efectivo da Academia de Ciências de Lisboa e dirige desde 2004 o Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra. Ao longo de uma carreira académica que iniciou em 1964, foi distinguido com diversos prémios científicos, entre os quais o Prémio Gulbenkian para Ciências Básicas de 1994. Entre os cargos de relevo que desempenhou, foi Secretário de Estado para o Ensino Superior (1980-81) e presidente da Sociedade Portuguesa de Química (1992-98).
October 27 2009, 6:12am | Comments »
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Uma Intuição por Portugal
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Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade deCoimbra:LANÇAMENTO DO LIVRO"Uma Intuição por Portugal", de SEBASTIÃO J. FORMOSINHOApresentação pelo Prof. Doutor Carlos Fiolhais28 de Outubro 2009 | 18h00Todas as linguagens sejam elas matemáticas, verbais, artísticas ou religiosas têm as suas limitações. Daqui decorre que o conhecimento humano, quando se exprime em alguma delas, padece dessas mesmas limitações. Michael Polanyi veio realçar precisamente este facto para as linguagens verbais, enfatizando que sabemos mais do que conseguimos exprimir por palavras. Um tal conhecimento é designado por /conhecimento tácito/ e carece de ser ensinado e aperfeiçoado através da acção numa relação de mestre e aprendiz.Uma inovação nesta área do conhecimento numa universidade em Viseu, que poderia ter sido uma escola vocacionada para este tipo de ensino, vai-nos fazer reflectir sobre a natureza do conhecimento tácito, sobre problemas académicos e, acima de tudo, a respeito de questões culturais presentes no país e que estão a determinar o «nosso modo de vida» e a distanciar-nos da geografia a que pertencemos. O tema próximo foi um ponto de viragem na busca de novos caminhos de inovação e as acções que levaram ao seu desmantelamento. Pedindo emprestadas palavras do filósofo José Gil, é o «medo de existir» que atormenta de há muito Portugal. Um medo que arrasta consigo a inveja, a fuga ao risco, a não-inscrição, a instabilidade de estratégias políticas, institucionais, administrativas e outras constituindo já, infelizmente, uma marca cultural.Paralelamente, a teoria do conhecimento tácito vai permitir discernir marcas culturais na ciência europeia e, através delas, e em contraste com outros países, situa-nos longe da nossa geografia, junto à Hungria e à República Checa. Debilidades que se somam às existentes, mas que carecemos de estar conscientes para reaportuguesar Portugal, tornando-o Europeu.
October 26 2009, 10:29am | Comments »
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Ribossomas… Prémio Nobel da Química
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/ribossomaspremio-nobel-da-quimica.html
A habitual crónica do bioquimico António Piedade no "Despertar":É do conhecimento comum que o “manual de instruções” para a construção, funcionamento e manutenção do nosso organismo está codificado na longa molécula de ADN por sua vez armazenada nos 46 cromossomas herdados de nossos pais.Essa informação é necessária para a síntese de milhões de proteínas. Estas possuem inúmeras funções como a estrutural e/ou mecânica, de que são exemplo as fibras musculares, ou a função de fomentar determinadas reacções químicas imprescindíveis à vida num intervalo de tempo compatível com a mesma vida, como sejam as proteínas (que nesta função recebem o cognome de enzimas) que “digerem” os alimentos que ingerimos em nutrientes assimiláveis pelas células, ou as que catalisam a síntese dos constituintes celulares a partir daquela matéria-prima.Uma questão esteve sempre no pensamento dos cientistas: como é que a informação residente no ADN é utilizada para sintetizar essas proteínas?A resposta foi sendo dada à medida do avanço biologia molecular e estrutural e foi galardoada com vários prémios Nobel da Fisiologia ou Medicina e da Química (ver