Não resisto a trazer para o terrear um debate breve suscitado por um post que coloquei no Aragem com um texto de Rui Canário (que tinha anteriormente aqui inscrito). Três vozes amigas e lúcidas:3za disse..."...Construir a escola do futuro supõe, pois, a adopção do procedimento inverso: transformar os alunos em pessoas. Só nestas condições a escola poderá assumir-se, para todos, como um lugar de hospitalidade." Importante que os professores possam também ser (os deixem ser) pessoas que se sentem acolhidas com hospitalidade no espaço que partilham com as crianças-pessoas que desejam ajudar a formar. Vivo tempos simultaneamente doces e amargos: por um lado tento fazer o que preconiza Canário, contra todas as adversidades (com o apoio das crianças e das famílias), por outro... o sistema escola não é hospitaleiro: pune-me (com faltas e outros doces tratamentos)precisamente por decidir dar o contributo na diferença e não na conformidade. Durante quanto tempo um professor mais frágil sobrevive hostilizado no espaço que devia habitar com o maior dos prazeres? Para fazer pessoas é preciso poder ser uma primeiro... Então, a luta que mantemos ganha todo o sentido: estamos a fazer tudo para tornar a escola num espaço onde as pessoas possam respirar e crescer... todas elas. E nela oferecemos o exemplo máximo de cidadania crítica capaz de gerar a mudança.4:40 PMJMA disse...De facto, a escola vem-se tornando num espaço e num tempo concentracionário (creio que o escrevi vai para mais de três anos)onde não importa o que se faz, desde que lá se esteja mesmo a fazer nada(o efeito do presencismo, como também lhe tenho chamado). Este teatro do absurdo ultrapassou o limiar da farsa e vivemos hoje a tragédia.12:29 AMIC disse...Creio que o JMA, no comentário aqui, se refere aos alunos. Mas, a propósito de espaço e tempo e também do comentário da 3za, trago estas palavras do próprio JMA, de um número de 2005 do Correio da Educação (não é que as encontrei muito rapidamente?! deve ser porque parecem de hoje...):"O tempo obrigatório de presença na escola é assim um tempo individual, esmigalhado, sem qualquer sentido estratégico e colectivo. É um tempo assistencial, dispersivo, desgastante e desqualificante. Haverá a humildade de saber ver? Haverá a lucidez de rever decisões burocraticamente perfeitas e aparentemente sustentáveis? Em nome da dignidade profissional e dos interesses educativos dos alunos?"12:54 AMTeresa Lopes disse...Não pude deixar de sorrir com o comentário do JMA: "Este teatro do absurdo ultrapassou o limiar da farsa e vivemos hoje a tragédia."Vivi, um dia destes, uma situação de absurdo. Fazia uma substituição numa turma do 8º ano, uma turma por sinal com alguns alunos oriundos de um certo (elevado) extracto social e a aula tinha-se iniciado num clima de boa disposição, da minha parte, e de algum constrangimento por parte dos alunos, embora estivessem devidamente comportados e a participar ainda "a medo". Aproveitando um momento em que me debrucei sobre o livro de ponto para fazer um registo duas alunas levantam-se silenciosamente e só as vi de costas sair porta fora.Devia ter ficado com um ar de estupefacção durante uns segundos e a primeira coisa que consegui articular foi perguntar aos alunos o que se tinha passado. Vivi o absurdo, total, durante esses breves segundos.O que se passou depois não vale a pena contar. O artigo de Rui Canário é, de facto, um iluminar sobre o escuro que temos hoje em muitas escolas, um ponto de partida para inúmeras reflexões.Destaco a seguinte afirmação referida pela IC: "A de fazer da escola um sítio onde se desenvolva e estimule o gosto pelo acto intelectual de aprender...", sem tragédias.1:51 PM
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
Do tempo, do espaço e das pessoas...
http://terrear.blogspot.com/2009/01/do-tempo-do-espaco-e-das-pessoas.html
January 30 2009, 6:00am | Comments »
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João Marques passando os olhos por... terrear.blogspot.com
O Início de debate antes de ser desfeito pela espuma dos dias
http://terrear.blogspot.com/2009/01/o-inicio-de-debate-antes-de-ser.html
A propósito do excelente texto de Rui Canário que aqui ontem evoquei, trago para a primeira página dois comentários:
O António disse: Excelente texto. Imprimi, li, sublinhei. Sofri. Mas destacaria a ideia de «construir uma escola onde se aprenda pelo trabalho...». Há não muito, num conselho de turma, um colega queixava-se e distribuía negativas. Do discurso do colega concluía-se que nada mudou
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January 18 2009, 5:35am | Comments »
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