Meu texto publicado há pouco por convite no "Público on line":É graças à World Wide Web, desenvolvida há pouco mais de 20 anos precisamente no CERN, que acompanhei, com grande interesse, as primeiras colisões de protões a sete biliões de electrões-volt no CERN, na Suíça. Ao contrário do que alguns falsos profetas anunciavam ontem não foi o fim do mundo. Na Web esse facto foi recebido com grande consolo pelo Bruno da Amadora (Público on-line, 30.03.2010 23:07): “Olha: não era hoje que seríamos todos sugados para um buraco negro? É que não me dava muito jeito, na quinta joga o Benfica e eu já tenho bilhete.”Mas, além de não ter impedido o jogo do Benfica, que mais se espera da maior experiência do mundo? A fantástica energia obtida, um record mundial, poderá conduzir à descoberta de uma partícula nova, a partícula de Higgs, que a teoria prevê. Mas estamos a explorar as fronteiras do conhecimento e ninguém sabe bem o que se vai encontrar. A surpresa maior seria se não houvesse surpresa! Muito provavelmente, ao recriar as condições do Universo pouco após o Big Bang, poderá ser feita luz sobre grandes mistérios da ciência de hoje, como o da matéria escura e o da energia escura. Estamos às escuras sobre partes importantes do cosmos e o ser humano sempre ansiou por “mais luz” (a última frase do sábio alemão Goethe, antes de morrer).Pode bem ser que uma das surpresas seja a do aparecimento de aplicações inesperadas que alterem a nossa vida, que tão alterada já foi pela existência dos Googles, dos Facebooks e dos Youtubes (os golos do Benfica, a haver, aparecerão no Youtube). Os novos detectores poderão ser úteis nos nossos hospitais para ver o interior dos nossos corpos. E o poder prodigioso de cálculo que é necessário para tratar a vaga de informação que inunda os detectores, e analisada também nos computadores portugueses, desafiará decerto o engenho humano, para benefício de todos.Mas, por muito notável que seja o ganho material, o ganho imaterial será sempre o mais notável. Saberemos mais, haverá mais luz. Constantino Alves, de Leiria (Público on-line, 31.03.2010 10:35) resumiu bem: “Grande passo da ciência: Acompanho com paixão as grandes descobertas da ciência moderna que realizam o melhor da existência humana.”
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“O MELHOR DA EXISTÊNCIA HUMANA”
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March 31 2010, 6:00am | Comments »
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As belezas celestes
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Acabei de dar uma entrevista à Rádio Renascença a propósito da experiência que está a decorrer no CERN e que de certo modo, ainda que muito limitado, recria condições do Big Bang. É no mínimo estranho que uma rádio de inspiração religiosa não tenha melhores perguntas para fazer do que "para que serve?", "mas é para quê?", "em termos [sic] práticos?", "qual é a utilidade?", "mas em concreto...", "o que é que vão descobrir e quando?"... Bem sei que a rádio não é a Igreja, mas uma preocupação tão grande pela materialidade fez-me recear que a Igreja portuguesa pudesse partilhar esse tipo de preocupações mundanas, numa perigosa (para ela) perda de espiritualidade.Apeteceu-me dizer que o Large Hadron Collider no CERN servia para descobrir as "belezas celestes". E ler aos microfones o início do livro "Os Cometas", da autoria do Padre Amadeu de Vasconcelos, um grande divulgador científico do início do século passado, publicado há exactamente cem anos na Livraria Chardron de Lello e Irmão do Porto, o que só não fiz porque o tempo de antena é limitado.Mas vai aqui o texto, com grafia actual ("belezas" em vez de "bellezas"):"Conta o grande Arago que um dia o piedoso e imortal Euler, encontrando-se com um seu amigo, ministro de uma igreja de Berlim, deste ouvira lastimosos queixumes pela indiferença com que os seus ouvintes acolhiam as suas palavras de pregoeiro do Evangelho. Todo se lastimava o ministro porque não conseguira comover o seu auditório com a descrição das maravilhas da criação. "Acreditareis o que afirmo? - dizia o ministro; representei esta criação no que ela tem de mais maravilhoso: citei os antigos filósofos e a própria Bíblia; metade do auditório não me escutou; a outra metade adormeceu ou abandonou o templo.A este ministro desconsolado deu Euler o conselho de substituir as descrições dos filósofos e da Bíblia pela descrição do mundo dos astrónomos, do mundo tal qual o revelaram os descobrimentos científicos.Foi-se o ministro, resolvido a seguir o conselho do grande matemático. Tempos depois, Euler foi visitar o seu amigo que, novamente desanimado, lhe bradou: "Ah! sr. Euler, sou muito infeliz! Esqueceram o respeito devido ao recinto sagrado e aplaudiram-me!"Na sua simplicidade, a anedota mostra toda a grande beleza da imagem do mundo como a ciência no-la revelou. Essa beleza é tão grande que se impõe mesmo aos homens desprovidos de qualquer cultura científica".
