Informaçação recebida do Forum Internacional dos Investigadores Portugueses sobre o encontro que se vai realizar este mês em Lisboa (clicar para ler o conteúdo).
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CÉREBRO, VIDA E CULTURA
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December 5 2008, 7:38am | Comments »
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Uma história de evolução. O roquinho dos Açores. Parte I
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O Roquinho (Oceanodroma castro), também conhecido por Angelito ou Painho-da-Madeira, é uma ave marinha, que passa a maior parte da vida no mar. Voa, alimenta-se e descansa nas águas do oceano, vindo a terra para se reproduzir em cavidades e falésias, de ilhas no meio do Atlântico e do Pacífico. É de facto uma espécies com uma distribuição geográfica impressionante: dos Açores e Madeira às Galápagos e ao Japão. Durante a reprodução, as crias, uma por ninho, esperam, num jejum que pode durar dez dias, que um dos progenitores regresse com alimento para elas, revelando uma impressionante resistência física.Há duas décadas, um biólogo português procurava compreender os efeitos da poluição sobre as espécies de aves marinhas, para a realização da sua tese de doutoramento. Mas, ao trabalhar de perto com as populações do roquinho nas várias ilhas e ilhéus dos Açores, Luis Monteiro apercebeu-se de que a espécie tinha duas populações nidificantes: uma iniciando a reprodução em Maio (população quente) e a outra em Outubro (população fria), e que elas se segregavam, revelando importantes diferenças morfológicas e comportamentais. Isso levou-o a sugerir que poderiam tratar-se de duas espécies diferentes.Infelizmente, um fatídico e terrível acidente áereo, ocorrido a 11 de Dezembro de 1999, na crista vulcânica da ilha de S. Jorge, que vitimou todos os ocupantes, impediu Luis Monteiro de continuar o seu estudo sobre as duas populações do roquinho. Mas, a sua grande dedicação à investigação e a forma extremamente empática e generosa com que interagia com todos os que com ele lidavam, deixaram uma marca indelével. A sua perda foi profundamente sentida. O Governo Regional dos Açores instituiu mesmo o Prémio Luis Rocha Monteiro em homenagem à sua memória. Eu tive o privilégio de conhecer o Luis Monteiro e de iniciarmos uma colaboração que não chegou a prosseguir. Mas, vários colegas e colaboradores decidiram dar continuidade às suas investigações sobre as duas populações de Roquinho que nidificam nos ilhéus da praia e da vila (Graciosa).Há poucos meses surgiu um artigo na revista de ornitologia Ibis, assinado por Mark Bolton, Andrea Smith, Elena Gómez-Dias, Vicki Friesen, Renata Medeiros, Joel, Bried, Jose Roscales, e Robert Furness, apresentando argumentos muito sólidos de que a população quente é uma espécie diferente da população fria. E propõem uma nova espécie: Oceanodroma monteiroi (roquinho-de-monteiro), um bonito gesto que é também justa homenagem ao Luis Monteiro.O estudo compara as duas populações em termos de morfologia – a população quente, proposta como nova espécie, é mais leve, tem asas maiores, cauda furcada em ‘v’ e bico mais curto -, época de reprodução – quase não há sobreposição entre as duas populações – e comportamentais – as vocalizações das aves das duas populações são claramente distintas -, concluindo por uma clara diferenciação que justifica considerá-las espécies distintas.Um artigo de 2007, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences (USA), já havia mostrado, por análise genética, que não há troca de indivíduos entre as duas populações e, que elas terão divergido há mais de 73 000 anos. Ainda um outro estudo de 2007 comparou as vocalizações das populações dos Açores, Cabo Verde e Galápagos, e realizou testes no terreno, mostrado que as aves da população quente só respondiam a vocalizações dessa população e não às das restantes, e vice-versa, mostrando que elas se diferenciam muito claramente. Estes dados indicam existir um isolamento pré-reprodutivo, de natureza comportamental, fundamental para manter as duas populações isoladas reprodutivamente, apesar de ocorrerem no mesmo local.Estou convencido de que o estatuto de espécie virá a ser reconhecido a esta população, recebendo a bonita designação de Oceanodroma moteiroi. Esta espécie parece apenas reproduzir-se nas ilhas do grupo ocidental dos Açores, não tendo mais do que 250-300 pares, o que faz dela também uma das espécies de aves mais raras do mundo.A história do roquinho é muito interessante pelo facto de ser muito difícil encontrar exemplos de especiação simpátrica, isto é, da formação de espécies habitando o mesmo local, sem isolamento geográfico que impeça o fluxo de genes entre as populações. Este será o tema do próximo post.
