A nave espacial CASSINI continua a sua fantástica viagem a SATURNO.Perto do dia de Natal enviou imagens fabulosas.Veja aqui.:-)
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Cassini
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December 29 2010, 2:59am | Comments »
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SOBRE A FUGA DE CÉREBROS
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Depoimento em vídeo que prestei ao "Jornal de Negócios": aqui.
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December 23 2010, 11:13pm | Comments »
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DOZE LIVROS DE CIÊNCIA DE 2010
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Quase a terminar o ano de 2010 (e com ele a primeira década do novo milénio) é a altura de fazer o balanço anual da edição de livros de ciência em Portugal. Escolhi, com um critério necessariamente pessoal, uma dúzia de livros que ficam da safra editorial deste ano. Sete deles são de autores portugueses. Os temas preferenciais são a astronomia, a física (com destaque para a história desta ciência) e a medicina (principalmente neurologia). Deixo evidentemente de fora o livro que escrevi com Décio Martins “Breve História da Ciência em Portugal”, uma edição conjunta da Imprensa da Universidade de Coimbra e da Gradiva. A ordem é alfabética do nome do autor.1 - Ivo Alves, “Atlas do Sistema Solar”, Imprensa da Universidade de Coimbra.Um geofísico da Universidade de Coimbra, que tem estudado a geologia de Marte,é o autor de um interessante atlas do sistema solar, com informação actualizada sobre o nosso sistema planetário e imagens escolhidas dos vastos arquivos da NASA e da ESA. É uma obra de referência para todos os que se interessam por astronomia, numa edição cuidada de uma editora universitária de referência.2 - João Lobo Antunes, “Egas Moniz. Uma Biografia”, Gradiva.O Professor de Medicina da Universidade de Lisboa que foi distinguido há uns anos com o prémio “Pessoa” é o autor não “de uma” biografia, mas sim “da” biografia do nosso até agora único Prémio Nobel em Ciências. Fazia falta uma obra como esta, muito bem documentada e extraordinariamente bem escrita, da pena de um especialista nas matérias em que Egas Moniz sobressaiu.3- Luís Miguel Bernardo, “História da Luz e das Cores”, Vol. 3, Editora da Universidade do Porto.Um físico da Universidade do Porto especializado em óptica moderna publicou na editora da sua universidade o terceiro e último volume da sua monumental obra sobre a evolução do modo como fomos vendo a luz e as cores. A história do laser, nele incluída, surgiu na altura das comemorações dos 50 anos da invenção do laser.4 - Rómulo de Carvalho, “Memórias”, Fundação Gulbenkian.Pouco antes do Natal, a Gulbenkian traz a lume o magnífico volume de memórias do grande poeta, professor de Físico-Química, historiador da ciência e da educação e divulgador de ciência. Este é, sem dúvida, um dos maiores momentos editoriais do ano, por nos permitir compreender melhor um grande personagem do século XX português.5- Eugénia Cunha, “Como nos Tornámos Humanos”, Imprensa da Universidade de Coimbra.A antropóloga forense da Universidade de Coimbra traça de modo sumário a evolução do homem num livro de bolso da colecção de bolso “Estado da Arte” da editora da universidade coimbrã, em boa hora ressuscitada depois da extinção no tempo de Salazar. 6 - António Damásio, “O Livro da Consciência”, Temas e Debates.O médico neurologista português, autor de “O Erro de Descartes”, que é um “estrangeirado” nos Estados Unidos (e, como João Lobo Antunes, Prémio “Pessoa”) fornece um relato actualizado do que é a consciência humana. Imprescindível para todos os que queiram saber o que se sabe sobre o cérebro humano.7- Galileu Galileu, "Sidereus Nuncius. O Mensageiro das Estrelas", tradução e notas de Henrique Leitão, Fundação Gulbenkian.No final do Ano Internacional da Astronomia, que pretendeu assinalar os quatrocentos anos das primeiras observações de Galileu