Novo texto da classicista de Alexandra AzevedoDiz-se, com frequência, que vivemos numa sociedade regida pela ambição desmedida, que se reveste das mais diferentes formas, nos mais diversos quadrantes da vida. A ambição parece edificar-nos, moldar-nos, não como sonhos construtivos que fazem avançar o Homem, mas como querenças frágeis, falhas da razão, do bom senso e, quase diria, do bom gosto! A televisão parece dar amplo espaço a esta ideia, pois insiste, ano após ano, nesta corrida inesgotável da fama e da riqueza, um devaneio de sermos todos ídolos, estrelas.Voltemos uns séculos atrás: à civilização grega que se edificou numa máxima de moderação. É isso que a inscrição défica meden agan propõe: que não se faça nada em excesso. E os mortais que se atrevem a desafiar os deuses têm por certeza a ruína. Este é o pecado de Hybris, um dos elementos da tragédia clássica que se poderá traduzir por «desafio».Esta máxima está presente nas manifestações artísticas – escultura, arte, tragédia… - e é de uma delas que encanta pela beleza e simplicidade que falamos neste texto.É atribuída a Pitágoras, o famoso Matemático de Samos, a invenção de um curioso objecto que parece reunir, harmoniosamente, princípios da Física e da Filosofia. Trata-se de um copo que estabelece no seu interior o limite da bebida que se deve beber. Caso esse limite seja ultrapassado numa única gota, o copo vazará de imediato tudo o que contém.A explicação física de Pascal dos vasos comunicantes, segundo leis de hidrostática, é completada aqui, pelo ensinamento filosófico – o Homem deve ser capaz de admitir que há limites: deve querer sempre mais, mas não demais, ou a vida encarregar-se-á de repor a normalidade do seu curso.O copo, de há mais de 26 séculos , que nos lembra em pleno século XXI o equilíbrio e a harmonia desejável a toda a acção humana pode ver-se aqui.
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O copo de Pitágoras
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October 22 2009, 12:30pm | Comments »
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"Areté" e "Kakia": Qual escolher?
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Texto de Alexandra Azevedo, professora de Grego, Latim e Português do Ensino Secundário, com quem o De Rerum Natura falou há uns meses atrás a propósito do ensino da Cultura Clássica em Portugal.A escola de hoje estrutura-se a partir de uma série de princípios e valores que devem alicerçar a identidade pessoal e social do aluno, de modo a formar cidadãos autónomos e responsáveis. Os saberes fundamentais em uso, devidamente articulados pelas competências, permitirão ao aluno a integração plena na vida activa. É claro que o conceito de competência se tem de alicerçar em conhecimentos. Que médico enquadra competentemente a sua prática sem recurso ao conhecimento de dados clínicos, que conjuga e sobre os quais reflecte? Que pintor igualmente competente usa a policromia e o polimorfismo sem conhecimento de temas e modalidades estéticas?A memória atenta da conhecida, mas talvez falaciosa, Querelle des Anciens et des Modernes, que teve lugar na Academia Francesa no século XVII, conduz-nos à noção de que o progresso se fará sempre da consideração do clássico, porque a eternidade deste permite o jogo da imitação, da renovação, da contestação, da superação, estando ele sempre presente, qualquer que seja a opção tomada… uma vez que, qualquer que esta seja, partimos sempre do velho, por vezes ancestral, para a edificação do novo.Tudo isto para reflectir hoje sobre um texto pleno de actualidade, excerto dos Memorabilia, (literalmente, O que é digno de ser lembrado), escrito por Xenofonte, autor ateniense, onde ele evoca a figura de Sócrates (na figura).Assim, no capítulo II, Xenofonte, na voz de Sócrates, relembra a fábula que o filósofo Pródico contara: um dia, o jovem Hércules é abordado no seu caminho por duas mulheres. Uma é bela, tranquila e pura, a outra é exemplo de beleza copiosa e atraente. Numa há a graça e a docilidade, noutra a volúpia e o artifício. A primeira chama-se Areté - perfeição, em grego – e a segunda Kakia – maldade, prazer. Ambas se degladiam, esgrimindo argumentos para convencer o jovem a segui-las…Que oportuna e sugestiva esta alegoria, entusiasmante pela linguagem simples, mas cheia de significado: ela revela que a vida se faz de escolhas que determinam o caminho que seguimos. Cedo é dada esta verdade aos nossos alunos – não conhecem eles a facilidade e êxtase do perigo, do risco, do prazer? Não se revêem eles nas dúvidas de Hércules, jovem, belo e forte, ao poder escolher, ao acompanhar a Kakia, o caminho mais fácil? Não terá interesse, afinal, levá-los a reconhecer que o melhor prémio será a perfeição e a excelência no caminho da vida, apesar das dificuldades e do trabalho que a sua obtenção pressupõe?Com as palavras de Xenofonte, acedemos à discussão de questões morais variadas, que nos permitem um trabalho educativo rico num quadro de formação integral.Penso ser este o papel do professor de hoje (como o de ontem!) – escolher e discutir bons modelos textuais, ricos em exemplo e facilmente transpostos através do diálogo com os alunos para a vida quotidiana moderna, onde todos os dias uma Kakia espreita...A escola, hoje como ontem, não pode desistir de fazer a pedagogia do esforço, pois de outra maneira não estará a fazer aquilo que se propõe: preparar para a vida.
