Em Agosto do passado ano dei aqui a notícia do trabalho louvável de uma escola portuguesa – a Escola Rodrigues de Freitas, do Porto -, de uma professora - Alexandra Azevedo - e de um aluno – Afonso Reis Cabral - que se traduziu na participação no European Student Competition in Ancient Greek Language and Literature, promovido pelo Ministério da Educação da Grécia, o que lhes valeu um 8.º lugar nesta competição, entre quase 4000 candidatos.Passados alguns meses tive curiosidade de saber o que Alexandra e Afonso estão a fazer, neste momento.P: O que significou para vós o prémio que receberam no ano passado na Grécia?Alexandra: Será necessário começar por dizer que formada em Clássicas pela Faculdade de Letras de Coimbra, em 1992, só leccionei Grego no ano lectivo passado pela primeira vez. Sou das raras professoras que tem a sorte de ter tido sempre, ao longo destes anos, turmas de Latim, mas o Grego não tem cabido nos nossos curricula, onde os clássicos são sinónimo de passado… Assim, a possibilidade de leccionar grego foi, só por si, um prémio pessoal. Os alunos que tinha eram rapazes e raparigas muito interessados, com gosto pelo saber e adoraram a disciplina. A proposta do concurso pareceu-lhes ambiciosa e, por isso, apenas o Afonso se quis aventurar. Um ano de Grego é apenas um abrir portas aos autores, à cultura e a um pequeno nada de língua, mas foi muito motivador. O Afonso dedicou-se a estudar Arriano e Isócrates e conseguiu ser apurado. Fez um óptimo trabalho, claramente reconhecido pelo Ministério Grego. Foi, aliás, escolhido para falar na televisão grega. É um ser humano «grande» e que sabe abrir portas, pelo que tem os olhos postos no mundo que o rodeia. Julgo que se tenha identificado com os valores clássicos e penso que isso o marcará. A ele e aos colegas. O prémio…pois…um orgulho…! Uma compensação… com um misto de tristeza por não poder responder às solicitações que a Grécia me fazia. É muito difícil explicar na Europa - da qual neste campo estamos completamente isolados - que em Portugal não se estuda Grego, nem Latim, e que, por muito que eu queira ajudar, pouco consigo fazer… Mas sim, naquele dia, em Atenas senti-me emocionada ao recebermos as belíssimas medalhas. Foi um programa sensacional. Uma experiência inesquecível.Afonso: Para mim significou, antes do mais, que vale a pena o esforço, o trabalho e a ocupação de tempos livres para o estudo. Foram meses intensos, mas cheios de compensação pessoal. Depois, teve milhares de outros significados, tão importantes como o primeiro. Aprendi o quão carismática e dedicada pode uma Professora ser, apontando sempre o caminho. Aprendi que as línguas mortas estão afinal vivas. Aprendi que uma empreitada desta natureza nunca é um esforço singular, mas plural, já que passou pela Professora Alexandra e por mim, mas também pelos meus colegas, nas pequenas cedências e grandes simpatias de que deram mostra. Isto foi, essencialmente, o que significou o trabalho: poderia ter saído tudo gorado, nos resultados, que nunca seria um verdadeiro flop, por assim dizer. Este pensamento, enquanto não chegaram os resultados, foi reconfortante. Depois da semana grega, estando tudo terminado, o prémio ganhou novos significados. Mostrou-me que o tal esforço conjunto se pode traduzir numa semana divertidíssima e descontraída, dotada de um sol extraordinário, de praias semi-paradisíacas, de amizades cimentadas, etc. Significou também um sentido de comunhão europeia, que até à data nunca tinha experimentado, no sentido de que, apesar de sermos todos diferentes, estávamos ali pelos mesmos motivos e partilhávamos todos um pouco da mesma cultura. Isso foi muito reconfortante.P: O que fazem, neste momento, de extraordinário nas Clássicas e pelas Clássicas?Alexandra: De extraordinário? Nada. Portugal não permite. O que de extraordinário sinto que faço é ver em cada aula de Grego os 7 alunos que tenho este ano ouvirem com interesse e gosto os mitos, lerem as obras integrais em tradução… enfim, conhecerem. O que há de mais extraordinário para mim é confirmar que, ainda que o Ministério negue ano após ano, reforma após reforma, a importância dos clássicos, os alunos têm interesse e