De novo, uma obra indispensável para quem ver, reparar e intervir. Acessível aqui.
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Outra Forma de Ver para Além da Montanha
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February 14 2011, 3:28pm | Comments »
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O Mito do Cumprir o Programa
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É, talvez, um dos mitos mais arreigados na cultura porfissional dos docentes. E o que significa, no senso comum, cumprir o programa?Significa dar a matéria, transmitir os conteúdos previstos, sumariar a matéria dada. E a organização do sistema, agindo de forma congruente com esta disposição, querendo saber se o programa foi ou não dado, vai ver às actas e ao livro de ponto.Mas o papel do professor não é cumprir o programa. Isso é o papel de um funcionário, mais ou menos zeloso. O papel de um profissional é fazer com os alunos aprendam o máximo possível do que está prescrito no programa (ou até para além do programa). Porque, em última instância, se os alunos pouco ou nada aprendem do que está no programa, a acção do professor é inútil.
January 28 2011, 4:10pm | Comments »
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Orquestra de serviço
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A Orquestra Clássica do Centro fez dez anos e o diário As Beiras entrevistou a sua diretora - Emília Cabral Martins. Fez muito bem. Uma entrevista em estilo claro e com um discurso delicado, mas seguro e frontal, com as ideias firmes e a determinação de quem faz o que deve ser feito. E como deve ser feito.Já aqui o referi, uma das coisas que impressionou foi o modo como a Orquestra Clássica do Centro começou a trabalhar desde o princípio, com uma vontade e um entusiasmo que nos tocava, e que foi capaz de manter, sempre num ritmo elevado e constante, transformando-se num facto para nós surpreendente.Lendo agora o que diz a sua Diretora fica-se a saber que foi intenção, desde o princípio, estabelecer uma rede de protocolos com as autarquias para levar a grande música a todo o lado a ao maior número possível de pessoas. E que, portanto, não se tratou de um entusiasmo juvenil, a esmorecer depressa, mas de um programa seguro, pensado e em contínua execução.E que outro objectivo foi dotar a cidade de Coimbra de uma orquestra residente. E por que não, se Coimbra tem uma tão rica tradição musical? E se Lisboa tem várias orquestras e o Porto tem também a sua, por que não Coimbra? Ah, mas aqui, alto lá, as cordas precisam de mais energia e os metais de mais pulmão. Sabendo que não se pode contar, trabalhando em Coimbra, com os subsídios que, mais perto do poder, flúem melhor, é preciso provar que os merecemos. E a Orquestra arregaçou as mangas e transformou-se logo num agente de difusão musical qualificado trabalhando em grande ritmo por todo o Centro de Portugal, e não só. Se queremos o “luxo” de uma orquestra nós temos que provar que ela aqui não é um luxo para ocasiões especiais e públicos selecionados, aqui uma orquestra tem muito que fazer, não tem mãos a medir. Não faltam cidades e vilas onde nunca chegou nada de semelhante, temos em potência um público vasto, diverso e muito carenciado, que nunca ouviu música clássica ao vivo. Esta é a grande tarefa da Orquestra Clássica do Centro: satisfazer e multiplicar os melómanos da cidade, e ir aos lugares da carência despertar nas pessoas o sentimento e o desejo da beleza que não conhecem, mas adivinham, e que depois agradecem, rejuvenescidos pelo sentimento de haver melhores mundos do que aqueles que sempre lhe deram. Daí também a sua missão pedagógica, nas escolas, nas associações culturais, e as suas ramificações em ação: o Coro, a Orquestra Juvenil e o Canto de Rua.E se os duzentos mil habitantes de Coimbra talvez não cheguem para manter uma orquestra sinfónica, os dois milhões e meio da Zona Centro são mais que suficientes, desde que haja um programa que leve até eles a música, de modo continuado e regular. E tem sido isso que a Direção da Orquestra tem feito.Neste trabalho louvável e nesta notável prova de vida os sucessivos Ministérios da Cultura têm reparado pouco. Para além de um ou outro apoio esporádico, tem sido a Câmara Municipal de Coimbra, alguns mecenas e o público, a aguentar a Orquestra. Ora, num país em que há muitos a prometer e poucos a fazer, era de justiça que se começasse a apoiar os que de facto fazem e querem continuar a fazer. E, obviamente, devia ser segundo critérios, a partir de projetos, em concursos públicos e tendo em conta os currículos.Já aqui falei na diversidade, quantidade e qualidade de realizações que o Museu da Ciência tem mantido desde há quatro anos. Ora bem, a Orquestra Clássica do Centro anda a fazer algo de semelhante há dez anos. Coimbra afinal sabe fazer as coisas. Quando é que começamos a apoiar os que merecem e a recompensar o mérito? Portugal e a cultura portuguesa ficariam muito agradecidos e devolveriam em dobro ou triplo.João Boavida
January 21 2011, 3:37pm | Comments »
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Adeus Carlos!
