Regressa o humor científico de David Marçal, tal como apareceu no "Inimigo Público":Segundo os criacionistas Darwin não propôs a teoria da evolução, apenas tomava notas para não se perder.De acordo com a nova corrente criacionista, a famosa árvore da vida de Darwin não representa as relações evolutivas entre as espécies, que descendem umas das outras a partir de um antepassado comum, mas sim a dificuldade do cientista em memorizar caminhos. São apenas notas com cruzamentos e bifurcações, desde a sua casa até à dos sogros, à do capitão Fitzroy e ao porto onde está ancorado o Beagle. Também a maternidade (já que Darwin teve dez filhos) era um ponto importante.Em cima, página do bloco de notas de Darwin rabiscada em 1837, que segundo os evolucionistas representa o conceito de evolução das espécies a partir de um antepassado comum.Em cima, interpretação criacionista da árvore da vidade Darwin. A base do tronco não é a origem da vida (o antepassado comum), mas sim a origem das caminhadas de Darwin (a sua própria casa).David Marçal
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Segundo os criacionistas...
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October 28 2008, 10:44am | Comments »
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"ENSINO IGNORA EVOLUÇÃO"
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A Helena leu o "Expresso" desta semana e trouxe aqui a interessante entrevista a Marçal Grilo. Eu. que também li o mesmo semanário, quero trazer aqui dois depoimentos de dois padres que surgem à margem do não menos interessante artigo "Ensino ignora evolução", de Vergílio Azevedo.O padre Luís Archer, doutorado em Genética Molecular e ex-presidente do Conselho Nacional para as Ciências da Vida, afirma que "não há incompatibilidade nenhuma entre a religião e a ciência porque a primeira porquê e a segunda o como" (em itálico vai a citação do entrevistado). Ora eu, que estou de acordo com a primeira parte, não posso estar com a segunda, uma vez que a ciência não tem que ser meramente descritiva: é também e em larga medida explicativa.Por outro lado, o padre Manuel Morujão, porta-voz da Conferência Episcopal portuguesa, afirma que "o verdadeiro debate não se situa entre criacionismo e evolucionismo, mas sim entre fixismo e evolucionismo, como se falava até Darwin, e continua em aberto. E a pergunta que se coloca é: Terá Deus criado o Universo de modo evolucionista ou fixista (havendo apenas a multiplicação de indivíduos dentro da mesma espécie fixa, desde o início)?" (de novo, em itálico a citação recolhida pelo jornalista). Continua em aberto? Aqui fico algo confundido porque pensava que essa questão do fixismo estava, desde Darwin, ultrapassada...
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October 12 2008, 4:55pm | Comments »
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Tempo de decisão
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Ainda a propósito do tempo da Razão, mais concretamente em relação à guerra à ciência em curso nos Estados Unidos, vale a pena recordar o livro «Speak Out Against the New Right» editado por Herbert F. Vetter (Boston: Beacon Press, 1982).O livro contou com a colaboração de notáveis de várias áreas, mas importa referir as contribuições de Carl Sagan e Stephen Jay Gould. Há mais de um quarto de século, os dois grandes divulgadores de ciência manifestaram a sua preocupação com o ataque à ciência efectuado pelos criacionistas, então disfarçando religião com a capa de criacionismo científico.Sagan escreveu então:One trend is illustrated by the recent request by the Reagan administration in the United States to cut essentially to zero all of the budget of the National Science Foundation devoted to science education, particularly in keeping science teachers up-to-date. That is clearly eating the seed-corn. The budgetary savings are trivial, the potential damage enormous. (...)In many such areas, but especially in the last, you can find today a kind of resurgent know-nothingism, a reactionary response to the findings of human beings objectively addressing the world around them. There is something called "scientific creationism" which claims that the school system should teach the supposed evidence in favor of the cosmology in the first chapter of Genesis on an equal level with the evolutionary findings that Charles Darwin initiated. I believe that this is exceptionally dangerous.As mesmas preocupações são reiteradas por Gould que iniciou a sua contribuição recordando o Monkey Trial:Kirtley Mather, who died last year at age 89, was a pillar of both science and the Christian religion in America and one of my dearest friends. The difference of half a century in our ages evaporated before our common interests. The most curious thing we shared was a battle we each fought at the same age. For Kirtley had gone to Tennessee with Clarence Darrow to testify for evolution at the Scopes trial of 1925. When I think that we are enmeshed again in the same struggle for one of the best documented, most compelling and exciting concepts in all of science, I don't know whether to laugh or cry. (...)The rise of creationism is politics, pure and simple; it represents one issue (and by no means the major concern) of the resurgent evangelical right. Arguments that seemed kooky just a decade ago have reentered the mainstream.Creationism Is Not ScienceThe basic attack of the creationists falls apart on two general counts before we even reach the supposed factual details of their complaints against evolution. First, they play upon a vernacular misunderstanding of the word "theory" to