Crónica elaborada para a Associação Viver a Ciência, no âmbito da Semana Nacional da Ciência e da Tecnologia.Observar, Interagir e modificar o ambiente envolvente para melhor sobreviver e resistir às fúrias dos elementos, é uma constante, essência própria da vida. A complexidade, progressivamente crescente, da organização dos seres vivos, no seu diálogo íntimo com o Universo, apresenta hoje sistemas biológicos com linguagens e arquitecturas diversas. A evolução dotou o cérebro com estruturas funcionais, cuja base é comum a muitos animais, e permitiu aos nossos antepassados longínquos utilizar e manipular objectos, para facilitar o garante da sobrevivência. Milhões de anos passaram entre esse momento mágico, revoada de espanto numa sinapse recompensadora, em que um ramo vegetal na mão de um hominídeo, descreveu um arco e facilitou a obtenção de alimento, e este premir o polegar oponível num botão para controlar, à distância, um tecnológico braço robótico, mais ou menos antropomórfico, para reparar uma antena na Estação Espacial Internacional a cerca de 350 Km da superfície da Terra, e à velocidade média de 27 000 Km/h.Nessa janela de tempo, o homem inventou a roda e as velas dos moinhos, construiu caravelas, aviões e foguetões, inventou bolhas de vidro contendo vácuo e iluminou as noites com tungsténio incandescente, descobriu como transformar materiais e inventou o transístor, descobriu a intimidade atómica e inventou a internet. Continuamos a utilizar o olhar, outros sentires e as mãos, mas somos substancialmente diferentes.A observação atenta de como as coisas acontecem na natureza, integrada cerebralmente por sucessivas gerações de homens e mulheres, forjou a cultura humana com o conhecimento necessário para realizar obras úteis, a todos.A ciência permite o conhecimento, explica o espanto, dissolve a aparência das coisas e desvenda os fundamentos dos fenómenos que nos intrigam. A aplicação do conhecimento científico em coisas concretas e definidas permite a técnica. Por sua vez, a tecnologia explica e compreende os fenómenos técnicos. Com as ferramentas e o conhecimento a jusante da técnica, o Homem descobre novos mundos para explorar, e alimenta a ciência a montante. De facto, assistimos ao longo da história da humanidade a um diálogo incessante entre ciência e técnica, entre técnica e ciência. Por vezes em monólogos aparentes, antecâmaras de rupturas de paradigmas, por vezes indistinguíveis num esforço conjunto para resolver problemas concretos. Por exemplo, a técnica de saber fazer pão, primeiramente a partir de um conhecimento empírico, explicada progressivamente pela ciência de saber como as leveduras, seres vivos unicelulares e microscópicos, transformam os açúcares da farinha dos cereais. Por exemplo, a descoberta do efeito fotoeléctrico por Hertz, explicado mais tarde por Einstein, e a sua tecnológica aplicação posterior em materiais semicondutores emissores de luz, fototransístores, LEDs, utilizados nos monitores modernos e que permitem ver a ilusão tridimensional. Se a água líquida é uma constante da vida, o conhecimento de como domesticar o vapor de água, para dele retirar trabalho útil, mudou radicalmente a sociedade e vida humanas. A máquina a vapor, engenho técnico, galvanizou e permitiu a revolução industrial, em meados do séc. XVIII. Entre suor e copos de água, a relação entre as pessoas mudou e uma nova forma de organização social emergiu, com a ciência e a técnica como denominadores comuns, imprescindíveis. De facto, hoje vivemos numa sociedade baseada na tecnologia e na ciência. Mais do que nunca, impõe-se a aprendizagem e a divulgação dos conhecimentos que nos permitem entender e descodificar como é que a ciência nos ajuda a tornar seres mais humanos, mais íntegros e verdadeiros, como é que podemos usufruir das potencialidades tecnológicas para melhorar a nossa qualidade de vida.Ciência e técnica celebram-se e vivem-se hoje em simultâneo. São a realização maior da capacidade neuronal em percepcionar o mundo envolvente e integrar as diversas observações sentidas numa solução. E não esqueçamos que a consciência emocional modelou esta empresa científico-tecnológica desde o primeiro instante. A humanidade é científica e tecnológica desde o primeiro espanto, que é observar o mundo e tentar perceber um porquê, um como e o que é. E é com emoção que recebemos a compreensão do que não conseguíamos explicar antes. E se antes um relâmpago nos inundava de receio e iluminava a galeria das divindades primevas, hoje o maravilhamento da compreensão do seu fenómeno é sossegado por um pára-raios concreto, ainda que instalado na torre sinaleira de um templo qualquer. António Piedade, Coimbra, 23 de Novembro de 2010
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Ciência e Técnica: a todo o vapor
