A Universidade portuguesa tem conhecido profundas alterações nas últimas décadas, não apenas a nível da governação – nomeadamente a partir da Lei 108/88 da Autonomia Universitária –, mas especialmente a nível do modelo de universidade que desenvolvemos, um modelo em que a investigação foi assumindo progressivamente o papel que detém actualmente. As últimas décadas foram assim anos de consolidação de um modelo universitário em que a qualidade académica é indissociável da qualidade científica.O vigor das escolas nacionais pode ser apreciados nos números de que nos deu conta o «Reviews of National Policies For Education - Tertiary Education In Portugal - Examiners' Report», publicado em 6 Dezembro 2006. De facto, no período entre 1995 e 2005 aumentou 17% o número de estudantes a estudar em universidades e 70% o número de licenciados e pós-graduados. Por seu lado, no período entre 1993 e 2001 as publicações em revistas científicas indexadas cresceram 67% enquanto em revistas indexadas de elevado impacto científico aumentaram 123%.Não obstante o sucesso que estes números indicam – e serão certamente modestos comparados com os equivalentes em 2008 -, parece consensual que é necessário preparar o sistema universitário português para os desafios futuros na formação e na criação de cultura, conhecimento e tecnologia, desafios que se colocam já numa escala global. A pergunta que se impõe é obviamente qual o modelo que melhor responde a estes desafios.Feita esta pergunta, recordemos a orientação que seguimos até hoje e que não difere muito da que foi proposta no século XIX por Wilhelm von Humboldt e da qual constava, como intenção primeira, o saber e a sua constante procura. Embora Humboldt reconhecesse que a investigação e o saber dela decorrente poderiam apontar para finalidades práticas, recusou que um fim último mercantilista para a Universidade, isto é, recusou que o seu papel se reduzisse à formação de profissionais. Mesmo aceitando a necessidade de revisitarmos esta orientação de modo crítico, devemos apenas afinar os pormenores que a concretizam, não devemos, pura e simplesmente ignorá-la ou negá-la.Estas reflexões surgiram a propósito do relatório do Tribunal de Contas sobre o Técnico, que provocou a epifania mediática a que já me referi, nomeadamente durante a sua discussão ontem num plenário muito concorrido do Conselho Científico e hoje numa Assembleia de Representantes convocada para o efeito.Não me vou deter nos detalhes destas reuniões, que posso apenas classificar como épicas, mas vale a pena transcrever o ponto 4 da moção aprovada (ficheiro em formato pdf) no Conselho Científico, moção que resume o sentimento geral das duas reuniões:Reafirmar a sua estranheza por os orgãos de soberania, Assembleia da Républica e Governo, continuarem a ignorar as contradições legislativas actualmente existentes entre o enquadramento legal da autonomia universitária e a normativa burocrática, antiquada e verdadeiramente impeditiva do funcionamento normal de uma universidade no século XXI, que hoje se pretende aplicar com base em normas jurídicas que regem a administração central do Estado.Quiçá por deformação profissional, nunca percebi porque razão temos uma legislação complexa, contraditória e por conseguinte ineficiente. Ultrapassa-me que uma mesma lei possa ter várias interpretações, umas mais espirituais, outras mais lineares, ou que proporcione pareceres jurídicos de nomes sonantes da praça a asseverar algo e o seu contrário. Muito menos entendo que numa altura em que a sociedade da informação, a inovação e o desenvolvimento tecnológico enchem a boca de todo o político que se preze, não se perceba que asfixiar as Universidades com a recente esquizofrenia burocrática impedirá que estas cumpram o seu papel, ou antes matará as Universidades como hoje as conhecemos.O que surgirá dessas cinzas não será certamente uma fénix renascida muito menos o modelo de Universidade do século XXI que urge redefinir. Mais do que nunca, ter boas universidades (e bons cientistas) é um factor decisivo para o país. Mas as recentes alterações legislativas não configuram a Universidade de que precisamos. Acho que está na hora de as Universidades serem motores da reforma que urge e não meros espectadores de reformas que não passam de sentenças de morte.
