"Uma equipa de investigadores, constituída por neurobiólogos, imagiologistas e matemáticos, estudaram durante duas semanas o rosto de Mona Lisa no famoso retrato de Leonardo da Vinci. O objectivo da investigação foi o de determinar se existe ou não concordância entre o enigmático sorriso e os níveis de domapina no encéfalo do modelo, Lisa del Giocondo, durante a pintura do retrato. Neste estudo foram usados algoritmos que analisam o estado de contracção relaxação dos cerca de 50 músculos faciais que sustentam a arquitectura do sorriso e interpolam os níveis de actividade das vias neuronais responsáveis por tal controlo. As soluções são depois sobrepostas com os níveis de actividade das vias dopaminérgicas responsáveis por um tal sorriso e calculado o grau de verosimilhança da emoção por de trás do mesmo. Para grande espanto de todos os envolvidos, a equipa de cientistas chegou à conclusão de que o conhecimento actual é insuficiente para interpretar os resultados obtidos: a incerteza associada aos valores determinados sustentaria qualquer conclusão! De facto, um problema técnico impediu os cientistas de eliminar o efeito da técnica sfumato, utilizada por Leonardo, a qual causa interferência aleatória na informação medida, impedindo a distinção entre as diferentes amostragens e os respectivos valores de controlo.Por isso, a equipa de cientistas, depois de acérrima votação de braço no ar, decidiu efectuar uma segunda visita ao Museu do Louvre, onde está exposta a obra do génio renascentista, quando o conhecimento e a tecnologia permitir repetir a experiência e obter resultados claros sobre se Mona Lisa estaria ou não a sorrir neuronalmente. Ou seja, se o sorriso corresponde de facto ao que Lisa del Giocondo estava a sentir quando foi pintada por Leonardo da Vinci entre 1503 e 1507. A próxima visita ficou agendada para o ano de 2015."António Piedade
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Sfumato na dopamina de Mona Lisa
http://dererummundi.blogspot.com/2011/02/sfumato-na-dopamina-de-mona-lisa.html
February 6 2011, 3:03pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Descoberta notável de colecção de peixes colectados no Séc. XVIII
http://dererummundi.blogspot.com/2011/01/descoberta-notavel-de-coleccao-de.html
Durante os trabalhos de levantamento sistemático das colecções pertencentes à Universidade de Coimbra, com o objectivo de completar o inventário, deparámo-nos com um achado absolutamente extraordinário entre as colecções zoológicas.Guardados dentro de uma grande caixa de folha de flandres, encontravam-se 68 peixes de diferentes espécies conservados em seco, montados sobre cartão com a designação científica no sistema de Lineu, e alguns com dois nomes vulgares, um em português e o outro numa língua indígena do Brasil. Os cartões são contornados por um filete, nalguns casos preenchido a aguarela azul, com letra a preto numa caligrafia perfeita. O seu excelente modo de conservação através desta técnica descoberta no séc. XVIII, “em herbário”, em que apenas metade do exemplar era preservado prensado sobre uma folha de cartão e, depois de seco, envernizado e com esta qualidade, revelam inequivocamente a sua origem nas colecções do Real Museu da Ajuda com a caligrafia da Aula do Risco. No arquivo do Museu Bocage, existe o registo de uma importante remessa de espécimes do Real Museu para a Universidade de Coimbra datada de 1806, grande parte deles com origem na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. Este registo, “Relação dos Produtos naturais e industriais que deste Real Museu se remeteram para a Universidade de Coimbra em 1806”, largamente estudado na secção de materiais etnográficos e antropológicos, refere o envio de 60 exemplares de peixes das colecções do Real Museu. Ao compararmos as designações científicas de Lineu nos exemplares, com o documento da remessa, verificamos que cerca de metade dos géneros indicados correspondem aos da colecção encontrada. Trata-se então de uma parte das recolhas que o grande naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira realizou para a coroa portuguesa na bacia do Amazonas, durante uma década, entre 