A comunicação do stress "O teu tempo não vale nada, mas não o percas!". Na escola, o aluno aprende simultaneamente a "esperar" e a "despachar-se", o que marca alguns estudantes para o resto da vida, influencia a sua relação com o trabalho, com a sociedade, com a comunicação. O tempo escolar, por razões que nada têm a ver com a vontade dos professores, é um tempo fraccionado, regido pelo toque das campainhas ou pela divisão do trabalho; um tempo pouco negociado que, por diversas razões, parece escasso. Não se pode "ultrapassar" o tempo marcado, porque há um horário oficial, as regras e os hábitos do estabelecimento, os colegas que esperam, a hora para ir à cantina, o recreio, os trabalhos de casa a corrigir, a aula de Educação Física, os outros cursos, o catecismo, a aula de Música. O tempo escolar é calculado, calibrado, muitas vezes, de forma optimista, em função de uma tarefa, com poucos tempos mortos e com pouco tempo para se respirar. Todo o tempo de que se dispõe, na escola, tem de ser aproveitado para "dar o programa", sabendo-se, de antemão, que tal nunca será conseguido, mas é-se pressionado afazer de conta que sim, para se ir o mais longe possível.A maior parte das tarefas e das situações de comunicação, explicita ou implicitamente, harmonizam-se com uma forma de utilizar o tempo: "Primeiro leiam as instruções, depois façam os exercícios que têm de fazer ou que lhe pareçam mais acessíveis, e a seguirfaçam os outros; se tiverem tempo, releiam-nos e procurem corrigir os erros". O tempo escolar não está à disposição dos alunos, ainda que sejam eles que trabalham e aprendem. É a instituição que rege esse tempo, que exerce uma pressão constante e cria o stress: "Depressa! Despachem-se! Só têm cinco minutos!". A organização do trabalho escolar é, em larga medida, indiferente aos ritmos individuais. Quando o professor pede aos alunos para trabalharem qualquer documento, estabelece um determinado tempo para a leitura, baseando-se numa média. No final do tempo estipulado, há alunos que "desligam" logo do assunto: uns, porque não leram ou não compreenderam o texto; outros, porque tiveram tempo para o ler duas vezes e já estão fartos. A seguir, supondo que se organiza o trabalho por equipas, dando a cada uma vinte minutos, é quase certo que, no final deste período, enquanto alguns alunos ainda estão no início de uma autêntica discussão, outros já deram a volta ao problema e há muito que esgotaram o debate. Interrompe-se então toda a gente: os que estão em plena actividade e os que dizem que falta pouco para o recreio, os que acabaram e os que tinham necessidade de mais vinte minutos. O professor põe fim às reflexões pessoais ou às conversas de cada equipa, para obrigar cada aluno a reintegrar-se no grande grupo. E, em nenhum destes momentos, a comunicação foi livremente gerida pelos interlocutores.A estruturação social do tempo é uma dimensão de toda e qualquer experiência escolar, logo, é uma dimensão do currículo. O aluno aprende na escola que nunca se tem tempo e que, simultaneamente, há sempre tempo: o tempo de esperar que os outros acabem, que os outros lhe dêem a palavra, que os outros o queiram escutar, logo, uma relação no tempo bastante paradoxal e uma comunicação feita de uma mistura de precipitação e de impaciência ...Philippe Perrenoud, Obra citada infra
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Os paradoxos da comunicação na aula
http://terrear.blogspot.com/2010/06/os-paradoxos-da-comunicacao-na-aula.html
June 7 2010, 2:59pm | Comments »
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Barreiras à Comunicação
http://terrear.blogspot.com/2010/02/barreiras-comunicacao.html
