Há dez anos, por ocasião da passagem das três décadas após a missão Apollo 11, publiquei no suplemento "Das Artes e Letras" do jornal "O Primeiro de Janeiro" este texto sobre o futuro da descoberta do espaço. Devido a várias hesitações e atrasos no programa espacial, uma viagem tripulada a Marte por volta de 2020, como escrevi na altura, é hoje uma possibilidade remota, embora ela seja possível a partir de 2030. Mas pode ser que o texto ainda tenha alguma actualidade (na imagem, paisagem marciana):Fez agora 30 anos que o homem foi à Lua pela primeira vez. Numa noite quente de Julho, parecidíssima com uma das noites de Julho último, chegaram aos nossos televisores imagens a preto e branco da Lua em directo. Houve logo quem se apercebesse da importância do momento (foi, talvez, o acontecimento do século XX). Houve também quem duvidasse, pensando que na televisão tudo pode ser montado. Como disse um comerciante português de carnes, numa linguagem bem terra-a-terra e que ilustra o nosso atraso da época: "A Lua? Que me interessa a mim a Lua se eu não posso vender carne fora do meu concelho?"Mas há uma geração - a dos jovens actuais, entendendo-se por jovens as pessoas com menos de 35 anos - que perdeu a ida à Lua. Estavam a dormir ou nem sequer tinham nascido. Apanharam a história da Lua, já algo requentada e sem a emoção do directo, servida nos "enlatados" da NASA na televisão ou, numa hipótese algo optimista, em textos nos livros, escolares ou de divulgação, que convidavam à aventura da ciência. Esta é a geração do intervalo na exploração espacial. Mas não houve a bem dizer "buraco". Os jovens e os menos jovens viram a estação espacial russa "Mir", agora a cair. Viram recentemente a estação espacial "Freedom" começar a erguer-se nos céus. Viram o telescópio espacial "Hubble" ser reparado e tirar fotografias espantosas de tudo quanto é sítio. Viram os vaivéns espaciais a ir e a vir do Centro Espacial Kennedy. Viram as sondas enviadas a planetas longínquos, como as "Voyager" e a "Galileo", ou a planetas próximos, como a recente "Mars Pathfinder", que pousou em Marte com o pequeno carro-robô. Viram tudo isso e não foi pouco, mas perderam a Lua... Alegrem-se, porém: a geração mais nova perdeu a Lua mas vai ganhar Marte. Marte é, será das crianças e dos jovens de hoje.Marte é a próxima fronteira. Como disse o pioneiro russo da exploração espacial Tsiokolvsky: "A Terra é o berço da humanidade, mas ninguém fica eternamente no berço”. Havemos de ir a Marte no próximo século, provavelmente lá para o ano 2020, passados 50 anos depois da primeira viagem humana à Lua. Não é tecnologicamente impossível, sendo só questão de concretizar para isso um grande projecto internacional. A humanidade, para sair do berço, só tem de querer, organizar um plano e, claro, pagar a grande viagem. A paisagem de Marte está lá, virgem como estava o Everest antes de Edmund Hillary, e alguém quererá ser o primeiro. Faz parte da natureza humana, quase se pode dizer está no património genético, não se contentar com o conhecido e não se saciar do desconhecido. Porque é que se foi à Lua? Porque John Kennedy, decerto impulsionado pela guerra-fria mas levado também pela ideia de ultrapassagem das fronteiras, lançou o desafio e disse que para lá se tinha de ir rapidamente e em força. Por que é que não se vai a Marte amanhã? Porque ainda ninguém, com o mesmo discernimento, vontade e poder, disse que lá se devia ir. Por que é que se irá depois de amanhã a Marte? Porque o que é possível e desejável se faz, ou, melhor, acaba inexoravelmente por se fazer.Conhece-se, porém, quem não só não queira ir (está no seu direito) como também não queira que se vá (aqui, vale a pena contra-argumentar). O nosso comerciante, certamente, não quererá saber. Esperamos, pelo menos, que tenha obtido entretanto autorização para vender carnes na União Europeia. Mas, por estranho que pareça, o nosso prémio Nobel da literatura, José Saramago, achou por bem, desprezar a viagem marciana, afirmando - a citação é de cor - que era infelizmente mais fácil enviar um engenho a Marte do que chegar ao homem na Terra. A pergunta até parece, à primeira vista, boa: Se há tantos problemas na Terra, porque há-de o homem meter-se em sarilhos em Marte? A visão de