“Conhece alguém as fronteiras da sua alma para que possa dizer – eu sou eu?” (Fernando Pessoa, 1888-1935).“Então e a alma?”- questão levantada por Brigitte, aluna de uma escola primária francesa, ao médico francês Jean Bernard.Esta angustiante pergunta, transcrita numa das páginas de um pequeno mas notável livro do presidente da Academia de Ciências de França, Jean Bernard ("Europa-América, 1988), quando explicava a Brigitte e às suas pequenas colegas o funcionamento do sistema nervoso, serviu de sugestivo título ao seu autor.Perpassa pelas suas 176 páginas, que releio como o mesmo prazer com que o fiz anos atrás, uma extraordinária simplicidade de escrita que só o pensamento linear e bem fundamentado dos cientistas com as ideias bem digeridas na matéria que dominam consegue transmitir.Da sua apaixonante leitura, colhi a informação de um luminar da hematologia mundial (director do Instituto de Investigação sobre as Leucemias e as Doenças do Sangue em que foram feitas as primeiras curas de leucemias agudas) sobre a necessidade de um respaldo abrangente e ecléctico da Filosofia e da própria Religião na abordagem de assuntos de natureza científica.Segundo, I.M. Bochenski (La Philosophie Contemporaine en Europe) “o pensamento do filósofo tem o efeito do dinamite (…) aquilo que os filósofos anunciam hoje será a crença de amanhã”. Visão diferente tem o nosso festejado filósofo Delfim dos Santos (1907-1966): “No pensamento de cada filósofo há algo de vivo e algo de morto e o morto é quase sempre o científico”. Por seu turno, o autor do livro, Jean Bernard, diz-nos que “os filósofos clássicos foram durante muito tempo os únicos a ocupar o terreno: brilhantes, firmes certos da verdade, recusando a crítica, aproximativos, utilizando as palavras essenciais com sentidos diferentes”. E logo acrescenta: “Os filósofos modernos, muito mais abertos, aceitam o diálogo”. Por vezes, em resposta à questão que elaboro sobre o que se entende por pensamento, deparo-me com o silêncio de uns tantos interlocutores ou a facúndia sem nexo de outros tantos. Contemplando e ampliando a tese cefalocentrista, que remonta a tempos de Platão e Hipócrates, segundo a qual “o pensamento tem a sua sede no cérebro do homem”, respondo ser o complexo funcionamento da máquina humana e não só do cérebro, pois, segundo Ernest Kretshemer, “o homem pensa com o corpo todo”.Opinião que deve merecer o descrédito de adeptos do vitalismo (como se o cérebro como qualquer outro órgão do corpo humano não fosse matéria corpórea) que se recusam a ver no homem um animal, a exemplo do literato François- René Chateaubriand (1768-1848), quando escreve com fervor religioso: “Se nos é permitido dizer, é, parece-nos, uma grande pena encontrar o Homem mamífero classificado, depois do sistema de Lineu, com os macacos, os morcegos e os pássaros”. E, logo, para evitar uma possível subordinação a um ateísmo, que não perfilho, digo que a expressão literária de pensamento (tida por Alexandre Herculano de inspiração divina: “Foi depois disto que este nome e esta imagem [de Leonor] me apareceram como um pensamento do céu”), assume, por vezes, o significado de alma, ao invés da significância de processo de raciocínio lógico, através de uma actividade psíquica consciente e organizada.Para consubstanciar o conceito de pensamento, acrescento que o perspectivo em termos de Ciência e não de Teologia, até porque “para aqueles que crêem nenhuma explicação é necessária; para aqueles que não crêem nenhuma explicação é possível”, como nos transmitiu Santo Inácio de Loiola. Já o padre João Resina, sócio efectivo da Academia de Ciências de Lisboa, na sua dupla formação científica (licenciado em Engenharia Química pelo IST em 1953, e professor jubilado de Física dessa mesma escola) e teológica (ordenado padre em 1959 e doutorado em Filosofia pela Universidade Católica de Lovaina), escreve: “A Religião não recebe nada da Ciência, esta é uma compreensão exigente e sóbria do mundo que nada tem a ver com valores que implicam opções ‘ na solidão da liberdade’; a Ciência revela-nos possibilidades insuspeitadas de nós próprios”. Consequentemente, em meu entender, ciência e religião não são susceptíveis de seguirem um caminho interdisciplinar: aquela vive de dogmas; esta de hipóteses.Aliás, no próprio domínio das ciências, em estranho paradoxo, cada vez se fala e defende mais a interdisciplinaridade, mas, na prática do dia-a-dia , ela é entendida como uma espécie de utopia. Para Edgar Morin, esse gigante do pensamento moderno, a interdisciplinaridade não tem o viço das árvores frondosas por ausência de raízes fortes. Escreve ele: “Sabemos cada vez mais que as disciplinas se fecham e não comunicam umas com as outras. Os fenómenos são cada vez mais fragmentados e não se consegue conceber a sua unidade .