http://nobelprize.org/nobel_prizes/) com a confirmação que o ADN é a biomolécula da hereditariedade e a descoberta da sua estrutura em 1953 por Watson, Crick, Wilkins (Nobel 1962) e Franklin, pela elucidação dos mecanismos de síntese do ADN e ARN por Ochoa e Kornberg (Nobel 1958), pela descoberta do código genético (relação entre a sequência de bases no ADN e a correspondente sequência de aminoácidos numa proteína) no início da década de 60 por Niremberg, Khorana e Holley (Nobel 1968), elemento decisivo para traduzir a linguagem genética para a linguagem proteica. Outro avanço para a resolução deste puzzle foi a elucidação, por François Jacob e Jacques Monod (Nobel 1965) e por Andrew Z. Fire e Craig C. Mello (Nobel 2006) dos mecanismos que permitem regular a leitura e transcrição da informação genética numa “versão”, o ARN mensageiro, que viaja do núcleo (onde estão os cromossomas) para o citoplasma celular. É aqui, junto ao núcleo, que estão presentes milhões de fábricas de tradução e síntese de proteínas: os ribossomas.Os ribossomas presentes nas nossas células são estruturas compostas por 4 moléculas de ARN e por mais de 50 proteínas associadas numa arquitectura de duas subunidades: uma maior e outra menor. Da interacção dinâmica das duas subunidades e dos seus elementos constituintes faz com que a informação transportada pelo ARN mensageiro seja descodificada ou traduzida na forma de proteínas. A subunidade maior “lê” a mensagem e transmite internamente essa informação, palavra a palavra, para a “secção” de montagem e síntese da proteína nela inscrita, na subunidade menor. O ARN mensageiro atravessa assim as duas subunidades e 'a medida que é lido, a cadeia proteica correspondente começa a emergir do ribossoma (ver animação: http://pubs.acs.org/cen/multimedia/85/ribosome/translation_bacterial.html).Para o entendimento dos vários passos envolvidos neste processo é importante saber qual a posição relativa e o qual o papel desempenhado por cada um dos elementos nas duas subunidades do ribossoma. Para isso é decisivo saber a posição relativa no espaço dos milhões de átomos que compõem as moléculas que formam o ribossoma. Esta cartografia atómica é possível utilizando raios X. Esta radiação, ao interagir com um cristal de ribossomas, é reflectida originando padrões geométricos. Qual radiografia, os padrões são analisados segundo a lei de Bragg e utilizando ferramentas matemáticas que transformam determinadas características dos padrões em informação posicional dos átomos que lhes deram origem.Foi este trabalho estrutural sobre o ribossoma que deu lugar agora à atribuição conjunta do prémio Nobel da Química a V. Ramakrishnan, T.A. Steitz e A.E. Yonath. http://nobelprize.org/nobel_prizes/chemistry/laureates/2009/index.html
October 24 2009, 2:22pm | Comments »
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A FOME NO MUNDO
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Habitual destaque para a coluna semanal do fisico Robert Park:WHAT’S NEW Robert L. Park Friday, 22 Oct 09 Washington, DC1.HUNGER: THERE ARE MORE THAN ONE BILLION HUNGRY PEOPLE."Scientific experts from around the world met in Rome last week to discuss the problem of feeding a rapidly growing human population in a world facing a severe shortage of water for irrigation and the diversion of agriculture to biofuel. In his 1970 Nobel acceptance speech, Norman Borlaug, who led the green revolution, knew that hunger had not been abolished: "For we are dealing with two opposing forces, the scientific power of food production and the biologic power of human reproduction… There can be no permanent progress in the battle against hunger until the agencies that fight for increased food production and those that fight for population control unite in a common effort." A fertility rate less than two would ameliorate every problem humanity faces. What will it take for the world to learn?"