Saramago, embora descontando a metáfora a que têm direito todos os artistas, é tão sustentável ou insustentável como a do comerciante. Competem as duas em tacanhez. Primeiro: não é garantido que os problemas na Terra se resolvam mais facilmente ignorando o espaço, afinal aqui tão perto de nós. Segundo: É precisamente por haver problemas na Terra que a ciência e a sua filha legítima, a tecnologia, devem prosseguir, ultrapassando sucessivas fronteiras. A falta de ciência nunca resolveu problema nenhum. Pelo contrário, a ciência pode - e os exemplos abundam - ajudar a resolver muitos problemas da humanidade, incluindo questões como a fome, a doença e a miséria. Não é obrigatório que os resolva, pois a actividade humana não se esgota na ciência. Há a política, a economia, as artes e as letras, a religião, etc., mas nenhuma destas se podem dar ao luxo de querer passar sem a ciência, sem o saber construído pela curiosidade humana.Lembremo-nos que a ida à Lua foi um enorme empreendimento humano: Para que Armstrong e Aldrin alunassem, trabalharam directamente no projecto mais de 200 000 pessoas; mostrou-se que se podia concretizar um grande sonho. De resto, resolveu-se uma miríade de problemas específicos: foi um feito com consequências fantásticas na engenharia e na medicina. Mas resolveu-se, sobretudo, um problema central: ir "lá", sair pela primeira vez do nosso berço planetário. Também se avançou na economia e na política, na arte e na religião. A humanidade não é a mesma desde que dois dos seus representantes foram à Lua. A humanidade não voltará a ser a mesma quando os seus representantes pisarem as areias de Marte (a ida a Marte será, talvez, o maior acontecimento do século XXI).Claro que na ida a Marte há questões ideológicas. Por exemplo, provavelmente o primeiro explorador será norte-americano. Curioso é que não conste que Saramago se tenha pronunciado sobre o empreendimento espacial quando os russos disputavam com os norte-americanos a primazia no espaço e até a ganhavam. Nem sequer quando o primeiro engenho, um artefacto soviético, feio e forte (com a foice e o martelo), caiu em 1971 desamparado no solo marciano, jazendo hoje debaixo de um monte de areia, onde poderá um dia vir a ser desenterrado por arqueólogos. Sim, foram os soviéticos os primeiros a chegar, ainda que com um objecto, ao planeta vermelho.Daqui até ao ano 2020 vários voos dos EUA, da Rússia, da Europa e do Japão terão Marte por meta. Todos os dois anos, há uma “janela de oportunidade", onde se pode fazer o “tiro" astronómico correcto. Logo que o programa principal da estação espacial internacional se esgote, missões robotizadas explorarão Marte, antes do homem, trazendo até à Terra a terra de Marte (as imagens das sondas “Viking” mostraram-nos que a superfície de Marte não é assim tão diferente de um deserto terrestre). Depois de resolvidos problemas de reciclagem de recursos, de produção de combustível e de resistência do organismo (a viagem, para Marte, com a tecnologia actual, durará mais de um ano, para lá, e outro tanto para cá, mas a tecnologia está sempre a evoluir), será finalmente a vez de uma expedição tripulada.Portugal entrará para a ESA, a agência espacial europeia, em 2000 e poderá participar na aventura. Não se percebe por que é que o Ministério da Ciência e Tecnologia esperou quatro longos anos para concretizar o óbvio: que devíamos também ser europeus no espaço. Assim, não será o filho, mas tão só o neto do magarefe que poderá ser astronauta.Marte é um planeta mítico. Não sendo o mais próximo de nós, é o mais parecido com o nosso. É o sítio onde pode ter existido vida no passado (as notícias recentes sobre organismos vivos num meteorito oriundo de Marte e caído na Antárctica eram um pouco exageradas), é o sítio onde astrónomos pouco sofisticados julgaram ver um sistema de canais fruto de uma civilização planetária, é o sítio que Orson Welles imaginou como origem dos invasores. Mas é também o planeta do futuro: aquele onde haverá vida, quanto mais não seja levada da Terra, aquele cuja paisagem pode ser “terraformada”, isto é, tomada semelhante à nossa, possibilitando as primeiras colónias humanas no espaço. Marte é o único planeta do sistema solar, além do nosso, que poderá ser habitado.