Num blogue muito interessante, vejo um "exercício" muito comum de PCT que dá muito que pensar.
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Explicação de PCT
http://terrear.blogspot.com/2009/07/explicacao-de-pct.html
July 13 2009, 4:31am | Comments »
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Competências Chave 2
http://terrear.blogspot.com/2009/04/competencias-chave_03.html
Haste considera as cinco competências-chave presentes na Tabela 1 como componentes do primeiro nível de metacompetência em termos da gestão da inovação e da continuidade (2001, pp. 103-117).Seguindo um caminho paralelo em conjunto com outros colaboradores, Haste centrou-se em áreas de domínio e não em competências singulares. De facto, cada área proposta inclui competências e aptidões específicas, apesar de não as listar, nem explorar sistematicamente.A primeira competência que propõe (competência tecnológica) consiste na predisposição com que, por um lado, se adquirem novas aptidões tecnológicas consoante as necessidades e, por outro, a forma como se abdica das que já não são necessárias. Isto não implica a capacidade de prever mudanças futuras, mas antes a capacidade de lhes reagirmos apropriadamente.A segunda competência (lidar com a ambiguidade e a diversidade) deriva da necessidade de adaptação a novas situações nas quais não é possível aplicar uma lógica linear. Nessas circunstâncias, aliás cada vez mais comuns no mundo actual, é necessária a capacidade para gerir a diversidade e a dissonância de uma forma criativa e suportável, ao mesmo tempo que se tenta evitar o seu encerramento prematuro ou ainda a dissolução ou queda num relativismo.A terceira competência (encontrar e suster laços comunitários) relaciona-se com aspectos sociais e pessoais, e não só ou principalmente com domínios cognitivos. Inclui várias competências singulares, tais como a aprendizagem através da linguagem e a prática social, nutrir uma identidade social, sentir-se próximo e ligado aos outros, reconhecer que as instituições e comunidades têm múltiplos compromissos e agendas (alguns que nos são familiares, outros não) e uma apreciação auto-consciente dos processos hermenêuticos que geram o próprio significado.A quarta competência (a gestão da motivação, emoção e desejo) está relacionada com a ideia de levar as emoções mais a sério, a qual, por sua vez, foi manifestada pela expansão do novo conceito de inteligência emocional, por exemplo. Entre as competências básicas incluídas nesta área, a capacidade de reconhecer que há formas diferentes de pensar na emoção deve ser realçada.A quinta competência (agência e responsabilidade) centra-se na moralidade, responsabilidade e cidadania, entre outros. As competências incluídas nesta área podem ser resumidas à auto-suficiência, a capacidade de atenção e concentração num plano, a adaptabilidade à mudança, sentido de responsabilidade, a crença de que é possível produzir um efeito e a capacidade de compromisso. Neste caso, surgem de novo alguns aspectos em comum com as listas de outros autores.Perrenoud centra a sua proposta na necessidade de desenvolver actores autónomos, no sentido em que as pessoas devem ser capazes de agir por si próprias em campos sociais múltiplos e, ao mesmo tempo, serem capazes de evitar estar à mercê das estratégias e decisões adoptadas por outros actores. Este autor centra-se nos aspectos das pessoas comuns, os quais as ajudam a preservar a sua autonomia e a evitar que sejam abusadas, alienadas, dominadas ou exploradas. Dado que Perrenoud encara a autonomia como um factor chave em termos de educação e desenvolvimento humano, este autor selecciona oito competências sob o título de competências necessárias à autonomia (2001, pp. 133-144).Porém, é cauteloso quando sugere uma lista deste cariz e fala das competências como hipóteses e não como uma receita normativa. A sua proposta é apresentada como uma visão parcial, e não exaustiva, sobre as competências. Segundo o seu ponto de vista, um actor autónomo é alguém capaz de identificar, avaliar e defender os recursos, direitos, limites e necessidades individuais; de criar e conduzir projectos, individualmente ou em grupo, e de desenvolver estratégias; analisar situações, relações e campos de força de forma sistémica; de cooperar, agir em sinergia e tomar parte numa liderança colectiva e partilhada; de construir e operar em organizações e sistemas de acção colectiva do tipo democrático; de gerir e superar conflitos; de agir segundo as regras, usando-as e trabalhando-as; e, por último, de construir normas negociadas de convivência que ultrapassem as diferenças culturais.