March 30 2010, 9:57am | Comments »
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O PRÉMIO TEMPLETON
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O habitual destaque para a coluna de Bob Park "What's New", desta vez sobre o polémico Prémio Templeton que distingue quem aproxima ciência e religião (na foto Francisco Ayala, o último premiado Templeton):"SIR JOHN TEMPLETON: THE MAN WHO TRIED TO BUY SCIENCE.He was Born into a middle-class family in the Bible-belt town of Winchester, TN. His parents, devout Presbyterians, emphasized the virtues of thrift and piety. Templeton learned both lessons so well that in 1968, he renounced his US citizenship and moved to the Bahamas, becoming a British citizen to avoid the US income tax. Having become one of the richest men in the world, he was knighted by the Queen. While Templeton may have genuinely believed the Christian myth, he also respected science. Why shouldn't he? After all, the scientific revolution led to the fantastic growth in the world economy that made him a billionaire. Believing that science and theology are two windows onto the same landscape, he set out to persuade scientists to delve into religion. He went directly to the American Association for the Advancement of Science with an offer of $1 million to create the AAAS Dialogue between Science and Religion. Not everyone was happy about the AAAS selling part of its soul to Templeton. Two years ago Templeton died, but the monster he created carries on without him.A BIGGER PRIZE: HOW MUCH WOULD IT TAKE TO BUY THE NAS?Francisco Ayala, an evolutionary geneticist and molecular biologist at the University of California, Berkeley was awarded the 2010 Templeton Prize in a ceremony yesterday at the National Academy of Sciences (NAS) in Washington DC. A genuinely good person, Ayala authored "On Being a Scientist," a NAS pamphlet on scientific ethics that should be part of the education of every scientist. Ayala is a staunch opponent of Intelligent Design. The first recipient of the Templeton Prize was Mother Theresa in 1973; in 1982 it was Billy Graham, and in 1993 Charles Colson of Watergate fame, but his award was delayed until he got out of prison. Most of the others who won the prize are not household names. In 1999, however, Templeton had an epiphany. Every recipient since has been a scientist or philosopher, including one Nobel laureate, Charles Townes. News accounts put the cash value of the Templeton prize at $1 million, but it’s now closer to $1.5 million, making it the largest cash prize for intellectual accomplishment in the world. The endowment for the prize stipulates that the cash value shall always be larger than the Nobel Prize. It’s awarded annually for "spiritual progress." How did the NAS get into this? Having once sought to buy the American Association for the Advancement of Science, the Templeton foundation must have set its sights on a bigger prize."Robert Park
March 26 2010, 5:08pm | Comments »
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Os cientistas filósofos e os filósofos cientistas
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Informação recebida da Universidade de Évora:Évora's second international symposium on philosophy of scienceles savants philosophes / les philosophes savantsUNIVERSITY OF ÉVORA, 27 APRIL 2010, ROOM 124 – COLÉGIO DO ESPÍRITO SANTOScientific coordination: Hermínio Martins, João Príncipe, Mariana Valente.Program09h30m – Welcome sessionSession I – chairman: Augusto Fitas (Universidade de Évora/ CEHFCi)10h00m – Mariana Valente (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Helmholtz et Mach – desinterprètes de science”10h25m – João Príncipe (Universidade de Évora/ CEHFCi): “Analogie chez Poincaré”10h50m – Ricardo Coelho (FCUL/ CEHFCi): “Hertz’s Mechanics as an Image”11h15m – coffee break11h30m – Ending morning Conference:Olivier Darrigol (CNRS): “Le problème de la sous-détermination des théories chez Henri Poincaré”12h15m – Discussion14h00m – Opening afternoon conferenceHerminio Martins (ST. Anthony College, University of Oxford): “Michael Polanyi and the philosophy of science”Session II – chairman: Fátima Nunes (Universidade de Évora/ CEHFCi)15h00m – Maria do Rosário Branco (PhD): “Para uma leitura kantiana das Regulae philosophandi de Newton”15h25m – Leonel Ribeiro dos Santos (Universidade de Lisboa CFUL): “PressupostosEpistémicos e Metafísico – Teológicos da Cosmologia do jovem Kant”16h00m – Luís Morais (PhD): “O objecto real como campo cognitivo em Whitehead”16h25m – coffee Break16h45m – Ending conference:Isabelle Stengers (Universidade Livre de Bruxelas): “Penser avec Whitehead”17h35m – Discussion and final comments by João Príncipe e Mariana Valente.