convey the false impression that we evolutionists are covering up the rotten core of our edifice. Second, they misuse a popular philosophy of science to argue that they are behaving scientifically in attacking evolution. Yet the same philosophy demonstrates that their own belief is not science, and that "scientific creationism" is therefore meaningless and self-contradictory, a superb example of what Orwell called "newspeak." Mas quiçá a contribuição mais enfática tenha sido a de Isaac Asimov, que retomou o aviso que lançara nas páginas da New York Times Magazine em 14 de Junho de 1981 «The 'Threat' of Creationism,» recolhido posteriormente no «Science and Creationism» editado por Ashley Montagu em 1984 (pp. 182-193). Vale a pena ler na íntegra este artigo presciente com quase 30 anos. Retiro apenas alguns excertos:Even though schools are now allowed to teach evolution, teachers are beginning to be apologetic about it, knowing full well their jobs are at the mercy of school boards upon which creationists are a stronger and stronger influence. (...)In the creationist churches, however, the congregation is required to believe. Impressionable youngsters, taught that they will go to hell if they listen to the evolutionary doctrine, are not likely to listen in comfort or to believe if they do. Therefore, creationists, who control the church and the society they live in and to face the public-school as the only place where evolution is even briefly mentioned in a possible favorable way, find they cannot stand even so minuscule a competition and demand "equal time."Do you suppose their devotion to "fairness" is such that they will give equal time to evolution in their churches?Second, the real danger is the manner in which creationists want threir "equal time." In the scientific world, there is free and open competition of ideas, and even a scientist whose suggestions are not accepted is nevertheless free to continue to argue his case. In this free and open competition of ideas, creationism has clearly lost. It has been losing, in fact, since the time of Copernicus four and a half centuries ago. But creationism, placing myth above reason, refused to accept the decision and are now calling on the government to force their views on the schools in lieu of the free expression of ideas. Teachers must be forced to present creationism as though it had equal intellectual respectability with evolutionary doctrine.What a precedent this sets.If the government can mobilize its policemen and its prisons to make certain that teachers give creationism equal time, they can next use force to make sure that teachers declare creationism the victor so that evolution will be evicted from the classroom altogether. We will have established ground work, in other words, for legally enforced ignorance and for totalitarian thought control. And what if the creationists win? They might, you know, for there are millions who, faced with a choice between science and their interpretation of the Bible, will choose the Bible and reject science, regardless of the evidence.Os nossos leitores habituais confirmaram certamente esta última frase de Asimov no nosso espaço de debate, isto é, os criacionistas nacionais que o invadem debitam ad nauseam os mesmos disparates não importa quantas vezes se lhes prove que são disparates. Glenn Morton, um ex-criacionista da terra jovem (YEC), recorreu à sua experiência pessoal para explicar a imunização à razão dos criacionistas. Mas o demónio de Morton não explica completamente a postura autista dos criacionistas.No Frontal Lobe foi há uns dias referenciado um estudo muito interessante dos cientistas políticos Brendan Nyhan e Jason Reifler. Este estudo, que confirmava outros anteriores sobre dissonância cognitiva e política, indica que é contraproducente tentar confrontar com a verdade pessoas com bias político. Por exemplo, após ouvirem as justificações da administração Bush sobre a existência de armas de destruição massiva no Iraque pré 2003, a percentagem de conservadores que acreditava nas alegações republicanas foi maior (64%) no grupo confrontado com o pormenorizado relatório Duelfer que concluía o contrário que no grupo de controle (34%).Pessoalmente considero que podemos extrapolar que o mesmo se passa com os criacionistas e zelotas religiosos em geral. Os fundamentalistas religiosos são completamente imunes à razão e à verdade e como os dislates que debitam com regularidade no nosso espaço de debate confirmam, a confrontação com os factos ainda os entrincheira mais no seu mundo de fantasia e mentiras. Por isso, não vale a pena sequer tentar argumentar racionalmente com criacionistas pelo que não vejo nenhuma bondade nestes pseudo-debates. Mas uma vez que aparentemente estão na «moda» em Portugal, acho que podem ser aproveitados como sessões de esclarecimento para o público em geral enfatizando as diferenças entre ciência e fé, explicando o que é o método científico e porque razão a comunidade científica sem excepção considera que os dislates que certamente o criacionista em questão debitou abundantemente só têm lugar na Terra do Nunca.No entanto, a melhor forma de prevenir este perigoso anacronismo é investir em educação de ciência de forma a que estas patetices não consigam criar raízes nas mentes dos nossos jovens. O desinvestimento em educação científica referido por Sagan preparou o terreno para as investidas criacionistas. Não o façamos também em Portugal: Gould referia na sua contribuição que, há 25 anos, os criacionistas embora vocais eram uma clara minoria nos EUA. Hoje em dia são a maioria da população ...