É bom que os jovens saibam que é possível ir a Marte, que os muito jovens poderão mesmo um dia lá ir. Os manuais escolares de ciência podem não ser suficientemente apelativos. Os programas televisivos sobre ciência podem não ser frequentes. Mas podem-se organizar mini-projectos para acompanhar as idas de sondas a Marte, usando nomeadamente os “media” e as hodiernas redes de comunicações. Se a chamada Secretaria de Estado da Educação e Inovação se lembrasse algum dia de inovar alguma coisa, acarinharia projectos sobre Marte, os planetas, as estrelas, etc., alimentando a imaginação ávida dos jovens. Bastante pior que não ter meios para fazer é não ter ideias sobre o que fazer nas escolas. Falar do espaço, seguir e projectar viagens espaciais é pôr em agitação os jovens neurónios. Não compreender isso é ter os neurónios envelhecidos.A longo, muito longo prazo, a presença humana em Marte terá uma utilidade evidente. Poderá resolver, pelo menos em parte, o problema da sobrepopulação do nosso planeta-berço, o problema da escassez de recursos naturais e o problema da degradação do meio ambiente. Talvez até, se houver (lagarto, lagarto!) uma catástrofe na Terra, Marte seja o sítio onde o património da vida vai continuar a sua prodigiosa história evolucionária. Os descendentes remotos do nosso comerciante de carnes irão um dia vender costeletas, ou o equivalente sintético delas, em solo marciano.E, quanto a Saramago, esperamos que continue a diatribar contra a exploração do espaço pois são precisos "velhos do Restelo" para que haja epopeia. Mas esperemos também que reconheça uma utilidade bem prosaica de Marte: Marte, ao fim e ao cabo, tem sido uma fonte inspiradora de agradáveis páginas de literatura, de Edgar Rice Burroughs a Arthur C. Clarke. Por exemplo, Ray Bradbury é o autor de "Crónicas Marcianas". A prosa de Bradbury termina, eloquentemente: "Os marcianos somos nós". Quando lá chegarmos, claro.
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Para Marte!
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July 19 2009, 6:54pm | Comments »
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THE AGE OF WONDER
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O "New York Times" publica uma recensão de um grande livro, onde como vem no texto "as energias gémeas da curiosidade científica e da invenção poética pulsam em cada página". Ler aqui. THE AGE OF WONDER How the Romantic Generation Discovered the Beauty and Terror of ScienceBy Richard HolmesIllustrated. 552 pp. Pantheon Books. $40
July 19 2009, 3:27am | Comments »
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Mulheres cientistas no Mundo Lusófono
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Informação recebida da Associação Viver a Ciência (na foto a matemática Irene Fonseca):O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian, a Associação Viver a Ciência, o Círculo de Leitores e a Temas e Debates têm o prazer de o convidar para o lançamento do livro «Vidas a Descobrir — Mulheres Cientistas do Mundo Lusófono», coordenado por Joana Barros.Este livro leva-nos numa viagem cultural e científica por vários continentes, apresentando as histórias de mulheres de origem lusófona que construíram carreiras profissionais ímpares no mundo da ciência.A sessão terá lugar na Fundação Calouste Gulbenkian, Auditório 3, Av. Berna, 45A, 1067-001 Lisboa, no dia 14 de Julho pelas 19h. No final da sessão será servido um cocktail.A obra será apresentada por Nuno Crato.Nota sobre o conteúdo do livro:Este livro reúne reportagens realizadas entre 2006 e 2008 sobre cientistas naturais de sete países lusófonos. O livro leva-nos numa viagem cultural e científica através da história de vida de dez investigadoras de diferentes gerações e culturas que trabalham em diversas áreas do conhecimento. Queremos que este livro seja uma celebração da diversidade e que contribua para o abandono de alguns estereótipos relacionados com ciência e cientistas.Cientistas entrevistadas:Anabela Leitão (Angola) - Engenharia Química e Ambiental, Univ. Agostinho Neto, AngolaNorma Andrews (Brasil) – Microbiologia, Univ. de Yale, EUAThaisa Storchi Bergmann (Brasil) – Astrofísica, Univ. Federal do Rio Grande do Sul, BrasilNiède Guidon (Brasil) - Arqueologia, Parque Nacional Serra da Capivara, BrasilFátima Monteiro (Cabo Verde) - Ciências Políticas, Univ. Católica Portuguesa, PortugalAmabélia Rodrigues (Guiné-Bissau) - Epidemiologia, Projecto de Saúde Bandim, Guiné-BissauAlcinda Honwana (Moçambique) - Antropologia, Open University, Reino UnidoCláudia Sousa (Portugal) – Primatologia, Univ. Nova de Lisboa, PortugalIrene Fonseca (Portugal) – Matemática, Univ. de Carnegie Mellon, EUAM. Jesus Trovoada (S.Tomé e Príncipe) - Antropologia Biológica, Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal
July 13 2009, 5:47pm | Comments »
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O HOMEM E A LUA
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A propósito dos 40 anos da ida do homem à Lua o jornal universitário "A Cabra" (C) fez-me algumas perguntas. Aqui estão elas com as respectivas respostas:C- O que fez os Estados Unidos mandar astronautas para a Lua?CF- Há um motivo maior e há um motivo menor. O motivo maior não é nacional, mas de toda a humanidade. Os astronautas foram a Lua porque o homem sempre quis ir mais longe. Foram à Lua pela mesma razão que levou os descobridores portugueses a avançar nos oceanos desconhecidos. Porquê a Lua? Parafraseando o explorador inglês que primeiro tentou escalar o Everest: "Porque estava lá!" A Lua é a primeira "estação" que se encontra quando se viaja no espaço a partir da Terra. Não está muito perto, mas também não está muito longe. O motivo menor, embora importante, foi decerto a competição entre os Estados Unidos e a União Soviética nos anos da guerra fria. O Presidente Kennedy anunciou em 1961 que, antes do fim dessa década, um astronauta americano estaria a pisar a Lua e esse anúncio cumpriu-se. Os Estados Unidos mobilizaram para o efeito um conjunto impressionante de meios. Tão impressionante que a viagem não voltou a ser repetida depois do grande êxito que foi a concretização do programa Apollo. Terá valido a pena? A melhor resposta talvez seja a que foi dada pelo primeiro astronauta lunar, Neil Amstrong: "Foi um pequeno passo para o homem mas um passo de gigante para a humanidade". Pela minha parte, espero que esse passo volte em breve a ser dado.C- Qual a sua opinião acerca da teoria da conspiração segundo a qual os homens nunca foram à Lua? Acredita que o homem lá tenha ido?CF- Essa teoria da conspiração é tão absurda que não vale a pena perder um minuto com ela. Está ao nível de teorias segundo as quais Elvis Presley ainda está vivo ou a CIA preparou os ataques do 11 de Setembro às torres gémeas. Einstein terá dito: "Sá há duas coisas infinitas: o Universo e a estupidez humana, e quanto à primeira não tenho a certeza". Aposto que não demorará muito a surgir uma teoria segundo a qual Michael Jackson ainda está vivo ou que Bin Laden está disfarçado dentro da Casa Branca...C- Acha que na década de 60 havia tecnologia suficientemente poderosa para fazer a viagem?CF- Sim, claro. Tanto havia que a viagem se fez e até várias vezes.C- Mas, relativamente aos argumentos da teoria da conspiração, apresentados na Internet, como lhes responde?CF- As pessoas que inventam essas patetices é que têm de as provar, não sou eu que tenho de as rebater. Era só o que faltava que qualquer pessoa dissesse um qualquer disparate e o ónus da prova do não-disparate ficasse do lado de quem o tivesse ouvido. De qualquer modo, encontram-se na web respostas adequadas a afirmações desse tipo, que revelam o mais elementar desconhecimento de leis físicas, químicas e geológicas. Na Internet há um muito lixo mas também há, felizmente, bastantes produtos de limpeza.C - Porque é que os Estados Unidos não voltaram a enviar nenhuma missão à Lua?CF- Acima de tudo por falta de vontade política, num mundo onde já não há guerra fria. A tecnologia para repetir a proeza é conhecida e está acessível, embora não seja barata. Espero que a ideia de uma base habitada na Lua ganhe força assim como a ideia de a usar para servir de trampolim numa viagem mais além, nomeadamente ao planeta Marte. Um pouco mal comparado, é semelhante ao estabelecimento pelos descobridores portugueses de uma base na ilha da Madeira antes de avançarem para sul, na costa de África... Será Obama capaz de relançar o sonho espacial? Que sim, é o meu oxalá.