March 26 2010, 3:32am | Comments »
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ENTREVISTA NO NOTÍCIAS MAGAZINE
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Entrevista que dei a Catarina Pires para a rubrica "Todos os nomes" da revista "Notícias Magazine" e que foi publicada no número 929 de 14 de Março, que saiu ontem a acompanhar o "Diário de Notícias" e o "Jornal de Notícias":Todos os nomes - Carlos FiolhaisNão sabe em que caldeirão caiu em pequenino, mas deve ter caído em vários: o dos livros, o da curiosidade, o do bom humor, o do optimismo. Só assim se explica que este físico, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, nos faça perder as noções de tempo e espaço estabelecidas por Einstein, quando nos pomos à conversa com ele.P- É cientista, director da Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, contador de histórias, um pouco historiador...R- Historiador e contador de histórias são coisas diferentes. Historiador não me importava de ser. Contador de histórias? Não invento histórias, quanto muito reconto algumas histórias que me contam.P- Reconta-as bem, daí chamar-lhe contador de histórias.R- Mas quem conta um conto acrescenta um ponto e eu tenho sempre esta mania de cientista de não acrescentar muitos pontos. Pelo contrário, um cientista, pela sua preocupação com o rigor, às vezes tem de tirar pontos à história.P- Mas fazendo tantas coisas ao mesmo tempo, em que caldeirão caiu quando era pequenino?R- Bem, agora é que me está a contar uma história... Tanto quanto me lembro não caí em nenhum. Os meus pais dizem-me que tive uma infância normal, nasci na Maternidade Alfredo da Costa, onde nasce toda a gente, uma verdadeira fábrica de portugueses, e onde não há caldeirões. A minha infância, foi passada em Lisboa, nos anos cinquenta e sessenta, com uma linda vista para o Tejo, talvez tenha sido esse o caldeirão... Aos sete anos mudei-me para Coimbra, que tem uma linda vista para o Mondego.P- É um optimista?R- Sou, militante. Há todas as razões para ser pessimista, logo sou optimista...P- Mas tem sido difícil manter o optimismo, não?R- Não é difícil. Quanto pior a situação, mais optimista penso que é necessário ser para se sobreviver, é quase uma decisão de vida. A verdade é que não vale de nada sermos pessimistas: se dizemos que algo vai correr mal, isso ajuda a que corra. De modo que tento contrariar o pessimismo instalado. Temos, em Portugal, uma visão muito escura das coisas e eu gosto de luz. Quando a situação está negra, há muitos sítios onde podemos lançar luz...P- Também é um crítico e isso é claro nas suas crónicas, reunidas em livros como Curiosidade Apaixonada e A Coisa Mais Preciosa que Temos.R- Ser crítico é uma maneira de ser optimista. A única forma de inventar um futuro melhor é dizer que não queremos que seja como no passado. Isso vem de outro caldeirão que frequentei, nos quatro anos que passei na Alemanha. A minha condição de estrangeirado levou-me a ter uma consciência bastante crítica em relação a certos aspectos do nosso país. Sei que se pode fazer melhor porque vi fazer melhor e porque fiz melhor noutro lado. Se noutros lados se faz, porque não se faz aqui? Sou crítico quando vejo razões de crítica. Há coisas que me indignam e nos deviam indignar a todos. Se expresso publicamente a minha crítica é para ver mais gente indignada ao meu lado.P- Um dos maiores alvos da sua crítica é o sistema de ensino português.R- Ah sim, é o meu alvo preferido.P- Porquê?R- Porque é de algum modo a mãe de todos os problemas. Temos uma formação que deixa muito a desejar e não nos prepara devidamente para a vida. E não tem de ser assim. A boa escola é algo que estamos a dever a nós mesmos. Se queremos futuro, temos que apostar na escola, que é a instituição que a humanidade inventou – e já foi há muitos anos – para nos garantir o futuro. Se não temos um futuro melhor é porque não o estamos a promover na escola.P- O que é que está mal? Está tudo mal?R- Não, temos bons professores, que fazem, a maioria deles, por cumprir a sua obrigação profissional num ambiente que não é nada fácil. Se me pergunta o que está mal, dou-lhe um exemplo: o Ministério da Educação é – vou usar uma palavra brutal para fazer jus à minha fama de crítico – um monstro. É um aparelho criado pelo Estado, que está por todo o lado em demasia, retirando liberdade aos bons professores. Há regulamentos para tudo e mais alguma coisa, os programas não são bons, os livros têm que se ater aos programas, os horários são o que se sabe, há disciplinas que não são disciplinas nenhumas. Enfim, não tenho dúvidas de que é possível fazer melhor e que isso passa por uma menor intervenção do Estado. Será precisa toda aquela burocracia? Será preciso aquela linguagem em que se exprime o monstro e que eu e outras pessoas designamos por «eduquês»? Não se pode falar claro? A actual ministra domina bem o português, é uma boa escritora, não poderá pôr aquele Ministério a falar claro?P- O que é que é preciso, então, para melhorar?R- É preciso que os professores tenham mais poder na escola. Nos últimos anos, assistimos a lutas entre o Ministério e os professores, em que os destroços da batalha são os alunos. O que a ministra está a fazer – e desejo-lhe sorte – é limpar o campo da batalha, o que demora algum tempo. O tempo que se perdeu e que se perde... Não tenho dúvidas de que a nossa escola pode melhorar e isso faz-se pelo exemplo, por procurar e premiar as melhores práticas, por recompensar mais do que punir. É preciso valorizar a criatividade. O que eu gostava de ver era uma escola mais aberta, fora do espartilho do governo. Neste momento, a escola está refém do Ministério da Educação.P- A