1783 e 1792. Uma das mais notáveis e prolongadas expedições de naturalistas, realizadas durante o Séc. XVIII, procurando o conhecimento científico e sistemático da natureza exótica que então se descobria. As colecções enviadas para Portugal pelo naturalista, foram alvo de muitas vicissitudes, encontram-se dispersas por várias instituições incluindo uma parte levada para Paris durante as invasões francesas. Em particular, das colecções enviadas para Coimbra apenas está bem estudada a excelente colecção etnográfica dos índios da Amazónia. Neste momento, o Museu da Ciência tem em curso um projecto de investigação de história da ciência da Universidade de Coimbra, em que se procede ao estudo destas colecções fundadoras dos primeiros gabinetes universitários portugueses. A descoberta destes exemplares é absolutamente notável por se tratar de uma colecção raríssima, havendo poucos exemplares do Séc. XVIII de peixes do Brasil, montados deste modo, em todo o mundo – conhece-se um conjunto de 18 espécimes, com estas características, na Academia das Ciências de Lisboa -, além de abrir uma nova perspectiva quanto ao estudo e conhecimento das recolhas deste naturalista. É uma importante descoberta para a história natural em Portugal, para a história da ciência e para o estudo da biodiversidade, realizada mesmo no final do Ano Internacional para a Biodiversidade.
January 27 2011, 1:34pm | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A Ciência de 2010 em imagens.
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/ciencia-de-2010-em-imagens.html
LHC: uma das imagens de 2010Certinho como a morte e os impostos, os finais de ano são aproveitados por jornalistas, bloggers, portais virtuais e outros meios de comunicação para fazerem o balanço do ano. Não querendo quebrar com essa tradição, deixo-vos, aqui, uma lista das 72 imagens mais excitantes do mundo da Ciência e Tecnologia deste ano, um trabalho elaborado pela revista PopSci.
December 19 2010, 4:22am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A CIÊNCIA EM DIRECTO (2)
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/ciencia-em-directo-2.html
Crónica publicada no "Diário de Coimbra". (Foto: imagem de satélite do Lago Mono, na Califórnia)No passado dia 3 de Dezembro a revista Science publica um artigo da responsabilidade de microbiologistas da NASA, no qual estes alegam terem identificado uma estirpe bacteriana da família Halomonadaceae, designada por GFAJ-1, capaz de crescer substituindo os átomos de fósforo das suas biomoléculas por arsénio. Assim sendo, os exploradores em demanda da existência de vida fora do planeta Terra, poderiam adicionar este outro elemento á lista daqueles que são utilizados para monitorizar a procura, e que são, por agora, hidrogénio, carbono, nitrogénio, oxigénio, enxofre e fósforo.Como é habitual, a comunidade científica em geral, e os especialistas em microbiologia em particular, analisaram minunciosamente o artigo e os materiais adicionais fornecidos pelos autores e pela revista Science. Rapidamente, foram publicados em diversos meios (outras revistas como a Nature, edições electrónicas, blogues, etc.) reacções que, em resumo, indicam o seguinte: através da análise dos dados publicados pelos autores, não se pode concluir que a bactéria em causa tenha substituído fósforo por arsénio como solução de adaptação ou de sobrevivência à escassez do primeiro e à abundância do segundo. Por outras palavras, os dados apresentados não sustentam todas as alegações e conclusões dos microbiologistas da NASA!A comunicação social deu voz a diversos comentadores. Estes tentaram explicar e descodificar o conteúdo e implicações do artigo publicado, principalmente como resposta ao comunicado da NASA e à potencial aplicação da descoberta na procura de vida exoplanetária. Mas o entusiasmo público esmoreceu à medida que a normal análise e avaliação pelos pares científicos fez emergir reticências e pontos finais. É que para outros microbiologistas de laboratórios internacionais, os investigadores da NASA fizeram má ciência, forçando os resultados a suportar o que eles queriam à partida mostrar: que um