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July 9 2009, 4:53pm | Comments »
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O futuro do país não pode ser entregue só a políticos, economistas e gestores
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(Clique nas imagens para aumentar. Em cima, discurso do reitor da UTL. Em baixo, à direita, o reitor da UTL, o presidente cessante, Carlos Matos Ferreira, e o novo presidente, António Cruz Serra. Na imagem à esquerda, João Sentieiro, presidente da FCT, entre os membros do Conselho de Gestão) Ontem, durante o discurso de tomada de posse do novo presidente do IST, eu, de amarelinho na foto de baixo à esquerda, e o João Sentieiro, de ar perplexo e braços cruzados, ficámos a saber que o ministro das Finanças cativou 2 milhões de euros da verba inscrita para a contratação dos doutorados do programa Ciência 2008 - que, numa manifestação que só posso considerar de esquizofrenia aguda, foi lançado pelo mesmo Governo a que pertence Teixeira dos Santos. Ou seja, por um lado, via FCT e MCTES, o governo lança um programa louvável a todos os níveis, pelo lado do MF, corta metade do financiamento para esse mesmo programa, pelo menos no Técnico.Não sei se o ministro das Finanças não fala com o seu colega Mariano Gago ou se este não lhe conseguiu explicar quão fulcral é este programa não só para a renovação dos quadros das Universidades e escolas públicas como em particular para dar alguma esperança de futuro aos muitos e bons bolseiros de investigação que ainda vamos tendo.Quiçá esta falta de diálogo inter-ministerial seja igualmente a responsável pela manutenção de uma «regra surreal» (ipsis verbis do discurso do António) inventada pela então ministra das Finanças Manuela Ferreira Leite para tentar controlar o défice - regra de «efeito nulo ou negativo e que ninguém teve vontade (ou visão) de revogar». Estou a falar da regra do equilíbrio orçamental que na prática serviu para MFL (e seus sucessores) se apoderar dos saldos transitados das Universidades públicas sem perceber que esses saldos, pelo menos no caso do Técnico, não tinham nada a ver com dinheiros públicos mas sim com verbas próprias angariadas através de projectos de investigação e desenvolvimento plurianuais.Ou seja, Manuela Ferreira Leite - e aparentemente Teixeira dos Santos também, mas MFL foi ministra da Educação e tinha obrigação de saber mais - não percebem que as verbas dos projectos de investigação não só têm calendários próprios para serem gastas como, a menos dos overheads, só podem ser utilizadas para os fins inscritos no projecto de candidatura. Contrariamente ao que pensam, não podemos utilizar o dinheiro de projectos para suprir o corte de financiamento público às Universidades - disfarçado habilmente através do aumento das despesas com pessoal que no Técnico corresponde a um corte de quase 20%.Por exemplo, os 800 mil euros de um projecto europeu que o Centro de Fusão ganhou recentemente têm mesmo de ser utilizados na construção de um protótipo para o reactor experimental de fusão nuclear - isto se o CFN não recusar o projecto porque não o consegue executar no prazo estabelecido com as exigências esquizofrénicas do CCP - e não podem ser utilizados para tapar o buraco de 5 milhões de euros que o aumento de 11% na contribuição para a CGA acarreta para o Técnico.A aposta de futuro que urge para Portugal passa necessariamente pelas Universidades, já que implica a resolução do problema estrutural da nossa economia, que se nada for feito permanecerá mesmo depois de varridos os ventos conjunturais da crise financeira internacional. Em particular, passa pelas escolas de ciência e tecnologia que são as incubadoras da reforma do tecido produtivo que urge igualmente para Portugal. Se se estrangulam essas escolas, continuaremos a fingir que somos muito «progressistas» tecnologicamente com aquilo a que o Carlos chama tecnologias chave na mão aplicadas em fábricas caixa preta para que só é necessária mão-de-obra não qualificada. Ou seja, andamos há um ror de anos a investir muitos milhões de euros - é verdade que na sua maioria provenientes de fundos europeus - na formação de mão-de-obra altamente qualificada que na prática não é aproveitada nem serve o país porque é obrigada pelas circunstâncias a procurar lá fora o que não encontra cá dentro.O ponto alto do discurso do António ontem*, para mim pelo menos, que a Lusa resumiu como uma vontade de o Técnico ter «uma voz activa sobre políticas do ensino superior, mas também sobre as políticas públicas», deixou-me no entanto na dúvida sobre a disponibilidade dos nossos políticos para nos ouvir. Será que José Sócrates, que aparentemente ainda não se apercebeu que, no Portugal de hoje, é impossível dissociar o ensino superior público da investigação e desenvolvimento, está finalmente sensibilizado para os graves problemas que vivem as universidades portuguesas decorrentes da forte aposta em C&T, que agradecemos, conseguida às custas do desinvestimento no primeiro, que deploramos?E que pensa sobre o tema Manuela Ferreira Leite, a nossa ministra no tempo em que os estudantes universitários eram a geração rasca? Será que também pretende «rasgar», «repudiar» e «romper» todas as políticas de aposta forte em ciência e tecnologia, que só pecam por não terem sido acompanhadas de um reforço equivalente para o Ensino Superior? Fico preocupada quando leio o que debita a líder do PSD sobre políticas de Educação, porque parece pensar que esta, a educação, se resume ao ensino básico e secundário, não obstante mencionar que recolheu contributos de professores do ensino superior para o programa eleitoral do PSD na área da Educação. Não sei quem são os seus conselheiros para o ensino superior, mas espero sinceramente que não sejam os que consideram uma «bordoada» no ensino superior acabar com a figura do assistente de carreira, um anacronismo que advém daquele atraso estrutural imposto pelo Estado Novo que conseguimos finalmente ultrapassar. *Mas, acima de tudo, é necessário fazer ouvir a voz do Técnico fora da Escola. Temos de intervir e tomar posição, não só em relação às políticas de Ciência e Ensino Superior, mas também em relação a outras políticas públicas, relativamente aos grandes investimentos públicos e à necessidade de não paralisar, por motivos políticos circunstanciais, o desenvolvimento do país. É um assunto demasiado importante para o futuro do país para ser entregue só a políticos, economistas e gestores.