É óbvio que a sua lista, conduzida pela sua perspectiva ímpar, considera um determinado número de competências que são necessárias para a vida no séc. XXI.A abordagem de Levy e Murnane é mais pragmática do que as dos outros investigadores previamente discutidos, uma vez que estes se focam especificamente nas competências-chave que são essenciais para o sucesso económico. Ambos os economistas têm consciência das limitações do seu ponto de vista, mas aceitam-no como consistente de acordo com a análise que fazem. Começaram por estudar a literatura económica, o que os levou a propor várias lições, uma vez que preferiram evitar chamar-lhes competências-chave, conforme presente na Tabela 1 (Levy & Murnane, 2001, pág. 153).Duas das lições adicionais encontram-se relacionadas com o impacto positivo do ensino formal no sucesso económico e ainda com as mudanças nas forças de mercado que valorizam as competências-chave e, como tal, só se referem a competências-chave de forma indirecta. É esta a razão pela qual não foram incluídas na Tabela 1.A primeira e segunda competências estão ligadas à educação formal, mesmo que possam ser também desenvolvidas para lá das fronteiras da escolaridade dita tradicional.A terceira competência tem que ver com um aspecto de uma competência mais alargada incluído noutras listas – trabalhar com produtividade – que, por seu turno, está relacionado com o bom funcionamento em grupo.A quarta competência refere-se às emoções – falam de inteligência emocional como um campo mais vasto – e aptidões interpessoais, um domínio que é, aliás, tratado numa série de propostas aqui discutidas.A quinta competência relaciona-se com as competências tecnológicas – os autores consideram competências e aptidões como palavras sinónimas –, mas é necessário sublinhar que tal exige uma familiaridade mínima com computadores. O que significa familiaridade neste contexto? Na sua opinião, inclui o domínio do teclado e do rato, a constatação de que a maior parte dos programas de software são instalados da mesma forma e possuem sistemas de ajuda em linha e uma abertura espírito para aprender novos programas (Levy & Murnane, 2001, pág. 167).A última proposta que brotou do projecto DeSeCo não se tratava de mais um contributo proveniente das áreas disciplinares, mas antes um comentário da parte de Cecília Ridgeway, uma professora convidada. Depois de analisar as propostas feitas por diferentes especialistas, ela destacou duas vastas áreas analisadas em várias propostas e acrescentou ainda uma terceira, todas elas apresentadas na Tabela 1 (Ridgeway, 2001, pp. 207-210).O primeiro domínio que identificou como sendo essencial está relacionado com a capacidade de funcionar em grupo. Dentro desse domínio, a autora sublinha três capacidades básicas: (a) colocarmo-nos no lugar da outra pessoa; (b) capacidade de negociar na eventualidade de um conflito de interesses de forma a encontrar soluções mutuamente aceitáveis; (c) capacidade de trabalhar em grupo e de forma democrática.O segundo domínio centra-se na gestão de motivações e emoções e no auto-conceito, aliás um domínio que foi destacado em várias outras propostas.O terceiro domínio tem que ver com a literacia informática, que ultrapassa a simples familiaridade sublinhada por Levy e Murnane e, ao mesmo tempo, inclui a confiança associada de que uma pessoa pode adquirir novas competências conforme as necessidades. Esse domínio destaca que esta competência é uma competência de escape que pode incluir ou excluir pessoas de posições mais valiosas dentro da sociedade (Ridgeway, 2001, pág. 210).Obra citada infra
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April 3 2009, 4:32pm | Comments »
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Competências Chave
http://terrear.blogspot.com/2009/04/competencias-chave.html
