Informação recebida do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra:O Instituto de Investigação Interdisciplinar e o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra têm aberto concurso para uma Bolsa de Investigação, da Fundação para a Ciência e Tecnologia, para estudo das colecções de história natural da Universidade de Coimbra, com a duração de 24 meses.Os candidatos deverão ter uma formação de base em ciências, nomeadamente Biologia ou Ciências da Terra, terem especial interesse e motivação pelas colecções de história natural, capacidade de pesquisa autónoma, consulta e processamento de documentos diversos e em diferentes tipos de suporte e bom domínio de português e inglês. Deverão ainda ter capacidade de trabalhar em grupo.O candidato seleccionado terá oportunidade de participar numa equipa muito dinâmica e motivada, de participar num projecto de divulgação de ciência de grande dimensão e de adquirir uma sólida formação em divulgação científica em contexto museológico.Os candidatos devem enviar CV e carta de motivação parageral@museudaciencia.pt até dia 30 de Julho de 2010.Mais informações aqui.
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Bolsa
http://dererummundi.blogspot.com/2010/07/bolsa.html
July 9 2010, 4:01am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
RANKING DE PRODUÇÃO CIENTÍFICA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/ranking-de-producao-cientifica.html
Para quem gosta de ranking de instituições (não apenas universidades), eis mais um, desta vez com base na produção científica tal como ela aparece na base de dados Scopus da Elsevier (2003-2008). Tem a particularidade de fazer um ranking das universidades latino-americanas, incluindo Portugal, Brasil e Espanha.Clicar aqui.
- Tags:
- ciência
June 8 2010, 11:05am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
FÍSICO PASSEIA COM FAMÍLIAS PELA CIÊNCIA ESCONDIDA NA CIDADE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/06/fisico-passeia-com-familias-pela.html
Texto recebido do Museu da Ciencia de CoimbraDia 6 de Junho às 11 horas, o Museu da Ciência desafia adultos e crianças a acompanhar o físico Francisco Gil num passeio original pela cidade de Coimbra.Que a Ciência não mora apenas nos livros, todos sabemos. Mas quantos de nós já tiveram oportunidade de descobri-la... nas ruas que percorremos habitualmente? No dia 6 de Junho, a partir das 11 horas, o Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) desafia curiosos de todas as idades a partirem em busca da Física que se esconde nos recantos da cidade.A iniciativa está integrada no projecto "Trilhos", um conjunto de passeios pedestres que pretendem dar a conhecer, uma vez por mês e pela mão de investigadores da UC, os segredos científicos mais-bem guardados das ruas de Coimbra.Em Junho, o passeio está a cargo do físico Francisco Gil, professor auxiliar da Faculdade de Ciência e Tecnologia, onde é responsável pelo Laboratório de Óptica Avançada e Fototómica e coordenador dos cursos de licenciatura e mestrado em Conservação e Restauro.Que histórias nos contam as cores dos edifícios da cidade de Coimbra? E que segredos estão por trás da arquitectura utilizada? Afinal, por que é que Coimbra é como é?"Quando passeamos pela cidade, habitualmente não nos apercebemos de aspectos macroscópicos da urbanização, nos seus diversos volumes, formas arquitectónicas e cores, nem de aspectos microscópicos, como os materiais de construção e nomeadamente os revestimentos", explica Francisco Gil.A proposta para este passeio é, por isso, redescobrir Coimbra a partir do olhar da Física. Em destaque vão estar, entre outros temas, a evolução das cores que caracterizam a paisagem urbana, os problemas associados à degradação exterior dos edifícios e à sua reabilitação, revela Francisco Gil.A participação no "Passeio com a Física" custa três euros por pessoa e requer marcação prévia junto do Museu da Ciência da UC (telefone: 239 85 43 50). Para mais informações, os interessados poderão consultar o site do museu (www.museudaciencia.org).Depois de passeios com a Química e com a Física, o projecto "Trilhos" regressa no dia 4 de Julho, com uma visita às plantas mais surpreendentes da cidade de Coimbra, uma cortesia do investigador António Coutinho, do Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC.