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O Técnico, o Tribunal de Contas e a comunicação social - II
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/o-tcnico-o-tribunal-de-contas-e_18.html
December 18 2008, 1:42pm | Comments »
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Um padre em defesa da evolução
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Francisco José Ayala é o Donald Bren Professor of Biological Sciences, Ecology & Evolutionary Biology e professor de filosofia na UCIrvine. Ayala, que esteve presente no Beyond Belief 2007, é membro do President's Committee of Advisors on Science and Technology e foi presidente da American Association for the Advancement of Science, que tem como missão «desenvolver a ciência e servir a sociedade», tarefa que cumpre, entre muitas outras actividades, publicando a revista Science, a revista de Ciência mais lida no mundo.O biólogo que estuda a evolução foi igualmente padre dominicano e o último número da Scientific American- Brasil tem um perfil do ex- padre que nunca viu conflito entre evolução e fé - mas reconhece que convencer o público americano disso continua um desafio - e que considera que «o raciocínio moral, ou seja, a inclinação para fazer julgamentos éticos ao avaliar as ações em termos de bem e mal, é enraizada em nossa natureza biológica. É um resultado necessário de nossa inteligência elevada. Mas (2) os códigos morais que guiam nossas decisões como sendo boas ou más são produtos da cultura, incluindo as tradições religiosas e sociais.»Gostei de ler o perfil de Ayala, que não consegui encontrar online mas um nosso leitor do outro lado do Atlântico gentilmente nos enviou, do qual transcrevo algumas partes que considerei relevantes:«Após quase 40 anos pregando sobre a evolução para fiéis cristãos, o respeitado biólogo evolucionista da University of California, em Irvine, esmerilhou seus argumentos até ficarem bem afiados. Ele tem várias histórias e exemplos prontos, e algumas táticas de choque ao alcance das mãos. Uma entre cinco gravidezes acaba em aborto espontâneo, ele costuma lembrar nas palestras. Em seguida ele pergunta, de forma incisiva, como em uma entrevista para a revista U.S. Catholic, no ano passado: "Se Deus projetou o sistema reprodutivo humano, seria Deus o maior aborcionista de todos?". Com esses exemplos, ele explica, "eu quero combater os argumentos deles". Ayala, 74 anos, está se preparando para um 2009 excepcionalmente cheio de compromissos. O ano marca o bicentenário do nascimento de Charles Darwin e o sesquicentenário da publicação da Origem das Espécies, e a batalha entre a evolução e o criacionismo certamente recrudescerá. Ayala diz que há uma grande necessidade de que os cientistas envolvam pessoas religiosas nas discussões. Para exemplificar, ele carrega com dificuldade o Atlas of Creation, um calhamaço de 5,5kg e de dimensões de 28 x 43 cm, enviado pelo correio pelo criacionista muçulmano Adnan Oktar, da Turquia, para cientistas e museus por todos os Estados Unidos e França. O livro, ricamente ilustrado, associa a teoria de Darwin a horrores, incluindo o fascismo e o demônio. Nos Estados Unidos, o Discovery Institute, em Seattle, que promove projetos de desenhos inteligentes, publicou livros de biologia questionando a evolução e promove o filme Expelled: no intelligente allowed (2008) para argumentar que cientistas anti-darwinistas são perseguidos. A candidata republicana à vice-presidência dos Estados Unidos, Sarah Palin, defende que o criacionismo deva ser ensinado ao lado da evolução, nas escolas. Segundo uma pesquisa da Pennsylvania State University, um entre oito professores de biologia já trata o criacionismo como alternativa válida. Apesar dos esforços de engajamento por parte de cientistas e decisões constitucionais contra eles, os criacionistas e defensores da teoria do "projeto inteligente" não estão ficando mais fracos, adverte Ayala. "Eles estão se tornando, sim, mais visíveis." (...) Freqüentemente, alunos iniciantes do curso de biologia de Ayala dizem que responderão as perguntas das provas como ele deseja, mas na verdade eles rejeitam a evolução por causa de suas crenças cristãs. Anos mais tarde, depois de aprenderem mais sobre ciência, eles decidem abandonar a religião. Os estudantes parecem chegar à conclusão de que as duas abordagens são incompatíveis. Isso o entristece, diz Ayala. Ele gostaria que os fiéis conciliassem sua fé com a ciência. Extraindo o que pode dos cinco anos preparatórios para ordenação como dominicano, Ayala usa a evolução para ajudar a responder um paradoxo central do cristianismo - como um Deus onisciente, amoroso, pode permitir o mal e o sofrimento? A natureza é mal projetada - com estranhezas como pontos cegos dentro do olho humano e um excesso de dentes espremidos dentro de nossas mandíbulas. Parasitas são sádicos e predadores cruéis. A seleção natural pode explicar a brutalidade da natureza, argumenta Ayala, e remove o "mal" - um ato intencional de livre-arbítrio - do mundo vivo. (...) Ayala se formou em física pela Universidade de Madri, depois trabalhou no laboratório de um geneticista enquanto estudava teologia na Pontifícia Faculdade do Colégio de San Esteban, em Salamanca, Espanha. Quando foi ordenado, em 1960, já havia decidido seguir o caminho da ciência em vez da vida religiosa. No convento o darwinismo nunca foi visto como um inimigo da fé cristã. Assim, um ano depois, quando Ayala se mudou para Nova York para fazer o doutorado em genética, a visão predominante nos Estados Unidos, de uma hostilidade natural entre evolução e religião, foi um choque para ele. Desde então, Ayala tenta tratar do ceticismo religioso em relação à teoria de Darwin. A princípio, ele lembra, seus colegas cientistas eram desconfiados e assumiam a posição que pesquisadores não deveriam entrar em discussões religiosas. Em 1981, quando o legislativo do estado de Arkansas votou por dar ao criacionismo um espaço igual nas escolas, o sentimento começou a mudar. A National Academy of Sciences preparou um dossiê amicus curiae (amigo da corte papal) para um caso na Suprema Corte, envolvendo a "Lei da Criação" do estado da Louisiana, e pediu a Ayala que liderasse a empreitada. O livreto se tornou o Science and creationism: a view from the Natonal Academy of Sciences, de 1984. Para a segunda edição, em 1999, Ayala apresentou a idéia de incorporar as palavras de alguns teólogos, mas lembra: "Quase fui devorado vivo". Na terceira edição, publicada neste ano, uma seção apresenta declarações de quatro denominações religiosas e três cientistas sobre a compatibilidade da evolução com as crenças religiosas.»