tipo de bactéria extremófila, que vive em ambientes extremos, como o do lago Mono na Califórnia, era capaz de utilizar arsénio nas suas funções vitais. Aliás, a análise rigorosa dos mesmos resultados que apresentam no artigo não suportam tal conclusão e até já foi sublinhado a ausência de experiências de controle necessárias para retirar qualquer outra interpretação (ver este bom exemplo)!Mas, porquê o arsénio? Por se encontrar em abundância no Lago Mono?Por um lado, estando este elemento químico, e compostos dele derivados, normalmente associado a problemas de toxicidade na sua relação com os seres vivos, a sua incorporação em processos e moléculas vitais amplia, naturalmente, o espanto e a estranheza desta aparente habilidade irónica da vida. E galvaniza a procura de biodiversidade em condições adversas e extremas!Por outro lado, fósforo e arsénio pertencem ao mesmo grupo (15 - VB) da classificação periódica dos elementos. Partilham propriedades físico-químicas semelhantes, com variações na sua reactividade. Por exemplo, as ligações químicas que o arsénio pode estabelecer com quatro átomos de oxigénio, formando o ácido arsénico (H3AsO4), são menos estáveis do que quando estas são estabelecidas com o fósforo. De facto, o composto que resulta no último caso, o ácido fosfórico (H3PO4) e os seus correspondentes sais fosfatados são ubiquamente utilizados pela vida.Com a eventual substituição directa de átomos de fósforo (símbolo químico P e número atómico 15) nas biomoléculas referidas, por átomos de arsénio (símbolo químico As e número atómico 33) e sendo este maior, prevêem-se perturbações na estrutura, estabilidade e, consequentemente, na funcionalidade reactiva das biomoléculas, com reflexo na viabilidade das funções vitais.Tanto quanto se sabe, os processos bioquímicos íntimos à vida dependem de interacções espaciais tridimensionais entre os átomos que formam as moléculas dos processos vitais. Se um desses átomos é substituído por um outro maior, essas interacções são alteradas na sua estabilidade, na sua reactividade, no tempo necessário para que uma determinada reacção possa ocorrer. Neste ano dedicado à biodiversidade, o aparecimento de um potencial outro elemento químico entre os essenciais à vida, até parece uma formulação de boas-vindas ao próximo ano que se aproxima. Até porque o de 2011 foi dedicado pela UNESCO à Química. No mínimo, uma passagem de testemunho muito interessante.Mas porquê o arsénio?António Piedade
December 13 2010, 9:52am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A CIÊNCIA EM DIRECTO?!
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/ciencia-em-directo.html
Minha crónica no "Diário de Coimbra". Vivemos de facto tempos simultaneamente entusiasmantes e estranhos.Entusiasmantes, porque a novas tecnologias de informação e os agentes do “mass media” permitem, a qualquer um de nós, assistir quase em directo ao processo científico e ao resultado de determinada experiência. Entusiasmantes, compaginadamente, porque pressentimos a emergência de novas descobertas, em diversas áreas científicas, que podem mudar paradigmas actuais.Não é de hoje. Foi assim com o Homem na Lua, há mais de 40 anos. Nesse caso, não se tratou só da transmissão de uma experiência científica (a comprovação de que as nossas leis da gravidade estão, a esta escala, mais ou menos correctas) mas também a concretização de um feito tecnológico.Desde então, verificamos a massificação do fenómeno informativo. Não me espantaria se determinado canal de informação televisivo transmitisse em directo uma certa experiência, com os resultados a serem comentados pelos próprios investigadores e enquadrados, no conhecimento geral, por um comentador científico, sentado no estúdio com o pivot do programa informativo.Mesmo “sem saber ler nem escrever”, qualquer um de nós poderia compreender o que se estaria a passar se o comentador conseguisse traduzir por miúdos a necessária terminologia científica.Uma vez que alguma da investigação científica é financiada por todos os contribuintes, o cidadão poderia verificar, em directo, antes da telenovela das nove, as dificuldades, os sucessos, os erros, as angústias, os resultados e as suas eventuais aplicações na resolução de problemas comuns. Por exemplo, na “luta” contra um determinado tipo de cancro que estivesse a corroer a vida do personagem principal da telenovela!