Esta pergunta tem suscitado várias respostas neste blogue. Eu respondo que sim, são. O modo como os seres humanos ensinam e aprendem na escola ou fora dela é susceptível de ser analisado de forma científica. O problema é que muitas das pessoas que se reclamam dessa área, em particular as que trabalham ou inspiram o nosso Ministério da Educação, não sabem que as ciências da educação são mesmo ciências... E preferem o caminho fácil das certezas, fundadas na ortodoxia e, afinal, na ideologia.
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Serão as Ciências da Educação Ciências?
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September 1 2010, 9:11am | Comments »
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CINCO PARA A MEIA NOITE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/cinco-para-meia-noite.html
Minha participação no programa da RTP2 "Cinco para a Meia Noite", um talk-show da responsabilidade às terças-feiras de Fernando Alvim, na noite passada: aqui.
September 1 2010, 6:18am | Comments »
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O QUE É E O QUE NÃO É A CIÊNCIA
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Trecho do meu livro "A Coisa Mais Preciosa que temos" (Gradiva), que está esgotado:Embora se possa dizer sumariamente que a ciência é a “busca do erro” definir a ciência é pano que dá para muitas mangas. Decerto que haverá unanimidade se se disser que a arte ou a religião, apesar de serem dos mais notáveis empreendimentos humanos, não são actividades científicas. Por outro lado, ninguém duvida que tanto a matemática como a física são ciências, apesar de terem metodologias e critérios de validação muito diferentes. Mas, por exemplo, as chamadas ciências jurídicas ou as ciências da comunicação serão ciências?Na matemática ou na física existem alvos precisos a atingir (o rigor lógico-formal e a descrição correcta das leis da Natureza) e sobre eles fazem os matemáticos e os físicos esforçada pontaria. Mas, nas ciências jurídicas ou nas ciências da comunicação, só para continuar com os mesmos dois exemplos, vemos que muita gente atira para qualquer lado e por vezes de qualquer maneira. Depois pintam o alvo à volta dos locais de impacto dos seus projécteis.Cientista é aquele homem ou mulher que admite que falhou a pontaria. Se um jurista ou um teórico da comunicação estiverem prontos a admitir que as suas respostas a uma qualquer questão estão erradas e devem, portanto, ser substituídas por outras, do próprio ou de outrem, estarão de pleno direito na comunidade dos cientistas. Claro que esta definição remete para outra, a definição de erro. Mas, por mais difícil ou controversa que seja a definição de erro, um matemático ou um físico sabem reconhecer quando se lhes aponta um erro (há excepções, claro, que só servem para confirmar a regra). Mas nem sempre outros profissionais admitem os erros com a mesma rapidez, com o mesmo ou pelo menos semelhante desprendimento.Como é que os cientistas evitam a publicação e a conveniente disseminação de erros? É uma questão de cuidado. Tomam todos os cuidados e mais alguns. Esta porfiada preocupação por evitar o erro é uma das marcas maiores da actividade científica, que pode evidentemente ser aplicada aos mais variados tipos de estudos: os objectos podem ser os números e as formas, os átomos e o seu movimento, ou ainda as leis humanas ou os meios como os humanos comunicam. Por outras palavras, abrange tanto as ciências exactas e naturais como as ciências sociais e humanas. A metodologia científica passa, numa certa fase, pela comunicação por um autor da sua descoberta (é preciso que haja descoberta, isto é, se tenha algo de novo) de uma maneira clara e simples (é falso que os cientistas procurem a obscuridade nos seus processos de comunicação, pese embora o aparente hermetismo de alguma linguagem disciplinar para quem a não tenha aprendido). E nada é publicado que não passe pelo crivo apertado de um sistema de avaliação pelos colegas especialistas no mesmo assunto. Normalmente, usa-se a terminologia anglo-saxónica: avaliação diz-se “refereeing” (literalmente, arbitragem) e