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November 23 2010, 9:39am | Comments »
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Estória muito interessante
http://dererummundi.blogspot.com/2010/08/estoria-muito-interessante.html
Vale a pena ler este texto do DN, sobre uma estória bonita e sobre o facto de ser possível em Portugal.:-)
August 7 2010, 5:32am | Comments »
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Transição para a civilização do tipo I
http://dererummundi.blogspot.com/2010/01/transicao-para-civilizacao-do-tipo-i.html
O físico norte-americano Michio Kaku ( na figura, a cumprimentar o robô) termina assim o seu livro "Mundos Paralelos" (Bizâncio, 2006) advogando a transição para uma civilização verdadeiramente planetária, uma civilização que usa toda a energia que recebe da sua estrela (a nossa civilização ainda é de tipo 0,7):"Na peça de Anton Chekhov 'As Três Irmãs'. no acto II, o Coronel Vershimin proclama: "Dentro de um século ou dois, ou dentro de um milénio, as pessoas viverão de uma maneira diferente e mais feliz. Não estaremos lá para ver, mas é para isso que vivemos e trabalhamos. É para isso que sofremos. É para isso que estamos a contribuir. É essa a finalidade da nossa existência. A única felicidade que podemos conhecer é saber que estamos a trabalhar para esse objectivo."Pessoalmente, longe de me sentir deprimido pela imensidão do Universo, estou impressionado com a existência de mundos inteiramente novos a seguir ao nosso. Vivemos numa época em que estamos a começar a exploração do Cosmos com sondas e telescópios espaciais, com teorias e equações.Também me sinto privilegiado por viver num tempo em que o nosso mundo está a dar passos tão heróicos. Estamos vivos para presenciar o que talvez venha a ser a maior transição da história da humanidade: a transição para uma civilização de tipo I, talvez a a mais significativa, mas também a mais perigosas transição da história da humanidade.Outrora, os nossos antepassados viveram num mundo cruel e hostil. durante a maior parte da história, as pessoas tinham uma vida curta, uma vida selvagem, e a esperança média de vida era de cerca de 20 anos. Viviam à mercê do destino, do terror constante das doenças. o exame dos ossos dos nossos antepassados revela que estão incrivelmente gastos, o que testemunha as cargas que transportavam diariamente; também exibem marcas indiciadoras de doenças e de acidentes horríveis. Mesmo no século passado, os nossos avós viviam sem os benefícios das medidas sanitárias modernas, dos antibióticos, dos aviões a jacto, dos computadores e das outras maravilhas da electrónica.Os nossos netos, contudo, viverão na alvorada da primeira civilização planetária da Terras. Se nós não permitirmos que o nosso instinto brutal para a autodestruição nos consuma, os nosso netos poderão viver numa idade em que a miséria, a fome e a doença deixarão de ameaçar o nosso destino. Pela primeira vez na história, temos ao nosso dispor os meios para destruir toda a vida na Terra ou para transformar o planeta num paraíso.Quando era criança, muitas vezes perguntava como seria a vida num futuro longínquo. Hoje acredito que, se pudesse escolher viver noutra era qualquer da humanidade, escolheria esta. Vivemos hoje o tempo mais excitante da história do homem, o ponto culminante de algumas das maiores descobertas cósmicas e avanços tecnológicos de todos os tempos. Estamos a fazer a transição histórica de observadores passivos da dança da Natureza para nos transformarmos em coreógrafos dessa dança, com a capacidade de manipular a vida, a matéria e a inteligência. Contudo, a esse tremendo poder acresce a grande responsabilidade de garantirmos que o fruto dos nossos esforços será usado sensatamente e para benefício de toda a humanidade.A geração actual é talvez a geração mais importante da humanidade. Ao contrário das gerações anteriores, temos nas nossas mãos o destino da nossa espécie: ou nos elevamos cumprindo o nosso destino como uma civilização de tipo I ou caímos no abismo do caos, da poluição e da guerra. As decisões que tomarmos irão repercurtir-se no presente século. O modo como resolvermos as guerras globais, a proliferação de armas nucleares e a guerra sectária e étnica erguerão ou deitará por terra as bases de uma civilização do tipo I. Talvez a finalidade e o sentido da actual geração sejam garantir a suavidade da transição para uma civilização do tipo I.A escolha é nossa. Este é o legado da geração actual. Este é o nosso destino."Michio Kaku
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January 28 2010, 6:55am | Comments »
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Bem-vindos