October 24 2009, 2:04am | Comments »
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GALILEU E SARAMAGO
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Minha crónica no "Público" de hoje (na imagem, representação pictórica do julgamento de Galileu):O julgamento pela Inquisição de Galileu Galilei (um homem profundamente crente e até bem relacionado com a hierarquia da Igreja), no qual ele se viu obrigado a abjurar as ideias do monge Nicolau Copérnico, por elas contrariarem a Bíblia, é bem conhecido. Também é conhecido que o Papa João Paulo II “anulou” a condenação do sábio, admitindo um erro institucional. Mas é menos conhecido que as primeiras observações do céu feitas por Galileu com o telescópio foram logo confirmadas por jesuítas. Um dos maiores astrónomos da época, o jesuíta Cristoph Clavius, que estudou em Coimbra (e que foi grande admirador de Pedro Nunes), manifestou simpatia por Galileu, embora não tivesse chegado ao ponto de admitir o heliocentrismo. Abriu, há poucos dias, no Museu do Vaticano, uma grande exposição de astronomia, que evoca o nascimento da ciência moderna. Neste ano, em que celebramos Galileu, podemos olhar, como ele fez, para os satélites de Júpiter e pensar, como ele pensou, que, ao contrário do que transparece em certos passos da Bíblia, a Terra não é o centro do mundo.Galileu, quando notou, numa carta à Grã-Duquesa Cristina de Lorena, que "a intenção do Espírito Santo é ensinar-nos como se vai para o céu e não como o céu vai", citava o cardeal Caeser Baronius, bibliotecário do Vaticano, que tinha assim resolvido o conflito entre religião e ciência. Contradições entre o texto da Bíblia e o conhecimento científico já tinham ocorrido antes, mas tinham sido ultrapassadas pelos religiosos mais esclarecidos. Por exemplo, certos trechos das Escrituras segundo os quais a Terra é plana levaram alguns padres antigos a rejeitar o conhecimento grego de que era esférica. Contudo, os cristãos mais cultos aceitaram a esfericidade do nosso planeta muito antes das viagens de circumnavegação. O físico Steven Weinberg ironizou: “Dante achou até que o interior da Terra redonda era um bom lugar para os pecadores.”Há compatibilidade entre ciência e religião? Penso que sim. Mas, para que haja, como bem mostra o caso Galileu, tem de se abandonar a ideia de que a Bíblia é um livro de ciência. O seu conteúdo não resultou da aplicação do método científico e a apreensão religiosa desse conteúdo tem a ver com a fé e não com a razão. Trata-se de um livro em larga medida ficcional, escrito e reescrito por vários autores ao longo dos anos, que, obviamente, não pode ser levado à letra, como fizeram ontem os cardeais do Santo Ofício e fazem hoje os criacionistas evangélicos. Não é um livro de história, mas um livro de histórias, um livro que faz parte do património literário da humanidade, sendo apreciado mesmo por quem não tem fé.A Bíblia, mais do que qualquer outro livro, tem sido fonte de todos os tipos de leituras e tresleituras. O escritor José Saramago acaba de dar um exemplo maior de tresleitura. Deixei, há muito, de me interessar pelo autor quando ouvi os seus dislates anti-científicos. Mas, agora, devido ao banzé que se instalou (há quem diga que é puro “marketing” para aumentar as vendas do último livro), não posso deixar de me pronunciar. Saramago falou sobre a Bíblia de uma maneira que, seja-se ou não crente, não é intelectualmente séria. Não foi apenas chamar-lhe “manual de maus costumes” e “catálogo de crueldades”. Foi também ter dito que o Génesis tinha “coisas idiotas”, exemplificando: “Antes, na criação do Universo, Deus não fez nada. Depois, decidiu criar o Universo, não se sabe porquê, nem para quê. Fê-lo em seis dias, apenas seis dias. Descansou ao sétimo. Até hoje! Nunca mais fez nada! Isto tem algum sentido?”. A pergunta é que não tem nenhum sentido! É o grau zero da crítica religiosa ou mesmo literária. O que não seria dito se alguém analisasse “O Memorial do Convento” desta maneira tão tosca? Tão errado é levar a Bíblia à letra, aceitando o que lá está, como levar a Bíblia à letra, recusando o que lá está. Francamente, não consigo distinguir entre a teologia básica dos que condenaram Galileu e esta anti-teologia igualmente primitiva de um escritor contemporâneo.