É claro que o processo científico é longo e não me parece muito exequível agendar directos para ver o resultado final. Por outro lado, como sabemos, em ciência não há resultados finais. Mas há sempre resultados, mesmo que muitas vezes indiquem que chegamos a um beco sem saída, ou que a pergunta directriz da hipótese inicial foi mal formulada. Compreendo que um “não”, a verificação de um erro, não seja muito estimulante. Mas faz parte da verdade. E seria muito formativo transmitir a verdade, em palavras simples e tangíveis. Não tenho dúvidas de que o cidadão comum se interessaria e se entusiasmaria com esta demanda pelo conhecimento verdadeiro e útil.Na arena da ciência em directo, mesmo que em diferido, chamo a vossa atenção para "Journal of Visualised Experiments", revista em formato Web onde os cientistas demonstram e comentam os resultados das suas experiências utilizando todo o potencial que emerge dos "new media".Vivemos tempos estranhos. Para captar a atenção de todo o mundo, a NASA antecipa a publicação de um artigo na revista Science criando falsas expectativas que são instantaneamente disseminadas, com avidez de espectáculo, por todas as agências de comunicação. É compreensível que a agencia espacial norte-americana precise de se evidenciar “galacticamente” para captar financiamentos. Com a leitura do artigo em causa, a análise do que é novo mostra que há novidade. Uma bactéria é capaz de substituir fosfato por arsénio. Contudo, é muito interessante comprovarmos mais uma vez que as bactérias, seres unicelulares, continuam a ter esse potencial intrínseco à vida, o de esgrimir todos os argumentos bioquímicos para sobreviver. É assim, há pelo menos 3,6 mil milhões de anos.Brevemente, abordarei a interacção do elemento arsénio e seus compostos com os seres vivos. António Piedade
December 3 2010, 5:14am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Universo Observável
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/universo-observavel.html
A propósito do texto do Miguel Gonçalves e dos meus recentemente aqui e aqui colocados a propósito do Universo observável e existência de energia e matéria negra em quantidades quase totalitárias, ocorreu-me a história que a seguir conto, numa adaptação minha. Aliás, quando me interrogo sobre o "universo", enquanto objecto de estudo e de observação através do método científico, esse exemplo surge imediata e recorrentemente.“Numa noite escura que nem breu, um sujeito percorre uma rua. Aproxima-se de uma zona iluminada pelo único candeeiro público que conhece. Verifica que há um outro sujeito à procura de algo na zona iluminada e pergunta-lhe:- Desculpe, anda à procura de alguma coisa?- Sim, da chave de minha casa? – Responde atarefado o segundo sujeito.- Tem a certeza de que foi aqui que a perdeu? – Retorque o primeiro.- Não, mas esta é a única zona iluminada onde a posso procurar.”Esta breve e quase anedótica história é uma boa caricatura do trabalho científico: mesmo que teoricamente seja mais provável que a "chave" esteja logo ali ao lado da zona iluminada, só quando tivermos tecnologia que nos permita estender a procura nesse outro lado é que poderemos efectuar observações. As luas de Júpiter já orbitavam este planeta no tempo de Ptolomeu, mas foi preciso observar através da luneta de Galileu para as encontrar.A energia e matéria negra pressente-se teoricamente para explicar o nosso actual modelo do Universo, mas precisamos da tecnologia dos aceleradores de partículas para a podermos encontrar e caracterizar.Por outro lado, é espantosa a capacidade preditiva dos modelos científicos que "guiam" o desenvolvimento tecnológico à procura de novas observações que eventualmente os possam comprovar, mas que também poderão demonstrar que estavam muito desajustados da realidade.É assim a ciência.António Piedade
November 30 2010, 3:39am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Isso é unitário?