É por isso que cada vez mais se diz façamos interdisciplinaridade, mas ela controla tanto as disciplinas como a ONU as nações. Cada disciplina pretende primeiro fazer reconhecer a sua soberania territorial e, às custas de algumas magras trocas, as fronteiras confirmam-se em vez de se desmoronarem”.Contra a torre de marfim do conhecimento pronuncia-se, de igual modo, o filósofo Georges Gusdorf (1912-2000), antigo professor da Universidade de Estrasburgo, quando escreve: “A unidade do saber, nunca dada, propõe-se como uma tarefa a empreender. Como uma tarefa impossível, talvez, e desencorajante de qualquer modo. Mas esta tarefa define a mais alta exigência da cultura. Desde então, a atitude do especialista, quer seja matemático ou botânico, filólogo ou historiador, que se debruce ciumentamente sobre o estrito comportamento da sua própria competência, deve ser considerado como uma demissão. Qualquer dissociação do conhecimento é uma negação do conhecimento. O dever presente é trabalhar para reunificar, para dar corpo aquilo que um século de análise desmembrou. O pressuposto da especialização deve dar lugar ao pressuposto da convergência Ciências e Letras, Ciências da Natureza e Ciências do Homem, que pareciam votadas a caminhos distintos, devem tomar consciência, cada uma por seu lado, que são como paralelas que, sem se afastarem da sua própria direcção, se encontram no infinito”. Por consequência, Ciência, Filosofia e Religião não têm sido contempladas por um estudo interdisciplinar: aquelas vivem de incertezas, esta não admite dúvidas. Apesar de tudo, os cientistas ostentam, com toda a propriedade, o brasão prestigioso das grandes conquistas tecnológicas do nosso tempo. Pois não viaja o homem já hoje para fora do planeta Terra? É a altura de dar a palavra a Charles De Gaulle: “É bem possível que um dia se vá à Lua, mas isso não é ir muito longe; a maior distância a percorrer está dentro de nós!” Há muitos anos que o homem chegou à Lua. Próximo passo será pisar o solo marciano. E os caminhos a percorrer dentro dele próprio? Não estará ainda por cumprir a velha máxima socrática “nosce te ipsum” (conhece-te a ti mesmo)? Os dois e únicos transplantes de caras inteiras desfiguradas, um deles realizado na nossa vizinha Espanha, não nos dão, ainda, esperanças sobre a possibilidade de transplantes cerebrais que mudariam a personalidade das pessoas descrita no livro de Jean Bernard, através de uma história de amor. Escreve ele:“Pierre ama Jeanne. Jeanne, após um acidente, fica sem um braço. Um braço estranho é enxertado em substituição do braço amputado. Pierre continua enamorado de Jeanne. Mas Jeanne, um pouco mais tarde, padece de uma grave doença renal. Tenta-se um transplante renal e é bem sucedido. Pierre continua enamorado de Jeanne. Novo acidente. Queimaduras extensas. São necessários grandes enxertos de pele. Mais tarde, ainda, verificam-se sérias alterações no coração de Jeanne. Encara-se um transplante de coração. Pierre continuará enamorado de Jeanne? Esta pobre Jeanne com um braço estranho, uma pele estranha, um coração estranho, será ela ainda a Jeanne que ele amou? Quantos órgãos, quantos tecidos, Jeanne pode trocar continuando a ser amada? Quantos quilos, quantos metros quadrados, poderá ela substituir continuando, no entanto, a ser a mesma?”Para Jean Bernard “só a engenharia genética pode mudar a pessoa, pela transformação do património genético do indivíduo”. Ora, Jeanne não foi transplantada na sua massa encefálica que, a ser possível, lhe mudaria a personalidade e todo um passado de vivências mais ou menos ricas ou pobres, mais ou menos felizes ou traumatizantes.Julgo poder extrair-se daqui a seguinte lição. Na medida do possível, embeleze-se o rosto desfeado, esbelte-se o corpo disforme, recorra-se a todos os meios da moderna e milagrosa cirurgia de transplantes ou apenas reconstrutiva. Mas continue a amar-se a pessoa naquilo que ela é na actualidade, longe mesmo do que ela foi fisicamente no passado. Com ígnea paixão!Se Jeanne pudesse ter sido transplantada com um novo cérebro seria ela a mesma pessoa, continuando a ser amada apaixonadamente por Pierre?
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Então e a alma?