Com base na literatura académica disponível e numa análise a partir de uma perspectiva interdisciplinar, construímos uma tripla categorização das competências-chave: agir autonomamente, utilizar ferramentas interactivamente e funcionar em grupos socialmente heterogéneos. O destaque atribuído ao conceito agir autonomamente diz respeito à relativa autonomia e identidade. A capacidade de utilizar ferramentas interactivamente refere-se à interacção do indivíduo com o mundo através de ferramentas físicas e socioculturais (incluindo a linguagem e as disciplinas académicas tradicionais, como por exemplo, história). A categoria relativa à capacidade de funcionar em grupos socialmente heterogéneos realça a interacção do indivíduo com os outros e com as suas próprias diferenças. Estas categorias constituem uma base conceptual que permite categorizar e, posteriormente, conceptualizar com maior acuidade as competências-chave. Dentro de cada categoria, sublinhámos um determinado número de competências-chave inter-relacionadas, e que são particularmente relevantes nesta altura específica. São o resultado de uma análise das diversas listas de competências-chave apresentadas nos relatórios dos vários países e nos artigos especializados à luz dos critérios normativos, conceptuais e definicionais já estabelecidos. (...)Haste considera as cinco competências-chave presentes na Tabela 1 como componentes do primeiro nível de metacompetência em termos da gestão da inovação e da continuidade (2001, pp. 103-117). Seguindo um caminho paralelo em conjunto com outros colaboradores, Haste centrou-se em áreas de domínio e não em competências singulares. De facto, cada área proposta inclui competências e aptidões específicas, apesar de não as listar, nem explorar sistematicamente. A primeira competência que propõe (competência tecnológica) consiste na predisposição com que, por um lado, se adquirem novas aptidões tecnológicas consoante as necessidades e, por outro, a forma como se abdica das que já não são necessárias. Isto não implica a capacidade de prever mudanças futuras, mas antes a capacidade de lhes reagirmos apropriadamente. A segunda competência (lidar com a ambiguidade e a diversidade) deriva da necessidade de adaptação a novas situações nas quais não é possível aplicar uma lógica linear. Nessas circunstâncias, aliás cada vez mais comuns no mundo actual, é necessária a capacidade para gerir a diversidade e a dissonância de uma forma criativa e suportável, ao mesmo tempo que se tenta evitar o seu encerramento prematuro ou ainda a dissolução ou queda num relativismo. A terceira competência (encontrar e suster laços comunitários) relaciona-se com aspectos sociais e pessoais, e não só ou principalmente com domínios cognitivos. Inclui várias competências singulares, tais como a aprendizagem através da linguagem e a prática social, nutrir uma identidade social, sentir-se próximo e ligado aos outros, reconhecer que as instituições e comunidades têm múltiplos compromissos e agendas (alguns que nos são familiares, outros não) e uma apreciação auto-consciente dos processos hermenêuticos que geram o próprio significado. A quarta competência (a gestão da motivação, emoção e desejo) está relacionada com a ideia de levar as emoções mais a sério, a qual, por sua vez, foi manifestada pela expansão do novo conceito de inteligência emocional, por exemplo. Entre as competências básicas incluídas nesta área, a capacidade de reconhecer que há formas diferentes de pensar na emoção deve ser realçada. A quinta competência (agência e responsabilidade) centra-se na moralidade, responsabilidade e cidadania, entre outros. As competências incluídas nesta área podem ser resumidas à auto-suficiência, a capacidade de atenção e concentração num plano, a adaptabilidade à mudança, sentido de responsabilidade, a crença de que é possível produzir um efeito e a capacidade de compromisso. Neste caso, surgem de novo alguns aspectos em comum com as listas de outros autores. Perrenoud centra a sua proposta na necessidade de desenvolver actores autónomos, no sentido em que as pessoas devem ser capazes de agir por si próprias em campos sociais múltiplos e, ao mesmo tempo, serem capazes de evitar estar à mercê das estratégias e decisões adoptadas por outros actores. Este autor centra-se nos aspectos das pessoas comuns, os quais as ajudam a preservar a sua autonomia e a evitar que sejam abusadas, alienadas, dominadas ou exploradas. Dado que Perrenoud encara a autonomia como um factor chave em termos de educação e desenvolvimento humano, este autor selecciona oito competências sob o título de competências necessárias à autonomia (2001, pp. 133-144). Porém, é cauteloso quando sugere uma lista deste cariz e fala das competências como hipóteses e não como uma receita normativa. A sua proposta é apresentada como uma visão parcial, e não