realizadas com o telescópio, esta é a primeira tradução em português, realizada a partir do latim original, dos registos dessas primeiras observações. Foi seu autor um dos melhores historiadores portugueses, Henrique Leitão, da Universidade de Lisboa.8 - Stephen Hawking (coordenação), “Aos Ombros de Gigantes”, Texto Editores.Num enorme e belo volume, esta é uma colecção de textos clássicos de alguns dos maiores gigantes da Física – Copérnico, Kepler, Galileu, Newton e Einstein - , num volume organizado pelo astrofísico inglês que se tornou famoso com a sua “Breve História do Tempo”. Coordenei a equipa da Universidade de Coimbra que efectuou a tradução para português europeu, feita com a ajuda da tradução em português do Brasil, onde o livro saiu primeiro. Curiosamente, quase na mesma altura a Gulbenkian fez sair uma outra tradução dos “Principia” de Newton aqui também contidos, feita directamente a partir do latim original.9 - Hubert Reeves, “Já Não Terei Tempo”, Gradiva.Mais um livro, este de memórias, do conhecido astrofísico canadiano, que com “Um Pouco Mais de Azul” foi o autor de um dos primeiros êxitos de venda da colecção “Ciência Aberta” da Gradiva.. Essa notável colecção aproxima-se, mantendo a qualidade do início, dos duzentos livros. É obra!10- Silvan Schweber, “Einstein e Oppenheimer. O Significado do Génio”, Bizâncio.Um historiador de ciência norte-americano traça perfis paralelo de dois dos maiores génios da física do século XX. Os dois eram judeus e estiveram ligados, de uma maneira ou de outra, ao projecto que conduziu à primeira bomba atómica. Mas o seu génio excede em muito essa ligação.11 - Manuel Sobrinho Simões, “Genes, Célula, Ciência e Homem“, Verbo.O Professor de Medicina da Universidade do Porto e também Prémio “Pessoa” reuniu aqui alguns dos seus textos e entrevistas que dão conta não só do seu pensamento original mas também do seu notável poder de comunicação.12- Simon Singh, "Big Bang. A descoberta científica mais importante de todos os tempos e porque precisa de a conhecer", Gradiva.Um conhecido autor de livros de divulgação de ciência apresenta um relato pormenorizado e actualizado do modelo do Big Bang, que triunfou na cosmologia e na astronomia, num outro volume da colecção “Ciência Aberta”.
December 23 2010, 11:09pm | Comments »
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OS PERIGOS DA RADIAÇÃO
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Habitual destaque semanal para a crónica do físico Robert Park:"EMF EXPOSURE: DOES WAVING OF THE TREES MAKE THE WIND BLOW?Identifying the cause of disease is the first step in its treatment. Epidemiology, the branch of medicine concerned with causation, seeks to establish correlation between exposure to a possible cause and actual occurance of the disease. Data must be taken over a period of years to allow for latency; if no effect is seen, a longer latency period is assumed. Since there is no record of individual usage, people are asked to recall what they did years earlier. Exposure to electromagnetic fields (EMF) in modern society is ubiquitous, but with the exception of a few crackpots it was not thought to be a problem until 1989 when the New Yorker ran a series of hopelessly misinformed articles by Paul Brodeur linking EMF to cancer. The articles were turned into a series of books with lurid titles like Currents of Death. Brodeur had zero background in science but he managed to arouse the anti-science monster that had been in hiding since World War II. The media, trained to give both sides of the story, even if one side is the babbling of an idiot, was no help. It did not end until 1996 when the National Academy of Sciences, persuaded that the public would not accept an argument based on quantum mechanics, released a three-year study that found no effect of EMF on the human body. Almost overnight power lines stopped causing cancer. The anti-science monster had been chained,but it was still alive."Robert Park