gosto. Mas não se ama o que não se conhece. O Amor nasce da convivência. É assim na vida. É assim também com a cultura.Como não há Latim no 12º ano, a escola deu-me a mim e ao meu colega e amigo Jorge Moranguinho a possibilidade de prepararmos os 4 melhores alunos que haviam tido a disciplina no 11º ano para concursos de Latim. Assim, num bloco semanal, traduzimos Ovídio e Horácio, com vista a estes dois concursos. Neste momento, o Jorge estava de partida para Sulmona para participarmos num concurso de tradução de Ovídio, que foi adiado por causa do terramoto, visto que Sulmona fica na província de Áquila. Em Maio, estarei eu com duas alunas em Venosa. É evidente que os quatro anos, seis, oito… que os outros alunos europeus têm de aprendizagem do latim não permite a Portugal ter expectativas, mas a experiência é fantástica e sentimos que estes alunos crescem intelectual e interiormente. Os clássicos são exemplos de virtudes humanas. De igual modo, concorremos novamente à Annual Competition of Greek language and Culture. Este ano era Xenofonte o autor proposto, a obra Memorabilia. Os alunos adoraram a fábula de Pródico, em que o herói Hércules conhece a Virtude e o Pecado, na forma de duas mulheres, tendo de escolher qual o caminho a seguir… Também o diálogo de Sócrates com o filho Lamprócles sobre a importância da mãe na vida de um ser e na sua educação, foi motivo de discussões acesas e muito importantes. Foi um mês e meio de trabalho intenso. Valeu a pena só por si. Veremos se temos sorte. Todos eles estão de parabéns pois trabalharam muito bem. Em Junho saem os resultados.Afonso: Não posso dizer que, agora, faça algo de extraordinário nas e pelas Clássicas. O extraordinário terá que ficar ao cuidado da minha Professora!... Re-estudo apenas Latim na Universidade Nova de Lisboa, onde estou a tirar o curso de Estudos Portugueses e Lusófonos.P: Que lugar têm as Clássicas nas vossas vidas?Alexandra: Adoro ensinar. Poderia fazê-lo em qualquer disciplina. Mas a verdade é que ensinar Latim e Grego me permite tentar que os alunos pensem melhor, ajam melhor, sejam melhores pessoas, com mais cultura geral. Sei que é isso que tem tornado a minha relação com eles diferente, ao longo destes anos. Não tenho ambições de formar classicistas, mas sim gerações mais cultas, que tenham vontade de mudar o rumo da educação no nosso país. E isso, em pequena escala, minúscula, ínfima, sei que tenho conseguido. Guardo no coração cada aluno que passou pelas minhas aulas de Latim, e agora nas de Grego. Unem-nos as leituras conjuntas que fazemos, as viagens que fizemos juntos. Sei que onde estiverem o lembrarão.Afonso: Como já disse, as Clássicas têm agora um lugar mais limitado na minha vida, sendo que não segui esse caminho directamente. No entanto, as Clássicas mantêm-se em linha paralela com o meu percurso académico. Estão sempre visíveis e servem de apoio aos meus estudos literários. A base que construí no Secundário tem-se revelado essencial em inúmeros aspectos, começando no domínio da língua e acabando no domínio da cultura. Sem elas, as Clássicas, o curso não me estaria a correr bem.P: Como vêem, neste momento, o futuro das Clássicas no nosso país?Alexandra: Sei que remo contra a maré. O Latim e o Grego não vendem em Portugal. Ninguém parece entendê-lo – ou poucos… É com espanto e um misto de vergonha que chego todos os anos a Itália e vejo centenas de jovens que estudam para Medicina, Engenharia ou Economia e que têm latim, grego; leram Homero, Virgílio, conhecem Horácio e o recitam… Que distância dos jovens portugueses! Os mesmos problemas sociais, as mesmas dificuldades económicas, as mesmas lutas contra novas dinâmicas tecnológicas, mas uma Escola que se quer Escola; que assume o seu papel e que não abdica dele. É com tristeza que vemos o fim dos cursos de literaturas no Secundário… que vemos o Ministério ignorar as tendências europeias, como se Portugal tivesse seres humanos diferentes… Em Itália ou na Grécia, sou sempre recebida de braços abertos pois acho que vêem em mim uma esperança… enganam-se, sinto que são os últimos combates… Mas, sim, continuarei, enquanto puder, a lutar contra a maré.Afonso: Posso apenas