exaustiva, sobre as competências. Segundo o seu ponto de vista, um actor autónomo é alguém capaz de identificar, avaliar e defender os recursos, direitos, limites e necessidades individuais; de criar e conduzir projectos, individualmente ou em grupo, e de desenvolver estratégias; analisar situações, relações e campos de força de forma sistémica; de cooperar, agir em sinergia e tomar parte numa liderança colectiva e partilhada; de construir e operar em organizações e sistemas de acção colectiva do tipo democrático; de gerir e superar conflitos; de agir segundo as regras, usando-as e trabalhando-as; e, por último, de construir normas negociadas de convivência que ultrapassem as diferenças culturais.É óbvio que a sua lista, conduzida pela sua perspectiva ímpar, considera um determinado número de competências que são necessárias para a vida no séc. XXI. A abordagem de Levy e Murnane é mais pragmática do que as dos outros investigadores previamente discutidos, uma vez que estes se focam especificamente nas competências-chave que são essenciais para o sucesso económico. Ambos os economistas têm consciência das limitações do seu ponto de vista, mas aceitam-no como consistente de acordo com a análise que fazem. Começaram por estudar a literatura económica, o que os levou a propor várias lições, uma vez que preferiram evitar chamar-lhes competências-chave, conforme presente na Tabela 1 (Levy & Murnane, 2001, pág. 153). Duas das lições adicionais encontram-se relacionadas com o impacto positivo do ensino formal no sucesso económico e ainda com as mudanças nas forças de mercado que valorizam as competências-chave e, como tal, só se referem a competências-chave de forma indirecta. É esta a razão pela qual não foram incluídas na Tabela 1. A primeira e segunda competências estão ligadas à educação formal, mesmo que possam ser também desenvolvidas para lá das fronteiras da escolaridade dita tradicional. A terceira competência tem que ver com um aspecto de uma competência mais alargada incluído noutras listas – trabalhar com produtividade – que, por seu turno, está relacionado com o bom funcionamento em grupo. A quarta competência refere-se às emoções – falam de inteligência emocional como um campo mais vasto – e aptidões interpessoais, um domínio que é, aliás, tratado numa série de propostas aqui discutidas. A quinta competência relaciona-se com as competências tecnológicas – os autores consideram competências e aptidões como palavras sinónimas –, mas é necessário sublinhar que tal exige uma familiaridade mínima com computadores. O que significa familiaridade neste contexto? Na sua opinião, inclui o domínio do teclado e do rato, a constatação de que a maior parte dos programas de software são instalados da mesma forma e possuem sistemas de ajuda em linha e uma abertura espírito para aprender novos programas (Levy & Murnane, 2001, pág. 167). A última proposta que brotou do projecto DeSeCo não se tratava de mais um contributo proveniente das áreas disciplinares, mas antes um comentário da parte de Cecília Ridgeway, uma professora convidada. Depois de analisar as propostas feitas por diferentes especialistas, ela destacou duas vastas áreas analisadas em várias propostas e acrescentou ainda uma terceira, todas elas apresentadas na Tabela 1 (Ridgeway, 2001, pp. 207-210). O primeiro domínio que identificou como sendo essencial está relacionado com a capacidade de funcionar em grupo. Dentro desse domínio, a autora sublinha três capacidades básicas: (a) colocarmo-nos no lugar da outra pessoa; (b) capacidade de negociar na eventualidade de um conflito de interesses de forma a encontrar soluções mutuamente aceitáveis; (c) capacidade de trabalhar em grupo e de forma democrática. O segundo domínio centra-se na gestão de motivações e emoções e no auto-conceito, aliás um domínio que foi destacado em várias outras propostas. O terceiro domínio tem que ver com a literacia informática, que ultrapassa a simples familiaridade sublinhada por Levy e Murnane e, ao mesmo tempo, inclui a confiança associada de que uma pessoa pode adquirir novas competências conforme as necessidades. Esse domínio destaca que esta competência é uma competência de escape que pode incluir ou excluir pessoas de posições mais valiosas dentro da sociedade (Ridgeway, 2001, pág. 210).D. S. Rychen e A. Tiana.O desenvolvimento de competências-chave na educaçãoalgumas lições extraídas da experiência nacional e internacional.