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December 10 2010, 5:32pm | Comments »
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Perfis de cientistas na "Pública":
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Transcrevo o perfil que sobre mim traçou a jornalista do "Público" Teresa Firmino, no suplemento dominical daquele jornal que foi especialmente dedicado à quadra natalícia:Um pouco mais de saber - Carlos Fiolhais, físico, 54 anosGosta de comunicar a ciência a toda a gente, ou não tivesse já escrito vários livros de divulgação científica, o que costuma fazer com humor. Por isso, o desejo de Carlos Fiolhais, de 54 anos, é sobre a produção do próprio conhecimento e a sua divulgação. "O que qualquer cientista quer dar à humanidade é mais ciência, isto é, quer acrescentar mais um bocadinho de saber ao que já se sabe", diz o físico da Universidade de Coimbra."Sabemos pouca coisa sobre o próximo ano (o físico Niels Bohr observou com fina ironia: 'É muito difícil fazer previsões, principalmente sobre o futuro'). Mas uma coisa sabemos com certeza, pois todos os anos tem sido assim: no próximo Natal saberemos mais do que neste. Nos laboratórios e institutos de todo o mundo, incluindo o meu em Portugal, enquanto a Terra dá mais uma volta ao Sol, irá fazer-se mais ciência, ciência essa que será publicada em revistas ou arquivos electrónicos e ficará à disposição da humanidade."É precisamente por isso, diz, que os cientistas são em geral pessoas optimistas: "Sabem que amanhã saberão ainda mais. E que, por isso, se viverá melhor."Doutorado em física teórica na Alemanha, na Universidade Johann Wolfgang Goethe, em Frankfurt, Carlos Fiolhais publicou um artigo científico, em 1992, que já foi citado 7802 vezes nos trabalhos de outros investigadores, o que é uma forma de aferir a sua relevância na construção sempre inacabada do edifício da ciência. "É o artigo mais citado de sempre com um co-autor a trabalhar em Portugal." E o seu segundo artigo mais citado é... uma errata àquele artigo. "Até a pequena correcção já foi citada 528 vezes", e ri-se.Porquê tantas citações? Porque o artigo apresenta uma nova fórmula matemática que descreve a ligação dos átomos entre si — a sua cola —, que torna possível a formação de moléculas, sólidos e superfícies. "Por que existe a água? Porque há dois átomos de hidrogénio que se juntam a um átomo de oxigénio. Há uma ligação, uma cola", exemplifica. Ainda hoje essa fórmula tem grande aplicação em trabalhos de química, nanotecnologia, biologia ou engenharia de materiais — "os exemplos são tantos, que se somam as citações".Como divulgador científico, acaba de publicar, com o físico Décio Martins, uma Breve História da Ciência em Portugal. Neste pequeno livro é resumida a ciência feita por cá desde o tempo dos Descobrimentos até ao final do Estado Novo, passeando-se por nomes como Pedro Nunes, Garcia da Orta, Egas Moniz ou contribuições como o aperfeiçoamento da caravela, a criação do astrolábio náutico ou a descoberta da doença dos pezinhos.O seu livro Física Divertida (Gradiva), de 1991, é um best-seller que já vendeu 20 mil exemplares em Portugal. As conferências que deu em muitas escolas ajudaram a inspirá-lo nas histórias de física que aí conta: "Ia a muitas escolas — era um caixeiro-viajante — e contava aquelas histórias aos miúdos. A reacção deles permitiu-me aperfeiçoá-las e contá-las de maneira humorística."O seu desejo de que se produza mais conhecimento leva-o a parafrasear outro gigante da física, Isaac Newton, que um dia afirmou: "Sou apenas uma criança que brinca na praia, enquanto oceanos de verdade estão por descobrir diante de mim." Metaforicamente, Carlos Fiolhais resume assim o seu sonho como cientista: "Encontrar, na orla da ignorância, um seixo, uma concha, uma estrela-do-mar que ainda ninguém tenha visto antes e dá-la a ver..."Teresa Firmino
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December 8 2010, 1:51pm | Comments »
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A CIÊNCIA EM DIRECTO?!