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September 21 2008, 1:07am | Comments »
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O tempo da Razão
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A mensagem deste vídeo promocional do Center for Inquiry (CFI) em que figuram Steven Pinker, Daniel Dennett, Susan Jacoby, Ann Druyan, Laurence M. Krauss, Damon Linker, E.O. Wilson, Jennifer Michael Hecht, Richard Dawkins, e Paul Kurtz, é muito simples: promover o uso da razão em todas áreas do pensamento humano.Citando o CFI:The methods and values of scientific thinking have expanded our knowledge about life and our place in the universe. This modern knowledge—based on experience and evidence—has brought enormous benefit to humanity, yet many people still choose to rely on ancient texts and beliefs to guide their lives and their nations.The Center for Inquiry exists to change this situation. We are here to promote the scientific outlook, to expand the methods and values of science into all areas of human endeavor.We invite you to learn more about the ways we are using education, outreach, and activism to advance reason and human values around the world. Then, if these values are as important to you as they are to us, we ask you to join CFI.Let your voice be heard. With your help, we can ensure that our time—your time—will be a time of science and reason.O CFI indica ainda a urgência do seu trabalho numa altura em que a hostilidade à ciência e ao secularismo é notória um pouco por todo o mundo, como denota, por exemplo, o aumento da ameaça criacionista em todo o mundo civilizado.Esta ameaça criacionista que muitos tentam minimizar é real e não está restrita aos Estados Unidos, como indica a recente demissão de Michael Reiss da direcção do Departamento de Educação da Royal Society.Não é apenas o criacionismo cristão que toma fôlego, como a censura na Turquia da página de Richard Dawkins confirma. De facto, um tribunal turco deu recentemente razão à queixa do autor do Tijolo Criacionista de que o britânico o teria «insultado» quando analisou o livro. A crítica de Dawkins de que estava «at loss to reconcile the expensive and glossy production values of this book with the breathtaking inanity of the content» foi considerada pelo 2ª tribunal da paz de Istambul uma «violação» da personalidade de Adnan Oktar (que penso estar ainda na prisão devido ao escândalo sexual que abalou a Turquia há quase 10 anos, foi arquivado e recuperado apenas este ano).Esta censura criacionista ao ciberespaço não é inédita: a seita que desde 1998 ataca e ameaça académicos turcos que ensinam evolucionismo nas suas aulas, conseguiu bloquear o Wordpress e o Google Groups na Turquia, para além de ter censurado uma série de sites de notícias deste país.Mas quiçá o mais perturbador está a acontecer nos Estados Unidos em que foi nomeada para vice-presidente na candidatura republicana uma criacionista da Terra jovem (daqueles que acreditam que a Terra tem 6000 anos) que vê a guerra do Iraque como uma cruzada religiosa. A mensagem do CFI é de facto urgente num mundo que estes exemplos (e há muitos outros...) confirmam estar a abdicar da razão não apenas na condução das vidas privadas dos cidadãos mas especialmente na condução de nações ...
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September 20 2008, 6:03am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
A IGREJA ANGLICANA E DARWIN
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De facto, e ao contrário do que foi noticiado por alguns jornais e alguns sítios, a Igreja Anglicana não pediu desculpas pela sua oposição a Charles Darwin. O que aconteceu (ver aqui artigo no "International Harald Tribune" de 16 de Setembro) foi que o reverendo Malcolm Brown, ministro daquela Igreja e responsável pelo Serviços de Relações Públicas, escreveu um artigo num sítio da Igreja, primeiro de uma série relativa ao ano Darwin que se aproxima, sugerindo que aquela Igreja, da qual Darwin foi membro (chegou mesmo a estudar para pastor), devia pedir desculpas. Mas um porta-voz daquela Igreja já esclareceu entretanto que aquela era apenas a posição do autor e não a posição oficial da instituição.A propósito, aproveito para lembrar (ver aqui post da Palmira) que Michael Weiss, biólogo e pastor da Igreja Anglicana, foi há pouc os dias afastado da direcção do Departamento de Educação da Royal Society (a academia de ciências britânica) por ter tomado uma posição que podia ser interpretada como uma defesa da discussão do criacionismo nas escolas a par com a teoria da evolução. De facto, como biólogo ele sabe bem - e disse-o - que a teoria da evolução está solidamente alicerçada e não tem alternativa cientificamente credível. Mas, dada a desadequação de algumas das suas palavras, um grupo de eminentes cientistas daquela Sociedade reagiu em tom muito crítico (ver aqui artigo no "The Times" de 18 de Setembro, que procura desculpabilizar Weiss), tendo a direcção da Sociedade sido obrigada a tomar uma decisão rápida.
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September 19 2008, 2:21pm | Comments »