December 17 2008, 1:15am | Comments »
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O Técnico, o Tribunal de Contas e a comunicação social
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Devo confessar que fiquei comovida com o ênfase que alguns meios de comunicação resolveram devotar ao Técnico nos últimos dias, em particular durante o fim de semana. Espero que este súbito interesse se mantenha e que vejamos esses mesmos media reportarem o muito que de bom se faz no Técnico em termos de investigação científica e de prestação de serviços à comunidade.De facto, só posso interpretar como sendo uma epifania científica o interesse mediático que se seguiu à amplamente noticiada auditoria do Tribunal de Contas e considerar que este interesse se manterá depois de esclarecidos e dissipados os boatos que correm céleres sobre alegadas malfeitorias levadas a cabo pela gestão do Técnico. Nomeadamente, pela parte que me toca, convido desde já todos a testemunharem algumas das iniciativas em que estou envolvida, como sejam a Semana da Química, as Jornadas de Engenharia Química e Biológica ou as Olimpíadas da Química.Embora considere que a esmagadora maioria dos portugueses não se revê nos comentários que a notícia suscitou, por exemplo no Sol, acho de facto que merecemos todos, os funcionários docentes e não docentes do Técnico, um pouco mais de consideração pública que a manifestada nos últimos dias e não estou apenas a falar do comentador que exigia «Esquadrões da Morte para abater estes canalhas corruptos já».De facto, a referida auditoria não revelou nem cheiro de corrupção, o Tribunal de Contas detectou apenas alguns problemas de procedimentos, como aqueles cuja interrupção por parte da direcção do Técnico nos está a deixar à beira de um ataque de nervos, os já referidos reembolsos e a prática corrente de cada cientista ser responsável pela execução dos respectivos projectos.Assim, a única coisa que esta auditoria mostra claramente é a necessidade de legislação específica para as Universidades, se for considerado que se deve manter a dinâmica a que nos habituámos, no Técnico pelo menos, e que resultou aparentemente de uma interpretação errada pelas universidades nacionais da lei da autonomia. De facto, parece que a lei da autonomia universitária, que nos obriga a procurar individualmente financiamentos próprios para sobreviver, não nos deixa gastar essas verbas de acordo com as especificações dos organismos que as concedem.Por exemplo, não faz muito sentido que uma deslocação ao estrangeiro – mesmo no âmbito de um projecto europeu, luso-brasileiro ou afins - continue a ser o acto de gravidade extrema que assumiu pela mão de António de Oliveira Salazar. Também não faz muito sentido que, ao mesmo tempo que se promove o Simplex, se exija a todos os membros do Conselho Administrativo que leiam, autorizem e assinem as dezenas de milhares de documentos que resultam da execução material dos projectos dos seus colegas (e envolvem viagens ao estrangeiro, para conferências ou para realizar trabalho).De facto, uma das notícias que circulou célere foi a alegada ilegalidade de 120 milhões de euros de despesa em 2006, que muitos assumiram que algum «canalha corrupto» tinha metido ao bolso, e que na realidade corresponde apenas a documentos de despesa, por exemplo dos meus reagentes, que assinei eu e não todos os cinco membros do dito Conselho Administrativo.Eu não percebo nada de direito administrativo, mas fiz parte de várias Assembleias de Representantes – quase uma centena de docentes, não docentes e alunos – que discutiram e aprovaram os prémios ao desempenho de funcionários não docentes agora muito contestados (e os suplementos de presidentes-adjuntos dos Conselhos Científico e Pedagógico a que parece não terem direito porque embora sejam contemplados para as funções correspondentes a designação presidente-adjunto não o é...). Lembro-me claramente de alguém ter suscitado a dúvida sobre se estes, embora inscritos nos estatutos do Técnico, seriam legais face à lei 14/2003. A dúvida foi encaminhada para o gabinete jurídico da Reitoria e para a Inspecção Geral de Finanças que deram o seu beneplácito à prática - que substitui o pagamento de horas extraordinárias e me parece ser mais encorajadora da excelência do desempenho dos nossos funcionários que qualquer SIADAP que se invente.Parece também, e aqui não percebo os pormenores, que há um mapa anexo às contas ou quejandos que não está construído de acordo com o formalismo habitual e essa será outra das «irregularidades» encontradas, entretanto corrigida como todas as outras.Há mais Universidades que foram ou estão a ser auditadas pelo Tribunal de Contas e estou certa que em todas as Universidades em que a investigação científica tem um peso grande serão detectadas irregularidades análogas. De facto, é muito complicado fazer ciência com as mesmas regras que regem uma qualquer repartição pública. Espero, para bem do País e da ciência nacional, que o relatório publicado há dias seja uma advertência aos poderes nacionais de que não basta louvar o progresso tecnológico, é preciso dar condições para que esse progresso aconteça. Aliás, na conjuntura actual urge mesmo que se considere legislar para remover a asfixia que tolhe a investigação científica e obsta a que esse progresso possa ter lugar.