June 1 2010, 5:24pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
TRÊS POEMAS DE PIET HEIN
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/tres-poemas-de-piet-hein.html
Na última "Gazeta de Matemática" (Abril 2010), Natália Bebiano e F. J. Craveiro de Carvalho, no seu artigo "Uma Mente não menos brilhante. Os grooks de Piet Hein", falam da vida e obra do matemático e poeta dinamarquês Piet Hein (o inventor do jogo do Hex). Eis três breves poemas que eles traduziram:Primeiro as Últimas CoisasSoluções para problemassão fáceis de encontrar:o problema é uma boacontribuição.O que realmente é uma arteé torcer a mentee obter um problema que encaixe numa solução.Revelação à Meia-NoiteToda a gentepensa no Infinitocomo um oitodeitado.Mas de repenteapercebo-mede que o oito éo Infinito levantado.Indo ao Fundo das CoisasA nossa morada terrenacontrair-se-á progressivamenteaté cada antípoda ficarsobre o seu antípoda.Piet Hein
May 31 2010, 3:58am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
HUMOR: Vida artificial pode ser a solução para a economia portuguesa
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/humor-vida-artificial-pode-ser-solucao.html
Investigadores norte-americanos conseguiram que uma bactéria se transformasse noutra, introduzindo-lhe um cromossoma totalmente fabricado em laboratório e publicaram os resultados na revista Science. É um bom começo para o trabalho que investigadores do FMI e da UE irão tentar fazer em Portugal para publicar no boletim mensal do Banco de Portugal: introduzir na economia portuguesa um ADN artificial com genes da economia Alemã, Escandinava e Chinesa na bactéria económica portuguesa. Espera-se que a economia microbiana portuguesa passe a expressar os factores de competitividade, disciplina orçamental e rigor alemães, a protecção social e flexibilidade laboral escandinavos e o potencial de crescimento chinês, deixando de expressar a corrupção, compadrios e chico-espertismo nacionais.David Marçal, no Inimigo Público
May 28 2010, 5:29am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
2595 ANOS DA CIÊNCIA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/2595-anos-da-ciencia.html
Da última coluna "What's New" do físico Robert Park:BIRTH OF SCIENCE: NEXT FRIDAY, MAY 28, SCIENCE WILL BE 2,595 YEARS OLDOn May 28, 585 B.C. the swath of a total solar eclipse passed over the Greek island of Miletus. The early Greek philosopher, Thales of Miletus, alone understood what was happening. The world's first recorded freethinker, Thales rejected all supernatural explanations, and used theoccasion to state the first law of science: every observable effect has a physical cause. The 585 B.C. eclipse is now taken to mark the birth of science, and Thales is honored as the father. What troubles would be spared the world if the education of every child began with causality?Robert Park
- Tags:
- ciência
- Astronomia
May 21 2010, 6:42pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Entrevista a alunos do secundário
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/entrevista-alunos-do-secundario.html
Minhas respostas a questões que me enviaram alunos de uma escola secundária:P- Jorge Dias de Deus, no livro “Ciência, Curiosidade e Maldição”, p.134, perguntou: “Se formos buscar uma balança e se pusermos no prato BEM os benefícios que a ciência trouxe ao longo dos seus cerca de cinco florescentes séculos e no prato MAL os malefícios que dela vieram, para que lado se irá inclinar o fiel da balança?” O que responde?R- Os benefícios da ciência suplantam de longe os malefícios. Esses benefícios são, em primeiro lugar, conhecimento e, em segundo lugar, bem estar proporcionado por esse conhecimento. O conhecimento, qualquer que ele seja, é sempre um benefício: saber muito é sempre melhor do que saber pouco e saber pouco é sempre menor do que não saber. A esmagadora maioria das aplicações da ciência são também benéficas: basta pensar nas aplicações médicas que prolongam a vida humana e a tornam mais confortável. Quando se fala em malefícios da ciência pensa-se geralmente em más utilizações da ciência, em tecnologias que trazem prejuízos à vida humana. Elas existem, são de certa forma inevitáveis e só podemos esperar que haja a vontade permanente de as minorar. Mas convém insistir num ponto: uma coisa é a ciência em si e outra a eventual má utilização que se faz dela. O electromagnetismo não se torna condenável por ter sido inventada a cadeira eléctrica! A ciência não se torna má por a sua utilização ser má. É necessária uma consciência crítica sobre a utilização da ciência. E não apenas da parte do cientista – a ética tem de ser um imperativo no seu trabalho – mas também da parte da sociedade como um todo.P- A clonagem e a manipulação genética são alguns dos temas que mais problemas éticos levantam hoje em dia. Diga, criticamente, qual a sua opinião acerca da clonagem humana com base na bioética e no conceito de Pessoa.R- Vejo a clonagem terapêutica, como