Vale a pena ler a crónica de Nuno Crato do último "Expresso" sobre o escritor brasileiro Machado de Assis, no "Blogue Auxiliar" do Carlos Medina Ribeiro: aqui. Nuno Crato escreve agora sobre ciência (e não só) no caderno principal do "Expresso" com mais espaço do que tinha na revista "Única".
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NAS ENTRELINHAS DE MACHADO DE ASSIS
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September 29 2008, 4:04pm | Comments »
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VÍDEO-JOGOS E CIÊNCIA
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É lugar comum pensar-se que as crianças e jovens preferem vídeo-jogos à ciência. Mas leia-se aqui (na revista "Wired") uma surpreendente relação entre esses jogos e o método científico.
September 27 2008, 3:30am | Comments »
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Passagens de nível
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O Ludwig desmascara muito bem aqui a fantasia dos "níveis": haveria conhecimento ao nível científico, ao nível religioso, etc. Isto é como a falácia das "racionalidades": há a racionalidade ocidental, a oriental, a das sextas-feiras, etc. Tudo isto é só desonestidade intelectual. É a tentativa de deixar um espaço aberto à arbitrariedade de se pensar o que queremos, sem nos darmos ao incómodo de tentar saber honestamente se é verdade ou não.Só discordo de um pequeno pormenor no post do Ludi. É que a filosofia não se ocupa apenas de fazer perguntas, mas também de teorizar hipoteticamente, quando a teorização científica ou matemática não é possível. Daí a piada filosófica: Um filho diz ao pai: "Hoje vou sair com a miúda mais bonita da turma, mas eu fico sempre sem assunto! Como é que faço para não parecer um parvalhão?""Fácil", diz o pai. "Há sempre três assuntos que não falham: a família, a comida e a filosofia." O miúdo vai todo satisfeito e depois do cinema surge um daqueles momentos de embaraçoso silêncio. Então ele lembra-se do conselho do pai e pergunta à miúda com um sorriso bonito: "Tens irmãos?" "Não". Raios, pensa ele. Lá se vai a primeira hipótese. Qual era o segundo assunto? Ah!"Gostas de pizza?""Não". Chiça, isto está a correr mal, pensa o miúdo. Bom, só resta falar de filosofia:"Se tivesses irmãos, achas que eles gostariam de pizza?"
September 21 2008, 4:58pm | Comments »
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Ciência e excepção
http://dererummundi.blogspot.com/2008/09/cincia-e-excepo.html
As ciências como a física, biologia, química ou matemática gozam de um estatuto de excepção na universidade. Ao contrário do que acontece noutras áreas, como a filosofia, teoria da literatura, história ou sociologia, conseguiram expulsar a pseudociência das universidades: nenhum matemático ensina numerologia, nenhum químico ensina alquimia, nenhum astrónomo ensina astrologia. Todas estas manifestações da crendice humana persistem, infelizmente, mas fora das universidades, ou pelo menos fora das universidades mais conhecidas e consagradas (quase de certeza que um leitor qualquer vai descobrir uma universidade algures na qual se ensinem estas coisas). Por que razão aconteceu isto?Não é uma hipótese plausível dizer que a generalidade da população ganhou uma compreensão da ciência, porque nesse caso tais manifestações não subsistiriam e não teríamos colunas de horóscopos nos jornais de maior circulação. Algo permitiu à ciência implantar-se solidamente nas universidades expulsando as crendices. Hoje em dia esta situação está a mudar e as universidades são cada vez mais pressionadas para incluir crendices ao lado da física. Será a ciência vítima do seu próprio sucesso? No Sobre a Liberdade, J. S. Mill alerta-nos para os perigos de aceitar ideias dogmaticamente, ainda que sejam verdadeiras:Há um grupo de pessoas (felizmente não tão numerosas como anteriormente) que acham suficiente que alguém concorde com aquilo que consideram verdadeiro, sem duvidar, ainda que não tenha qualquer conhecimento dos fundamentos da opinião, e não pudesse fazer uma defesa sustentável dessa posição contra as mais superficiais objecções. A partir do momento em que o seu credo lhes foi ensinado por uma autoridade, pensam naturalmente que não resulta qualquer bem — e até resultará algum mal — de se permitir que seja questionado. Onde a sua influência prevalece, tornam praticamente impossível que a opinião dominante seja rejeitada de modo sábio e ponderado, embora possa, ainda assim, ser rejeitada de modo precipitado e ignorante; porque impedir completamente a discussão é raramente possível, e assim que surge, as crenças não baseadas em convicção têm a tendência de ceder ante a mais fraca aparência de um argumento. Quando se ensina ciência dogmaticamente, como um