December 4 2008, 4:27pm | Comments »
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Debate sobre Ciência e Religião
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Informação recebida da Associação de Estudantes de Ciências do Porto:A Associação de Estudantes da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (AEFCUP), vem por este meio convidar-vos para assistir, e se possível divulgar, o Debate: "Ciência e Religião: Uma Relação (Im)possível?". Este Debate irá decorrer no dia 03 de Dezembro de 2008 pelas 21h nas instalações da Faculdade de Ciências da U.Porto (Anfiteatro 0.40, Departamento de Biologia).Será moderado pela Jornalista Sandra Inês Cruz (Apresentadora do Programa do 4 x Ciência - RTP) e irá contar com a presença dos seguintes Oradores: - Alexandre Quintanilha Professor Catedrático no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar Director do IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) - Alfredo Dinis Professor Associado e Director da Faculdade de Filosofia da U.Católica Sacerdote Jesuíta - António Amorim Professor Catedrático na Faculdade de Ciências da U.Porto Vice-Presidente do IPATIMUP (Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da U.Porto) - António Sarmento Professor Associado na Faculdade de Medicina da U.Porto Vice-Presidente da Associação de Médicos Católicos Portugueses (Direcção Diocesana do Porto) Mais Informações em: http://www.fc.up.pt/fcup/news/?page=0&op=view&id=1907 Como chegar: http://www.fc.up.pt/fcup/campus/ENTRADA LIVRE
December 1 2008, 7:52pm | Comments »
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Museu da Ciência da Universidade de Coimbra faz dois anos
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Recebemos esta informação do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra.O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra faz dois anos no próximo dia 5 de Dezembro. O Museu estará em festa todo o dia, funcionando em regime de entrada livre.Foram dois anos muito activos e recheados de iniciativas. O reconhecimento nacional e internacional desta actividade e da qualidade do projecto desenvolvido surgiu através de prémios como o Micheletti Award 2008 para o melhor a mais inovador museu europeu de ciência, técnica e indústria. Mas, a nossa satisfação provém, em primeiro lugar, do acolhimento fantástico que o Museu tem recebido das cerca de 40 000 pessoas que já nos visitaram.O trabalho desenvolvido no Museu é o produto de um grande número de pessoas, que está muito para lá da pequena equipa, que diariamente trabalha para prestar um melhor serviço de divulgação da ciência. Tratam-se dos colaboradores e amigos do Museu que, com enorme disponibilidade e entusiasmo têm ajudado, de forma decisiva, a construir este projecto e a dar-lhe qualidade.É com eles que gostaríamos de comemorar este segundo aniversário.Haverá uma confraternização a partir das 17 horas, onde estarão presentes o Sr. Reitor da Universidade de Coimbra, o Sr. Presidente da Câmara Municipal de Coimbra e o Sr. Presidente do Conselho Directivo da FCTUC, membros do Conselho de Administração da Fundação Museu da Ciência.
