A última "Physics Today" informa que as notícias das descobertas de Galileu chegaram depressa à arte. Em 1612, escassos dois anos após o "Mensageiro das Estrelas", o pintor Lodovico Cardi, também conhecido por Cigoli (1559 - 1613), pintava pela primeira a Virgem sobre uma lua tal como Galileu a tinha visto, isto é, com montes e vales. O quadro intitula-se "L'Immacolata", mas a lua tinha deixado de o ser...
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A VIRGEM NA NOVA LUA
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June 2 2009, 4:16pm | Comments »
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Publicidade institucional
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/publicidade-institucional.html
(Clique no cartaz para aumentar)Em particular depois do Manifesto pela Divulgação da Energia Nuclear, discutir o nuclear está na ordem do dia. O Técnico não poderia deixar de se associar ao esclarecimento da opinião pública sobre o tema e assim amanhã terá lugar um debate que terei o prazer de moderar. Todos os nossos leitores estão desde já convidados para uma sessão que se espera muito animada.Programa14:15 – 14:30 Sessão de boas vindas14:30 – 15:45 – Apresentação sobre “A Energia Nuclear em Portugal”15:45 – Coffee Break16:00 – Debate: “Energia Nuclear: Uma opção para Portugal?”
May 27 2009, 10:13am | Comments »
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Temas clássicos na ficção - 1
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/temas-classicos-na-ficcao-1.html
Os sistemas de ensino ocidentais, uns mais do que outros, têm reduzido progressivamente o lugar de várias áreas do saber por se considerarem supérfulas, pouco apelativas para "as massas" que frequentam as escolas, sem interesse para a vida quotidiana, etc..Por outro lado, mesmo aqueles que chegam a patamares mais avançados na escolaridade - no nosso caso, secundário e superior -, têm de fazer escolhas quanto ao seu percurso académico as quais afastam necessariamente outras: a opção pelas áreas científicas e tecnológicas, em geral, exlui as humanidades e o contrário também é verdade. A existência de "duas culturas" que não comunicam, denunciada há cinquenta anos por C. P. Snow, continua a orientar a organização do currículo e, afinal, a educação formal.Estas duas razões têm concorrido para deixar muitas pessoas ignorantes, ou praticamente ignorantes, em relação a vários saberes. E muitas mais seriam se não houvesse, por parte de escritores, investigadores, tradutores, editores, cineastas, encenadores, actores e sociedade em geral, a vontade de manter ou tornar certos saberes vivos e partilháveis..Na área da ciência têm-se feito, nas últimas décadas, um excelente trabalho de divulgação, acessível ao grande público que tem sido fundamental para melhorar a "literacia científica", sendo que a ficção não se pode excluír deste resultado.Mas, também as humanidades parecem estar bastante empenhadas em dar a conhecer os seus saberes: com alguma facilidade encontramos obras, de compreensão acessível a todos, de história, de literatura, de filosofia, de cultura clássica....Em relação a esta área e, para ir direita ao assunto deste texto, assinalo que tem surgido um número considerável de livros de carácter ficcional – contos, romances, teatro – sobre temas da cultura e história da Grécia e Roma Antigas.Por gentileza de José Ribeiro Ferreira, professor do Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra, disponibiliza-se para os leitores do De Rerum Natura, com uma regularidade semanal, informação sobre algumas dessas obras, cuja leitura nos esclarece acerca das origens do nosso pensamento.A primeira a que fazemos referência tem por título Ramsés, é da autoria de Christian Jacq e foi publicada entre nós, pela Bertrand, nos anos noventa. Dois dos cinco volumes que a compõem – O Filho da Luz (1995), O Templo dos Milhões de Anos (1996), A Batalha de Kadesh (1996), A Dama de Abu Simbel (1996), Sob a Acácia do Ocidente (1997) – tratam a Questão Homérica ou têm-na subjacente.