aliás os cientistas que investigam nessa área, como uma esperança para a Humanidade. Oxalá se venha a conseguir curar opu pelo menos tratar por esse meio doenças hoje incuráveis ou intratáveis. Já é discutível a clonagem reprodutiva, sendo bom que se continuem a debater e a estabelecer os limites legais da biologia e da medicina nessa área. Nem tudo o que se pode fazer deve ser feito, embora seja conhecido da história que haverá sempre alguém que, cedo ou tarde, pisa o risco e ultrapassa os limites que foram definidos pela sociedade. Por vezes essas ultrapassagens redundaram em malefícios, pelo que devemos estar muito vigilantes quanto ao que se passa na fronteira do que é permitido socialmente. Noutras vezes, verdade se diga, tais ultrapassagens conduziram a benefícios. De qualquer modo, a palavra “clonagem” tem uma carga negativa, que vem talvez da ficção científica. Não há que alimentar o receio comunicado por alguns filmes pois é impossível criar um bando de Marilyn Monroes iguazinhas umas às outras. Felizmente, acrescento eu!P- Edgar Morin disse: “Seria esquecer que a descoberta de um limite ou de uma carência na nossa consciência constitui já um progresso fundamental e necessário para esta ciência“. Qual é a sua opinião crítica acerca da frase de Morin?R- Edgar Morin tem sido uma das vozes que tem defendido “ciência com consciência” (título de um dos seus livros). É uma voz útil e necessária tal como são outras vozes que vão no mesmo sentido. Já Rabelais dizia que “ciência sem consciência não passa de ruína de alma”. Eu diria mais: ciência sem consciência não é sequer ciência. Claro que a tomada de uma maior consciência pode representar um progresso da ciência.P- Desde o seu início que a ciência tem evoluído até ao que é hoje. A ciência associa-se à tecnologia para combater problemas do tipo social (por exemplo, o desemprego) ou do tipo ecológico (por exemplo, a poluição). Mas ela está também a criar enormes problemas a nível mundial. É urgente travá-la! Na sua opinião, estará a população, a nível mundial, disposta a alterar os seus hábitos e comportamentos com base num bem maior?R- Não penso que seja urgente travar a ciência. Aliás, travar a busca do conhecimento é uma atitude obscurantista, com exemplos na história que sempre deram maus resultados. A ciência não cria problemas à humanidade, mas sim a tecnologia, uma espécie de “filha” da ciência que saiu de casa e às vezes se “porta mal”. Que culpa é que a “mãe” tem? A ciência é, ela própria responsável, pelos desvarios que fazem os seus parentes? Sim, eu sei que ciência e tecnologia são, muitas vezes, indistinguíveis para a opinião pública. A cultura científica ajuda a fazer a distinção. Para completar a resposta: Convém não esquecer que é a mesma tecnologia, baseada hoje na ciência, que nos permite resolver muitos problemas que nos afectam, incluindo os problemas originados pelos erros que cometemos. Por exemplo, a poluição não se resolve com o abandono puro e simples da química mas sim com um reforço, mais consciente e mais cuidadoso, da ciência química.P- Desde há milhões de anos que se fala em profecias e superstições sobre o fim do mundo. Qual a sua opinião acerca das teorias do fim do mundo de que se especula?R- Em geral, são mitos e erros sem qualquer substância. A cultura científica é o melhor antídoto para combater esses disparates, como o fim do mundo em 2012, etc., etc. Nem têm qualquer justificação nem fazem sentido nenhum!P- Como será, na sua perspectiva, o fim da ciência, da Humanidade e do Universo?P- O fim da ciência, isto é, do conhecimento, só acontecerá se houver o fim da Humanidade uma vez que, como disse Carl Sagan, “o nosso destino é o conhecimento”. Mesmo assim, o eventual fim do “homo sapiens” pode não ser o fim da ciência pois pode haver, no vasto Universo, outras formas de vida inteligente, que também fazem ciência como nós. O fim da humanidade é possível, pois o homem tem hoje à sua disposição meios de auto-aniquilação. Se não tiver juízo... Estou convencido, porém, que é muito pouco provável. Poderá também acontecer o fim da Humanidade por se acabarem as condições de vida na Terra. Daqui a cinco mil milhões de anos o Sol vai extinguir-se... Quanto ao fim do Universo, ele não faz muito sentido, pois, tanto quanto sabemos hoje, o Universo, que teve um início há cerca de 14 000 milhões de anos, é eterno para a frente...P- Disse numa entrevista: “A escola é uma das maiores invenções da humanidade.” O que pensa acerca do papel da escola na formação das pessoas e na sua sensibilização para as questões científicas?R- A escola é, de facto, um grande meio que a humanidade arranjou para assegurar a curto, médio e longo prazo a sua sobrevivência. É pela escola que a humanidade se prolonga, assegurando a continuação do saber e da sua aplicação. E, claro, a ciência, é uma das componentes mais importantes do saber humano. Sem escola, não poderá haver ciência: a escola é uma condição indispensável da ciência.