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/adeus-carlos.html
Estive com ele há poucos meses numa entrevista que realizou com o Prof. Veiga Simão bna Biblioteca Joanina (não sei se a RTP já a transmitiu). Na ocasião, mostrou ao ex-ministro da Educação uma foto que retratava os dois, um jovem repórter e o outro jovem ministro, numa entrevista ao DN, no início dos anos 70, quando a reforma hoje conhecida pelo nome do ministro foi anunciada. Voltei a estar com ele há poucas semanas numa entrevista que me fez na Biblioteca Municipal de Oeiras, a propósito das comemorações da República. No jantar que houve antes fez mais perguntas do que na entrevista, pois se interessava por tudo e mais alguma coisa. Tanto numa ocasião como noutra, estava vivíssimo, dono de uma excelente memória e senhor de uma grande energia. As histórias que contava eram sempre engraçadas porque eram contadas por ele. Desde há horas que já não está entre nós. Vamos ter saudades de um jornalista singular, de um grande amigo da cultura. Adeus, Carlos Pinto Coelho!
December 15 2010, 6:00pm | Comments »
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A língua e a cultura
http://dererummundi.blogspot.com/2010/12/lingua-e-cultura.html
Publiquei o artigo que se segue (com ligeiras variantes) no número 24 da revista académica Capa e Batina em Abril de 1969. Muita coisa mudou, mas os problemas nele aflorados, embora deslocados, talvez não sejam hoje tão diferentes dos de então. Terá interesse pensar no que mudou e no que permanece.Tem andado na ordem do dia o problema da língua portuguesa. Em esferas oficias e não oficiais discursa-se e disputa-se sobre a questão, preceituando o ataque frontal ao estrangeirismo, pedindo a reposição do latim nos liceus, proclamando a necessidade do purismo linguístico, e outras coisas igualmente respeitáveis. É de crer, porém, que o problema da língua portuguesa seja mais vasto e mais fundo.É mais vasto e mais fundo porque a questão da língua é de cultura e de vitalidade da cultura das massas; é de vitalidade cultural. Há necessidade de defender extrinsecamente uma língua quando ela não é suficientemente viva e dinâmica, quando ela não se defende por si através da desdobradora multivalência das suas formas, da procura e desenvolvimento de virtualidades novas que se vivifiquem e ao mesmo tempo a lancem num caminho de futuro e de tradição. Sem um sentido de futuro toda a tradição é morta e indigna, porque inútil. Uma língua defense-se a si própria crescendo e maturando-se.Tal como tudo, uma língua que precisa que a defendam é porque não tem defesas próprias; e uma língua só tem defesas próprias quando cria raízes, isto é, tem consciência de si, se desenvolve e está viva. E a vitalidade de uma língua é um problema de consciência cultural, de individualidade cultural (...)Antes mesmo deste problema andar na ordem do dia, há já algum tempo portanto, apareceu n’ A Capital um notável artigo de António José Saraiva em que, grande parte do problema, era visto e exposto com toda a clareza: «O Português vegeta exuberantemente, multiplica-se com uma sofreguidão animal, mas não se define e não se consciencializa, não assume a sua personalidade cultural».A medida de uma consciência cultural dá-se ao nível da sua realização e da sua vivência. Só se assume aquilo de que se é consciente. Só se pode defender uma língua depois de a amarmos. E só se pode amar aquilo que existe verdadeira e vitalmente, que é original, dinâmico. E uma língua só é original e dinâmica quando cria os seus dinamismos e é lidada e tratada a nível de património.Enquanto a escola continuar sendo uma mera campanha de alfabetização (fase que, felizmente, parece estar a ser ultrapassada) e o ensino dos liceus e das escolas técnicas continuar a estar vedado a uma grande parte, senão à maioria da população juvenil, e para a parte a que não está vedado, o ensino do português continuar a revestir o aspecto gramatical e árido, ou falsamente moralista que tem