“Como o título indica, o escritor e egiptólogo francês explora a vida e longo reinado desse famoso faraó do Egipto. Não é, porém, essa a razão que me leva a uma referência mais longa aos dois primeiros volumes, mas por ecoar na sua acção alguns aspectos da Questão Homérica e a versão menos divulgada do mito de Helena, segundo a qual é um fantasma da rainha de Esparta que vai para Tróia e não ela própria em pessoa – versão que Eurípides utilizou na sua Helena. Em especial nos dois primeiros volumes, com os títulos Ramsés – O Filho da Luz e Ramsés – O Templo dos Milhões de Anos, deparamos com referências aos Hititas, à Guerra de Tróia, à destruição dessa poderosa cidade da Ásia Menor pelos Micénios, os Gregos. Na viagem de regresso à pátria, Menelau passa pelo Egipto e aí encontra a verdadeira Helena, como hóspede dos reis.Contudo, ao contrário do que acontece no mito, ela não pretende regressar a Esparta, mas continuar no Egipto. Só acede a acompanhar o marido para salvar a vida dos reféns egípcios que o Atrida fizera no intuito de obrigar o Faraó a entregar-lhe a mulher. Todavia, libertados os reféns, Helena suicida-se, logo que as amarras se levantam e a armada grega se começa a afastar.Nos navios gregos, com Menelau, vinha Homero que não acompanhará o rei de Esparta na sua viagem de regresso, mas fica no Egipto, sob a protecção de Ramsés. Aí, no país do Nilo, a um escriba desse faraó ditará ele a Ilíada, poema que relata um episódio da referida Guerra de Tróia. E assim o romance de Christian Jacq, incorpora na acção a célebre “tese do ditado”, proposta em 1953 por Albert B. Lord e hoje conta com a relativa aceitação dos estudiosos dos Poemas Homéricos.Deste modo é deslocado para o Egipto o local da composição da epopeia e para o século XIII a.C. a data em que foi realizada, quando hoje se aceita que essa composição se verificou no século VIII como corolário de uma longa tradição de transmissão oral.”José Ribeiro Ferreira
May 26 2009, 2:38am | Comments »
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Uma Questão de Princípios
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/uma-questao-de-principios.html
Há quasi um ano e a propósito de um editorial da Nature elogioso do recém-falecido John Templeton, Matthew Cobb e Jerry Coyne publicaram uma carta na revista, que pode ser lida na íntegra no Pharyngula para quem não tenha acesso à Nature. A carta, que ajuda a explicar como o mundo social, em especial a religião, influencia para tantos a forma como veêm o mundo natural, foca-se num dos temas que mais inflama o nosso espaço de debate e vale a pena ser lida por ajudar a esclarecer algumas questões recorrentes nesse espaço e que podem ser apreciadas neste excerto: «Ficámos perplexos com seu Editorial sobre o trabalho da Fundação Templeton ('Templeton's legacy' Nature 454, 253–254; 2008). Com certeza ciência é sobre encontrar explicações materiais para o mundo - explicações que podem inspirar aqueles sentimentos de assombro, maravilhamento e reverência no hiper-evoluído cérebro humano. A religião, por outro lado, é sobre humanos pensando que assombro, maravilhamento e reverência são a pista para entender um Universo construído por Deus. (O mesmo é verdade para a prima pobre da religião, a 'espiritualidade', que introduziu no seu Editorial da forma como um criacionista usa o 'design inteligente'.) Há um conflito fundamental aqui, um que nunca pode ser reconciliado até que todas as religiões parem de fazer alegações sobre a natureza da realidade.» (...)O seu editorial sugere que a ciência pode trazer "avanços no pensamento teológico". Na realidade, a única contribuição que a ciência pode fazer para as ideias religiosas é o ateísmo». Lembrei-me desta carta quando li no blog de Coyne que o cientista recusou um convite para participar no Festival Mundial de Ciência por este ser financiado pela Fundação Templeton, fundada pelo senhor cuja elegia na Nature tanto desagradou a Coyne e Cobb (e a muitos outros cientistas, certamente). Vale a pena voltar a referir o curioso Prémio Templeton, que até 2001 era o prémio Templeton para o Progresso da Religião e que premeia com a módica quantia de 1,4 milhões de dólares as individualidades que