December 16 2008, 10:33am | Comments »
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Presunção e Água Benta
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Há quase dois anos, Bento XVI referiu que o uso da razão sem mediação pela fé causa uma esquizofrenia terrível, ou mais concretamente: «Deve admitir-se que a tendência para se considerar verdade apenas aquilo que pode ser experienciado constitui uma limitação à razão humana e produz uma esquizofrenia terrível, causa da existência do racionalismo, materialismo e hipertecnologia».Na altura, tive uma certa dificuldade em perceber o que fosse a hipertecnologia denunciada como um mal por Bento XVI assim como tive muitas dúvidas sobre se o uso da razão nos descrentes origina uma acumulação excessiva de dopamina nas fendas sinápticas e como tal produz alucinações, delírios e percepções irreais sortidas. Mas percebi, dadas as prioridades anunciadas do seu papado, proeminentes entre elas a bioética, o apelo aos cientistas católicos para que «exprimissem o carácter razoável da sua fé». Depois de ler a profusão de documentos, entrevistas e declarações debitadas pelo Vaticano sobre o tema, não considerei nada razoáveis, bem pelo contrário, as lucubrações da fé sobre ciência, em especial sobre biomédica/bioética. Para o cardeal Ratzinger, e podemos apenas supor que para Bento XVI, o homem não «tem direito pleno sobre a sua natureza biológica», acrescentando «O nosso estatuto ontológico como criaturas feitas à imagem de Deus impõe limites à nossa auto determinação (biológica). A soberania (sobre o nosso corpo) de que dispomos não é ilimitada».Lucubrações irrazoáveis sobre ciência e cientistas não são apanágio do actual Papa, há dois anos o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, responsável pelo Conselho Pontifical da Família, o mesmo que disse que o HIV é suficientemente pequeno para passar através de «poros» dos preservativos e que condenou veeementemente a clonagem terapêutica, afirmou que os cientistas que trabalham com células estaminais deveriam ser excomungados automativamente. O cardeal Trujillo afirmou ainda que a excomunhão latae senentiae deveria ser estendida aos políticos que aprovem leis permitindo a investigação em células estaminais, mesmo aquelas obtidas sem destruição de embriões como as condenadas por Monsenhor Elio Sgreccia, que preside à Academia Pontifícia para a Vida.Este último dignitário afirmou numa entrevista à Rádio Vaticano que o método para obter células estaminais desenvolvido por cientistas da Advanced Cell, em Alameda, Califórnia, «não resolve os problemas éticos» desta área de investigação. O novo método - descrito na Nature - consiste em colher um embrião numa fase muito primitiva de desenvolvimento e retirar-lhe uma única célula, que pode dar origem a uma estirpe de células estaminais embrionárias. O embrião, excedentário de fertilização in vitro, não é destruído no processo e mantém todo o seu potencial de desenvolvimento. Contudo, notou Sgreccia, o novo método não tem em conta que mesmo aquela única célula removida pode evoluir para um ser humano totalmente desenvolvido. Ou seja, segundo o Vaticano uma célula totipotente tem a mesma ou mais dignidade* que um ser humano.As irrazoabilidades papais e as considerações avulsas de outros altos dignitários sobre bioética foram agora reunidas num único documento ainda menos razoável (documento completo em formato pdf). A instrução Dignitas personae, que a Congregação para a Doutrina da Fé divulgou sexta-feira e substitui a agora obsoleta Donum vitae , transcreve as considerações «científicas» de todos estes experts em biologia em geral e embriologia em particular num documento que consideram dever «ser colocado no centro da reflexão ética sobre a investigação biomédica».Ou seja, esta é uma instrução doutrinária destinada essencialmente a controlar o trabalho dos cientistas, no tom que deu o mote ao papado de Bento XVI, «que não se trata de impor aos não-crentes uma perspectiva de fé, mas sim de interpretar e defender os valores radicados na natureza mesma do ser humano». Ou seja, não é «uma colecção de proibições», nem uma interferência na ciência mas sim «uma série de indicações para que a ciência se coloque verdadeiramente ao serviço da vida, e não da morte ou da arbitrária e perigosa manipulação das pessoas humanas».Assim, a Dignitas personae avisa a comunidade em geral e a científica em particular que os recentes avanços em investigação em células estaminais, terapia genética e experiências com embriões violam princípios morais e levantam questões «éticas» sérias para os investigadores e outros professionais, mesmo aqueles não dados a práticas pecaminosas que, de acordo com o Vaticano, têm o dever de recusar material biológico obtido por outrem de forma não ética. Assim o Vaticano lança uma admoestação aos cientistas: «Não devem colaborar com o mal»!Mas se é a investigação científica que está na berlinda, porque a «filosofia