máquina ministerial condiciona a criatividade de alunos e de professores?R- Condiciona a criatividade dos professores, que são a chave do sucesso da escola. Diminuir o papel dos professores foi o pior que se podia ter feito. Portanto, tudo o que possamos fazer para valorizar este papel, para lhes dar importância e autoridade, é útil. Há uma palavra que não se tem usado muito em Portugal e que se devia usar mais (o Ministério da Educação, então, foge dela como o diabo da cruz) que é ensinar. A escola é um sítio onde se ensina. Claro que também é um sítio onde se aprende, mas para aprender é preciso que se ensine. Quase tudo aquilo que sei foi porque alguém me ensinou. A partir de certa altura já fui capaz de aprender por mim próprio, mas devo muito à escola e aos meus professores. Porque é que os jovens de agora não hão-de poder dizer o mesmo? Estamos a desviar-nos do essencial e o essencial é preparar para a vida. Não estaremos a alienar os nossos jovens da capacidade de saber mais, de decidir, que não devia ser apenas de alguns, mas de todos?P- Esse sistema, tal como o descreveu, é a razão por que Portugal não tem sido um país de ciência?R- A nossa educação científica é uma área em que podemos progredir. A ciência devia estar presente mais cedo na escola, e não se trata tanto de falar de ciência, mas mais de ver como ela se faz. A ciência devia estar presente no jardim-escola e no ensino básico. A palavra ciência quase não aparece nos programas, aparece uma coisa chamada “estudo do meio”. O que é isso? Um cientista é um "estudioso do meio"? Percebo a ideia de que o meio não é só o meio material, é também o meio social. Muito bem, é evidente que vivemos num meio social, mas antes disso pisamos um planeta que nos puxa para baixo, respiramos ar, bebemos água, e é bom que no básico façamos experiências que nos permitam compreender o que é o planeta, o que é o ar, e o que é a água. A descoberta do mundo pela criança tem de começar por aí. A junta de freguesia e outras construções sociais, por muito importantes que sejam, vêm depois do ar e da água.P- Apesar de Portugal não ser um país de ciência, está a preparar uma história da ciência em Portugal. O que tem para contar?R- Nós ainda não temos suficiente ciência em Portugal porque não tivemos escola em quantidade e qualidade suficiente. Mas isto vem de trás, há um lastro. Portugal tem 800 anos de história e tem também 800 anos de dificuldades. Também a nossa ciência tem uma história de dificuldades que me interessa conhecer. Desde quando há cá ciência? Será que há cá ciência desde que há ciência no mundo? A ciência moderna começa com Galileu, comemoram-se agora os 400 anos da publicação de O Mensageiro das Estrelas, em que ele anuncia a descoberta dos primeiros satélites de Júpiter. Chamou-lhes estrelas de Medici, que era o nome do patrão (é sempre bom dar o nome do patrão!). Na época dos Descobrimentos, que foi um pouco antes, Portugal era um país rico, não só em bens materiais, como em bens imateriais, em conhecimento. A nossa história nesse período devia ser mais conhecida. Portugal foi então um entreposto de ciência. As descobertas marítimas só foram possíveis com a ajuda da ciência e da tecnologia.P- E depois o que aconteceu?R- Precisamente. Onde é que a nossa ciência, tendo esse começo tão auspicioso, se perdeu? Por que fomos outrora grandes e deixámos de o ser? É um tema que me interessa e que procurarei expor num livrinho que se intitula Breve História da Ciência em Portugal. Por incrível que pareça não há no nosso país nenhuma obra do género. Sobre a decadência, há aquela frase do poeta Carlos Queiroz: «Só fazemos bem Torres de Belém.» Fernando Pessoa também disse algo parecido: «Pertenço àquele género de portugueses que depois de a Índia descoberta ficaram sem trabalho». Somos, portanto, os desempregados dos Descobrimentos. A ciência de algum modo desapareceu quando regressámos da Índia. A nossa história nesta matéria, como noutras, está cheia de avanços e recuos. Por um lado, sempre tivemos pessoas com valor, por outro lado convivemos mal com o valor dessas pessoas. Hoje, penso que há razões para se ser optimista a respeito do futuro da ciência: um jovem cientista pode fazer ciência em Portugal como em qualquer outro sítio do mundo. Espero, por isso, que a história que se escreva daqui por muitos anos seja bem melhor. A história até agora tem alguns sucessos, mas ficámos a dever muito à ciência e é bom que paguemos essa dívida.P- A história é uma das suas paixões?R- De algum modo sim, cada vez mais, porque estou aqui na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que é uma arca de tesouros, um rico legado da história, um sítio onde se preserva a memória. Os livros, os documentos, estão à mão de semear e é uma tentação à qual não consigo resistir, a de ver originais com séculos de idade. Não o faço sem uma certa comoção. Por exemplo, falava dos Descobrimentos, temos aqui um dos livros de D. João de Castro e quando o abrimos é como se fizéssemos uma viagem no tempo. Esta universidade tem tesouros inigualáveis como este.P- Como foi passar do Centro de Física Computacional, onde trabalhava no maior computador português e com as mais modernas tecnologias, para uma biblioteca quinhentista?R- O novo e o velho não são incompatíveis. Aliás, as novas tecnologias estão a melhorar as bibliotecas. Tornando-as digitais, abre-as ao mundo, torna-as universalmente acessíveis. Esse tem sido o meu trabalho aqui: casar o novo com o velho. O novo aliás ajuda a preservar o velho: uma vez digitalizados, os documentos escusam de ser tão manipulados. Aqui na Universidade de Coimbra estamos a desenvolver o projecto de uma biblioteca