supostamente consigam a improvável façanha de aproximar a ciência da religião. A propósito do prémio de 2008, a New Scientist publicou um artigo muito interessante denominado «A ética de misturar ciência e religião», que vale a pena ler por reproduzir o que muitos cientistas pensam desta fundação, cujo «principal objectivo é usar a ciência para promover uma agenda religiosa». Richard Dawkins, vai mais longe e descreve o prémio Templeton como «uma soma de dinheiro muito grande que se concede normalmente a um cientista disposto a dizer coisas boas da religião». Coyne pensa exactamente o mesmo que muitos colegas e não se deixou seduzir pelo cachet fabuloso que a Templeton estava disposta a pagar-lhe para integrar um painel que discutiria a relação entre fé e ciência. Vale a pena ler na íntegra a carta de recusa de Jerry Coyne de que reproduzo um pequeno excerto: Like many of my colleagues, I regard Templeton as an organization whose purpose is to fuse science with religion: to show how science illuminates “the big questions” and how religion can contribute to science. I regard this as not only fatuous, but dangerous. Templeton likes nothing better than to corral real working scientists into its conciliatory pen. I don’t want to be one of these. That’s just a matter of principle. But the “no strings” argument doesn’t wash for me, for precisely the same reason that congressmen are not supposed to take gifts from people whose legislation they could influence. It is the appearance of conflict that is at issue. To avoid this appearance in the future, I would strongly suggest that the Festival discontinue taking money from Templeton. That foundation is widely regarded in the scientific community as one whose mission, deliberate or not, is to corrupt science. It doesn’t belong as a sponsor of your festival.
May 8 2009, 8:15am | Comments »
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MAIS UMA MÁQUINA IMPOSSÍVEL
http://dererummundi.blogspot.com/2009/05/mais-uma-maquina-impossivel.html
As leis da termodinâmica estão de pé porque têm resistido desde há muitos anos a todo o tipo de inventores que engenham dispositivos para as violar. E é por isso que muitas repartições de patentes já nem aceitam máquinas de movimento perpétuo. Este aquecedor de água, com um anunciado rendimento superior a cem por cento, é apenas mais um desses milhentos casos... É uma crença nas leis da termodinâmica, mas estou convencido que elas vão continuar de pé!
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May 3 2009, 4:41am | Comments »
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SAPIENTIA
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Há um verso de T. S. Eliot que, creio, se aplica à experiência de Barthes: “E o fim de todas as nossas explorações será chegar ao lugar de onde partimos e conhecê-lo então pela primeira vez”.Os caminhos da alma são circulares, voltam sempre ao princípio. Ao final de sua longa caminhada de vida inteira pelos caminhos da ciência, ele se descobre chegando ao lugar de onde partira: o lugar da criança. Sapientia é conhecer a vida pela boca. É assim que a criancinha conhece o mundo, misticamente, de olhos fechados, a boca sugando o seio da mãe. Seio: primeira e inesquecível metáfora para o mundo. O mundo tem de ser um objeto de deleite. “Nenhum poder, um pouco de saber, um pouco de sabedoria, e o máximo de sabor possível ”. O sabor vive naquilo onde a visão morre: o contato. Os olhos são amantes apolíneos: sentem-se felizes em contemplar, de longe, o objeto amado. Mas a boca é dionisíaca: precisa comer o objeto amado…Barthes anuncia aos seus ouvintes perplexos que está abandonando os respeitáveis instrumentos da ciência. Deixou a sala de aula, lugar dos saberes. Está se transferindo para a cozinha, lugar dos sabores.Há textos que se parecem com uma lisa superfície de gelo sobre a qual o leitor desliza. O pensamento se move fácil: tudo lhe é conhecido com familiaridade. Mas, ao final desse exercício de patinação sobre o conhecido, o pensamento continua o mesmo. Quando as palavras deslizam suavemente como um patinador sobre o gelo, é