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Minha crónica no "Diário de Coimbra". Vivemos de facto tempos simultaneamente entusiasmantes e estranhos.Entusiasmantes, porque a novas tecnologias de informação e os agentes do “mass media” permitem, a qualquer um de nós, assistir quase em directo ao processo científico e ao resultado de determinada experiência. Entusiasmantes, compaginadamente, porque pressentimos a emergência de novas descobertas, em diversas áreas científicas, que podem mudar paradigmas actuais.Não é de hoje. Foi assim com o Homem na Lua, há mais de 40 anos. Nesse caso, não se tratou só da transmissão de uma experiência científica (a comprovação de que as nossas leis da gravidade estão, a esta escala, mais ou menos correctas) mas também a concretização de um feito tecnológico.Desde então, verificamos a massificação do fenómeno informativo. Não me espantaria se determinado canal de informação televisivo transmitisse em directo uma certa experiência, com os resultados a serem comentados pelos próprios investigadores e enquadrados, no conhecimento geral, por um comentador científico, sentado no estúdio com o pivot do programa informativo.Mesmo “sem saber ler nem escrever”, qualquer um de nós poderia compreender o que se estaria a passar se o comentador conseguisse traduzir por miúdos a necessária terminologia científica.Uma vez que alguma da investigação científica é financiada por todos os contribuintes, o cidadão poderia verificar, em directo, antes da telenovela das nove, as dificuldades, os sucessos, os erros, as angústias, os resultados e as suas eventuais aplicações na resolução de problemas comuns. Por exemplo, na “luta” contra um determinado tipo de cancro que estivesse a corroer a vida do personagem principal da telenovela!É claro que o processo científico é longo e não me parece muito exequível agendar directos para ver o resultado final. Por outro lado, como sabemos, em ciência não há resultados finais. Mas há sempre resultados, mesmo que muitas vezes indiquem que chegamos a um beco sem saída, ou que a pergunta directriz da hipótese inicial foi mal formulada. Compreendo que um “não”, a verificação de um erro, não seja muito estimulante. Mas faz parte da verdade. E seria muito formativo transmitir a verdade, em palavras simples e tangíveis. Não tenho dúvidas de que o cidadão comum se interessaria e se entusiasmaria com esta demanda pelo conhecimento verdadeiro e útil.Na arena da ciência em directo, mesmo que em diferido, chamo a vossa atenção para "Journal of Visualised Experiments", revista em formato Web onde os cientistas demonstram e comentam os resultados das suas experiências utilizando todo o potencial que emerge dos "new media".Vivemos tempos estranhos. Para captar a atenção de todo o mundo, a NASA antecipa a publicação de um artigo na revista Science criando falsas expectativas que são instantaneamente disseminadas, com avidez de espectáculo, por todas as agências de comunicação. É compreensível que a agencia espacial norte-americana precise de se evidenciar “galacticamente” para captar financiamentos. Com a leitura do artigo em causa, a análise do que é novo mostra que há novidade. Uma bactéria é capaz de substituir fosfato por arsénio. Contudo, é muito interessante comprovarmos mais uma vez que as bactérias, seres unicelulares, continuam a ter esse potencial intrínseco à vida, o de esgrimir todos os argumentos bioquímicos para sobreviver. É assim, há pelo menos 3,6 mil milhões de anos.Brevemente, abordarei a interacção do elemento arsénio e seus compostos com os seres vivos. António Piedade
December 3 2010, 5:14am | Comments »
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Universo Observável