- Diferentes quadros de referênciaAs diferentes experiências, valores, sentimentos, desejos, motivações, receios. Ambições, valores, expectativas das pessoas podem gerar diferentes significações2. Percepção selectivaDe entre as mensagens recebidas, as pessoas tendem a desconsiderar as que colidem com as suas perspectivas de vida ou não confirmam aquilo em que acreditam.3. Incompetência em escutarEscutar implica compreender os sentimentos do interlocutor; mostra interesse genuíno em ouvi-lo, não mostrar distracção, não interromper.4. Ausência de confiançaQuando impera a desconfiança, as pessoas retraem-se na transmissão de informações, as mensagens são alvo de “segundas” interpretações, vinga a concepção de que a “história não está bem contada”.5. Juízos de valor, estereótipos e preconceitosA interpretação projectada sobre a mensagem é influenciada pela avaliação que se faz do emissor.6. Credibilidade da fonteA credibilidade refere-se ao grau em que a informação proporcionada é credível. Depende, em grande medida, da confiança, carácter, competência, cortesia da fonte.7. Problemas semânticosAs mesmas palavras têm diferentes significados para diferentes pessoas.8. Diferenças culturaisAs pessoas de diferentes culturas interpretam distintamente as palavras e a linguagem não verbal. (e.g. no Brunei é considerado obsceno apontar com o dedo)9. Barreiras físicasA distância entre as pessoas, os ruídos, os problemas técnicos erigem obstáculos sérios à comunicação.10. Contexto/arranjo espacialO modo como os locais de trabalho estão organizados, assim como o local onde a mensagem é emitida/recebida, podem interferir na comunicação.11. ImpreparaçãoO emissor não se prepara ou tem dificuldade de comunicação.12. Estilos pessoais de comunicaçãoAlguns estilos pessoais de comunicação dificultam a comunicação. Pessoas de diferentes estilos preferenciais também podem ter dificuldade em comunicar.13. FiltragemOcorre frequentemente na comunicação ao longo da cadeia hierárquica. Consiste na distorção (sem sempre deliberada) da informação.14. Pressões de tempoAs pressões de tempo provocam descuidos na comunicação, induzem acções e palavras precipitadas, desviam a atenção do feedback , diminuem a disponibilidade para ouvir.15. Sobrecarga de comunicaçãoQuando há excesso de informação, não é possível absorver ou responder adequadamente a todas as mensagens recebidas.16. Fracas primeiras impressõesAs primeiras impressões que os comunicadores se formam mutuamente podem interferir em todas as mensagens recebidas.17. GéneroHomens e mulheres têm diferentes estilos linguísticos (eg. As mulheres sorriem mais do que os homens – frequentemente por razões que nada têm a ver com a satisfação ou a alegria…)18. Heterogeneidade da audiênciaQuanto mais heterogénea é a audiência mais difícil é comunicar.19. Contexto temporalO momento em que uma mensagem é comunicada pode interferir nos seus efeitos.20. Fornecimento e recebimento de feeedbackSem feedback, os comunicadores têm dificuldade em se ajustarem e compreenderem mutuamente.21. EmoçõesOs estados emocionais podem afectar o modo como as pessoas transmitem e recebem a informação.22. Características do meio/canalPor não comportarem mensagens não-verbais como as entoações de voz, as expressões faciais, os gestos… alguns meios empobrecem a comunicação.Fonte: Cunha, Rego, Cunha, Cabral-Cardoso (2007). Manual de comportamento organizacional e gestão. Lisboa: RH
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February 10 2010, 4:50am | Comments »
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Os Gestos e a Comunicação
http://terrear.blogspot.com/2009/10/os-gestos-e-comunicacao.html