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April 3 2009, 4:28pm | Comments »
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Os saberes de cada um
http://terrear.blogspot.com/2009/03/os-saberes-de-cada-um.html
O galinheiro estava em polvorosa. Cocorocós de galos, cacarejos de galinhas, tofracos[1] de angolinhas[2], pios de pintinhos – tudo se misturava num barulho infernal. Todos haviam sido convocados a uma assembleia pelo Chantecler, o galo prefeito do galinheiro, para tratar de um assunto de grande importância: o fato de vários ovos chocados pela Cocota terem sido comidos por um ladrão, num breve momento em que ela abandonara o ninho para comer milho e beber água.As pegadas eram inconfundíveis: o ladrão era uma raposa. Raposas são animais muito perigosos. Comem não somente ovos como também pintinhos e mesmo galinhas mais crescidas. Com um sonoro cocoricocó, Chantecler pediu silêncio, expôs o problema e franqueou a palavra.Encarrapitado no galho de uma goiabeira, um galinho garnizé cantou estridente. Era o Mundico. Ele adorava discursar. "Companheiros", ele começou, "peço a atenção de vocês para as ponderações que vou fazer acerca da crise conjuntural em que nos encontramos. Charles Darwin foi o primeiro a mostrar que a história dos bichos é marcada pela luta em que os mais fortes devoram os mais fracos. Os leões comem os veados, os lobos comem os cordeiros, os gaviões comem as pombas, as raposas comem as galinhas. Os mais aptos sobrevivem, os outros morrem"."Assim, a crise conjuntural em que nos encontramos nada mais é que uma manifestação da realidade estrutural que rege a história dos bichos. E o que é que faz com que as raposas sejam mais aptas do que nós? As raposas são mais aptas e nos devoram porque elas detêm o monopólio de um saber que nós não temos. Somente nos libertaremos do jugo das raposas quando nos apropriarmos dos saberes que elas têm.""Como se transmitem os saberes? Por meio da educação. Sugiro então que empreendamos uma reforma em nossos currículos e programas. Se, até hoje, nossos currículos e programas ensinavam aos nossos filhos saberes galináceos, de hoje em diante eles ensinarão saberes de raposa.""Primeiro, teremos de educar os nossos olhos para que eles passem a ver como vêem as raposas. Onde é que as raposas têm os seus olhos? Na frente do focinho. E nós? Onde estão os nossos olhos? Do lado. Educaremos os nossos olhos para que eles olhem para frente, como as raposas.""Segundo: teremos de reeducar o nosso andar. Raposas andam com quatro patas. Por isso valem o dobro que nós, que só temos duas. Como transformar duas patas em quatro? Nós, galinhas e galos, bípedes, passaremos a andar aos pares, um na frente, outro atrás, o de trás segurando o traseiro do que vai à frente, e assim seremos quadrúpedes.""Terceiro: as raposas têm pêlos, enquanto nós temos penas. Teremos de nos livrar de nossas penas para que no seu lugar cresçam pêlos. E os nossos rabos, ridículos uropígios, estimulados pelos pêlos, se alongarão para trás e se transformarão em rabos de raposa.""Quarto: as raposas têm focinhos e nós temos bicos. Mas o que é um focinho? Focinho é uma coisa sem bico. Ora, bastará que extraiamos os nossos bicos para termos focinhos, como as raposas. Assim, pela educação, nos apropriaremos dos saberes das raposas, espécie que por tantos milénios nos tem dominado. Será, então, o advento da liberdade!"Mundico se calou. Todos estavam "biquiabertos" com a sua eloquência. E todos concordaram com o seu projecto educacional. Galos e galinhas arrancaram umas às outras as suas penas e, peladas, aguardavam