digital e temos já cerca de cinco mil livros e documentos antigos nesse formato. Queremos que a universidade seja uma antena para o mundo.P- Este futuro dos livros e das bibliotecas numa plataforma digital pode levar a que as bibliotecas passem a ser uma espécie de museu, com o acesso aos seus conteúdos a ser feito de forma virtual?R- Esse movimento é imparável, os livros tendem a estar todos online, acessíveis por computador, por telemóvel, etc. A nossa biblioteca, por exemplo, fez um acordo com o Google, que põe os livros que aqui editámos à disposição de todos. Isso é bom, facilita a vida aos leitores. Mas questão que põe é muito interessante: será que as bibliotecas se vão transformar em museus? Bom, a palavra museu tem aqui uma carga pejorativa que não devia ter. Questiona-se também a continuidade do livro como objecto físico...P- Exacto.R- O objecto livro parece-me insubstituível. De facto, na biblioteca de Alexandria não havia livros, havia rolos. A Hipátia guardava rolos, mas a certa altura apareceram livros. Este formato tem séculos de provas dadas, é como a roda, ainda não se inventou nada melhor para a substituir. Estou convencido de que os livros são eternos, assim como as bibliotecas. Não sei muito sobre o futuro, mas sei que as bibliotecas vão lá estar. A Biblioteca Joanina, que tem quase 300 anos, possui uma inscrição latina sobre a porta que diz: “Esta é a coroa que orna a testa da cidade”. Vai continuar a ornar.P- Considera-se um guardião de livros?R- Sim, faço as vezes de Hipátia, apesar de ela ser bem mais bonita. Há um relógio de luxo cuja publicidade é qualquer coisa como «nunca é verdadeiramente nosso», no sentido em que o possuímos apenas durante o tempo para o transmitir às próximas gerações. Com os livros antigos acontece a mesma coisa. O meu papel aqui é insignificante à escala do tempo, mas acrescenta algo à minha biografia. Quando me perguntarem o que fiz pela minha cidade, pelo meu país, pela minha civilização, poderei dizer: «guardei livros, se os têm é porque os guardei». O amor aos livros é para mim um leitmotiv. Vivo bem rodeado por eles. Devo ter caído num caldeirão de livros quando era pequenino... John Ruskin, autor inglês do século XIX, dizia que quando queremos falar com alguém poderoso, esbarramos sempre com as maiores dificuldades, temos de esperar e por vezes fazemo-lo em vão. No entanto, os livros, escritos pelos maiores autores, pessoas mais importantes do que reis, estão nas bibliotecas, à nossa espera e é imediato sermos recebidos.P- Voltando à ciência, de onde na verdade nunca saímos, foi divertido escrever a Física Divertida e a Nova Física Divertida?R- Sim. A Física trata do conhecimento do Universo e conhecer é divertido. O que fiz foi, mostrar, contando histórias, como chegámos ao conhecimento do mundo físico. No liceu, tive uma certa reacção à ciência pelo facto de ela me aparecer já feita, pronta a servir, era só comer. Mas depois, através de leituras que fiz, descobri, com prazer, que a ciência era feita por homens e mulheres que tinham histórias, que eram filhos de alguém e tinham eles próprios filhos, e só não viam telenovelas porque na altura não existiam.P- Está a querer dizer que os cientistas são pessoas normais?R- [Ri] Só são extraordinárias no facto de acharem divertido saber mais. O prazer de saber foi a molas que me empurrou para a ciência. O que é isso do átomo, o que há no coração das coisas? E o que é o Universo, como foi o início, como será no fim? São perguntas que toda a gente pode fazer e às quais alguns procuram as respostas. É isso que fazem os cientistas, sendo sua obrigação transmitir as respostas A ciência consiste em acrescentar alguma coisa àquilo que já se sabe. Newton disse, numa imagem muito bonita, que se conseguiu ver mais longe foi porque estava aos ombros de gigantes. Ou seja, sabemos hoje mais porque alguém antes de nós o soube e no-lo transmitiu. Essa grande aventura do conhecimento continua. E quem não se interessa por ela estão a perder uma importante parte da experiência que é estar no mundo.P- Aquela ideia de que os cientistas estão sempre à procura do erro para o corrigir é interessante. É isso que define um cientista?R- Sim, de certo modo. Não há muitas profissões em que uma pessoa ande à procura dos erros, seus ou de outros. Reconhecer que errou e emendar o erro é uma das marcas muito profundas da ciência. O pensamento crítico é inerente à ciência. Um cientista que comete um erro grave e não o reconhece deixa de ser cientista. Não há outra profissão em que o indivíduo que deliberadamente engane seja tão penalizado. Dizem-me por vezes e eu gosto de ouvir: «estás sempre a emendar, vê-se mesmo que és cientista». É sinal que tenho emenda...P- Em ciência, o crivo do certo e do errado é muito apertado?R- Alguém disse que é preciso ter a cabeça suficientemente aberta para entrarem coisas novas, mas não tão aberta que caiam os miolos. Há coisas que a dada altura parece absurdo deixar entrar, mas que os génios da Física deixaram entrar e hoje são ideias estabelecidas. O caso de Einstein, por exemplo: dizer que a matéria e a energia estão relacionadas, ou que o espaço e o tempo estão ligados entre si pode parecer absurdo, mas é verdade, tanto quanto sabemos. Já passaram mais de cem anos, e o que Einstein disse não foi desmentido por esse verdadeiro crivo que é a realidade. A Natureza é que diz o que está certo e o que está errado.P- Em ciência, a verdade é sempre temporária?R- Sim e não há mal nenhum nisso. A verdade descobre-se por aproximações sucessivas. Mas pode ser perigoso afirmar isso assim sem mais porque há coisas que não serão modificadas. Por exemplo, quando lhe digo que o seu