La influencia de los gestos en la comprensión metafóricaNerea Aldunate (a), Carlos Cornejo (a), Vladimir López (a) y Rafael Núñez (b)(a) Escuela de Psicología, Pontificia Universidad Católica de Chile, Chile(b) Cognitive Science Department, University of California at San Diego, EEUU¿Cómo interactúan los gestos expresivos con el lenguaje? Estudios previos sobre lenguaje no figurativo sugieren que los gestos se procesan como información contextual a la cual el significado es sensible. En esta investigación se observa a través de los potenciales evocados que los gestos también influyen en la comprensión del lenguaje metafórico.La presencia de gestos en expresiones lingüísticas influye en el procesamiento del significado. Los estudios realizados a través de la técnica de los potenciales evocados (ERPs, del inglés “Event Related Potentials”) muestran cómo expresiones lingüísticas presentadas con gestos incongruentes se asocian a una mayor amplitud del componente N400 (un componente negativo cuyo punto máximo se presenta alrededor de los 400 ms después del estímulo), comparado con expresiones presentadas con gestos congruentes (p.ej., Kelly, Kravitz y Hopkins, 2004; Özyüreck, Willems, Kita y Hagoort, 2007). Este componente ha sido asociado tradicionalmente con la detección de incongruencias semánticas.Sin embargo, no hay conocimiento sobre la influencia de la aparición de gestos en el procesamiento del lenguaje figurativo y sus correlatos electrofisiológicos. Sabemos que expresiones figurativas como las metáforas elicitan mayor amplitud del componente N400 que las expresiones literales (Pynte, Besson, Robichon, Poli, 1996). Sin embargo, no sabemos si este componente podría verse modulado a su vez de acuerdo con la influencia de los gestos que acompañan la expresión. Específicamente, surge la pregunta por el efecto de los gestos en la comprensión de expresiones figurativas, como las metáforas, las cuales son incongruentes en su totalidad si consideramos el significado literal de cada una de las palabras que la componen. Esta pregunta es la que guía nuestra investigación, en la que pretendemos presentar evidencia electrofisiológica de la comprensión de metáforas coordinadas con movimientos gestuales (Cornejo, Simonetti, Ibáñez, Aldunate, Ceric, López y Núñez, 2009).
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October 20 2009, 5:09pm | Comments »
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Encontro
http://terrear.blogspot.com/2009/10/uma-foto-que-faz-parte-da-serie-que.html
Uma foto que faz parte da série que está em baixo. Não sei já do que falávamos. Da alegria de ensinar? Do prazer do conhecimento e do encontro? Da certeza de uma performance excepcional na defesa de uma dissertação que bem poderia ser a de um doutoramento? (pela relevância das questões de investigação, pela justeza do método, pela riqueza dos instrumentos que colectaram imensos dados que não puderam ser usados, pelo conhecimento conjectural que se adicionou ao já sabido, pelo modo de relatar as práticas de investigação, pela coragem de enfrentar o caos ...). Mas o que é nítida é a presença de um círculo de afecto - conheci enfim a Isabel C, confirmando-se tudo o que sabia - e reencontrei uma saborosa amizade tecida pelo destino.(e aqui fica a imagem para memória futura)
October 19 2009, 4:57pm | Comments »
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O Teletrabalho provoca incomunicação entre as equipas virtuais
http://terrear.blogspot.com/2009/09/o-teletrabalho-provoca-incomunicacao.html
Un estudio ha descubierto que 13 de los 14 problemas más comunes en los equipos de trabajo se encuentran entre los trabajadores que no comparten un mismo espacio físico y que los conflictos entre ellos son más duraderos y significativamente más difíciles de resolver. Además, los sistemas tradicionales empleados para resolver estos conflictos tienden por lo general a destruir no sólo las relaciones de trabajo, sino también la productividad general. El gran reto no está en la localización, sino en la comunicación, según los autores de esta investigación.Como seria de esperar.Texto
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September 6 2009, 2:07pm | Comments »
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É Com Grande Satisfação Que...