November 29 2008, 3:45am | Comments »
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POEMA PARA GALILEU (A MUITAS VOZES)
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O "Poema para Galileu" de António Gedeão, lido por vários cientistas portugueses, encontra-se aqui. Uma excelente ideia e um excelente trabalho do jornalista do "Público" António Granado.Vale a pena reler o texto do poema:Estou olhando o teu retrato, meu velho pisano,aquele teu retrato que toda a gente conhece,em que a tua bela cabeça desabrocha e florescesobre um modesto cabeção de pano.Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da tua velha Florença.(Não, não, Galileu! Eu não disse Santo Ofício.Disse Galeria dos Ofícios).Aquele retrato da Galeria dos Ofícios da requintada Florença.Lembras-te? A ponte Vecchio, a Loggia, a Piazza della Signoria...Eu sei... Eu sei...As margens doces do Arno às horas pardas da melancolia.Ai que saudade, Galileu Galilei!Olha. Sabes? Lá na Florençaestá guardado um dedo da tua mão direita num relicário.Palavra de honra que está!As voltas que o mundo dá!Se calhar até há gente que pensaque entraste no calendário.Eu queria agradecer-te, Galileu,a inteligência das coisas que me deste.Eu,e quantos milhões de homens como eua quem tu esclareceste,ia jurar - que disparate, Galileu!- e jurava a pés juntos e apostava a cabeçasem a menor hesitação -que os corpos caem tanto mais depressaquanto mais pesados são.Pois não é evidente, Galileu?Quem acredita que um penedo caiacom a mesma rapidez que um botão de camisa ou que um seixo da praia?Esta era a inteligência que Deus nos deu.Estava agora a lembrar-me, Galileu,daquela cena em que tu estavas centado num escabeloe tinhas à tua frenteum guiso de homens doutos, hirtos, de toga e de capeloa olharem-te severamente.Estavam todos a ralhar contigo,que parecia impossível que um homem da tua idadee da tua condição,se estivesse tornando um perigopara a Humanidadee para a civilização.Tu, embaraçado e comprometido, em silêncio mordiscava os lábios,e percorrias, cheio de piedade,os rostos impenetráveis daquela fila de sábios.Teus olhos habituados à observação dos satélites e das estrelas,desceram lá das suas alturase poisaram, como aves aturdidas - parece-me que estou a vê-las -,nas faces grávidas daquelas reverendíssimas criaturas.E tu foste dizendo a tudo que sim, que sim senhor, que era tudo tal qualconforme suas eminências desejavam,e dirias que o Sol era quadrado e a Lua pentagonale que os astros bailavam e entoavamà meia-noite louvores à harmonia universal.E juraste que nunca mais repetiriasnem a ti mesmo, na própria intimidade do teu pensamento, livre e calma,aquelas abomináveis heresiasque ensinavas e escreviaspara eterna perdição da tua almaAi, Galileu!Mal sabiam os teus doutos juízes, grandes senhores deste pequeno mundo,que assim mesmo, empertigados nos seus cadeirões de braços,andava a correr e a rolar pelos espaçosà razão de trinta quilômetros por segundo.Tu é que sabias, Galileu Galilei.Por isso eram teus olhos misericordiosos,por isso era teu coração cheio de piedade,piedade pelos homens que não precisam de sofrer, homens ditososa quem Deus dispensou de buscar a verdade.Por isso, estoicamente, mansamente,resististe a todas as torturas,a todas as angústias, a todos os contratempos,enquanto eles, do alto enacessível das suas alturas,foram caindo,caindo,caindo,caindo,caindo sempre,e sempre,ininterruptamente,na razão direta dos quadrados dos tempos.Antônio Gedeão
November 25 2008, 3:43am | Comments »
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A CIÊNCIA NÃO MORDE
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Informação recebida da Biblioteca Municipal de Oeiras (clicar em cima para ampliar)
November 18 2008, 6:50pm | Comments »
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ESTADO DE PÂNICO
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A morte recente do escritor de ficção científica norte-americano Michael Crichton (1942-2008), médico de formação, levou um dos colunistas do New York Times, John Tierney, a interrogar-se sobre o modo de separar ciência de religião nas questões ambientais. Com efeito, no seu último livro, publicado em 2005 (em Portugal na Dom Quixote), e que tal como os restantes (Parque Jurássico, etc.) é um "best seller", Estado de Pânico, Crichton defende que o aquecimento global é um "não problema", fazendo portanto parte dos chamados "cépticos". Num discurso de 2003, Crichton escreveu:"There’s an initial Eden, a paradise, a state of grace and unity with nature, there’s a fall from grace into a state of pollution as a result of eating from the tree of knowledge, and as a result of our actions there is a judgment day coming for us all. We are all energy sinners, doomed to die, unless we seek salvation, which is now called sustainability. Sustainability is salvation in the church of the environment. Just as organic food is its communion, that pesticide-free wafer that the right people with the right beliefs, imbibe."Comentários? Confesso que, quando ouvi Al Gore ao vivo, o seu discurso me pareceu um pouco de pregador evangélico. Agora não tenho tempo para desenvolver o assunto (ver aqui o meu comentário da altura), mas há um espaço em baixo para quem o quiser fazer...