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Transcrevemos a crónica de hoje de José Luís Pio de Abreu no "Destak":Bem-vindos ao terceiro milénio. Bem-vindos ao mundo da informação instantânea, democrática e gratuita, onde cada pessoa pode dizer a todos o que pensa e o que sabe. Bem-vindos ao mundo da Internet, dos blogs, do email, da wikipedia, do google, dos downloads, da interactividade global. A tecnologia que permite contactos fáceis e instantâneos também nos torna vulneráveis. Neste mundo, não há privacidade para além da que existe face a face, corpo a corpo. Mesmo assim é preciso saber se não está por perto uma câmara vigilante ou um telemóvel indiscreto. Neste mundo transparente, não são já possíveis os golpes palacianos e apropriações indevidas. Mais cedo do que tarde, tudo será descoberto. Neste mundo, qualquer pessoa pode manipular os outros. Mas as manipulações anulam-se umas às outras, fazendo por vezes ricochete sobre quem usa a informação de modo instrumental. Destes cruzamentos, talvez possa emergir a influência de quem não quer, de facto, manipular. Bem-vindos ao mundo iconoclasta onde os mitos se destroem. As personagens públicas apresentam-se agora como pessoas, com as suas imperfeições e méritos, às vezes com fascinantes idiossincrasias. É assim que se expõem em programas de humor, revistas cor-de-rosa, vídeos do YouTube, biografias autorizadas ou maledicentes. Tão imperfeitos e fascinantes como todos nós, mas com capacidades que podemos avaliar, senão mesmo admirar.Bem-vindos, mas não se enganem. A porta por onde entraram já está fechada, e é neste novo mundo que temos de viver.J. L. Pio Abreu
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October 2 2009, 8:01am | Comments »
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O Terramoto e o tsunami de 1755
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O Terramoto de 1 de Novembro de 1755 atingiu violentamente o país, destruiu o centro da cidade de Lisboa e abanou as consciências e o pensamento de inúmeros intelectuais europeus. Figuras com Kant ou Voltaire escreveram importantes reflexões sobre a génese de fenómenos naturais de tão grande escala e sobre as leis que governam a natureza. O que muitos não saberão é que ao terramoto seguiu-se um violento tsunami, ou maremoto, cuja dimensão e impacto é actualmente alvo de estudo por investigadores portugueses. Estes e outros assuntos, em torno do Terramoto de 1755, serão apresentados e debatidos amanhã, dia 31, em um colóquio no Museu da Ciência da Universidade de Coimbra, a partir das 15:30h. Programa: http://www.museudaciencia.pt/index.php?iAction=Actividades&iArea=13&iId=34&iAreaFirstAccess=1#iItem_34
October 30 2008, 2:54am | Comments »
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Tempo de decisão
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Ainda a propósito do tempo da Razão, mais concretamente em relação à guerra à ciência em curso nos Estados Unidos, vale a pena recordar o livro «Speak Out Against the New Right» editado por Herbert F. Vetter (Boston: Beacon Press, 1982).O livro contou com a colaboração de notáveis de várias áreas, mas importa referir as contribuições de Carl Sagan e Stephen Jay Gould. Há mais de um quarto de século, os dois grandes divulgadores de ciência manifestaram a sua preocupação com o ataque à ciência efectuado pelos criacionistas, então disfarçando religião com a capa de criacionismo científico.Sagan escreveu então:One trend is illustrated by the recent request by the Reagan administration in the United States to cut essentially to zero all of the budget of the National Science Foundation devoted to science education, particularly in keeping science teachers up-to-date. That is clearly eating the seed-corn. The budgetary savings are trivial, the potential damage enormous. (...)In many such areas, but especially in the last, you can find today a kind of resurgent know-nothingism, a reactionary response to the findings of human beings objectively addressing the world around them. There is something called "scientific creationism" which claims that the school system should teach the supposed evidence in favor of the cosmology in the first chapter of Genesis on an equal level with the evolutionary findings that Charles Darwin initiated. I believe that this is exceptionally dangerous.As mesmas preocupações são reiteradas por Gould que iniciou a sua contribuição recordando o Monkey Trial:Kirtley Mather, who died last year at age 89, was a pillar of both science and the Christian religion in America and one of my dearest friends. The difference of half a century in our ages evaporated before our common interests. The most curious thing we shared was a battle we each fought at the same age. For Kirtley had gone to Tennessee with Clarence Darrow to testify for evolution at the Scopes trial of 1925. When I think that we are enmeshed again in the same struggle for one of the best documented, most