falar sobre o futuro das Clássicas no país no que diz respeito ao ensino secundário, já que é a experiência que eu tenho. Nesse campo, o futuro não é brilhante. O Ministério da Educação deambula entre o incompetente por negligência e o incompetente por agressão. Parece que não sabe nada, que não percebe nada, que não se interessa por nada: não soube sequer, por exemplo, dar a informação profissionalmente e sem falhas, que a Professora necessitava, de quantos alunos de Grego existiam à data em Portugal; nem sequer soube, o que me espanta, aproveitar os louros alheios. Ou seja, o trabalhinho estava todo feito: porque não aproveitá-lo? Isto pode parecer um pouco irónico, mas se tal tivesse acontecido demonstraria um mínimo de interesse, mesmo que por oportunismo. Imagine que só depois de muitas súplicas via e-mail conseguimos que prestassem atenção. Depois de todo o trabalho, esta foi uma demanda inglória e castradora: fazer com que o Ministério nos ouvisse! Quanto ao panorama geral, que é o mais importante, penso que deveria haver mais mobilidade e opção de escolha das disciplinas, porque me parece um convite à desistência só haver Grego no último ano (e como opção entre outras cadeiras, por exemplo, Psicologia) de um agrupamento já de si super especializado, o de Línguas e Literaturas. Uma maior mobilidade e alargamento de opções incentivaria os alunos a escolherem estas disciplinas. Claro que a desculpa de sempre é que não existe um número de alunos suficiente nestas áreas. Pois como pode haver, se nos atiram para um canto obscuro e de difícil acesso, visto erradamente por muitos como sem qualquer saída profissional? Gera-se então um ciclo vicioso difícil de quebrar. Não há apoio porque não há alunos, não há alunos porque não há apoio. Enfim, tudo isto tornou mais difícil a presença das Clássicas no Secundário. Conclusão: se a coisa continuar assim, pura e simplesmente não há futuro.
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Sei que onde estiverem o lembrarão
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April 13 2009, 7:34am | Comments »
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Fragmentos Poéticos
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Vale a penalerTítulo: Fragmentos PoéticosAutor: ArquílocoIntrodução, tradução e notas: Carlos Martins de JesusEditor: Imprensa Nacional Casa da Moeda, 2008Há meio século a Doutora Maria Helena da Rocha Pereira traduziu e deu a conhecer entre nós, na Hélade, algumas passagens da obra de Arquíloco. Recentemente, foi a vez de um jovem investigador da Universidade de Coimbra, Carlos de Jesus, decifrar, interpretar e passar para a nossa língua, as mais de três centenas de fragmentos – um dos quais encontrado em 2005 –, que contêm aquilo que nos chegou ao presente dessa obra.Numa síntese da escrita do controverso poeta nascido no século VII a.C. na ilha de Paros, situada no mar Egeu, escreveu Carlos de Jesus (página 11):“Pode ser o mar, a aventura da viagem sem promessa de retorno. Pode ser a guerra, a morte heróica em combate, mas também a fuga, covarde, no terror do momento – porque vida há só uma. Pode ser o amor por uma mulher de beleza extraordinária, o prazer ou o sexo mais violento e alienantes, o sexo que alimenta o corpo e perturba o espírito. Pode ser tudo, no fundo. E tudo isso mais não é do que a vida – breve, oscilante e, raras vezes apenas, feliz. Esse o assunto dos seus versos.Caso paradigmático da poesia grega do Período Arcaico, Arquíloco de Paros não é, de modo algum, um poeta que tenha reunido o consenso dos críticos ao longo dos tempos. Imoral e obsceno – essa a fama que o tempo lhe reservaria –, mas também reflexivo, guerreiro e profundamente humano, são apenas alguns dos adjectivos que a leitura da sua produção preservada não pode deixar de suscitarDo livro em causa, que nos permite conhecer melhor as nossas origens culturais mais remotas, escolhi o seguinte poema (página 102):“Aos deuses tudo se atribui. Muitas vezes das desditasos mortais erguem, prostrados sobre a negra terra,muitas vezes derrubam os que caminhambem firmes, a que depois de muitos males advêm,e com falta de meios um homem vagueia, perdida a razão”.