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May 7 2010, 3:27am | Comments »
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LIVROS NO PARQUE
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Minha crónica no "Público" de hoje:Um livro é um objecto com um design tão perfeito que nunca poderá ser inteiramente substituído. Também a roda, uma vez inventada, nunca mais foi substituída. O livro cabe na mão, acompanha-nos a qualquer lado, não necessita de electricidade, nunca avaria. Passa bem de uma mão para a outra, quer dizer, é um bom presente para oferecer. Damos um livro bom a alguém de quem gostamos e damos um livro muito bom a alguém de quem gostamos muito. Por alguma razão não houve ainda nos livros, nem provavelmente vai haver, a revolução que houve na música, com a brutal diminuição das lojas de discos em favor das descargas digitais.Os livros estão no Parque Eduardo VII, em Lisboa, até 16 de Maio e, a partir de 27 de Maio, estarão nos Aliados, no Porto. Como vem sendo habitual, deixo, à guisa de sugestão, uma lista de uma mão cheia de livros recentemente saídos entre nós (a ordem é alfabética de autor):- Mário de Carvalho, A Arte de Morrer Longe, Caminho. Novo livro de um dos romancistas que melhor observam a nossa contemporaneidade. O país em que os funcionários, em vez de funcionarem, se entretêm na Internet fica retratado através da criação de um personagem que “aplicava boa parte das horas de serviço a escrever comentários anónimos nos blogues alheios e nas páginas que os admitissem”, escrevendo coisas como “Esses senhores o que querem é repimpar-se!!! É só mama!!!”.- Eugénia Cunha, Como nos tornámos humanos, Imprensa da Universidade de Coimbra. A conhecida antropóloga forense, a quem ainda não deixaram examinar o esqueleto de D. Afonso Henriques, descreve a evolução humana numa colecção de livros de bolso populares inspirada na Que Sais-Je?. Num recente debate sobre a história da vida na Terra, depois de paleontólogos terem exibido ossos de animais desaparecidos, a antropóloga comentou que não precisava de trazer materiais, pois havia exemplares da espécie humana na plateia...- Bernard Cornwell, Sharpe e a Batalha do Buçaco, 5.ª edição, Planeta. A 1.ª edição portuguesa deste romance histórico é de há cinco anos, mas esta edição vem mesmo a propósito do bicentenário da batalha do Buçaco, que se vai comemorar a 27 de Setembro. O romancista inglês narra as aventuras do capitão Sharpe, a combater às ordens de Wellington (ainda hoje se pode ver no Buçaco a oliveira onde esteve preso o cavalo do general). O leitor pode inteirar-se neste livro do saque francês a Coimbra, com mais de um milhar de mortos, o assalto à Universidade e a profanação dos túmulos reais.- Joaquim Fernandes, Mitos, Mundos e Medos. O céu na poesia portuguesa da tradição popular ao século XX, Temas e Debates/ Círculo de Leitores. O jornalista e historiador portuense, após um prefácio do poeta Manuel António Pina sobre as relações entre ciência e poesia, passa em revista a produção poética nacional de temática astronómica, desde tempos imemoriais até ao “cometa da República”, o Halley, que surgiu nos céus em Maio de 1910, pouco antes do 5 de Outubro.- Eduardo Marçal Grilo, Se não estudas, estás tramado, Tinta da China. De um prelo que se tem notabilizado pela qualidade gráfica das suas edições, eis um novo livro do ex-ministro da Educação que se distinguiu pela sua invectiva contra o “eduquês”(“Deixem de falar eduquês!”). Custa-nos hoje a crer que o “eduquês”, não só uma linguagem mas também e sobretudo uma ideologia, tenha continuado a arruinar a educação nacional sob a égide de um homem da educação e da cultura tão esclarecido e crítico.- Ian McEwan, Solar, Gradiva. O último romance do consagrado autor inglês versa o tema do aquecimento global. Num registo irónico, enreda o leitor na tragicomédia de um Prémio Nobel da Física que de certa forma representa uma humanidade desenfreadamente consumista.- Silvan Schweber, Einstein & Oppenheimer. O Significado do Génio. Bizâncio.Um historiador de ciência norte-americano compara dois grandes génios do século passado que estiveram relacionados com a proposta e construção da bomba atómica. Um confessou arrependido “fui eu que carreguei no botão” e o outro afirmou amargurado “os físicos conheceram o pecado”.Boas leituras!
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May 6 2010, 6:50pm | Comments »
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O que é a ciência?