October 20 2009, 2:59am | Comments »
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Novas edições da "Classica Digitalia"
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Informação recebida da biblioteca e editora online Classica Digitalia.De acordo com a nossa política editorial, tanto o acesso à biblioteca digital como o descarregamento dos volumes são livres e gratuitos.Ainda assim, além da ligação para o livro digital, indicam-se os preços dos mesmos em formato tradicional de papel. Quem desejar adquirir algum exemplar, pode fazê-lo através dos emails de contacto classicadigital@fl.uc.pt ou leo@fl.uc.ptTemos o gosto de anunciar a publicação de mais três livros.Colecção Autores Gregos e Latinos - Série TextosCarlos A. Martins de Jesus: Plutarco. Obras Morais – Diálogo sobre o Amor. Relatos de Amor. Tradução do grego, introdução e notas (Coimbra, CECH, 2009). 145 p. PVP: 8 EurosSérie Humanitas Supplementum Maria Helena da Rocha Pereira, José Ribeiro Ferreira & Francisco de Oliveira (Coords.): Horácio e a sua perenidade (Coimbra, CECH, 2009). 180 p. PVP: 22 EurosJosé Luís Lopes Brandão: Máscaras dos Césares. Teatro e moralidade nas vidas suetonianas (Coimbra, CECH, 2009). 461 p. PVP: 36 Euros.
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September 30 2009, 10:51am | Comments »
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Digressus
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Informação recebida do Instituto de Estudos Clássicos da Universidade de Coimbra.A revista on-line Digressus, promovido pelas Universidades de Nottingham e de Birmingham, começou por ser uma iniciativa de estudantes de pós-graduação, mas tem vindo a alcançar um reconhecimento crescente dentro da comunidade científica.Pode o leitor consultar o último número aqui.
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September 8 2009, 4:23pm | Comments »
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CARPE DIEM
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Texto de Delfim LeãoÉ bem conhecida a expressão escolhida para servir de título a esta breve nota. Para entender o seu significado básico não se torna, sequer, necessário saber Latim; bastará ter visto o Clube dos poetas mortos, filme que, quando passou nas salas de cinema, colheu apreciadores entre todas as camadas etárias. Seize the day, aproveita o dia — repetia o professor ao seu inquieto grupo de alunos, que, conduzidos pelo fogo do empenho eufórico e da novidade, acabariam por levar demasiado longe algumas das implicações da lição. Talvez porque não tivessem compreendido, desde logo, que o convite para gozar a vida se revelava mais complexo do que pareceria à primeira vista.Porquê desfrutar da juventude, da beleza, da comida e da bebida, dos divertimentos e distracções? Porque, em si, representam bens que todos temos o direito legítimo de poder saborear. Mas porquê a urgência de experimentar todas estas sensações? Porque são passageiras.O convite ao carpe diem não ecoa somente o apelo ingénuo da irresponsabilidade inconsequente; obedece a um princípio mais profundo e, de resto, bem menos agradável: a consciência da caducidade da existência humana. Daí que a euforia inicial possa ser facilmente substituída pelo sentimento pessimista de quem está consciente de um fim próximo.Os Gregos afirmavam: o homem é efémero, o que, à letra, significa que vive um só dia; um cristão recordará: sic transit gloria mundi; o povo diz: a vida são dois dias. Porém, a contingência básica é a mesma. Podemos procurar responder-lhe com a busca desenfreada do prazer ou então com a abstinência intransigente. No entanto, talvez valha a pena