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July 4 2009, 6:05am | Comments »
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CIÊNCIA PARA MONGES (TIBETANOS)
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O "New York Times" de ontem informa como: aqui.
June 30 2009, 7:09am | Comments »
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POEMA DA INTERROGAÇÃO
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/poema-da-interrogacao.html
Mensagem recebida de Domingos da Mota em que rectifica um post convidado que publicámos da autoria de Paulo Trincão (em comentário, o poeta declara-se evolucionista):Caros cientistas e filósofos, Uma vez que o vosso colaborador Paulo Trincão usou um poema meu sem a sua transcrição integral (falta-lhe o título “Poema da interrogação”, bem como a respectiva epígrafe), e dado que esse poema é atravessado por uma carga de ironia muito forte, creio que não será o melhor exemplo para, poeticamente, exemplificar a sua tese do criacionismo (se entendi bem o artigo), antes pelo contrário. Daí que deixei um comentário nesse artigo, e peço que o seu autor coloque o poema na íntegra, se mesmo assim o quiser manter, e já agora, explicite as referências, que são o meu blogue http://fogomaduro.blogspot.com/ Os melhores cumprimentos, Domingos da MotaPoema da interrogação«Deus abençoou o sétimo dia e santificou-o, visto ter sido nesse dia que Ele repousou de toda a obra da criação.»GénesisDeus de tudo e do nada, se existes,uno e trino, suprema omnisciência,trabalhaste seis dias e resistesimpassível no céu, com paciência;se em vez da criação numa semanativesses operado um mês a eito,esculpisses o barro com mais ganae fizesses um mundo mais perfeito;(repara, por exemplo, vê o homemque se diz ser à tua semelhançae que mata e devasta e cria a fome,em nome do poder e da abastança);perdoa-me a pergunta impertinente:existes como O Ser, ou como ente?Domingos da Mota
June 22 2009, 1:59pm | Comments »
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Darwin e Eça
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Minha última crónica no jornal "As Artes entre as Letras" (na imagem Eça de Queiroz):O naturalista Charles Darwin (1809-1882), de cujo nascimento se comemora este ano o duplo centenário, foi quase contemporâneo do escritor Eça de Queiroz (1845-1900). Eça deve ter tido oportunidade, quando ainda era estudante de Direito na Universidade de Coimbra (1861-1866), de receber ecos da publicação da Origem das Espécies (1859), que teve lugar quando Eça fazia estudos secundários no Colégio da Lapa, no Porto. A primeira referência académica a Darwin em Portugal ocorreu em 1865, o ano da Questão Coimbrã, pela pena de Júlio Henriques, professor de Botânica em Coimbra, quando Eça aí estudava. Muito mais tarde, nas Notas Contemporâneas (1896), Eça haveria de recordar desta maneira os velhos tempos da sua geração, a chamada “geração de 70”:“Coimbra vivia então numa grande actividade, ou antes num grande tumulto mental. Pelos caminhos de ferro, que tinham aberto a Península, rompiam cada dia, descendo da França e da Alemanha (através da França) torrentes de coisas novas, ideias, sistemas, estéticas, formas, sentimentos, interesses humanitários... Cada manhã trazia a sua revelação, como um Sol que fosse novo. Era Michelet que surgia, e Hegel, e Vico, e Proudhon; e Hugo tornado profeta e justiceiro dos reis; e Balzac, com o seu mundo perverso e lânguido; e Goethe, vasto como o Universo; e Poe, e Heine, e creio já que Darwin, e quantos outros! Naquela geração nervosa, sensível e pálida como a de Musset (por ter sido talvez como essa concebida durante as guerras civis) todas estas maravilhas caíam à maneira de achas numa fogueira, fazendo uma vasta crepitação