Este é um guest post da autoria de Ricardo Valfreixo (*) . Já foi dito que a blogosfera está moribunda. Não vamos “bater mais no ceguinho”. Sim, concordo, subscrevo, até comprei a t-shirt. Mas será que irá acabar? Numa simples palavra: Não! Os jornais impressos sentiram um sério embate com a massificação da informação disponível online. Mas isso não os impediu (pelo menos uma parte deles) de se manterem a funcionar. Alguns mesmo são referências incontornáveis quando se fala de acesso à informação. E, agora que se massifica o micro-blogging, não pense que o blog na sua forma tradicional está para acabar. Muito pelo contrário. As referências são incontornáveis nem que seja pelo facto de que o micro-blogging é efémero. Ou seja, a mensagem é escrita e fica perdida algures na timeline. É impensável irmos ler todas as mensagens de um determinado utilizador durante o passado ano. Por outro lado, o blogging tradicional cria conteúdo persistente. Mesmo que os editor abandonem o blog, esse conteúdo fica e permanece, indexado, pesquisável e acessível, para referência futura. Mas o micro-blogging surge-nos como mais uma ferramenta de edição e de análise. Esta, em tempo real. Muitos são os editores que se dedicaram a serviços de micro-blogging como o Twitter. Estes serviços complementam a informação online com um componente de tempo real. E novas utilidades surgem a cada dia que passa. Mas o Twitter funciona como um verdadeiro barómetro de conteúdo. Isto é: um editor coloca um novo artigo sobre um qualquer assunto. Imediatamente, anuncia no Twitter esse novo conteúdo e imediatamente, os seus subscritores (ou followers na terminologia do Twitter) começam a deslocar-se ao blog (ou site) e lêem o artigo. Se gostam, utilizam a técnica de retweet - que é uma espécie de forward, em analogia ao e-mail. A quantidade de retweets revela a qualidade do conteúdo. Rapidamente e de uma forma directa, o editor tem logo a percepção se a sua mensagem está a passar ou não. Da mesma forma, frequentemente os comentário de um qualquer artigo passam para o Twitter num tom de amena cavaqueira. Dessa troca de mensagens chegam-nos todo o tipo de informação principalmente a quantidade de conteúdo assimilado. Uma boa ideia é estar com atenção a essa desenrolar de ideias (até mesmo fomentá-lo) e criar posts de followup a complementar o post original. Dessa conversa surge até mesmo temas para novos artigos. Fica o Twitter a funcionar também como um gerador de memes. Mas um dos maiores potenciais do Twitter é o crowdsourcing. Este termo é um neologismo que significa atribuir uma tarefa a um conjunto indefinido de pessoas. Isto dito assim é muito vago, deixe-me dar um ou dois exemplos para ilustrar melhor esta ideia. A melhor das formas de o mostrar é a recente eleição para a presidência dos Estados Unidos da América. Todas as pessoas falavam sobre a eleição. A informação chovia em catadupa e seria muito difícil lê-la toda sem uma espécie de agregador. Aqui, os criadores do Twitter criaram uma outra funcionalidade que tem tanto de simples como de brilhante. Aquilo que se chamam as hash words. Ou seja, basta num qualquer comentário do Twitter colocar uma palavra marcada com um cardinal (#eleicaoUSA por exemplo) para ser simples de criar um indexador que pegue em todas as informações dispersas e as agrupe e catalogue num único repositório de dados. Basta apenas espalhar a palavra para se usar essa hash word para que todo e qualquer utilizador do Twitter passe a ser um contribuinte para este repositório de informação. Simples, directo e extremamente poderoso. O Twitter é muito útil e extremamente valioso para todos os que criam conteúdo e utilizam a Internet como seu veículo de trabalho. Serve de barómetro, fonte de inspiração e de ferramenta de networking. Todos os dias surgem utilizações novas para esta ferramenta. Das mais convencionais às mais estranhas e arrojadas, muitas são as aplicações deste serviço. Eu acredito que o Twitter e outros serviços de igual filosofia estão a mudar a face da Internet. Até onde a irão mudar, só o tempo o dirá. Autor Ricardo Valfreixo é um web developer e produtor de conteúdo para Internet. Trabalha nesta área desde 1995. Recentemente optou por trabalhar como freelancer no mercado nacional e internacional. Actualmente gere um projecto pessoal chamado minimalistic studios.