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A propósito do texto do Miguel Gonçalves e dos meus recentemente aqui e aqui colocados a propósito do Universo observável e existência de energia e matéria negra em quantidades quase totalitárias, ocorreu-me a história que a seguir conto, numa adaptação minha. Aliás, quando me interrogo sobre o "universo", enquanto objecto de estudo e de observação através do método científico, esse exemplo surge imediata e recorrentemente.“Numa noite escura que nem breu, um sujeito percorre uma rua. Aproxima-se de uma zona iluminada pelo único candeeiro público que conhece. Verifica que há um outro sujeito à procura de algo na zona iluminada e pergunta-lhe:- Desculpe, anda à procura de alguma coisa?- Sim, da chave de minha casa? – Responde atarefado o segundo sujeito.- Tem a certeza de que foi aqui que a perdeu? – Retorque o primeiro.- Não, mas esta é a única zona iluminada onde a posso procurar.”Esta breve e quase anedótica história é uma boa caricatura do trabalho científico: mesmo que teoricamente seja mais provável que a "chave" esteja logo ali ao lado da zona iluminada, só quando tivermos tecnologia que nos permita estender a procura nesse outro lado é que poderemos efectuar observações. As luas de Júpiter já orbitavam este planeta no tempo de Ptolomeu, mas foi preciso observar através da luneta de Galileu para as encontrar.A energia e matéria negra pressente-se teoricamente para explicar o nosso actual modelo do Universo, mas precisamos da tecnologia dos aceleradores de partículas para a podermos encontrar e caracterizar.Por outro lado, é espantosa a capacidade preditiva dos modelos científicos que "guiam" o desenvolvimento tecnológico à procura de novas observações que eventualmente os possam comprovar, mas que também poderão demonstrar que estavam muito desajustados da realidade.É assim a ciência.António Piedade
November 30 2010, 3:39am | Comments »
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PREFÁCIO A “AOS OMBROS DE GIGANTES”
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MeupPrefácio ao livro "Aos Ombros de Gigantes" (Texto Editores, textos clássicos da ciência escolhidos e comentados por Stephen Hawking), que já se encontra nas livrarias:Foi o grande físico inglês Isaac Newton o autor do título deste livro. De facto, foi ele quem um dia afirmou:“Se consegui ver mais longe é porque estava aos ombros de gigantes”.Os gigantes a que Newton se referia eram o italiano Galileu Galilei e o alemão Johannes Kepler, que foram contemporâneos um do outro e que pertenceram à geração anterior à de Newton (este nasce no ano em que Galileu morre). Por sua vez, Galileu e Kepler estiveram aos ombros de um outro gigante, um pouco anterior, o monge polaco Nicolau Copérnico, que desafiou a longa tradição geocêntrica ao afirmar que a Terra se movia em torno do Sol.Quer Galileu quer Kepler, enfrentando uma enorme incompreensão à sua volta, defenderam o sistema de Copérnico. Os dois foram observadores dos céus: Galileu construiu e usou a primeira luneta astronómica, e Kepler, com base em sistemáticas observações dos planetas realizadas a olho nu, formulou as três leis que hoje têm o seu nome, dos movimentos planetários.Portanto, a obra de Newton nunca teria sido possível sem Copérnico, Galileu e Kepler. O sábio inglês viu mais longe aos ombros dele: encontrou uma mecânica que engloba as descrições anteriores dos movimentos na Terra realizadas por Galileu (a primeira lei de Newton não é mais do que o princípio da inércia de Galileu, segundo o qual os corpos permanecem parados ou em movimento uniforme se não forem actuados por forças exteriores); mais ainda, essa mecânica descrevia tanto os fenómenos da Terra como os do céu (tanto a maçã sobre a cabeça de Newton como a Lua que ele via ao longe!); e, finalmente, com base nas leis de Kepler, Newton alcançou a lei de gravitação universal, segundo a qual todos os corpos, tanto na Terra como nos céus, se atraem uns aos outros, obedecendo a uma fórmula matemática. Para um homem só, ainda que aos ombros de outros três, é obra!Foi longa a espera – mais de duzentos anos - até surgir um outro gigante que conseguiu subir aos ombros de Newton. O seu nome foi Albert Einstein e celebrámos no ano de 2005, declarado pela Organização das Nações Unidas “Ano Mundial da Física”, o centenário dos seus principais trabalhos. Havia, de facto, alguns problemas com a mecânica de Newton (e dos seus antecessores, a respectiva paternidade deve ser partilhada), nomeadamente a sua compatibilidade com o electromagnetismo, a parte da Física que estuda os fenómenos eléctricos e magnéticos e que tinha, entretanto, sido muito desenvolvida. Einstein, movido pela ideia da unidade conceptual da Física, viu-se obrigado a mudar a antiga mecânica, substituindo-a pela mecânica