os colegas são os “peers” (literalmente, pares). Como diz o físico e matemático Jorge Buescu, no seu livro “O Mistério do Bilhete de Identidade e Outras Histórias” (Gradiva, 2001):“O valor científico de um artigo publicado, nem que fosse por Albert Einstein, numa publicação sem sistema de ‘refereeing’ e ‘peer review’ é nulo (...) Publicações não validadas pela comunidade científica através de refereeing valem zero. São meras opiniões, talvez interessantes, mas com tanto valor científico como o editorial do jornal de domingo”.Como é muito fácil errar, este foi o sistema inventado pelo homem para errar menos. O empreendimento científico consiste em procurar errar cada vez menos e o método científico, que inclui a juzante o “refereeing” pelos “peers” é a maneira prática de conseguir esse desiderato.Então o que não é a ciência? Toda a actividade humana, por muito interessante e relevante que eventualmente seja, que não admita o elemento de contestação e, por isso, recuse o papel fulcral da avaliação. Não há nenhum mal em a praticar, pois o homem tem dimensões mais latas que a dimensão científica (tem emoções, crenças, etc., que não podem estar erradas). Mas curioso é o número de actividades humanas que imitam toscamente a ciência (poder-se-á dizer mesmo, sem querer ofender ninguém, que “macaqueiam” o método científico) sem nunca chegarem a ser uma pálida sombra do que é a ciência. Erram abundantemente, o que é natural porque não têm nenhum processo de o evitar, mas nunca ou raramente o admitem. Disparam para todo o lado e nunca ou raramente acertam (repare-se como as palavras “disparar” e “disparatar” estão tão próximas...).Qual é o lugar da ciência num mundo onde a não-ciência prolifera? Não devemos ser demasiado pessimistas. Quando uma paraciência, pseudociência, ciência alternativa ou seja lá o que for pretende passar por ciência está, sem querer, a prestar uma boa homenagem à ciência. A ciência tem, bem vistas as coisas, um valor que é reconhecido por todos.
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August 29 2010, 4:06pm | Comments »
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Colony Collapse Disorder
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Parece que as abelhas estão a abandonar as suas colmeias e ninguém sabe porquê.O problema é conhecido por CCD (Colony Collapse Disorder):O 60 minutos da CBS dedicou uns minutos ao assunto.1ª parte:2ª parte:Como dizia uma das cientistas da estória da CBS as abelhas são sensores do ambiente e estão a dar-nos a informação sobre o estado a que conduzimos o planeta terra: não há comida suficiente e a que existe está contaminada.Vale a pena pensar nisto!
August 23 2010, 10:52am | Comments »
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Primeira tempestade solar do ciclo solar 24
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Imagens de 14 de Agosto de 2010 - nasa.gov
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August 18 2010, 2:43am | Comments »
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A CIÊNCIA ABERTA E OS SEUS INIMIGOS
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Excerto do meu livro (esgotado) "A Coisa Mais Preciosa que Temos" (Gradiva):A ciência começou por ser espectáculo. A pedra-ímã que atraía metais e a água metamorfoseada em cristais de gelo foram, desde a Idade Média, mostrados nas feiras a um público boquiaberto. Em Portugal, não houve esse espectáculo, se descontarmos as breves exibições de ciência experimental no palácio real no século XVIII. E, infelizmente, muito menos houve ciência: é difícil encontrar algum cientista português no século XIX, quando a ciência era uma actividade reconhecida e praticada na Europa civilizada (em vão se vai, por exemplo, à “História de Portugal”, coordenada por José Mattoso e publicada pelo Círculo de Leitores, à procura de um cientista português novecentista).No século XIX o espectáculo da ciência alimentou a curiosidade de muitos espectadores a respeito do funcionamento do mundo, fazendo despertar vocações. Ficaram famosas, por exemplo, as conferências do químico inglês Sir