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Transcrevemos secção final do livro "Big Bang. A descoberta científica mais importante de todos os tempos e porque precisa de a conhecer", de Simon Singh, que acaba de sair na Gradiva:«Ciência» e «cientista» são palavras surpreendentemente modernas. A palavra «cientista» foi inventada pelo polímato vitoriano William Whewell, que a utilizou pela primeira vez na Quarterly Review em Março de 1834. Os americanos adoptaram-na quase de imediato, e por finais do século XIX também já era corrente na Grã-Bretanha. Deriva da palavra latina scientia, que significa «conhecimento», tendo suplantado designações como «filósofonatural».Este livro conta a história do modelo do Big Bang, tentando ao mesmo tempo mostrar o que é a ciência e como funciona. O modelo do Big Bang é um bom exemplo de como uma ideia científica surge, é posta à prova, verificada e aceite. No entanto, a ciência é uma actividade tão vasta que a descrição que dela aqui fazemos está incompleta. Para tentar remediar estas falhas, coligem-se a seguir umas quantas citações acerca da natureza da ciência.A ciência é conhecimento organizado.HERBERT SPENCER (1820-1903), filósofo inglêsA ciência é o grande antídoto para o veneno do entusiasmo e da superstição.ADAM SMITH (1723-90), economista escocêsA ciência é o que sabemos. A filosofia é o que não sabemos.BERTRAND RUSSELL (1872-1970), filósofo inglês[A ciência é] uma série de juízos em constante revisão.PIERRE ÉMILE DUCLAUX (1840-1904), bacteriologista francês[A ciência é] o desejo de conhecer as causas.WILLIAM HAZLITT (1778-1830), ensaísta inglês[A ciência é] o conhecimento das consequências e de como um facto depende de outro.THOMAS HOBBES (1588-1679), filósofo inglês[A ciência é] uma aventura da mente criativa que procura a verdade num mundo de mistérios.CYRIL HERMAN HINSHELWOOD (1897-1967), químico inglês[A ciência é] um grande jogo. Inspira-nos e retempera-nos. O campo de jogos é o próprio universo.ISIDOR ISAAC RABI (1898-1988), físico americanoO homem domina a natureza não pela força, mas pelo conhecimento. Foi por isso que a ciência teve êxito e a magia não: a ciência não tenta enfeitiçar a natureza.A essência da ciência é fazermos uma pergunta impertinente e com isso estarmos a dar o primeiro passo rumo a uma resposta pertinente.JACOB BRONOWSKI (1908-74), cientista e autor britânicoUm bom exercício matinal para um cientista: todos os dias, antes do pequeno-almoço, deitar fora a hipótese favorita da véspera. Ajuda-o a manter-se jovem. Em ciência pode definir-se «verdade» como a hipótese de trabalho mais susceptível de conduzir a uma hipótese de trabalho melhor.KONRAD LORENZ (1903-89), zoólogo austríacoA ciência é essencialmente a eterna busca de uma compreensão inteligente e integrada do mundo em que vivemos.CORNELIUS VAN NEIL (1897-1985), microbiólogo americanoO cientista não é quem dá as respostas certas, é quem faz as perguntas certas.CLAUDE LÉVI-STRAUSS (1908-2009), antropólogo francêsA ciência só é capaz de descobrir o que é, não o que deve ser. Fora do seu âmbito, continuam a ser necessários todos os juízos de valor.ALBERT EINSTEIN (1979-1955), físico de origem alemãA ciência é a busca desinteressada da verdade objectiva acerca do mundo material.RICHARD DAWKINS (1941-), biólogo inglêsA ciência mais não é do que senso comum disciplinado e organizado, dele diferindo apenas na medida em que um combatente veterano difere de um recruta; os seus métodos diferem dos do senso comum da mesma maneira que os golpes bem treinados de um guarda real diferem das pauladas de um selvagem.THOMAS HENRY HUXLEY (1825-95), biólogo inglêsAs ciências não procuram explicar e mal se esforçam por interpretar; limitam-se a elaborar modelos. Por modelo entende-se uma construção matemática que, complementada com a necessária interpretação verbal, descreve os fenómenos observados. A justificação de um modelo matemático é, exclusiva e precisamente, que funcione.JOHN VON NEUMANN (1903-57), matemático de origem húngaraA ciência de hoje é a tecnologia de amanhã.EDWARD TELLER (1908-2003), físico americanoTodos os grandes avanços da ciência foram fruto da audácia da imaginação.JOHN DEWEY (1859-1952), filósofo americanoAs quatro fases da aceitação:i) Isto é um completo disparate,ii) Este ponto de vista é interessante, mas perverso,iii) Isto é verdade, mas não tem qualquer importância,iv) Foi o que eu sempre disse.J. B. S. HALDANE (1892-1964), especialista em genética inglêsA filosofia da ciência interessa tanto aos cientistas como a ornitologia aos pássaros.RICHARD FEYNMAN (1918-88), físico americanoNuma qualquer ciência, deixamos de ser principiantes e passamos a ser mestres quando percebemos que vamos ser principiantes toda a vida.ROBIN G. COLLINGWOOD (1889-1943), filósofo inglês.
May 4 2010, 3:24pm | Comments »
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POESIA E CIÊNCIA
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No prefácio ao livro "Mitos, mundos e Medos. O céu na poesia portuguesa da tradição popular ao século XX", de Joaquim Fernandes, que acaba de sair na Temas e Debates / Círculo de Leitores, o poeta Manuel António Pina revela relações entre poesia e ciência que alguns literatos parecem desconhecer. Ouçamo-lo:"Mais interessante, para mim, do que a inventariação das expressões do conhecimento científico (neste particular caso, o astronómico) na poesia, que Joaquim Fernandes, aliás, transforma numa vasta reflexão acerca das complexas e instáveis visões do mundo que tais expressões consubstanciam, é o modo como aquele "enlace" (Joaquim Fernandes fala igualmente de "convergência") parece pôr em confronto o modo de produção especificamente poético e o assim chamado "método científico", senão as próprias noções de "ciência" e de "poesia". Porque esse "enlace" e essa "convergência" talvez não tenham de ser apenas temáticos. Talvez de facto, não exista "a" Poesia, mas sim, "poesias", tantas talvez quantas os poetas (ou melhores, quantos os poemas, pois cada poema é simultaneamente uma poética). E talvez - perdoe-se-me o tom dubitativo, mas a poesia é uma entidade de natureza q.b. evasiva para ter certezas; e dir-se-á que isso representará, desde logo, uma primeira "convergência" entre poesia e ciência - talvez, dizia eu, algumas dessas plurais "poesias" não se coloquem, no limite, muito longe da, digamos assim, "atitude" científica. Por outro lado, as interrogações que a ciência tem formulado, principalmente a partir do primeiro quartel do século XX, acerca do seu método (e estou a pensar, por exemplo, na noção de "incerteza" ou no cepticismo acerca da "objectividade" científica, isto mesmo sendo as leis da natureza desencantadamente impessoais e determinísticas) parecem abrir inesperadas janelas de aproximação com a poesia. Não, obviamente, ao ponto de poesia e ciência se poderem confundir. mas, ao menos, de não se excluírem inteiramente."