- Tags:
- ciência
- tecnologia
May 19 2010, 3:48am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
OPEN SOURCE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/open-source.html
Informação recebida da Circo de Ideias (na imagem ponta Pedro e Inês, em Coimbra, da autoria de Cecil Balmond e Adão ad Fonseca, dois dos participantes no encontro na casa da Música do Porto):Seminário internacional «OPEN SOURCE — architecture as an open culture»Data: Sábado, 12 de Junho de 2010Hora: 14:30 - 20:00Local: Casa da Música, Porto, PortugalDescrição OPEN SOURCE — architecture as an open cultureNas diferentes áreas da produção humana, assistimos, cada vez mais, à constituição de redes globais informais que trabalham entre si num processo de partilha e colaboração. A partir desta perspectiva de criação, a Circo de Ideias - Associação Cultural apresenta na sala Suggia da Casa da Música, sábado, dia 12 de Junho de 2010, o seminário internacional OPEN SOURCE — termo utilizado na definição de software cujo código original é partilhado gratuitamente e que pode ser redistribuído com ou sem alterações.OPEN SOURCE pretende reflectir sobre as fronteiras da criação contemporânea através de contribuições oriundas da arquitectura, da engenharia, das artes e da matemática. Composto por um conjunto de visitas guiadas, uma exposição, um seminário internacional e uma publicação, OPEN SOURCE conta com a participação especial de Cecil Balmond, engenheiro que personifica esta busca de pensamento e que inspira a realização do evento.ORADORES DO SEMINÁRIO:Cecil BalmondHans-Ulrich ObristTomás SaracenoSanford KwinterRon EglashAntónio Adão da FonsecaRubedoOverworld(entrada: €20 | bilhetes à venda na Casa da Música)mais informações em http://www.circodeideias.pt
May 17 2010, 7:36pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O BINÓMIO DE NEWTON. VERDADE E SOCIEDADE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/o-binomio-de-newton-verdade-e-sociedade.html
Post convidado de Guilherme Valente, editor da Gradiva:Sou amigo de Guilherme Valente,mas sou mais amigo da verdade. Guilherme ValenteO que Aristóteles disse foi: «Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade.» A variação que introduzi na epígrafe pretende traduzir uma necessidade e uma exigência e suscitar coragem, que me parecem cada vez mais imperativas nestes tempos da moda pós-moderna e relativista que vivemos.E escrevi o que hoje é óbvio. De facto, a exigência de verdade, que devemos cultivar, tem de começar por incidir sobre nós próprios, sobre as nossas próprias convicções. E temos de ter coragem para assumir a verdade a que pensamos ir chegando. Um dos ideais da cultura clássica grega exprimia-se na exortação: «Sê (em cada momento) tu próprio.» Isto é, assume o que és realmente, não traias o que realmente pensas e sentes. Noutros contextos históricos houve gente que para ser igual a si própria precisou de muito mais coragem do que agora precisaríamos. Convém acrescentar ainda, claro, citando Confúcio, que só não mudam os burros ou... a pessoa mais inteligente do mundo.Esta exigência de verdade, que deve começar relativamente às nossas próprias ideias, é o cerne da investigação na física e na matemática, nas ciências dignas desse nome. É a essência da cultura científica (é neste sentido que costuma dizer-se que o cientista procura o erro). Por isso me pareceu tão decisivo promover a cultura científica num país como o nosso, em cuja história o método da ciência, a sua exigência de objectividade, de rigor, de verdade, tão pouco se fizeram sentir.Numa bela fórmula, Carl Sagan definiu o espírito científico como a atitude de máxima abertura perante todas as ideias, velhas ou novas, e de máximo rigor crítico na análise de todas elas. Antes de mais — está implícito, mas sublinho-o — das nossas próprias ideias.