http://terrear.blogspot.com/2009/05/e-com-grande-satisfacao-que.html
Inauguro a manhã chamando à primeira página um depoimento do António, na entrada infra - em contraponto com o que normalmente corre pela net e que parece "celebrar" a miséria dos dia:Deixo aqui uma estória sobre cadernetas.7º ano.O J. era um bocado problemático. De vez em quando lá ia o recado na caderneta. Aliás a caderneta dele era uma espécie de cadastro... Um dia, o J. «portou-se bem»... No outro também...- J., dá cá a caderneta.- Mas ele não fez nada! - exclama a A., futura advogada dos oprimidos, de certeza.- Pois é mesmo isso que quero escrever na caderneta, é para os pais saberem que ele agora está mais responsável.Espanto colectivo... E enquanto eu escrevia era o silêncio total, todos a olhar...Quanto li o recado que começava assim :)«É com grande satisfação que, etc.», nem queiram saber como as cadernetas começaram a sair das sacas, até os que as não tinham trazido as apresentavam...
May 9 2009, 3:16am | Comments »
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AS DOZE TÍPICAS
http://terrear.blogspot.com/2009/04/as-doze-tipicas.html
Dá-se o nome de doze típicas aos doze tipos de respostas que a maior parte das pessoas utiliza quando pretende ajudar alguém a expor um problema que o aflige. São as seguintes:1. ExplicaçãoMandar, orientarDizer ao outro o que deve fazer.“Tens de...”, “Deves...”2. AmeaçarDizer ao outro o que poderá acontecer se não fizer o que lhe dizemos.“Se não fizeres isto, então...” É melhor fazeres isto, caso contrário...”3. Pregar um sermãoAludir a uma norma externa para dizer o que o outro deve fazer.“Um homem não chora”“Deves ser responsável”4. Dar liçõesRecorrer à experiência para dizer o que é bom e mau para o outro.“As crianças de agora são muito mimadas, no meu tempo isto não acontecia”5. AconselharDizer ao outro o que é melhor para ele/ela“Deixa de estudar” “Não deixes de estudar” “O melhor que tens a fazer é...”6. Consolar, animarDizer ao outro que o que se passa com ele tem pouca importância“Já vai passar”“Não te preocupes...”7. AprovarDar razão ao outroEstou de acordo contigo, o melhor é...”8. DesaprovarNão dar razão ao outro“O que dizes é uma tolice”9. OfenderDesprezar o outro por causa do que diz ou faz“Até pareces parvo”10. InterpretarDizer ao outro o motivo oculto da sua atitude“O que tu queres no fundo é chamar a atenção”11. InterrogarConseguir informação do outro“Quando?, Onde?, Porquê?”12. IronizarRir-se do outro“Pois claro, deixa de estudar, vai-te embora de casa, deixa o teu namorado e vai pedir esmola pelas ruas”As doze típicas têm uma característica comum: são um obstáculo à comunicação, uma vez que não ajudam a pessoa que fala a ser compreendida e, portanto, a contar o que ocorreu. Todas elas incluem um juízo negativo sobre o outro (eu sei o que deves fazer e tu não; o que se passa contigo tem pouca importância; estás-me a esconder alguma coisa...), ainda que, evidentemente, não seja essa a intenção de quem as utiliza. Além disso, em todas elas, quem pretende ajudar acaba por se transformar na medida dos problemas de quem lhe fala; é pois uma ajuda centrada em quem ajuda e não em quem pede ajuda.in Obra citada infra
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April 30 2009, 3:14pm | Comments »
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A arte de escuta total: perceber o que o outro nos diz através, daquilo que não nos diz
http://terrear.blogspot.com/2009/04/arte-de-escuta-total-perceber-o-que-o.html