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
O Twitter como o barómetro de conteúdo
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November 20 2008, 2:30am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... pauloquerido.net
Banda portuguesa ganha 50.000 dólares no Sell A Band
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Uma banda portuguesa, os Nearfield, conseguiu o almejado financiamento de 50.000 dólares no Sell A Band, a editora online comunitária em que os ouvintes apostam comprando acções das bandas. São os primeiros portugueses a conseguir o objectivo dos 50.000 dólares — a fasquia que dá o direito a gravar e editar um álbum em CD. Tanto mais assinalável quanto a fasquia não é nada fácil de atingir: apenas 0,3 por cento das bandas que se inscreveram no Sell A Band desde que este abriu, no Verão de 2006 (noticiei por duas vezes o Sell A Band nesse ano, no caderno de Economia do Expresso, que foi o primeiro órgão de Comunicação Social português a noticiar este potencial). [ Artigo em republicação, para efeitos de arquivo. Primeira versão publicada esta semana no Expresso Multimedia ]
A SellABand (link: http://www.sellaband.com), é uma start-up nascida em Amesterdão, resultando das ideias do visionário Pim Betist e de duas velhas raposas da cena musical europeia, Johan Vosmeijer (carreira de décadas na Sony Music, na Holanda) e Dagmar Heijmans (”feito” na EMI, passou ainda pela Sony BMG). Ao fim de somente um mês de operação o sucesso traduzia-se em mais de 250 bandas de 30 países que em conjunto recolheram 25.000 dólares de mais de 1.500 fãs investidores. Fui também dos primeiros portugueses a investir numa banda: o projecto Merankorii. 20 dólares que serviram para testar o sistema para a reportagem no Expresso, o meu objectivo, mais do que para ajudar a banda, embora esta o merecesse. Nesse longínquo Outubro de 2006 apenas duas bandas portuguesas tinham descoberto o Sell A Band. Na semana em que os Nearfield conseguem o prémio, este número é de 323, num total de 8600 — and counting. Segundo leio no Remixtures, um blogue muito bem informado sobre a nova cena musical, com os 50.000 dólares agora recolhidos os Nearfield irão gravar um duplo álbum intitulado Near U em estúdios situados em Montemor-o-Novo. Pormenor curioso: entre os financiadores dos Nearfield está a Amazon britânica, que tem 100 partes, correspondentes a 1.000 dólares. Crowdfunding O modelo do crowdfunding, arriscado quando o Sell A Band começou, é hoje uma realidade. A empresa obteve já este ano uma injecção de capital no valor de 5 milhões de dólares. E deixou de ser a única a apostar neste esquema em que se recorre à “sabedoria das multidões” para detectar o talento e financiá-lo. Aqui, as bandas inscrevem-se e submetem faixas originais, que são apreciadas por uma plateia mundial. O objectivo é angariarem os 50.000 dólares necessários para gravar 0 CD em estúdio profissional e produzido por especialistas. O financiamento é angariado junto dos próprios fãs de cada banda. Tratados pelo sugestivo nome de “Believers” (os que acreditam), investem “partes” de dez dólares nas bandas favoritas ou promissoras. O dinheiro pode ser canalizado entre grupos musicais. Quando um destes atinge os 50.000 dólares vai para estúdio e cada investidor receberá o CD em edição especial. Mas não só: tem ainda direito a receber uma percentagem sobre as vendas do CD nos canais contratados pela SellABand (que não recebe um cêntimo das vendas) e outra percentagem, calculada ao ano, das receitas de publicidade obtidas pela banda no website da SellABand, onde as suas faixas permanecem para “download” gratuito. O crowdfunding é apontado como uma das soluções de financiamento para o jornalismo num futuro próximo, sobretudo para a investigação e reportagens de fôlego que as empresas de media se mostram incapazes de sustentar, tal como as micro-receitas da web. Links Página dos Nearfield no Sell A Band Artigo do Remixtures
October 17 2008, 10:31am | Comments »
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