Humphry Davy, na Royal Institution de Londres que atraíram um rapaz que, apesar de ter apenas a escola primária, se tornou o maior cientista do seu tempo, Michael Faraday. Mais tarde, Faraday, não esquecendo as suas origens, fez questão de proferir muitas conferências para jovens, acompanhadas de "shows" de demonstrações, e complementadas por livros de divulgação. A mensagem da ciência que recebeu foi transmitida a outros. Ainda hoje podemos assistir a conferências com demonstrações experimentais na Royal Institution, num teatro por cima do velho laboratório de Faraday. É graças à curiosidade dele sobre a relação dos magnetes com os fios eléctricos que hoje temos a electricidade doméstica, o motor eléctrico, e outros artefactos da civilização. Na procura incessante da unidade das leis físicas, Faraday também se interessou pela relação entre as forças eléctrica e gravítica, mas esse estudo não teve resultados palpáveis. O problema era difícil... Einstein, confiante no sonho de que "só há uma força", trabalhou longamente no assunto (foi o problema que mais tempo o ocupou) mas pouco adiantou. É um problema que foi legado aos cientistas de hoje e que parece legado aos cientistas de amanhã.Repare-se que Faraday não andou a preencher papeis para nenhuma agência de investigação do tempo dele, para resolver o problema da iluminação das ruas de Londres. Se o tivesse feito, as suas ideias teriam decerto sido chumbadas por sábias comissões, que achariam melhor deixar a electricidade de lado e melhorar o funcionamento dos candeeeiros a gás. James Clerk Maxwell, o escocês que, na sequência dos trabalhos de Faraday, descobriu a relação entre o electromagnetismo e a luz, também não se moveu por interesses técnicos ou económicos ao continuar em adulto a colocar algumas questões que já o preocupavam em adolescente. Nem mesmo o alemão Heinrich Hertz, o descobridor das ondas hertzianas, teve por fito a comunicação à distância ou a produção de programas radiofónicos ou televisivos (objectivos que, na época, teriam sido declarados insanes por qualquer avaliador científico!). Apenas continuou a "fazer com as suas próprias mãos" e a "pensar pela sua própria cabeça", como já fazia em pequeno. O espectáculo de meia dúzia de feirantes com os magnetes conduziu, ao arrepio de todas as expectativas, ao espectáculo audiovisual que hoje nos entra pelas nossas antenas dentro.Em Portugal não tivemos uma revolução industrial que se visse, pelo que importámos a electricidade e a telefonia sem percebermos qual era a sua origem nem desmontarmos os seus mecanismos internos ("Quem não admirará os progressos deste século?", repetia, fanhosa e estupefacta, a grafonola de Eça de Queiroz). Do ponto de vista científico e tecnológico, o nosso século XX foi, na sua maior parte e infelizmente, a continuação do século XIX. A excepção de um Prémio Nobel da Medicina (Egas Moniz) limita-se a confirmar a regra geral. Só há pouco tempo alguns sinais anunciam a possibilidade de um futuro diferente.A educação científica, essencial para o desenvolvimento humano, é, entre nós, mais do que noutros lados, onde há outras tradições, um requisito para ganhar o futuro. Mas desde sempre, pior ou melhor, se ensinou em Portugal o produto da ciência. O que não se cultivou foi a prática da ciência. Vários caminhos se nos oferecem hoje para fazer vingar a atitude científica. Fomentar a curiosidade, que é natural nas mentes mais jovens, a respeito do funcionamento das coisas, é uma das vias mais frutuosas que temos à nossa disposição. Os livros de divulgação, as exposições interactivas de ciência, os filmes científicos, os programas científicos no computador, os museus científicos e técnicos, os programas de rádio e televisão, os dias de portas abertas de universidades e laboratórios, todos estes são meios que servem para mostrar uma ciência feita por mulheres e homens normais (portanto, muito diferentes do Prof. Pardal, que passa a vida a tropeçar em tralha e a inventar a roda quadrada).Em Portugal, o Ministério da Ciência e da Tecnologia criado em 1996, ao qual sucedeu o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, tem