Só uma observação atenta do nosso interlocutor nos dá acesso à escuta total: a escuta da sua linguagem verbal, da sua linguagem não verbal e da linguagem para verbal. Naturalmente, praticamos uma escuta intuitiva da linguagem não verbal dos nossos interlocutores. Para se convencerem disso, podem tentar as seguintes experiências: proponha ao seu par irem ao cinema enquanto se instala confortavelmente no cadeirão e liga a televisão: Observe o resultado…O que é que ele compreendeu? Qual é a usa atitude? Pode também pedir a alguém para fazer alguma coisa utilizando um tom interrogativo e um verbo no condicional: aqui também, observe o resultado… Há nove hipóteses em dez, do seu interlocutor estar desconcertado e de que não faça nada do que lhe pediu. A linguagem não verbal constitui o essencial da nossa comunicação. No entanto, frequentemente, estamos muito pouco conscientes de que ela nos escapa quase totalmente. Eis alguns pontos de referência para uma escuta total do seu interlocutor.Lembremo-nos sempre, quando escutamos a linguagem não verbal de um interlocutor, que esta linguagem é sempre relativa a esta pessoa, num determinado contexto. O mesmo gesto pode ter significados inversos para dois indivíduos em dois contextos diferentes. Um interlocutor que toma uma postura rígida, que se senta cautelosamente na borda da sua cadeira e depois não se mexe mais, pode, desta maneira, manifestar a sua inquietação, o seu mal-estar ou a sua rigidez interior…mas pode também ter um lumbago ou um torcicolo…È por isso que, toda a observação precisa de ser validada, verificada. Frequentemente, as mudanças de atitudes são mais significativas que as próprias atitudes: escutar a linguagem não verbal é pois treinar-se a observar as pequenas mudanças que se produzem em cada interlocutor: mudança de respiração, de ritmo, de tom, de atitude física…É a seguir, relacionar as nossas observações com o conteúdo verbal que as acompanham. Cada mudança tem um sentido, cabe a nós descobri-lo, advinha-lo depois validá-lo permutando as nossas hipóteses com o interessado Neste sentido, uma informação fora do seu contexto não tem qualquer valor. Eis algumas pistas para se treinar escutar o não dito do seu interlocutor.Escutar o corpoOs sinais comportamentais são inumeráveis. Eis alguns. A sua lista está longe de ser exaustiva. A observação dos comportamentos ajuda-nos a entrar no mundo do outro, a compreender as suas emoções, o seu estado de espírito…O modo de se apresentarComo é que o seu interlocutor lhe aperta a mão? O aperto de mão demasiado forte faz pensar que o outro força a sua naturalidade. Demasiado fraco, indica que o outro se posiciona em recuado na relação… ou que ele tem o espírito noutro lugar?Que olhar acompanha este aperto de mão? Um olhar fugidio que traduz um mal-estar, um olhar altivo que assinala um certo desprezo? Um olhar franco e calmo?Que imagem desprende o seu interlocutor? Como caracteriza a sua atitude? Clara, sombria? Espontânea, artificial? Aberta, fechada? À vontade, simples ou reservada? Distante?A ocupação do espaçoComo é que o seu interlocutor ocupa o espaço? Como modifica a sua posição à medida que a troca se desenvolve? Está na ponta da cadeira “ em visita”? Molengão, quase deitado no sofá? Familiar? Demasiado familiar? Provocador? Está tenso, especado, ou muito direito e mobilizado?Como é que ele trata o seu espaço: tem tendência a invadi-lo, a aproximar-se demasiado? Ele limita o espaço dele? Ele tem necessidade de distância física? Tem o sentido dos limites? Deixa-o respirar?O passoComo caracterizar o passo do seu interlocutor? Decidido, hesitante, rápido, lento? Ele dá-vos informações sobre diferentes aspectos. Fornece elementos sobre a sua liberdade de espírito, a sua serenidade: ele força a sua naturalidade? O passo parece-lhe estudado? Espontâneo? Livre? Agitado? Pode igualmente tirar informações da sua relação com o tempo: a que velocidade caminha ele? Tem o passo precipitado de pessoas sempre apressadas, sempre em desequilíbrio? Ele sente, constantemente, a necessidade de se despachar? Ou pelo contrário, adopta de bom grado uma atitude fleumática, mesmo mole?O modo de se manter de péPara caracterizar a sua postura pode fazer as seguintes perguntas: Ela indica uma atitude