recordar, também aqui, a lição clássica da moderação, do meio termo, da aurea mediocritas: o plácido desfrute que não atrai a saciedade nem obriga à abnegação.Antes de terminar, gostaria ainda de recordar que a expressão, simples e profunda, que motivou estas breves linhas ocorre numa das odes (1.11) de um dos maiores poetas latinos: Horácio (século I a.C.). Carpe diem é uma metáfora agrícola, que nos aconselha, de certa forma, a colher o dia (como se de um fruto da terra se tratasse) quando e como nos parecer melhor, sem deixar que a sombra de um futuro incerto lhe altere o sabor. Contudo, a prudência aconselha a que se goze a primavera da vida sem excessos que convoquem um inverno demasiado prematuro. Carpe diem, diz o poeta, e não carpe diem noctemque! Delfim Leão
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August 24 2009, 11:21am | Comments »
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Temas clássicos da ficção - 4
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A quarta sugestão de leitura que remete para temas clássicos, proporcionada por José Ribeiro Ferreira, é A caverna das ideias, de José Carlos Somoza, obra publicada entre nós pela editora Quetzal, no ano de 2002. O original foi publicado em 2000."A obra tem por pano de fundo a Atenas clássica do séc. V a. C. e tem por base a doutrina da teoria das ideias de Platão.Trata-se de uma história policial: vários alunos da Escola de Platão, a Academia, aparecem cruelmente assassinados. O professor dos jovens, Diágoras, entrega a tarefa de descobrir a causa da morte, o enigma, ao detective Héracles Pontor, o Decifrador de Enigmas. Héracles investiga e acaba por encontrar uma explicação e solução para o crime. Mas depois de a expor, étomado pela desconfiança de ter sido enganado pelas aparências.O Tradutor, personagem ficcional, que verte a história original, atribuída a Montalo, lhe fornece achegas e a comenta, persegue com denodo o sentido e mensagem original do que traduz. Desconfia, no entanto, de que a solução encontrada para o texto, acabada de expor, é fruto do engano das aparências.Os leitores, ao longo do livro formularão e reformularão as suas hipóteses. Julgarão eles que ocupam o único lugar seguro?
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July 6 2009, 4:44pm | Comments »
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Fragmentos de um fascínio
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Informação recebida da biblioteca e editora online Classica Digitalia.Acaba de ser editado mais um título na série Estudos: - Teresa Carvalho e Carlos A. Martins de Jesus: Fragmentos de um fascínio. Sete ensaios sobre a poesia de José Jorge Letria (Coimbra, CECH, 2009), 154 páginas.O livro encontra-se disponível aqui, podendo também ser adquirido em formato de papel ao preço de 8 Euros.Durante o mês de Julho, a Classica Digitalia irão editar mais três livros: um na série Textos, com uma tradução comentada de Plutarco (Diálogo sobre o Amor e Relatos de Amor), e dois na série Humanitas Supplementum, com estudos sobre Horácio e Suetónio.Assim que estiverem carregados na biblioteca digital, será dada informação mais específica sobre estes volumes, que elevarão para 15 o número de livros disponibilizados desde a criação da biblioteca.
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July 2 2009, 11:53am | Comments »
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Biblioteca Digital Séneca
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A Universidad de Murcia acaba de apresentar uma biblioteca digital para a área dos Estudos Clássicos. Trata-se da Biblioteca Digital Séneca que se pode visitar aqui.