geral é que todo o ser humano tem direito a nascer da união dos pais», são condenadas igualmente quer a contracepção, um «pecado de aborto, sendo gravemente imoral» quer a reprodução medicamente assistida que envolva inseminação artificial - e, claro, o diagnóstico precoce e o congelamento dos embriões excedentários, «que são e permanecem titulares dos direitos essenciais e que, portanto, devem ser tutelados juridicamente como pessoas humanas».A Dignitas personae detém-se no entanto na ciência, reprovando em particular a execrada investigação em células estaminais, considerada «cooperar com o mal» e «um escândalo» que não «está ao serviço da humanidade». Claro que a engenharia genética é um anátema em quaisquer circunstâncias «porque o homem nunca poderá substituir o Criador» e a terapia génica levanta dúvidas porque favorece «uma mentalidade eugénica». De igual forma, é condenado clonar genes humanos em animais por tal abominação constituir uma grave ofensa à dignidade humana - tenho uma dúvida transcendente sobre se bactérias e leveduras estão incluídas e se, por exemplo, os diabéticos que se injectam com insulina estarão a cometer um pecado grave.Achei especialmente divertido o capítulo devotado ao «uso de "material biológico" humano de origem ilícita» pela tortuosidade a que se obrigaram os seus redactores. Embora a produção desse material ilícito seja «sempre uma desordem moral grave», os laboratórios que o utilizem na produção de vacinas -quando este «foi produzido fora do seu centro de investigação ou que se encontra no comércio» -, devem apenas evitar «o perigo de escândalo», isto é, que se saiba que estão a trabalhar com os tais materiais.Tudo isto porque no caso de vacinas preparadas a partir de fetos abortados, o Vaticano produziu há anos um documento que permite a vacinação «imoral» de crianças católicas embora exorte os católicos a lutarem contra as companhias que produzem imoralmente tais vacinas, especialmente a vacina contra a rubéola para que não há alternativas «morais».O sofisma na base da decisão consiste em considerações de extrema ratio, isto é, a obrigação moral de evitar colaboração material passiva com um «crime»(ser vacinado com uma vacina ilícita) não é obrigatória se existir um inconveniente grave, nomeadamente quando existe «coerção moral da consciência dos pais que são forçados a agir contra a sua consciência ou então pôr em risco a saúde dos seus filhos e de toda a população. Esta é uma escolha alternativa injusta, que deve ser eliminada tão cedo quanto possível».Mas se os desenvolvimentos científicos tornaram impossíveis de aceitar pelos crentes posições como a do Papa Leão XII que durante uma epidemia de varíola em 1829, decretou que «aquele que permitir ser vacinado deixa de ser um filho de Deus», em relação aos cientistas não há esses pruridos.Assim, de acordo com o Vaticano, os cientistas têm «o dever de recusar o referido "material biológico" – mesmo na ausência de uma certa relação próxima dos investigadores com as acções dos técnicos da procriação artificial ou com a dos que praticaram o aborto, e na ausência de um prévio acordo com os centros de procriação artificial – resulta do dever de, no exercício da própria actividade de investigação, se distanciar de um quadro legislativo gravemente injusto e de afirmar com clareza o valor da vida humana.»Repetindo o que já disse n'«As Bananas da Discórdia», estas proibições absurdas, o obscurantismo e imiscuição indevida na ciência são o que tornam o discurso dos teólogos cada vez mais irrelevante. Infelizmente, há umas quantas pessoas que levam a sério estes dislates e os tentam transpor para a letra da lei dos respectivos países, como aconteceu em Itália durante o referendo de 2005 sobre fertilização medicamente assistida.Esperemos que a este documento infeliz não se sigam manifestações anti-ciência dos mais fanáticos. Mas certamente que a Dignitas personae dará munições à Igreja americana nas guerras culturais, nomeadamente no que respeita à anunciada intenção de Barack Obama de reverter o veto de George W. Bush na limitação das pesquisas com células embrionárias. Além disso, não é necessário grande presciência para prever que o documento será recorrente na argumentação dos bispos franceses durante os debates parlamentares sobre a Bioética, previstos para 2009.*Na encíclica Evangelium Vitae pode ler-se, no meio de uma imensidão de platitudes e da condenação reiterada do aborto, eutanásia e contracepção, que «a vida na sua condição terrena não é um valor absoluto». O ponto 57 da encíclica resume a posição da ICAR sobre a inviolabilidade da vida humana: apenas condena «a eliminação directa de um ser humano inocente». Ou seja, não há problemas com a eliminação directa de «culpados» (quiçá os homossexuais que se pretende proteger com a directiva da ONU a que o Vaticano se opõe veementemente) e com mortes indirectas ou «colaterais» (quiçá das «guerras justas» sancionadas no catecismo de 1997).