de fecho ou uma atitude de disponibilidade e de abertura? Os gestos de retorno para si, predominam sobre os gestos para o outro? A postura é tónica? A mobilização sobrepõe-se à espera?Sente-se uma aparência tensa, pressionada ou, pelo contrário, uma descontracção, uma naturalidade ou uma construção? Sente-se uma coluna vertebral sólida? Ele abana o pé com irritação?Os movimentos automáticosDão informações sobre o nível de conforto físico e psicológico da pessoa conforme o que ela mais ou menos se mexe, de modo mais ou menos harmonioso, o que brinca com um objecto, tossica, tem tiques…O modo de se vestir…Dá informações sobre o posicionamento das pessoas face à sociedade, ao grupo. Dá indicações sobre o nível de “ conformidade” do seu interlocutor, sobre os espaços de liberdade que ele se concede, as permissões a que se dá. Informa, também, sobre a sua capacidade de respeitar, ao mesmo tempo, as regras do contexto e o seu próprio conforto pessoal.As diferenças de comportamentoPode discernir a selectividade e mesmo o elitismo do seu interlocutor: como é que ele se comporta perante pessoas de estratos sociais diferentes? Que desvios de comportamento observa em função das pessoas com quem ele fala? A que é que dá importância? Ao estatuto social? Aos sinais exteriores de riqueza?Os gestosA través dos gestos pode diferençar o estado de tensão, de controlo, de impulsividade, de liberdade, de inquietação, mesmo de stress ou de conforto…do seu interlocutor. Claro que, aqui também, este estado pode alterar-se no decorrer da troca: pode mesmo provocar a mudança através das suas palavras e da sua linguagem não verbal. A escuta dos gestos exige, pois, uma vigilância permanente.Os gestos informam-nos sobre a capacidade de expansão do interlocutor ou sobre os limites que ele se impõe, sobre o seu grau de confiança ou de desconfiança: todos os gestos de abertura que se soltam do corpo, favorecem uma respiração ampla e profunda, vão ao encontro da expansão. Os gestos de retracção, de fecho vão ao encontro sentido da desconfiança.Que partes do discurso o nosso interlocutor pontua com gestos? São as partes às quais dá mais importância, mais força. Pelo contrário, de que é que duvida? Em que pontos procura aprovação da nossa parte?Os gestos podem ser dominados ou contidos ou sinais de emotividade ou de tensão. A observação deles deve permitir-lhe distinguir se eles servem para dar contenção, como mexer no anel, no lápis, acender um cigarro, ou, se servem para descontrair uma situação vivida como difícil, como por exemplo acariciar a face ou o braço.Escutar o rosto e a vozO olharComo é que o seu interlocutor o olha? Ele evita o seu olhar? Olha-o nos olhos? o que é que isso quer dizer: firmeza interior, naturalidade forçada, atitude provocadora? Que olhar lança em seu redor? Tem um olhar interior, de quem reflecte quando fala, o olhar fixo de provocador, o olhar móvel do curioso que observa tudo o que o rodeia? Onde vai o seu interlocutor buscar o que lhe diz?[1] Nas imagens (olhar dirige-se mais para o alto?) Num discurso interior (o olhar dirige-se para baixo à esquerda?) Nas sensações cinestésicas (o olhar dirige-se para baixo à direita)?As expressões do rostoA expressão do rosto, e, muito particularmente, dos olhos, do olhar, mas também da boca, tem importância para aceder ao mundo interior do interlocutor. Um rosto diz muito a quem sabe perder o tempo a lê-lo. Revela-se através da mobilização dos seus músculos e do lugar que nele têm os órgãos dos sentidos, e muito em particularmente o nariz, a boca e os olhos. A sua acuidade deve recair sobre a aprendizagem da leitura dos sentimentos interiores exteriorizados pelas expressões visíveis e pelas suas evoluções consoante a evolução dos contextos. Uma boca pode ser desdenhosa, desprezível, desgostosa, sorridente, fina e dura, caricata… Um olhar pode ser vivo, expressivo. Pode também