April 21 2010, 4:46pm | Comments »
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Trilhos de ciência
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Informação recebida do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra:O Museu da Ciência da Universidade de Coimbra (UC) convidou jornalistas a participarem no passeio inaugural do projecto "Trilhos", que permitirá às famílias revisitarem alguns locais emblemáticos da cidade de Coimbra através dos olhos da Ciência, sempre sob orientação de um investigador da UC. O passeio inaugural terá lugar no dia 2 de Maio, das 11 às 12 horas. O ponto de encontro é o Museu da Ciência da UC.FAMÍLIAS PASSEIAM COM A QUÍMICA PELA CIDADEÉ um odor que desagrada até aos narizes menos sensíveis e está ali, de tempos a tempos, num dos recantos da praça mais famosa de Coimbra, junto ao Teatro Académico de Gil Vicente. Certamente muitos transeuntes já o terão atribuído aos excessos da boémia estudantil, mas não poderiam estar mais longe da verdade. A autora do delito chama-se Ginko Biloba (na figura), tem ascendência chinesa e é... uma árvore. No dia 2 de Maio (domingo), crianças e famílias vão sair à rua à procura deste e de outros surpreendentes mistérios da Química que se escondem por trás de alguns dos recantos mais emblemáticos da cidade.A iniciativa marca a estreia do projecto "Trilhos", um conjunto de passeios pedestres que pretendem dar a conhecer, uma vez por mês e pela voz de investigadores da Universidade de Coimbra, os segredos científicos mais-bem guardados das ruas da cidade.Por que é que a Ginko Biloba produz um cheiro tão desagradável? Como explicar as estalactites que teimam em crescer no célebre aqueduto dos Arcos do Jardim? E como é que o ferro da Porta Férrea, um dos ícones da Universidade, resiste há quase 400 anos sem significativos vestígios de corrosão? Que tipo de química "surpreendente" podemos, afinal, encontrar fora dos edifícios, nas ruas e nos jardins?"A surpresa começa com o óbvio: a química está em todo o lado, de tal forma que quase não o notamos", avança Sérgio Rodrigues, o investigador da Universidade de Coimbra que conduzirá a visita guiada pela química da cidade. "No entanto, por variadas razões há uma atitude social algumas vezes negativa para com a química. Tanto em relação aos seus resultados como em relação a carreiras profissionais que a envolvam. Ora isso não poderia estar mais longe da realidade. A química está na primeira linha da investigação e desenvolvimento de novos medicamentos e invenção de novos materiais, controlo da qualidade e combate à poluição", sublinha.Da pia da pólvora do Laboratorio Chimico à Porta Férrea, passando pela Rua Larga, as famílias vão sair à rua durante uma hora à procura das moléculas e materiais que nos rodeiam e das histórias curiosas que têm para contar."Uma história interessante com a qual irá começar o passeio faz parte da própria história do Museu da Ciência. É a da pia que foi usada para fazer pólvora durante as invasões francesas e dos desinfectantes de cloro, ambos da responsabilidade de Tomé Rodrigues Sobral, um químico do início do século XIX, professor da Universidade de Coimbra", revela Sérgio Rodrigues, do Departamento de Química da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC) e autor do blogue 'Percursos Químicos' (http://percursosquimicos.blogspot.com).O "Passeio com a Química" é o primeiro de uma série de trilhos que permitirão às famílias revisitarem Coimbra através do olhar da ciência. No dia 6 de Junho, será a vez do investigador Francisco Gil dar a conhecer os segredos da física. A 4 de Julho, terá lugar um passeio com a botânica, sob a orientação de António Coutinho, da FCTUC."O projecto 'Trilhos' convida-nos a 'ver o que o outro vê'. Em inglês, existe a expressão 'colocar-se nos sapatos de alguém', que significa sentir o que o outro sente. Nos 'Trilhos', o cientista-guia vai emprestar-nos o seu olhar, os seus óculos de especialista, para podermos ver o mundo como ele o vê", explica Carlota Simões, do Museu da Ciência da Universidade de Coimbra. "É simplesmente mais ciência em família. Desta vez, vamos sair do laboratório para fazermos observações e experiências ao ar livre", explica.A participação nos passeios custa três euros por pessoa e requer marcação prévia (telefone: 239 85 43 50). Para mais informações, os interessados poderão consultar o site do Museu da Ciência (www.museudaciencia.org).PROGRAMA2 de Maio | PASSEIO COM A QUÍMICASérgio Rodrigues (Dep. de Química da FCTUC)O primeiro passeio tem como tema a Química. Da pia da pólvora do Chimico à Porta Férrea, passando pela Rua Larga, vamos sair para a rua à procura de algumas moléculas e materiais que nos rodeiam e das histórias curiosas que têm para nos contar.6 de Junho | PASSEIO COM A FÍSICAFrancisco Gil (Dep. de Física da FCTUC)4 de Julho | PASSEIO COM A BOTÂNICAAntónio Xavier (Dep. de Ciências da Vida da FCTUC)
April 21 2010, 4:00pm | Comments »
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O que é e para que serve a Matemática?