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October 23 2009, 1:05am | Comments »
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ANTÓNIO LOBO ANTUNES E DEUS
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Ando a ler, ao mesmo tempo que o novo romance de António Lobo Antunes ("Que Cavalos São Aqueles Que Fazem Sombra No Mar?, Dom Quixote), o livro, também recente, de entrevistas que ele deu ao jornalista João Céu e Silva ("Uma Longa Viagem com António Lobo Antunes", Porto Editora). Porque ele refere a ciência quando é inquirido sobre religião, não resisto a transcrever as suas respostas dadas nas ps. 29-30 às questões sobre Deus:"- A propósito do rezar de Orson Welles, qual é a sua posição sobre a religião?- Há um velho provérbio húngaro que diz: "Na cova do lobo não há ateus." Eu julgo que não existe quem não acredite, porque o Nada não existe na Física ou na Biologia e quando se lêem os grandes físicos - Einstein, Max Planck e por aí fora -, vê-se que eram homens profundamente crentes. Chegaram a Deus através da Física e da Matemática e falavam de Deus de uma maneira fascinante. A minha relação é a de um espírito naturalmente religioso - e cada vez mais -, embora não no sentido desta ou daquela Igreja mas naquele que me parece que a ideia de Deus é óbvia. Cada vez o é mais para mim.- Porquê?- É um bocado como quando o Einstein - lá estou eu a citar outra vez! - diz que "Deus não joga aos dados"... É claro que eu me zango com Deus, é uma relação de zanga também porque Ele permite sofrimento, mas talvez os seus desígnios tenham tal profundezas que não consigo atingir. O sofrimento sempre me foi incompreensível e acho que, como disse há pouco, nascemos para a alegria. A minha atitude em relação à religião é essa e não estou a falar de Igrejas mas de Deus. Não acredito quando as pessoas me dizem que são agnósticas ou ateias! Não acredita nisso, não estou a dizer que a pessoa não esteja a ser sincera, mas dentro dela, em qualquer ponto, há algo. Uma vez perguntaram ao Hemingway se ele acreditava em Deus e a resposta foi: "Às vezes, à noite".- E o António, à noite, também acredita?- Acredito sempre, mas zango-me muitas vezes. Eu julgo que o próprio da fé é a dúvida, o questioná-la constantemente, e muitas vezes pergunto-me se existe. É óbvio que sim."
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October 20 2009, 11:40am | Comments »
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O ACASO E A NECESSIDADE SEGUNDO SAVATER
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O filósofo espanhol Fernando Savater é o autor do recente livro "A Arte do Ensaio, Ensaios sobre a Cultura Universal" (Temas e Debates/ Círculo de Leitores). Para abrir o apetite para o resto do livro deixamos aqui o seu breve ensaio sobre o ensaio de Jacques Monod de 1970 "O Acaso e a Necessidade":"Entre todos os conceitos filosóficos, talvez não exista um par de opostos tão existencialmente relevante como o que dá título este livro. São duas perspectivas contrárias de interpretar a realidade, mas que coincidem em aspectos importantes: ambas se mostram globalmente irrefutáveis (sem deixarem de ser incompatíveis!) e ambas são profundamente desmobilizadoras no tocante à gestão do nosso destino individual (em qualquer dos casos não há nada a fazer, quando se trata de estabelecer um certo controlo autónomo sobre as nossas vidas, ainda que por uma curiosa miopia os partidários do acaso acreditem que este garante melhor a liberdade pessoal do que o seu rival). Quer tudo aconteça de forma gratuita e imprevisível quer, pelo contrário, nada aconteça sem uma causa inamovível e suficiente (e ambas as posições radicais admitem ser defendidas com coerência suspeitosamente absoluta), o papel que a nossa vontade pretensamente livre tem nos acontecimentos fica reduzido quase a zero: o fio de erva arrastado pelos caprichos imprevisíveis do furacão ou pela roda da engrenagem universal que chama vaidosamente "optativo" ao irremediável.Dentro da campânula de vidro da filosofia pura, acaso e necessidade opõem-se desta forma irredutível. Porém, no âmbito - mais pragmático e transaccional - da ciência contemporânea, as coisas podem funcionar de um modo menos categórico. Constitui um dos méritos do grande biólogo Jacques Monod o facto de ter conseguido delinear um panorama racionalmente aceitável, no qual ambas as perspectivas têm os seus pontos de cumplicidade teórica, sem que tal conciliação desminta nem castre a conversa epistemológica em que se inscrevem. O ensaio de tipo científico acaba por ser o mais comprometido de todos, porque se nega a prescindir da argumentação experimental e formalizável que parece menos compatível com a dimensão pessoal que caracteriza o género na sua totalidade, tal como já referimos. Contudo, esta obra de Monod demonstra que este tour de force pode ser brilhantemente conseguido e que, quando sobrevém essa sorte, o que acontece é que os cientistas se tornam ensaístas filosoficamente muito mais sugestivos do que os pensadores apenas "literários".Permitam-me uma nota geracional, que assumo convicto e confesso. A minha simpatia por Jacques Monod provém também da fotografia que o mostra nas barricadas do Quartier Latin, no Maio de 1968 em França, amparando paternalmente uma jovem atingida por gases lacrimogéneos da polícia. Nem eu nem, provavelmente, ele próprio poderemos dizer se agia pelo acaso ou pela necessidade, mas procedeu como uma companheiro bastante digno".