corpo é feito de células ou que vivemos num planeta que é a terceira pedra do sistema solar, pode estar certa de que nenhum cientista demonstrará o contrário.P- Quem são os seus heróis?R- Einstein com certeza: é alguém que conseguiu chegar à realidade só com o pensamento, uma coisa mesmo espantosa. Como é que pôde imaginar o vasto mundo dentro do cérebro? Em actos que bem se podem dizer heróicos, concebeu modelos da realidade que a experiência veio confirmar. Entre nós, Rómulo de Carvalho foi alguém que me influenciou muito pelas leituras que fiz em jovem. Era o autor de livros – Ciência para Gente Nova – através dos quais percebíamos que a ciência era para nós. Escrevia de uma maneira tão clara que percebíamos tudo. Além disso, era polifacetado. Foi professor, historiador da ciência e da cultura, divulgador científico e poeta. Penso que tudo o que pudermos fazer em sua memória é pouco. Uma das coisas que fiz aqui em Coimbra foi o Centro de Ciência Viva Rómulo de Carvalho, um lugar moderno onde apetece estar para ler livros de ciência. Há livros de divulgação científica dele e de outros autores, livros para jovens e também para crianças. Sim, temos livros infantis de ciência na universidade, porque é de pequenino que se torce o destino.
March 15 2010, 4:48am | Comments »
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Ciência e Religião: Mais próximas do que parece
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Com a devida vénia transcrevemos artigo de Camilo Soldado no último jornal universitário "A Cabra":Desde a origem do pensamento científico, percebeu-se que religião e iência seriam dois campos paralelos embora com coincidências, até aos dias de hoje. “Ciência e a religião partem de necessidades diferentes do homem”. Quem o diz é o docente do Departamento de Física da Universidade de Coimbra, Carlos Fiolhais.Professor na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra mas também teólogo e filósofo, Anselmo Borges considera que as duas áreas “não se incompatibilizam”, mas admite que a ideia do contrário possa existir devido ao “facto de ter havido conflitos de parte a parte” ao longo da história.Moisés Espírito Santo, professor catedrático na Universidade Nova de Lisboa (UNL) e especialista em sociologia e etnologia, considera que os domínios da religião e da ciência são “paralelos, mas não forçosamente contraditórios”. O sociólogo esclarece que “a prática religiosa tem um fundo da utopia, do ideal, enquanto a ciência nos permite encontrar os objectivos”.Se Moisés Espírito Santo afirma que há domínios comuns aos dois temas, Carlos Fiolhais sustenta que tanto a doutrina religiosa como o pensamento científico “têm obviamente o homem como denominador comum”.Precisamente devido a esse factor humano em comum é que a relação entre fé e ciência nem sempre foi a mais pacífica. O exemplo mais célebre será o de Galileu Galilei, que defendia um modelo solar contrário ao defendido pela Igreja Católica e, por isso, foi perseguido. Anselmo Borges defende que, neste caso, “houve uma má interpretação da Bíblia”. O cientista vai mais longe e afirma que, quando a religião é confrontada com a ciência, geralmente “sai a perder desse embate”. “A tensão entre ciência e religião começou com o próprio início da ciência moderna”, afirma o cientista. Sobejamente conhecido é também a oposição da Igreja face à teoria da evolução das espécies de Charles Darwin. É consensual que estes são apenas dois exemplos do choque entre dois campos distintos que não devem ser misturados.No mundo ocidental, regista-se cada vez mais um abandono da fé, pelo menos da forma como esta é praticada. Estará este facto relacionado com o avanço da tecnologia? Tanto Moisés Espírito Santo como Carlos Fiolhais acreditam que não.O professor da UNL considera que “se a ideia de Deus se perde na história da humanidade, é por culpa das diversas crenças que confundem religião com culturas locais e costumes de uma determinada época”. Carlos Fiolhais entende que “pode haver uma perda de fiéis presentes em cerimónias, mas isso pode ser contrabalançado por outras formas mais difusas de religiosidade” e que “a crença tem muito a ver com a aculturação num dado meio.” Já Anselmo Borges acredita que tal pode ser possível, nomeadamente “por causa do avanço das neurociências”, que pode fazer com que “alguns pensem que fica em causa toda a dimensão espiritual”.A ciência tem uma base empírica que “recorre à racionalidade e à experimentação, pronta a corrigir os erros se houver evidência para eles. Isso assegura-lhe a capacidade de progressão ao longo dos tempos”, explica Fiolhais. O docente da FCTUC esclarece que “quando um cientista é dogmático não está decerto a ser científico. E quando um religioso está disposto a rever continuamente as verdades da sua religião não está decerto a ser religioso”. “As religiões são mutantes, a ciência é inflexível”, acrescenta Espírito Santo, que entende que apenas a “liberdade individual permite a criação e a evolução do pensamento científico”. É nesta tese que se apoia para dizer que o pensamento científico apenas existe nos continentes europeu e americano, pois afirma que no exemplo do Islão isso não acontece: “a condição para o desenvolvimento científico é a religião não interferir no pensamento individual. O Islão é incompatível com a ciência por causa disso”.Pode então afirmar-se que a crença religiosa não constitui um entrave ao desenvolvimento do pensamento científico, mas depende muito do contexto cultural no qual o indivíduo está inserido e, como conclui Carlos Fiolhais, “a eventual crença religiosa de um cientista não o limita ou retira objectividade e valor à ciência que faz”.