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/isso-e-unitario.html
A comunicação da ciência entre os pares, se os pares são, como devem ser, críticos, pode revela-se particularmente difícil e embaraçosa. Até o brilhante Feynam sentiu essa dificuladade e esse embaraço, como a seguir se conta: “Quando encarou os seus colegas mais velhos na sala do Pocono Manor, Feynman deu-se conta de que estava a ficar cada vez mais confuso. Ao contrário do habitual, sentia-se nervoso. Não tinha conseguido dormir. Também tinha assistido à apresentação do elegante trabalho de Schwinger e temia que, ao lado desta, a sua comunicação, parecesse inacabada. Procurava transmitir um novo programa para efectuar os cálculos mais exactos que a física actualmente exigia (...).As ideias eram estranhas e o seu estilo displicente irritou alguns dos europeus. As suas vogais eram uma espécie de rugido rouco típico dos citadinos. As consoantes eram mal articuladas, de um modo característico das classes baixas. Oscilava para trás e para a frente e fazia rodar rapidamente um pedaço de giz entre os dedos, em todas as direcções. Faltavam-lhe poucas semanas para completar 30 anos, já estava a ficar velho para passar por um menino prodígio.Tentou passar por cima de alguns pormenores que podiam ser mais controversos — mas demasiado tarde. Edward Teller, o conflituoso físico húngaro que estava a caminho da chefia do projecto do pós-guerra de construir a super bomba, a bomba de hidrogénio, interrompeu-o com uma questão de física quântica básica: «E o princípio da exclusão?»Feynman tinha querido evitar isto. O princípio da exclusão significava que apenas podia haver um electrão num dado estado quântico: Teller pensou que o tinha apanhado a tirar dois coelhos de um só chapéu. Na realidade, no esquema de Feynman, as partículas pareciam violar este princípio, tão acarinhado, ao adquirirem existência durante um instante fantasma.— Isso não altera nada ... — começou ele por responder.— Como sabe?— Sei. Parti de ...— Impossível! — exclamou Teller.Feynman desenhava estranhos diagramas no quadro. Mostrou uma partícula de antimatéria a recuar no tempo. Isto confundiu Dirac, o homem que tinha previsto, pela primeira vez, a existência de antimatéria: Dirac fez-lhe, então, uma pergunta sobre a causalidade:— Isso é unitário? — Unitário! Que diabo queria ele dizer com aquilo?— Eu explico-lhe — disse Feynman, e assim pode ver como isto funciona, depois dir-me-á se é unitário. — E continuou. ...”Referência bibliográfica: Gleick, James (2005). Feynman, a natureza do génio. Lisboa: Gradiva, página 12.
- Tags:
- comunicação de ciência
November 21 2010, 10:32am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
O tio Rómulo
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/o-tio-romulo.html
Crónica publicada no jornal electrónico "Boas Notícias".Vasco está tonto. Não tonto de tolice, que lá tolo é que ele não é. Pelo contrário, está tonto de andar com a cabeça às voltas. Não às voltas como a Lua ao redor da Terra. Às voltas com os poemas que o tio Rómulo lhe está a ler, numa noite de lua cheia, à soleira da porta para aproveitar o Veranico de São Martinho dito.“Então não é que é a Terra que anda à volta do Sol!”, diz o tio com ar de provocação depois de ler “Um Poema para Galileu”, de António Gedeão. “Mas isso” exclamou Vasco, “não faz nenhum sentido aos sentir dos meus olhos!” “Sou capaz de jurar a pés juntos que o Sol nasce a nascente e se põe a poente, e que faz isto a girar por cima do horizonte, lá em frente no palco do mundo! E sou capaz de jurar que de noite, o Sol passa por de baixo da Terra para, no dia seguinte, e depois do galo capão cantar, voltar a despontar em alvorada de novo a nascente.” “Não”, diz o tio Rómulo com voz certa da verdade que há nos homens de ciência e, claro, também nos poetas. “É exactamente o contrário. E é a ciência que nos ajuda a discernir, sem ilusões e preconceitos, a aparência criada