ser fugidio, por vezes perturbado. Pode ser provocador, pelo modo, como a pessoa olha ostensivamente algures ou como fixa o seu interlocutor nos olhos. Pode ser interiorizado como o do investigador. Pode ser exteriorizado, como o do extrovertido que se procura no outro, que vai procurar o outro para o trazer para ele, que procura estabelecer contacto. As narinas podem ser afiladas, podem vibrar e indicar a sensibilidade à flor da pele daquele que “sente”, do instinto criativo…A expressão do discursoDá informações sobre o estado de espírito. Como é que o seu interlocutor pontua a sua expressão? Ele escuta-se falar? Dá-se ou não a grandes ares para dizer as coisas… interessantes? Banais? Complicadas? Concretas? Abstractas? Quem lhes dá valor? Quem o desvaloriza?A respiração, a voz, a sua tonalidade, o seu ritmoA voz dá informações tanto mais importantes quanto ela é difícil de dominar. Ela está ligada às emoções e à respiração cujo ritmo e profundidade, ela segue.O interlocutor está tanto mais à vontade e distendido quanto toma tempo para respirar, quanto retoma a sua respiração, faz pausas…Um bom indicador do conforto emocional é a harmonia entre os gestos e a respiração.Pode reparar nos momentos em que, de repente, a respiração muda: alguma coisa acabou de acontecer na relação. Se a respiração tornou-se curta e rápida, o que é que isso significa?O tom de voz e a fluênciaO tom de voz indica até que ponto o seu interlocutor está mobilizado e presente na relação. Ritmado, claro, firme, distinto, ele favorece a escuta e a expressão do carisma. Como caracterizar o tom do seu interlocutor? Firme? Hesitante?A fluência é rápida? Hesitante? Precipitada? Lenta? As mudanças de tom dão informações sobre o que se passa com a pessoa, no instante presente. Convém, pois, verificar o momento em que elas acontecem, o sujeito que as provoca e de procurar o seu significado através de um questionamento adequado O tom pouco preocupado, pouco convencido indica, quer o grau de interesse da pessoa pela relação em curso, quer uma posição de vida distanciada por defesa, por medo de sofrer. Aquele que gosta de jogar com a sua voz, com o seu ritmo, a sua tonalidade, gosta do jogo da relação e demonstra, na maior parte das vezes, tacto.A nossa observação nunca nos deve fazer esquecer que um comportamento é relativo a uma pessoa num determinado contexto: cruzar as pernas não tem o mesmo significado para todos nós. Por isso, atenção às interpretações apressadas.Conclusão: escutar a acção e a ambiência.Numa relação, a escuta do outro liga-se quer à acção quer à ambiência. No capítulo v encontrará elementos para escutar a acção e a ambiência à sua volta. Eis algumas referências principais de questionamento.Escutar a acçãoQual é o conteúdo das nossas trocas? Que dizemos? Sobre que temas comunicamos? Noutros termos, qual é a intriga da nossa relação? Qual é a história que vivemos juntos? Qual é o explícito da relação?Perceber a ambiênciaEm que atmosfera se desenrola a nossa acção? Trepidante? Tensa? Amigável? Abafante? Fria? Quente? Intrometida? Respeitadora?O que se joga na nossa relação por detrás da intriga? Que jogos de influência estão subentendidos? O que implícito da relação?Escutar a coerênciaA acção que se desencadeia está em coerência com a ambiência latente? A maior parte das vezes, quando sentimos um mal-estar inexplicável numa relação, ele resulta da incoerência entre o explícito da relação e o que se desencadeia de forma implícita. Este mal-estar deve ser sempre para nós, o sinal de um elemento novo a integrar. Ele assinala um problema para resolver.[1] NOE Cf. Blandler et Grinder, inventeurs da PNL, Les secrets de la communication, le Jour, 1982.Mathieu Maurice. Construir a autoridade natural.
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April 5 2009, 4:34pm | Comments »
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