É esta a atitude que o cientista a sério pratica e exercita, em primeiro lugar relativamente ao seu próprio trabalho, às suas próprias intuições e teorias. Só com esse espírito, que é um método, fará avançar a ciência, aproximará mais da verdade o património inestimável do conhecimento universal. Pelo menos da verdade no mundo natural, mas recordo que S. Tomás de Aquino considerava o conhecimento da Natureza um contributo para a compreensão da revelação divina. E João Paulo II, na encíclica A Fé e a Razão, escreveu que «quanto mais o homem conhece a realidade e o mundo (…) nele se torna cada vez mais premente a questão do sentido das coisas e da sua própria existência».Esta atitude de abertura e de exigência crítica é também, claro, a atitude que cada cientista tem de exercitar em relação ao trabalho dos outros cientistas. Infelizmente nem sempre assim acontece, como se sabe, porque uma coisa é a ciência e outra os cientistas, do mesmo modo que uma coisa é a religião e outra os religiosos.A resistência aos grandes avanços da ciência não vem dos leigos. Vem sim, como é natural, durante algum tempo (quantos anos esperou Einstein para ver confirmada e aceite a sua teoria?), da surpresa e da dificuldade de entender a ruptura da novidade. Mas vem também, infelizmente, dos pares a quem a novidade ultrapassa, que se sentem diminuídos por ela (injustificadamente, claro, porque não pode ser outro o caminho do progresso científico, em que não deve haver concorrência, mas sim emulação). E vem também, como se sabe, de interesses prejudicados por novas aplicações dos resultados alcançados. Mas a força da verdade e a paixão da descoberta acabam sempre por se impor. O desejo de conhecer está inscrito na natureza do Homem, é o destino dos seres humanos.O abade Pierre, uma das grandes figuras liberais da Revolução Francesa, dizia: «Promovam a ciência e estarão a promover a liberdade.» A ciência, por se alimentar da verdade, precisa de liberdade. E por sua vez alimenta-a.Essa atitude autocrítica e crítica, essa atitude de verdade que é condição da ciência, não deverá ser generalizada, não deverá informar toda a sociedade? Não deve ser esse, por exemplo, o exercício permanente dos políticos, nas suas decisões e na sua relação com os cidadãos? Não deve ser essa a atitude de todos nós?É que, além de uma superior dimensão ética e moral, a verdade tem ainda uma mais que evidente dimensão, um mais que evidente valor e efeito sociais. Ela é também condição da confiança. A ciência, a democracia e o desenvolvimento emergiram e floresceram juntos na história.O amor à verdade, a prática da verdade, não são, assim, apenas indicadores do carácter, da saúde moral, de uma sociedade e de um país. São também um indicador da sua prosperidade.Guilherme Valente
May 11 2010, 5:03pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
AMIGO DA VERDADE
http://dererummundi.blogspot.com/2010/05/amigo-da-verdade.html
Post convidado de Guilherme Valente, editor da Gradiva:Sou Amigo de Guilherme Valente,mas sou mais amigo da verdade.Guilherme ValenteNa epígrafe acima escrevi o óbvio. Mas dei um passo de gigante relativamente ao que o grande Aristóteles escreveu. Ele não deu esse passo por lhe faltar inteligência, claro, mas por falta de História e de circunstância (mas, mesmo assim, podia tê-lo dado, como deu tantos outros, ainda hoje inultrapassados). De facto, o que Aristóteles escreveu foi: «Sou amigo de Platão, mas sou mais amigo da verdade».Na bela definição de Carl Sagan, a ciência, o espírito científico, é uma atitude de máxima abertura perante todas as ideias, velhas ou novas, e o máximo de rigor crítico na análise de todas elas. Antes de mais – está implícito na fórmula de Sagan, mas eu explicito - das nossas próprias ideias.É esta é a atitude que o cientista digno desse nome pratica e exercita em primeiro lugar relativamente ao seu próprio trabalho, às suas próprias intuições e teorias. Só com esse espírito, que é um método, pode produzir conhecimento e aproximar-se da verdade.Deve também ser esta, claro, a atitude que o cientista deve exercitar relativamente ao trabalho dos outros cientistas. (Infelizmente nem sempre assim acontece, como se sabe, porque uma coisa é a ciência, outra são os cientistas, do mesmo modo que uma coisa é a religião, outra os religiosos. A resistência a grandes avanços na ciência não vem dos leigos, vem de pares a quem a novidade ultrapassa ou de interesses aos quais novas aplicações prejudicam.)E não deveria ser esta atitude autocrítica generalizada a toda a sociedade? O exercício permanente, por exemplo, dos políticos? Uma atitude de todos nós? Como seria diferente Portugal se fosse essa a cultura dominante na nossa sociedade. E sendo uma condição do progresso pessoal e social não será esta atitude também uma condição da liberdade?O abade Pierre, uma das grandes figuras liberais da Revolução Francesa, dizia: «Promovam a ciência e estarão a promover a liberdade». De facto, ciência, democracia e desenvolvimento emergiram e cresceram juntos na História.Guilherme Valente
May 10 2010, 2:26am | Comments »