December 14 2008, 8:26am | Comments »
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Jogos e Jogadores
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"Jogos e Jogadores nas malhas da psicanálise" é o título de uma reportagem da TSF da autoria de Manuel Vilas Boas, que se baseou num colóquio relaizado no Porto sobre "Cultura e Psicanálise". Entre os intervenientes estiveram o político Adriano Moreira, o filósofo João Maria André, o biólogo Bracinha Vieira, o economista João Duque, o físico Carlos Fiolhais e o psicanalista Coimbra de Matos. Ouvir aqui.
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December 9 2008, 5:28pm | Comments »
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Uma história de evolução. O roquinho dos Açores. Parte II
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Há dias publiquei um post sobre a história do Roquinho e das investigações, iniciadas pelo biólogo Luis Monteiro, que conduziram à recente proposta de uma nova espécie, Oceanodroma monteiroi, constituida pela população que nidifica no período quente (Abril-Outubro), em alguns ilhéus junto da Graciosa, no arquipélago dos Açores. Adiantando-me, utilizarei as designações de Roquinho e de Roquinho-de-monteiro, para designar a espécie original e a nova espécie, que são também as populações reprodutoras fria e quente. O processo de especiação, embora extremamente importante, na medida em que constitiui a base da diversidade das formas de vida, já que se não houvesse barreiras reprodutivas seria impossível uma diferenciação tão vasta como a que conhecemos, não é fácil de estudar, por razões óbvias. São necessárias milhares de gerações para que um processo de especiação se complete, pelo que dificilmente podemos observar um inteiro, no curto período de tempo das nossas vidas, ou da nossa ciência. Darwin sugeriu a possibilidade da formação de novas espécies no mesmo local, ou especiação simpátrica. Mas, tal ocorrência foi refutada por Ernst Mayr, um dos maiores evolucionistas do Séc. XX, que sistematizou e teorizou o processo de especiação, a partir da genética de populações. Segundo Mayr, seria sempre necessária alguma forma de isolamento geográfico (alopatria) para que a divergência genética entre duas populações se fosse acumulando até ao ponto em que os genomas se tornassem incompatíveis e deixasse de ser possível o entrecruzamento entre elas. Esta forma de especiação designa-se por especiação alopátrica, literalmente ‘em locais distintos’. Os casos de espécies muito parecidas ocorrendo nos mesmos locais seriam, assim, explicados por uma convergência secundária das duas espécies num mesmo local, depois de se terem especiado em zonas geograficamente isoladas entre si. Um exemplo clássico é o das espécies em anel, como a gaivota-argentea que têm populações espalhadas pelo globo, formando uma banda à mesma latitude, cada uma um pouco diferente da vizinha, até que se encontram, depois de um arco de mais de 30 mil Km. E, nesses locais (Europa ocidental), as populações já são duas espécies bem distintas que não se cruzam. É como se tivéssemos representado no espaço o tempo de especiação. A refutação de Mayr não foi, contudo, convincente na medida em que, embora se aceite que a forma de especiação por ele defendida será a mais fácil e frequente, não deixa de ser admissível a especiação simpátrica. O difícil é encontrar exemplos. Ora o exemplo do Roquinho e do Roquinho-de-monteiro ilustra um verdadeiro caso de especiação simpátrica em vertebrados terrestres. Os dados moleculares revelam que a população fria dos Açores (roquinho) está geneticamente mais próxima das populações da