relativista. Na nova mecânica, nomeadamente na teoria da relatividade restrita, o espaço e o tempo deixavam de ser conceitos absolutos e independentes um do outro, existindo um espaço-tempo para cada observador. Mas Einstein fez essa substituição de um modo subtil: a mecânica antiga continuava, afinal, perfeitamente válida para os fenómenos que decorriam a baixas velocidades, as velocidades a que estamos habituados nas nossas vidas. Por outro lado, ao reparar com algumas dificuldades da teoria newtoniana da gravitação, nomeadamente o facto de a interacção gravítica ter lugar a velocidade infinita, Einstein propôs uma nova teoria da gravitação, a teoria da relatividade geral, uma teoria física muito bela segundo a qual o espaço-tempo se encurvava na vizinhança de uma massa, encurvando-se tanto mais quanto maior for a massa. A força da gravitação era a manifestação visível desse encurvamento geométrico. Mais uma vez, a antiga fórmula da força gravítica de Newton valia no caso em que as massas que encurvavam o espaço-tempo à sua volta eram suficientemente pequenas, mas deixava de valer no caso de estrelas supermassiças. O que era novo não mudava completamente o que era velho, antes o mantinha num limite bem preciso.E é assim que a física – o empreendimento humano da descoberta do mundo – avança... Uns vêem mais do que os outros, mas, ao fazê-lo, prestam homenagem aos outros, que viram o mundo antes deles, mantendo aquilo que for de manter. A pirâmide dos físicos não está certamente acabada: um dia alguém subirá certamente para os ombros de Einstein e verá mais longe do que ele, acrescentando algo a Einstein sem destruir a parte essencial do que ele propôs. Um dos problemas atacados por Einstein, ao longo de décadas da sua vida, foi a tentativa de unificação da força gravítica com a força electromagnética, nomeadamente procurando dar à força electromagnética uma interpretação geométrica semelhante à do caso gravítico. Esse grande problema da unificação das forças permanece hoje em dia por resolver: ele espera um outro Einstein, que poderá surgir a qualquer altura.Mas o novo Einstein terá de ter lido este livro. A obra que o leitor tem em mãos – compilado por um astrofísico muito conhecido que trabalha nas fronteiras da moderna física, o inglês Stephen Hawking – reúne os textos fundamentais de todos os autores que foram atrás referidos: de Nicolau Copérnico, o texto de “Sobre as Revoluções dos Corpos Celestes”, de Galileu, os seus “Diálogos sobre os Duas Novas Ciências”, de Kepler, as suas “Harmonias do Mundo”, de Newton os seus “Princípios Matemáticos de Filosofia Natural” e, finalmente, de Einstein o conjunto dos seus artigos mais importantes sobre as suas teorias da relatividade restrita e geral. Hawking escreveu resenhas biográficas daqueles famosos autores. Se a Fundação Gulbenkian já nos tinha dado a tradução do livro de Copérnico, feita a partir do latim original, e a tradução dos textos fundamentais de Einstein, feita a partir do alemão original, não podemos deixar de agradecer à Texto Editores o facto de publicar pela primeira vez em português de Portugal os referidos textos de Galileu, Kepler e Newton. Salvo erro ou omissão é até a primeira vez que Kepler aparece na língua portuguesa, o que se afigura tanto mais interessante quanto Kepler era um admirador confesso dos feitos dos navegadores portugueses, tendo até redigido os seus trabalhos como uma narrativa de avanços e recuos na sua elaboração, tal como os cronistas de bordo faziam para descrever as aventuras marítimas.Nesta tradução, feita a partir da versão brasileira, mais do que ser absolutamente fiel aos originais procurámos tornar os textos minimamente inteligíveis pelo leitor de hoje que se interesse pelos conteúdos.Este é um grande livro a todos os títulos. É grande não apenas no tamanho, mas é grande por reunir num só volume as maiores ideias dos maiores génios que a humanidade jamais teve! Este volume condensa aquilo que o homem foi sabendo a respeito do mundo físico à sua volta durante cerca de quinhentos anos. O último meio milénio proporcionou um avanço enorme à Física, um avanço conseguido por gigantes intelectuais. Resta-nos sonhar com o próximo meio milénio: é certo que a pirâmide humana vai continuar a subir...