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Muitos governos, dizendo defender a matemática, tratam-na muito mal. Muitos alunos convivem mal com ela. O eduquês mais radical quer mesmo bani-la da escola (ver aqui). Alguns literatos, que ainda vão no tempo pré-snowiano, ignoram-na pura e simplesmente. Algumas pessoas com posses acham que não a têm de possuir. Vale a pena, por isso, deixar aqui a minha posição sobre o que é e para que serve a matemática que exprimi num debate com Fernando Santos e Álvaro Góis,moderado por Ana Sousa Dias, num congresso sobre enino da matemática promovido pela Sociedade Portuguesa de Matemática na Fundação Gulbenkian há cerca de um ano:O que é a matemática do ponto de vista de um físico? Com certeza que, do ponto de vista de um engenheiro e de um ponto de vista de um economista, a matemática é um meio que proporciona riqueza. Mas, do ponto de vista de um físico, que também será o de um matemático, trata-se de uma riqueza em si. Precisamos de matemática? Sim, precisamos absoluta e desesperadamente de matemática. E precisamos dela não só aqui e agora, como também qualquer que seja o sítio e qualquer que seja o tempo. A matemática é uma das maiores criações humanas, uma das maiores criações intelectuais da humanidade. Precisamos tanto da matemática como precisamos da música, da filosofia ou de qualquer outra das grandes criações humanas.Do ponto de vista de um físico, a matemática é totalmente inevitável. Não existe física sem matemática: há uma comunhão de cama, mesa e roupa lavada. Vivem as duas juntas desde que a física existe. O pai fundador da física que é Galileu disse: o livro da Natureza está escrito em caracteres matemáticos e só o consegue ler quem conhecer essa linguagem. Ele foi o primeiro a fazer experiências tão simples como a de deixar cair um objecto e reconhecer nesse fenómeno os “caracteres da matemática”, a começar pela linha recta – os objectos, que são simplesmente largados, caem ao longo uma linha recta. Está logo aqui um padrão geométrico, uma regularidade que tem tanto de simples como de belo. Além da geometria, na descrição da queda dos corpos entre também a álgebra, que já existia antes de Galileu e que ele usou para expressar que a distância percorrida é proporcional ao quadrado do tempo. Como um objecto caía muito depressa ele inventou o plano inclinado de modo que o movimento fosse devagar. Tratava de uma máquina simples para efectuar uma experiência científica em condições controladas. Note.se que Galileu não dispunha de relógio para medir o tempo. A tecnologia do relógio só surgiu depois. Teve de usar o seu próprio pulso! Se ele tivesse ficado alvoroçado com a descoberta da lei da queda dos graves, lá se ia a descoberta, pois não conseguiria verificar a fórmula da queda dos graves... Galileu fez, portanto, nascer a física numa união íntima com a matemática. Não há física sem matemática. As pessoas podem dizer que não gostam de matemática (se a conhecessem melhor, poderia ser que passassem a gostar), mas, nesse caso, não poderão ser físicos ou sequer aprofundar o estudo da física porque a matemática é a maneira de expressar verdades sobre o mundo físico da melhor maneira, da maneira mais simples e elegante.A seguir a Galileu veio Newton. Conta a lenda que estava debaixo da macieira (não estava lá ninguém para verificar, a história pode ter sido engendrada por ele), e apercebe-se, num momento mágico de intuição, que a maçã e a Lua obedeciam à mesma lei física. Esse momento de descoberta é o que os construtivistas gostariam de ver nas nossas crianças, mas afinal não se vê: esses momentos de intuição são muito raros. Newton vê a maçã e a Lua e conclui: há uma unidade profunda entre eles, a força que faz cair a maçã, a força da gravidade, é a mesma força que faz andar a Lua em volta da Terra. Isto não é, convenhamos, de modo nenhum intuitivo, mas no entanto, Newton teve esta intuição. Depois, a partir das observações de Kepler, conseguiu deduzir, para a força da gravidade, a expressão matemática do inverso do quadrado da distância. É este conhecimento pormenorizado da força que nos permite hoje, por exemplo, enviar e controlar satélites, obtendo informação sobre o que passa no outro lado da Terra. O nosso conhecimento físico-matemático do mundo é um conhecimento operativo, quer dizer, nós vivemos melhor no mundo, somos mais ricos neste mundo, porque dispomos de conhecimento sobre ele. Sem esse conhecimento, como seria a nossa vida? Sem Galileu e Newton, como seria hoje a nossa vida? Repare-se que Galileu e Newton partiram de fenómenos concretos, usaram a matemática, que tem algo de abstracto, e, a partir das suas formulações, foi possível chegar a aplicações concretas. Já alguém disse que a matemática parte do concreto e procede de uma maneira lógica e sistemática. Foi também assim que fizeram os primeiros grandes físicos.Depois, veio ainda um outro grande físico, Einstein, o físico que subiu aos ombros de Newton, que por sua vez tinha subido para os ombros do Galileu, Einstein