defendido uma ciência aberta, democrática e participada. Está consciente que alimentar a curiosidade das crianças e jovens é a chave para instaurar na sociedade uma atitude científica. Mas muitas e variadas dificuldades se têm deparado.Há, porém, vários inimigos da ciência. Eles encontram-se, por exemplo, nos prosélitos das pseudociências e das paraciências. Mas encontram-se também entre aqueles, alguns deles aparentemente cultos, que não vêem diferença entre a astrologia e a astronomia. E noutros, habilitados com cursos superiores, que ministram alquimias pedagógicas. Entre as dificuldades à ciência aberta deve referir-se uma em particular que diz respeito aos próprios cientistas. A nossa comunidade científica, que é relativamente pequena e recente, conserva ainda algumas idiosincracias, provenientes do tempo em que a ciência escasseava e alguns cientistas eram mandarins. A ideia de uma ciência aberta é ainda estranha a alguns deles. Então não há cientistas que julgam que a excelência da sua ciência é directamente proporcional ao défice de comunicação? Pois bem: Se não forem capazes de atraírem jovens é bem feito que fiquem sem continuadores. E, se não forem capazes de transmitir aos cidadãos, de uma maneira simples e clara, para que querem o dinheiro dos impostos que estes pagam, é bem merecido que fiquem sem financiamento. Os cidadãos são inteligentes, entendem o que lhes dizem (quando lhes dizem alguma coisa de forma clara), e não gostam de passar cheques em branco.Mas há, felizmente, quem comunique o que sabe e o que quer saber, não só para os seus alunos como para o público. A ciência está aberta e recomenda-se a entrada!
August 11 2010, 3:53am | Comments »
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HUMOR: Governo revoga segunda lei da termodinâmica para recuperar áreas ardidas
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Todos sabemos que quando uma vela arde, emitindo para a atmosfera dióxido de carbono (tão prejudicial para os ursos polares) e vapor de água (tão prejudicial para os ursos polares, uma vez que também é um gás de efeito de estufa) é impossível voltar a reunir as moléculas dispersas e fazer uma vela novamente. A razão é só uma: o aumento de entropia, ou seja a tendência para bandalheira. E isto por causa da segunda lei da termodinâmica, que o governo vem agora revogar. A partir de agora nada impedirá que a parte dispersa pela atmosfera em dióxido de carbono e água da floresta ardida se junte aos resíduos sólidos (cinzas, troncos carbonizados) nos locais do incêndios, refazendo árvores, arbustos, cogumelos e mesmo que cigarros inteiros renasçam das beatas.David Marçal, no Inimigo Público
August 5 2010, 4:09pm | Comments »
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Erupção solar
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Mais detalhe no site do Solar Dynamic Observatory:http://sdo.gsfc.nasa.gov/:-)
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August 4 2010, 3:50pm | Comments »
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A LONGA MARCHA PARA O ESPAÇO
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Outro texto meu de há alguns anos sobre a aventura espacial, este extraído de "Curiosidade Apaixonada" (Gradiva):Segundo o historiador de ciência inglês Joseph Needham o foguete foi provavelmente (nestas coisas nunca pode haver certezas) a invenção mais importante da China e a sua contribuição tecnológica mais importante para a humanidade. Ele estaria talvez a pensar na possibilidade de um dia a humanidade poder deixar o seu “berço” e estabelecer-se noutros planetas ou mesmo em estações permanentes no espaço.Needham é uma das maiores autoridades mundiais sobre a ciência e a tecnologia da China. Nascido em 1900, deu aos 37 anos uma grande volta na sua carreira de embriologista formado por Cambridge. Tendo encontrado e feito amizade com estudantes chineses, entusiasmou-se pela história da civilização chinesa. Para isso aprendeu a língua chinesa clássica. E, em 1942, em plena Segunda Guerra Mundial, foi nomeado Conselheiro Científico da Embaixada