e uma vasta fumaraça! “Eram, como se lê, tempos de grandes novidades tanto científicas como artísticas para um grupo de jovens que queriam nada mais nada menos do que mudar Portugal (quando verificaram que não o tinham conseguido, auto-intitularam-se “vencidos da vida”...). E as ideias de Darwin pontificavam no turbilhão de ideias vindas de fora.Em Os Maias (1888), Eça de Queiroz faz várias referências a Darwin, nomeadamente neste passo em que Carlos da Maia critica o romance realista (uma auto-crítica queiroziana, portanto):"Carlos declarou que o mais intolerável no realismo eram os seus grandes ares científicos, a sua pretensiosa estética deduzida de uma filosofia alheia, e a invocação de Claude Bernard, do experimentalismo, do positivismo, de Stuart Mill e de Darwin, a propósito de uma lavadeira que dorme com um carpinteiro!"Ou ainda neste passo, em que Darwin é insultado por João da Ega, o amigo de Carlos que era uma projecção literária de Eça, e que pretendia mostrar que estava sóbrio:“— Olha, vou pôr aquela garrafa à boca, tu verás... E fico frio, fico impassível. A discutir filosofia... Queres que te diga o que penso de Darwin? É uma besta... Ora aí tens. Dá cá a garrafa.”Eça era cônsul em Bristol, depois de o ter sido durante um quadriénio em Newcastle, quando Darwin morreu na sua casa de Down, em Inglaterra. Pôde assim seguir de perto os funerais nacionais do sábio e, antes disso, a polémica que se desenvolveu nesse país a propósito da relação de parentesco entre o homem e o macaco (esse tema não é tratado por Darwin na Origem das Espécies, surgindo só em 1871, o ano das Conferências do Casino em Lisboa, n’ A Origem do Homem). A exibição de um gorila em Londres é relatada por Eça, no seu estilo inconfundível, numa das suas Cartas de Inglaterra, escrita em 1877:"Darwin (...) declarou-o nascido directamente do macaco. Parecia natural que Pongo, vendo pela primeira vez o sábio ilustre que lhe deu uma tão alta posição na criação, fazendo-o pai do género humano, lhe daria ao menos um ‘shake-hands’ cordial. Pois não senhor! Detesta-o. Com uma ingratidão africana, apenas o avista, franze a testa, arreganha os dentes, fita-o e volta-lhe as costas." (...) “Pongo conhece que Darwin o declarou pai do homem: e Pongo, que já tem viajado bastante, que esteve em Berlim, que conhece a população toda de Londres, que tem feito observações prolongadas sobre o homem, está furioso com Darwin e com a sua teoria. «O quê!», pensa ele; «isto, este ser de chapéu alto e luneta no olho, que paga um xelim para me vir ver, é que é o meu descendente? E a isto que Darwin chama um gorila aperfeiçoado? Mas esse sábio não tem então escrúpulo em lançar uma nódoa infamante na respeitável classe dos gorilas? Esse sábio é um mau homem!» E volta-lhe as costas. A razão é clara: ele não o considera um observador profundo, acha-o um reles caluniador!“Ainda sobre o homem e o macaco vale a pena saborear a ironia fina de Eça, bem patente noutro passo das mesmas Cartas:"Quem diria, vendo nos antigos paraísos afogueados, o macaco balançar-se nos grossos troncos da batata gigante, que aquele felpudo e hirsuto personagem seria um dia barão, camarista, bispo e redactor de gazetas?”Já no final da sua vida, o “vencido da vida” Eça, no conto Adão e Eva no Paraíso (publicado em 1897), mistura literariamente criacionismo e evolucionismo («Adão, Pai dos Homens, foi criado no dia 28 de Outubro às duas horas da tarde.» (...) “Não, não era belo, nosso Pai venerável, nessa tarde de Outono, quando Jeová o ajudou com carinho a descer da sua árvore!”). A prosa de Eça tinha evoluído muito: o escritor revolucionário da juventude, fortemente influenciado pela ciência da sua época, tinha dado lugar a um autor de pendor espiritualista...