compelling and exciting concepts in all of science, I don't know whether to laugh or cry. (...)The rise of creationism is politics, pure and simple; it represents one issue (and by no means the major concern) of the resurgent evangelical right. Arguments that seemed kooky just a decade ago have reentered the mainstream.Creationism Is Not ScienceThe basic attack of the creationists falls apart on two general counts before we even reach the supposed factual details of their complaints against evolution. First, they play upon a vernacular misunderstanding of the word "theory" to convey the false impression that we evolutionists are covering up the rotten core of our edifice. Second, they misuse a popular philosophy of science to argue that they are behaving scientifically in attacking evolution. Yet the same philosophy demonstrates that their own belief is not science, and that "scientific creationism" is therefore meaningless and self-contradictory, a superb example of what Orwell called "newspeak." Mas quiçá a contribuição mais enfática tenha sido a de Isaac Asimov, que retomou o aviso que lançara nas páginas da New York Times Magazine em 14 de Junho de 1981 «The 'Threat' of Creationism,» recolhido posteriormente no «Science and Creationism» editado por Ashley Montagu em 1984 (pp. 182-193). Vale a pena ler na íntegra este artigo presciente com quase 30 anos. Retiro apenas alguns excertos:Even though schools are now allowed to teach evolution, teachers are beginning to be apologetic about it, knowing full well their jobs are at the mercy of school boards upon which creationists are a stronger and stronger influence. (...)In the creationist churches, however, the congregation is required to believe. Impressionable youngsters, taught that they will go to hell if they listen to the evolutionary doctrine, are not likely to listen in comfort or to believe if they do. Therefore, creationists, who control the church and the society they live in and to face the public-school as the only place where evolution is even briefly mentioned in a possible favorable way, find they cannot stand even so minuscule a competition and demand "equal time."Do you suppose their devotion to "fairness" is such that they will give equal time to evolution in their churches?Second, the real danger is the manner in which creationists want threir "equal time." In the scientific world, there is free and open competition of ideas, and even a scientist whose suggestions are not accepted is nevertheless free to continue to argue his case. In this free and open competition of ideas, creationism has clearly lost. It has been losing, in fact, since the time of Copernicus four and a half centuries ago. But creationism, placing myth above reason, refused to accept the decision and are now calling on the government to force their views on the schools in lieu of the free expression of ideas. Teachers must be forced to present creationism as though it had equal intellectual respectability with evolutionary doctrine.What a precedent this sets.If the government can mobilize its policemen and its prisons to make certain that teachers give creationism equal time, they can next use force to make sure that teachers declare creationism the victor so that evolution will be evicted from the classroom altogether. We will have established ground work, in other words, for legally enforced ignorance and for totalitarian thought control. And what if the creationists win? They might, you know, for there are millions who, faced with a choice between science and their interpretation of the Bible, will choose the Bible and reject science, regardless of the evidence.Os nossos leitores habituais confirmaram certamente esta última frase de Asimov no nosso espaço de debate, isto é, os criacionistas nacionais que o invadem debitam ad nauseam os mesmos disparates não importa quantas vezes se lhes prove que são disparates. Glenn Morton, um ex-criacionista da terra jovem (YEC), recorreu à sua experiência pessoal para explicar a imunização à razão dos criacionistas. Mas o demónio de Morton não explica completamente a postura autista dos criacionistas.No Frontal Lobe foi há uns dias referenciado um estudo muito interessante dos cientistas políticos Brendan Nyhan e Jason Reifler. Este estudo, que confirmava outros anteriores sobre dissonância cognitiva e política, indica que é contraproducente tentar confrontar com a verdade pessoas com bias político. Por exemplo, após ouvirem as justificações da administração Bush sobre a existência de armas de destruição massiva no Iraque pré 2003, a percentagem de conservadores que acreditava nas alegações republicanas foi maior (64%) no grupo confrontado com o pormenorizado relatório Duelfer que concluía o contrário que no grupo de controle (34%).Pessoalmente