sido tradicional, o problema não pode mudar muito de feição. Nada há a fazer por uma língua se ela não é amada por toda uma população e não apenas por uma elite.Não se pode conhecer nem amar, a um nível de nação, aquilo que só é ensinado a uma parte, e nem a esta da melhor maneira. Eis pois porque é preciso remodelar o ensino do português e estendê-lo a toda a população. Remodela-lo para o tornar vivo, dirigido no sentido de criar amor à língua, de criar o gosto pela leitura, através do texto, da declamação, da audição de poesia gravada ou lida, do exercício da dicção, de um verdadeiro estudo de sintaxe aplicada. E estendê-lo, para o tornar mais vivo, a toda a população através do livro barato e dos bons autores, das sessões públicas de divulgação a tentar conquistar as fábricas, os meios rurais e pequeno-burgueses.Fazer isso, o que me parece ser o que há a fazer de imediato, é lançar as bases para a solução de todo o complexo problema que está por baixo e que é muito mais vasto. Com a tendência para o ensino gramatical e seco (...) como é o do nosso ensino médio (...) desapareceu quase completamente o verdadeiro gosto pela leitura. Sendo reduzido o geral gosto pela leitura, diminui imediatamente o comércio do livro, torna-se um produto sem sentido nem utilidade para grande parte da população. A leitura torna-se um gosto de elites, ou objecto de luxo para prateleira enfeitar.Desgraçadamente os dois aspectos ligam-se, e isto porque, se o público é reduzido, as edições tornam-se pequenas, o que faz com que o livro fique caro para poder pagar a tipografia e os direitos de autor e o mais. Há imediatamente necessidade de justificar o preço com uma tendência para o luxo inútil das edições. Deste modo, uma pequena parte do público que lê livros, e que é a massa estudantil, acaba por pagar aquilo que lê por um preço feito para uma burguesia que, com certeza, não lê, ou lê pouco. Pagando caro o que não pode, compra menos, o que ainda agrava mais a questão. E deste modo a classe dos livreiros explora (ou vê-se forçada a explorar) uma massa que sente pesar sobre a sua bolsa a cultura como um grave prejuízo.Tudo isto pela ausência de um público vasto a proporcionar grandes edições de bolso efectivamente acessíveis. É aqui que fundamentalmente é preciso actuar, a criação de uma vasta camada efectivamente apreciadora e consumidora de bons autores, com uma cultura linguística e estética de base. Ora, isto tem grandes implicações culturais, mas também, e não menos importantes, económicas. Até onde se poderá actuar com resultados?Com um público restrito e edições pequenas, a classe dos escritores torna-se uma classe de deserdados em que só uns pouco conseguem um certo público e uma certa aceitação. Daqui até à psicologia do autor consagrado e do nome feito, como tal tantas vezes ameaçado de cristalização e de morte prematura, é um passo. Quer dizer, o ciclo natural do surgimento e da revelação de autores novos fica estrangulado, quer dizer ainda, a língua, também por este lado, não fica nas condições mais perfeitas para o seu desenvolvimento através de novas criações, novas formas, novas tentativa de conjugação e de superação, que são no fundo as condições de vitalidade e da defesa própria de uma língua.Com o enfraquecimento da promoção de autores aumenta a descrença nas possibilidades literárias dos autores nacionais, realmente enfraquecido pelas condições exteriores, e abre-se a porta ao inculto parolismo de considerar a nossa literatura como somenos e de aceitar quantos autores estrangeiros apareçam. E eis por que a nossa actividade editorial está abarrotando de traduções, muitas de má qualidade e de autores muitas vezes secundários. E assim, como António José Saraiva dizia no citado artigo Mátria e Pátria, «em Lisboa traduz-se; em Coimbra conserva-se; o Porto consegue a custo manter a sua posição de capital do Portugal galego».Isto é terrivelmente verdadeiro. Que é feito, em Coimbra, da actividade editorial de há vinte e