certo que nada de novo irá surgir. Ao final tudo estará como sempre foi. Bem que Hegel advertiu que “o que é conhecido com familiaridade não é, de fato, conhecido, pela simples razão de ser familiar”. Barthes, mestre nas sutilezas da psicanálise, sabia que a verdade aparece no lapsus, quando o familiar é rachado, quando o pensamento tropeça. O francês tem uma palavra para sabedoria. É sagesse, palavra familiar, conhecida por todos. Barthes poderia tê-la usado. Não o fez. No lugar de sagesse usou sapientia, latim. Barthes usou o latim para provocar uma queda. Sagesse, sabedoria, todo mundo pensa saber o que é. Mas, na “encruzilhada da etimologia” ele encontra sapientia, que quer dizer conhecimento saboroso. Sapere, em latim, tem o duplo sentido de “saber” e “ter sabor”. Essa duplicidade de sentidos está preservada e esquecida no português. O Aurélio registra,para o verbo “saber”, ao lado do seu uso comum de “ter conhecimento”, o uso já fora de moda de “ter o sabor de”. Lembro-me do tempo em que se dizia: “Essa comida sabe bem”, isso é, “essa comida é saborosa”. A “encruzilhada da etimologia” nos remete para o lugar onde os saberes do “eu” e os saberes do “corpo” entram em conflito, colidem, chocam-se. O eu conhece com os olhos, vai vendo o mundo e dizendo o que sabe com idéias claras e distintas. O corpo, coisa viva, usa os olhos para ver os frutos à beira do caminho — ver para comer. Aí, quando come, lhe faltam palavras para comunicar os sabores dos frutos que come.Como dizer o gosto de um morango? A falta de clareza e distinção das palavras da sapientia não se deve a um defeito de comunicação que pode ser corrigido. Os sabores são, essencialmente, segredos, incomunicáveis. O objeto da sapientia está além das palavras. Um enunciado científico diz um saber. Tudo o que precisa ser sabido se encontra no dito. A linguagem científica, dos saberes, não contém segredos. Posso confiar nas palavras, ficar com o que elas dizem. Devo tomá-las ao pé da letra, literalmente. Elas são fidedignas. O eu é a casa onde moram as palavras que não têm segredos. É com estas palavras que o eu é feito. O corpo diz: “Isso é saboroso”. Ouço, entendo as palavras. Sei o que elas significam. A despeito disso, continuo “sem saber”, ou melhor, “sem sabor”. Nada sei sobre osabor do saboroso. Para o sabor não há palavras. “Isso é saboroso”: essa afirmação não diz o sabor. O sabor não mora nela. Ela é usada como um ponto de exclamação e, ao mesmo tempo, como um dedo que aponta. Ela enuncia uma experiência de prazer e diz onde ele se encontra. Aspalavras do saber, ao contrário, contém o seu objeto: o objeto do conhecimento é o seu enunciado. Na ciência os saberes se fazem com palavras: artigos em periódicos. Assim, nas escolas as “provas” se fazem com palavras. Os vestibulares, igualmente, são feitos com palavras.Passa quem sabe as palavras certas. Para os saberes, as palavras bastam. Escola não ensina sabor. Não há formas de “avaliar” o sabor. As palavras do sabor são bolsos vazios. Neles não háobjetos que possam ser ditos. O sabor sempre fala sobre algo que não se encontra nas palavras. Para se saber o sabor do saboroso é preciso ir além das palavras, ao lugar onde o prazer acontece. Por isso não se pode nunca tomar as palavras do corpo “literalmente”. Com as palavrasdo corpo há de se trabalhar sempre com aquilo a que Nietzsche deu o nome de “a arte da desconfiança”. Essas palavras-bolso, cujo sentido está sempre fora delas, são o que se chama metáfora. Vale aqui o que disse Wittgensteinsobre sua própria filosofia: andaime. Andaimes cercam a casa, mas não são a casa. Construída a casa, desmontam-se os andaimes. Atingido o sabor, desmontam-se as palavras. O sabor mora no silêncio. As funduras do corpo estão além das palavras. Moram no silêncio. Os sabores são inefáveis, o prazer é inefável, não pode serdito. “A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá”, disse Manoel de Barros.(...)Rubem AlvesLivro Sem Fim
April 25 2009, 4:57pm | Comments »
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A UNIVERSIDADE SEM-ABRIGO
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/universidade-sem-abrigo.html