February 24 2010, 8:01am | Comments »
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Ciência e Ética
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Informação recebida da Universidade do Porto (na imagem Alexandre Quintanilha):Já fez correr muita tinta, extremar posições, convicções e denunciou consciências e condutas que se misturam com as que se aplicam à vida em geral. No próximo dia 25 de Fevereiro a Ciência vai cruzar-se com a Ética. Entre o laboratório e o altar, entre a matéria e a espiritualidade, vamos ter fazedores e divulgadores de ciência à conversa com um jesuíta. Nomes: Palmira F. Silva, do Departamento de Engenharia Química e Biológica da Universidade Técnica de Lisboa; Beatriz Porto, Doutora em Ciências Biomédicas (Genética Humana) e Professora Auxiliar de Genética Médica no Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar (ICBAS), e Vasco Pinto de Magalhães. Licenciado em Filosofia e em Teologia, Vasco Pinto de Magalhães entrou na Companhia de Jesus em 1965 e foi co-fundador do Centro de Estudos de Bioética, tendo uma larga intervenção nesta área. Ao lado deste responsável pela formação inicial dos jesuítas portugueses vai estar um decifrador do universo, que nem sempre tem de ser hermético, da ciência. Detentor de uma singular capacidade de comunicação, sendo, de resto, presença assídua nos diferentes órgãos de comunicação social, Alexandre Quintanilha, nasceu em Moçambique a 9 de Agosto de 1945. Completou os estudos secundários em Lourenço Marques, e continuou os estudos universitários na África do Sul, tendo-se licenciado em Física Teórica, em 1968, na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, e doutorado em Física do Estado Sólido em 1972, pela mesma universidade. O interesse pela essência das coisas do mundo levou-o, inicialmente, a formar-se em Física, e depois a interessar-se pela biologia. Seguiu para a Universidade da Califórnia, em Berkeley, onde trabalhou durante cerca de vinte anos. Foi director do Centro de Estudos Ambientais, entre 1983 e 1990, foi director assistente no Laboratório Nacional Lawrence, secção de Energia e Ambiente, e, entre 1987 e 1990, desempenhou o cargo de director do Centro de Estudo de Tecnologia da Biosfera. Em 1991 foi nomeado director do Centro de Citologia Experimental e professor no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto. Actualmente, é professor catedrático do ICBAS, e vice-presidente (deixou a presidência há cerca de um ano) do Instituto de Biologia Molecular e Celular. Tem perto de 100 artigos publicados em várias revistas científicas e em 1993 foi agraciado como Grande Oficial da Ordem Militar de Santiago de Espada. São parcelas de percursos que vão ser convocados para a discussão que acontece no próximo dia 25 de Fevereiro. As conversas que aconchegam os espíritos à volta da Ciência acontecem sempre às nove e meia da noite. No Salão Nobre da Reitoria.Ver aqui o programa completo da série de debates.
February 22 2010, 12:08pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Ciência na Sétima Arte
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Informação recebida da Universidade do Porto:Especialistas analisam a Ciência na Sétima Arteem “laboratório” de cinema promovido pela U.Porto A partir das 18 horas de 19 de Fevereiro, críticos e estudiosos do cinema vão juntar-se a vários cientistas para explorar e debater as representações da ciência na Sétima Arte. O pretexto surge na forma de “Screenlabs”, título do ciclo de cinema que a Universidade do Porto leva ao auditório do Passos Manuel (Rua Passos Manuel, 137) no âmbito do ciclo Nomadic.0910 – Encontros entre Arte e Ciência. Dos erros científicos que povoam alguns filmes à forma como se constroem as personagens de ficção científica, serão vários os temas a ser abordados nas 5 sessões comentadas que integram o evento. Na primeira sessão - exclusiva para convidados - o comentário ao filme "Gattaca" estará a cargo de David A. Kirby, professor da Universidade de Manchester e conselheiro científico de cinema. Ao seu lado estarão Maria Strecht e Heitor Alvelos, professores da U.Porto e comissários do ciclo Nomadic.0910.Até 18 de Março, o ciclo prossegue com mais quatro sessões semanais, abertas ao público. Os filmes "I am Legend" e "Frankenstein" juntam-se a uma selecção de obras da Casa da Animação e do festival U.Frame como fonte de inspiração para um debate liderado por nomes como Eduardo Cintra Torres e António Roma Torres. A antestreia de “Screenlabs” é, contudo, apenas uma das intervenções Arte/Ciência que a U.Porto leva a toda a cidade até final da semana. Já hoje, dia 18 de Fevereiro, pelas 19 horas, as "Perturbações" vão tomar conta do Museu Nacional Soares dos Reis. Trata-se de uma instalação artística patrocinada pelo IBMC.INEB, tendo como mote a reflexão sobre o uso e abuso de psicofármacos. Um tema que, uma hora antes da inauguração, será debatido numa mesa redonda dinamizada por docentes da U.Porto ligados às Artes e Ciências. Alexandre Quintanilha (IBMC.INEB; ICBAS), João Marques Teixeira (FPCEUP), Lúcia Matos (FBAUP) e Teresa Summavielle (IBMC.INEB) são os convidados. Para esta sexta-feira, às 15h30, assinala-se ainda a entrada em acção de "Artistas do Jogo", uma exposição fotográfica onde se propõe uma abordagem ao corpo desportivo, procurando mostrá-lo na dupla condição de objecto estético e objecto da ciência. A mostra ficará patente ao público até 26 de Março na Faculdade de Desporto da U.Porto (Rua Dr. Plácido Costa, 91). Iniciado em Setembro de 2009, o ciclo Nomadic.0910 tem procurado envolver a população num diálogo desinibido com a Ciência e a Arte a partir de actividades organizadas pelas unidades orgânicas da U.Porto. O programa de acções (em permanente actualização) está disponível em http://nomadic.up.pt.