só pela simples observação.” “É preciso questionar e planear novas e minuciosas observações, para chegar a constatações a que qualquer um pode chegar, se fizer as mesmíssimas observações.” “E é preciso experimentar, a ideia que temos das coisas que nos rodeiam, para a despir de aparências e ilusões.” “Mas o que vejo não é real?”, pergunta Vasco intrigado. “Se os sentidos são reais, Vasco? Sim, claro que são e ainda bem que são”, afirma o tio Rómulo. “Mas a maravilha dos sentidos está mais em deixar o cérebro também ver, ouvir, cheirar... Para depois fazer a pergunta certa, a que abre novos horizontes e desvenda o que antes parecia pura contradição.” “E a magia deixa de estar no fenómeno e passa para o deslumbramento das ideias e do sonho…”continuou o tio Rómulo. “Sim, porque como diz o poeta no outro poema, o da ‘Pedra Filosofal’, é o sonho, essa essência neuronal, é o sonho que comanda a vida. Mas depois do sonho nos transportar através de aparentes contradições, surge a curiosidade de experimentar a eventual ideia que dele emerge!”Vasco está estupefacto. Nos seus olhos cintila o brilho das estrelas, o rosto prateado pelo Luar. “Os homens sonharam ver mais e mais para além e aquém do que os olhos vêem”, continua o tio Rómulo e levanta-se. “E o Homem do primeiro poema, o florentino Galileu Galilei, depois de muitas e persistentes observações dos satélites e das estrelas, fez cair uma secular ilusão: a de o Sol rodar em torno da Terra. Pelo contrário,” realça o tio Rómulo, “é a Terra que gira à volta do Sol e à razão de trinta quilómetros por segundo!” Rómulo, ergue as duas mãos e deixa cair uma castanha e um grande pião. E não é que caíram ao mesmo tempo no chão! “Sabes que o mesmo acontece com todos os corpos com massa, independentemente do seu peso?” perguntou o tio. “Todos caem dependendo, não do seu peso, mas da razão directa do quadrado dos tempos.”“E é pela mesma acção da força da gravidade, que atrai a castanha para o chão do planeta e este para o fruto, que a Terra gira em torno do Sol”. O tio Rómulo fita o enxame estrelado da via láctea no espaço sideral e diz: “E Sol e Terra, juntos, giram por sua vez à volta de outros sóis, sob essa força de atracção, a da gravidade, que atrai os corpos com massa na razão inversa do quadrado das distâncias.” “Por isso, é que estamos sentados na soleira da porta e não a voar em direcção às estrelas longínquas, astros que nos iluminam com o brilho do seu passado.” “Mas podemos sonhar que voamos sem ainda o fazer?”, pergunta Vasco. “Sim”, responde Rómulo, “através do sonho conseguimos, pois ´o sonho é uma constante da vida tão concreta e definida como outra coisa qualquer`”.António Piedade
November 12 2010, 4:50am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
Notícias do Inimigo Público abrem ciclo de reflexão sobre media
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/noticias-do-inimigo-publico-abrem-ciclo.html
Informação recebida da Livraria Almedina de Coimbra:David Marçal, autor de humor científico no suplemento do Público, é o primeiro convidado da iniciativa promovida pela Almedina Estádio Cidade de Coimbra. No dia Dia 28 de Outubro, às 21 horas.De onde surgem as notícias falsas do Inimigo Público? Como se processa a desconstrução satírica das notícias? David Marçal levanta o véu sobre os mistérios da criação noticiosa humorística, na próxima 5.ª-feira, à noite, na livraria Almedina Estádio. A sessão, intitulada “As Notícias Falsas do Inimigo Público”, decorre no âmbito do ciclo de tertúlias “O Discurso dos Media”, que se vai prolongar até Dezembro. A entrada é livre.Uma das primeiras “revelações” do convidado da livraria Almedina diz respeito aos critérios de selecção das notícias. “O que conta é a importância na actualidade noticiosa, os interesses e gosto dos autores”, adianta David Marçal. “Claro que há notícias que são mais satirizáveis do que outras: é muito difícil fazer humor sobre humor e é muito apetecível tudo o que contenha uma incongruência implícita”, acrescenta ainda.