Madeira, das Berlengas ou das Canárias do que da população quente dos Açores, ou Roquinho-de-monteiro. A medição do tempo de divergência evolutiva entre as duas populações é de 75 mil a 180 mil anos. Como a população quente dos Açores só ocorre naquele arquipélago, é pouco provável que a formação da nova espécie se tenha dado em locais separados. Aliás, dada a extrema mobilidade das aves destas espécies – são frequentemente capturados no golfo do México, indivíduos anilhados nos Açores –, não se pode falar de isolamento geográfico nas ilhas atlânticas. Curiosamente, também nas Galápagos e em Cabo Verde ocorrem duas populações nidificantes em período quente e frio. Também aqui parece haver uma certa segregação entre as populações. Mas, ao contrário do que sucede nos Açores, ocorre fluxo genético entre as populações quente e fria. Isto é, podemos estar a assistir a um processo incipiente de especiação, que poderá vir a evoluir no mesmo sentido do que se verificou nos Açores. Mas, como podem evoluir espécies num mesmo local? Um elemento fundamental deste isolamento simpátrico é o das barreiras comportamentais entre populações. Se os membros de uma população só acasalarem entre si e segregarem os da outra, através de formas de reconhecimento intrapopulacional, escolha do par, ou outra forma de segregação entre indivíduos pertencentes às duas populações, cria-se uma barreira ao fluxo genético. Neste contexto, a descoberta de que as vocalizações das duas espécies nos Açores são bem distinguíveis e que os indivíduos de cada população só respondem às vocalizações da sua população e não às da outra é muito elucidativa. A formação da nova espécie de roquinho (Oceanodroma monteiroi) nos Açores é um caso excepcional de história evolutiva, mas também de história humana, pela forma como nasceu e se desenvolveu a investigação sobre estas duas populações. A riqueza da natureza está nos detalhes. É preciso saber olhar para eles, como o Luis Monteiro soube olhar.
December 8 2008, 3:44am | Comments »
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QUATRO LIVROS DE CIÊNCIA DO ANO SEGUNDO O NYT
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/quatro-livros-de-cincia-do-ano-segundo.html
Eis os quatro livros de ciências incluídas na lista de 100 livros do ano do "New York Times". Só o livro de Friedman está traduzido em Portugal:DESCARTES’ BONES: A Skeletal History of the Conflict Between Faith and Reason. By Russell Shorto. (Doubleday, $26.) Shorto’s smart, elegant study turns the early separation of Descartes’s skull from the rest of his remains into an irresistible metaphor.THE DRUNKARD’S WALK: How Randomness Rules Our Lives. By Leonard Mlodinow. (Pantheon, $24.95.) This breezy crash course intersperses probabilistic mind-benders with profiles of theorists.HOT, FLAT, AND CROWDED: Why We Need a Green Revolution — and How It Can Renew America. By Thomas L. Friedman. (Farrar, Straus & Giroux, $27.95.) The Times columnist turns his attention to possible business-friendly solutions to global warming.THE SUPERORGANISM: The Beauty, Elegance, and Strangeness of Insect Societies. By Bert Hölldobler and Edward O. Wilson. (Norton, $55.) The central conceit of this astonishing study is that an insect colony is a single animal raised to a higher level.
December 7 2008, 6:55pm | Comments »
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CÉREBRO, VIDA E CULTURA
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/crebro-vida-e-cultura.html
Informaçação recebida do Forum Internacional dos Investigadores Portugueses sobre o encontro que se vai realizar este mês em Lisboa (clicar para ler o conteúdo).