conjunto de resultados cristalizados e não como uma maneira de obter resultados; quando se pensa ingenuamente que os cientistas provam coisas, ao invés de defenderem as teorias mais plausíveis, enfrentando as mais duras objecções concebíveis, num sistema de competição aberta de ideias; quando se pensa que é a observação e a experiência que dão cientificidade à ciência, e não a argumentação pormenorizada e a discussão aberta; quando tudo isto acontece, a situação de excepção das ciências nas universidades tem os dias contados porque a generalidade dos defensores das ciências serão incapazes de a defender dos ataques mais mesquinhos e hipócritas de quem faz do controlo das universidades uma extensão do controlo de mentalidades.Provavelmente na esmagadora maioria dos departamentos das tolamente chamadas "humanidades" (a filosofia, por exemplo, claramente não é uma das humanidades porque raramente tem o ser humano como objecto de estudo, mas pertence oficialmente às humanidades) a generalidade dos professores e estudantes têm preconceitos anticientíficos, fazendo da ciência a raiz de todos os males da humanidade, e rechaçando os seus resultados como meras ficções, meras "narrativas". Em quase todos os períodos da história da humanidade a numerologia, alquimia e astrologia subsistiu nas universidades ao lado da matemática e da física e da biologia. Não devemos, pois, olhar para a situação actual das ciências como normal: é uma situação excepcional, e como tal sujeita a desaparecer mais depressa do que se possa esperar; nomeadamente porque nas universidades só uma pequena minoria compreende a diferença entre matemática e numerologia.Talvez Mill tenha razão e estejamos a assistir ao resultado de um ensino errado da ciência, que tem tendência para ser ensinada segundo os moldes da epistemologia de mestre-escola; e quando as pessoas aprendem ciência assim, não conseguem realmente ver a diferença entre medicina científica e Reiki ou outra crendice qualquer, acusando então os defensores da ciência de serem dogmáticos. É preciso ver que, do seu ponto de vista, estas pessoas estão a ser sensatas: dado que não conseguem perceber o que faz a diferença entre a medicina científica e essas patranhas, parece-lhes desde logo dogmático declarar que essas coisas são patranhas. Caso tivessem uma leve formação científica, mas sólida, compreenderiam que essas coisas são patranhas porque se baseiam apenas no desejo de que sejam verdadeiras e na autoridade dogmática de tradições milenares e não na procura intensa para mostrar que são falsas, que é o que se faz na medicina científica. Mas elas não entendem isto porque para elas a medicina científica é apenas outra narrativa, que se apoia na autoridade dos cientistas e nada mais, pois aprenderam na escola a aceitar o que o professor de biologia lhes dizia por mera autoridade. Autoridade por autoridade, por que não escolher a autoridade de uma tradição milenar em vez de uma tradição ainda por cima pouco exótica porque tem origem perto de casa? O que se pode fazer? Ensinar melhor ciência, melhor filosofia e melhor história. Ensinar estas disciplinas não como resultados dogmaticamente estabelecidos para serem dogmaticamente decorados, mas como teorizações que são defensáveis porque estão abertas à discussão pública. Ensinar a discutir ideias e ensinar o valor de procurar refutar ideias.Mas não tenhamos ilusões. Não há receitas mágicas para resolver o problema da crendice humana. Toda a discussão pública pode ser inútil e tola se quem discute estiver de má-fé, procurando apenas fazer valer os seus objectivos políticos, religiosos ou sociais e desprezando a verdade e o valor. Mesmo Mill parece ter uma confiança exagerada nos poderes da discussão pública livre. A discussão pública livre pode ser o melhor que podemos fazer, mas está longe de fornecer garantias porque toda a discussão pode ser vilipendiada, prostituída e distorcida a favor das mais brutais tolices. Parece-me que aqueles de nós que aprendemos a prezar a procura genuína da verdade, a discussão aberta de ideias, a racionalidade, a verdade e o valor, temos o dever de ser melhores educadores, melhores divulgadores — e isso inclui ponderação e distanciamento, tolerância e muita paciência — porque só temos este tesouro fantástico que é a racionalidade porque alguém no-la deu a conhecer. Agora é a nossa vez de a dar a conhecer a alguém. Num dos livros de Carl Sagan a mulher dele conta que um porteiro de um hotel uma vez recusou receber dele uma gratificação (comum nos EUA) dizendo que Sagan já lhe tinha dado o cosmos; era bem pouco ele em troca abrir-lhe a porta. Nunca podemos esquecer que é para estas pessoas que estamos a trabalhar, a ensinar, a divulgar. Para lhes dar o cosmos, como alguém no-lo deu a nós.