também partiu do concreto para o abstracto. Em primeiro lugar, porque é que ele se interessou pela ciência? Quando tinha cinco anos o pai ofereceu-lhe uma bússola e a criança que havia de ser cientista ficou a pensar no mistério da bússola. Mais tarde, aos doze anos, alguém lhe deu o livro “Os Elementos” de Euclides. Portanto, o concreto, nele como em qualquer criança, apareceu primeiro que o abstracto. Einstein faltou a umas aulas de matemática no seu curso da Escola Politécnica de Zurique. No entanto, a matemática que ele precisava para a sua teoria da relatividade já estava toda feita e compilada. Tanto para a relatividade restrita como para a relatividade geral, caso em que é mais complicada, a matemática já estava disponível, ao contrário do que aconteceu com Newton que teve de desenvolver a matemática apropriada para descrever o movimento. Einstein, não tendo frequentado todas as aulas, teve de se socorrer de uns apontamentos de um colega mais assíduo. Foi um professor dele, Minkowski, que sabia obviamente mais matemática do que Einstein, que formulou mais tarde a teoria da relatividade restrita num quadro matemático mais simples e elegante do que o seu antigo discípulo. Em 2005 fez cem anos a teoria da relatividade restrita de Einstein. E, em 2008, fez cem anos que o professor de Einstein expôs a teoria do Einstein de uma maneira matematicamente muito atraente, designadamente, que o tempo, a quarta dimensão, pode ser concebido como uma grandeza que os matemáticos designam de “imaginária”. Se considerarmos um tempo imaginário, a geometria da relatividade restrita para o espaço-tempo a quatro dimensões é a velha geometria euclidiana, contida nos “Elementos”. Portanto, Einstein resistiu um pouco, não percebeu muito bem Minskowski de início, mas, depois, concordou que essa era, de facto, uma maneira bonita de expressar as suas ideias da relatividade. Lá veio, mais uma vez, a matemática em auxílio da física.Para a relatividade geral, Einstein também conseguiu chegar a uma equação muito bela. De um lado da equação, colocou a geometria do mundo a quatro dimensões, do espaço de tempo, desta vez não euclidiana. E, do outro lado, colocou a matéria e a energia. Portanto, a matéria e a energia determinam a geometria do mundo e esta geometria já antes tinha sido desenvolvida pelos matemáticos.. Einstein veio mostrar, mais uma vez, o grande poder da abstracção matemática para descrever situações concretas, pois a gravidade geral descreve os fenómenos da gravitação. Pensavam os matemáticos do século XIX que tinham criado novas geometrias, as geometrias não-euclidianas, que não tinham aplicação visível. Um dos maiores matemáticos desse século, Gauss, preocupou-se com esses problemas. O que fez ele para testar a geometria não-euclidiana? Pois fez experiências concretas. Ele sabia que a soma dos ângulos de um triângulo era 180 graus, de acordo com a geometria de Euclides. E perguntou? Será que no nosso planeta se aplica a geometria de Euclides? Pôs uma lanterna aqui, outra ali a grande distância e outra ainda acolá, também a grande distância, e tentou medir os ângulos desse triângulo á superfície da Terra. Não encontrou grandes desvios, devido ao grande tamanho do nosso planeta. A equação de Einstein, conforme se veio a mostrar, sumaria o nosso conhecimento do macrocosmos. Descreve o Big Bang, os buracos negros, etc. Mais tarde o sábio procurou debalde, sempre com base na matemática, uma teoria unificada que conseguisse descrever ao mesmo tempo a força da gravidade e a força electromagnética, que inclui a força magnética que preside à agulha da bússola. Einstein é hoje visto, e justamente, como o protótipo do pensamento abstracto, do pensamento matemático que consegue apreender o cosmos, mas não nos esqueçamos que ele começou com a bússola que o pai lhe deu, que ele começou em criança com a manipulação de um objecto concreto.Por último, a questão que aqui foi posta: precisamos em Portugal da matemática? O facto de se colocar a pergunta dá logo a informação sobre o estado do país. Um país que está bem não coloca essa pergunta. Será que nós somos concretos? Será que nós somos lógicos e sistemáticos? Se a matemática parte do concreto e é uma procura lógica e sistemática de conhecimento, será que nós usamos metodologias desse tipo nas nossas vidas? E a resposta é que, na minha opinião, infelizmente não, não o fazemos na medida suficiente. Bastará dar um exemplo. A noção portuguesa de tempo é a noção menos concreta possível. Quando uma pessoa diz, “amanhã encontramo-nos”, este amanhã não quer dizer rigorosamente nada. Com um americano, se eu disser amanhã encontramo-nos, tenho de acrescentar o local e a hora, o espaço e o tempo. Planeio um evento num dado ponto do espaço e num dado instante de tempo. . Aqui não, amanhã encontrar-nos-emos, se calhar, por aí... Há uma esperança vaga de eu amanhã me cruzar com uma dada pessoa. Por sua vez, a procura lógica e sistemática devia ser também uma constante nas nossas vidas e não é. Será que nós planeamos as