Minha crónica no "Público" de hoje (na foto, pátio da Universidade de Évora):Confesso que não gosto de Derrida, que é demasiado pós-moderno para o meu gosto, mas li A Universidade Sem Condição (Angelus Novus, 2003), um livro do filósofo e professor universitário francês. O título contém uma ambiguidade propositada. “Sem condição” significa, por um lado, que a universidade é o sítio onde se discute tudo sem condições e, por outro lado, que essa instituição é carente (o autor fala da “fragilidade de suas defesas perante os poderes que a comandam, assediam e tentam apropriar-se”, acrescentando “porque é estranha ao poder, porque é heterogénea ao princípio do poder, a universidade é igualmente desprovida de poder próprio"). A questão do livro é: como pode a universidade ser independente, exercendo a função de livre pensamento que só ela sabe exercer, ao mesmo tempo que depende tanto dos poderes alheios?A universidade pública portuguesa está, actualmente, “sem condições” num sentido bem mais comezinho. Os reitores chamaram a atenção do ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior para a ruptura financeira que está à vista, solicitando intervenção urgente. Já não se trata apenas de investimentos (muito parcos para as gritantes necessidades) ou de despesas de funcionamento (os fornecedores esperam e desesperam), mas sim e a curto ou médio prazo do próprio pagamento dos salários. A universidade corre o sério risco de ficar sem-abrigo.Os reitores queixam-se de estrangulamento continuado. Em quatro anos, a percentagem do PIB afecta ao funcionamento do ensino superior desceu sensivelmente. A isto acrescentaram-se a nova obrigação dos descontos para a Caixa Geral de Aposentações e os aumentos da função pública. Quatro universidades ficaram em 2007 em falência técnica e outras tantas tiveram sérias dificuldades em 2008. Este ano, com a crise económica geral, a situação está a piorar. Como o número de alunos no ensino superior tem aumentado, as conclusões quanto ao financiamento por aluno são óbvias. Parece ter-se atingido uma situação grave de degradação, que não convirá a ninguém. Como pode uma universidade na penúria cumprir a sua missão?O que diz a tutela, palavra que vem do latim "tuere", com o significado de proteger ou defender alguém? O ministro, que tem a seu favor o facto de ter mudado o governo das universidades e também o facto de ter extinguido duas universidades privadas (uma delas, por azar, a da licenciatura do primeiro-ministro), acusa as universidades de má gestão, sem especificar quem são os maus gestores e porquê, nem os incriminar, acabando com a má gestão. E diz que as verbas para a ciência têm aumentado – tiro-lhe o chapéu por isso – ao que os reitores contrapõem que isso se tem feito à custa do ensino superior - e eu volto a pôr o meu chapéu na cabeça. Tive esperança, quando, noutro governo, se juntou o ensino superior à ciência no mesmo ministério, que esse casamento fosse em comunhão de bens adquiridos. Pelos vistos não é, o que não augura um casamento estável e feliz.Seria talvez mais rentável que o país, em vez de obras públicas faraónicas, fizesse um grande investimento na nossa massa cinzenta, de modo a que surgissem entre nós uma ou mais universidades no “top 100” do “ranking” europeu. É necessária uma avaliação rigorosa das escolas superiores, incluindo nessa avaliação não só os cursos como a investigação (o ministro mandou avaliar esta em separado) e o apoio à comunidade, de modo a apostar, como contributo para a superação da actual crise, no que elas têm de melhor. O facto de a incubadora do Instituto Pedro Nunes, em Coimbra, onde surgiram empresas de grande sucesso como a Critical Software e a Crioestaminal, ter ganho há pouco tempo o segundo lugar no prémio internacional Best Science Based Incubator mostra o potencial de ajuda ao desenvolvimento que existe nas nossas universidades. Porque não, aliando intimamente o ensino superior com a ciência e a tecnologia, procurar que os sectores universitários mais competitivos entrem ainda mais nos quadros de excelência europeus e mundiais?
