Marc Hauser é um cientista da cognição, que se dedica ao estudo da cognição em primatas, procurando uma compreensão da evolução da mente. Foi também, até agora, uma das estrelas mais cintilantes da Universidade de Harvard por se ter dedicado a abordar conceitos como a evolução da moralidade. Publicou mais de 200 artigos em revistas de muito elevado impacto, como a Science e a Nature, e foi Young Investigator Award da National Science Foundation americana. Disse foi, porque Marc Hauser foi há pouco considerado culpado de falta de ética científica pela sua própria universidade. Uma comissão nomeada pelo Reitor da U. Harvard, analisou e passou a pente fino a investigação de Hauser, durante 3 anos, analisando todos os trabalhos desde 2002 e chegou à conclusão de que Hauser violou os princípios da conduta científica em 8 situações. Três correspondem a artigos publicados e as restantes cinco a material em submissão ou de relatórios internos. Um dos artigos publicados, na Cognition, foi retirado, outro foi corrigido e o terceiro, na Science, está em discussão com os editores.Isto foi particularmente perturbador para mim que tinha Hauser em grande consideração. Era um dos grandes cientistas da cognição. Em 2003 mostrou (Proceedins of the Royal Society) que pequenos primatas tamarins, ou Saguis-de-cabeça-branca eram capazes de ter uma atitude diferente para outros animais da mesma espécie consoante eles os tivessem ajudado antes ou não – tendiam a ajudar mais os que lhes tinham prestado ajuda antes –, levantando questões muitíssimo interessantes sobre a evolução de conceitos éticos. Este artigo não foi alvo de críticas.Um breve parêntesis aqui:[A ideia feita mais comum é a de que a ética será exclusivamente humana, porque apenas nós somos seres racionais capazes de ter ética. Além de que a ética seria um produto eminentemente cultural. Passemos de lado o atestado de estupidez a nós próprios ao considerar que somos os únicos animais racionais – como se os outros fossem autómatos sem pensamento (pensem nisso quando observarem o comportamento do vosso cão) (e já agora leiam o excelente ‘Livro da Consciência’ de Damásio). E se não for exclusiva? Se tiver bases mais profundas presentes em culturas de outros animais?]Mas outros trabalhos foram considerados contendo erros intencionais que conduziram a conclusões incorrectas, de forma intencional. O que apurou a investigação de facto? Que Hauser manipulou a informação em várias situações (8), quer na codificação/interpretação dos comportamentos observados, quer no seu tratamento estatístico. O que sucedeu? Numa das experiências para determinar se os Saguis tinham respostas diferentes perante discurso humano normal ou manipulado, com o objectivo de saber se eram capazes de reconhecimento de padrões vocais, Hauser e o aluno que fez as experiências codificaram os comportamentos dos animais, a partir de vídeos gravados das experiências. Esta prática comum visa garantir que não há enviesamentos na observação do comportamento. É comum os investigadores guardarem as cassetes para posterior inspecção por outros, se solicitado. Desta vez os resultados de Hauser indicavam um efeito e os do aluno não. Este propôs que os vídeos fossem visionados por um terceiro observador independente, o que Hauser recusou. O aluno fez isso sem seu conhecimento e os resultados entre os alunos foram idênticos. Quando abordaram o assunto no laboratório, com outros alunos, ficaram a saber que esta não era a primeira vez que isso sucedia, o que os levou a denunciar a situação à Faculdade.Hauser foi considerado o único responsável pelos enviesamentos de interpretação.Hauser tinha a tendência para abordar assuntos difíceis e potencialmente polémicos: evolução da linguagem; evolução da moral. Esta é também uma forma de conseguir muita visibilidade. Mas a pressão para publicar resultados surpreendentes terá sido demasiada. Ou então ele convenceu-se de que estava certo, somente os resultados ainda não concordavam com ele. E ele não tinha tempo a perder. Recentemente Marc Hauser publicou Moral Minds: How Nature Designed Our Universal Sense of Right and Wrong. E eu que adquiri o livro e o comecei a ler, estou agora num dilema moral: confiar ou não no pensamento dele? É caso para dizer que faltou a moral a quem tanto queria dissecá-la.E agora? Bem a dúvida alastra a todo o seu trabalho, apesar de apenas se terem encontrado falhas em alguns dos muitos trabalhos analisados e muitas das suas experiências terem sido replicadas por outros com resultados concordantes.Entre os cientistas da cognição perpassa um arrepio com receio da má fama que Hauser possa trazer a uma área de estudo tão sólida e controlada experimentalmente como outras, mas mais susceptível por envolver comparações connosco.Grandes cientistas da cognição como Gordon Gallup, ou Franz de Waal, estão furiosos com Hauser e não lhe perdoam a sua falha de conduta.Para já a Universidade de Harvard deu-lhe uma licença sabática e estou convencido que irá ser convidado a sair. Uma falha destas é demasiado grave para ser limpa por uma retractação pública.Outros colegas estão a preparar-se para replicar algumas das suas experiências e confirmar ou não os resultados. E acho que é mesmo isso que há a fazer.