October 19 2009, 4:17pm | Comments »
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Conhecimento, criatividade e capacidade empreendedora
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Post de Norberto Pires, Presidente do Conselho de Administração do iParque de Coimbra sobre o referido parque de ciênia e tecnologia (na foto: vista aérea da infraestrutura do iParque):A economia do século XXI passa muito pelo progresso das cidades. Essas constituem pólos de desenvolvimento que tendem a constituir zonas metropolitanas alargadas, incluindo vários concelhos, com serviços organizados e complementares, condições de vida atractivas e elementos diferenciadores que constituem mais-valias para a vida das pessoas e das empresas.É importante que as cidades percebam que têm de se organizar para fomentar nas pessoas a ideia simples: tenho de estar aqui porque viver aqui é excitante.Coimbra tem condições para isso. Para constituir uma área metropolitana de considerável dimensão, tendo como lema a marca que a diferencia: a criatividade e a capacidade empreendedora. Mas isso significa actuar em várias frentes.Na frente política é importante que os vários partidos percebam que há projectos que são estratégicos, com dimensão superior às questões locais de curto prazo, e em relação aos quais todos nos devemos colocar de acordo para que estas iniciativas prossigam de forma célere sem sofrerem revezes desnecessários.Na frente educativa é fundamental colocar o foco em iniciativas para crianças e adolescentes. É preciso que eles percebam que o seu futuro depende da qualidade da educação que tiveram, mas também, em grande medida, da sua atitude perante a vida. Será esse binómio que lhes permitirá aproveitar as oportunidades que a vida lhes proporcionará, mas também criar as suas próprias oportunidades, seja por conta própria ou por conta de outrem. Os cursos de empreendedorismo, o contacto com empresas inovadoras e a relação das escolas com a Universidade e centros de saber, são ainda mais críticos nestas faixas etárias.Na frente cultural há muito a fazer. Foram criados espaços interessantes e é preciso tirar partido deles. Em Coimbra tem de existir um fervilhante ambiente cultural. Coimbra tem de ser um dos locais onde as coisas acontecem. Isso é decisivo e crucial. Não perceber isso é verdadeiramente não entender como se organiza o mundo do século XXI. A cultura (e as suas manifestações) é um elemento diferenciador que fixa empreendedores e atrai artistas, cientistas, engenheiros, estudantes, professores, aqueles que fazem a diferença nos vários ramos de actividade. Ao empreenderem geram actividade económica e criam valor. E o seu exemplo é notado, pelo que a cidade se torna mais atractiva num efeito de bola de neve, lento, mas sustentável.Lembro-me dos livros. Por que não uma grande casa do livro? De dimensão internacional, que possa ser um local onde se guarda e encontra o livro, onde se faz história, onde se faz pesquisa, onde se conhecem os escritores, onde se lançam novos livros mas também se revisitam livros já esquecidos trazendo-os de novo à consciência das pessoas, onde se lê e se cultiva o gosto pela leitura, onde está o passado, o presente e, principalmente, o futuro. Um local onde se mostra que os livros têm uma vida própria – que pode fazer parte também da nossa vida – que deve ser respeitada e protegida. Um local onde se fomentará de novo uma grande feira do livro, temática, porventura, que permita colocar Coimbra no roteiro das grandes feiras do livro e da leitura.Lembro-me também do teatro e da música. Porque não um festival de teatro que possa trazer para a rua e para as salas de teatro peças de autores clássicos, mas também textos contemporâneos de qualidade? Pequenos excertos que surpreendam as pessoas na rua no seu dia-a-dia e as chamem para as peças completas na sala de teatro. Aqui poderia ser explorado o património histórico da cidade, usando pequenos excertos da nossa história que pudessem ser representados na rua alertando assim as pessoas para o teatro e para a mais-valia que este constitui. Porque não um festival anual de música de rua? Um evento onde se juntassem várias manifestações