April 23 2009, 6:35pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Do problema, da acção, da investigação
http://terrear.blogspot.com/2009/04/do-problema-da-accao-da-investigacao.html
Note algo muito curioso. O defeito é que faz a gente pensar. Se o carro não tivesse parado, você teria continuado sua viagem calmamente, ouvindo música, sem sequer pensar que automóveis têm motores. O que não é problemático não é pensado. Você nem sabe que tem fígado até o momento em que ele funciona mal. Nem sabe que tem coração, até que ele dá umas batidas diferentes. Você nem toma consciência do sapato, até que uma pedrinha entra lá dentro. Quando está escrevendo, você se esquece da ponta do lápis até que ela quebra. Você não sabe que tem olhos — o que significa que vão muito bem. Você toma consciência deles quando começam a funcionar mal. Da mesma forma que você não toma consciência do ar que respira, até que ele começa a cheirar mal...Fernando Pessoa diz que “pensamento é doença dos olhos”. É verdade, mas nem toda. O mais certo seria “pensamento é doença do corpo”. A gente pensa porque as coisas não vão bem — alguma coisa incómoda. Quando tudo vai bem, a gente não pensa, mas simplesmente goza e usufrui...E.3 Todo pensamento começa com um problema. Quem não é capaz de perceber e formular problemas com clareza não pode fazer ciência. Não é curioso que nossos processos de ensino de ciência se concentrem mais na capacidade do aluno para responder? Você já viu alguma prova ou exame em que o professor pedisse que o aluno formulasse o problema? O que se testa nos vestibulares, e o que os cursinhos ensinam, não é simplesmente a capacidade para dar respostas? Frequentemente, fracassamos no ensino da ciência porque apresentamos soluções perfeitas para problemas que nunca chegaram a ser formulados e compreendidos pelo aluno.E.4 Qual é o problema? O carro parou. Você deve descobrir o que está errado. Mas o que é isso? Você sabe que o automóvel, tal como foi planejado, é uma máquina ideal que funciona perfeitamente. Antes de ser transformada em peças, engrenagens, tubos, parafusos, ela foi construída idealmente, na imaginação, por pessoas que foram capazes de simular o real. Esta é a grande função e o poder mágico do pensamento: ele pode simular o real, antes que as coisas aconteçam. Mas nesse modelo ideal do automóvel não há defeitos. Eles aparecem quando a máquina real se desvia do plano ideal. Ora, seu problema é fazer com que o carro ande novamente, isto é, fazer com que funcione conforme foi idealmente planejado. Isso significa que você só pode resolver seu problema se for capaz de reconstruir, idealmente, o plano da máquina. A partir desse modelo você poderá inspeccionar, mentalmente, os possíveis defeitos no funcionamento do automóvel. Vamos construir um modelo muito simplificado. É sabido que o motor funciona em decorrência de uma explosão numa câmara fechada. Essa explosão depende de pelo menos dois factores: combustível e electricidade. A explosão produz pressão. A pressão faz o carro andar. Você já sabe então: sem gasolina, motor parado; sem electricidade, motor parado. Há aí dois circuitos a ser explorados. No circuito 1, a gasolina deve sair do tanque t e chegar à câmara onde se dá a explosão e, em virtude da faísca eléctrica. No circuito 2, a electricidade deve ir da bateria b à mesma câmara onde se dá a explosão e. O modelo do motor lhe permite elaborar três hipóteses:Hipótese 1: falta gasolina.Hipótese 2: falta electricidade.Hipótese 3: falta gasolina e electricidade. Em qualquer um desses casos o carro pára. Agora você vai fazer aquilo que os cientistas chamam de pesquisa: testar suas hipóteses, isto é, verificar, na prática, qual das suas construções mentais do defeito é a verdadeira.E.5 Como você procedeu?• Em primeiro lugar você tomou consciência do problema. Começou a pensar.• Em segundo lugar construiu um modelo ideal da máquina. Note que os bons mecânicos fazem isso automaticamente, sem pensar. Todos fazemos o mesmo, em áreas que dominamos. Quando alguém diz “nós vai”, sentimos logo um arrepio. Por quê? Porque essa maneira de falar contraria o modelo ideal da linguagem que está presente, de forma inconsciente, em nossas mentes, mesmo que não tenhamos estudado gramática. Esse modelo ideal é o plano geral da coisa.