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November 12 2008, 7:35pm | Comments »
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Telepatia
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Por amabilidade do editor, pré-publicamos um trecho do capítulo sobre "Telepatia" do livro "A Física do Impossível" do físico norte-americano Michio Kaku, a sair muito em breve na Bizâncio: O romance Slan, de A. E. van Vogt, capta o grande potencial e os nossos maiores receios associados ao poder da telepatia. Jommy Cross, o protagonista do romance, é um «slan», uma raça de telepatas super inteligentes em vias de extinção. Os pais foram brutalmente assassinados por grupos de humanos enraivecidos que temem e desprezam todos os telepatas, devido ao enorme poder daqueles que conseguem intrometer-se nos pensamentos mais privados e íntimos das pessoas. Os humanos perseguem os slans sem piedade, como se fossem animais. Com as gavinhas típicas que lhes saem da cabeça, os slans são fáceis de identificar. No decorrer da história, Jommy tenta contactar outros slans que possam ter fugido para o espaço na tentativa de escapar à caça às bruxas dos humanos, determinados a exterminá-los. Do ponto de vista histórico, a leitura da mente é algo tão importante que tem sido muitas vezes associado aos deuses. Um dos poderes mais importantes de qualquer deus é a capacidade de ler a nossa mente e assim responder às nossas preces mais profundas. Um verdadeiro telepata que conseguisse ler qualquer mente tornar-se-ia com facilidade a pessoa mais rica e poderosa da Terra, pois poderia entrar na mente dos banqueiros de Wall Street ou chantagear e coagir os seus rivais. Seria considerado uma ameaça à segurança dos governos, na medida em que conseguiria, sem qualquer esforço, roubar os segredos mais bem escondidos de uma nação. Tal como os slans, o telepata seria temido e até possivelmente perseguido e eliminado. O enorme poder de um verdadeiro telepata foi destacado na série de referência intitulada Fundação, de Isaac Asimov, muitas vezes considerada uma das epopeias de ficção científica mais importante de sempre. Um Império Galáctico que deteve o poder durante milhares de anos está prestes a perecer. A Segunda Fundação, uma sociedade secreta de cientistas, consegue prever, através de equações complexas, que o Império vai cair e mergulhar a civilização em trinta mil anos de trevas. Então, na tentativa de reduzir este colapso da civilização apenas a alguns milhares de anos, esboçam um plano elaborado, baseado nas suas equações. E, nessa altura, acontece uma desgraça: as equações não prevêem um evento, o nascimento de um mutante chamado Mule, que é capaz de controlar a mente à distância e assim conseguir o controlo do Império Galáctico. A galáxia está condenada a trinta mil anos de caos e anarquia, a menos que se consiga neutralizar este telepata. Embora a ficção científica esteja cheia de histórias fantásticas sobre telepatas, a verdade é muito mais terra-a-terra. Uma vez que os pensamentos são privados e invisíveis, durante séculos os charlatães e os impostores abusaram dos mais ingénuos e crédulos. Um dos truques de muitos mágicos e mentalistas consiste em utilizar um cúmplice escondido no meio do público e cuja mente o mentalista consegue «ler». Na verdade, a carreira de muitos mágicos e mentalistas baseou-se no famoso «truque do chapéu», em que as pessoas escrevem mensagens privadas em pedaços de papel, que são depois colocados num chapéu. O mágico começa então a dizer ao público o que está escrito nos papéis, para espanto de todos os presentes. Há uma explicação ilusoriamente simples para este truque astucioso. Um dos casos mais famosos de telepatia não envolveu um cúmplice mas sim um animal: Clever