November 28 2010, 7:36am | Comments »
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ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS E A PALAVRA DE DEUS
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Habitual destaque semanal para a crónica do físico norte-americano Robert Park em "What's New":FAITH: LIFE IN A MULTICULTURAL DEMOCRACY"I have a number of devoutly religious physics colleagues who are able to partition their life: scientist on one side, devout believer on the other. I can only admire the ease with which they move from one side of the partition to the other. With climate change as the greatest threat we face, we may only hope that Rep. John Shimkus (R-Ill.), a member of the House Committee on Energy and Commerce since 1997, has such a partition and equal alacrity in making the transition. He submitted a letter to his colleagues earlier this week asking for their blessing in his campaign to assume the gavel of Energy when Republicans take control of the chamber. Shimkus rejects the posibility of man-made climate disaster. "The Earth will end only when God declares it’s time to be over. Man will not destroy this Earth. This Earth will not be destroyed by a Flood," Shimkus then quoted God's promise to Noah after the flood. "never again will I destroy all living creatures as I have done." Genesis 8:21-22. "I do believe that God’s word is infallible," Shimkus said, "unchanging, perfect."Robert ParkNa imagem: Réplica da arca de Noé.
November 28 2010, 7:28am | Comments »
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POEMAS DE EUGÉNIO LISBOA SOBRE GIGANTES DA FÍSICA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/poemas-de-eugenio-lisboa-sobre-gigantes.html
O engenheiro, professor e ensaísta Eugénio Lisboa, que nos dá a honra de colaborar neste blogue, é também poeta. Ele é o autor de um curioso livro de poesia sobre notáveis cientistas: "O Ilimitável Oceano" (Quasi, 2001). Escolhi três poemas sobre três "gigantes" a cujos ombros subiu Newton e um quarto sobre esse outro "gigante" que foi o próprio Newton.COPÉRNICOO céu que viste era o céude Ptolomeu. Mas diferentefoi a forma de o olhar.No modo de julgar, teu,a Terra, astro movente,demitiu-se de pensarque era o centro do mundo:assim ver, que abalo fundo!GALILEUAs leis do movimento perscrutastecom paciência e cândido olhar.Com o mesmo olhar o vasto céu sondastehumilde mas altivo no ousar.KEPLERO mundo próximo, à volta, apodrece.Fome, mortal conflito e pestilênciaturvam o dia mal amanhece.Segura-se à pureza da ciência:o curso aparente das estrelas,seguindo matemática divina,deriva, das rigorosas tabelasdo vasto cosmo, a curva sibilina.NEWTONDa qualidade oculta de tudo,não cuido, nem sei. Não é de ofíciosério sabê-lo: o tudo é mudoe forçar-lhe a fala é sério vício.Dos fenómenos, deduzo leisde movimento e destas derivoqualidades e acções: vereisque o saber, assim, avança, altivo.Eugénio Lisboa
November 25 2010, 10:30am | Comments »