• Em terceiro lugar você elaborou hipóteses sobre o defeito. Hipóteses são simulações ideais das possíveis causas do enguiço do motor.• Finalmente você testou suas hipóteses. Por meio desse procedimento você descobrirá quem é o criminoso, qual a causa do defeito.E.6 Esse é o caminho que normalmente seguimos na ciência. É assim que procede um médico ao tentar fazer um diagnóstico. O sintoma (sentido pelo paciente ou detectado pelo exame) é o enguiço a ser corrigido, o crime a ser desvendado. Mas o médico nada poderá fazer se não tiver na cabeça um plano ideal de como funciona o organismo. Antigamente, quando uma pessoa sentia uma dor de barriga muito forte, a primeira coisa que se fazia era dar a ela um purgante bem forte. Que modelo dos intestinos se encontra por detrás dessa prática? Intestinos = tubulação. Tubulações podem ficar entupidas. Conclusão: antes de mais nada, precisamos nos certificar de que toda a canalização está desobstruída. Daí a aplicação do purgante. Qualquer prática curativa, da “comadre”, curandeiro, ao médico “classe A”, implica o uso de modelos como pré-requisito para o diagnóstico.F.1 Qual seria seu procedimento aqui? Você está certo de que o consumo de água não aumentou. Há, portanto, um equívoco em alguma parte. Da mesma forma como você procedeu com o automóvel, será necessário perguntar: quais os possíveis circuitos onde o problema se deu? Se não tiver um modelo desses circuitos, você não poderá elaborar nenhuma hipótese. Não poderá estabelecer nenhum plano de investigação.(...)Rubem AlvesFilosofia da Ciência - O jogo e as suas regras(enquanto revejo algumas regras do jogo para o "jogo" de amanhã.)
April 20 2009, 11:51am | Comments »
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TIAGO OUTEIRO NA "SCIENCE CAREERS"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/tiago-outeiro-na-science-careers-da.html
A revista "Science", na secção "Science Careers" fez o perfil do jovem cientista português Tiago Outeiro, que entre outras funções desempenha a de Vice-Presidente do Forum INternacional dos Investigadores Portugueses. Ler aqui.
April 9 2009, 4:59pm | Comments »
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Mais Humor Científico de David Marçal no "Inimigo Público"
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/mais-humor-cientifico-de-david-marcal.html
Porque é que o preservativo é ineficaz no combate à SIDA?O painel de conselheiros cultos do Inimigo Público, que também aconselha o Papa, explica que o embuste do preservativo não passa uma análise atenta à luz da ciência. Princípio de incerteza de HeisenbergOs vírus são simultaneamente uma onda e uma partícula e há um limite de precisão para determinar a sua velocidade e posição. Ou seja, nunca sabemos muito bem onde estão, ou se sabemos não sabemos para onde vão. Nesta condições, quem garante que os vírus não contornam o preservativo e voltam para trás pelo lado exterior? Selecção NaturalOs preservativos estão simplesmente a exercer uma pressão evolutiva sobre a população de vírus. Ou seja, estão a seleccionar a descendência dos vírus com uma pequena mutação que lhe permita atravessar o preservativo. É como o desenvolvimento da resistência a antibióticos. 2ª Lei da TermodinâmicaÉ entropicamente mais favorável ter os vírus espalhados por locais indeterminados, do que confinados dentro de um preservativo. A tendência espontânea dos vírus é encontrarem-se num estado desorganizado. É um pouco como a sua roupa interior usada, para a qual existem muito mais maneiras de estar espalhada pela casa do que arrumada dentro do cesto da roupa suja.Teoria do caosAlterações muito pequenas no momento em que se compra o preservativo podem ter consequências radicalmente diferentes no futuro. Mesmo ficando eventualmente a salvo do HIV, poderá provocar um tornado de proporções gigantescas ou um acidente em cadeia envolvendo centenas de camiões cisterna.David Marçal
April 5 2009, 7:41pm | Comments »