February 19 2010, 5:47pm | Comments »
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D. MANUEL DO CENÁCULO
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Informação recebida da editora:D. Manuel do CenáculoInstruções Pastorais, Projectos de Bibliotecas e Diáriocoordenação de Francisco António Lourenço VazEdição: 2009Páginas: 144Editor: Porto EditoraISBN: 978-972-0-34268-3Colecção: CIÊNCIA E ILUMINISMO18,90€SinopseD. Manuel do Cenáculo (1724-1814) participou activamente nas reformas levadas a cabo pelo Marquês de Pombal e continuou, depois, como Bispo de Beja e Arcebispo de Évora, a levar a bandeira da ciência e da instrução ao povo rude e iletrado do Alentejo.Com efeito, Cenáculo teve um papel determinante na reforma da Universidade de Coimbra, dirigiu a Real Mesa Censória e delineou projectos que teriam impacto na difusão da ciência entre nós. A sua acção reformista pautou-se por uma atitude, em consonância com as ideias das Luzes, que consistia em multiplicar os meios de informação e aquisição do conhecimento e disponibilizá-los ao público. Por isso, reuniu ao longo da vida uma vastíssima colecção de livros, moedas, produtos naturais, obras de arte e antiguidades, tendo em vista a criação de bibliotecas e museus abertos ao público.Tendo presente a obra e percurso de D. Manuel do Cenáculo, seleccionámos algumas das obras que ilustram como a mentalidade científica era uma das bases do seu pensamento e da acção reformista. Esta colectânea reúne cartas pastorais, que comprovam as ideias de Cenáculo sobre o confronto entre ciência e religião, e os textos relativos à criação de bibliotecas e à participação nas reformas de ensino e defesa dos conhecimentos úteis.Colecção CIÊNCIA E ILUMINISMOEsta colecção integra obras científicas portuguesas da segunda metade do século XVIII e primeiro quartel do século XIX. O seu principal objectivo é o de proporcionar um melhor conhecimento das fontes para a história da produção científica em portugal ao longo do referido período, que corresponde a uma época de especial relevância na história das ciências em geral.São editados nesta colecção textos inéditos ou que, quando publicados, tiveram reduzida circulação e permanecem hoje inacessíveis ao público interessado em conhecer as mais relevantes contribuições para a história da ciência em Portugal. Para além dos textos originais, cada obra inclui um ensaio introdutório de enquadramento e análise dos materiais editados.
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February 18 2010, 4:40am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
“Porquê Deus se temos a Ciência?" em Coimbra
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Café, Livros e Ciência“Porquê Deus se temos a Ciência?" Organização de Manuel Curado (Fronteira do Caos, 2009)5ª feira, 4 de Março de 2010 18h00Alfredo Dinis, S.J., no Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, em Coimbra, apresenta-nos o livro “Porquê Deus se temos a Ciência?”, organizado por Manuel Curado. Segundo este último: "Todas as pessoas mais cedo ou mais tarde têm de ter uma posição sobre a existência de Deus.” Assim, em mais um Café, Livros e Ciência, encontramos um livro onde médicos, um físico, um especialista em história e filosofia da ciência, entre outros, se pronunciam.Num ambiente informal, onde o café acompanha os livros, Café, Livros e Ciência acontece na primeira quinta-feira de cada mês para promover a leitura de ciência junto do público em geral. Poderá visionar um apontamento multimédia sobre os eventos já decorridos no sítio internet de cada parceiro, bem como no CVTV, e ainda algumas edições da rubrica “Escolhas de Livros de Carlos Fiolhais”.local: Centro Ciência Viva Rómulo de Carvalho, Dept. Física, FCTUCcontactos: 239 410 699 ou rc@teor.fis.uc.pt
February 12 2010, 5:54am | Comments »