musicais desde a música popular e tradicional, ao fado, música ligeira, jazz até à música sinfónica e de câmara.Lembro-me da pintura, escultura, fotografia e das manifestações amadoras destas artes, que animem a cidade e a façam fervilhar de actividade. As ruas Ferreira Borges e Visconde da Luz, que ligam a Praça do Município à Portagem, podiam bem ser las ramblas de Coimbra. Toda a baixa da cidade tem condições únicas para manifestações culturais de rua que teriam ainda a capacidade de revitalizar o pequeno comércio, para que este se diferencie e especialize.Na frente empresarial é fundamental o foco no conhecimento. Já o estamos a fazer: A Universidade percebeu que tem de se ligar às empresas, de lhes prestar serviços, de fazer transferência de tecnologia e de colocar o conhecimento ao serviço da actividade económica. Isso faz-se incentivando a incubação de empresas e ideias, para que se desenvolvam empresas competitivas baseadas em novas ideias e novos conceitos de negócio. Estamos a fazer isso bem com o Instituto Pedro Nunes e outras incubadoras da região. É preciso reforçar de forma sustentável essa vertente. Devemos prestar atenção à fase de aceleração de empresas, criando condições para que as empresas incubadas cresçam rapidamente e produzam efeitos significativos na economia.É preciso também fazer crescer de forma decisiva o Parque de Ciência e Tecnologia de Coimbra (iParque). Esse é o local onde se materializa grande parte desta estratégia empresarial, oferecendo espaço para empresas com dimensão que possam a partir de Coimbra criar produtos competitivos, necessariamente baseados em conhecimento, gerando valor e actividade económica. A estratégia definida tem essencialmente quatro objectivos:1. Fixar as empresas de Coimbra fruto da nossa actividade criativa e empreendedora, proporcionando-lhes o ambiente e as condições para que se desenvolvam e façam “escola”;2. Promover a aceleração de empresas já incubadas, ajudando a que cresçam junto de empresas grandes criando rede com elas e aproveitando as sinergias;3. Promover o I&D em consórcio, isto é, uma ligação eficaz entre as empresas e os centros de conhecimento;4. Atrair investimento de fora da região que reconheça as nossas capacidades, e que justamente coloque o foco nas mais-valias que somos capazes de gerar: forte aposta em conhecimento, relação com centros de I&D e com a Universidade e Politécnico, e existência de recursos humanos de qualidade.Para isso preparamos um espaço de qualidade. Onde se pode trabalhar, viver e aproveitar momentos de lazer. Definimos com clareza as regras para os edifícios empresariais, seleccionamos as áreas estratégicas e iniciamos as parcerias relevantes, conscientes de que o mundo se faz em rede, cooperando com outras empresas, outros parques, outras realidades. Dotamos o parque das infra-estruturas necessárias para que sejam um aliado da actividade das empresas. Preparamos um Business Center que pode oferecer às empresas as condições para que desenvolvam os seus negócios tendo o apoio e suporte de instalações físicas de qualidade e equipas de apoio especializadas. Planeamos um edifício para aceleração de empresas (incubação de 2.ª fase) a que chamamos Nicola Tesla. Nesse edifício pretendemos sediar empresas em crescimento, e ajudá-las a acelerar o seu crescimento.O objectivo é que estas empresas sejam mais rapidamente elementos transformadores da realidade de Coimbra: na economia, na oferta de emprego qualificado e na relação com os centros de conhecimento.O iParque é um elemento de uma estratégia para a cidade de Coimbra e para o Centro de Portugal. Trabalha em rede com outros parques e incubadoras com o objectivo de ter uma oferta coerente e eficaz. E isso é um elemento estratégico de fundamental relevância, que foi recentemente particularizado na candidatura apresentada ao QREN, medida de Parques de Ciência e Tecnologia e Incubadoras de base Tecnológica, denominada InovC e liderada pela Universidade de Coimbra. Esta candidatura inclui ainda como parceiros nucleares o iParque, o Biocant, o Instituto Pedro Nunes, o Parque de Óbidos, o Parque de Montemor-o-Velho, entre outros.Criado este ambiente, demonstrada a nossa capacidade empreendedora e de geração de actividade económica, verificada a ligação aos centros de saber, Coimbra e o Centro de Portugal serão atractivos para iniciativas empresariais que signifiquem um considerável investimento estrangeiro diferenciador, que é necessariamente o investimento na nossa capacidade de sermos criativos e empreendedores. Esse é que é o investimento relevante e sustentável.J. Norberto PiresMais informação sobre o iParque em http://www.coimbraiparque.ptNota: este artigo foi publicado na revista "Rua Larga" número 26: http://www.uc.pt/rualarga/26