Britânica na China. Correu a China toda, reunindo informações e coleccionando, com a obsessão de um caçador de tesouros, muitos livros sobre a antiga ciência chinesa. Essa biblioteca constitui hoje em Cambridge a maior biblioteca sobre a história da ciência e da técnica chinesa fora da China, tendo justamente o nome do seu fundador. Depois da Guerra, Needham tornou-se subdirector geral da UNESCO para a área das Ciências Naturais, tendo sido ele o responsável pelo S da sigla entre o E e o C (originalmente, a UNESCO tinha a intenção de se dedicar apenas à ciência e à cultura, mas a ciência, de “Science” fica muitíssimo bem entre as duas). De volta à sua “alma mater” Needham começou a escrever um longo e erudito tratado intitulado “Science and Civilization in China”, que tem saído sob a chancela da Cambridge University Press em 25 volumes (já saíram 17 volumes; o projecto continua depois da morte do autor em 1995). É praticamente impossível a um leitor ler por completo essa verdadeira obra prima da história da ciência, mas há resumos, um dos quais bastante acessível e ilustrado (que tem a vantagem de ter sido não só sancionado como prefaciado pelo próprio Needham): Robert Temple, “The Genius of China: 3000 Years of Science, Discovery and Invention”, Prion, Londres, 1986.É lá que podemos encontrar uma breve história do foguete chinês. Ficamos a saber que o foguete nasceu na China em 1150 (no calendário cristão, largamente ignorado pelos chineses). Foi usado em fogos de artifício e na guerra. É significativo que o árabe Hasdan al-Rammah tenha chamado em 1280 aos foguetes “setas chinesas”. Os foguetes foram rapidamente importados pelos ocidentais, na esteira das viagens de Marco Pólo ao Extremo Oriente. Assim, em 1380 foram usados numa batalha no norte de Itália, entre genoveses e venezianos. Temple (quer dizer, Needham) assinala que se tratou de uma importação bastante rápida: escassos dois séculos. Outras invenções do Império do Meio chegaram ao Ocidente com maior atraso. Ao ler Temple, ficamos verdadeiramente impresionados e mesmo confundidos com o número e a qualidade das invenções chinesas: a bússola, a pólvora, o papel e, Gutenberg que não se sinta diminuído, até a imprensa! Para não falar já de descobertas científicas, como a da circulação do sangue, comandada pelo coração, que era conhecida dos chineses muito antes - dois mil anos antes - do britânico William Harvey a ter anunciado na Europa no início do século XVII.Pois a invenção do foguete durante aquilo que no Ocidente se convencionou chamar Idade Média foi o primeiro passo para a longa marcha da humanidade para o espaço. O desenvolvimento rápido dos foguetes só se dá no século XX, sendo ele indissociável do nome do engenheiro alemão Wernher von Braun, pai não só dos dos foguetes V2 que semearam o pavor em Londres durante a Guerra, mas também do foguetão Saturno V, que foi utilizado para as viagens norte-americanas à Lua. Um foguetão é, evidentemente, um foguete grande e não deixa de ser curioso que os chineses, que tanta ciência e tecnologia desenvolveram nos tempos antigos, tenham perdido o “comboio do progresso” nos tempos mais modernos. O assunto daria muito pano para mangas, mas fica a importante nota que a actual civilização, muito ligada ao Ocidente mas partilhada cada vez mais pela China, assenta numa base científico-tecnológica que teve origem no método científico. Foi um italiano de Florença, contemporâneo de Harvey, que a desenvolveu e pôs em prática: Galileu Galilei. O problema do atraso da China é que Galileu não foi chinês, uma vez que, a partir dele, a evolução científico-técnica acelerada do Ocidente foi o que se sabe e o que se vê. Aos chineses nunca faltou o engenho, terá faltado a curiosidade e o método para a prosseguir de maneira sistemática.Em 1998 assistiu-se ao que podemos chamar, sem qualquer carga pejorativa, a “vingança do chinês”. Um foguetão de concepção e fabrico chinês, denominado “Longa Marcha”, pôs em órbita terrestre o primeiro “taquinauta” (yuhangyuan) chinês. A palavra “taquinauta” tem a ver com o facto de os russos chamarem “cosmonauta” e os americanos “astronautas” aos seus viajantes do espaço: “taquinauta” significa “espaçonauta”, viajante no espaço. É claro que os chineses, que são agora mais claramente uma potência mundial no espaço, tinham de querer um nome próprio para os seus homens. A Europa continua “pendurada” nos norte-americanos e russos para as suas viagens espaciais tripuladas: por exemplo, a ex-ministra francesa para a Investigação Científica e as Novas Tecnologias, Claudie Aignerée, viajou na MIR e na Estação Espacial Internacional e o astronauta espanhol Pedro Duque partiu, a bordo de uma nave russa, para a Estação Espacial Internacional, onde realizou várias experiências científicas e didácticas. Mas não há um nome europeu para viajantes do espaço... O primeiro “taquinauta” chama-se Yang Liwei e faz parte de um grupo de “eleitos” que foram intensivamente treinados. A cápsula Shen Zhou-5 (“Nave Divina”, os nomes chineses são curiosos!) tripulada por esse digno sucessor do russo Yuri Gagarine e do norte-americano Alan Shapard regressou à Terra no dia 15 de Outubro, caindo em segurança nas planícies da Mongólia Interior depois de algumas voltas bem sucedidas ao nosso planeta. Foi um pequeno passo para ele, mas um grande passo para a China e, uma vez que os chineses são uma parte enorme da humanidade, para a humanidade.Os aplausos foram unânimes. Norte-americanos, russos e europeus felicitaram os chineses pela proeza, que para a China constitui um marco do seu avanço científico-técnico. Esse aplauso geral significa que já não há utilização do espaço para efeitos de “guerra fria”, como aconteceu durante anos. Os norte-americanos, um pouco combalidos do desastre da “Columbia”, sabem bem o valor dos chineses, sabem bem por exemplo o que têm beneficiado com a presença de muitos e bons estudantes chineses nas suas universidades e institutos de investigação. A China de hoje é uma China que soube recuperar, usando o método científico e a tecnologia que lhe está a jusante (na antiga China a tecnologia estava a montante da ciência), do seu atraso.Houve inegavelmente um aproveitamente político do voo espacial tripulado de Yang Liwei. O nome “Longa Marcha” do foguetão utilizado é sintomático ao evocar a herança maoísta. Na verdade, os chineses sempre cultivaram algum nacionalismo e não seria agora que iriam desdenhar a oportunidade de aumentar a auto-estima nacional. Há boas razões para isso uma vez que desenvolveram ciências e tecnologias próprias e fizeram um investimento enorme no seu programa espacial. O Instituto sobre História da Civilização Chinesa que Needham nos legou em Cambridge terá um dia de incorporar nas suas publicações a história deste feito chinês. Mas o importante é que a “longa marcha” para o espaço, que a humanidade começou a empreender a partir do primeiro foguete chinês, seja um empreendimento onde não caibam nacionalismos doentios nem rivalidades mesquinhas e inúteis. Deve ser um projecto de toda a humanidade!Na foto: Yang Liwei, o primeiro "taquinauta".
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July 28 2010, 6:03pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
HUMOR: Protões mais pequenos, à semelhança de cornetos e pernas de pau
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Quem não se lembra dos gelados enormes quando era criança e da desilusão de pedir o mesmo gelado passados alguns anos e verificar que este já não é maior do que a nossa cabeça? Uma experiência com a qual certamente todos os leitores se identificam. Sucedeu o mesmo com uma equipa de cientistas internacional, liderada por Randolf Pohl do Instituto Max Planck na Alemanha (em Português, Instituto Super-Maxi). Quando a equipa de Pohl começou a estudar protões no ano 2000, estes pareciam enormes. Passados dez anos, a sensação que fica é que estão mais pequenos: "nas minhas memórias de infância os protões têm para aí 0,8768 fentometros de raio. No ano passado voltei a pedir um protão num acelerador de partículas, e era 4% mais pequeno. A partir daí nunca mais quis olhar para constante de Rydberg".David Marçal, no INIMIGO PÚBLICO
July 23 2010, 7:35am | Comments »