Hans, um cavalo prodígio que deixou o público europeu estupefacto na década de 1890. Para espanto do público, Clever Hans conseguia fazer cálculos matemáticos complexos; por exemplo, se se pedisse a Hans para dividir 48 por 6, o cavalo batia com o casco 8 vezes. Clever Hans sabia dividir, multiplicar, adicionar fracções, soletrar e até identificar tons musicais. Os fãs de Clever Hans afirmavam que o cavalo era mais inteligente do que muitos humanos ou então conseguia ler a mente das pessoas. Mas Clever Hans não foi o produto de um truque inteligente; a sua capacidade incrível de fazer contas enganou até o seu treinador. Em 1904 o Professor C. Strumpf, um psicólogo distinto, foi chamado para analisar o cavalo e não conseguiu encontrar uma prova de aparente fraude ou algum sinal que o treinador pudesse transmitir ao animal, aumentando assim o fascínio do público. No entanto, três anos mais tarde, o psicólogo Oskar Pfungst, aluno de Strumpf, efectuou testes muito mais rigorosos e, finalmente, descobriu o segredo de Clever Hans: tudo o que se limitava a fazer era observar as expressões faciais subtis do seu treinador. O cavalo continuava a bater o casco até a expressão facial do treinador se alterar um pouco e, nessa altura, parava. Clever Hans não lia a mente das pessoas nem sabia matemática, era apenas um bom observador do rosto humano. Outros animais «telepáticos» ficaram registados na história. Em 1591, um cavalo chamado Morocco ficou famoso em Inglaterra e enriqueceu o seu dono por reconhecer pessoas no público, apontar letras do alfabeto e somar o total de um par de dados. Morocco causou tamanha sensação em Inglaterra que Shakespeare o imortalizou na sua peça Tanto Amor Desperdiçado como o «cavalo dançarino». Também os jogadores conseguem ler a mente, num sentido limitado. Quando uma pessoa vê algo agradável, as suas pupilas normalmente dilatam-se; quando vê algo indesejável (ou faz um cálculo matemático), as pupilas contraem-se. Os jogadores conseguem ler as emoções dos oponentes ao verificar se os olhos dilatam ou contraem. Esta é uma das razões por que os jogadores muitas vezes usam palas de cor sobre os olhos, para proteger as pupilas. Também é possível apontar um raio laser para a pupila de uma pessoa e analisar seu reflexo, conseguindo dessa forma determinar com precisão para onde essa pessoa está a olhar. Ao analisar o movimento do ponto reflectido da luz laser, é possível determinar como uma pessoa analisa uma imagem. Ao juntar estas duas tecnologias, é possível determinar a reacção emocional de uma pessoa, sem ter a sua autorização, quando esta analisa uma imagem.Michio Kaku
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November 11 2008, 2:49pm | Comments »
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Ler os outros
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/ler-os-outros.html
No Brontossauro, um dos blogs que integra o excelente Lablogatorios, vale a pena ler o último artigo que descreve mais um ataque reclamado pela ALF - a que tem como missão resgatar animais e causar perdas financeiras a quem os utiliza em pesquisas científicas através de destruição da propriedade embora não rejeitem o assassínio de uns quantos cientistas. Este último atentado da ALF em terras brasileiras consistiu na destruição parcial de um laboratório no Instituto de Biociências da USP, que trabalha na procura de uma cura para a malária.Como refere o artigo Terrorismo na Ciência, «A idiotice é tamanha que o grupo que supostamente defende os animais atacou justamente a parte do laboratório que usa tecnologia alternativas ao uso de animais no laboratório. Ou seja, os fanáticos destruíram justamente os equipamentos que eram usados no lugar de animais neste laboratório...»