October 14 2009, 1:33am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Darwin, Diário do Beagle - fósseis gigantescos
http://dererummundi.blogspot.com/2009/10/darwin-diario-do-beagle-fosseis.html
A 8 de Outubro de 1932, Darwin fez uma incursão pela baía de Punta Alta na Argentina, que viria a ter um grande impacto no seu pensamento e constituiu um importante contributo para a ciência. Identificou um dente de megatério (Megatherium), uma preguiça gigante extinta, que atingia mais de 3 metros de comprimento; um verdadeiro gigante do passado. Neste mesmo local, Darwin já tinha identificado fósseis de invertebrados e de mamíferos primitivos, numa primeira passagem pelo local, a 22 de Setembro. Nessa altura descobriu um fóssil de gliptodonte, um tatu primitivo, com uma enorme carapaça, constituindo um dos fósseis mais impressionantes de mamíferos primitivos.Essa descoberta seria acompanhada pela de mais 8 fósseis de grandes vertebrados quadrúpedes. Destacam-se: o Megatherium, já referido, que é uma preguiça gigante que se extinguiu há 8 mil anos; o Milodonte outra preguiça gigante, que podia atingir 3m; o Gliptodonte, com mais de 2,5m de comprimento, que era um tatu gigante, extinto há 10 mil anos; ou ainda parentes das actuais capivara e preá.Os espéciemes recolhidos por Darwin foram por ele enviados para Inglaterra para o seu mentor Henslow. Como refere numa carta que lhe dirige “se lhe interessar o suficiente para os desempacotar, estou ansioso por saber algo sobre eles’. Foi mais tarde Richard Owen que a pedido de Darwin identificou a maior parte dos fósseis por si descobertos, e que foram novas e fantásticas descobertas para a ciência e para o nosso conhecimento da fauna extinta daquelas regiões da América do Sul.Mas, qual a sua importância, para lá de serem descobertas que completaram, um pouco, o nosso quadro da fauna do passado?A sua maior importância foi a de suscitar em Darwin uma dúvida e uma constatação. O que ele verificou foi que por um lado havia continuidade da fauna, isto é, havia tatus e preguiças há dezenas de milhares de anos como há hoje: temos continuidade da fauna. Por outro lado, a fauna é radicalmente diferente: os tatus, preguiças, preás do passado são por vezes muito diferentes dos actuais. Isto significava que tinha havido uma substituição de faunas, mas essa substituição não tinha sido aleatória, porque havia continuidade filogenética.Ao fazer estas reflexões, Darwin ainda não tinha desenvolvido um pensamento evolutivo. Mas, percebe-se como quando a ideia de evolução lhe surgiu, ela subitamente passou a dar sentido a estas suas descobertas. Podemos afirmar com elevada probabilidade que estas descobertas foram um dos elementos que ficaram a pairar na mente de Darwin e que tiveram um papel desencadeador no desenvolvimento do conceito de evolução das espécies.Há um segundo aspecto que merece reflexão. Uma parte importante dos grandes mamíferos extintos que Darwin descobriu e aqui refiro, extinguiu-se em tempos muito recentes: entre 8-15 mil anos. É uma extraordinária coincidência que animais tão impressionantes tenham existido até tão recentemente e se tenham extinto pela mesma altura. Que fenómeno poderá ter causado a sua extinção? Ela coincide com a expansão da nossa espécie, que chegou ao continente americano há cerca de 20 mil anos, vindo de norte, pelo estreito de Bering. É uma circunstância recorrente: à excepção de África, em todos os continente se verificou uma extinção maciça de espécies de grandes vertebrados poucos milhares de anos após a nossa chegada.
October 8 2009, 4:35am | Comments »