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April 7 2009, 6:46am | Comments »
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“Transgredir as fronteiras”
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Sistemas de ensino como o nosso estão virados para a aquisição de competências (seja lá isso o que for…) apuradas no e para o quotidiano, a vida dos alunos, focadas no “saber-ser” e “saber-fazer”, como forma de preparação para a “vida activa”, para a prática, para a aplicação, para a integração social e profissional…Sistemas educativos como o nosso afastam dos curricula os conhecimentos que se suspeita não poderem ser “mobilizados”, de imediato, para a “resolução de problemas reais”, com o argumento de que os alunos, por não lhe verem qualquer serventia, se desmotivam …Sistemas educativos como o nosso proclamam que todos os conhecimentos são relativos e se equivalem: aqueles que consideramos eruditos e universais não passam de escolhas, mais ou menos aleatórias, de elites estabelecidas, que as transmitem aos seus descendentes com o intento de manterem o seu estatuto privilegiado. A estratégia igualitária só pode ser a reacção “crítica” e “emancipatória” que legitima a substituição desses conhecimentos por outros que emergem nos mais variados contextos culturais, étnicos... e que têm sentido nesses mesmos contextos.Assim sendo, sistemas educativos como o nosso põem em risco o saber que a civilização tem conseguido construir e que, afinal, lhe dá identidade. Praticamente todas disciplinas que constituem esse saber, sejam elas de carácter científico ou humanístico, se vêem ameaçadas de morte, restando-lhe lutar, em sentido contrário ao das orientações oficiais, pela sobrevivência dos seus fundamentos e essência, como forma de as fazer chegar ao futuro.De entre essas disciplinas, as Clássicas são talvez as que mais se têm ressentido. Nesta lógica que conforma a escolaridade, marcada pelo utilitarismo e “amnésia planificada”, como chama George Steiner, que temos vindo a deixar instalar, elas não “servem” rigorosamente para nada. Se não, vejamos: pertencem ao passado, estão, portanto afastadas dos interesses actuais da esmagadora maioria dos alunos e não se vê como os poderão ajudar a arranjarem um emprego que lhe garanta a “autonomia económica”.Interditar as Clássicas seria, no entanto, excessivo. (Ainda) há vozes capazes de se manifestarem, vozes que, apesar de tudo, causam algum embaraço. Assim, a solução encontrada é, como refere ironicamente Margarida Lopes Miranda, a atribuição de uma espécie de “reserva ecológica”, onde essas vozes se acomodem.Contudo, vejo os nossos classistas, parafraseando o físico-matemático Alan Sokal, “transgredirem as fronteiras” de tais reservas. Nas escolas e nas universidades vejo os professores continuarem a ensinar com entusiasmo os seus alunos; vejo investigadores de todas as idades a traduzirem textos de grandes autores, alguns deles originais, para a nossa língua, em edições académicas e de divulgação; vejo-os a criar colecções em papel e on-line, cuidando que a linguagem não seja uma barreira, mesmo entre os menos cultos; vejo-os a adaptarem peças de teatro de modo que as pessoas comuns as entendam e a representarem-nas por aí, por onde essas pessoas estão; vejo-os a estudarem aprofundadamente aspectos particulares da vida na Antiguidade, da maneira de pensar, sentir e agir de personagens que, distantes de nós no tempo, poderiam ser nós próprios; vejo-os a participarem em debates, tertúlias para darem a conhecer os seus autores e obras mais amadas…Apesar de todos ventos parecerem soprar a desfavor, vejo as clássicas a renascer.