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June 14 2009, 4:02pm | Comments »
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SOBRE A EVOLUÇÃO, RAMALHO ORTIGÃO, 1877
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No contexto do ano Darwin, reproduzimos parte de uma carta aberta de Ramalho Ortigão ao Papa incluída nas "Farpas" ("Crónica Mensal da Política, das Letras e dos Costumes"), de Maio a Junho de 1877 (na imagem Ramalho por Rafael Bordalo Pinheiro):"É um novo dilúvio aquele de que a história do pensamento humano nos oferece a imagem caudalosa e tremenda. A inundação espraia-se no vasto campo da teologia, e vemos ao longe, fugindo desgrenhadas, as últimas superstições, medonhas como os grandes monstros pré-históricos que vão ser tragados pela vaga.Cansada de combater, a teologia finalmente rende-se. Tendo perseguido Galileu, Giordano Bruno, Savonarola, Averróis, Lutero, tendo combatido todos os iniciadores de um novo sistema do universo ou de uma nova compreensão dos destinos do homem, a Igreja vê aparecer Darwin, e nem sequer tenta lutar!O transformismo, revelado por Lamarck, supitado um momento na Academia Francesa sob a autoridade funesta de Cuvier, é finalmente definido e promulgado, e todo o imenso edifício teológico da criação do mundo e do homem cai aluído pela lei da adaptação e da selecção natural na luta pela existência.Às grandes revoluções nas ciências físicas e naturais sucederam-se modificações equivalentes nas teorias e nas praxes da vida social, na economia, na administração, na política, no sentimento, na crítica, na poesia, na arte, na moral e na própria religião.Da filosofia zoológica de Darwin sai um Deus como religião alguma tinha até hoje tido o poder de concebê-lo, o único Deus compatível com a noção da sabedoria infinita. Segundo os sistemas da criação anteriores ao transformismo, e adoptados pela Igreja, Deus era o autor de umuniverso que ele sucessivamente revia e emendava, depois de cada um dos cataclismos que passavam por cima da sua obra, como passa uma esponja sobre uma operação incorrecta. Segundo a teoria darwiniana, experimentalmente demonstrada e contraprovada pelos mais sábios analisadores, Deus não revê, Deus não corrige, Deus não se emenda, Deus não se aperfeiçoa sendo assim perfectível e portanto imperfeito, como fatalmente deveríamos admitir que o era aceitando a doutrina do Génesis e a crítica paleontológica de Cuvier e de todos os adversários de Lamarck de Goethe, de Darwin e de Haeckel.As espécies extintas não foram cortadas pelo Criador no livro da Terra como por meio de um sinal posto à margem na prova de uma segunda edição.Os órgãos rudimentares dos animais, os órgãos que não têm função, deixaram de ser excrecências de estilo inadvertidas pelo autor ou empregadas por ele com um intuito de ornato retórico. Se o homem, por exemplo, tem em estado rudimentar e na atrofia de uma inércia de milhares de séculos, uma cauda indicada pelas suas vértebras falsas, se tem mamilos sem amamentar, se tem útero sem conceber, se tem um segundo estômago sem ruminar, escusamos já hoje de explicar estes factos por um descuido indolente ou por uma ênfase premeditada na confecção do nosso organismo. A evolução genealógica de todos os seres e a sua procedência de um tronco ancestral comum, descoberta e provada pela lei de Darwin, basta para nos explicar cabalmente todas as aparentes anomalias da criação sem quebra da infalibilidade suprema.Assim o Deus revelado ao mundo pelos modernos filósofos teístas é o único Deus omnipotentemente sábio, o único Deus verdadeiramente divino, porque não procede na obra da criação por emendas, revisões sucessivas, reedições aumentadas e correctas, como o Deus teológico: Ele cria a vida no átomo primitivo vogando na imensidade, deixa cair a célula primordial nas profundidades fecundas do Mar Tenebroso e ordena-lhe que se desenvolva dentro de uma lei prefixa. Depois do quê não só não descansa, não só não revê, não só não modifica, mas nem sequer espera, porque infinito Ele mesmo, e preenchendo o infinito no espaço e o infinito no tempo, possui em si próprio, completa, a infinita evolução."
June 8 2009, 6:00pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
GRANDES ERROS: CITAÇÕES INVENTADAS
http://dererummundi.blogspot.com/2009/06/grandes-erros-citacoes-inventadas.html
Citações inventadas de grandes personagens são sempre grandes erros. Fui ler a crónica da jornalista Inês Teotónio Pereira sobre educação no jornal "I" (um jornal simpático) do último sábado porque o título era "Citemos Einstein". Terminava desta maneira:"E agora vamos educar esta criança. Mas como? Einstein dizia: "O único sítio onde sucesso aparece antes de trabalho é no dicionário." Então, citemos Einstein."Parece bonito, mas há aqui um pequeno problema. É que Einstein nunca disse isto, sendo uma frase que recorrentemente lhe é atribuída na Internet sem nunca ter sido indicada e verificada a fonte original (não está no dicionário de citações de Einstein mais cuidadoso, "The New Quotable Einstein", de Alice Calaprice, Princeton University Press, 2005)! Não sei de quem e a frase, mas há vários candidatos, pois ela aparece noutras bocas. Como nenhum deles é tão conhecido como Einstein, nada como atribuí-la a Einstein usando um argumento de autoridade...
June 7 2009, 7:12am | Comments »