December 5 2008, 7:38am | Comments »
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Uma história de evolução. O roquinho dos Açores. Parte I
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O Roquinho (Oceanodroma castro), também conhecido por Angelito ou Painho-da-Madeira, é uma ave marinha, que passa a maior parte da vida no mar. Voa, alimenta-se e descansa nas águas do oceano, vindo a terra para se reproduzir em cavidades e falésias, de ilhas no meio do Atlântico e do Pacífico. É de facto uma espécies com uma distribuição geográfica impressionante: dos Açores e Madeira às Galápagos e ao Japão. Durante a reprodução, as crias, uma por ninho, esperam, num jejum que pode durar dez dias, que um dos progenitores regresse com alimento para elas, revelando uma impressionante resistência física.Há duas décadas, um biólogo português procurava compreender os efeitos da poluição sobre as espécies de aves marinhas, para a realização da sua tese de doutoramento. Mas, ao trabalhar de perto com as populações do roquinho nas várias ilhas e ilhéus dos Açores, Luis Monteiro apercebeu-se de que a espécie tinha duas populações nidificantes: uma iniciando a reprodução em Maio (população quente) e a outra em Outubro (população fria), e que elas se segregavam, revelando importantes diferenças morfológicas e comportamentais. Isso levou-o a sugerir que poderiam tratar-se de duas espécies diferentes.Infelizmente, um fatídico e terrível acidente áereo, ocorrido a 11 de Dezembro de 1999, na crista vulcânica da ilha de S. Jorge, que vitimou todos os ocupantes, impediu Luis Monteiro de continuar o seu estudo sobre as duas populações do roquinho. Mas, a sua grande dedicação à investigação e a forma extremamente empática e generosa com que interagia com todos os que com ele lidavam, deixaram uma marca indelével. A sua perda foi profundamente sentida. O Governo Regional dos Açores instituiu mesmo o Prémio Luis Rocha Monteiro em homenagem à sua memória. Eu tive o privilégio de conhecer o Luis Monteiro e de iniciarmos uma colaboração que não chegou a prosseguir. Mas, vários colegas e colaboradores decidiram dar continuidade às suas investigações sobre as duas populações de Roquinho que nidificam nos ilhéus da praia e da vila (Graciosa).Há poucos meses surgiu um artigo na revista de ornitologia Ibis, assinado por Mark Bolton, Andrea Smith, Elena Gómez-Dias, Vicki Friesen, Renata Medeiros, Joel, Bried, Jose Roscales, e Robert Furness, apresentando argumentos muito sólidos de que a população quente é uma espécie diferente da população fria. E propõem uma nova espécie: Oceanodroma monteiroi (roquinho-de-monteiro), um bonito gesto que é também justa homenagem ao Luis Monteiro.O estudo compara as duas populações em termos de morfologia – a população quente, proposta como nova espécie, é mais leve, tem asas maiores, cauda furcada em ‘v’ e bico mais curto -, época de reprodução – quase não há sobreposição entre as duas populações – e comportamentais – as vocalizações das aves das duas populações são claramente distintas -, concluindo por uma clara diferenciação que justifica considerá-las espécies distintas.Um artigo de 2007, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (USA), já havia mostrado, por análise genética, que não há troca de indivíduos entre as duas populações e, que elas terão divergido há mais de 73 000 anos. Ainda um outro estudo de 2007 comparou as vocalizações das populações dos Açores, Cabo Verde e Galápagos, e realizou testes no terreno, mostrado que as aves da população quente só respondiam a vocalizações dessa população e não às das restantes, e vice-versa, mostrando que elas se diferenciam muito claramente. Estes dados indicam existir um isolamento pré-reprodutivo, de natureza comportamental, fundamental para manter as duas populações isoladas reprodutivamente, apesar de ocorrerem no mesmo local.Estou convencido de que o estatuto de espécie virá a ser reconhecido a esta população, recebendo a bonita designação de Oceanodroma moteiroi. Esta espécie parece apenas reproduzir-se nas ilhas do grupo ocidental dos Açores, não tendo mais do que 250-300 pares, o que faz dela também uma das espécies de aves mais raras do mundo.A história do roquinho é muito interessante pelo facto de ser muito difícil encontrar exemplos de especiação simpátrica, isto é, da formação de espécies habitando o mesmo local, sem isolamento geográfico que impeça o fluxo de genes entre as populações. Este será o tema do próximo post.
December 4 2008, 4:27pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Debate sobre Ciência e Religião
http://dererummundi.blogspot.com/2008/12/debate-sobre-cincia-e-religio.html
Informação recebida da Associação de Estudantes de Ciências do Porto:A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (AEFCUP), vem por este meio convidar-vos para assistir, e se possível divulgar, o Debate: "Ciência e Religião: Uma Relação (Im)possível?". Este Debate irá decorrer no dia 03 de Dezembro de 2008 pelas 21h nas instalações da Faculdade de Ciências da U.Porto (Anfiteatro 0.40, Departamento de Biologia).Será moderado pela Jornalista Sandra Inês Cruz (Apresentadora do Programa do 4 x Ciência - RTP) e irá contar com a presença dos seguintes Oradores: - Alexandre Quintanilha Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Director do IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) - Alfredo Dinis Professor Associado e Director da Faculdade de Filosofia da U.Católica Sacerdote Jesuíta - António Amorim Professor Catedrático na Faculdade de Ciências da U.Porto Vice-Presidente do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da U.Porto) - António Sarmento Professor Associado na Faculdade de Medicina da U.Porto Vice-Presidente da Associação de Médicos Católicos Portugueses (Direcção Diocesana do Porto) Mais Informações em: http://www.fc.up.pt/fcup/news/?page=0&op=view&id=1907 Como chegar: http://www.fc.up.pt/fcup/campus/ENTRADA LIVRE
December 1 2008, 7:52pm | Comments »