“No caso da ciência, um critério importante é conseguir encontrar uma maneira de ligar um tema de ciência com outro assunto da actualidade”, revela David Marçal, autor de centenas de textos de sátira científica, desde o início da sua colaboração com o suplemento Inimigo Público, em 2003. “No caso das más notícias, o humor poderá funcionar como um escape”, acredita o jovem escritor, recordando que a aceitação do Inimigo Público pelo público em geral tem sido boa, como comprova a longevidade do suplemento (7 anos).Licenciado em Química Aplicada e doutorado em Bioquímica, David Marçal irá também falar do ciclo noticioso em ciência. O antigo jornalista de ciência não esquece que, para divulgar um artigo científico, “há uma necessidade de adaptação do discurso, porque o formalismo necessário da linguagem científica pura e dura não é acessível à maioria das pessoas. Mas o percurso é longo e pode-se perder muita coisa na tradução!”, alerta David Marçal.O Ambiente, a pseudociência e a importância da cultura científica como imperativo de cidadania são outros dos temas abordados por David Marçal, durante a primeira sessão do ciclo “O Discurso dos Media”.A livraria Almedina propõe, com esta iniciativa, uma abordagem original à temática da comunicação. Com exemplos práticos e partilha de experiência, o ciclo de tertúlias vai focar as estratégias de comunicação empresarial (11 de Novembro), os desafios levantados pela comunicação nas redes sociais (25 de Novembro) e, ainda, no dia 9 de Dezembro, as emoções no discurso mediático. As sessões têm sempre início às 21 horas e são gratuitas.Sobre David MarçalNascido em 1976, em Lisboa. Licenciado em Química Aplicada e doutorado em Bioquímica, fez investigação nos contextos académico e industrial. Foi, por um curto período, jornalista de ciência do Público e autor de temas científicos para crianças na revista “kulto”. Desde 2003 é autor de humor científico no suplemento satírico Inimigo Público, tendo escrito centenas de textos de sátira científica. Actualmente, desenvolve um projecto de comunicação de ciência recorrendo ao teatro e ao humor, tendo criado vários espectáculos nesse âmbito: é coordenador dos Cientistas de Pé (um grupo de stand up comedy com cientistas), co-autor do espectáculo de Teatro Fórum "De que falamos quando falamos de cientistas" levado à cena no Teatro Nacional D. Maria II, autor dos monólogos satíricos "Stupid Design" e "Método do Bosão de Higgs", ambos criados para o Museu de Ciência da Universidade de Coimbra. Foi vencedor do "Prémio Químicos Jovens / Gradiva 2010" da Sociedade Portuguesa de Química, e do "Prémio Ideias Verdes 2010", promovido pela Fundação Luso e pelo Jornal Expresso.
- Tags:
- humor
- comunicação de ciência
October 26 2010, 7:40am | Comments »
-
João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
ESTUPIDIFICAÇÃO INDUZIDA
http://dererummundi.blogspot.com/2010/10/estupidificacao-induzida.html
Num jornal de Coimbra com um título curiosíssimo - "Campeão das Províncias" -, que está on-line, de quando em vez encontro trechos que merecem divulgação acrescida. Como este do jornalista Rui Avelar:"Diz a revista Exame Informática, citando o jornal El País, que o jornalista Franck Frommer (francês) publicou um livro a alertar para a estupidificação gerada pelas apresentações em powerpoint.“Procura-se mais a exibição do que a demonstração e há uma tentativa de hipnotizar o público e de limitar a sua capacidade de raciocínio”, adverte o autor.Abraham Moles já tinha alertado para o risco de uma aprendizagem inconsistente, cuja consequência é a deficiente aquisição de conhecimentos (comparando esse processo ao da colagem de papéis com saliva).Sem ter o estofo de Frommer e de Moles, sempre me irritou ver idiotas inúteis a debitar frases feitas como se de evidências se tratasse."Rui Avelar
October 21 2010, 1:58pm | Comments »
1 2