tal anos? Nesta terra actualmente só quase se editam sebentas e manuais de Direito, para além, obviamente, de Miguel Torga. Nesta terra onde se revelaram autores como José Régio, Branquinho da Fonseca, Edmundo de Bettencourt, Vergílio Ferreira, Carlos de Oliveira, Fernando Namora, e tantos outros nomes, e movimentos como a Presença e o Neo-Realismo, já não tem escritores? Será que toda a gente se esqueceu disto? Sem literatura não há língua viva; sem público dificilmente há boa literatura. Para haver público é preciso haver cultura e consciência da unidade e vitalidade dessa cultura.João Boavida
December 3 2010, 1:42pm | Comments »
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Universidade de Coimbra quer ser Património Mundial
http://dererummundi.blogspot.com/2010/11/universidade-de-coimbra-quer-ser.html
Informação recebida da Universidade de Coimbra:Já foi entregue o dossier da candidatura da Universidade de Coimbra a Património Mundial da UNESCO. Ver sítio aqui.
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November 24 2010, 1:32pm | Comments »
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Já não se pode governar por regras e ordens...
http://terrear.blogspot.com/2010/10/ja-nao-se-pode-governar-por-regras-e.html
Si l'on ne peut plus gouverner par les regles et par les ordres, on est conduit à réexaminer les mobiles des comportements humains; plus précisément, la façon dont on réussit à obtenir les convergences et coordinations indispensables à une coopération efficace. C'est la perception de ces difficultés qui explique l'enthousiasme pour le management participatif; de même, l'intérêt passionné porté par certains aux cercles de qualité et au modele japonais; plus généralement encore, le succes des concepts rajeunis de « culture », et de « valeurs », et des formules comme les projets d'entreprise.Michel Crozier. obra citada
October 24 2010, 10:30am | Comments »
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Mudança, Acção, Cultura
http://terrear.blogspot.com/2010/10/mudanca-accao-cultura.html
É o que explica, a meu ver, os fracassos relativamente rápidos e muitas vezes clamorosos das tentativas de mudança que, desde há uma dezena de anos, sob as mais diversas denominações, procuraram formalizar e tematizar as «culturas» de empresa para as pôr ao serviço da mudança e de um funcionamento mais flexível. Ao apostar demasiado nesta dimensão, os responsáveis por organizações correm o risco de encontrar um triplo escolho. Ou sucumbem ao que M. Crozier (1989) chamou «a tentação do discurso» que leva a crer que, porque se afirmou alto e bom som alguns princípios base e alguns valores essenciais, estes passaram ipso jacto para os comportamentos dos membros da organização. Ou - e as duas coisas andam muitas vezes juntas - acabam por provocar a rejeição pura e simples do que é recebido pelos interessados como uma tentativa de centralização directiva ou de doutrinamento ideológico. Ou ainda, e de maneira mais perniciosa, acabam por criar uma organização «ideologizada» que paradoxalmente se torna cega aos seus próprios disfuncionamentos, sobre os quais não é fácil exprimir-se• Por mais que a cultura seja uma dimensão central da acção social, mantém-se no essencial inacessível à acção voluntária. Não é um motor, é o resultado de um conjunto de acções, de mudanças convergentes. Ela não se cria voluntariamente a golpes de discursos e de projectos de empresa, verifica-se quando muito no fim do percurso. É um subproduto da acção, é um efeito emergente que escapa em larga medida à manipulação directa.Mas também as capacidades de que uma cultura (seja ela de empresa, profissional ou nacional) é portadora não são directamente acessíveis à análise, porque são irredutíveis às atitudes e representações que uma apreensão directa por questionário permite obter. Com efeito, o elo entre essas atitudes e representações por um lado e os comportamentos efectivos por outro não é unívoco e, por conseguinte, não é possível conhecer as práticas a partir de uma informação sobre as representações. Por outro lado, e sobretudo, as capacidades apreendidas num dado momento não esgotam as potencialidades dos actores respectivos. O mundo é mais aberto, e capacidades ainda não mobilizadas podem revelar-se, por pouco que os dados do jogo o permitam. Friedberg, Erhard (1995). O Poder e a Regra- Dinâmicas da acção organizada. Lisboa:Instituto Piaget