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A Mente Moral
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October 17 2010, 2:14pm | Comments »
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PREVENÇÃO RODOVIÁRIA
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Texto do nosso leitor João Boaventura alusivo à campanha brasileira de prevenção rodoviária (cartaz na imagem):A propósito da Prevenção Rodoviária Brasileira, lembrei-me da que foi utilizada na África do Sul, depois do primeiro transplante do coração realizado com sucesso pelo Dr. Christiaan Barnard, onde os cartazes espalhados nas estradas rezavam: “Dr. Barnard waiting for your heart”.Como curiosidade, o Dr. Barnard já tinha realizado transplantes de coração em 50 cães, e o primeiro homem que se submeteu à operação tinha uma doença terminal pelo que não teve dúvidas em executá-la porque, argumentava: “For a dying man it is not a difficult decision because he knows he is at the end. If a lion chases you to the bank of a river filled with crocodiles, you will leap into the water, convinced you have a chance to swim to the other side.” O 3 de Dezembro próximo relembra o que aconteceu há 42 anos.João Boaventura
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November 11 2009, 3:50pm | Comments »
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A Teoria das Janelas Partidas
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Excerto da crónica de hoje de Miguel Santos Guerra:El profesor Phillip Cimbrado, de la Universidad de Stanford, redalizó hace años un curioso experimento de Psicología Social. Dejó un coche abandonado en el Bronx, a la sazón una zona pobre y conflictiva de Nueva York. Y otro, de la misma marca y color en Palo Alto, una zona rica y tranquila de California. Dos coches idénticos abandonados en barrios con poblaciones muy diferentes. Los investigadores observaban lo que sucedía. Resultó que el coche abandonado en el Bronx comenzó a ser destruido en pocas horas. En cambio, el coche abandonado en Palo Alto se mantuvo intacto durante varios días.Podría deducirse de este hecho que la pobreza es la causa del delito. Atribución discutible. El experimento no concluyó ahí. Cuando el auto abandonado en el Bronx estaba destrozado y el de Palo Alto permanecía impecable, los investigadores rompieron un vidrio del coche de Palo Alto. El resultado fue que se desató sobre el mismo un proceso similar al sufrido por el coche colocado en el Bronx. El robo y el vandalismo redujeron el coche al mismo estado que el del barrio pobre.El vidrio roto del coche abandonado transmite una idea de deterioro, de desinterés, de despreocupación que va rompiendo los códigos de respeto y convivencia,. Es un testimonio de ausencia de ley, de normas, de reglas. Es como un cartel en el que alguien hubiera escrito: “Aquí vale todo”. Cada nuevo ataque que sufre el coche, reafirma, profundiza y multiplica esta idea.Experimentos posteriores desarrollaron la teoría de las ventanas rotas.. Si se rompe un vidrio de una ventana de un edificio y nadie lo repara, pronto estarán rotos algunos cristales de las demás ventanas. Si una comunidad exhibe signos de deterioro y esto parece no importarle a nadie, allí se genera el delito en cadena.La teoría de las ventanas rotas fue aplicada por primera vez a mediados de la década de los 80 en el metro de Nueva York, que se había convertido en el punto más peligroso de la ciudad. Se comenzó por combatir las pequeñas transgresiones: suciedad, graffittis, evasiones de pago, ebriedad, pequeños robos y extorsiones. Los resultados fueron rápidos y claros. Comenzando por aspectos pequeños se consiguió convertir el metro en un lugar seguro.Posteriormente, en 1994, Rudlph Giuliani, alcalde de Nueva York, basándose en la teoría de las ventanas rotas y en la experiencia del metro, impulsó una política de “tolerancia cero”. La estrategia consistía en crear comunidades limpias y ordenadas, no permitiéndose actuaciones que transgredieran la ley y las normas de convivencia urbana. El resultado fue el descenso significativo de los índices de criminalidad en toda la ciudad.
May 30 2009, 9:56am | Comments »
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Preservativos
http://dererummundi.blogspot.com/2009/04/preservativos.html
Como é habitual e ainda a tempo, a crónica de J. L. Pio de Abreu no "Destak" de sexta-feira passada:Sempre foram a solução mais simples para fruir o prazer sem conclamar as dores - de parto e outras. Os nossos antepassados conheceram-nos em materiais primitivos e incómodos, como a tripa de carneiro. Hoje, os novos materiais permitem que eles existam em todos os tamanhos, texturas, cores, cheiros e sabores. São objectos artísticos de uso amigável mas destino efémero.Tal como a privacidade do uso, a sua circulação era outrora secreta. Comprados a meia voz ao farmacêutico de confiança, logo voavam para os esconderijos dos psichés. Mas também isso mudou: oferecem-se agora em instituições de saúde, saem, a troco de uma moeda, de caixas colocadas em paredes oportunas, circulam em porta-chaves e apresentam-se num encontro quente ocasional como sinal de jogo limpo e sábia precaução.A utilização do preservativo assinala que a relação não tem intenções malévolas. Não consta que os violadores o usem, como não o usam aqueles que querem condicionar os parceiros. Também o não usa quem, consciente ou inconscientemente, se move pelo desejo oculto de espalhar nos outros o mal que transporta. Neste tempo, um relacionamento sexual desprotegido pode ser assassino.Com a privacidade cada vez mais difícil, existem hoje prazeres alternativos, como o protagonismo público. Às vezes, basta dizer certas palavras para se alcançar um orgasmo mediático. São em geral palavras insólitas, mas as malévolas e assassinas produzem o mesmo efeito. É aqui que os preservativos podem ser de novo úteis. Basta colocá-los na língua durante o protagonismo público.J.L. Pio Abreu
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April 6 2009, 5:19am | Comments »
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Se o Dono é Agressivo, o Cão é Agressivo
http://terrear.blogspot.com/2009/02/se-o-dono-e-agressivo-o-cao-e-agressivo.html
Según un estudio llevado a cabo por la Universidad de Pensilvania, en Estados Unidos, los perros adiestrados por medios agresivos continúan siendo peligrosos con el paso del tiempo, a menos que se modifiquen las técnicas de entrenamiento. El estudio, que duró un año, demostró que los métodos agresivos de entrenamiento de perros, que incluyen golpear a los animales o intimidarlos, no sirven para corregir en ellos comportamientos inadecuados, y de hecho pueden propiciar respuestas violentas por su parte.Fonte
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February 21 2009, 3:45pm | Comments »
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