o crescimento dos pêlos. Por meio de exercícios apropriados, movimentavam seus olhos para que eles aprendessem a olhar para a frente. Desbicaram-se, lixando seus bicos em pedras ásperas. E andavam, como Mundico dissera, aos pares, um na frente e outro agarrado atrás...Mas parece que o currículo de raposa não deu resultado. A raposa continuou a comer ovos dos ninhos e chegou mesmo a devorar um pintinho distraído. Acharam que ela tivesse também devorado o Sesfredo, um galo velho de pescoço pelado, vermelho, e que cantava com sotaque caipira.Convocou-se outra assembleia. Toda a população do galinheiro compareceu. Para surpresa de todos, até mesmo o Sesfredo, que tomou lugar num galho de uma árvore muito alta, onde nenhum galo ou galinha jamais fora. "A gente pensou que você tinha sido devorado pela raposa", cantou o Godofredo, forte galo índio. "Que nada", disse Sesfredo. "É que me internei no spa[3] do Urubuzão para fazer uma reciclagem de voo. Urubu é ave como nós. Mas raposa não come urubu. Raposa não come urubu porque urubu sabe voar. Raposa come galos e galinhas porque desaprendemos o uso de nossas asas..."Nesse momento uma angolinha que ficara de sentinela deu o alarme: "Aí vem a raposa, aí vem a raposa, aí vem a raposa...". Foi uma correria, cada um correndo para um lado. Mas ninguém sabia voar. A raposa, valendo-se da confusão, abocanhou uma galinha garnizé, já depenada e desbicada...Todo mundo entrou em pânico. Menos o Sesfredo. Lá de cima, ele abriu as asas e voou alto, muito alto, até parecia um urubu... Assim é: ave que sabe voar, raposa não consegue pegar.Alguns há que justificam os currículos de nossas escolas dizendo que é preciso que as classes dominadas se apropriem dos saberes das classes dominantes. Há muitos Mundicos por aí...[1] Palavra criada por Rubem Alves para reproduzir o piar destas aves (N. do E.)[2] Galinha de Angola ou galinhola (N. do E.)[3] Estância hidrotermal (N. do E.) Gaiolas ou Asas, ob citada
March 4 2009, 3:17pm | Comments »
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Português ou Língua Portuguesa?
http://dererummundi.blogspot.com/2009/02/portugues-ou-lingua-portuguesa.html
Como é sabido, a última reestruturação do Ensino Básico data de 2001. No Decreto-Lei 6/2001, de 18 de Janeiro, e no Currículo Nacional do Ensino Básico, publicado nesse mesmo ano, consta uma área curricular disciplinar designada por Língua Portuguesa. Ora, a proposta de novos programas para esta área, que têm estado em consulta pública, parece ter-lhe mudado a designação para Português, que é a designação legitimada no currículo do Ensino Secundário. Mas, se consultarmos o Portal do Governo ficamos na dúvida se assim é. Consta lá:Programas de Português do Ensino BásicoO projecto de Programas de Língua Portuguesa para o Ensino Básico (1.º, 2.º e 3.º ciclos)...Não fará diferença usar uma ou outra designação!?
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February 22 2009, 3:53pm | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Ensino de habilidades de vida na escola: uma experiência com adolescentes
http://terrear.blogspot.com/2008/10/ensino-de-habilidades-de-vida-na-escola.html
Este trabalho tem como objetivo apresentar e analisar o conteúdo de uma intervenção psicológica para o desenvolvimento de habilidades de vida em adolescentes, a partir da descrição detalhada das estratégias utilizadas. A intervenção, realizada em contexto grupal, consistiu em 12 encontros semanais, de duas horas de duração. Discute-se a adequação desta modalidade de atendimento, temas, conteúdos
October 18 2008, 9:03am | Comments »