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June 29 2009, 3:55am | Comments »
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Do outro lado do espelho: revisão do mito de Narciso
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Recorrendo a um ensaio do classicista Carlos de Jesus, aqui deixamos uma revisão do mito de Narciso, fruto de investigação recente....…(julgando que) é um imortal[……de aparência semelhante aos deuses.um inquebrantável] coração ele tinha, odiado por todos,(Narciso então) se apaixonou pela sua própria figura…....] mas lamentava o prazer de um longo sonhou…….......] chorou pela sua beleza(e então) derramou (o seu sangue) sobre a terra..….] suportarApesar de haver várias e diferentes versões do mito de Narciso, a mais comum deve ser aquela que nos é contada por Ovídio nas Metamorfoses:“Narciso era filho de Cefiso, rei da Beócia, e da ninfa Leríope. Ao nascer, um oráculo predissera-lhe que viveria bem até ao momento em que se visse a ele próprio (v. 348). Ao atingir a juventude, a beleza do herói granjeava-lhe a paixão de um sem número de donzelas e mancebos, entre as quais a ninfa Eco que, impedida de estabelecer diálogo com alguém – pois que apenas repetia os finais do que ouvia – foi também por ele preterida, retirando-se para morrer solitária. Quantos havia desprezado, unidos pelo mesmo abandono, lhe lançaram uma maldição: que enfim pudesse amar alguém e não possuir o objecto do seu amor. Havia de ser por si próprio que nasceria a paixão, nesse coração onde paixão alguma havia já nascido. Um dia, cansado de uma caçada, acerca-se de um lago para matar a sede e, ao ver o seu reflexo, apaixona-se pela sua figura, não mais saindo desse local, até morrer. No fundo, o ser que amava estava mesmo ali, perto de si, do outro lado do espelho (a água cristalina), mas não podia de forma alguma atingi-lo. Pior do que a distância, para Narciso, era a proximidade intransponível daquele regato de água. Conta ainda Ovídio que, no momento em que as Dríades preparavam o seu funeral, em vez do corpo encontraram uma flor amarela, que em sua homenagem passou a chamar-se Narciso.”Ora, acontece que há pouco tempo foi encontrado um papiro que fez rever esta e outras versões do mito, e que é aquela, em verso, que o leitor pode ler acima. Explica Carlos de Jesus:“… até ao verso 11, nada de diferente nos é permitido ler. Temos a expressão da beleza do herói, semelhante na aparência aos próprios imortais o preterir de todos os pretendentes, motivo do ódio por parte destes e o enamoramento pela própria figura. O verso 12, contudo, merece já mais atenção. O sonho a que se alude pode muito bem ser entendido como a ilusão (da beleza) que foi toda a vida de Narciso, algo que agora se lamenta amargamente, contemplada que foi a verdade (a fealdade) nas águas do lago. Esta hipótese parece confirmar-se no verso 13: a beleza chorada seria, no fundo, uma beleza que não há, e que, em boa verdade, se percebe nunca ter existido de facto. Talvez consequência dessa amarga descoberta, o acto de dar a morte (verso 14) é extremamente violento e imediato. Se aceitarmos, como parece credível, que o sujeito do verso é o próprio Narciso, e que o objecto directo é o sangue, estamos então a falar de um suicídio consciente e cruel. As coordenadas do final do mito estão então (…) completamente subvertidas. Narciso ter-se-á suicidado ao perceber ser uma ilusão a beleza que sempre julgou possuir.(…)Daí que a morte não seja calma, fruto de um apagamento sucessivo das forças vitais pela inanição, antes dada pelo mais violento dos suicídios. Ela vem pelo sentimento de solidão, causado pelo afastamento do convívio social e amoroso, ciente de que só em si próprio existe o belo, um belo que torna indigna a aproximação de qualquer outra pessoa.(…)Caravaggio (…) pintou de forma admirável a expressão de desespero no rosto de Narciso, no momento em que se curva sobre as águas e vê o seu reflexo. E é este reflexo, precisamente, que se mostra revelador. Ele é um rosto feio, disforme, em nada similar ao do indivíduo que o contempla.(…)Como diria Platão, Narciso procurou a verdade onde não cabia alcançá-la; buscou a essência no mundo das aparências (simbolizado no lago), e não poderia de forma alguma contentar-se com o resultado, fosse ele belo ou feio. De outro modo, podem a disformidade e a fealdade ser, elas próprias, a essência desse Narciso homem, só percebidas quando se curvou sobre as águas, quando olhou para o fundo do lago, o fundo de si próprio, para aí ver a verdade(…)Belo ou feio – essencialmente belo ou essencialmente feio – qualquer que seja a leitura do mito ou a versão antiga por que optemos, Narciso traz-nos o mistério do outro lado doEspelho (…) A avaliar pelo texto do novo papiro, do outro lado do espelho vem a causa imediata para a morte: a desilusão, seja pela realidade, seja pela ilusão de uma imagemEnganadora.”O leitor que queira ler o ensaio do autor citado, intitulado Narciso, o belo suicida: (Re)leituras do mito a partir de um novo papiro, deve dirigir-se aqui, páginas 117-125.Livro: Jesus, C. M. A flauta e a lira: ensaios sobre a poesia grega e papirologia. Coimbra: Fluir Perene.Imagem: Narciso de Caravaggio, Galeria nacional de Arte Antiga, Roma.