April 5 2009, 12:24pm | Comments »
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As Sete Maravilhas do Mundo Antigo
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Vale a penalerTítulo: As Sete Maravilhas do Mundo Antigo - Fontes, Fantasias e ReconstituiçõesOrganização: José Ribeiro Ferreira, Luísa de Nazaré FerreiraEditora: Edições 70Ano: 2009Este livro “propõe uma revisita pelas realizações monumentais que foram sendo escolhidas pelos Antigos como as Sete Maravilhas de então: as Pirâmides de Gize (ou Guiza), os Jardins Suspensos de Babilónia, a Estátua de Zeus em Olímpia, o Mausoléu de Halicarnasso, o Artemísion de Éfeso, o Colosso de Rodes, o Farol de Alexandria - o Senhor Sete que atravessa e marca presença nas diversas culturas ao longo dos tempos.Como guias, há a companhia segura dos textos dos autores antigos (as fontes) e o remanescente do que a usura do tempo nos tirou e que as escavações arqueológicas nos vêm legando e procuram aclarar. Há ainda as ilustrativas imagens das reconstituições, onde não falta sequer a cada passo, em algumas delas, a fantasia de autores e pintores que, desaparecidas essas obras na voracidade do tempo, as tenta recriar com recurso à imaginação. Há também, e sobretudo, os estudos sérios que procuram descrever e interpretar obras que tanto espicaçaram a invenção e a fantasia da mente humana, ao longo dos tempos."JOSÉ RIBEIRO FERREIRA
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March 29 2009, 8:50am | Comments »
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"As bacantes"
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A peça As Bacantes, de Eurípides, vai ser proximamente levada à cena no Theatro Circo, em Braga.Um espectáculo sobre o Sentir, o Saber e o Acreditar!Sobre a Política e a organização da Cidade.Sobre a Vingança.Sobre a necessidade mais funda que temos de dizer Não e de rompermos a Norma.Um espectáculo sobre a Condição Humana.A luta entre o Sagrado e o Profano.Um caminho de Viajantes e de Confronto de Identidades.Um espectáculo de Mulheres!Uma tragédia do Mundo!Estreia: 19 Novembro de 2008Espectáculos: 20 a 22 de Novembro - 21h30; 23 de Novembro - 16h
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November 16 2008, 8:52am | Comments »
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O dever de educar para os Antigos
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Terceira sessão do ciclo de Conferências O dever de educar, no próximo dia 18 de Novembro, pelas 18h15, na Livraria Minerva, em Coimbra.Tanto quanto sabemos, desde que a educação se formalizou que existe discórdia em torno do sentido e dos modos de concretização do dever de educar.Encontramo-la já nitidamente delineada na Grégia Antiga e percebemo-la a percorrer os tempos até ao presente.Quais são os seus contornos originais? Em que medida eles marcam o nosso modo de pensar a educação na actualidade? E, como orientam a acção dos educadores?Para responder a esta e outras perguntas é convidado Delfim Leão, professor do Instituto de Estudos Clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a quem muito tem interessado o estudo da Educação Antiga.Local: Livraria Minerva (Rua de Macau, n.º 52 - Bairro Norton de Matos), em Coimbra.As sessões deste ciclo são quinzenais, e estão abertas ao público.Próximas sessões: 2 e 16 de Dezembro.