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November 11 2008, 7:44am | Comments »
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Ant-intelectualismo e política
http://dererummundi.blogspot.com/2008/11/ant-intelectualismo-e-poltica.html
A Newsweek disponibilizou online um resumo do seu Special Election Project e o primeiro capítulo das «batalhas secretas e medos privados» recolhidos por uma equipa de jornalistas embbed nas campanhas dos dois candidatos. Alguns dos pontos abordados não são muito lisonjeiros para a candidata a VP Sarah Palin e confirmam o que desde a sua nomeação temos escrito no De Rerum Natura.Aparentemente a completa ignorância da senhora foi reconhecida desde muito cedo pelos jornalistas que a acompanharam, que por uma razão que não se percebe, apenas após a eleição ter terminado resolveram vir a público com o que lhes foi óbvio desde os primeiros momentos: Sarah Palin é uma ignorante que não está (nem estará) minimamente preparada para as responsabilidades da Casa Branca. Por exemplo, jornalistas tão insuspeitos como Dana Bash da CNN e especialmente Carl Cameron, o Chief Political Correspondent da Fox News - uma estação que tradicionalmente tende (muito) para o lado mais conservador dos republicanos - relatam coisas que nos deixam muitas dúvidas sobre se a imprensa cumpriu o seu papel nestas eleições. De facto, não deveria ter sido sua obrigação cívica transmitir informação como o excerto que se segue ao público em geral? Porque razão concordaram em participar na farsa durante dois meses e só agora trouxeram a verdade a público? According to Fox News Chief Political Correspondent Carl Cameron, there was great concern within the McCain campaign that Palin lacked "a degree of knowledgeability necessary to be a running mate, a vice president, a heartbeat away from the presidency," in part because she didn't know which countries were in NAFTA, and she "didn't understand that Africa was a continent, rather than a country just in itself." Palin was apparently a nightmare for her campaign staff to deal with. She refused preparation help for her interview with Katie Couric and then blamed her staff, specifically Nicole Wallace, when the interview was panned as a disaster. After the Couric interview, Fox News reported, Palin turned nasty with her staff and began to accuse them of mishandling her. Palin would view press clippings of herself in the morning and throw "tantrums" over the negative coverage. There were times when she would be so nasty and angry that her staff was reduced to tears.O problema é que o erro de palmatória de McCain na sua escolha de VP deixou Sarah Palin convencida de que será a candidata republicana à presidência em 2012. Esta perspectiva, que me deixou há dias com pesadelos, parece absolutamente remota especialmente agora que a imprensa norte.americana se recordou de qual é a sua missão. Aliás, podemos pensar no divertimento que seriam umas primárias republicanas com «bons rapazes» como Mitt Romney, Rudy Giuliani (que já tem página e tudo), Bobby Jindal ou Tim Pawlenty a fazerem a Sarah Palin o merecido vetting que McCain se esqueceu de fazer e que os democratas tiveram pudor de desvendar em todo o seu pavor...O assunto foi abordado por um artigo do Público que responde à pergunta: «Agora que a campanha acabou, por que é que a eventual ignorância da candidata ainda é notícia? A questão está na guerra pelo poder que rebentou no seio do Partido Republicano, depois de falhada a candidatura de McCain e Palin à Casa Branca».Eu suponho que a questão é bem respondida pelo excerto da entrevista reproduzida. Isto é, parece que para o GOP dos religious right bem representados por Pat Buchanan, não interessa que a candidata seja uma autêntica anedota em termos de conhecimentos. Aliás, para os fundamentalistas essa parece ser uma condição sine qua non para apoiarem um eventual candidato para 2012. Como escreveu Jerry Coyne no Philadelphia Inquirer num artigo que vale a pena ler na íntegra:This year's Republican campaign has consistently attacked the values of reason and logic that undergird our democracy.A questão a seguir é se o GOP se reinventará apoiado em republicanos racionais como Lawrence Eagleburger, Anne Applebaum e os outros Obamacons que o foram devido ao que Coyne aponta neste artigo ou se será definido por gente como Pat Buchanan que nos últimos segundos da entrevista responde à pergunta sobre evolução de Lawrence O'Donnell com um insulto misturado com a habitual falácia do macaco, dizendo que compreende que O'Donnell acredite que descende um macaco.
November 9 2008, 1:56am | Comments »