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September 21 2008, 10:19am | Comments »
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O tempo da Razão
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A mensagem deste vídeo promocional do Center for Inquiry (CFI) em que figuram Steven Pinker, Daniel Dennett, Susan Jacoby, Ann Druyan, Laurence M. Krauss, Damon Linker, E.O. Wilson, Jennifer Michael Hecht, Richard Dawkins, e Paul Kurtz, é muito simples: promover o uso da razão em todas áreas do pensamento humano.Citando o CFI:The methods and values of scientific thinking have expanded our knowledge about life and our place in the universe. This modern knowledge—based on experience and evidence—has brought enormous benefit to humanity, yet many people still choose to rely on ancient texts and beliefs to guide their lives and their nations.The Center for Inquiry exists to change this situation. We are here to promote the scientific outlook, to expand the methods and values of science into all areas of human endeavor.We invite you to learn more about the ways we are using education, outreach, and activism to advance reason and human values around the world. Then, if these values are as important to you as they are to us, we ask you to join CFI.Let your voice be heard. With your help, we can ensure that our time—your time—will be a time of science and reason.O CFI indica ainda a urgência do seu trabalho numa altura em que a hostilidade à ciência e ao secularismo é notória um pouco por todo o mundo, como denota, por exemplo, o aumento da ameaça criacionista em todo o mundo civilizado.Esta ameaça criacionista que muitos tentam minimizar é real e não está restrita aos Estados Unidos, como indica a recente demissão de Michael Reiss da direcção do Departamento de Educação da Royal Society.Não é apenas o criacionismo cristão que toma fôlego, como a censura na Turquia da página de Richard Dawkins confirma. De facto, um tribunal turco deu recentemente razão à queixa do autor do Tijolo Criacionista de que o britânico o teria «insultado» quando analisou o livro. A crítica de Dawkins de que estava «at loss to reconcile the expensive and glossy production values of this book with the breathtaking inanity of the content» foi considerada pelo 2ª tribunal da paz de Istambul uma «violação» da personalidade de Adnan Oktar (que penso estar ainda na prisão devido ao escândalo sexual que abalou a Turquia há quase 10 anos, foi arquivado e recuperado apenas este ano).Esta censura criacionista ao ciberespaço não é inédita: a seita que desde 1998 ataca e ameaça académicos turcos que ensinam evolucionismo nas suas aulas, conseguiu bloquear o Wordpress e o Google Groups na Turquia, para além de ter censurado uma série de sites de notícias deste país.Mas quiçá o mais perturbador está a acontecer nos Estados Unidos em que foi nomeada para vice-presidente na candidatura republicana uma criacionista da Terra jovem (daqueles que acreditam que a Terra tem 6000 anos) que vê a guerra do Iraque como uma cruzada religiosa. A mensagem do CFI é de facto urgente num mundo que estes exemplos (e há muitos outros...) confirmam estar a abdicar da razão não apenas na condução das vidas privadas dos cidadãos mas especialmente na condução de nações ...
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September 20 2008, 6:03am | Comments »