November 12 2008, 9:16am | Comments »
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Da leitura pelo professor de Matemática
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As Vespas voltam à cena no dia 21 deste mês de Novembro (uma sexta-feira), pelas 21h30, no Teatro de Sobral, em Ceira (Coimbra), pelo grupo de teatro clássico Thíasos, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.Falo com o seu director, Carlos de Jesus, estudante de doutoramento desta Universidade em Literatura Grega que, no âmbito do trabalho de Mestrado, traduziu do grego e anotou esta peça de Aristófanes.P: Carlos, quer fazer o favor de nos apresentar Aristófanes? R: Posso não ser a pessoa ideal para o fazer – e não serei por certo. Ainda assim, diga-se que foi um dos maiores poetas cómicos da Antiguidade, que viveu e exerceu a sua actividade entre a segunda metade do século V e o primeiro quartel do século IV a.C. Dizemos “um dos maiores” pois, de facto, sabemos da existência e dos prémios atribuídos a outros comediógrafos seus contemporâneos – de quem não conservamos mais do que breves fragmentos – que, inclusivamente, levaram a melhor sobre Aristófanes em concurso. Permitiu-nos a sorte conservar na íntegra onze das muitas comédias que terá composto. Artista talentoso, crítico de arte (sobretudo a tragédia, que muito admirava), despertou paixões e ódios entre os do seu tempo. Em especial os políticos, que atacava com uma dureza e energia sem paralelo, ter-lhe-ão criado diversos problemas, judiciais mesmo. A comédia política – à letra, que se centra no que vai mal (sobretudo) na pólis – foi, de facto, o seu género predilecto, aquele que o lançaria para as vertiginosas estradas da memória e o impediria de cair no esquecimento.P: Sei que um dos seus pólos de interesse é a comédia aristofânica. O que tem ela de especial para lhe ter dirigido um olhar especial?R: Quando se elege um tema de mestrado, muitas vezes não se tem, à partida, uma noção clara do que se vai encontrar. Claro que tinha já lido Aristófanes e assistido a representações de peças suas, o que muito me havia cativado. Mas confesso que os factores que condicionaram a minha escolha não foram, de facto, os que se esperariam numa entrevista deste género. É que, a única certeza que tinha ao cabo de um ano de seminários era que queria traduzir grego, traduzir grego a sério e em extensão. Ora, estando esta comédia disponível para tradução, no âmbito da tradução completa do teatro clássico a saír na Imprensa Nacional (INCM), não resisti ao desafio. Depressa me apaixonei pela comédia: a cor, o movimento, as intenções satíricas e os gracejos tão actuais... Daí à sua adaptação para o palco, foi um passo breve. Parecia reunir, de facto, os ingredientes necessários para funcionar. Mas isso, que o diga quem a ela assistiu.P: Centremo-nos n’As Vespas. Para quem não conheça, pode desvendar um pouco o enredo da peça? R: Vamos a isso. Num contexto como o da democracia ateniense em que as decisões políticas e judiciais cabiam, directamente, aos cidadãos – mesmo assim uma minoria da sociedade -, e posto que a participação dos juizes nos tribunais tinha passado a ser remunerada (ainda que miseravelmente), a comédia reproduz uma cena familiar em que Bdelícleon (o filho previdente) tenta a todo o custo curar o vício dos julgamentos que domina o seu pai, Filócleon. Para isso, e posto que os argumentos falham, reproduz-se à porta de casa uma sessão de tribunal em que arguido e acusador são, imagine-se, dois cães. O primeiro, Labes (ou Lambes, na nossa adaptação) é acusado de ter roubado um queijo da Sicília, ao passo que o segundo o vem acusar mais por não ter partilhado com ele o objecto roubado do que do furto em si. Instala-se a confusão, as tentativas de suborno são mais que frequentes. No final, tentanto o filho instruír o velho pai nos meandros da nova sociedade – mais dada a copos que a grandes valores – este termina a peça completamente bêbado, a dançar e a parodiar os coros trágicos. Acrescente-se a tudo isto um coro de velhos juizes caracterizados como vespas (que dá o título à comédia), símbolo de uma sociedade viciada em julgamentos e, mais do que isso, na condenação. Muitas danças, figurinos coloridos e alguns gracejos modernizados condimentam a peça, algo que