considero que podemos extrapolar que o mesmo se passa com os criacionistas e zelotas religiosos em geral. Os fundamentalistas religiosos são completamente imunes à razão e à verdade e como os dislates que debitam com regularidade no nosso espaço de debate confirmam, a confrontação com os factos ainda os entrincheira mais no seu mundo de fantasia e mentiras. Por isso, não vale a pena sequer tentar argumentar racionalmente com criacionistas pelo que não vejo nenhuma bondade nestes pseudo-debates. Mas uma vez que aparentemente estão na «moda» em Portugal, acho que podem ser aproveitados como sessões de esclarecimento para o público em geral enfatizando as diferenças entre ciência e fé, explicando o que é o método científico e porque razão a comunidade científica sem excepção considera que os dislates que certamente o criacionista em questão debitou abundantemente só têm lugar na Terra do Nunca.No entanto, a melhor forma de prevenir este perigoso anacronismo é investir em educação de ciência de forma a que estas patetices não consigam criar raízes nas mentes dos nossos jovens. O desinvestimento em educação científica referido por Sagan preparou o terreno para as investidas criacionistas. Não o façamos também em Portugal: Gould referia na sua contribuição que, há 25 anos, os criacionistas embora vocais eram uma clara minoria nos EUA. Hoje em dia são a maioria da população ...
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September 21 2008, 1:07am | Comments »
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O tempo da Razão
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A mensagem deste vídeo promocional do Center for Inquiry (CFI) em que figuram Steven Pinker, Daniel Dennett, Susan Jacoby, Ann Druyan, Laurence M. Krauss, Damon Linker, E.O. Wilson, Jennifer Michael Hecht, Richard Dawkins, e Paul Kurtz, é muito simples: promover o uso da razão em todas áreas do pensamento humano.Citando o CFI:The methods and values of scientific thinking have expanded our knowledge about life and our place in the universe. This modern knowledge—based on experience and evidence—has brought enormous benefit to humanity, yet many people still choose to rely on ancient texts and beliefs to guide their lives and their nations.The Center for Inquiry exists to change this situation. We are here to promote the scientific outlook, to expand the methods and values of science into all areas of human endeavor.We invite you to learn more about the ways we are using education, outreach, and activism to advance reason and human values around the world. Then, if these values are as important to you as they are to us, we ask you to join CFI.Let your voice be heard. With your help, we can ensure that our time—your time—will be a time of science and reason.O CFI indica ainda a urgência do seu trabalho numa altura em que a hostilidade à ciência e ao secularismo é notória um pouco por todo o mundo, como denota, por exemplo, o aumento da ameaça criacionista em todo o mundo civilizado.Esta ameaça criacionista que muitos tentam minimizar é real e não está restrita aos Estados Unidos, como indica a recente demissão de Michael Reiss da direcção do Departamento de Educação da Royal Society.Não é apenas o criacionismo cristão que toma fôlego, como a censura na Turquia da página de Richard Dawkins confirma. De facto, um tribunal turco deu recentemente razão à queixa do autor do Tijolo Criacionista de que o britânico o teria «insultado» quando analisou o livro. A crítica de Dawkins de que estava «at loss to reconcile the expensive and glossy production values of this book with the breathtaking inanity of the content» foi considerada pelo 2ª tribunal da paz de Istambul uma «violação» da personalidade de Adnan Oktar (que penso estar ainda na prisão devido ao escândalo sexual que abalou a Turquia há quase 10 anos, foi arquivado e recuperado apenas este ano).Esta censura criacionista ao ciberespaço não é inédita: a seita que desde 1998 ataca e ameaça académicos turcos que ensinam evolucionismo nas suas aulas, conseguiu bloquear o Wordpress e o Google Groups na Turquia, para além de ter censurado uma série de sites de notícias deste país.Mas quiçá o mais perturbador está a acontecer nos Estados Unidos em que foi nomeada para vice-presidente na candidatura republicana uma criacionista da Terra jovem (daqueles que acreditam que a Terra tem 6000 anos) que vê a guerra do Iraque como uma cruzada religiosa. A mensagem do CFI é de facto urgente num mundo que estes exemplos (e há muitos outros...) confirmam estar a abdicar da razão não apenas na condução das vidas privadas dos cidadãos mas especialmente na condução de nações ...
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September 20 2008, 6:03am | Comments »
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