Afirma A. Peretit que não existe pedagogia sem confiança, sem humor, sem indulgência. Prossigamos o enunciado dos seus pré-requisitos . Não existe pedagogia sem alunos, sem pessoas, sem saber científico. Porque a pedagogia tem de ter referentes, sujeitos, objectos. A pedagogia faz-se da relação entre os saberes, os alunos, o professor. Não existe pedagogia sem gostar dos alunos concretos, sem acreditar na perfectibilidade do ser humano, sem a compaixão.Não existe pedagogia sem o rigor da exigência e a distensão, sem a seriedade e o sorriso, sem a diversidade que combata o alheamento e o tédio.Não existe pedagogia sem implicação, sem o sentido comunitário, sem a dádiva, a gratuitidade.E não havendo pedagogia não há ensino (ou dificilmente há); e sem ensino não haverá aprendizagem. E sem aprendizagem não há crescimento. E sem crescimento não há a profissão docente, não há escola.E para haver pedagogia (e ensino e aprendizagem e profissão e escola) tem de haver um esforço de construção de comunidades profissionais, tem de haver a cooperação, a procura colectiva das respostas para os infindáveis problemas.Esta é a pedra angular da sobrevivência. Os meus leitores já o sentem, já o sabem. Falta agora alargar o círculo dos que o sentem e sabem. José Matias Alves(texto inicialmente publicado no Correio da Educação)
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Da Pedagogia
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February 24 2011, 7:56am | Comments »
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Pode alguém ser quem não é?
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Mais uma crónica no Correio da Educação:Pode alguém ser quem não é? Pode um professor ser tudo? Um ser que instrui, cuida, socializa, e estimula? Que guarda e toma conta? Que é amigo, irmão, pai e mãe? Psicólogo, sociólogo, assistente social? Pode alguém ser quem não é?Evidentemente que não. O professor não pode ser tudo o que se lhe está a exigir. Porque não sabe. Porque não pode. Porque neste excesso impossível de ser, corre o risco de não ser o essencial: ser professor.E ser professor é ensinar, isto é, instruir, socializar e estimular. Ou, para sermos mais precisos e explícitos, fazer aprender os alunos. Diagnosticando as inteligências, os talentos e as vontades. Percebendo as resistências e os entraves às aprendizagens. E ensaiando as chaves capazes de abrir as portas da vontade, condição primeira do sucesso. Porque o verbo aprender não suporta o imperativo, o professor tem de se concentrar nessa tarefa essencial de despertar a sede de aprender. E quando o consegue, grande parte da sua missão de ensinar está cumprida.E é também por isto, por esta muita difícil exigência, que o professor se tem de concentrar no que é: esse ser atento e frágil que muda o destino dos outros através do conhecimento e da exigência.Fonte
February 19 2011, 4:07am | Comments »
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Ser Professor
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Esta semana (no dia 1 de Fevereiro) ouvi ler este texto (que escrevi e publiquei no Correio da Educação em Janeiro de 2001), e que serviu para me apresentar a uma numerosa assembleia de professores. Passaram 10 anos. Mas não passou a emoção.Ser frágil, relacional, inquieto, perplexo; ser na pluridimensionalidade e imprevisibilidade dos acontecimentos; ser livre no peso dos constrangimentos, nos paradoxos da acção; ser confrontado com a alteridade do outro, com a indiferença e as ameaças (ex)implícitas; ser público na aparente privacidade da sala de aula; ser mestre e discípulo; ser compassivo e exigente; ensinar com a razão e a emoção; ser numa ordem balcânica e centrífuga, no silêncio que esmaga e no ruído que grita; ser na escuta e na comunicação; ser eu porque há o outro (os outros): ser professor. Ser numa multiplicidade de interacções que exigem uma actividade constante, uma atenção diferenciada, um cumprimento (e uma construção) das regras, ora impostas ora negociadas. Ser numa simultaneidade de acções que convergem e divergem; agir sabendo o imprevisto, às vezes o confronto e o tédio; escutar os não-ditos, acender o desejo de partilhar a dúvida e a angústia existencial numa ordem que torna muito difícil esta postura; viver os dilemas de um ofício (quase) impossível. Ser numa ordem desautorizante, calculista e hipócrita que se constrói da mediatização, da aparência e do simulacro. Deambular de texto em texto, de reforma em reforma, que não tocam o essencial. Sofrer em silêncio. Às vezes acreditar. Às vezes partilhar. Ser professor em risco permanente de o não ser. Porque o outro foge, o outro evade-se do espaço e do tempo escolar.Daqui decorre que a primeira e essencial reivindicação tenha de ser a das condições de trabalho e o modo (solidário) de trabalhar nas escolas. Por aqui passa a saída-saúde. Por aqui passa a salvação do professor. José Matias Alves
February 3 2011, 5:23pm | Comments »
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