coisas? Acho que somos mais conhecidos pelo improviso, um improviso que, em geral, tem más consequências. Se há uma festa que temos de organizar, nós dizemos, “logo se vê”, uma expressão muito portuguesa. E vamos dizendo isto até à véspera... Depois, na véspera, começa a chover e dizemos: “ainda bem que não preparámos nada, está a chover”. Noutro país mais desenvolvido, como por exemplo na Alemanha, ter-se-ia o plano A e o plano B. O plano A com chuva e o plano B sem chuva, contemplando todas as hipóteses. Esta é a maneira racional, lógica e sistemática, de operar o mundo.A matemática não são apenas as linhas geométricas, não são apenas os números, é o raciocínio rigoroso, é o método de pensar com o qual se pode ver e operar o mundo. Dou um outro exemplo. Ontem planeei aqui estar às dez horas e pensei assim: para estar às dez horas em Lisboa, tenho de partir às oito horas em Coimbra, duas horas chega para a viagem não ultrapassando, no meu carro os limites de velocidade. O raciocínio está bem feito: fiz as contas pensando numa velocidade média. Mas cheguei tarde. Porquê? Porque houve um grande desastre às portas de Lisboa que fez parar o trânsito. As coisas decorreram de uma maneira não planeada, mas que eu devia ter planeado. Devia ter plano B. Eu devia ter previsto que, em Portugal, as coisas decorrem de maneira imprevísivel. Infelizmente, os acidentes acontecem aqui mais do que noutros países e acontecem porque as pessoas vão alegremente a 180 km/h sem pensar nas consequências. Já alguém disse, em tom humorístico, que os automobilistas portugueses tentam subir para cima das árvores e alguns conseguem mesmo… Portanto, nós temos, a vários níveis da nossa vida corrente, raciocínios mal feitos, raciocínios que o não são de facto, porque o raciocínio que não é lógico nem sistemático não merece ser chamado raciocínio.Termino dizendo que vivemos, de facto, numa altura dificil nas nossas escolas, numa altura em que se pensa que um professor pode ser substituído por um computador Magalhães. Mas este debate aqui deu-nos algum conforto, com base nas experiências dos outros países, de países onde não se põe a pergunta sobre a necessidade da matemática. Havemos de ser como eles. Mas, para isso, temos de interiorizar o valor do raciocínio. Essa é a grande riqueza da matemática: pensar bem. A matemática é uma lição permanente para a nossa vida.
April 21 2010, 2:40am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Sound???
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/sound.html
Informação recebida da escola Quark!:O JACC (Jazz ao Centro Clube) e o Departamento de Física da Universidade de Coimbra promovem no sábado, dia 17 de Setembro, pelas 21h30, na Casa Municipal da Cultura de Coimbra, a segunda sessão do ciclo JACC-‐Quark! dedicada às relações entre a música improvisada e as ciências.Neste evento, que contará com a presença do músico José Miguel Pereira e do físico José António Paixão, será exibido o filme “Sound???” onde dois músicos iconoclastas do século XX, John Cage ( na figura) e Raashan Roland Kirk, questionam vários aspectos da criação musical: o que é o som? E a música? Pode o ruído do tráfego ser considerado música?Segue-se à projecção do filme um debate sobre estes temas. Esta iniciativa insere-se na Quark! – escola de física para jovens da FCTUC e está aberta, gratuitamente, a todos os interessados.
April 16 2010, 9:44am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
HUMOR: CIÊNCIA E RELIGIÃO 1
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/humor-ciencia-e-religiao-1.html
April 14 2010, 2:53am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A IGNORÂNCIA ESCONDIDA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/ignorancia-escondida.html
Habitual destaque semanal à coluna What´s New do físico Robert Park:"The National Science Board, established by Congress as a national science policy body, oversees NSF and provides independent science policy advice to the President and Congress. It issues a huge biennial report, Science and Engineering Indicators, which is a compendium of quantitative data on the science enterprise around the world. The results are disturbing. In their understanding of science, polls found, most Americans are falling behind, even though much of the progress was made by American scientists and engineers. Congress needs to hear these facts. Instead, poll questions dealing with the origin of the universe and evolution were simply excised from the report The board member who took the lead in removing the text was John T. Bruer, a philosopher with close ties to the Vatican. I hope that Science will publish the apocryphal text so we may judge its relevance for ourselves."
April 10 2010, 5:37pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Ciência e Religião
http://dererummundi.blogspot.com/2010/04/ciencia-e-religiao.html
Poster na Livraria Almedina Estádio de Coimbra relativo a uma sua campanha de promoção de livros sobre ciência e religião.
April 7 2010, 9:57am | Comments »