mais não consegue do que reproduzir, a um nível mínimo, o cuidado espectáculo musical e coreográfico que teria sido a apresentação original.P: É uma peça com um grande sentido político. Diria que esse sentido pode ser encontrado na actualidade?R: Sem dúvida. Basta pensarmos na sempre noticiada corrupção nos nossos tribunais para a identificação ser óbvia. Mesmo em termos dramatúrgicos, defendi já numa comunicação que há tempos proferi os paralelos possíveis com o nosso teatro de revista: desde logo pelas intenções políticas tão centrais em ambos os registos, o aristofânico e o contemporâneo, mas também pela música, pela dança e pela exuberância dos figurinos que temperam ambos os estilos. Servindo-se os dois de cómico da caricatura e da alegoria, fazem subir ao palco, mais ou menos disfarçados, os protagonistas da vida política nacional, apresentando a quem se senta a assistir à comédia, em directo, a falta de carácter e a corrupção. Igualmente, num tempo como no outro, se tentou silenciar estas vozes, consideradas perigosas. Mas afinal, num tempo como no outro, que mérito maior do que este, o do desconforto, poderia alguém reconhecer ao dramaturgo politicamente empenhado? P: Suponho que foi George Steiner que disse que à medida que o tempo passa mais notas de rodapé se introduzem nas traduções dos clássicos, sinal de que os leitores estão cada vez menos preparados para os compreender sem apoio de um intermediário, que é o tradutor. Reparei que a sua tradução da peça de que falamos é precedida duma introdução, não muito extensa, que localiza o leitor na obra do escritor, no contexto em que a trama emergiu e no seu conteúdo, mas não inseriu notas no texto de Aristófanes. Steiner está errado ou a escrita de Aristófanes é continua compreensível? R: Tudo depende do grau de compreensão que se espera que o leitor dito comum (expressão que não gosto) atinja. Além disso, também a natureza dos textos clássicos em causa implica compreensões mais ou menos imediatas. Quero com isto dizer, por exemplo, que a anotação de um texto filosófico ou fragmentário tem necessariamente que ser mais extensa e explicativa. Depois, outro factor determinante é o público-alvo de determinado livro (outra expressão que, em si, não faz grande sentido, como se o autor/tradutor tivesse o direito de dizer quem deve ou não ler o seu livro!). As coisas não são no entanto assim no que toca à comédia e, em certa medida, também à tragédia. As situações hilariantes de uma e os dramas humanos da outra continuam, estou em crer, perfeitamente actuais e compreensíveis – desde que, claro está, o tradutor esteja disposto a fazer algumas cedências em relação a uma concepção mais erudita de tradução – que tanto mal nos fez, ao envolver-nos numa capa de poeira e mofo. Claro que se perdem algumas notações de circunstância, que há que explicar em nota. Mas essas, no que ao teatro diz respeito, julgo não serem determinantes para a compreensão e identificação com a mensagem dos textos. Dito de outro modo, traduzir os clássicos exige um esforço claro de adaptação. Dou-lhe um exemplo, da comédia precisamente. Se determinada personagem, em jeito de desabafo, se expressa em grego com a fórmula ma ton Dia (à letra “Não, por Zeus!”), não pode o tradutor de comédia – como de resto insistem alguns – ser literal na tradução; de facto, algo como “Não, caramba!” faz muito mais sentido em Português e não trai, de forma nenhuma, o espírito do original (onde, diga-se em abono da verdade, não havia já implícita qualquer referência ao pai dos deuses, como para nós dizer “Ai meu Deus!” não resulta, claramente, numa manifestação de fé ou de blasfémia!). Mas este equilíbrio entre erudição e adaptação, como imagina, é polémico e difícil de ter uma solução única. Cada caso vale por si. Ou seja, George Steiner está parcialmente errado. Os textos, se traduzidos com seriedade, mantêm grande parte das valências significativas do original. Mas as notas têm um valor muito específico. O que não pode acontecer é elas tornarem-se uma forma de exibicionismo do tradutor, mais do que um esforço de explicação necessário. No caso de Vespas, de resto, as notas na versão da tese sujeita a arguição são bastante mais extensas no que na versão publicada. Outras questões de ordem mais filológica