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June 27 2009, 7:03pm | Comments »
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Longevidade e extensão do Império Romano
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Do estudo de João Gouveia Monteiro e José Eduardo Braga que precede a obra Vegécio. Compêndio da Arte Militar, já referida no De Rerum, deixamos ao leitor o seguinte extracto (páginas 23 e 24 e página 15):"Sabemos relativamente pouco sobre o que se passou antes das Guerras Púnicas, especialmente antes da Segunda (218-201 a.C.). Mas, de acordo com Michel Feugère, durante o tempo de reis romanos (i.e., até 509 a.C., data da expulsão de Tarquínio Soberbo, o último dos seis que se sucederam a Rómulo), não devia haver grandes diferenças militares entre Roma e os seus vizinhos.Fundada, segundo a tradição (hoje em dia motivo de controvérsia), em 753 a.C., Roma foi durante séculos uma pequena comunidade (ou várias que acabaram por se fundir numa só) e a guerra que praticava tinha essa pequena escala: raids, roubos de gado e escaramuças ocasionais). Como explica Goldsworthy, os líderes eram, na sua maior parte, «chefes guerreiros nos moldes heróicos» que, «em muitos aspectos, deveriam assemelhar-se aos heróis da Ilíada de Homero, que combatiam para que o povo deles dissesse «ignominiosos não são os nossos reis que governam/ a Lícia, eles que comem as gordas ovelhas e bebem/ vinho selecto, doce como o mel, pois sua força é também/ excelente, visto que combatem entre os dianteiros dos Lícios». Ao que presume também Goldsworthy, a transição para a República não terá modificado de imediato este género de liderança militar.No século VI a.C., sabemos que Roma ficou sob a dominação dos Etruscos (reconstituição corrente mas redutora, que encobre a presença e o papel de outros povos). Mas, em finais do século VI, a cidade ajudou a fundar a Liga Latina (uma aliança de urbes latinas contra os Etruscos), a qual, com a ajuda dos Gregos que haviam colonizado a costa sul do Latium, acabaria por expulsar os Etruscos, em 396 a.C., dar-se-ia ainda a captura da cidade etrusca de Veios. Segundo Feugère, em parte foi por influência dos Etruscos que o exército romano primitivo incorporou elementos gregos nas suas tácticas e equipamentos.Em, 280 a.C., Roma controlava já, totalmente a Itália peninsular, depois de haver vencido os Samnitas (em três guerras: 343-341, 326-304 e 298-290 a.C.), os Úmbrios, os Etuscos e os Celtas do Adriático. Em inícios do século III a.C, Roma submeteriatambém as colónias gregas da Península Itálica. Durante esta longa evolução a escala de guerras de Roma (que revelava uma grande abertura aos estranhos à sua comunidade, rara no mundo antigo) foi crescendo.Sob influência etrusca (mais até do que grega), os Romanos começaram a combater em formação cerrada – lembrando a falange hoplita, densa e pouco propícia a grandes destaques individuais. O infante hoplita usava um escudo redondo (chapeado a bronze, com c. de 90 cm de diâmetro), estando também equipado com elmo, couraça e grevas, para além de uma lança muito comprida. A falange, originária do século VIII a.C., surgira na Grécia antiga, ao esboçar-se uma primitiva organização militar destinada a vingar durante cerca de cinco séculos; a falange evoluiria depois até à sua forma clássica antes da invasão da Pérsia por Alexandre Magno, c. 330 a.C.(…)Quando se estuda a civilização de Roma antiga, o primeiro aspecto que impressiona é a sua longevidade: mais de mil anos de história (se apenas considerarmos o Império Romano do Ociente), um caso único no mundo nosso mundo. O segundo motivo de espanto é a imensidão do seu território: visto de poente para nascente, o Império Romano ia desde a Península Ibérica até à Capadócia e a Síria (fora as conquistas provisórias de Pompeu de Corbulão, de Trajano, de Diocleciano, de Juliano e de outros na Arménia, na Assíria, na Mesopotâmia e Império Persa); visto de norte para sul, descia das Ilhas Britânicas até ao Norte de África (incluindo as Mauritânias, a Numídia, a Cirenaica e o Egipto).Compreender como foi possível construir e manter durante tantos séculos um Império com estas dimensões é algo que nos conduz necessariamente ao estudo da máquina de guerra romana, talvez a mais eficiente e poderosa que alguma vez existiu à superfície da Terra"
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June 20 2009, 6:03pm | Comments »