October 12 2010, 4:25pm | Comments »
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DE ESPANHA BOM VENTO E NENHUM CASAMENTO
http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/de-espanha-bom-vento-e-nenhum-casamento.html
A ministra da Cultura anunciou há dias, com grande candura, a falência iminente do Estado social. Com muito mais propriedade podia ter anunciado a falência iminente do Estado cultural. É talvez devido a ela que a "rentrée" nas instituições culturais estatais está bem aquém do que seria desejável.Só para dar um elucidativo exemplo. Entre os dia 11 de Março e 30 de Maio esteve patente em Badajoz, no MEIAC - Museu Estremenho e Ibero-Americano de Arte Contemporânea, uma grande exposição sobre as relações culturais, mais precisamente literário-artísticas, luso-espanholas no início do século XX, mais precisamente de 1890, data do começo do simbolismo português, até 1936, data de eclosão da guerra civil espanhola. A ambiciosa e muito bem conseguida mostra, intitulada "Suroeste" (do nome "SW Europa Sudoeste" de uma revista escrita apenas por Almada Negreiros e da qual saíram apenas dois números em 1935), enquadrou-se na Presidência Espanhola da União Europeia, tendo tido a presença do Rei de Espanha e smerecendo o catálogo o prefácio do primeiro-ministro espanhol.Pois bem. A exposição que era para agora estar patente em Lisboa, na Assembleia da República, não será vista entre nós: foi desmanchada e dissolvida, sem que o público português possa apreciar os esforço de cooperação de intelectuais ibéricos num tempo em que os comboios para a Espanha eram de muito pouca velocidade. Além de Almada Negreiros (amplamente representado na Exposição por amabilidade do Museu Gulbenkian), que trabalhou em Madrid, nomes portugueses que tiveram a ver com Espanha naquela época foram Eça de Queirós, Eugénio de Castro (cujo epistolário, conservado na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra, que o cedeu para Badajoz), Teixeira de Pascoais, Fernando Pessoa, etc. Do lado espanhol avultam nomes como Miguel de Unamuno, Ramon Gomez de la Serna e Vasquez Días. Pois as relações luso-espanholas, se eram recíprocas na época, hoje, dada a falência do estado cultural português, já não o são. O primeiro-ministro português nem ajudou a pagar a exposição nem ao menos escreveu uma palavrinha para pôr ao lado das do seu amigo Zapatero ("La Cultura Corazón de Europa"), na portaria do grande catálogo, em edição trilingue (português, espanhol e inglês).A Assembleia da República devia ter recebido a mostra, uma vez que havia um compromisso com Espanha nesse sentido, mas, como se diz agora, borregou. Vale-nos a distribuição entre nós do interessantíssimo catálogo, que se encontra nas livrarias nacionais graças à Assírio e Alvim, para minorar a nossa insuficiência cultural. Mas que é uma vergonha que a exposição, que esta toda feita e bem feita sob a batuta luso-espanhola de Antonio Saez Delgado, Luís Miguel Gaspar, Juan Manuel Bonet, Sara Afonso Ferreira e Antonio Franco Dominguez, não seja vista entre nós lá isso é...
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September 25 2010, 2:56am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... dererummundi.blogspot.com
UMA NOVA CASA PARA OS LIVROS
http://dererummundi.blogspot.com/2010/09/uma-nova-casa-para-os-livros.html
Notícia da RTP1 sobre a necessidade de um novo espaço para a Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra.
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September 8 2010, 2:35am | Comments »