tiveram aí que ser ponderadas, mas não mais faziam sentido para o leitor da comédiaP: O Carlos tem vinte e cinco anos de idade, além das suas responsabilidades no teatro, fez seis traduções de autores gregos, publicadas em forma de livro, escreveu vários artigos e capítulos de livros… Numa altura em que as Clássicas têm uma expressão reduzidíssima no currículo escolar e em que se tende a desvalorizar a sua importância, não posso deixar de lhe perguntar porque é que um jovem se entrega de alma e coração a elas?R: Essa talvez seja a pergunta mais complexa que me colocou, porquanto eu próprio, em diversas ocasiões, a coloco a mim próprio. Num cenário em que ambas as carreiras docentes, a do secundário e a universitária estão fechadas a novos candidatos – por erros graves do passado e outros factores demasiado complexos para aqui discutir – a vertente da investigação é o que resta aos “apaixonados”. Cedo despertou em mim o interesse pela literatura, e claro que a ideia de trabalhar com línguas menos comuns como o Latim e o Grego também foi aliciante ao tempo em que tive que tomar uma decisão. Depois, já no curso, a leitura dos textos cimentou o gosto. Claro que a experiência de teatro foi determinante. Inicialmente como técnico, depois como actor, encenador e, agora, tradutor. A estreia de “Vespas”, obra que tinha traduzido e dirigido, foi para mim o culminar de algo importante, o concretizar de um percurso teórico que aí sim, no palco, estava finalmente completo. Contrariamente à opinião de muitos, para quem traduzir mais não é do que um mal necessário, eu olho para a tradução dos clássicos, pela pouca experiência que tenho, como uma necessidade positiva e urgente, como uma verdadeira missão que se nos impõe, a nós classicistas, se queremos divulgar os nossos autores e o nosso trabalho. Claro que essa tradução tem que ser séria (entenda-se, directamente da língua original). O que não falta são traduções de autores gregos e latinos a sair quase todos os meses, mas em muitos casos elas mais não são do que a tradução da versão francesa ou inglesa de determinada obra. E isso é, no mínimo, um mau uso dos recursos. Felizmente, há nos dias que correm uma série de projectos de tradução sérios em curso – relembro o do teatro clássico completo, das obras de Aristóteles e, mais recentemente, das de Plutarco –, estando eu próprio envolvido em dois deles. O problema é que não podemos competir, em termos de tempo, com essas outras traduções, que demoram, necessariamente, bastante menos a ser publicadas. Mas não é uma concorrência desleal; as coisas valem o que valem, e isso acabará por ser reconhecido. Finalmente, deixe-me que lhe confesse que este trabalho, financeiramente instável porquanto vive de bolsas e parece afugentar verdadeiros contratos de trabalho, é para mim uma delícia a cada dia. Penso que a sensação de ser um arqueólogo dos textos pode expressar bem o que sinto – e sentirão outros – ao trabalhar nesta área.P: Disse-me que o seu interesse pela literatura despertou cedo, posso perguntar-lhe como é que despertou?R: O ambiente em que cresci, com todas as vantagens salutares da vida rural, era de todo alheio (e até adverso) a livros. Assim que o interesse pela literatura, de facto, despertou de uma forma pouco habitual – numa aula de matemática, imagine-se. Porque de uma turma um pouco insurrecta se tratava – já há quinze anos as havia – o nosso professor de então teve a ideia peregrina de ler para nós, ao longo do ano lectivo, um romance, com que nos ia entretendo nos últimos dez minutos de cada aula. Lembro-me perfeitamente de como ficava deliciado a ouvi-lo ler as páginas da Voz dos Deuses de João Aguiar, livro que anos mais tarde, como exercício nostálgico, havia de reler. Provavelmente, aí terá também nascido o fascínio pela cultura clássica, levado nas peripécias de Viriato. Seguiram-se outras leituras, a aventura da escrita e um ou outro concurso de poesia de escola ganho. Mas, antes que pergunte, posso já adiantar que não dei continuidade a essa vertente criativa. O que escrevia e eventualmente ainda escrevo não passam de rabiscos sem qualidade literária.Obrigada, Carlos, pelo seu trabalho, pelo seu entusiasmo.
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November 9 2008, 6:27am | Comments »






